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É consenso comum que a recuperação de áreas contaminadas com DNAPLs é um dos maiores desafios no ramo da remediação ambiental. DNAPLs são líquidos mais densos que a água, relativamente insolúveis e de composição química simples ou complexa. Dentre outros, os DNAPLs de relevância ambiental são constituídos por solventes clorados - como o tricloroetileno (TCE) e tetracloroetileno (PCE) -, alcatrão, creosoto, alguns pesticidas e bifenilas policloradas. Possivelmente, os DNAPLs de solventes clorados são os mais comuns.
Um dos maiores desafios na remediação de áreas contaminadas com DNAPL está na dificuldade de se caracterizar adequadamente o volume e a extensão do DNAPL liberado no meio ambiente, particularmente, de se encontrar e delinear o DNAPL presente no subsolo. Enquanto plumas de contaminantes dissolvidos podem ser adequadamente caracterizadas utilizando-se de ferramentas convencionais, tais como poços de monitoramento, devido à sua distribuição heterogênea e ao seu comportamento extremamente complexo e relativamente imprevisível, DNAPLs em subsuperfície freqüentemente passam despercebidos quando ferramentas e estratégias de investigação convencionais são usadas para caracterizá-los. Além disso, comumente DNAPLs estão presentes em quantidades suficientes para causar significativas contaminações de fase dissolvida nos aquíferos, mas insuficientes para serem facilmente mapeados com métodos convencionais de investigação.
As conseqüências de se ter uma área contaminada por DNAPLs pouco ou inadequadamente caracterizada são numerosas. Investigações ambientais indevidamente conduzidas em áreas com DNAPL podem resultar numa avaliação imprecisa dos riscos e numa elaboração inadequada do projeto de remediação, como também, podem causar a contaminação cruzada de aqüíferos e ampliar a extensão da área contaminada. Além disso, a caracterização inadequada de um DNAPL em subsuperfície pode levar à aplicação ineficaz de técnicas de remediação de alto custo (por exemplo, tratar um volume muito maior do que o necessário com uma tecnologia cara). A caracterização insuficiente de áreas contaminadas com DNAPL também aumenta drasticamente o risco de se ter uma remediação ineficaz, pois porções do subsolo com DNAPL podem passar desapercebidas e, portanto, não serem tratadas ou controladas.
Autor: Fernando Mazo D’Affonseca, PhD
Fonte: ITRC (2003): An Introduction to Characterizing Sites Contaminated with DNAPLs. (http://www.itrcweb.org/Documents/DNAPLs-4.pdf)