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Carvão “limpo”: especialistas em sustentabilidade pressionam por um papel pioneiro alemão

Tecnologia de captura e sequestro de carbono ganha destaque 

Stuttgart (Alemanha), 16 de dezembro de 2009 - Michael Vassiliadis, presidente do Sindicato de Mineração, Química e Energia Industrial (SMQEI) e membro do Conselho Alemão para Desenvolvimento Sustentável (CADS), convidou o governo do seu país a apoiar o avanço do carvão “limpo”. A captura e sequestro de CO2 poderia “produzir empregos qualificados e chances de exportação”, afirmou Vassiliadis no último 10 de novembro, dia do Carvão Mineral Alemão. Desta forma, os partidos governantes deveriam aprovar uma lei que “promovesse essa atividade, ao invés de evitá-la”. E para que essa tecnologia do futuro seja levada adiante, é necessário ainda mais, segundo o chefe do SMQEI.

A “aceitação dessa tecnologia do futuro” deveria aumentar na população, esclarece Vassiliadi, que também acredita que para isso é necessário um “fortalecimento de um esforço comum”. O seqüestro de carbono é algo bastante controverso na Alemanha. Alguns grupos de defesa do meio ambiente, como o Greenpeace ou a Federação para a Defesa da Natureza (FDN) recusam essa prática. A FDN a descreveu no final de outubro como “ocultar um assassino do clima”. Novas termoelétricas de carvão não estão ligadas à proteção do clima, segundo a Associação do Meio Ambiente. Contrariamente, Vassiliadis ressalta as chances dessa tecnologia, que possibilitaria uma “geração de energia quase livre de emissões de CO2” e poderia ser uma contribuição “determinante” para a mudança climática.

A tentativa inicial para uma lei nacional sobre o tema fracassou no último verão alemão. Numa segunda tentativa, os partidos CDU/CSU e FDP chegaram a um consenso num contrato de coalizão. Além disso, eles querem fortalecer a aceitação dessa tecnologia e, ao mesmo tempo, a pesquisa. A chanceler Angela Merkel destacou isso no dia 10 do último mês em seu discurso ao Parlamento. Merkel apresentou um “conceito geral para uma política de energia coerente” como perspectiva e promoveu o carvão “limpo”. A Alemanha, segundo a chefe de governo, não poderia “de imediato” renunciar a esse tipo de energia. Com vista na grande fatia do carvão na geração de energia global, ela questiona: “O que deveria ser construído na China?”. No mesmo dia a Agência Internacional de Energia, situada em Paris, publicou cálculos de que a procura mundial por carvão poderia aumentar em 53% nos próximos vinte anos.

Volker Hauff, membro do CADS, insistiu várias vezes por uma estratégia alemã coerente de captura e seqüestro de carbono e se pronunciou para um teste dessa tecnologia. “A médio prazo a Alemanha até pode seguir sem carvão”, segundo o também ex-ministro de educação e pesquisa alemão. Porém, o mundo não poderia de maneira alguma ficar sem esse combustível fóssil. “A nossa responsabilidade global nos força a indicar caminhos para um futuro com CO2 reduzido através de novas tecnologias”. O CADS apresentou ao governo alemão um documento de diretrizes que ordena que após 2015 nenhuma concessão seja dada a termoelétricas de carvão sem a tecnologia de seqüestro.

Vassiliadis esclareceu durante o dia do Carvão Mineral Alemão que o país tem boas chances, através do desenvolvimento da captura e do seqüestro de carbono, de se colocar no topo do progresso. Pois assim como a energia solar, isso é uma tecnologia do futuro. Porém, enquanto a energia solar é colocada na mídia como algo atraente, a captura e sequestro de carbono talvez irá promover-se somente entre “alguns especialistas”. O membro do CADS reconhece assim uma contradição: essa nova tecnologia poderia, através do grande percentual de carvão mineral na geração de energia alemã, fazer “consideravelmente mais para a proteção do clima” do que muitas formas de energia renovável. Segundo cálculos da Associação Trabalhista de Balanço Energético, o carvão mineral alemão contribuiu com 27% do uso de energia primária no primeiro semestre de 2009. Energia solar, eólica e hidroelétricas vieram juntas com 6,6%.

 

Link para a matéria original:

http://www.nachhaltigkeitsrat.de/de/news-nachhaltigkeit/2009/2009-11-26/saubere-kohle-nachhaltigkeitsexperten-draengen-auf-deutsche-vorreiterrolle/?size=ouomytjhs&blstr=0

Colaboração da equipe técnica da Fator Ambiental da Alemanha.