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Stuttgart (Alemanha), 1º de março de 2010 - A Alemanha poderia ter um impacto significativo sobre os negócios globais de sustentabilidade através de investimentos em recursos humanos e financeiros em países emergentes com um grande mercado consumidor, como por exemplo o Brasil.
Essa é uma das recomendações da "Peer Review" (revisão paritária) da política nacional de sustentabilidade alemã, cujo objetivo foi examinar os pontos fortes e fracos do setor no país.
Seus resultados foram apresentados na Conferência Anual do Conselho de Desenvolvimento Sustentável Alemão, no final de 2009, em Berlim.
Björn Stigson, presidente do Conselho Mundial de Sustentabilidade e Negócios, discursou sobre outras conclusões da revisão paritária. Ele deu ênfase às oportunidades futuras no ramo de sustentabilidade e alertou sobre a concorrência: “Quem será o líder e ganhará a corrida verde? A economia e a sociedade global passarão por drásticas mudanças nos próximos quarenta anos e isso significa que haverá bastante pressão no meio ambiente. No entanto, quando olhamos para o horizonte de soluções, os negócios aparecem”.
“E digo isso porque o negócio é o principal provedor de medidas de eficiência, de tecnologia, de mercados, de infraestrutura e de dinheiro. E 85% do fluxo financeiro aos países em desenvolvimento são do setor privado. Entretanto, a eficiência do negócio depende de instituições e da estrutura regulatória provida pelos governantes”, completou.
Stigson disse que o Japão foi o primeiro a investir na área, mas que a Europa atualmente é líder no mercado de tecnologias verdes, sendo a Alemanha a principal responsável por isso. Ele ainda afirmou que vê muitos pontos positivos na política sustentável alemã, que parece ter fincado raízes em todos os segmentos da sociedade. Há várias instituições, comitês e conselhos, além de outras organizações, voltadas ao setor. E o país também conta com uma sólida base tecnológica, com centros de pesquisa de alto nível.
Ele também disse que vê algumas carências na Alemanha, como a falta de um planejamento a longo prazo e a resistência em discuti-lo, além da necessidade de ampliar os investimentos em pesquisa e inovação. Isso pode ser um grande obstáculo para o futuro, já que há uma enorme demanda por produtos verdes.
A Alemanha pode escolher entre “avançar com os negócios normalmente e não vencer essa disputa, ou decidir se preparar e ter certeza de defender sua posição de liderança”. E para que o país desenvolva planos para se posicionar no mercado global, a “Peer Review” fez nove recomendações, sendo que cinco foram para o governo federal e as restantes foram direcionadas a empresários e consumidores alemães.
Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul e outros países emergentes foram citados nas recomendações sobre Pesquisa e Inovação. A “Peer Review” sugere que o governo alemão e a iniciativa privada deveriam incentivar pequenas e médias empresas alemãs a colaborarem com os setores público e privado desses países, para eles adotarem soluções sustentáveis para suas necessidades regionais. Uma cooperação com a mão de obra local qualificada seria o primeiro passo nesse sentido.
Stigson afirmou que a União Europeia tem investido na área de pesquisa e inovação, porém, os EUA e a China têm destinado muito mais verbas ao setor. Ele deu a entender que se trata de uma competição sobre quem irá explorar esses mercados primeiro. “Há diversas metas para 2020. Mas há poucos indícios de um projeto para os anos seguintes, seja por parte do governo ou da sociedade alemã. Devemos focar em 2050 e o grande desafio é a mudança climática. É aí que a Alemanha deve agir: criar um sistema de energia limpa, o que deixará o país em destaque no mundo”, finalizou.
Link com mais informações da “Peer Review” (em inglês e alemão):
RNE_Peer_Review_Report_November_2009_03.pdf
Link com o discurso completo de Björn Stigson, presidente do Conselho Mundial de Sustentabilidade e Negócios, sobre a “Peer Review” (inglês):
Speech_Stigson_Peer_Review_2009-11-23.pdf
Colaboração da equipe técnica da Fator Ambiental da Alemanha.