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Organizações exigem da União Europeia notificação obrigatória de sustentabilidade

Sindicatos e organizações solicitam que empresas apresentem relatórios de sustentabilidade

Stuttgart (Alemanha), 14 de março de 2011- Representantes de sindicatos e organizações da sociedade civil reivindicaram no início de fevereiro que a Comissão Europeia torne obrigatória a apresentação de relatórios padronizados de sustentabilidade para pequenas, médias e grandes empresas. Por trás desse apelo está a Global Reporting Initiative (GRI), que desenvolveu diretrizes para relatórios de sustentabilidade, a Federação Sindicalista Europeia - European Trade Union Confederation (ETUC) - como também a European Coalition for Corporate Justice (ECCJ), uma aliança de organizações não-governamentais e instituições acadêmicas. Com a obrigatoriedade da apresentação de relatórios de sustentabilidade espera-se mais transparência e uma melhor comparação de serviços sustentáveis entre empresas diferentes. Vários especialistas de sustentabilidade da economia alemã julgam essa tentativa de forma cética: isso poderia causar mais danos à sustentabilidade das empresas do que ser útil.

GRI, ETUC e EECJ desejam uma comprometida notificação obrigatória de sustentabilidade e orientada em indicadores que incluem as empresas fornecedoras. Assim, os relatórios de sustentabilidade deveriam dar informações sobre se uma empresa está violando ou está a caminho de violar os padrões internacionais de proteção aos direitos humanos ou do meio ambiente. Consumidores e investidores procuram essas informações cada vez mais, de acordo com as organizações. Com uma padronização deficiente e relatórios apresentados voluntariamente, algumas empresas pintam um quadro rosa demais de suas atividades. Além disso, empresas que elaboram relatórios podem ter uma desvantagem competitiva se outras se negarem a fazer o mesmo. Teresa Fogelberg, representando a diretoria da GRI, disse que somente com uma obrigatoriedade na apresentação de relatórios é possível ter um caminho claro rumo a uma economia sustentável.

Thorsten Pinkepank, coordenador geral de sustentabilidade da BASF, vê isso de outra forma. Segundo ele, uma obrigatoriedade legal para apresentação de relatório seria “não recomendável”. A apresentação voluntária de relatórios apóia “uma competição dinâmica” e dá às empresas “possibilidades para diferenciar-se”. De acordo com a avaliação de Pinkepank, uma notificação obrigatória também significaria enormes esforços e, desta forma, sua realização seria difícil para as empresas de pequeno e médio porte. A BASF dá informações sobre seu desempenho econômico, ecológico e social num denominado relatório integrado. Este conecta a obrigatoriedade financeira e a voluntariedade da apresentação do relatório de sustentabilidade. Com este relatório, através do Instituto para Pesquisa Econômica Ecológica (IÖW, sigla em alemão) e a rede de empresas future, o Consórcio DAX conseguiu o primeiro lugar no ranking dos relatórios de sustentabilidade de 2009.

Udo Westermann, gerente da future, teme que uma obrigatoriedade na apresentação de relatórios tire a liberdade e a boa vontade das empresas de publicar objetivos estratégicos. “Assim, os seus objetivos de sustentabilidade estariam sob o olhar do departamento jurídico, o que normalmente é contra produtivo para as ambições”, disse Westermann. Além disso, a obrigatoriedade para apresentação de relatório só é boa se violações contra elas são punidas com sanções. No entanto atualmente, segundo Westermann, ameaças de punição são difíceis de serem implementadas no plano político.
Caspar vom Blomberg, chefe europeu do Carbon Disclosure Projects (CDP), argumenta de forma parecida. A CDP avalia regularmente, por conta dos investidores internacionais, a qualidade dos relatórios do clima e as metas de CO2 das grandes companhias. Von Blomberg diz que isso funciona, visto que os investidores reconheceriam a mudança climática como risco empresarial e teriam insistido em relatórios correspondentes e medidas de proteção ao clima. No que se refere à sustentabilidade, praticamente ainda não existia tanto essa pressão reguladora do mercado. Além disso, diferentemente das notificações do clima, ainda não estariam disponíveis relatórios modelos. Von Blomberg acredita que tais normas teriam que ser estabelecidas pelas empresas e pelos investidores. Mas para isso, ele diz que uma importante condição prévia teria que ser cumprida: “as pessoas atuantes do mercado têm que entender de maneira mais clara que mais sustentabilidade, e uma notificação de relatório sobre esse assunto, possibilitariam vantagens competitivas”.

Link para matéria original (em alemão): http://www.nachhaltigkeitsrat.de/news-nachhaltigkeit/2011/2011-02-24/organisationen-fordern-eu-weite-pflicht-zu-nachhaltigkeitsberichterstattung/

 

Colaboração da equipe técnica da Fator Ambiental da Alemanha