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Vida nova para localidades antigas
Alemanha mostra caminhos para redução no uso da terra
Stuttgart (Alemanha), 7 de abril de 2009- Cerca de 100 hectares de terra, ou aproximadamente 125 campos de futebol, são consumidos diariamente na Alemanha para a construção de novas estradas, novas moradias e parques industriais, apesar de o governo alemão desejar reduzir até 2020 essa taxa para 30 hectares por dia. O Ministério de Pesquisa e Educação do país atualmente procura por alternativas. Nesse contexto, ele implementou um programa de pesquisa para Redução da Utilização e Gerenciamento Sustentável de Áreas (REFINA, sigla em alemão). Um primeiro seminário público foi realizado em Berlim.
Nos locais onde hoje pastam vacas e cervos, poderão instalar-se amanhã estradas, indústrias ou centros habitacionais. Desta maneira são perdidos diariamente cerca de 100 hectares de terras cultiváveis e áreas florestais. Conforme disse Klaus Töpfer, vice-presidente do Conselho Alemão para Desenvolvimento Sustentável, “estamos a milhas de distância para que o objetivo de utilizar 30 hectares por dia em 2020 seja alcançado. Mas, acima de tudo, o mais preocupante é que também não há nenhuma medida reconhecida que poderia levar-nos de forma abrupta, ou extraordinariamente acelerada, a este objetivo. Desta forma, essa meta está muito distante.”
Falta uma lei que regule o uso da terra. Segundo Peter Fritsch, do Ministério do Meio Ambiente alemão, “nós ainda não temos nenhum pronunciamento claro de todos os estados, de todos os municípios, e de todas as associações municipais, de que esse objetivo de 30 hectares será sobretudo adotado”.
Entretanto, houve sinais positivos. O estado de Baden-Württemberg cessou a concessão de subsídios para construção de centros industriais em áreas verdes, mas libera em “brownfields”. Já o Ministério de Pesquisa e Educação do país patrocina através do REFINA um programa de mais de 100 projetos para reduzir a utilização de novas áreas. Um exemplo é a formação de um fundo imobiliário para antigas áreas industriais em Hannover, o qual tem o objetivo de simplificar e melhorar a procura por futuros usuários. Michael Heesch, líder do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento Urbano da cidade de Hannover, considera isso sensato: “porque nessas áreas também estão presentes alguns tesouros e recursos. Elas estão incluídas na estrutura da cidade, são de fácil acesso e, eventualmente, têm um endereço verdadeiro. Além disso, o reúso dessas áreas evita um tráfego adicional, ou seja, reduz uma mobilização forçada, a qual poderia também influenciar no meio ambiente”.
Heesch sabe a partir de suas próprias experiências que é mais barato construir novas áreas habitacionais em antigas zonas industriais e empresariais do que planejá-las completamente do zero. A maioria dos municípios planeja novas áreas de construção, mesmo sem necessidade, em áreas verdes, acredita Peter Fritsch, do Ministério de Meio Ambiente. “Muitos municípios não tem a menor ideia de quantas áreas livres eles têm nas zonas urbanas. Não necessariamente precisam ser em ‘brownfields’ contaminados, poderiam simplesmente ser em áreas abandonadas. Preocupar-se com o desenvolvimento urbanístico dessas áreas valeria a pena e poderia ser muito mais econômico para o município”.
Alguns pequenos municípios perceberam isso, como Vogtsburg, uma pequena cidade vinícola na região de Kaiserstuhl. Vogtsburg preocupou-se com as características de sua fisionomia urbana já há 20 anos. Segundo o prefeito Gabriel Schweizer, “havia edifícios vazios, os quais foram abandonados nos anos 60 e 70. Eles estavam em um estado de conservação que não condiz com o desenvolvimento atual”.
Em Vogtsburg discutiu-se sobre a capacidade futura do município. E a cidade aconselhou sobre os tipos de subsídios para renovação de casas antigas. “Se no contexto de um projeto de longo prazo conseguirmos dar um uso, através dos netos e novos cidadãos, aos 60 edifícios vázios somente em Burgheim, então o projeto será um sucesso absoluto”, disse Schweizer.
O objetivo de se reduzir o uso diário de terra para 30 hectares só se alcançará se os poucos projetos exemplares forem amplamente copiados, acredita Fritsch. Se necessário haverá também uma regulamentação por lei. “Nós não podemos excluir nenhuma consideração legislativa ou planejamento. Até que estejamos a ponto de alcançar a tal meta, nós devemos ordenadamente avaliar os resultados dos mais de 100 projetos do REFINA. Assim eu acredito que nós seremos um pouco mais sábios”, disse.
Publicado originalmente em: http://www.dradio.de/dlf/sendungen/umwelt/940210/
Colaboração da equipe técnica da Fator Ambiental da Alemanha.
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