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Um mercado de bilhões

Transformando os passivos da indústria em ativos rentáveis e fator de competitividade das empresas

Por Marcos Redondo, diretor-executivo da Fator Ambiental.

São Paulo, 25 de maio de 2009- Quando iniciei a carreira de engenheiro, há vinte anos, grande parte da sociedade e empresas com as quais trabalhei ainda acreditavam que as questões ligadas à proteção do meio ambiente representavam um freio ao crescimento dos negócios no país. Hoje tenho o privilégio de auxiliar grandes empresas dos mais diversos setores a crescerem, ao mesmo tempo em que implantam as melhores técnicas e práticas de sustentabilidade.

As bases legais para o licenciamento ambiental e controle da poluição foram instituídas em 1981, com a criação da Política e do Conselho Nacional do Meio Ambiente. Em São Paulo, investimentos na estruturação e capacitação técnica na Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado, a Cetesb, resultavam numa maior fiscalização e cobrança de ações concretas para preservar e recuperar a qualidade ambiental do solo, das águas e do ar.

A década de 90 foi marcada pela realização, em 1992, no Rio de Janeiro, da II Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, a ECO-92, com uma grande projeção mundial. A sociedade brasileira começou então a tratar de seus grandes passivos ambientais, como o caso do pólo Petroquímico de Cubatão. Foi efetivamente acelerada a “corrida” para o enquadramento legal das empresas. Alguns poucos setores foram além, como é o caso da indústria química e petroquímica através do lançamento do Programa de Atuação Responsável®, em 1992.

Apesar da acentuada resistência às novas políticas ambientais, as empresas incorporaram com sucesso as novas práticas de controle ambiental, adequando gradualmente seus processos, insumos e rotinas de operação à nova realidade. Nessa fase, começa a se estruturar no Brasil o mercado de serviços ambientais, ainda muito incipiente e dependente de tecnologia e know how dos EUA e Europa.

Uma nova fase surgiu no final dos anos 90 e início de 2000 como a grande onda das certificações nos sistema de qualidade. Os investimentos em meio ambiente começaram a deixar de ser apenas uma demanda reativa de atendimento às leis brasileiras e passaram a ser planejados pelas empresas para atender demandas de novos mercados consumidores externos (EUA e Europa), cuja certificação das boas práticas ambientais era requisito de acesso. Iniciava-se uma nova percepção nas empresas do valor ambiental agregado aos produtos, ainda não mensurado de forma clara, mas que proporcionava para alguns mercados um diferencial competitivo.

Nos últimos vinte anos muita coisa mudou para melhor. Com a recente globalização e acirramento da competitividade dos mercados, as empresas passaram a ficar mais atentas às oportunidades de redução de custos. Investimentos na produção mais limpa, otimização do consumo de matérias primas e insumos, reúso de efluentes e redução de resíduos ganharam força, impulsionados não mais por uma demanda legal, mas por uma questão de competitividade.

Vivemos um novo contexto político-econômico no final dessa década. A lógica da produção capitalista evoluiu, agregando uma nova consciência de preservação ambiental e a certeza de que o lucro máximo decorre do alcance do ponto de equilíbrio entre os resultados econômicos, sociais e ambientais.
Bem-vindo à era da sustentabilidade, que em poucas palavras significa lucrar eticamente, hoje e no futuro.                                                                            

A sociedade finalmente se deu conta de que a natureza é uma fonte esgotável de recursos e que o aquecimento global é uma realidade que pode trazer sérios prejuízos à economia mundial. Desde então, o conceito de desenvolvimento sustentável ganhou força e é crescente a demanda mundial por produtos socioambientalmente corretos.

Paradigmas foram superados e uma visão inédita toma conta da nova geração, que imbuída de uma consciência ambiental mais enraizada do que a nossa, em breve irá assumir o comando das grandes empresas e corporações do planeta.
Estudo recente realizado pela Roland Berger, a pedido do Deutsche Bank, mostra que até 2020 o volume de negócios nesse ramo dobrará no mundo, alcançando 2,2 trilhões de dólares. As economias emergentes, como o Brasil, são aquelas que especialmente aquecem o boom do mercado de tecnologias ambientais. E ainda existem amplas oportunidades no crescente segmento das energias renováveis, que impulsiona uma cadeia produtiva bilionária.

Serão disponibilizados pelo BNDES a partir deste ano recursos para a realização da Copa do Mundo em 2014 e do “PAC da Habitação”. Só para este último, serão R$ 34 bilhões. Esta é a grande chance de um estreitamento entre as políticas públicas e a iniciativa privada, convergindo um plano de desenvolvimento urbano sustentável onde a construção da infra-estrutura, empreendimentos imobiliários e revitalização de áreas degradadas caminham juntos.

Estamos diante de uma grande oportunidade de negócios. Estima-se que os ganhos com a revitalização de antigas zonas industriais da cidade de São Paulo possam alcançar uma receita de R$12 bilhões e gerar 70 mil empregos, além da melhoria da qualidade de vida nestes locais.

Antes um pesadelo para as empresas, as questões ambientais se transformaram em estratégicas em quase todas as áreas de negócio, da mineração à indústria de transformação, da petroquímica à construção civil. Um forte sinal de prosperidade deste mercado é o seu comportamento na mais recente crise econômica mundial: o volume de negócios e investimentos no segmento ambiental continuam em alta. Não tivemos nenhum contrato cancelado: pelo contrário, verificamos o crescimento de pedidos de projetos e orçamentos.