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Por Alan Mariasch
da Fator Ambiental em São Paulo
São Paulo, 22 de janeiro de 2009 - De acordo com um estudo da ONU, em cerca de 20 anos faltará água para mais de 60% da população mundial. No Brasil, país com grandes reservas naturais, foi sancionada há mais de uma década a Lei 9433/97, que instituiu a cobrança por sua captação de rios e poços, através de uma parceria da ANA (Agência Nacional das Águas) e dos Comitês de Bacia Hidrográfica. O objetivo da lei: incentivar uma nova cultura de uso racional da água na atividade econômica.
De lá pra cá foram criados Comitês de Bacia em todo o Brasil. Vários estados já implantaram suas políticas de gestão de recursos hídricos e alguns comitês já iniciaram a cobrança, como é o caso das bacias Paraíba do Sul e na Bacia dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí em São Paulo. Na Bacia do São Francisco a cobrança começará em breve. Nesse cenário, é uma boa oportunidade para as empresas começarem a pensar em melhorar seus Balanços Hídricos.
Para tornar a cobrança mais justa, é adotado o seguinte critério: quem desperdiçar e poluir pagará mais. Em seu site, a ANA ressalta as vantagens do atual sistema: “mais do que um instrumento para gerar receita, [a cobrança] é indutora de mudanças pela economia da água, pela redução de perdas, pela gestão com justiça ambiental. Isso porque cobra-se de quem usa ou polui”.
José Machado, diretor-presidente da ANA, acredita que “a cobrança já está bem assimilada de um modo geral, pois os usuários pagadores estão enxergando que os recursos da cobrança estão sendo aplicados integralmente nas bacias e produzindo resultados palpáveis”.
Em entrevista exclusiva a Fator Ambiental, ele admitiu melhorias na gestão dos recursos hídricos no Brasil: “avançamos nesses 12 anos de vigência da Lei Nacional das Águas, mas ainda persistem fragilidades muito grandes nesse Sistema, sobretudo porque muitos estados da federação ainda estão engatinhando na implementação das suas responsabilidades”.
Oportunidades - Marcos Redondo, diretor-executivo da Fator Ambiental, destacou as grandes oportunidades para as empresas na implantação de projetos de gestão dos recursos hídricos: “através desses projetos é possível reduzir os custos com a água e os efluentes e agregar valor ambiental ao seu produto. Em alguns setores, como o de bebidas, já existe uma referência nacional de consumo de água por litro de cerveja produzida”.
Para Machado, “o que as empresas têm que fazer é exatamente elaborar e executar o seu plano de gestão de uso da água, com a incorporação de tecnologias poupadoras de água, inclusive reúso e, para isso, têm que contar com equipes próprias para essa tarefa. Importantes empresas já fazem isso, com estabelecimento de metas de redução do consumo, etc”.
Redondo acredita que “mesmo para quem ainda não paga pela captação, a gestão dos recursos hídricos está diretamente ligada com a gestão de risco do negócio. Consumidores intensivos de água tem que estudar para conhecer a fundo a dinâmica, a capacidade e a qualidade dos recursos hídricos que utilizam, tanto de aqüíferos profundos como de mananciais superficiais. Isso é necessário para planejar o crescimento e garantir que no futuro não faltará água para operação”.