Atendemos clientes nos seguintes segmentos: Automotivo, agronegócio, alimentos e bebidas, bens de consumo, combustíveis, construção civil, desenvolvimento imobiliário, energia, farmacêutico, máquinas e equipamentos, mineração, metalurgia, papel e celulose, petróleo, petroquímica, química, siderurgia, transportes e logística, entre outros.
"A mudança é evidente. Estamos em 2115. O planeta não é mais o mesmo. O calor domina. A seca se espalha. Um incêndio se propaga em instantes. As labaredas correm pelas ruas. Destroem casas escolas, igrejas, praças, Parece o fim do mundo."
Essa poderia ser a narração de um trailer de filme de ficção científica de catástrofe. Mas não é. É o texto que está na home page da Max Ambiental, uma das maiores empresas de consultoria ambiental do Brasil. O diretor de carbono neutro da empresa, Eduardo Petit nega que a mensagem seja sensacionalista. O texto e outro destaque da mesma página - um contador de quantos gramas de CO2 estão sendo emitidos pelo consumo de energia elétrica do micro enquanto a página está aberta - continua Petit, servem para "sensibilizar as pessoas sobre esse problema". O cenário, explica, não é impossível. "Isso pode perfeitamente acontecer se nada for feito. Não sou eu que diz isso. Está, por exemplo, no documentário do Al Gore, Uma Verdade Inconveniente."
Se a previsão está correta, não se sabe, mas o clima de urgência faz da neutralização uma das áreas que mais crescem no leque compreendido pelo conceito de sustentabilidade. E foi justamente essa perspectiva que fez a Max Ambiental criar uma área de carbono neutro no ano passado. Em menos de doze meses, o faturamento anualizado já passa dos R$ 3 milhões. Os clientes são mais de 40, incluindo a distribuidora de combustíveis Ipiranga, a indústria química Amparo, dos detergentes da marca Ypê.
Para Petit, as empresas têm os objetivos mais variados ao adotar a neutralização como estratégia. Podem desde se credenciar a exportar para países que exigem compromisso ambiental até buscar novos consumidores para seus produtos.
A Key Associados é outra consultoria que tem conquistado muitos clientes nessa área - desde multinacionais, como a Volkswagen Caminhões, até o estereótipo do ambientalismo marqueteiro, a neutralização de eventos, como o Carnaval de São Paulo de 2007. A consultoria não informa seu faturamento nessa área, mas desenvolve pelo menos uma dezena projetos. Apesar disso, afirma que seu foco é em projetos de tecnologia limpa (a chamada MDL) e não em neutralização. "Nós fazemos isso, quando nos procuram, mais para ajudar, mas não ganhamos nada. A nossa área é outra", diz o diretor Marco Antônio Fujihara.
Três pontos são apontados pelas consultorias como limitadores para os projetos de neutralização. O principal é que um número ainda pequeno de empresas mostra interesse em investir na área. O segundo foi a imagem deixada pela primeira onda de neutralizações, de que se tratava de uma espécie de panacéia, simbolizada na declaração da cantora Wanessa Camargo de que poderia fazer ações ambientalmente incorretas porque já tinha plantado árvores para compensar.
Outro grupo de entidades que têm conseguido muitos clientes com a onda de neutralização é das Organizações Não-Governamentais. O principal exemplo é a Fundação SOS Mata Atlântica. Só com o Bradesco, gerencia projetos que somam centenas de milhões de reais. Mas, segundo Adauto Basílio, diretor de captação de recursos, a neutralização de carbono é um objetivo secundário da fundação. "O nosso foco sempre foi a água. O reflorestamento e a recuperação das matas ciliares (aquelas que ladeiam os rios e lagos) é apenas uma estratégia para garantir a preservação ou a recuperação de nascentes, riachos, rios e lagos."
Mas por que um mercado aparentemente tão emergente está levantando críticas? A resposta pode estar em seu funcionamento. Marcos Redondo, da Fator Ambiental, uma consultoria que não mexe com neutralização e Adauto Basílio concordam num ponto: ninguém é capaz de dizer qual é a conta que se deve fazer para saber quantas árvores são necessárias para neutralizar uma emissão. Não existem estudos aceitos globalmente. Cada empresa usa o seu critério.
Essa situação não acontece, por exemplo, em áreas de atuação das consultorias ambientais mais tradicionais, como projetos de geração de créditos de carbono, gerenciamento de passivos ambientais, que busca e implementa soluções para áreas contaminadas (ar, solo, e cursos d'água), manejo de florestas, implantação de usinas termelétricas em aterros sanitários.Em todas essas áreas, já existe alguma normatização, que permite uma comparabilidade dos resultados.
Segundo Marcos Rocha, consultor da Key Associados, esse setor precisa urgentemente de uma regulamentação. De preferência, uma auto-regulamentação.
Fonte: Valor Econômico
21/09/07