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Entrevista: Alfredo Rocca

ALFREDO ROCCA: a opinião do gerente de áreas contaminadas da CETESB sobre sustentabilidade.
Rocca fala sobre as recomendações da CETESB às empresas que pretendem implantar com sucesso um plano de sustentabilidade ambiental.

Ele comenta ainda sobre o relacionamento ideal entre empresas e a CETESB durante o equacionamento dos passivos ambientais.

Qual a recomendação da Cetesb às empresas que queiram implementar um Plano de Gestão de Sustentabilidade Ambiental? Que caminho as empresas devem seguir?
Em primeiro lugar, é preciso que essa vontade venha de quem mande na empresa. Ou o dono, ou a diretoria têm que acreditar nos benefícios de um Plano de Sustentabilidade. O segundo passo é uma pesquisa das boas práticas em uso pelo mundo. Existem muitas soluções ambientalmente corretas e economicamente viáveis. Então, deve-se envolver toda a empresa no plano e produzir um projeto que atenda as necessidades das partes envolvidas. 

Num cenário de verdadeira busca pela sustentabilidade, como deve ser o relacionamento entre empresas potencialmente poluidoras ou detentoras de passivos e o órgão ambiental?
Idealmente a empresa deveria ser pró-ativa e demonstrar boa vontade com o órgão ambiental. Isso seria um grande passo, mas as empresas ainda têm certa reserva. A auto-denúncia, por exemplo, além de ser um atenuante para eventuais contravenções traz grandes benefícios no sentido de que a empresa passa a ter a co-responsabilidade administrativa do órgão ambiental. 

Como a Cetesb diferencia empresas pró-ativas daquelas que postergam questões ambientais?
Empresas com boa vontade cumprem prazo, apresentam soluções mais objetivas e adequadas, contratam empresas sérias para projeto e execução. O histórico também conta. Mas eu diria que o comportamento corporativo vem melhorando, embora ainda haja muito a fazer, sobretudo na mentalidade dos líderes empresariais.  

Neste sentido, que nota o Sr. daria hoje à média do comportamento empresarial com relação à questão ambiental?
Nota 6. 

Uma boa gestão pode transformar passivos ambientais urbanos em oportunidades de negócios?
Sem dúvida. Sempre que houver uma área contaminada em região valorizada há um bom negócio. É preciso apenas adequar a reabilitação da área com o empreendimento. O exemplo clássico: vai-se construir um edifício em uma área contaminada. Naturalmente a construção prevê a escavação do subsolo e a remoção do solo para construção das fundações e do subsolo. Com a disposição adequada do material contaminado, isso já é uma etapa da remediação. Da mesma forma, o bombeamento de água subterrânea é igual ao que se faria em uma construção em área não-contaminada. Apenas a água terá de passar pelo tratamento adequado antes de ser descartada. É possível minimizar o custo da remediação adequando o uso futuro do empreendimento.

Veja também: Cetesb recomenda que empresas tenham atitude pró-ativa na identificação de passivos ambientais