Atendemos clientes nos seguintes segmentos: Automotivo, agronegócio, alimentos e bebidas, bens de consumo, combustíveis, construção civil, desenvolvimento imobiliário, energia, farmacêutico, máquinas e equipamentos, mineração, metalurgia, papel e celulose, petróleo, petroquímica, química, siderurgia, transportes e logística, entre outros.
"Percebemos uma alta coincidência entre boa gestão socioambiental e bons resultados financeiros"
1. Quais as práticas de sustentabilidade mais valorizadas pelo Banco Real, na concessão de crédito? Quais as restrições ambientais ao crédito?
As práticas de sustentabilidade das empresas são reconhecidas por nós e coletadas para termos um histórico de suas atividades, mas ainda não geram bonificação direta na concessão de crédito. A bonificação ocorre por um conjunto de fatores, como posição no mercado, solidez, qualidade dos diretores e questões socioambientais. O que ocorre é que práticas não-sustentáveis levam a restrições de crédito ou até mesmo ao corte; a empresa que não possui uma boa gestão ambiental costuma ter diversos passivos e irregularidades, que podem gerar custos socioambientais e econômicos à mesma. Além dos setores automaticamente excluídos devido à nossa Política (ex: empresas que trabalhem com amianto), aspectos de má gestão ambiental podem levar à aprovação por um período menor com o cumprimento de certas exigências, e em casos extremos pode levar ao fim do relacionamento com a empresa. As práticas de sustentabilidade das empresas são reconhecidas por nós e coletadas para termos um histórico de suas atividades, mas ainda não geram bonificação direta na concessão de crédito. A bonificação ocorre por um conjunto de fatores, como posição no mercado, solidez, qualidade dos diretores e questões socioambientais.
2. Como o Banco Real diferencia empresas que efetivamente adotam práticas de sustentabilidade, daquelas que adotam apenas o discurso de sustentabilidade?
Na análise de Risco Socioambiental levantamos, dentre os diversos aspectos, as licenças, autorizações, multas, infrações, terrenos contaminados, certificações, relatórios e sistemas de gestão, além da reputação da empresa por consulta a notícias desabonadoras que podem tratar de aspectos sociais e ambientais quanto a processos, reclamações, acidentes, ações civis, denúncias e crimes, tais como desmatamento não autorizado. Também entramos em contato com as empresas e valorizamos a conduta de pró-atividade para conversar sobre seus problemas e levantar alternativas para resolvê-los. Em nossa triagem as informações levantadas servem como delimitadoras entre as empresas que apenas praticam o discurso e as empresas que tem essa visão aplicada em seu negócio.
3. Como o Banco Real avalia a evolução do crédito para empresas detentoras de passivos ambientais?
A empresa com passivos ambientais é contatada e a continuidade do crédito é dependente de seu comportamento. Dependendo do porte da empresa, o passivo ambiental pode gerar multas e custos de remediação que podem comprometer significativamente seu caixa. As empresas questionadas que aceitam e querem regularizar sua situação são ajudadas e tornam-se oportunidade para nós, além de mitigarem suas chances de ocorrências futuras de passivos.
4. Como autoridades, agentes financiadores e setor produtivo podem trabalhar em conjunto pela sustentabilidade da Nação?
Compartilhando conhecimentos, tecnologias, informações e pesquisas para padronização de atividades e controles. As autoridades precisam ter controle e fiscalização rígidos, juntamente com um aprimoramento constante das leis, que são frutos de aprendizados contínuos; os agentes financeiros devem influenciar o cliente ao caminho da sustentabilidade, agregando valor ao seu negócio; as empresas devem, em todo o setor produtivo, trabalhar com ética e respeito ao trabalhador, sociedade e meio ambiente.
5. Qual o risco que correm as empresas que, ainda hoje, não despertaram para a busca da sustentabilidade?
Correm o risco de ter seus negócios comprometidos no futuro e, além de haver cada vez mais cobrança por parte da sociedade. Além dos grandes provisionamentos envolvidos com passivos ambientais, a falta de tecnologias para melhor utilização e menor desperdício de recursos naturais podem comprometer os negócios no futuro e gerar mais custos.
6. Qual a maior deficiência do setor produtivo brasileiro, com relação a sustentabilidade, na visão do Banco Real?
Em nossa experiência, diversos assuntos foram levantados, tais como deficiências na transparência, valores éticos e problemas na cadeia de valor.
7. Muitas empresas temem investir em sustentabilidade por considerarem "custo" e não "investimento". Qual a visão do Banco Real sobre esse Comportamento?
O que percebemos é uma alta coincidência entre boa gestão socioambiental e bons resultados financeiros. Além disso, nos deparamos freqüentemente com casos reais de que investimentos em sustentabilidade têm agregado valor ao negócio do cliente.
Participaram da entrevista a Equipe de Risco Socioambiental Banco Real: Christhopher Wells (Superintendente) e os Especialistas: Ana Lizete Farias (geóloga, MSc), Silvia Chicarino (bióloga), Cristiane Ronza (bióloga, MSc), Erondina Gomes (MSc), Vinicius Morita (biólogo trainee) e Stephany Ibrahim (estudante de biologia).