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Natalini fala sobre a sustentabilidade como um caminho para a preservação do meio ambiente aliado ao crescimento econômico
1. Qual o papel das indústrias na busca pela Sustentabilidade de uma Nação?
As indústrias têm o importante papel de conciliar produtividade com
responsabilidade social e ambiental, pois o desenvolvimento sustentável representa a única maneira de unir a produção de riqueza e bem estar para a sociedade sem comprometer a sobrevivência do planeta.
2. Como o Senhor avalia a evolução dos segmentos produtivos no Brasil
(ou em São Paulo) com relação à Produção mais Limpa?
Cada vez mais podemos perceber que as indústrias têm se empenhado em
utilizar estratégias técnicas, econômicas e ambientais integradas aos
processos, produtos e serviços, com o objetivo de aumentar a eficiência no uso de matérias-primas, energia e água. E com isso ainda é possível minimizar a geração de resíduos sólidos, efluentes líquidos e emissões atmosféricas.
3. O Senhor acha que uma política de incentivos fiscais à Produção
Mais Limpa traria benefícios ao País (estado ou município)?
Sim, pois iniciativas como a indústria adotar um processo de produção
mais limpa trazem muitos benefícios para toda a sociedade. Quanto mais
incentivo a indústria receber, maior será o número de indústrias que
adotarão essas iniciativas.
4. Na sua visão, o empresário percebe a questão ambiental como custo
ou investimento? Como o Sr. avalia esta percepção?
Até muito pouco tempo atrás o empresário olhava para essa questão como
custo pois não vislumbrava qual seria o retorno obtido com o investimento feito. Hoje, com a relevância que a questão ambiental passou a ter e com a existência de importantes normas que a legislação ambiental brasileira apresenta (e, especialmente, do Estado de São Paulo), o empresário enfrenta este desafio como um investimento, inclusive utilizando esse diferencial para se destacar no seu setor produtivo.
5. Que exemplos São Paulo pode dar ao Brasil, na questão da Produção
Mais Limpa?
São Paulo vem dando inúmeros exemplos. Veja o caso da Sabesp, que há alguns anos vem desenvolvendo o programa de água de reúso, inclusive um projeto meu já implantado na cidade. A Cetesb também desenvolve diversas ações de apoio e incentivo à adoção das práticas de P+L pelas empresas. Criou um Programa de Prevenção à Poluição para as indústrias que quiserem implementar a produção mais limpa, onde o comprometimento da direção da empresa é decisivo para o sucesso do referido programa.
No âmbito do Legislativo, criamos a Conferência Municipal de Produção Mais Limpa, que considero um incentivo e tanto. Acho que São Paulo vem cumprindo bem o seu papel.
6. Qual o papel dos agentes financiadores nessa questão?
Na minha opinião, exercem um papel decisivo, estimulando crédito a empresas ambientalmente responsáveis. A verdade é que esse caminho não tem mais retorno. A responsabilidade ambiental está na agenda de empresas privadas e governos. Quem ganha com isso é a sociedade de modo geral.
7. A Política Nacional de Resíduos Sólidos tramita no Congresso
Nacional desde 1989 e está pronta para votação na Câmara dos Deputados
desde 2006 - a decisão de incluí-la na pauta é prerrogativa exclusiva do presidente da Câmara. A que fatores o Sr. atribui a demora do Brasil em consolidar uma matéria legal de tanta importância?
A demora do Brasil em consolidar esta legislação se deve ao fato de ser uma questão que envolve muitos setores e diversos interesses. O Estado de São Paulo foi pioneiro mais uma vez ao aprovar a Política Estadual de Resíduos Sólidos e ter discutido em âmbito estadual e municipal a regulamentação desta lei, proporcionando debates entre os setores produtivos, governantes e
sociedade civil. Mais uma vez São Paulo sai na frente.