força a partir dos anos 70.
Por muito tempo, os recursos hídricos foram utilizados pelo homem sem nenhuma (ou com pouca) preocupação em termos econômicos, ambientais e sociais. Ainda hoje, por representar um custo pouco relevante, o insumo “água” é tratado com pouca importância por muitos setores da indústria.
Mas desde que a globalização e a abertura do comércio mundial na última década tornaram-se fatos consumados, as empresas brasileiras tiveram de enfrentar uma condição de extrema competitividade em seus mercados. Além disso, o reconhecimento sobre o esgotamento dos recursos naturais e os efeitos do aquecimento global sobre a economia mundial, vem tornando cada vez intensa a cobrança da sociedade e do poder público pelo controle da poluição e pela produção mais limpa.
A agenda mundial de negociações sobre os temas sócio-ambientais indicam claramente o caminho para o desenvolvimento de forma sustentável e o surgimento de um grande mercado para os produtos com valor ambiental agregado.
Neste sentido, “a gestão de recursos hídricos é essencial para a vida de uma empresa moderna e competitiva, tanto do ponto de vista econômico como do ambiental”, afirma o diretor de meio-ambiente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Fiesp, Nelson Pereira dos Reis.
Segundo Enrico Freire, responsável pela área de engenharia da Fator Ambiental, “quando desenvolvemos um projeto de gestão de recursos hídricos, assumimos junto a nossos clientes o alcance de metas econômicas e ambientais. Já desenvolvemos projetos com pay back dos investimentos de 1 ano e com reduções de mais de 50% os volumes captados e com eliminação dos descartes. E conseguimos isso trabalhando na melhoria do Balanço Hídrico da empresa, ou seja, reduzindo a necessidade de captação de água e o descarte de efluentes”.
A avaliação da qualidade dos aqüíferos locais e o estudo da viabilidade da sua exploração para o abastecimento das empresas também fazem parte do processo de gestão. “A existência de alterações da qualidade das águas subterrâneas não é impedimento para a exploração dos aqüíferos profundos”, comenta Frederico Draetta, geólogo e gerente da Fator Ambiental. Draetta diz que “a combinação entre as ações de diagnóstico e remediação do aqüífero freático e o bombeamento de poços profundos é parte fundamental do projeto. Nestes casos, ela evita a dispersão das plumas e o impacto de receptores externos, eliminando riscos, recuperando a qualidade das águas subterrâneas e garantindo o abastecimento de água industrial”.
“Estamos num momento de quebra de paradigmas: as empresas não devem mais ficar reféns de seus passivos ambientais. É o momento de avançar junto à CETESB com um plano de sustentabilidade, onde o objetivo comum é o desenvolvimento econômico sustentável. A agenda ambiental está repleta de oportunidades quando pensamos num mercado global”, complementa Marcos Redondo, diretor da Fator Ambiental.
Através do modelo BOT (Build, Operate & Transfer), a gestão de Recursos Hídricos é acessível a qualquer empresa que utilize bastante água, por não exigir investimentos além do estudo inicial. A primeira etapa é um diagnóstico detalhado do uso da água dentro da empresa, feito por consultores especializados. A partir daí, e com o auxílio da engenharia, são elencadas as oportunidades de redução do consumo, eliminação de desperdícios, reutilização dos efluentes gerados e de aproveitamento de águas de chuva. A próxima etapa é verificar a viabilidade técnica e os retornos econômicos e ambientais das oportunidades, finalizando com a elaboração de um Plano de Ações e cronograma de implantação.
Poços profundos, estações de tratamento para reúso, sistemas de captação de água chuva são algumas obras que podem ser incorporadas às práticas de eficiência estabelecidas no plano, como uso racional, eliminação de perdas e outros. Com o plano pronto e implantado, os benefícios passam a ser colhidos já na primeira nova conta de água.
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