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São Paulo, 20 de fevereiro de 2009 - Controlar as emissões de gases causadores do efeito estufa e evitar o arrefecimento das mudanças climáticas já verificadas é o grande desafio da humanidade neste novo século. A boa notícia é que após as recentes reuniões de Nairóbi, Bali e Poznan, ficou evidente que a mentalidade - e a atitude - de autoridades de todo o mundo está mudando em busca da sustentabilidade
Um importante passo nesse sentido veio com o Terceiro Relatório da ONU sobre Mudanças Climáticas, onde finalmente a comunidade científica mundial chegou a um consenso que é a atividade humana a grande causadora da elevação da concentração de gás carbônico em toda a atmosfera.
Na última conferência do clima da ONU, realizada na cidade polonesa de Poznan no final do ano passado, foram apresentadas as bases do novo acordo que substituirá o Protocolo de Kyoto, que definiu as metas de emissões entre 2008 e 2012. Apesar de poucos avanços práticos nos eventos passados e muitas críticas sobre a falta de metas concretas, Poznan trouxe boas notícias.
A primeira veio dos americanos. Com a posse de Barack Obama, a maior potência do mundo acena com uma nova política ambiental, mais voltada à sustentabilidade. A delegação dos EUA veio com uma proposta de reduzir as emissões do país aos níveis de 1990 até 2020, o que significa uma diminuição de 16%. Por outro lado os representantes americanos solicitam o compromisso dos principais países emergentes em estabelecer metas de controle de emissões.
O Brasil foi bastante elogiado ao apresentar o seu Plano Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC), com meta de reduzir o desmatamento em 40% até 2010. É a primeira vez que um país emergente fixa metas nessa área. O acordo pós-Kyoto deve ser finalizado na próxima conferência do clima da ONU, realizada no final desse ano em Copenhague, Dinamarca.
A matriz energética brasileira ainda é considerada uma das mais limpas do mundo. Entretanto, há uma tendência que ela fique mais suja se o investimento em novas termelétricas anunciado pelo governo for levado adiante. Como é provável que num futuro próximo as nações emergentes como o Brasil tenham metas de redução de emissões, isso pode atrapalhar as comercializações de créditos de carbono do país.
O Brasil precisa se preparar para o novo cenário global de redução de emissões. O governo federal pode atuar em várias frentes: revisar o PNMC, definindo novas metas; apresentar fiscalização rigorosa; disponibilizar recursos e incentivos aos investimentos em fontes de energia limpa, como novas usinas hidrelétricas, eólicas e biomassa, em vez das termelétricas.
As empresas, atentas ao novo cenário mundial, não estão paradas e mesmo diante da crise econômica não suspenderam os projetos de gestão de sustentabilidade e os Inventários de Gases de Efeito Estufa. Esse é o primeiro passo para gerar oportunidades atuais como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e para se preparar a um futuro de exigências de redução das emissões globais.
É fundamental a parceria entre governo, iniciativa privada e sociedade. A redução das emissões é uma grande oportunidade de inovação e geração de produtos de alto valor agregado, além de preservarmos nosso planeta e aproveitarmos os frutos da tecnologia de maneira mais ética, sustentável e socialmente responsável.
Por Marcos Redondo, diretor-executivo da Fator Ambiental.