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O geólogo da Fator Ambiental Frederico Draetta ministrou em 17/04/2008 uma palestra sobre os “Aspectos Econômicos da Gestão de Recursos Hídricos e a Sustentabilidade dos Negócios” no auditório da CIESP, em São Bernardo do Campo.
O público que acompanhou atentamente a palestra era formado por gestores ambientais do grupo de empresas locais. O especialista da Fator Ambiental iniciou sua explanação abordando a evolução do tema “sustentabilidade” desde o seu surgimento, na década de 70, quando alguns estudiosos alertavam o mundo que as fontes de recursos minerais (água, petróleo, metais) eram esgotáveis, até o contexto atual, onde já é significativa a demanda por produtos ecologicamente corretos.
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Frederico Draetta durante palestra da CIESP, em São Bernardo do Campo. |
Draetta disse que não devemos encarar as exigências atuais, principalmente da União Européia (UE) por produtos “verdes” como barreiras comerciais, mas sim como oportunidades de negócios. Um exemplo disso é o etanol brasileiro, do qual o bloco europeu pretende exigir certificados como condição para importação.
O geólogo disse que a sustentabilidade já é uma realidade no mercado internacional e grandes empresas como Siemens, Toyota e Samsung já estão investindo para atender as demandas desse novo mercado. A multinacional GE, por exemplo, tem 10% da sua receita decorrente da venda de produtos sustentáveis, como turbinas a gás, equipamentos para geração de energia eólica.
Draetta deixou claro que sustentabilidade não é filantropia e que o Brasil tem condições de assumir a liderança nesse novo mercado global. “O Brasil com seu invejável potencial energético, mineral e territorial é com certeza um dos países com maior vocação e oportunidades de crescimento econômico suprindo a demanda por produtos sustentáveis do mercado mundial”. Ele falou sobre a importância da gestão ambiental e suas fases de implantação nas empresas: o enquadramento legal, a performance ambiental (reutilização, otimização) e a criação de diferencial competitivo.
O palestrante também abordou a gestão de recursos hídricos como peça importante para sustentabilidade das empresas, garantindo o abastecimento de água (em quantidade e qualidade) no longo prazo e as oportunidades de retorno econômico dos projetos de reúso de efluentes. Ele apresentou um estudo de caso realizado com sucesso pela Fator Ambiental sobre esse tema, no qual a empresa através da gestão dos recursos hídricos, garantiu a continuidade de exploração do aqüífero profundo, recuperou a qualidade do aqüífero freático impactado por suas atividades e evitou a exposição de seus funcionários a riscos indesejáveis de saúde.
O alerta da necessidade de implantação de um plano de gestão da água veio quando a empresa detectou uma alteração na água de seus poços profundos. Foi feito um alinhamento do projeto com os objetivos empresariais e um investimento de R$1 milhão, que teve retorno em apenas três anos. Draetta afirmou que no caso a gestão ambiental trouxe resultados econômicos. “A empresa não contratou projetos de remediação. Ela implantou um projeto de sustentabilidade”.
Para o técnico da CETESB Cláudio Mendonça, que acompanhou a palestra, a demanda por produtos sustentáveis “já faz parte da nossa realidade”. Ele disse também que “a agência está empenhada em apoiar tecnicamente as empresas na implantação de projetos de reúso de efluentes e produção mais limpa”.