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Economias emergentes podem contribuir a longo prazo para a proteção do clima

Suporte dos países industrializados é necessário

Stuttgart (Alemanha), 4 de dezembro de 2008- Os países em desenvolvimento podem contribuir para proteger o clima sem temer prejuízos econômicos, concluiu um estudo da Agência Federal Ambiental alemã (UBA, sigla em alemão).

Assim sendo, os seis emergentes pesquisados, Brasil, China, Índia, México, África do Sul e Coréia do Sul, têm grandes potenciais de redução de emissões, que parcialmente nem sequer geram custos líquidos, e ainda, como conseqüência positiva, geram empregos. Para que esse potencial seja explorado, seus mercados ainda necessitam da assistência dos países industrializados. “Os países industrializados têm uma responsabilidade. Eles não deveriam sempre reivindicar que os mercados emergentes participem das medidas para proteger o clima, mas mostrar os caminhos, como que funciona”, diz Harry Lehmann, chefe do departamento responsável para a proteção do clima na UBA.

Para que o objetivo da Comunidade Européia seja alcançado (limitar o aquecimento global em no máximo 2 graus em comparação ao período pré-industrial), os esforços dos mercados emergentes para redução de emissões também terão que ser integrados para o período pós 2012. No momento, eles são poupados de metas firmadas para redução de emissões de gases que causam o efeito estufa, conforme o princípio “juntos, mas com responsabilidades diferenciadas”. A dúvida é: como deve ser a integração dos mercados emergentes? Que fração da redução de emissões em escala global esses países podem assumir? E em qual amplitude as assistências dos países industrializados devem se dar?

Por encomenda da UBA, a Ecofys GmbH de Colônia e o Instituto Wuppertal pesquisaram essas e outras questões para países como Brasil, China, Índia, México, África do Sul e Coréia do Sul. O resultado: todos eles dispõem de notáveis potenciais de redução de emissões, cuja realização – junto a uma redução dos gases causadores do efeito estufa – tem um outro efeito positivo, o de melhorar a qualidade do ar. Uma grande parte das medidas para redução de emissões é possível sem apresentar custos adicionais (no-regret reduction potential) e poderiam levar a uma diminuição média de 9% nos mercados emergentes.

Um exemplo disso são as medidas para eficiência energética, nas quais os ganhos econômicos – devido à uma redução de consumo de energia - se equilibram com os custos de investimento para uma tecnologia mais eficiente. Os mercados de países em desenvolvimento também dispõem de potenciais de redução de emissões, as quais estão relacionados a resultados positivos que vão além da proteção do clima (co-benefit reduction potential): comopor exemplo, à criação de empregos na área de energias renováveis. A utilização de calor, vento, etc., garante o abastecimento assegurado dessas nações e reduz a dependência dos combustíveis fósseis. Desta forma, poder-se-ia economizar em média até 17% das emissões. A base para esse cálculo é o cenário “business as usual“, como também a suposição teórica de que até o ano de 2020 nenhuma medida para proteção do clima seria tomada.

Para que os países emergentes possam utilizar todo seu potencial de redução de emissões, eles dependem da ajuda dos países industrializados – através de suporte financeiro, como também, da troca de conhecimento e do trabalho conjunto em pesquisa e desenvolvimento. O estudo contém ainda propostas, como atividades em que estes países poderão ser incorporados num futuro regime climático, por exemplo, implementando objetivos de redução de emissão setoriais (numa base obrigatória ou não-obrigatória) ou tomando medidas para desenvolvimento sustentável.

O estudo de 170 páginas “Proposals for contribution of emerging economies to the climate regime under the UNFCCC Post 2012“  está disponível grátis em inglês no site da UBA:  http://www.umweltdaten.de/publikationen/fpdf-l/3658.pdf

 

Publicado originalmente em:
http://www.umweltbundesamt.de/uba-info-presse/2008/pd08-076.htm

Traduzido pela equipe técnica da Fator Ambiental da Alemanha.