Arquivo de maio, 2008

O Etanol

26/05/08

Análise Fator:

Com os preços do petróleo nos patamares atuais, o etanol continua disparado como a maior oportunidade de negócios no novo mercado mundial de sustentabilidade dos últimos tempos. Apesar da cortina de fumaça feita nos últimos meses sobre a relação da inflação dos preços dos alimentos com o aumento da produção de bio-combustíveis, a UE declarou a importância do etanol brasileiro no suprimento da demanda global de energia renovável. Em visita ao Brasil na semana passada, a chanceler alemã Angela Merkel manifestou seu interesse no combustível brasileiro e cobrou novamente uma produção mais limpa e sustentável, considerando a preservação do meio ambiente.

Não é pra menos, com uma previsão de que em até trinta anos 25% da frota mundial de carros movida a etanol, os europeus tem todo o interesse de que o combustível comercializado no bloco e no mundo seja sócio-ambientalmente correto.

Falta uma política setorial efetiva para este novo mercado e que sejam realizados os investimentos necessários para adequar a produção brasileira aos padrões internacionais de sustentabilidade exigidos. Eles existem e não são novidade para ninguém.

A indústria alcooleira no Brasil precisa acelerar os investimentos na melhoria dos índices sócio-ambientais da sua produção: ainda mais da metade da cana é colhida manualmente, posteriormente à queimada das plantações.

Muitas usinas já correm a muito tempo com a implantação de suas agendas ambientais, certos de um grande retorno garantido nos próximos anos.

Por Marcos Redondo, diretor-executivo Fator Ambiental

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080521/not_imp175823,0.php

21/05/2008

UE deve eliminar subsídios ao etanol

Bloco ainda isenta o biocombustível de provocar a alta dos alimentos

Jamil Chade, Genebra

A Comissão Européia (CE), órgão executivo da União Européia (UE), aprovou ontem o fim dos subsídios ao etanol, uma decisão que ainda precisa ser endossada pelos 27 países do bloco. Em mensagem dirigida ao Brasil e aos Estados Unidos, a CE deixou claro que vai insistir em critérios duros para a entrada, no bloco, de biocombustíveis que não respeitem o ambiente e os aspectos sociais. A UE ainda quer evitar importar etanol que contribua para reduzir a oferta de alimentos.

Em uma estratégia divulgada ontem para lidar com a alta dos preços dos alimentos, Bruxelas voltou a defender o etanol e o isentou de estar causando inflação. ”No setor de transporte, hoje a única alternativa ao petróleo é o biocombustível.”

Segundo a UE, só 1% do cereal produzido no bloco é usado na fabricação do etanol, o que não explicaria as altas. Os europeus, porém, alertam que os incentivos para o etanol de milho nos Estados Unidos contribuem para a alta dos alimentos.

Já a meta de 10% dos carros movidos a etanol até 2020 teria um impacto também na Europa. Os preços dos cereais aumentariam entre 3% e 6% e outros produtos poderiam aumentar e até 15%.

Por isso, a UE pede que a expansão do etanol tanto na Europa, como no resto do mundo, ocorra com o uso ”responsável de terras”. Segundo os europeus, a previsão é que até 2016 43% da produção de milho nos Estados Unidos vá para os combustíveis. Isso afetaria a oferta de alimentos.

Não por acaso, a UE quer ter certeza de que critérios de sustentabilidade ambiental e social serão seguidos para qualquer empresa que pretenda exportar etanol para o mercado europeu.

Ontem, a comissária de Agricultura da UE, Mariann Fischer Boel, ainda conseguiu que sua proposta para acabar com a ajuda de 45 por hectare plantado fosse aceita pelo braço executivo do bloco. Agora, precisará ter o voto dos 27 países membros da UE para que a decisão seja implementada.

No total, o bloco gastou pelo menos 90 milhões apenas nesse programa. Na avaliação da comissária, o etanol é parte da solução energética da Europa.

O dinheiro liberado agora será utilizado para financiar pesquisas no desenvolvimento da segunda geração de biocombustíveis, que teriam um impacto ambiental menor.

Para a UE, um motivo estratégico para o uso do etanol é acabar com a dependência na importação do petróleo. ”Biocombustíveis são uma política de seguro contra nossos futuros problemas de abastecimento”, afirmou a comissária.

Segundo ela, 98% do petróleo na UE é importado. ”Teremos um problema sério quando as torneiras fecharem um dia e o biocombustível é parte da resposta para isso. Não haverá volta atrás”, garantiu, em relação ao uso do biocombustível na Europa.

Há cerca de dois anos, a UE anunciou o etanol como solução para vários de seus problemas. Nos últimos meses o debate se transformou em questionamento.

http://www.intelog.net/site/default.asp?TroncoID=907492&SecaoID=508074&SubsecaoID=715052&Template=../artigosnoticias/user_exibir.asp&ID=915120&Titulo=Apesar%20da%20resist%EAncia%20da%20Europa%2C%20o%20etanol%20avan%E7a

19/05/2008

Apesar da resistência da Europa, o etanol avança

Gazeta Mercantil

A visita da chanceler alemã, Angela Merkel, confirmou tanto o interesse da União Européia (UE) no etanol como as significativas dificuldades para operacionalizar o comércio do produto com os europeus.

No discurso durante a visita a uma montadora automobilística no ABC paulista, a chanceler afirmou que os passos trilhados na tecnologia do flex fuel e dos biocombustíveis no Brasil “poderão ser seguidos também na Alemanha”. Porém, Angela Merkel também cobrou, depois de garantir ajuda aos combustíveis renováveis, medidas de proteção ao meio ambiente na produção da cana-de-açúcar, além de nenhuma interferência na produção de alimentos. O presidente Lula reagiu de imediato, assegurando que não aceitará que a questão da produção de etanol seja tratada com “meias verdades”, movidas pelo que chamou de “interesses meramente comerciais”.

Para garantir a total transparência Lula anunciou que pretende discutir preservação de biodiversidade e biocombustíveis em uma conferência internacional a ser realizada em Brasília em novembro.

A realidade energética e ambiental da UE e dos Estados Unidos não pode, de fato, prescindir da produção de etanol. Na semana passada, reunião da Associação Internacional de Energia (AIE), em Genebra, estimou que nas próximas três décadas 25% dos carros no mundo serão movidos a etanol. Na perspectiva da agência, se as pressões contrárias ao etanol saírem vitoriosas, hoje o mundo já teria que produzir 1 milhão a mais de barris de petróleo diariamente apenas para suprir o espaço deixado pelo combustível verde só nos EUA e na Europa. Apesar desse fato, há forte resistência para a implantação do acordo entre os 27 países da UE para que o etanol cubra 10% do consumo europeu de combustíveis em 2020.

Na semana passada, os técnicos da UE notificaram o Brasil que será preciso um acordo bilateral sobre etanol, com cláusulas muito claras sobre proteção de direitos sociais na produção de álcool, além de estritos controles na questão ambiental. A rigor, a meta de inclusão de 10% de etanol no consumo europeu enfrenta um poderoso lobby contrário em vários países europeus. Aliás, a chanceler Angela Merkel foi muito cautelosa e pediu transparência do Brasil, mencionando a resistência que a questão provoca na Europa. Há duas alternativas: estabelecer metas possíveis, por país, até atingir os 10% previstos de etanol, para ajudar na proteção do meio ambiente, ou reduzir a meta de 10%, negociando politicamente a resistência dos lobbies contrários ao etanol. Atenta a este contexto, Merkel reconheceu que a área produtora de cana em São Paulo fica “bem longe da Amazônia”, mas aproveitou a ocasião para pedir ações concretas para isolar a floresta do cultivo de soja e da prática da pecuária.

Em setembro do ano passado, o Parlamento Europeu aprovou o Relatório Thonsen, elaborado pela deputada Britta Thonsen, propondo a instalação de um formal sistema de certificação social e ambiental, impondo mecanismo de verificação e monitoramento periódico dos países produtores de etanol. A medida atingiria diretamente o Brasil que já é o maior fornecedor do produto para a UE. Esse documento foi uma resposta ao parecer técnico da Comissão Européia, que fixou em 10% a parcela do produto no consumo europeu ao final da próxima década. A decisão dos deputados não tem poder impositivo sobre a Comissão, mas possui forte pressão política. A Comissão já previra uma certificação ambiental para a produção do etanol, mas delegada aos países produtores. O relatório aprovado foi bem além dessa determinação técnica e chega a prever uma avaliação se o combustível comprado “não gerou impacto negativo sobre a produção de alimentos na área de cultivo”.

Há, obviamente, grande desinformação quanto a questões sociais e ambientais envolvidas na produção de álcool no Brasil. O eventual uso de terras da floresta amazônica para cultivo de cana enfrenta obstáculo técnico intransponível: o volume de chuvas na região não permite o amadurecimento da cana. Quanto à questão social envolvida no etanol, motivo até de denúncias de religiosos para a chanceler, não resiste aos relatórios da Organização Internacional do Trabalho, mostrando que o Brasil é “exemplo na luta contra o trabalho forçado”, fato que inclui a fixação de metas de produção inumanas.

A Alemanha tem um papel preponderante nas decisões da Comissão Européia. A chanceler Merkel reconheceu que o Brasil tem “vastas áreas” para o plantio de cana, insistindo em que essa não é a situação de outros países latino-americanos. A adaptação da frota européia para o modelo flex fuel sequer começou, mas será inevitável, apesar do “atraso” na adição dos biocombustíveis aos combustíveis fósseis, como reconheceu a chanceler. No entanto, a necessidade de proteção ambiental, além dos riscos inerentes ao petróleo, fará do etanol um fato consumado no contexto europeu. Será uma questão de tempo e, ao que parece, Angela Merkel sabe disso.
http://www.gazetamercantil.com.br/integraNoticia.aspx?Param=1,8,7,1835048,UIOU

19/05/2008

Subsecretário do Usda visita usina

Edson Álvares da Costa
Gazeta Mercantil

Sertãozinho (SP), 19 de Maio de 2008 - O subsecretário para Agricultura e Serviço Agrícola Internacional do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), Mark Keenum, não concorda que a produção de biocombustíveis tenha prejudicado a oferta e os preços de alimentos. Ao contrário da opinião pública internacional, Keenum considera “pequeno” o efeito do aumento da produção de biocombustíveis na redução da oferta de alimentos. “A questão é que a demanda global por alimentos aumentou e a produção caiu por fatores climáticos” disse Keenum, que visitou na última sexta-feira a Usina São Francisco, em Sertãozinho.

“Nos Estados Unidos, a produção de milho neste ano será a maior dos últimos dez anos. O milho será usado para fazer etanol e mesmo assim sobrará para abastecer o mercado interno e exportar.” Segundo ele, a produção de etanol a partir de milho, as vendas no mercado doméstico norte-americano e as exportações do grão pelo país vão todas crescer em 2008.

“O Brasil e os Estados Unidos são líderes na produção de etanol, que é uma alternativa energética, ainda mais com os preços do petróleo nesses patamares”, disse.
Os EUA não deverão eliminar a tarifa de 54 cents por galão de etanol brasileiro, acredita. Keenum lembrou que o Congresso americano prorrogou a tarifa por mais dois anos. “O presidente Bush pode até vetar a lei ou partes dela. Mas o congresso tem força para derrubar o veto e a tarifa deve mesmo virar lei por mais dois anos.”
A barreira ao álcool brasileiro nos Estados Unidos pode representar um instrumento de equilíbrio ao mercado. “Se hoje o Brasil exporta 200 milhões de galões de álcool de cana para os Estados Unidos, se a taxa for eliminada, é lógico que o Brasil passará a exportar mais”, afirmou. Mas Keenum ressalvou que os EUA gastam milhões de dólares em pesquisa para produzir etanol celulósico a partir de outras fontes vegetais. E quando essa nova tecnologia estiver disponível, os EUA poderiam reduzir drasticamente o custo de produção de álcool, possivelmente dispensando a produção brasileira.

Leontino Balbo, diretor da usina São Francisco, mostrou a Keenum e sua comitiva a usina com seus 14 mil hectares de cana orgânica, certificada, e 100% da colheita mecanizada. Keenum viu de perto algumas das operações que fazem da São Francisco a usina mais ambientalmente correta do País.

No laboratório de controle biológico de pragas, viu a produção de vespas responsáveis por eliminar a broca da cana. No campo, viu a fertirrigação por canhões de vinhaça e ainda pegou carona numa colheitadeira de cana.

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A agenda de desenvolvimento sustentável

26/05/08

Análise Fator:

É notória a falta de uma agenda de desenvolvimento sustentável para o Brasil. A final de contas, o que é sustentabilidade mesmo? Disparada a palavra mais utilizada nos últimos anos, entretanto poucas vezes no contexto correto.

Infelizmente ainda não adotamos no Brasil o novo modelo de desenvolvimento do século 21, onde os ativos financeiros são tão importantes quanto os ativos sociais e os ambientais, conceito de sustentabilidade muito bem dito pela ex-ministra Marina Silva numa de suas entrevistas.

Se “crescer de forma sustentável” é promover o desenvolvimento econômico e melhorar os índices de desenvolvimento humano, com a preservação do meio ambiente, por que não se ter uma agenda de desenvolvimento efetivamente integrada entre os Ministérios afins neste conceito: Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Meio Ambiente, Minas e Energia, Ciência e Tecnologia, Educação e outros. Ainda falta muito, é só olhar o posicionamento da ministra Dilma com relação ao Meio Ambiente. E o etanol: é uma questão de energia ou de agricultura?

O que se vê é uma dissonância entre as pastas e inclusive a não participação de ministérios fundamentais para a garantia do nosso crescimento. É o exemplo do ministério da Educação, que deveria ter uma participação mais ativa na nova política industrial (o PDP), afinal de contas de onde virá a mão de obra para garantir o crescimento das indústrias? E o Plano Amazônia Sustentável (PAS): é o Mangabeira? Como se o desenvolvimento da região amazônica não fosse uma questão de desenvolvimento, indústria e comércio exterior.

CVRD e Petrobrás irão absorver as “novas safras” de novos geólogos do mercado pelas próximas décadas. E depois, vamos importar mão de obra?

Por Marcos Redondo, diretor-executivo Fator Ambiental

 

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080521/not_imp175877,0.php

21/05/2008

Novo presidente do Ibama apóia PAC

Geógrafo, atual diretor de licenciamento do instituto, ele avisa que não pretende impor obstáculos às obras

João Domingos, BRASÍLIA
O Estado de São Paulo

O ministro indicado do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou ontem que escolheu o geógrafo Roberto Messias para presidir o Instituto Brasileira do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Ambientalista, atual diretor de Licenciamento Ambiental do instituto, Messias deu sinais ontem mesmo de que o governo não precisará se preocupar com a possibilidade de alguma grande obra prevista no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ficar paralisada por falta de licença ambiental. Ele disse que o Ibama será rigoroso, mas responsável.

“Os grandes projetos de infra-estrutura do PAC são muito importantes porque criam a coluna vertebral para o País, que tem carência de estradas, de energia, pontes, ferrovias”, afirmou. Portanto, segundo ele, no que depender do Ibama os projetos serão aprovados. “Sem perder ambientalmente e fazer com que o beneficiado seja a população.” Messias assumiu a Diretoria de Licenciamento Ambiental no ano passado: superintendente do Ibama em Minas Gerais, foi chamado a Brasília às pressas para ocupar o cargo depois da crise provocada pela demora na licença das usinas do Rio Madeira.

O geógrafo foi o primeiro nome da equipe da ex-ministra Marina Silva a ser convidado a ficar pelo novo ministro, que tomará posse no dia 27. Ao conversar com Messias, Minc disse que havia falado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a intenção de convidá-lo e Lula aplaudiu o gesto.

CONTINUIDADE

Messias disse que dará continuidade a tudo o que vinha sendo feito na gestão de Marina Silva, que deixou o comando do Ministério do Meio Ambiente na semana passada. “Evidentemente que haverá aperfeiçoamentos, melhorias. A vida nos exige um aperfeiçoamento contínuo. Minha intenção é colocar alguns tijolos a mais na construção da política nacional do meio ambiente”, explicou. Para ele, sua missão é igual à do peão de boiadeiro. “É igual a tocar boiada, ajusta daqui e dali.”

Na sua avaliação, é justo que os responsáveis pelo setor de infra-estrutura queiram que as licenças ambientais saiam rapidamente. Mas ele ressalvou que isso não quer dizer que haverá relaxamento na concessão dessas licenças. “Andar mais rápido com o licenciamento não pode ser perda de qualidade”, advertiu. “O Ibama é rigoroso nas análises e vamos continuar assim. Ser rigoroso implica também usar a inteligência para ser ágil e rápido.”

Natural do Rio de Janeiro, Roberto Messias foi secretário do Meio Ambiente do Estado de Minas Gerais no primeiro mandato do governador Aécio Neves (PSDB). Geógrafo, graduou-se pelo Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e fez pós-graduação em Ecologia pela Unesco, em Paris.

 

Análise Fator:

A divulgação do nome do presidente do Ibama, ligado ao grupo do ex-presidente José Sarney, gerou expectativas políticas de ambos os lados radicalizados da discussão Infra-Estrutura x Licenciamento Ambiental. Mais uma vez, o importante é dizer que a Nação não pode se dividir entre radicais de um lado e radicais de outro lado. As obras são tão necessárias quanto o cuidado com o meio-ambiente. E com conhecimento técnico é possível construir e preservar. Este é justamente um dos exemplos de necessidade de integração das agendas entre ministérios para o desenvolvimento do país.

 

http://txt.estado.com.br/editorias/2008/05/20/pol-1.93.11.20080520.23.1.xml

20/05/2008

Lula nega a Minc liberação de R$ 1 bi

Presidente também veta uso de militares para cuidar de reservas ambientais e fala em Guarda Nacional para setor
João Domingos
O Estado de São Paulo
O novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, pediu, mas não conseguiu arrancar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a liberação de cerca de R$ 1 bilhão do setor ambiental que está contingenciado nem o uso do Exército nas reservas da Amazônia. Lula disse que pensará em como liberar o dinheiro progressivamente e, para o lugar das Forças Armadas, sugeriu a Minc que seja pensada a criação de uma Guarda Nacional Ambiental, semelhante à Força Nacional de Segurança, que já existe.

O dinheiro reivindicado por Minc é proveniente dos royalties do uso da água por hidrelétricas e empresas de saneamento, além do setor do petróleo. Normalmente, cerca de R$ 100 milhões são destinados ao ministério e os outros R$ 900 milhões ajudam a cumprir a meta de superávit primário do governo. “Não sei quando e quanto sairá. Mas o presidente disse que o dinheiro sairá”, afirmou ele.

Da reunião em que Lula confirmou Minc no lugar de Marina Silva, participou também a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ficou acertado que a posse será no dia 27 - Minc pediu ao presidente uma semana de prazo para mudar-se para Brasília. Ele propôs ainda a Lula um Plano Decenal de Saneamento, na tentativa de elevar dos atuais 35% para 75% as residências atendidas por saneamento básico. “O presidente e, principalmente, a ministra Dilma gostaram muito da idéia”, disse Minc, logo depois da reunião no Planalto.

O futuro ministro do Meio Ambiente dissera, durante entrevista na semana passada, em Paris, que não tinha planos para o colega da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, nomeado pelo presidente Lula gestor do Plano Amazônia Sustentável (PAS), um dos motivos que levaram Marina Silva a se demitir do cargo. De acordo com Minc, Lula disse que chamou Mangabeira para o cargo porque “ele é um estrategista, um pensador a longo prazo”. Em outras palavras, o presidente o manteve no cargo, com o que Minc acabou concordando. Segundo ele, no dia 30 haverá uma reunião de Mangabeira com os governadores. “Aí, ele poderá expor suas idéias para a Amazônia.”

SUGESTÕES

Minc disse que levou quase uma dezena de sugestões a Lula e todas foram muito bem aceitas. Entre elas, o compromisso de que será mantida a resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), de veto, a partir de julho, à liberação de crédito oficial para quem estiver envolvido em crime ambiental. Havia um temor de que essa resolução fosse revogada, por conta da forte pressão de fazendeiros e de governadores da Amazônia. “Foi muito importante a decisão de manter a resolução do CMN, porque havia a impressão de que, com a saída da ministra Marina Silva, pudesse ocorrer uma descontinuidade das ações do ministério. Não haverá”, disse.

Ele anunciou ainda ter proposto ao presidente e a Dilma a criação de um Centro Integrado de Combate aos Crimes Ambientais, com banco de dados e disque-denúncia. “O crime ambiental será reprimido”, disse. E ameaçou: “Tremei, poluidores, tremei. Vai todo mundo para a cadeia. E terão de plantar muitas árvores. Serei intolerante com o crime ambiental.” Minc disse que o presidente ficou muito entusiasmado com suas idéias para o setor.

O novo ministro adiantou que aproveitará boa parte da equipe de Marina, com quem almoçou ontem. Minc disse ainda que sua secretária-executiva será Izabella Teixeira, bióloga, atual subsecretária de Política e Planejamento do Ambiente do Rio de Janeiro, como o Estado havia antecipado no sábado.

PERFORMÁTICO

A passagem de Minc por Brasília, ontem, teve um pouco de show. Ele próprio disse que é performático e continuará sendo, mesmo nas reuniões na mesa oval do presidente. Sobre sua atuação, garantiu: “Não vou virar vidraça nem me enforcar na gravata.” Ao contrário de outros freqüentadores do Planalto, ele não usou paletó. Pôs a gravata sob um colete de seda na cor cerâmica.

Em menos de sete horas, ele concedeu seis entrevistas coletivas. Não poupou a capital. “Brasília, às vezes, é chata”, disse. Em seguida, dando mostras de que nunca tinha visitado o Palácio do Planalto, pediu aos repórteres que o ajudassem. “Por favor, me ajudem a encontrar o caminho.”

E, na quarta despedida dos repórteres, em sua meia dúzia de entrevistas, usou um bordão verde: “Saudações ecológicas e libertárias.”

Minc não quis arrumar polêmica com seus colega de Minas e Energia, Edison Lobão, que pediu pressa na licença ambiental da Usina de Jirau, no Rio Madeira, leiloada ontem. Ao saber que Lobão havia pedido rapidez na concessão de licenças, preferiu ficar calado.

O novo ministro defendeu a ampliação da área de proteção ambiental da Mata Atlântica, destacando tratar-se do segundo maior bioma do mundo mais ameaçado. Anunciou que viajará para a Alemanha, no dia 29, em busca de recursos para ampliar a defesa ambiental da Amazônia e da Mata Atlântica.

Ele rebateu ainda editorial do jornal norte-americano New York Times, para quem os países desenvolvidos devem ser consultados sobre a proteção ambiental da Amazônia. “Os brasileiros também deveriam ser consultados sobre o patrimônio ameaçado dos Estados Unidos”, ironizou. Afirmou ainda que Paris e Nova York são patrimônios mundiais e, do mesmo modo, a comunidade internacional deveria dar palpites a respeito das duas cidades.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u404006.shtml

21/05/2008

Mangabeira defende pecuária intensiva em áreas devastadas

Rodrigo Vargas
da Agência Folha, em Cuiabá
O ministro Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos), responsável pela coordenação do PAS (Plano Amazônia Sustentável), defendeu ontem a necessidade de um “plano estratégico” para a Amazônia que incluiria a “intensificação da pecuária” nas áreas já desmatadas da região e o uso de financiamentos internacionais para a preservação. A manifestação do ministro foi feita logo após seu encontro, em Cuiabá, com o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR).
“A Amazônia não é apenas uma coleção de árvores, mas um grupo de pessoas. Nela vivem mais de 25 milhões de brasileiros. Se essas pessoas não tiverem oportunidades econômicas, serão impelidas a uma atividade desordenada que levará ao desmatamento”, disse o ministro, cuja nomeação para o PAS foi apontada como um dos motivos da saída de Marina Silva da pasta do Meio Ambiente.
Sobre Maggi, Mangabeira disse que o encontro mostra o “compromisso sagrado” de ambos na busca pela “reconciliação entre desenvolvimento e preservação”. “É preciso lembrar que Mato Grosso não é apenas Amazônia, é também Centro-Oeste. E desempenha um papel exemplar na construção da agricultura brasileira. É um dos dínamos agrícolas, não só do Brasil, mas do mundo.”
Segundo o Inpe, Mato Grosso foi o Estado que mais devastou a Amazônia nos últimos cinco meses de 2007 -na lista dos 36 municípios que mais desmatam a floresta, 19 são mato-grossenses. Para o ministro, porém, não é hora de “atribuir culpas ou medalhas”.
Ao enumerar os pontos principais de seu plano para a região, citou a regularização fundiária. “A partir daí será possível estabelecer um grande zoneamento econômico e ecológico para a região, definindo estratégias para a Amazônia com floresta e sem floresta.”
Nas áreas “sem floresta” –definidas por ele como “áreas de transição entre a Amazônia e o cerrado”–, defendeu o incentivo a uma agricultura “moderna e democratizada”. Ele se disse favorável à ampliação dos mecanismos que prevêem fundos internacionais para financiar preservação e projetos de desenvolvimento.

http://txt.estado.com.br/editorias/2008/05/21/edi-1.93.5.20080521.1.1.xml

21/05/2008

‘Tremei, poluidores, tremei’

O Estado de São Paulo
Fossem outros os tempos e as pessoas, a passagem de Carlos Minc pelo governo federal teria terminado na ante-sala do presidente da República. Lá, um funcionário de terceiro escalão o teria informado de que o presidente Lula havia se equivocado ao convidá-lo para assumir o Ministério do Meio Ambiente e ficava o dito pelo não dito. Mas as coisas e as pessoas são como são e esse é o único aspecto sério do episódio da escolha do sucessor da ministra Marina Silva. O resto foi pura pantomima.

Sondado para ser o novo ministro, quando estava em Paris em missão oficial, na qualidade de secretário do Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Minc a princípio relutou e, em seguida, anunciou publicamente que aceitaria a nomeação se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, aceitasse dez “condições” que ele impunha. Avisado de que o convidado para um Ministério não impõe condições ao presidente da República, mas dele recebe missões, trocou a palavra “condições” por “propostas”, salientando que, com isso, deixava de ser “indelicado”. Apesar do mau começo, o convite continuou de pé.

Já em Brasília, na primeira das sete entrevistas coletivas que concedeu em menos de sete horas e antes de conversar com o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff, explicou que não impusera “condições de trabalho” - que, “na verdade, são muito mais do que as que foram colocadas” - por arrogância. “Arrogância seria imaginar que eu pudesse desempenhar uma missão, para a qual eu tenho dúvidas se estou à altura, sem ter condições de trabalho.” E, apesar da confissão de que não se sente apto para exercer o Ministério, continuou convidado.

Finalmente, conversou com o presidente Lula e, antes que dissesse qualquer coisa, foi avisado de que suas três principais “condições” eram inaceitáveis. O secretário de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, para o qual Minc dissera que “não tinha planos”, continuará como gestor do Plano Amazônia Sustentável (PAS). Sua sugestão de que fosse nomeado um “gestor local” para o PAS nem foi considerada. Para a ministra Marina Silva, a nomeação de Mangabeira Unger para a função foi a gota d’água que a levou a deixar o Ministério, por se sentir desprestigiada. Para Carlos Minc, isso não fez diferença. Também ficou sabendo que o Ministério do Meio Ambiente não receberá as verbas contingenciadas, que se destinam à formação do superávit primário, e que deve desistir da idéia de colocar o Exército na fiscalização dos recursos naturais da Amazônia.

Momentos antes de ouvir as “condições” que efetivamente valem - as do presidente da República -, Carlos Minc havia dito que atribuía o convite para ocupar o Ministério do Meio Ambiente ao fato de Lula ter ficado impressionado com a desburocratização do processo ambiental no Rio de Janeiro. “Acho que isso encheu os olhos do presidente. Mas talvez ele não saiba o resto da história: para fazer isso tudo tem que ter autonomia, poder e dinheiro.” Mas são esses os tempos e as pessoas e Carlos Minc deixou o gabinete presidencial sem autonomia, sem poder e sem dinheiro - mas ministro.

Não se pense que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comeu gato por lebre. Ele queria exatamente alguém com as características de Carlos Minc para substituir a ministra Marina Silva. Precisava de alguém com comportamento exuberante e bom relacionamento com as ONGs ambientalistas do Brasil e do Exterior - e, se possível, com alguma capacidade gerencial. Não por acaso, a recomendação que deu ao novo ministro foi: “Seja criativo, Minc. A única coisa que você não pode fazer é não ter idéia.”

E idéias é o que Carlos Minc tem de sobra. Se são pertinentes, se são factíveis, esse é outro problema. As idéias jorram e com isso ele ocupa espaço na mídia. Tudo o que faz é para chamar a atenção dos meios de comunicação, a começar da maneira cuidadosamente extravagante como se veste.

“Sou performático, continuarei performático”, define-se Carlos Minc. “Não vou virar vidraça, não vou me enforcar na gravata. Vocês vão me ver por aí combatendo crimes ambientais.” E conclui, teatral: “Tremei, poluidores, tremei. Vai todo mundo para a cadeia, de preferência, plantando muita árvore e limpando rios. Serei intolerante com o crime ambiental.”

O tempo dirá se Carlos Minc está à altura da missão que recebeu.

 

http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/285/primeirocaderno/brasil/Foco+esta+na+inovacao+diz+Coutinho,,,63,4935745.html

19/05/2008

Foco está na inovação, diz Coutinho

Denise Neumann
Valor Econômico

 

Luciano Coutinho: “A inovação é fundamental, não estamos mirando apenas o aumento da formação bruta de capital fixo”

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, tem pela frente o desafio de arrumar R$ 320 bilhões para que o banco possa cumprir, até 2010 os compromissos assumidos como um dos principais financiadores dos dois grandes programas de desenvolvimento do atual governo - o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), focado em infra-estrutura, e o recém-lançado Programa de Desenvolvimento Produtivo (PDP), a política industrial do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

O volume de recursos representa dobrar os desembolsos do banco em relação ao volume emprestado no triênio anterior (2005-2007), que somou R$ 165 bilhões. Dentro dos R$ 320 bilhões, os R$ 80 bilhões destinados a 2008 já estão quase totalmente equacionados entre os recursos tradicionais do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT), empréstimos com o Tesouro Nacional, apoio de organismos multilaterais e, talvez, a retenção de uma parte do lucro de R$ 7,3 bilhões do ano passado.

Para compor o funding dos próximos anos, Coutinho conta com o apoio do Ministério da Fazenda (ele faz questão de ressaltar o apoio que tem recebido do ministro Guido Mantega) e pretende ampliar as captações externas e as cooperações e empréstimos com organismos multilaterais (Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento, Cooperação Andina de Fomento etc). “Teremos uma composição de recursos mais diversificada que a atual”, diz ele, reconhecendo que proporcionalmente a participação do FAT no total tende a diminuir.
Mesmo considerando o volume expressivo de recursos que o banco precisa dispor, Coutinho lembra que essa é uma fração do esforço que está sendo feito para elevar a taxa de investimento do país para 21% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010. Se as metas forem alcançadas, o país terá investido em máquinas, equipamentos, estradas, portos, edificações etc um total de R$ 1,7 trilhão na soma de 2008 a 2010. A participação do banco, portanto, seria um pouco inferior a 20%.

“Existem outras fontes de suporte para que as taxas de poupança e investimento cresçam”, diz o presidente do BNDES. Ele cita o reinvestimento dos lucros do setor privado, o mercado de capitais em crescente e acelerada expansão, as captações externas do setor privado e o próprio setor bancário não-estatal.

Apesar do volume expressivo de recursos mobilizados diretamente pelo banco e dos recursos privados que os formuladores do Programa de Desenvolvimento Produtivo esperam desencadear, Coutinho avalia que as políticas de inovação são o grande diferencial desta nova política. “Na primeira, as linhas eram focadas em determinados setores, agora elas são para qualquer empresa”, diz ele.

Por isso, argumenta, desta vez o país conseguirá, de fato, elevar o percentual do PIB que é investido em atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e que há anos estacionou em 0,5% do produto. A meta da política industrial é chegar, em 2010, a um volume anual de dispêndios nesses programas de R$ 18,2 bilhões. “Quando uma empresa chegar ao banco para apresentar um projeto, vamos questioná-la se ele traz inovação. Se a a resposta for positiva, ela será informada que temos uma linha especial para ela”, explica Coutinho. Essa linha terá juros de 4,5% ao ano, taxa antes destinada apenas aos programa para fármacos e de software. O próprio BNDES, diz ele, vai participar como acionista (injetando capital de risco) em empresas inovadoras. Para subvenção (fundo perdido), o banco triplicou seus recursos anuais.

“A inovação é fundamental, não estamos mirando apenas o aumento da formação bruta de capital fixo. Queremos que isso seja feito com forte componente inovador, para elevar a produtividade da economia e não apenas a oferta”, argumenta Coutinho. Com produtividade, diz, os salários podem aumentar sem pressionar os custos industriais e, em conseqüência, sem pressionar a inflação.

Em 2004, quando o governo lançou sua primeira política industrial, Luciano Coutinho estava “fora” do setor público, mas mesmo assim ajudou a defender a idéia de que o país precisava de uma política indutora do investimento privado, que o setor público deveria ter um papel ativo no desenvolvimento econômico e que não fazia sentido deixar todas estas decisões para o “mercado”.

Como presidente do BNDES, Coutinho assumiu um papel ativo na formulação desta segunda política industrial, ainda recebida com críticas. Ele lista três tipos de críticas ao programa: uma ideológica, de quem é contra; outra de fundo macroeconômico, que não é contrária à política industrial, mas não a enxerga como capaz de fazer efeito diante das atuais taxas de juro e câmbio; e uma terceira, mais focada na sua implementação.

Ele só se preocupa com as duas delas. Na sua avaliação, o cenário macroeconômico de 2008 (quanto a juros e câmbio) não vai perdurar até 2010. Coutinho acredita que a contração do déficit externo americano vai fazer com que, em alguns meses, o dólar volte a recuperar parte do valor perdido - ele calcula que a moeda americana esteja depreciada entre 20% e 25% em relação ao euro. “Uma das razões da apreciação do real é global e em parte isso será revertido”, diz.
Quanto a crítica da implementação, Coutinho diz que o “tamanho do desafio” está claro para todos os envolvidos na condução do programa. Ele lembra que haverá uma secretaria-executiva para acompanhar a implementação das medidas e diz que o próprio banco está criando uma secretaria especial de apoio ao programa. “O Ministério do Desenvolvimento já começou a fazer reuniões com os setores envolvidos”, argumenta.

 

http://si.knowtec.com:8080/scripts-si/MostraNoticia?&idnoticia=437796&idcontato=1078&origem=fiqueatento&nomeCliente=PROBRASIL&data=2008-05-19

19/05/2008

Minc propõe que militares façam defesa da Amazônia

Malu Toledo e Caudio Dantas Sequeira
Folha se S.Paulo

Convidado para assumir o lugar de Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente, Carlos Minc (PT) afirmou ontem, ao desembarcar no Rio, vindo de Paris, que vai propor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que as Forças Armadas ajudem na proteção da Amazônia.

Atual secretário de Estado do Ambiente do Rio, Minc disse que fará pelo menos dez sugestões ao presidente na reunião marcada para às 17h30 de hoje no Palácio do Planalto, quando será formalizado o convite para o ministério. Algumas das propostas já foram divulgadas por ele na entrevista dada em Paris.

Minc disse que pretende complementar o PAS (Plano Amazônia Sustentável) com um programa de “desmatamento zero em sete anos”. Segundo o petista, a idéia se baseia em um plano de “desmatamento zero” elaborado por ONGs e fundações e pelo atual presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, que foi abandonado. Minc considera o plano “consistente”, embora admita que o conheça só “superficialmente”.

Ele acha que abaixo do ministro Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos), coordenador do PAS, deveria ter um gestor local, alguém que conheça bem a região. Lula entregou a coordenação do plano a Unger com a alegação de que Marina não tinha “isenção”.

Minc disse que espera que Lula dê condições para que ele trabalhe como fez o governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ). Ele vai sugerir que regimentos das Forças Armadas se integrem na defesa das unidades de conservação da Amazônia, como foi feito com os bombeiros que se tornaram guarda-parques em áreas protegidas do Rio.
Assim como fez no Estado, ele pretende agilizar a liberação de licenciamentos ambientais. Minc disse que a rapidez com que licenciou obras como o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) “encheu os olhos do presidente”.
Outra sugestão é que a Academia Brasileira de Ciências faça um projeto de pesquisa de ponta para utilização da biodiversidade e da biotecnologia da floresta amazônica. “Transformar o banco genético da Amazônia em pastagem de baixa produtividade é colocar a ecologia contra a barbárie”, disse.

Encontro com Marina

Em Paris, Minc sentiu a pressão de substituir Marina ao responder à imprensa internacional quais as garantias de que a Amazônia não será devastada. Ele disse que pretende manter a política da ex-ministra e que se reunirá com ela hoje, antes da conversa que terá com Lula.

“Eu, que não pedi para ser ministro, tive de explicar para a imprensa internacional porque a Amazônia não vai virar carvão. Não vai virar carvão porque a gente vai manter não só a política da Marina como vamos fazer outras coisas que ela não fez, que eu espero que tenhamos capacidade de fazer.”

Após dizer que o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), se pudesse, plantaria soja até nos Andes, Minc contemporizou. Ele afirmou que, assim como os ruralistas, os ambientalistas também têm que ter bom senso e algum limite.

“Nós, os ambientalistas, os ecochatos de plantão, também temos que ter bom senso. Se os ambientalistas, sobretudo os mais puros e duros, se nós fôssemos muito fortes há 80 anos, provavelmente não haveria Pão de Açúcar e Corcovado, que foram feitos em costão rochoso. Acho que o limite deve ser para todos. Espero que com essa o Maggi continue não gostando muito de mim, mas pelo menos fique achando que eu sou menos maluco do que o que eu realmente sou”, disse.

Sobre as críticas de que teria sido arrogante ao colocar condições para aceitar o cargo, disse que seria arrogância se ele se considerasse o “Super Minc” e não assumisse que tem dúvidas de estar à altura do trabalho.

Exército vê idéia de ministro com ressalvas

O Exército vê com ressalvas a proposta do futuro ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, de usar as Forças Armadas na defesa dos parques nacionais e das reservas indígenas e extrativistas da Amazônia. Para Minc, os militares poderiam suprir a carência de fiscais na região amazônica.

“Em termos conceituais a idéia pode ser interessante, mas é preciso ver como será aplicada”, disse à Folha o general Adhemar da Costa Machado Filho, chefe da assessoria de imprensa do gabinete do Exército. Segundo Machado Filho, um patrulhamento regular e ostensivo requer “repasse de mais verbas” e “a concessão de poder de polícia”.

“Pode não ser tão fácil assim, mas vamos esperar a diretriz do Ministério da Defesa”, afirmou. Desde 2001, as Forças Armadas podem ser usadas pontualmente para as chamadas ações de garantia da lei e da ordem no país.

O decreto 3.897 fixou as diretrizes para o emprego das Forças Armadas em caráter emergencial. O texto prevê que qualquer ação militar de policiamento ostensivo, preventivo ou repressivo será sempre “temporalmente limitada e territorialmente especificada”.

No caso da Amazônia, ações conjuntas entre militares e outros órgãos do governo são cada vez mais freqüentes. “Já fazemos esse tipo de ação, quando há um pedido do Ibama ou da Polícia Federal, por exemplo”, explicou à Folha o comandante do CMA (Comando Militar da Amazônia), general Augusto Heleno.

No início de abril, Exército e Ibama atuaram juntos na desocupação de um garimpo no rio Puruí, afluente do Japurá, no Amazonas. Foram apreendidas oito dragas.
As declarações de Minc se ajustam à diretriz do governo Lula para a Amazônia. O Ministério da Defesa apresentará em agosto um novo plano para a região.
Dados recentes de desmatamento e o conflito pela demarcação da reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima, reacenderam o debate sobre a presença militar na Amazônia.

Em palestra no mês passado, Heleno disse que há um “vazio de poder” na região. Hoje, o Exército tem 24 mil homens em 124 organizações militares, entre brigadas, batalhões e pelotões de fronteira. O contingente deve chegar a 27 mil militares até o final do ano.

?

Energia, mineração e infra-estrutura

26/05/08

Análise Fator:

A disposição de investidores estrangeiros em investimentos em ativos de infra-estrutura no Brasil está em alta. A cada semana vemos nos jornais mais um grupo anunciando sua entrada no mercado. A última foi a MRV, com investimentos em infra-estrutura de logística.

Grandes grupos, como a BRACOR, também já anunciaram recentemente importantes investimentos no setor.

Destacamos a questão da infra-estrutura portuária. Com um dos custos mais elevados do mundo neste setor, o Brasil precisa aprimorar o modelo de concessão aplicado em outros segmentos, como o rodoviário e energético, e avançar rápido na ampliação e modernização de nossos portos.

Um destaque especial para os portos de Santos, SP e de Sepetiba, no RJ. Além de estratégicos para o Brasil, estes portos têm algumas características em comum. A primeira delas é a falta de espaço físico para a ampliação/construção de instalações retro-portuárias. A segunda, é que as áreas disponíveis para ampliação compreendem a dois dos maiores passivos ambientais do Brasil: o antigo Lixão de Alemoa e o terreno da falida Mineradora Ingá Mercantil.

Entraves ambientais aparentemente insolúveis (apenas para os mais pessimistas), estas são no momento as maiores oportunidades de investimentos em ativos portuários no Brasil. É urgente a revitalização destas duas áreas, Alemoa e Ingá. É uma grande oportunidade para Minc avançar numa agenda de integração com o ministério de desenvolvimento e acabar com as divergências e os chamados “entraves ambientais” ao crescimento.

Minc esteve envolvido recentemente no caso de Ingá quando era Secretário de Meio Ambiente do Estado do RJ.

Falta alguém com habilidade política e representatividade junto a ambientalistas, empresas, união, estados e prefeituras para a condução de uma agenda de desenvolvimento na região norte, aproveitando os grandes investimentos nas grandes hidrelétricas.

Por Marcos Redondo, diretor-executivo Fator Ambiental
http://www.gazeta.com.br/integraNoticia.aspx?Param=604%2c0%2c1845577%2cUIOU

23/05/2008

AL usa apenas 21% da potência de suas bacias

Gazeta Mercantil
Foz do Iguaçu (PR), 23 de Maio de 2008 - Grandes para abastecer a mais de um país, ou pequenas mas suficientes para melhorar a vida de famílias que vivem na selva ou montanhas, as hidrelétricas devem ser estimuladas, opinaram acadêmicos e funcionários de cerca de 30 países que durante dois dias discutiram, esta semana, em Foz do Iguaçu, na fronteira do Paraguai e Argentina, sobre fontes de energia renovável a poucos quilômetros da colossal represa brasileira-paraguaia de Itaipu.
A histórica escalada dos preços do petróleo tornou mais dramática a corrida para fontes de energia alternativa, já impulsionada pela incitação para deter a poluição do planeta. A América Latina é abundante em recursos hídricos, mas utiliza apenas 21% dos 660 mil megawatts de potência de suas bacias, segundo um relatório apresentado pela Organização Latino-americana de Energia (Olade). A África, por seu lado, conta com 12% dos recursos hídricos mundiais e aproveita menos de 10% do potencial, enfatizou Tong Jiandong, diretor de um centro internacional de estudos com sede na China.
O Brasil é rico em rios e 78% de sua eletricidade é gerada dessa fonte, mas a demanda é enorme e crescente, portanto o País enfrentará, até 2012, o risco de déficit energético, advertiram os analistas. Atualmente, o Brasil projeta duas represas com capacidade para 3 mil megawatts (MW) cada uma - usinas dos Complexo Madeira -, e estimula a instalação de pequenas hidrelétricas de até 30 megawatts para a região amazônica. “A eletricidade se paga sozinha”, disse no fórum Jorge Miguel Samek, diretor brasileiro da represa binacional de Itaipu, uma das maiores do mundo, com capacidade para produzir 14 mil megawatts. Itaipu requisitou investimentos de US$ 12,2 bilhões e atualmente seu valor de mercado é de US$ 60 bilhões, disse o diretor brasileiro. A represa, cujas primeiras turbinas começaram a operar em 1984, cobre 20% da demanda brasileira e praticamente toda a paraguaia.
O Brasil pode dar esses passos, mas isso é utópico na África. “Nenhum país africano é capaz de produzir grandes projetos”, disse Firmino Mucavele, presidente da Nova Associação para o Desenvolvimento da África (Nepad).
“Mas abraçamos a idéia de construir pequenas represas. Com o aumento do petróleo as condições da África irão piorar”, disse Mucavele. As pequenas represas são construídas para atender demandas de clientes ou populações especificas. Não requerem grandes quedas de água nem enfurecem muito os ambientalistas como ocorre com as grandes hidrelétricas. Ele deu como exemplo uma pequena usina para uma comunidade indígena perdida nos Andes bolivianos, com um custo de investimento de US$ 2,7 mil por quilowatt a ser gerado.
“O investimento é alto e o problema é o risco financeiro. É fundamental que a comunidade se envolva no assunto. Ela mesma venderá a energia elétrica”, disse Mentor Poveda, especialista da área elétrica na Organização Latino Americana de Energia.
Por seu lado, a Índia projeta hidrelétricas de grande porte, mas também incentiva as pequenas, disse Arun Kumar, diretor de um centro de estudos energéticos desse país. A Índia aproveita não apenas os rios, mas também represas de água potável e até canais de irrigação, e nos últimos cinco anos pôs em andamento mais de 200 represas de até 25 megawatts para grandes consumidores ou populações remotas.

 

http://www.gazeta.com.br/integraNoticia.aspx?Param=604%2c0%2c1845577%2cUIOU

23/05/2008

Preço da energia sobe 48,4%, para R$ 51,62

Roberta Scrivano
Gazeta Mercantil

São Paulo, 23 de Maio de 2008 - O Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), como é chamado o valor da eletricidade negociada no mercado de curto prazo, registrou sua segunda alta consecutiva e, na próxima semana, será comercializada a R$ 51,62 por megawatts (MWh). A alta sobre a semana anterior foi de 48,4%.

Segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), órgão responsável pelo cálculo do PLD, “o aumento do valor foi motivado, principalmente, pela redução da previsão de afluências para os submercados Sudeste/Centro-Oeste e Sul”.Há duas semanas, o preço da energia estava sendo negociado ao seu preço mínimo de R$ 15,47. E no ano passado, a média do PLD no mês de maio foi de R$ 59,96.

O mercado de curto prazo é movimentado pelos consumidores livres, que, quando excedem o seu volume de energia contratado, são obrigados a recorrer ao curto prazo em busca de mais eletricidade. A necessidade do acerto de contas com a CCEE - o consumidor é multado pelo órgão caso não faça o “ajuste” — foi uma das maneiras encontradas pelo governo federal para evitar especulações na commodity.
http://txt.estado.com.br/editorias/2008/05/21/edi-1.93.5.20080521.2.1.xml

21/05/2008

O leilão de Jirau

E Estado de São Paulo
O consórcio formado pelo Grupo Suez, controlador da Tractebel, pela Camargo Corrêa e pelas estatais Chesf e Eletrosul, subsidiárias da Eletrobrás, surpreendeu os analistas ao vencer o leilão de concessão para a construção da segunda usina hidrelétrica do Rio Madeira - Jirau, com potência de 3.300 MW -, oferecendo o preço de venda da energia de R$ 71,40 o MWh, inferior em 21,5% ao teto de R$ 91,00 o MWh fixado pelo edital. O baixo preço confirmou a percepção dos investidores de que precisam ocupar espaços no importante mercado brasileiro de energia, ainda que obtendo menor rentabilidade.

O leilão durou apenas 8 minutos. O outro concorrente, o consórcio liderado por Furnas e pelo Grupo Odebrecht, ofereceu R$ 85,02 o MWh. Esse grupo já havia ganho a concessão para construir a Hidrelétrica de Santo Antônio, com 3.150 MW de potência, também no Rio Madeira, a 100 quilômetros da Usina de Jirau.

Três justificativas foram apresentadas para o preço oferecido (que provocou baixa das cotações da Tractebel em bolsa) pelo consórcio vencedor. Primeiro, a venda antecipada de energia no mercado livre, onde o preço apurado é, hoje, bem superior ao do mercado cativo das distribuidoras. Como maior gerador privado do País, o Grupo Suez podia oferecer energia firme neste leilão, atraindo clientes do mercado livre temerosos da falta de energia a partir de 2012, quando Jirau começará a operar.

Segundo, o grupo vencedor acredita que disporá de energia para vender antes de janeiro de 2013, a data-limite para começar a gerar eletricidade. Toda essa energia poderá ser vendida no mercado livre, com preços mais elevados. A mesma conta já tinha sido feita pelo vencedor da Usina de Santo Antônio.

Terceiro, haverá uma modificação no projeto inicial, com o deslocamento de 9 km do local de instalação previsto e duas casas de força, ao invés de uma. “É um novo arranjo, com prazos e custos menores do que o mercado imagina”, declarou o presidente do Grupo Suez no Brasil, Maurício Bähr. A economia com essa mudança é da ordem de R$ 1 bilhão, significativa num investimento com custo estimado de R$ 8,7 bilhões.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, saudou o deságio da ordem de 40%, entre o preço máximo definido para Santo Antônio, de R$ 122,00, e o preço final de Jirau, de R$ 71,40. Disse que à medida que a energia encarece no exterior, no Brasil ela custará menos. Essa é uma afirmação precipitada, pois, em caso de desequilíbrio entre a oferta e a demanda, a energia será disputada a qualquer preço pelas empresas consumidoras. Além disso, a idéia de que os preços serão baixos não se aplica a todos os consumidores - é o caso dos do mercado livre, que pagaram preços reduzidos nos últimos anos, graças à oferta superior à demanda, e agora terão de pagar entre R$ 120,00 e R$ 130,00 o MWh, segundo as últimas estimativas.

A saída da ministra Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente sugere que o licenciamento prévio da Usina de Jirau terá trâmite rápido. Sem isto, a incerteza regulatória seria maior e os custos reais de Jirau, mais elevados. Esse fator contribuiu, certamente, para a oferta de um lance baixo para Jirau. Mas cabe registrar a opinião do especialista em energia Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (Cbie): “Não há tecnologia no mundo ou antecipação de entrega de energia que possa explicar preço tão baixo. Energia a este preço é um sinal equivocado que o governo federal dá ao setor no País, porque esta tarifa não remunera, principalmente porque nela há o valor que deverá ser pago para as linhas de transmissão do Madeira.” O mais provável, portanto, é que os vencedores contem com a diminuição, no longo prazo, dos custos da captação de recursos graças ao investment grade obtido pelo Brasil da Standard & Poor’s.

Para o setor produtivo, o leilão significa promessa de mais energia. Mas os investimentos em geração estão atrasados. Está com o Ministério de Minas e Energia a responsabilidade, agora, de acelerar outros projetos, como o de Belo Monte.
http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/285/primeirocaderno/brasil/Concessao+de+Belo+Monte+desafia+governo,,,63,4941817.html

21/05/2008

Concessão de Belo Monte desafia governo

Daniela Chiaretti
Valor Econômico

A agilidade em analisar processos de licenciamento ambiental do novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, terá uma prova difícil pela frente: a polêmica usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. Trata-se de obra prioritária prevista no Programa de Aceleração do Crescimento, orçada em R$ 7 bilhões, com capacidade de produção de 11.181 MW e longo histórico de resistência. Vencer a oposição a esta hidrelétrica é uma tarefa que, seguramente, irá extrapolar os domínios da área ambiental do governo.

Ontem, dois fatos confirmaram o quanto o processo desta usina é complicado. Em Brasília, o Tribunal Regional Federal da 1 Região suspendeu uma liminar concedida em abril pela Vara Única de Altamira e permitiu a retomada dos estudos de impacto ambiental da hidrelétrica. Foi uma vitória do Ministério das Minas e Energia e da Centrais Elétricas Brasileiras S/A (Eletrobrás) que pretendem acelerar o processo e fazer com que o leilão de Belo Monte ocorra em outubro de 2009. Enquanto isso, em Altamira, o engenheiro Paulo Fernando Rezende, coordenador dos estudos de Belo Monte, foi ferido à tarde por cerca de dez índios kayapós, num episódio que demonstra a animosidade que existe em torno a esta obra.

Rezende sofreu um corte de 15 centímetros no braço, segundo a assessoria de imprensa da Eletrobrás. Ele estava em Altamira a convite dos organizadores do encontro Xingu Vivo para Sempre, que reúne na região, desde segunda, cerca de mil indígenas, ribeirinhos, ambientalistas, pequenos agricultores e representantes de movimentos sociais para discutir os projetos do plano energético do governo no Rio Xingu.

A cena reviveu, com mais violência, um fato histórico que ronda o mesmo empreendimento. Em 1989, durante o 1 Encontro de Povos Indígenas, também realizado em Altamira, a kayapó Tuíra encostou a lâmina de um facão no rosto do presidente da Eletronorte, José Antonio Muniz Lopes, num gesto de advertência contra o então projeto do governo de inundar 1,7 milhão de hectares com a construção de cinco barragens no Xingu.

À época, a usina se chamava Kararaô, um brado de guerra na língua kayapó. A foto correu mundo e a pressão internacional fez com que o Banco Mundial desistisse do empréstimo. Muniz Lopes é hoje o presidente da Eletrobrás. Recentemente, comentando a disputa que ocorreu pela hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, Lopes mostrou seus planos para os rios amazônicos: “Com esses grandes empreendimentos quebra-se o paradigma de que construir usina na Amazônia é um absurdo”. Prosseguiu: “A Amazônia tem um potencial da ordem de 40 mil MW em hidrelétricas. Temos a matriz energética mais limpa do mundo.”

Kararaô foi esquecida e o projeto ressurgiu com Belo Monte como estrela principal. A engenharia foi repaginada. Prevê-se, agora, uma só barragem num trecho do rio conhecido como Volta Grande do Xingu, no município de Altamira.

Mas os ambientalistas desconfiam disso. O Xingu é um rio muito sensível aos períodos de seca na Amazônia, lembra Glenn Switkes, da ONG International Rivers, que destaca o impacto que o novo projeto, com dois desvios para o Xingu, poderia ter em áreas indígenas próximas. “Um trecho do rio ficará com muito menos água, impactando no número de peixes e na vida dos povos indígenas de lá”, diz ele. “Além disso, a própria Eletrobrás reconhece que a vazão do rio cairá muito durante vários meses, diminuindo a capacidade de produção de Belo Monte”, continua. “Assim, ela se torna antieconômica, e a única maneira de viabilizá-la será com mais dois reservatórios a montante”.

Nos dados oficiais da Eletrobrás, a previsão é de apenas um reservatório. Mas uma antiga reivindicação da área ambiental do governo - a criação da Reserva Extrativista do Médio Xingu (Resex), fechando um mosaico de unidades de conservação e áreas indígenas na região - foi barrada no último dia da gestão Marina Silva. O processo de criação da Resex, que está há meses parado na Casa Civil, foi entendido pelos ambientalistas como um mau presságio. “É a mesma coisa das usinas do Rio Madeira”, diz Roberto Smeraldi, diretor da ONG Amigos da Terra -Amazônia Brasileira. “Estamos falando de um projeto que, sozinho não anda. É antieconômico. E o grande equívoco é que se está discutindo um conjunto de obras na bacia do Xingu”, desconfia Smeraldi.
Vários pesquisadores e instituições vêm questionando a viabilidade técnica e econômica da usina, que teria potencial para gerar até 11,1 mil MW, mas que, durante a maior parte do ano, seria capaz de gerar no máximo 4,6 mil MW, pelas contas dos ambientalistas. O argumento do empreendedor tem sido que, quando Belo Monte produzir menos, em função da seca na Amazônia, as usinas do Sul e Sudeste estarão a pleno vapor. No tal sistema integrado, uma região compensaria a outra.
No histórico do processo no Ibama, Belo Monte tem área de influência direta em cinco municípios - Vitória do Xingu, Altamira, Senador José Porfírio, Anapu e Brasil Novo. O empreendimento também prevê a utilização de turbinas bulbo e reservatório com operação a fio d’água, desenho que ficou famoso na discussão das usinas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, em Rondônia.
A batalha judicial recente em torno a Belo Monte tem mais de sete anos de idas e vindas. No fim de 2007, o Ibama emitiu um termo de referência orientando o empreendedor a como proceder nos seus estudos de impacto ambiental. A Eletrobrás assinou um convênio de cooperação técnica com as construtoras Camargo Corrêa, Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez que estão conduzindo os estudos de impacto ambiental.
Na trajetória de Belo Monte, no Ibama, estão os sinais da complexidade da obra. O levantamento inicial da população diretamente atingida pelo reservatório, e que precisará ser remanejada, indica 2 mil famílias na área urbana de Altamira, 813 na área rural de Vitória do Xingu e 400 ribeirinhas. Tudo isso, e mais a grande questão de sempre: o Xingu é sagrado para as nações indígenas que vivem ali. “Pequenas centrais elétricas de produtores privados estão sendo planejadas desordenadamente ao longo do rio, e isso terá impacto”, lembra Raul Telles do Valle, do Instituto SócioAmbiental.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u403647.shtml

20/05/2008

Com usinas, Rondônia prevê novo fluxo migratório

Agnaldo Brito
da Folha de S.Paulo

Os dois megaprojetos hidrelétricos (usinas de Santo Antônio e Jirau) que serão construídos no rio Madeira (RO) devem atrair mais de 20 mil pessoas para o Estado. O novo ciclo migratório será necessário devido à impossibilidade de a mão-de-obra disponível no Estado atender à nova demanda. Segundo a Secretaria de Planejamento de Rondônia, no auge da construção das duas usinas, mais de 13 mil trabalhadores serão necessários.
“O Grupo Odebrecht e o governo do Estado tentam formar o maior número possível de trabalhadores para Santo Antônio, mas sabemos que não será possível atender a toda a demanda sem a vinda de gente de outras regiões do país”, explica João Carlos Ribeiro, secretário de planejamento. Neste momento, 6.000 pessoas estão em programas intensivos de formação para trabalhar na construção da usina de Santo Antônio, sob a responsabilidade do Grupo Odebrecht.
Segundo ele, não só as duas obras deverão atrair gente, mas estas servirão de vetores para para outras demandas. “São negócios periféricos que serão movimentados e aos quais o Estado não tem condições de atender com a mão-de-obra local apenas”, disse Ribeiro. Há duas preocupações neste momento em Rondônia: moradia e alimentação. O déficit habitacional existente no Estado poderá aumentar.
O abastecimento é o segundo problema já esperado pelo governo. Rondônia expandiu a produção de alimentos nos últimos anos. Hoje, o Estado tem um plantel de 12 milhões de cabeças de bovinos e um complexo de abate orientado a exportar. É ainda um grande produtor de grãos, principalmente de feijão e arroz, mas a avaliação do governo é de que será necessária a importação de produtos industrializados.
http://www.gazeta.com.br/integraNoticia.aspx?Param=13%2c0%2c+%2c1842968%2cYTRE

23/05/2008

Pesquisa mineral atrai investimentos

Luciana Collet
Gazeta Mercantil
Ouro Preto (MG), 23 de Maio de 2008 - Os crescentes preços das commodities metálicas, puxados pela demanda sempre mais alta, têm estimulado o investimento em pesquisa mineral. Mineradoras e grupos siderúrgicos e metalúrgicos intensificam as buscas por boas áreas geológicas para a exploração dos mais variados minérios. Investidores também dedicam maior atenção ao setor.
“Muitos países, especialmente os emergentes, têm registrado crescimento expressivo no número de novos consumidores, o que exige sempre mais investimentos em infra-estrutura, habitação e bens de consumo como automóveis e produtos da linha branca”, explicou Miguel Nery, diretor-geral do o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).
De acordo com a autarquia, somente no ano passado foram aplicados US$ 365,9 milhões em pesquisa mineral, valor 20% superior ao gasto em 2006. Deste total, US$ 249,5 milhões foram aplicados em áreas com alvará de pesquisa (a primeira fase de estudos) e outros US$ 126,4 milhões em áreas com concessão de lavras. Tal valor indica uma intensificação no interesse por novas áreas, uma vez que normalmente quanto mais avançado o projeto, maior o volume de investimentos.
Entre os diversos tipos de metais, o ouro foi o que recebeu maior atenção por parte dos investidores, US$ 68,7 milhões, ou 29% do total, seguido por níquel, US$ 61,4 milhões, ou 24%. O terceiro na colocação foi a bauxita, com US$ 18,7 milhões, com apenas 7% do total.
O números foram divulgados no III Simpósio Brasileiro de Exploração Mineral (Simexmin), realizado esta semana. Durante a apresentação, Nery destacou que o volume é pequeno se considerado o valor mundial investido anualmente em pesquisa mineral, que em 2007 somou US$ 10,3 bilhões. “O Brasil responde por apenas 3% do investimento mundial”, ressaltou.
Entre as justificativas para o relativo baixo investimento está a dificuldade para obter as autorizações necessárias junto às autoridades. “A Vale tem reduzido programas de sondagem devido a dificuldades com licenciamento”, justificou Eduardo Ledsham, diretor de desenvolvimento de projetos minerais da Companhia Vale do Rio Doce (Vale). No ano passado, a companhia investiu US$ 120 milhões na exploração mineral, US$ 58 milhões para a realização de estudos conceituais de pré-viabilidade e de viabilidade para o desenvolvimento de depósitos minerais já identificados, em todo o mundo.
De fato, a DNPM tem encontrado dificuldade para atender às crescentes demanda por requerimentos de pesquisa, pedidos de alvará ou de concessão de lavra. Em 2007 foram protocolados 23,5 mil requerimentos de pesquisa , mas somente 13,9 mil alvarás foram publicados. “Estamos limitados pela capacidade operacional, mas em junho entrará em operação novos sistemas de plataforma eletrônica para suportar a operação”, revelou Nery.
Há três anos a autarquia trabalha na modernização do processo de solicitação, projeto que exigiu investimentos de R$ 6 milhões em sistemas de software e em hardware, entre outros gastos. “Aos poucos vamos reduzir nosso passivo e poderemos aumentar nossos esforços na fiscalização, e controlar melhor os inadimplentes”, afirmou o executivo do DNPM.
Previsão de alta
Para este ano, o DNPM poderá ter maior volume de trabalho e o País poderá elevar sua participação entre os países com maior volume de investimento. A Vale aplicará o dobro do ano anterior, US$ 349 milhões no programa de exploração mineral, informou a companhia sem destacar quanto será realizado no País. Além do Brasil, a Vale possui pesquisa mineral no Chile, Peru, Moçambique, Angola, Gabão, Argentina, Mongólia, Austrália, China, Índia, Cazaquistão, Venezuela, Colômbia, Canadá, África do Sul, Rússia, Guiné, Finlândia, Indonésia, República Democrática do Congo, Vietnã, Guatemala, Filipinas. Entre os principais minerais pesquisados estão cobre, ferro, urânio, manganês, carvão, níquel, bauxita, diamante, fosfato e potássio.
A Votorantim Metais também está ampliando investimentos em pesquisa mineral. A empresa deve aplicar US$ 85, 4 milhões em atividades de pesquisa, acima dos US$ 49,2 milhões. “Conforme os projetos evoluem, o volume de recursos nas pesquisas cresce muito”, explicou o diretor de exploração da empresa, Jones Belther. De acordo com ele, atualmente existem 68 projetos em andamento, em sete países: Brasil, Bolívia, Canadá, Colômbia, México, Peru e Argentina. Do total, cerca de 30% serão aplicados no exterior. Em 2007 os projetos internacionais receberam 23% “Não reduzimos os investimentos no Brasil, é que ampliamos no exterior”, justificou.
Além das grandes empresas brasileiras, crescem no mercado novas empresas, de capital estrangeiro ou nacional. Atualmente existem no País 53 empresas de capital canadense, desenvolvendo 176 projetos de mineração. No Canadá proliferam as empresas de investimento em mineração, que levantam recursos abrindo capital na Bolsa de Valores de Toronto (TSE). É o caso por exemplo da Yamana Gold, empresa fundada em 2003 e que atualmente possui quatro minas em operação no Brasil, e outras duas em desenvolvimento, além de atuação na Argentina, Chile, México, Honduras e Estados Unidos.
De acordo com o vice presidente de exploração, Darcy Marud, a empresa prevê investir US$ 84 milhões em seus projetos de exploração. No Brasil a empresa está estudando a mina de Santa Cruz, Ernesto e Pau a Pique. “Nosso objetivo é atingir produção de 2,2 milhões de onças equivalente até 2012″, disse.
A experiência de geólogos brasileiros em descobertas passadas também tem atraído a atenção de capital nacional. Após deixar o setor de telefonia, o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, apostou suas fichas na mineração. O banco detém 62% da empresa Global Miner Exploration (GME4), na qual o geólogo baiano João Carlos Cavalcanti possui 20%. Foi ele quem desenvolveu o projeto da mina de Caetité, na Bahia, acertando depois o seu desenvolvimento ao criar a Bahia Mineração (BML) e vender 70% da empresa para um investidor estrangeiro. No início de maio, a mineradora Eurasian Natural Resources Corporation (ENRC) anunciou a compra de 50% da Bahia Mineração por US$ 300 milhões, o que significa uma valorização de aproximadamente seis vezes, já que em 2005, quando começou a estruturar o projeto, estimava-se um valor de US$ 100 milhões.
“Em 2004 achavam o projeto de Caetité nebuloso, fantasioso, a compra confirmou que era um projeto sério”, disse Cavalcanti. “Que muitos outros projetos nossos sigam esse caminho”, afirmou o empresário, que ambiciona ser o maior banco de oportunidades minerais até 2010. Atualmente a empresa, que completa um ano em junho, possui 1,2 mil áreas com alvará para pesquisa, em 10 estados, 90% adquiridas diretamente, mas algumas negociadas com os proprietários dos alvarás. “Queremos agora ampliar as parcerias”, disse o geólogo Caio Jatobá, diretor de novos negócios e outro dos sócios. Os executivos não revelam quanto já investiram, mas declaram que devem aplicar R$ 40 milhões neste ano na pesquisa de metais básicos e preciosos.
O primeiro negócio deve sair até o final deste ano. Cavalcanti esteve recentemente na China, onde ofertou um projeto em Goiás para a produção de refratários básicos, magnésio metálico, carbonetos e clínquer que tem porte para exportação. De acordo com Cavalcanti, o projeto, que prevê a criação de um complexo minero-siderúrgico e infra-estrutura logística, deve exigir investimentos de aproximadamente US$ 1 bilhão.

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21/05/2008
Votorantim busca novas minas nas Américas

Ivo Ribeiro
Valor Econômico

Um dia ele está no noroeste do Mato Grosso, a quase mil km de Cuiabá, supervisionando equipes de trabalho em Aripuanã; num outro, na região central da Colômbia, onde se busca cobre, zinco e chumbo, ou em algum lugar do Peru. Essa é, há vários anos, a nada glamourosa rotina do diretor de exploração mineral da Votorantim Metais, Jones Belther. “Nosso eixo de prioridade de atuação é as Américas”, afirma. Sob seu comando está um orçamento de R$ 150 milhões para 2008 - o maior de todos os tempos da empresa - e uma equipe de cerca de 100 pessoas, das quais mais de 60 geólogos, que cresce continuamente.

Em 2004, quando esse departamento foi criado na holding de metais do grupo Votorantim, a verba era de R$ 17,7 milhões. No ano passado, foram R$ 100 milhões. A VM tem o segundo maior orçamento do país - só perde para a Vale do Rio Doce. Do total, 70% são aplicados no Brasil, na busca de novas reservas de zinco, níquel, chumbo e cobre, mas em 2009 o peso de outros países da América Latina e de Canadá deve se igualar ao brasileiro, ou até suplantá-lo.

“Com a recente entrada no Canadá, já estamos em sete países nas Américas”, diz o geólogo Belther, 40 anos, formado e com especialização pela Unesp, em Rio Claro (SP). A VM acaba de inaugurar um escritório em Toronto. “Lá, há ainda muita coisa em zinco, principalmente, a se explorar”, afirma o diretor, que entrou para os quadros da Votorantim em 2004. A estratégia da VM no Canadá será efetivar parcerias com várias empresas locais, donas de reservas ainda pouco ou quase nada exploradas.

Ao todo, na carteira constam 68 projetos de exploração nos sete país - do Canadá e México à Argentina, países onde entrou mais recentemente. A maior concentração de pesquisas está no Brasil, Peru, Colômbia e Bolívia. Os investimentos alocados visam encontrar prioritariamente novas jazidas de níquel e zinco, principais produtos da VM hoje, mas também de cobre e chumbo, além de carvão e minério de ferro, uma vez que é produtora de aços longos no Brasil, Colômbia e Argentina e estas duas matérias-primas valorizaram-se assustadoramente nos cinco últimos anos.

A escalada da demanda mundial, puxada pela China e outros países emergentes, levou a uma outra, a dos preços das commodites metálicas, as quais alcançaram cotações históricas desde meados de 2003. “A meu ver, há um superciclo das commodities que deve durar até pelo menos 2012″, afirma Belther, que garante não ter visto nada igual, em sua experiência no setor, desde o início da década de 90.
Com a oferta apertada e os preços dos metais nas alturas - o níquel chegou a US$ 55 mil a toneladas -, bem como de outras matérias-primas minerais - o minério de ferro já atingiu US$ 200 a tonelada no mercado à vista e o carvão subiu neste ano mais de 200% -, todo mundo saiu em busca de novas reservas. Por isso, o orçamento mundial das empresas em exploração mineral (pesquisa de novas áreas) mais que quintuplicou desde 2002 - de US$ 1,9 bilhão naquele ano para US$ 10,9 bilhões em 2007.
Belther informa que os custos de exploração e de implantação dos projetos estão cada vez mais caros. Vários fatores explicam isso, aponta ele. As reservas estão em locais mais remotos e cada vez mais profundas no subsolo e com teores metálicos dos depósitos mais pobres. Esse último ponto requer movimentação e processamento de rocha e estéril maiores para se obter as mesmas quantidades. “Por isso, os preços dificilmente deverão retornar aos níveis de antes”, afirma.
No Brasil, a empresa concentra esforços de pesquisa em vários Estados, entre eles Mato Grosso, Pará, Goiás e Bahia. Da reserva de zinco de Aripuanã, em parceria com a Karmin Resources (30%), espera definir, em algum tempo, uma mina com potencial de produzir até 50 mil toneladas de zinco, além de chumbo e cobre. Em Montes Claros de Goiás, estudos de viabilidade podem apontar uma importante reserva que poderá gerar mais de 10 mil toneladas de níquel contido em ferro-níquel. Está no oeste de Goiás, em Iporá.
Recentemente, a VM adquiriu três áreas de níquel da chilena Codelco, líder mundial em cobre, no sul do Pará. Os dados preliminares apontam potencial de reservas para se tornar uma mina de classe. “Em três anos teremos uma visão clara desses depósitos e no horizonte de seis já poderemos ter uma mina em operação”.
O Peru, onde chegou em 2003 com a aquisição da refinaria de zinco Cajamarquilla, tem o segundo maior orçamento de exploração da VM - R$ 24 milhões. Esse valor é aplicado em 21 projetos, com destaque para Bongará, no norte, numa joint venture com a Solitário, do Canadá. A expectativa é ter uma mina de zinco, de 50 mil toneladas, em 2012. Na região central do país, em outras parcerias, pesquisa as reservas de Shalipayco e Santander. No país, também é dono de 25% da Milpo.
Para a Colômbia, onde comprou a Acerías Paz del Río no ano passado, foram destinados R$ 10 milhões para “garimpar” cobre, zinco e chumbo. Outra verba, a cargo da siderúrgica, de US$ 12 milhões, está sendo aplicada para dimensionar, até 2009, sua jazida de carvão.
Com receita líquida de R$ 6,6 bilhões no passado, distribuída entre zinco, níquel e aço, a VM, com a aquisição da US Zinc em 2007, entrou na China e se tornou a terceira produtora mundial de zinco.

 

http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/285/empresasetecnologia/empresas/Porto+maranhense+de+Itaqui+tera+socio+privado,,,51,4935404.html

19/05/2008

Porto maranhense de Itaqui terá sócio privado

Carolina Mandl
Valor Econômico

O governo do Maranhão quer passar parte do porto do Itaqui, hoje administrado por uma empresa pública, para as mãos de investidores privados. O objetivo é atrair recursos para melhorar e ampliar a infra-estrutura portuária. O primeiro passo para tentar atrair recursos será transformar, nos próximos meses, a Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), responsável pela gestão do porto do Itaqui, em uma sociedade anônima, segundo João Castelo, presidente da companhia. Em uma segunda etapa, a Emap poderá passar por uma abertura de capital.

Hoje, Itaqui tem sete berços de atracação, sendo que dois deles estão em reforma. Mas, pelas estimativas da administração portuária, Itaqui precisará ter 34 cais até 2040, o que demandaria investimentos de cerca de R$ 2,5 bilhões. Sem recursos para bancar essas obras, o governo do Maranhão quer atrair a iniciativa privada.

Dois fatores podem impulsionar a movimentação de cargas no porto, que no ano passado foi de 12,9 milhões de toneladas. Um deles é a expansão da ferrovia Norte-Sul, que deve aumentar a quantidade de grãos operada em Itaqui. Também se prevê que a conclusão das obras de ampliação do canal do Panamá intensifique o tráfego.

O modelo que o governo do Maranhão pretende adotar difere daquele que está sendo usado hoje por portos públicos. Em geral, são repassados à iniciativa privada apenas terminais ou alguns serviços por meio de licitações. A administração geral do porto - responsável, por exemplo, pela construção e manutenção das vias de acesso - continua com uma empresa pública. Mas, no caso maranhense, é a Emap que poderá ter novos sócios privados. Dessa forma, será ela que fará diretamente os investimentos em novos terminais, além de cuidar da gestão do porto.

“Acreditamos que a gestão compartilhada no porto como um todo poderá trazer mais melhorias”, afirma Castelo, que gerencia um porto cujo controle foi repassado pela União ao Estado do Maranhão. Pelos plenos do presidente da Emap, o domínio do porto continuará nas mãos do governo, que continuará a deter 51% do capital.

Para Paulo Fernando Fleury, professor do Centro de Estudos em Logística do Instituto de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o modelo pode ser benéfico. “Hoje, o que vem acontecendo é que os terminais investem, mas as autoridades portuárias, não. Aí, as vias de acesso, por exemplo, ficam em mau estado. É como se fosse preparado um recheio delicioso para se comer num pão velho.”

O cuidado que se deve ter, segundo ele, é na estrutura de governança corporativa, para garantir que os investidores tenham poder, mesmo sem ter o controle da empresa. “Do contrário, ninguém vai sequer querer investir”, explica o professor.

Ao lado de Itaqui, a Vale do Rio Doce opera o terminal privativo Ponta da Madeira, com três píers e seis silos para estocagem de grãos. Ele carrega o maior navio graneleiro do mundo, o Berge Stahl, que faz a rota São Luís-Rooterdã. Nele foram movimentados em 2007 cerca de 97 mil toneladas, um volume oito vezes maior do que aquele que passou pelo porto público, que também ainda está licitando seu primeiro terminal de grãos. Para 2011, a Vale planeja ter um novo cais e de um pátio de estocagem de minérios.

“Ponta da Madeira prova que Itaqui está bem localizado. Além disso, tem um bom calado. O que falta é investimento”, afirma Fleury. São Luís está próximo dos mercados americano e europeu e possui um canal de acesso de 27 metros de profundidade e 1,8 quilômetro de largura.

Hoje, Itaqui é um porto forte na movimentação de derivados de petróleo, ferro gusa e soja. Mas os planos da Emap são de diversificar, a partir da atração de mais empresas para a área próxima ao porto. Recentemente, a MPX, de Eike Batista, anunciou uma termoelétrica na região. Já o Estaleiro Mauá assinou um memorando de entendimentos com o governo para se instalar lá.

 

http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/285/empresasetecnologia/empresas/OHL+quer+disputar+Ayrton+Senna+e+D+Pedro,,,51,4935407.html

19/05/2008

OHL quer disputar Ayrton Senna e D. Pedro

Patrícia Nakamura

A espanhola OHL manifestou interesse especial nas rodovias D. Pedro I e no sistema Ayrton Senna/Carvalho Pinto, duas das cinco rodovias que deverão ser leiloadas pelo governo do Estado de São Paulo ainda neste ano. “São vias com características de tráfego atraentes”, afirmou em teleconferência a analistas o diretor de finanças e de relações com investidores da OHL, Francisco Leonardo Moura da Costa.

O executivo disse ainda que a administradora de concessões rodoviárias deve apresentar propostas para todos os lotes. Também aguarda os processos de licitação em São Paulo, Minas Gerais, Bahia e uma nova rodada de leilões federais para este ano.

A OHL está finalizando as negociações com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para obter uma linha de crédito para financiar as obras das cinco rodovias federais que estão sob sua administração. A intenção é que o empréstimo represente até 70% dos investimentos previstos nas rodovias. Em cinco anos, os aportes da OHL nas rodovias devem chegar a R$ 4,1 bilhões. Só neste ano, os investimentos chegarão a R$ 776 milhões. Por enquanto, a OHL emitiu R$ 190 milhões em notas promissórias para investir nas novas concessões.
Desde fevereiro, a empresa está realizando obras emergenciais nas estradas federais, e pretende iniciar a cobrança de pedágio entre setembro e outubro. Os recursos, portanto, só terão impacto nas contas da OHL no quarto trimestre fiscal. De acordo com Moura da Costa, uma empresa já foi contratada para construir as praças de pedágio e espera apenas a obtenção de licença ambiental e os decretos de utilidade pública para compra das áreas para iniciar as obras.

Moura da Costa disse que a empresa está aberta a negociações no mercado secundário de concessões rodoviárias. “Estudaremos propostas que forem apresentadas à nossa empresa, mas não estamos buscando nenhum negócio específico”, afirmou.

Com a compra da Autovias (que administras rodovias no interior de São Paulo) e ao vencer cinco concessões nos leilões federais, a OHL tornou-se a maior administradora de rodovias do país, com 3,2 mil quilômetros de estradas. A empresa obteve no primeiro trimestre lucro líquido de R$ 8,8 milhões, uma redução de 3% em relação ao ano passado. A receita líquida atingiu R$ 156 milhões, alta de 13%.

 

21/05/2008

União, Estado e Município também assinam convênios para obras nas principais favelas da capital e perto das Represas Guarapiranga e Billings

Elizabeth Lopes
O Estado de São Paulo
A Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) recebeu ontem financiamento de R$ 1,58 bilhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para obras de expansão da Linha 2-Verde, do Alto do Ipiranga, na zona sul, até a Vila Prudente, na zona leste. O anúncio foi feito em evento na Favela de Heliópolis com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do governador, José Serra (PSDB) e do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Ao todo foram liberados R$ 4,32 bilhões para o Estado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Na cerimônia, o presidente justificou o trânsito caótico na capital paulista com o argumento de que a população com mais recursos compra mais veículos. “Apesar de as ruas estarem entupidas de carros, quando se compra um novo a pessoa se sente quase perto do céu”, brincou. Disse ainda que seu governo investe em transportes, como o metrô, para o prefeito e o governador “não serem xingados pela população que fica presa no trânsito”.

Já Serra destacou que até 2010 sua administração pretende ter 240 quilômetros de trilhos unindo o metrô e a CPTM. Os investimentos na Linha 2 incluem a instalação de 4,3 quilômetros de linha, três estações - Sacomã, Tamanduateí e Vila Prudente -, um pátio de estacionamento, além da aquisição de 16 trens com seis carros cada um. Esse financiamento corresponde a 80% do que está orçado para esse trecho - R$ 1,97 bilhão. A conclusão das obras está prevista para 2010.

Durante o projeto, devem ser criados 3,6 mil empregos diretos e 5,4 mil indiretos. Assim que estiver concluída, essa obra vai acrescentar cerca de 290 mil passageiros por dia, elevando a demanda total para aproximadamente 530 mil passageiros/dia no metrô. O trecho também vai atender a comunidade da Favela de Heliópolis.

INFRA-ESTRUTURA

Ainda foram assinados nove convênios, o maior deles para obras no entorno das Represas de Guarapiranga e Billings, abrangendo 45 áreas, com obras viárias, eliminação das áreas de risco, saneamento, drenagem, instalação de sistemas de iluminação pública e a construção de 1.262 casas populares por parte da Prefeitura e 5.300 pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). Esse convênio envolve recursos de R$ 869,3 milhões, dos quais R$ 250 milhões são da União; R$ 172,7 milhões, do governo estadual; e R$ 446,5 milhões, da Prefeitura.

Os outros oito convênios são de urbanização de oito favelas (incluindo Heliópolis e Paraisópolis), num montante de R$ 624 milhões. Na avaliação da secretária estadual de Saneamento e Energia de São Paulo, Dilma Penna, um dos projetos mais importantes é a recuperação do entorno das Represas Guarapiranga e Billings.

De acordo com o secretário municipal em exercício da Habitação, Elton Santa Fé Zacarias, nas duas maiores favelas que serão beneficiadas pelos recursos anunciados, Heliópolis e Paraisópolis, serão construídas 1.895 unidades habitacionais (no valor de R$ 175,4 milhões) e reassentadas 2.500 famílias (num projeto avaliado em R$ 172,9 milhões), respectivamente.
Análise Fator:
A proteção aos mananciais é fundamental para o futuro de São Paulo. No caso específico do sistema Guarapiranga e Billings, redes de coleta e tratamento de esgoto são obras há muito tempo atrasadas, que tem gerado crescimento de custos e complexidade no tratamento da água servida à população da Zona Sul da RMSP. O convênio é uma ferramenta que, dependendo da atitude política das esferas governamentais - ou seja, se o assunto for tratado como uma questão supra-governamental, apartidária - pode trazer os resultados esperados pelas autoridades e população.

A questão dos mananciais tem forte relação com a falta de boas políticas e diretrizes de uso e ocupação do solo. É preciso revitalizar as áreas urbanas centrais degradadas, o que aliviaria a pressão pela ocupação das periferias, em específico em direção às áreas de mananciais.

A PMSP tem projetos importantes neste sentido: o “100 Parques” que prevê a implantação de áreas de preservação e recuperação ambiental em pontos sensíveis da capital, como o entorno das represas Guarapiranga e Billings, e o programa “Córrego Limpo”, em parceria com a Sabesp, de coleta de esgotos e despoluição de importantes córregos da capital.
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Marina se demite

19/05/08

Análise Fator:

“Na economia do século 21 os ativos ambientais e sociais são tão importantes quanto os ativos financeiros. A sociedade brasileira quer desenvolvimento sem a destruição do meio ambiente, por isso é preciso mudar o modelo de desenvolvimento do país”. Este é o pensamento da ex-Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, sobre sustentabilidade.
Após mais de cinco anos à frente da pasta, Marina pede demissão alegando falta de condições para dar continuidade à agenda ambiental brasileira e volta ao Senado da República.
O Brasil pode vivenciar esta semana o quanto a agenda ambiental é estratégica para o país. A saída da Ministra teve repercussão no mundo inteiro.
Apesar de grandes avanços à frente do Ministério do Meio Ambiente, como a criação de mais de quase 24 milhões de hectares de novas áreas de conservação, Marina Silva foi duramente criticada por não conseguir dar agilidade aos processos de licenciamento ambiental das grandes obras de infra-estrutura.
Com a agenda de seu ministério focada na preservação de nossas florestas, pouco se avançou na integração efetiva com o desenvolvimento industrial.
Certamente este é o grande desafio do próximo ministro, Carlos Minc.

Por Marcos Redondo, diretor executivo da Fator Ambiental.

 

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u401427.shtml
  13/05/2008

Ministra Marina Silva entrega pedido de demissão a Lula

Marta Salomon

da Folha de S.Paulo, em Brasília

A ministra Marina Silva (Meio Ambiente) entregou nesta terça-feira o seu pedido de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A integrantes de sua equipe, que ela reuniu hoje de manhã, a ministra disse que não existe a possibilidade de recuar e permanecer no cargo, que ocupa desde o primeiro dia do primeiro mandato de Lula.

Marina vinha entrando em conflitos com outros ministérios, como a Casa Civil e a Agricultura, em casos e questões que opõem proteção ambiental a interesses econômicos.

Pedido de demissão A ministra pediu a um interlocutor que encaminhasse a carta de demissão para Lula na hora do almoço. Na mesma hora, segundo apurou a Folha, Marina reunia sua equipe para informar que não havia mais condições de permanecer no cargo.

Marina avaliou que não há apoio do presidente Lula. O principal motivo para o descontentamento de Marina eram as medidas de combate ao desmatamento, principalmente na Amazônia.

Desentendimentos O mal-estar entre Marina Silva e Dilma Rousseff (Casa Civil) começou em julho do ano passado, por conta das negociações em torno do edital para as concessões do leilão das usinas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira (RO).

O impasse teve início com a cobrança do presidente Lula por mais agilidade nas licenças ambientais concedidas pelo Ministério do Ambiente. Após desentendimentos, o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis) concedeu licença prévia para as hidrelétricas serem construídas, mas estabeleceu uma série de regras.

Para Dilma, o argumento era econômico e técnico: as usinas produzirão 6.450 MW –a maior obra de energia do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Marina argumentava, por outro lado, que as hidrelétricas só podem sair do papel se ficasse constatado que não iriam trazer prejuízos ambientais à região.

Com o ministro Reinhold Stephanes (Agricultura), o desentendimento girava em torno do plantio de cana. Para Marina, Stephanes incentiva o plantio de cana em áreas degradadas da Amazônia, do Pantanal e da mata atlântica.

Em entrevista à Folha, Stephanes afirmou que “foi mal interpretado”, quando citou Roraima como uma possibilidade de plantio de cana. Nessa área a que ele se referia, segundo o próprio ministro, haveria apenas savana. “Há milhares de anos.”

“Deram uma interpretação diferente. Falei em incentivar plantio em áreas e pastagens degradadas, não no bioma”, disse.

Servidores

Marina também enfrentou problemas com os servidores do Ibama, insatisfeitos com a divisão do órgão e com a criação do Instituto Chico Mendes.

Para protestar contra a criação do órgão, os servidores do Ibama fizeram uma greve, que foi criticada publicamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u401682.shtml 14/05/2008 - 10h35

Bancada ruralista festeja saída de Marina do cargo

da Folha de S.Paulo, em Brasília
da Agência Folha, em Cuiabá

Adversários de Marina Silva em questões como o uso de transgênicos e pecuária extensiva, integrantes da bancada ruralista no Congresso criticaram a atuação da ministra no Meio Ambiente. Mas ela também recebeu elogios no Senado de governistas e da oposição.

Vice-presidente da CNA (Confederação Nacional de Agricultura) e produtora agrícola, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) reconheceu a importância política de Marina, mas criticou sua atitude ideológica frente à pasta.

“Sem demagogia, eu tenho admiração pela história e a vida da ministra. Só que ela tem um componente ideológico fortíssimo que atrapalha o Brasil a crescer”, afirmou ela. “Quando se exagera no protecionismo você incentiva o crime. Quanto mais punitivo, mais você empurra a pessoa para o crime.”

Ronaldo Caiado (DEM-GO), um dos líderes da bancada ruralista na Câmara, lembrou que Marina dificultou os avanços na área tecnológica. “Os problemas que ela criou o próprio governo é que tem de explicar.”

Caiado, contudo, disse que preferiria “não crucificá-la”. “Afinal, ela não tomou as decisões sozinha. Sempre teve o apoio do presidente”, disse. “Até tenho muito respeito por ela. É uma das poucas pessoas no governo que têm posição.”

O presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), afirmou que a gestão da ministra representou um atraso para o país e que ela demorou para deixar o cargo. “A saída dela pode fazer com que o bom senso seja retomado nas questões ambientais. Havia uma carga ideológica muito forte, um preconceito contra o agronegócio.” “Ela atrasou muito o Brasil com a irracionalidade no trato de questões como os transgênicos.”

Para o deputado Marcos Montes (DEM-MG), Marina “tem uma atitude extremamente pontuada na defesa do meio ambiente, mas desconectada do processo produtivo do mundo inteiro”. “Acho que ela exagerou nas medidas que tomou. A saída foi muito boa, Lula marcou mais um gol.”

Elogios No Senado, porém, integrantes da oposição e do governo lamentaram a saída da ministra. “É uma perda muito grande. O governo precisa escolher muito bem quem vai substituí-la para não colocar em jogo a soberania da Amazônia”, disse o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).

“É lamentável, porque ela é uma voz muito forte nos fóruns internacionais”, disse o líder do PSB, Renato Casagrande (ES).

A líder do PT, Ideli Salvatti (SC), afirmou que ela será recebida de “braços abertos”, mas disse “estar chateada” com a saída de Sibá Machado (PT), suplente de Marina no Senado.

“A senadora é hoje patrimônio da história do Acre e sai de cabeça erguida”, disse o senador petista Tião Viana (AC).

Segundo a assessoria do Ministério da Agricultura, o ministro Reinhold Stephanes “lamentou” a decisão de Marina. “Stephanes fez questão de destacar o bom relacionamento mantido entre ambos e reconheceu o papel significativo de Marina Silva na defesa das causas ambientais do país.”

Produtores O presidente da Famato (que representa agricultores e pecuaristas de MT), Rui Ottoni Prado, disse esperar que “seja indicado alguém com capacidade de discutir questão ambiental e desenvolvimento econômico de forma integrada”.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja de MT, Gláuber Silveira, chamou a saída de “providencial”. “Ela vinha prejudicando a imagem do Brasil no exterior, ao divulgar dados errados sobre o desmatamento.” O presidente do Sindicato das Indústrias Madeireiras do Norte, José Eduardo Pinto, disse que a notícia traz “esperança”. O governador Blairo Maggi (PR-MT), que defendeu o desmatamento legalizado para enfrentar a crise global de alimentos, não quis se pronunciar.

  

16/05/2008

Demissão de ministra ecoa na imprensa internacional

Daniela Chiareti

Valor Econômico, São Paulo

O ministério das Relações Exteriores terá trabalho. Ontem de manhã, antes que a ex-ministra Marina Silva fizesse o balanço de sua gestão e desse o motivo salomônico de ter abandonado a pasta - ponderando não ter mais eco Planalto preferindo “deixar o filho vivo no colo de outra” -, o britânico “The Independent” cravava em editorial que é preciso salvar os “pulmões do planeta”, que se deve pagar por isto e que “esta parte do Brasil (a Amazônia) é muito importante para ser deixada aos brasileiros”. O Príncipe Charles deu entrevista à BBC com discurso mais moderno. Pediu o fim do desmatamento das florestas tropicais e falou que funcionam como “ar condicionado do mundo”.

A demissão da ministra ecoou na imprensa internacional. “The New York Times” disse que a Amazônia está vulnerável depois da renúncia. O “El País” afirmou “Lula dá as costas à maior defensora da Amazônia”. Foi notícia na mídia alemã, nos jornais franceses, nos argentinos, no “El Mercúrio” chileno. Ambientalistas no Brasil contavam que nunca haviam dado tanta entrevista para jornalistas estrangeiros. Na coletiva em Brasília, Marina, elegante, não comentou a repercussão mundo afora. Ainda deu uma canja - afirmou, publicamente, seu apoio aos biocombustíveis. “São uma grande oportunidade social e ambiental”.

A resposta ao ex-chefe e companheiro Lula veio com luva de pelica. No dia anterior, o presidente assegurou a continuidade da política ambiental “porque não é política de ministro, é política de Estado”. Marina fez uma pequena alteração. “É política de governo, não política de Ministério”. Na filigrama, a ex-ministra reforçava o que perseguiu desde o início da gestão - a transversalidade da agenda ambiental entre os Ministérios - e que nunca conseguiu.

Marina Silva desfilou suas vitórias rumo aos desenvolvimento sustentável do país. Antes da polêmica, o lago de Santo Antônio e Jirau teria sido “oito vezes maior”. Listou o projeto de desenvolvimento sustentável da BR-163 como um trunfo, o que é verdade. Meses depois do mero anúncio da pavimentação da estrada, o desmatamento explodiu nas bordas. O projeto foi discutido e desenhado por comunidades e ONGs. Só falta a sua implementação, disse Marina. Falta a infra de saúde, educação e outras pontas deixadas por outras pastas.

É verdade que na sua gestão foram criados milhões de hectares de unidades de conservação, muito mais que em qualquer outro lugar do mundo. Marina lembrou a cifra, mas disse que no último ano a demarcação reduziu o ritmo. O que ela não disse é que na Casa Civil há uns 15 casos de parques e reservas que não vão para frente.

Marina falou pelas entrelinhas. Ao mencionar o “penhor florestal” se referia a um mecanismo de vanguarda, que sinaliza dar valor de verdade à floresta em pé. Está na medida provisória da renegociação da dívida rural. Quem quiser reflorestar terras degradadas ou tiver um plano de manejo, poderá dar a floresta como garantia. O pacote é inacreditável: juros de 4%, carência de 12 anos e prazo, 20 anos.

Marina Silva disse que o tempo mostrará se sua gestão teve mais vitórias ou derrotas. Se a MP sair como foi acordada entre técnicos do Serviço Florestal e da Embrapa, numa parceria inédita conhecida no MMA como Romeu e Julieta (pelos Montecchio e Capuleto, as famílias que se odiavam), a ex-ministra terá conseguido o que sempre quis - dar valor à floresta. Resta saber se a política ambiental, realmente, não mudará.

 

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