Análise Fator:
A disposição de investidores estrangeiros em investimentos em ativos de infra-estrutura no Brasil está em alta. A cada semana vemos nos jornais mais um grupo anunciando sua entrada no mercado. A última foi a MRV, com investimentos em infra-estrutura de logística.
Grandes grupos, como a BRACOR, também já anunciaram recentemente importantes investimentos no setor.
Destacamos a questão da infra-estrutura portuária. Com um dos custos mais elevados do mundo neste setor, o Brasil precisa aprimorar o modelo de concessão aplicado em outros segmentos, como o rodoviário e energético, e avançar rápido na ampliação e modernização de nossos portos.
Um destaque especial para os portos de Santos, SP e de Sepetiba, no RJ. Além de estratégicos para o Brasil, estes portos têm algumas características em comum. A primeira delas é a falta de espaço físico para a ampliação/construção de instalações retro-portuárias. A segunda, é que as áreas disponíveis para ampliação compreendem a dois dos maiores passivos ambientais do Brasil: o antigo Lixão de Alemoa e o terreno da falida Mineradora Ingá Mercantil.
Entraves ambientais aparentemente insolúveis (apenas para os mais pessimistas), estas são no momento as maiores oportunidades de investimentos em ativos portuários no Brasil. É urgente a revitalização destas duas áreas, Alemoa e Ingá. É uma grande oportunidade para Minc avançar numa agenda de integração com o ministério de desenvolvimento e acabar com as divergências e os chamados “entraves ambientais” ao crescimento.
Minc esteve envolvido recentemente no caso de Ingá quando era Secretário de Meio Ambiente do Estado do RJ.
Falta alguém com habilidade política e representatividade junto a ambientalistas, empresas, união, estados e prefeituras para a condução de uma agenda de desenvolvimento na região norte, aproveitando os grandes investimentos nas grandes hidrelétricas.
Por Marcos Redondo, diretor-executivo Fator Ambiental
http://www.gazeta.com.br/integraNoticia.aspx?Param=604%2c0%2c1845577%2cUIOU
23/05/2008
AL usa apenas 21% da potência de suas bacias
Gazeta Mercantil
Foz do Iguaçu (PR), 23 de Maio de 2008 - Grandes para abastecer a mais de um país, ou pequenas mas suficientes para melhorar a vida de famílias que vivem na selva ou montanhas, as hidrelétricas devem ser estimuladas, opinaram acadêmicos e funcionários de cerca de 30 países que durante dois dias discutiram, esta semana, em Foz do Iguaçu, na fronteira do Paraguai e Argentina, sobre fontes de energia renovável a poucos quilômetros da colossal represa brasileira-paraguaia de Itaipu.
A histórica escalada dos preços do petróleo tornou mais dramática a corrida para fontes de energia alternativa, já impulsionada pela incitação para deter a poluição do planeta. A América Latina é abundante em recursos hídricos, mas utiliza apenas 21% dos 660 mil megawatts de potência de suas bacias, segundo um relatório apresentado pela Organização Latino-americana de Energia (Olade). A África, por seu lado, conta com 12% dos recursos hídricos mundiais e aproveita menos de 10% do potencial, enfatizou Tong Jiandong, diretor de um centro internacional de estudos com sede na China.
O Brasil é rico em rios e 78% de sua eletricidade é gerada dessa fonte, mas a demanda é enorme e crescente, portanto o País enfrentará, até 2012, o risco de déficit energético, advertiram os analistas. Atualmente, o Brasil projeta duas represas com capacidade para 3 mil megawatts (MW) cada uma - usinas dos Complexo Madeira -, e estimula a instalação de pequenas hidrelétricas de até 30 megawatts para a região amazônica. “A eletricidade se paga sozinha”, disse no fórum Jorge Miguel Samek, diretor brasileiro da represa binacional de Itaipu, uma das maiores do mundo, com capacidade para produzir 14 mil megawatts. Itaipu requisitou investimentos de US$ 12,2 bilhões e atualmente seu valor de mercado é de US$ 60 bilhões, disse o diretor brasileiro. A represa, cujas primeiras turbinas começaram a operar em 1984, cobre 20% da demanda brasileira e praticamente toda a paraguaia.
O Brasil pode dar esses passos, mas isso é utópico na África. “Nenhum país africano é capaz de produzir grandes projetos”, disse Firmino Mucavele, presidente da Nova Associação para o Desenvolvimento da África (Nepad).
“Mas abraçamos a idéia de construir pequenas represas. Com o aumento do petróleo as condições da África irão piorar”, disse Mucavele. As pequenas represas são construídas para atender demandas de clientes ou populações especificas. Não requerem grandes quedas de água nem enfurecem muito os ambientalistas como ocorre com as grandes hidrelétricas. Ele deu como exemplo uma pequena usina para uma comunidade indígena perdida nos Andes bolivianos, com um custo de investimento de US$ 2,7 mil por quilowatt a ser gerado.
“O investimento é alto e o problema é o risco financeiro. É fundamental que a comunidade se envolva no assunto. Ela mesma venderá a energia elétrica”, disse Mentor Poveda, especialista da área elétrica na Organização Latino Americana de Energia.
Por seu lado, a Índia projeta hidrelétricas de grande porte, mas também incentiva as pequenas, disse Arun Kumar, diretor de um centro de estudos energéticos desse país. A Índia aproveita não apenas os rios, mas também represas de água potável e até canais de irrigação, e nos últimos cinco anos pôs em andamento mais de 200 represas de até 25 megawatts para grandes consumidores ou populações remotas.
http://www.gazeta.com.br/integraNoticia.aspx?Param=604%2c0%2c1845577%2cUIOU
23/05/2008
Preço da energia sobe 48,4%, para R$ 51,62
Roberta Scrivano
Gazeta Mercantil
São Paulo, 23 de Maio de 2008 - O Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), como é chamado o valor da eletricidade negociada no mercado de curto prazo, registrou sua segunda alta consecutiva e, na próxima semana, será comercializada a R$ 51,62 por megawatts (MWh). A alta sobre a semana anterior foi de 48,4%.
Segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), órgão responsável pelo cálculo do PLD, “o aumento do valor foi motivado, principalmente, pela redução da previsão de afluências para os submercados Sudeste/Centro-Oeste e Sul”.Há duas semanas, o preço da energia estava sendo negociado ao seu preço mínimo de R$ 15,47. E no ano passado, a média do PLD no mês de maio foi de R$ 59,96.
O mercado de curto prazo é movimentado pelos consumidores livres, que, quando excedem o seu volume de energia contratado, são obrigados a recorrer ao curto prazo em busca de mais eletricidade. A necessidade do acerto de contas com a CCEE - o consumidor é multado pelo órgão caso não faça o “ajuste” — foi uma das maneiras encontradas pelo governo federal para evitar especulações na commodity.
http://txt.estado.com.br/editorias/2008/05/21/edi-1.93.5.20080521.2.1.xml
21/05/2008
O leilão de Jirau
E Estado de São Paulo
O consórcio formado pelo Grupo Suez, controlador da Tractebel, pela Camargo Corrêa e pelas estatais Chesf e Eletrosul, subsidiárias da Eletrobrás, surpreendeu os analistas ao vencer o leilão de concessão para a construção da segunda usina hidrelétrica do Rio Madeira - Jirau, com potência de 3.300 MW -, oferecendo o preço de venda da energia de R$ 71,40 o MWh, inferior em 21,5% ao teto de R$ 91,00 o MWh fixado pelo edital. O baixo preço confirmou a percepção dos investidores de que precisam ocupar espaços no importante mercado brasileiro de energia, ainda que obtendo menor rentabilidade.
O leilão durou apenas 8 minutos. O outro concorrente, o consórcio liderado por Furnas e pelo Grupo Odebrecht, ofereceu R$ 85,02 o MWh. Esse grupo já havia ganho a concessão para construir a Hidrelétrica de Santo Antônio, com 3.150 MW de potência, também no Rio Madeira, a 100 quilômetros da Usina de Jirau.
Três justificativas foram apresentadas para o preço oferecido (que provocou baixa das cotações da Tractebel em bolsa) pelo consórcio vencedor. Primeiro, a venda antecipada de energia no mercado livre, onde o preço apurado é, hoje, bem superior ao do mercado cativo das distribuidoras. Como maior gerador privado do País, o Grupo Suez podia oferecer energia firme neste leilão, atraindo clientes do mercado livre temerosos da falta de energia a partir de 2012, quando Jirau começará a operar.
Segundo, o grupo vencedor acredita que disporá de energia para vender antes de janeiro de 2013, a data-limite para começar a gerar eletricidade. Toda essa energia poderá ser vendida no mercado livre, com preços mais elevados. A mesma conta já tinha sido feita pelo vencedor da Usina de Santo Antônio.
Terceiro, haverá uma modificação no projeto inicial, com o deslocamento de 9 km do local de instalação previsto e duas casas de força, ao invés de uma. “É um novo arranjo, com prazos e custos menores do que o mercado imagina”, declarou o presidente do Grupo Suez no Brasil, Maurício Bähr. A economia com essa mudança é da ordem de R$ 1 bilhão, significativa num investimento com custo estimado de R$ 8,7 bilhões.
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, saudou o deságio da ordem de 40%, entre o preço máximo definido para Santo Antônio, de R$ 122,00, e o preço final de Jirau, de R$ 71,40. Disse que à medida que a energia encarece no exterior, no Brasil ela custará menos. Essa é uma afirmação precipitada, pois, em caso de desequilíbrio entre a oferta e a demanda, a energia será disputada a qualquer preço pelas empresas consumidoras. Além disso, a idéia de que os preços serão baixos não se aplica a todos os consumidores - é o caso dos do mercado livre, que pagaram preços reduzidos nos últimos anos, graças à oferta superior à demanda, e agora terão de pagar entre R$ 120,00 e R$ 130,00 o MWh, segundo as últimas estimativas.
A saída da ministra Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente sugere que o licenciamento prévio da Usina de Jirau terá trâmite rápido. Sem isto, a incerteza regulatória seria maior e os custos reais de Jirau, mais elevados. Esse fator contribuiu, certamente, para a oferta de um lance baixo para Jirau. Mas cabe registrar a opinião do especialista em energia Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (Cbie): “Não há tecnologia no mundo ou antecipação de entrega de energia que possa explicar preço tão baixo. Energia a este preço é um sinal equivocado que o governo federal dá ao setor no País, porque esta tarifa não remunera, principalmente porque nela há o valor que deverá ser pago para as linhas de transmissão do Madeira.” O mais provável, portanto, é que os vencedores contem com a diminuição, no longo prazo, dos custos da captação de recursos graças ao investment grade obtido pelo Brasil da Standard & Poor’s.
Para o setor produtivo, o leilão significa promessa de mais energia. Mas os investimentos em geração estão atrasados. Está com o Ministério de Minas e Energia a responsabilidade, agora, de acelerar outros projetos, como o de Belo Monte.
http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/285/primeirocaderno/brasil/Concessao+de+Belo+Monte+desafia+governo,,,63,4941817.html
21/05/2008
Concessão de Belo Monte desafia governo
Daniela Chiaretti
Valor Econômico
A agilidade em analisar processos de licenciamento ambiental do novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, terá uma prova difícil pela frente: a polêmica usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. Trata-se de obra prioritária prevista no Programa de Aceleração do Crescimento, orçada em R$ 7 bilhões, com capacidade de produção de 11.181 MW e longo histórico de resistência. Vencer a oposição a esta hidrelétrica é uma tarefa que, seguramente, irá extrapolar os domínios da área ambiental do governo.
Ontem, dois fatos confirmaram o quanto o processo desta usina é complicado. Em Brasília, o Tribunal Regional Federal da 1 Região suspendeu uma liminar concedida em abril pela Vara Única de Altamira e permitiu a retomada dos estudos de impacto ambiental da hidrelétrica. Foi uma vitória do Ministério das Minas e Energia e da Centrais Elétricas Brasileiras S/A (Eletrobrás) que pretendem acelerar o processo e fazer com que o leilão de Belo Monte ocorra em outubro de 2009. Enquanto isso, em Altamira, o engenheiro Paulo Fernando Rezende, coordenador dos estudos de Belo Monte, foi ferido à tarde por cerca de dez índios kayapós, num episódio que demonstra a animosidade que existe em torno a esta obra.
Rezende sofreu um corte de 15 centímetros no braço, segundo a assessoria de imprensa da Eletrobrás. Ele estava em Altamira a convite dos organizadores do encontro Xingu Vivo para Sempre, que reúne na região, desde segunda, cerca de mil indígenas, ribeirinhos, ambientalistas, pequenos agricultores e representantes de movimentos sociais para discutir os projetos do plano energético do governo no Rio Xingu.
A cena reviveu, com mais violência, um fato histórico que ronda o mesmo empreendimento. Em 1989, durante o 1 Encontro de Povos Indígenas, também realizado em Altamira, a kayapó Tuíra encostou a lâmina de um facão no rosto do presidente da Eletronorte, José Antonio Muniz Lopes, num gesto de advertência contra o então projeto do governo de inundar 1,7 milhão de hectares com a construção de cinco barragens no Xingu.
À época, a usina se chamava Kararaô, um brado de guerra na língua kayapó. A foto correu mundo e a pressão internacional fez com que o Banco Mundial desistisse do empréstimo. Muniz Lopes é hoje o presidente da Eletrobrás. Recentemente, comentando a disputa que ocorreu pela hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, Lopes mostrou seus planos para os rios amazônicos: “Com esses grandes empreendimentos quebra-se o paradigma de que construir usina na Amazônia é um absurdo”. Prosseguiu: “A Amazônia tem um potencial da ordem de 40 mil MW em hidrelétricas. Temos a matriz energética mais limpa do mundo.”
Kararaô foi esquecida e o projeto ressurgiu com Belo Monte como estrela principal. A engenharia foi repaginada. Prevê-se, agora, uma só barragem num trecho do rio conhecido como Volta Grande do Xingu, no município de Altamira.
Mas os ambientalistas desconfiam disso. O Xingu é um rio muito sensível aos períodos de seca na Amazônia, lembra Glenn Switkes, da ONG International Rivers, que destaca o impacto que o novo projeto, com dois desvios para o Xingu, poderia ter em áreas indígenas próximas. “Um trecho do rio ficará com muito menos água, impactando no número de peixes e na vida dos povos indígenas de lá”, diz ele. “Além disso, a própria Eletrobrás reconhece que a vazão do rio cairá muito durante vários meses, diminuindo a capacidade de produção de Belo Monte”, continua. “Assim, ela se torna antieconômica, e a única maneira de viabilizá-la será com mais dois reservatórios a montante”.
Nos dados oficiais da Eletrobrás, a previsão é de apenas um reservatório. Mas uma antiga reivindicação da área ambiental do governo - a criação da Reserva Extrativista do Médio Xingu (Resex), fechando um mosaico de unidades de conservação e áreas indígenas na região - foi barrada no último dia da gestão Marina Silva. O processo de criação da Resex, que está há meses parado na Casa Civil, foi entendido pelos ambientalistas como um mau presságio. “É a mesma coisa das usinas do Rio Madeira”, diz Roberto Smeraldi, diretor da ONG Amigos da Terra -Amazônia Brasileira. “Estamos falando de um projeto que, sozinho não anda. É antieconômico. E o grande equívoco é que se está discutindo um conjunto de obras na bacia do Xingu”, desconfia Smeraldi.
Vários pesquisadores e instituições vêm questionando a viabilidade técnica e econômica da usina, que teria potencial para gerar até 11,1 mil MW, mas que, durante a maior parte do ano, seria capaz de gerar no máximo 4,6 mil MW, pelas contas dos ambientalistas. O argumento do empreendedor tem sido que, quando Belo Monte produzir menos, em função da seca na Amazônia, as usinas do Sul e Sudeste estarão a pleno vapor. No tal sistema integrado, uma região compensaria a outra.
No histórico do processo no Ibama, Belo Monte tem área de influência direta em cinco municípios - Vitória do Xingu, Altamira, Senador José Porfírio, Anapu e Brasil Novo. O empreendimento também prevê a utilização de turbinas bulbo e reservatório com operação a fio d’água, desenho que ficou famoso na discussão das usinas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, em Rondônia.
A batalha judicial recente em torno a Belo Monte tem mais de sete anos de idas e vindas. No fim de 2007, o Ibama emitiu um termo de referência orientando o empreendedor a como proceder nos seus estudos de impacto ambiental. A Eletrobrás assinou um convênio de cooperação técnica com as construtoras Camargo Corrêa, Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez que estão conduzindo os estudos de impacto ambiental.
Na trajetória de Belo Monte, no Ibama, estão os sinais da complexidade da obra. O levantamento inicial da população diretamente atingida pelo reservatório, e que precisará ser remanejada, indica 2 mil famílias na área urbana de Altamira, 813 na área rural de Vitória do Xingu e 400 ribeirinhas. Tudo isso, e mais a grande questão de sempre: o Xingu é sagrado para as nações indígenas que vivem ali. “Pequenas centrais elétricas de produtores privados estão sendo planejadas desordenadamente ao longo do rio, e isso terá impacto”, lembra Raul Telles do Valle, do Instituto SócioAmbiental.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u403647.shtml
20/05/2008
Com usinas, Rondônia prevê novo fluxo migratório
Agnaldo Brito
da Folha de S.Paulo
Os dois megaprojetos hidrelétricos (usinas de Santo Antônio e Jirau) que serão construídos no rio Madeira (RO) devem atrair mais de 20 mil pessoas para o Estado. O novo ciclo migratório será necessário devido à impossibilidade de a mão-de-obra disponível no Estado atender à nova demanda. Segundo a Secretaria de Planejamento de Rondônia, no auge da construção das duas usinas, mais de 13 mil trabalhadores serão necessários.
“O Grupo Odebrecht e o governo do Estado tentam formar o maior número possível de trabalhadores para Santo Antônio, mas sabemos que não será possível atender a toda a demanda sem a vinda de gente de outras regiões do país”, explica João Carlos Ribeiro, secretário de planejamento. Neste momento, 6.000 pessoas estão em programas intensivos de formação para trabalhar na construção da usina de Santo Antônio, sob a responsabilidade do Grupo Odebrecht.
Segundo ele, não só as duas obras deverão atrair gente, mas estas servirão de vetores para para outras demandas. “São negócios periféricos que serão movimentados e aos quais o Estado não tem condições de atender com a mão-de-obra local apenas”, disse Ribeiro. Há duas preocupações neste momento em Rondônia: moradia e alimentação. O déficit habitacional existente no Estado poderá aumentar.
O abastecimento é o segundo problema já esperado pelo governo. Rondônia expandiu a produção de alimentos nos últimos anos. Hoje, o Estado tem um plantel de 12 milhões de cabeças de bovinos e um complexo de abate orientado a exportar. É ainda um grande produtor de grãos, principalmente de feijão e arroz, mas a avaliação do governo é de que será necessária a importação de produtos industrializados.
http://www.gazeta.com.br/integraNoticia.aspx?Param=13%2c0%2c+%2c1842968%2cYTRE
23/05/2008
Pesquisa mineral atrai investimentos
Luciana Collet
Gazeta Mercantil
Ouro Preto (MG), 23 de Maio de 2008 - Os crescentes preços das commodities metálicas, puxados pela demanda sempre mais alta, têm estimulado o investimento em pesquisa mineral. Mineradoras e grupos siderúrgicos e metalúrgicos intensificam as buscas por boas áreas geológicas para a exploração dos mais variados minérios. Investidores também dedicam maior atenção ao setor.
“Muitos países, especialmente os emergentes, têm registrado crescimento expressivo no número de novos consumidores, o que exige sempre mais investimentos em infra-estrutura, habitação e bens de consumo como automóveis e produtos da linha branca”, explicou Miguel Nery, diretor-geral do o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).
De acordo com a autarquia, somente no ano passado foram aplicados US$ 365,9 milhões em pesquisa mineral, valor 20% superior ao gasto em 2006. Deste total, US$ 249,5 milhões foram aplicados em áreas com alvará de pesquisa (a primeira fase de estudos) e outros US$ 126,4 milhões em áreas com concessão de lavras. Tal valor indica uma intensificação no interesse por novas áreas, uma vez que normalmente quanto mais avançado o projeto, maior o volume de investimentos.
Entre os diversos tipos de metais, o ouro foi o que recebeu maior atenção por parte dos investidores, US$ 68,7 milhões, ou 29% do total, seguido por níquel, US$ 61,4 milhões, ou 24%. O terceiro na colocação foi a bauxita, com US$ 18,7 milhões, com apenas 7% do total.
O números foram divulgados no III Simpósio Brasileiro de Exploração Mineral (Simexmin), realizado esta semana. Durante a apresentação, Nery destacou que o volume é pequeno se considerado o valor mundial investido anualmente em pesquisa mineral, que em 2007 somou US$ 10,3 bilhões. “O Brasil responde por apenas 3% do investimento mundial”, ressaltou.
Entre as justificativas para o relativo baixo investimento está a dificuldade para obter as autorizações necessárias junto às autoridades. “A Vale tem reduzido programas de sondagem devido a dificuldades com licenciamento”, justificou Eduardo Ledsham, diretor de desenvolvimento de projetos minerais da Companhia Vale do Rio Doce (Vale). No ano passado, a companhia investiu US$ 120 milhões na exploração mineral, US$ 58 milhões para a realização de estudos conceituais de pré-viabilidade e de viabilidade para o desenvolvimento de depósitos minerais já identificados, em todo o mundo.
De fato, a DNPM tem encontrado dificuldade para atender às crescentes demanda por requerimentos de pesquisa, pedidos de alvará ou de concessão de lavra. Em 2007 foram protocolados 23,5 mil requerimentos de pesquisa , mas somente 13,9 mil alvarás foram publicados. “Estamos limitados pela capacidade operacional, mas em junho entrará em operação novos sistemas de plataforma eletrônica para suportar a operação”, revelou Nery.
Há três anos a autarquia trabalha na modernização do processo de solicitação, projeto que exigiu investimentos de R$ 6 milhões em sistemas de software e em hardware, entre outros gastos. “Aos poucos vamos reduzir nosso passivo e poderemos aumentar nossos esforços na fiscalização, e controlar melhor os inadimplentes”, afirmou o executivo do DNPM.
Previsão de alta
Para este ano, o DNPM poderá ter maior volume de trabalho e o País poderá elevar sua participação entre os países com maior volume de investimento. A Vale aplicará o dobro do ano anterior, US$ 349 milhões no programa de exploração mineral, informou a companhia sem destacar quanto será realizado no País. Além do Brasil, a Vale possui pesquisa mineral no Chile, Peru, Moçambique, Angola, Gabão, Argentina, Mongólia, Austrália, China, Índia, Cazaquistão, Venezuela, Colômbia, Canadá, África do Sul, Rússia, Guiné, Finlândia, Indonésia, República Democrática do Congo, Vietnã, Guatemala, Filipinas. Entre os principais minerais pesquisados estão cobre, ferro, urânio, manganês, carvão, níquel, bauxita, diamante, fosfato e potássio.
A Votorantim Metais também está ampliando investimentos em pesquisa mineral. A empresa deve aplicar US$ 85, 4 milhões em atividades de pesquisa, acima dos US$ 49,2 milhões. “Conforme os projetos evoluem, o volume de recursos nas pesquisas cresce muito”, explicou o diretor de exploração da empresa, Jones Belther. De acordo com ele, atualmente existem 68 projetos em andamento, em sete países: Brasil, Bolívia, Canadá, Colômbia, México, Peru e Argentina. Do total, cerca de 30% serão aplicados no exterior. Em 2007 os projetos internacionais receberam 23% “Não reduzimos os investimentos no Brasil, é que ampliamos no exterior”, justificou.
Além das grandes empresas brasileiras, crescem no mercado novas empresas, de capital estrangeiro ou nacional. Atualmente existem no País 53 empresas de capital canadense, desenvolvendo 176 projetos de mineração. No Canadá proliferam as empresas de investimento em mineração, que levantam recursos abrindo capital na Bolsa de Valores de Toronto (TSE). É o caso por exemplo da Yamana Gold, empresa fundada em 2003 e que atualmente possui quatro minas em operação no Brasil, e outras duas em desenvolvimento, além de atuação na Argentina, Chile, México, Honduras e Estados Unidos.
De acordo com o vice presidente de exploração, Darcy Marud, a empresa prevê investir US$ 84 milhões em seus projetos de exploração. No Brasil a empresa está estudando a mina de Santa Cruz, Ernesto e Pau a Pique. “Nosso objetivo é atingir produção de 2,2 milhões de onças equivalente até 2012″, disse.
A experiência de geólogos brasileiros em descobertas passadas também tem atraído a atenção de capital nacional. Após deixar o setor de telefonia, o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, apostou suas fichas na mineração. O banco detém 62% da empresa Global Miner Exploration (GME4), na qual o geólogo baiano João Carlos Cavalcanti possui 20%. Foi ele quem desenvolveu o projeto da mina de Caetité, na Bahia, acertando depois o seu desenvolvimento ao criar a Bahia Mineração (BML) e vender 70% da empresa para um investidor estrangeiro. No início de maio, a mineradora Eurasian Natural Resources Corporation (ENRC) anunciou a compra de 50% da Bahia Mineração por US$ 300 milhões, o que significa uma valorização de aproximadamente seis vezes, já que em 2005, quando começou a estruturar o projeto, estimava-se um valor de US$ 100 milhões.
“Em 2004 achavam o projeto de Caetité nebuloso, fantasioso, a compra confirmou que era um projeto sério”, disse Cavalcanti. “Que muitos outros projetos nossos sigam esse caminho”, afirmou o empresário, que ambiciona ser o maior banco de oportunidades minerais até 2010. Atualmente a empresa, que completa um ano em junho, possui 1,2 mil áreas com alvará para pesquisa, em 10 estados, 90% adquiridas diretamente, mas algumas negociadas com os proprietários dos alvarás. “Queremos agora ampliar as parcerias”, disse o geólogo Caio Jatobá, diretor de novos negócios e outro dos sócios. Os executivos não revelam quanto já investiram, mas declaram que devem aplicar R$ 40 milhões neste ano na pesquisa de metais básicos e preciosos.
O primeiro negócio deve sair até o final deste ano. Cavalcanti esteve recentemente na China, onde ofertou um projeto em Goiás para a produção de refratários básicos, magnésio metálico, carbonetos e clínquer que tem porte para exportação. De acordo com Cavalcanti, o projeto, que prevê a criação de um complexo minero-siderúrgico e infra-estrutura logística, deve exigir investimentos de aproximadamente US$ 1 bilhão.
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http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/285/empresasetecnologia/empresas/Votorantim+busca+novas+minas+nas+Americas+,,,51,4941346.html
21/05/2008
Votorantim busca novas minas nas Américas
Ivo Ribeiro
Valor Econômico
Um dia ele está no noroeste do Mato Grosso, a quase mil km de Cuiabá, supervisionando equipes de trabalho em Aripuanã; num outro, na região central da Colômbia, onde se busca cobre, zinco e chumbo, ou em algum lugar do Peru. Essa é, há vários anos, a nada glamourosa rotina do diretor de exploração mineral da Votorantim Metais, Jones Belther. “Nosso eixo de prioridade de atuação é as Américas”, afirma. Sob seu comando está um orçamento de R$ 150 milhões para 2008 - o maior de todos os tempos da empresa - e uma equipe de cerca de 100 pessoas, das quais mais de 60 geólogos, que cresce continuamente.
Em 2004, quando esse departamento foi criado na holding de metais do grupo Votorantim, a verba era de R$ 17,7 milhões. No ano passado, foram R$ 100 milhões. A VM tem o segundo maior orçamento do país - só perde para a Vale do Rio Doce. Do total, 70% são aplicados no Brasil, na busca de novas reservas de zinco, níquel, chumbo e cobre, mas em 2009 o peso de outros países da América Latina e de Canadá deve se igualar ao brasileiro, ou até suplantá-lo.
“Com a recente entrada no Canadá, já estamos em sete países nas Américas”, diz o geólogo Belther, 40 anos, formado e com especialização pela Unesp, em Rio Claro (SP). A VM acaba de inaugurar um escritório em Toronto. “Lá, há ainda muita coisa em zinco, principalmente, a se explorar”, afirma o diretor, que entrou para os quadros da Votorantim em 2004. A estratégia da VM no Canadá será efetivar parcerias com várias empresas locais, donas de reservas ainda pouco ou quase nada exploradas.
Ao todo, na carteira constam 68 projetos de exploração nos sete país - do Canadá e México à Argentina, países onde entrou mais recentemente. A maior concentração de pesquisas está no Brasil, Peru, Colômbia e Bolívia. Os investimentos alocados visam encontrar prioritariamente novas jazidas de níquel e zinco, principais produtos da VM hoje, mas também de cobre e chumbo, além de carvão e minério de ferro, uma vez que é produtora de aços longos no Brasil, Colômbia e Argentina e estas duas matérias-primas valorizaram-se assustadoramente nos cinco últimos anos.
A escalada da demanda mundial, puxada pela China e outros países emergentes, levou a uma outra, a dos preços das commodites metálicas, as quais alcançaram cotações históricas desde meados de 2003. “A meu ver, há um superciclo das commodities que deve durar até pelo menos 2012″, afirma Belther, que garante não ter visto nada igual, em sua experiência no setor, desde o início da década de 90.
Com a oferta apertada e os preços dos metais nas alturas - o níquel chegou a US$ 55 mil a toneladas -, bem como de outras matérias-primas minerais - o minério de ferro já atingiu US$ 200 a tonelada no mercado à vista e o carvão subiu neste ano mais de 200% -, todo mundo saiu em busca de novas reservas. Por isso, o orçamento mundial das empresas em exploração mineral (pesquisa de novas áreas) mais que quintuplicou desde 2002 - de US$ 1,9 bilhão naquele ano para US$ 10,9 bilhões em 2007.
Belther informa que os custos de exploração e de implantação dos projetos estão cada vez mais caros. Vários fatores explicam isso, aponta ele. As reservas estão em locais mais remotos e cada vez mais profundas no subsolo e com teores metálicos dos depósitos mais pobres. Esse último ponto requer movimentação e processamento de rocha e estéril maiores para se obter as mesmas quantidades. “Por isso, os preços dificilmente deverão retornar aos níveis de antes”, afirma.
No Brasil, a empresa concentra esforços de pesquisa em vários Estados, entre eles Mato Grosso, Pará, Goiás e Bahia. Da reserva de zinco de Aripuanã, em parceria com a Karmin Resources (30%), espera definir, em algum tempo, uma mina com potencial de produzir até 50 mil toneladas de zinco, além de chumbo e cobre. Em Montes Claros de Goiás, estudos de viabilidade podem apontar uma importante reserva que poderá gerar mais de 10 mil toneladas de níquel contido em ferro-níquel. Está no oeste de Goiás, em Iporá.
Recentemente, a VM adquiriu três áreas de níquel da chilena Codelco, líder mundial em cobre, no sul do Pará. Os dados preliminares apontam potencial de reservas para se tornar uma mina de classe. “Em três anos teremos uma visão clara desses depósitos e no horizonte de seis já poderemos ter uma mina em operação”.
O Peru, onde chegou em 2003 com a aquisição da refinaria de zinco Cajamarquilla, tem o segundo maior orçamento de exploração da VM - R$ 24 milhões. Esse valor é aplicado em 21 projetos, com destaque para Bongará, no norte, numa joint venture com a Solitário, do Canadá. A expectativa é ter uma mina de zinco, de 50 mil toneladas, em 2012. Na região central do país, em outras parcerias, pesquisa as reservas de Shalipayco e Santander. No país, também é dono de 25% da Milpo.
Para a Colômbia, onde comprou a Acerías Paz del Río no ano passado, foram destinados R$ 10 milhões para “garimpar” cobre, zinco e chumbo. Outra verba, a cargo da siderúrgica, de US$ 12 milhões, está sendo aplicada para dimensionar, até 2009, sua jazida de carvão.
Com receita líquida de R$ 6,6 bilhões no passado, distribuída entre zinco, níquel e aço, a VM, com a aquisição da US Zinc em 2007, entrou na China e se tornou a terceira produtora mundial de zinco.
http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/285/empresasetecnologia/empresas/Porto+maranhense+de+Itaqui+tera+socio+privado,,,51,4935404.html
19/05/2008
Porto maranhense de Itaqui terá sócio privado
Carolina Mandl
Valor Econômico
O governo do Maranhão quer passar parte do porto do Itaqui, hoje administrado por uma empresa pública, para as mãos de investidores privados. O objetivo é atrair recursos para melhorar e ampliar a infra-estrutura portuária. O primeiro passo para tentar atrair recursos será transformar, nos próximos meses, a Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), responsável pela gestão do porto do Itaqui, em uma sociedade anônima, segundo João Castelo, presidente da companhia. Em uma segunda etapa, a Emap poderá passar por uma abertura de capital.
Hoje, Itaqui tem sete berços de atracação, sendo que dois deles estão em reforma. Mas, pelas estimativas da administração portuária, Itaqui precisará ter 34 cais até 2040, o que demandaria investimentos de cerca de R$ 2,5 bilhões. Sem recursos para bancar essas obras, o governo do Maranhão quer atrair a iniciativa privada.
Dois fatores podem impulsionar a movimentação de cargas no porto, que no ano passado foi de 12,9 milhões de toneladas. Um deles é a expansão da ferrovia Norte-Sul, que deve aumentar a quantidade de grãos operada em Itaqui. Também se prevê que a conclusão das obras de ampliação do canal do Panamá intensifique o tráfego.
O modelo que o governo do Maranhão pretende adotar difere daquele que está sendo usado hoje por portos públicos. Em geral, são repassados à iniciativa privada apenas terminais ou alguns serviços por meio de licitações. A administração geral do porto - responsável, por exemplo, pela construção e manutenção das vias de acesso - continua com uma empresa pública. Mas, no caso maranhense, é a Emap que poderá ter novos sócios privados. Dessa forma, será ela que fará diretamente os investimentos em novos terminais, além de cuidar da gestão do porto.
“Acreditamos que a gestão compartilhada no porto como um todo poderá trazer mais melhorias”, afirma Castelo, que gerencia um porto cujo controle foi repassado pela União ao Estado do Maranhão. Pelos plenos do presidente da Emap, o domínio do porto continuará nas mãos do governo, que continuará a deter 51% do capital.
Para Paulo Fernando Fleury, professor do Centro de Estudos em Logística do Instituto de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o modelo pode ser benéfico. “Hoje, o que vem acontecendo é que os terminais investem, mas as autoridades portuárias, não. Aí, as vias de acesso, por exemplo, ficam em mau estado. É como se fosse preparado um recheio delicioso para se comer num pão velho.”
O cuidado que se deve ter, segundo ele, é na estrutura de governança corporativa, para garantir que os investidores tenham poder, mesmo sem ter o controle da empresa. “Do contrário, ninguém vai sequer querer investir”, explica o professor.
Ao lado de Itaqui, a Vale do Rio Doce opera o terminal privativo Ponta da Madeira, com três píers e seis silos para estocagem de grãos. Ele carrega o maior navio graneleiro do mundo, o Berge Stahl, que faz a rota São Luís-Rooterdã. Nele foram movimentados em 2007 cerca de 97 mil toneladas, um volume oito vezes maior do que aquele que passou pelo porto público, que também ainda está licitando seu primeiro terminal de grãos. Para 2011, a Vale planeja ter um novo cais e de um pátio de estocagem de minérios.
“Ponta da Madeira prova que Itaqui está bem localizado. Além disso, tem um bom calado. O que falta é investimento”, afirma Fleury. São Luís está próximo dos mercados americano e europeu e possui um canal de acesso de 27 metros de profundidade e 1,8 quilômetro de largura.
Hoje, Itaqui é um porto forte na movimentação de derivados de petróleo, ferro gusa e soja. Mas os planos da Emap são de diversificar, a partir da atração de mais empresas para a área próxima ao porto. Recentemente, a MPX, de Eike Batista, anunciou uma termoelétrica na região. Já o Estaleiro Mauá assinou um memorando de entendimentos com o governo para se instalar lá.
http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/285/empresasetecnologia/empresas/OHL+quer+disputar+Ayrton+Senna+e+D+Pedro,,,51,4935407.html
19/05/2008
OHL quer disputar Ayrton Senna e D. Pedro
Patrícia Nakamura
A espanhola OHL manifestou interesse especial nas rodovias D. Pedro I e no sistema Ayrton Senna/Carvalho Pinto, duas das cinco rodovias que deverão ser leiloadas pelo governo do Estado de São Paulo ainda neste ano. “São vias com características de tráfego atraentes”, afirmou em teleconferência a analistas o diretor de finanças e de relações com investidores da OHL, Francisco Leonardo Moura da Costa.
O executivo disse ainda que a administradora de concessões rodoviárias deve apresentar propostas para todos os lotes. Também aguarda os processos de licitação em São Paulo, Minas Gerais, Bahia e uma nova rodada de leilões federais para este ano.
A OHL está finalizando as negociações com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para obter uma linha de crédito para financiar as obras das cinco rodovias federais que estão sob sua administração. A intenção é que o empréstimo represente até 70% dos investimentos previstos nas rodovias. Em cinco anos, os aportes da OHL nas rodovias devem chegar a R$ 4,1 bilhões. Só neste ano, os investimentos chegarão a R$ 776 milhões. Por enquanto, a OHL emitiu R$ 190 milhões em notas promissórias para investir nas novas concessões.
Desde fevereiro, a empresa está realizando obras emergenciais nas estradas federais, e pretende iniciar a cobrança de pedágio entre setembro e outubro. Os recursos, portanto, só terão impacto nas contas da OHL no quarto trimestre fiscal. De acordo com Moura da Costa, uma empresa já foi contratada para construir as praças de pedágio e espera apenas a obtenção de licença ambiental e os decretos de utilidade pública para compra das áreas para iniciar as obras.
Moura da Costa disse que a empresa está aberta a negociações no mercado secundário de concessões rodoviárias. “Estudaremos propostas que forem apresentadas à nossa empresa, mas não estamos buscando nenhum negócio específico”, afirmou.
Com a compra da Autovias (que administras rodovias no interior de São Paulo) e ao vencer cinco concessões nos leilões federais, a OHL tornou-se a maior administradora de rodovias do país, com 3,2 mil quilômetros de estradas. A empresa obteve no primeiro trimestre lucro líquido de R$ 8,8 milhões, uma redução de 3% em relação ao ano passado. A receita líquida atingiu R$ 156 milhões, alta de 13%.
21/05/2008
União, Estado e Município também assinam convênios para obras nas principais favelas da capital e perto das Represas Guarapiranga e Billings
Elizabeth Lopes
O Estado de São Paulo
A Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) recebeu ontem financiamento de R$ 1,58 bilhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para obras de expansão da Linha 2-Verde, do Alto do Ipiranga, na zona sul, até a Vila Prudente, na zona leste. O anúncio foi feito em evento na Favela de Heliópolis com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do governador, José Serra (PSDB) e do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Ao todo foram liberados R$ 4,32 bilhões para o Estado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Na cerimônia, o presidente justificou o trânsito caótico na capital paulista com o argumento de que a população com mais recursos compra mais veículos. “Apesar de as ruas estarem entupidas de carros, quando se compra um novo a pessoa se sente quase perto do céu”, brincou. Disse ainda que seu governo investe em transportes, como o metrô, para o prefeito e o governador “não serem xingados pela população que fica presa no trânsito”.
Já Serra destacou que até 2010 sua administração pretende ter 240 quilômetros de trilhos unindo o metrô e a CPTM. Os investimentos na Linha 2 incluem a instalação de 4,3 quilômetros de linha, três estações - Sacomã, Tamanduateí e Vila Prudente -, um pátio de estacionamento, além da aquisição de 16 trens com seis carros cada um. Esse financiamento corresponde a 80% do que está orçado para esse trecho - R$ 1,97 bilhão. A conclusão das obras está prevista para 2010.
Durante o projeto, devem ser criados 3,6 mil empregos diretos e 5,4 mil indiretos. Assim que estiver concluída, essa obra vai acrescentar cerca de 290 mil passageiros por dia, elevando a demanda total para aproximadamente 530 mil passageiros/dia no metrô. O trecho também vai atender a comunidade da Favela de Heliópolis.
INFRA-ESTRUTURA
Ainda foram assinados nove convênios, o maior deles para obras no entorno das Represas de Guarapiranga e Billings, abrangendo 45 áreas, com obras viárias, eliminação das áreas de risco, saneamento, drenagem, instalação de sistemas de iluminação pública e a construção de 1.262 casas populares por parte da Prefeitura e 5.300 pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). Esse convênio envolve recursos de R$ 869,3 milhões, dos quais R$ 250 milhões são da União; R$ 172,7 milhões, do governo estadual; e R$ 446,5 milhões, da Prefeitura.
Os outros oito convênios são de urbanização de oito favelas (incluindo Heliópolis e Paraisópolis), num montante de R$ 624 milhões. Na avaliação da secretária estadual de Saneamento e Energia de São Paulo, Dilma Penna, um dos projetos mais importantes é a recuperação do entorno das Represas Guarapiranga e Billings.
De acordo com o secretário municipal em exercício da Habitação, Elton Santa Fé Zacarias, nas duas maiores favelas que serão beneficiadas pelos recursos anunciados, Heliópolis e Paraisópolis, serão construídas 1.895 unidades habitacionais (no valor de R$ 175,4 milhões) e reassentadas 2.500 famílias (num projeto avaliado em R$ 172,9 milhões), respectivamente.
Análise Fator:
A proteção aos mananciais é fundamental para o futuro de São Paulo. No caso específico do sistema Guarapiranga e Billings, redes de coleta e tratamento de esgoto são obras há muito tempo atrasadas, que tem gerado crescimento de custos e complexidade no tratamento da água servida à população da Zona Sul da RMSP. O convênio é uma ferramenta que, dependendo da atitude política das esferas governamentais - ou seja, se o assunto for tratado como uma questão supra-governamental, apartidária - pode trazer os resultados esperados pelas autoridades e população.
A questão dos mananciais tem forte relação com a falta de boas políticas e diretrizes de uso e ocupação do solo. É preciso revitalizar as áreas urbanas centrais degradadas, o que aliviaria a pressão pela ocupação das periferias, em específico em direção às áreas de mananciais.
A PMSP tem projetos importantes neste sentido: o “100 Parques” que prevê a implantação de áreas de preservação e recuperação ambiental em pontos sensíveis da capital, como o entorno das represas Guarapiranga e Billings, e o programa “Córrego Limpo”, em parceria com a Sabesp, de coleta de esgotos e despoluição de importantes córregos da capital.
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