O Etanol

Análise Fator:

Com os preços do petróleo nos patamares atuais, o etanol continua disparado como a maior oportunidade de negócios no novo mercado mundial de sustentabilidade dos últimos tempos. Apesar da cortina de fumaça feita nos últimos meses sobre a relação da inflação dos preços dos alimentos com o aumento da produção de bio-combustíveis, a UE declarou a importância do etanol brasileiro no suprimento da demanda global de energia renovável. Em visita ao Brasil na semana passada, a chanceler alemã Angela Merkel manifestou seu interesse no combustível brasileiro e cobrou novamente uma produção mais limpa e sustentável, considerando a preservação do meio ambiente.

Não é pra menos, com uma previsão de que em até trinta anos 25% da frota mundial de carros movida a etanol, os europeus tem todo o interesse de que o combustível comercializado no bloco e no mundo seja sócio-ambientalmente correto.

Falta uma política setorial efetiva para este novo mercado e que sejam realizados os investimentos necessários para adequar a produção brasileira aos padrões internacionais de sustentabilidade exigidos. Eles existem e não são novidade para ninguém.

A indústria alcooleira no Brasil precisa acelerar os investimentos na melhoria dos índices sócio-ambientais da sua produção: ainda mais da metade da cana é colhida manualmente, posteriormente à queimada das plantações.

Muitas usinas já correm a muito tempo com a implantação de suas agendas ambientais, certos de um grande retorno garantido nos próximos anos.

Por Marcos Redondo, diretor-executivo Fator Ambiental

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080521/not_imp175823,0.php

21/05/2008

UE deve eliminar subsídios ao etanol

Bloco ainda isenta o biocombustível de provocar a alta dos alimentos

Jamil Chade, Genebra

A Comissão Européia (CE), órgão executivo da União Européia (UE), aprovou ontem o fim dos subsídios ao etanol, uma decisão que ainda precisa ser endossada pelos 27 países do bloco. Em mensagem dirigida ao Brasil e aos Estados Unidos, a CE deixou claro que vai insistir em critérios duros para a entrada, no bloco, de biocombustíveis que não respeitem o ambiente e os aspectos sociais. A UE ainda quer evitar importar etanol que contribua para reduzir a oferta de alimentos.

Em uma estratégia divulgada ontem para lidar com a alta dos preços dos alimentos, Bruxelas voltou a defender o etanol e o isentou de estar causando inflação. ”No setor de transporte, hoje a única alternativa ao petróleo é o biocombustível.”

Segundo a UE, só 1% do cereal produzido no bloco é usado na fabricação do etanol, o que não explicaria as altas. Os europeus, porém, alertam que os incentivos para o etanol de milho nos Estados Unidos contribuem para a alta dos alimentos.

Já a meta de 10% dos carros movidos a etanol até 2020 teria um impacto também na Europa. Os preços dos cereais aumentariam entre 3% e 6% e outros produtos poderiam aumentar e até 15%.

Por isso, a UE pede que a expansão do etanol tanto na Europa, como no resto do mundo, ocorra com o uso ”responsável de terras”. Segundo os europeus, a previsão é que até 2016 43% da produção de milho nos Estados Unidos vá para os combustíveis. Isso afetaria a oferta de alimentos.

Não por acaso, a UE quer ter certeza de que critérios de sustentabilidade ambiental e social serão seguidos para qualquer empresa que pretenda exportar etanol para o mercado europeu.

Ontem, a comissária de Agricultura da UE, Mariann Fischer Boel, ainda conseguiu que sua proposta para acabar com a ajuda de 45 por hectare plantado fosse aceita pelo braço executivo do bloco. Agora, precisará ter o voto dos 27 países membros da UE para que a decisão seja implementada.

No total, o bloco gastou pelo menos 90 milhões apenas nesse programa. Na avaliação da comissária, o etanol é parte da solução energética da Europa.

O dinheiro liberado agora será utilizado para financiar pesquisas no desenvolvimento da segunda geração de biocombustíveis, que teriam um impacto ambiental menor.

Para a UE, um motivo estratégico para o uso do etanol é acabar com a dependência na importação do petróleo. ”Biocombustíveis são uma política de seguro contra nossos futuros problemas de abastecimento”, afirmou a comissária.

Segundo ela, 98% do petróleo na UE é importado. ”Teremos um problema sério quando as torneiras fecharem um dia e o biocombustível é parte da resposta para isso. Não haverá volta atrás”, garantiu, em relação ao uso do biocombustível na Europa.

Há cerca de dois anos, a UE anunciou o etanol como solução para vários de seus problemas. Nos últimos meses o debate se transformou em questionamento.

http://www.intelog.net/site/default.asp?TroncoID=907492&SecaoID=508074&SubsecaoID=715052&Template=../artigosnoticias/user_exibir.asp&ID=915120&Titulo=Apesar%20da%20resist%EAncia%20da%20Europa%2C%20o%20etanol%20avan%E7a

19/05/2008

Apesar da resistência da Europa, o etanol avança

Gazeta Mercantil

A visita da chanceler alemã, Angela Merkel, confirmou tanto o interesse da União Européia (UE) no etanol como as significativas dificuldades para operacionalizar o comércio do produto com os europeus.

No discurso durante a visita a uma montadora automobilística no ABC paulista, a chanceler afirmou que os passos trilhados na tecnologia do flex fuel e dos biocombustíveis no Brasil “poderão ser seguidos também na Alemanha”. Porém, Angela Merkel também cobrou, depois de garantir ajuda aos combustíveis renováveis, medidas de proteção ao meio ambiente na produção da cana-de-açúcar, além de nenhuma interferência na produção de alimentos. O presidente Lula reagiu de imediato, assegurando que não aceitará que a questão da produção de etanol seja tratada com “meias verdades”, movidas pelo que chamou de “interesses meramente comerciais”.

Para garantir a total transparência Lula anunciou que pretende discutir preservação de biodiversidade e biocombustíveis em uma conferência internacional a ser realizada em Brasília em novembro.

A realidade energética e ambiental da UE e dos Estados Unidos não pode, de fato, prescindir da produção de etanol. Na semana passada, reunião da Associação Internacional de Energia (AIE), em Genebra, estimou que nas próximas três décadas 25% dos carros no mundo serão movidos a etanol. Na perspectiva da agência, se as pressões contrárias ao etanol saírem vitoriosas, hoje o mundo já teria que produzir 1 milhão a mais de barris de petróleo diariamente apenas para suprir o espaço deixado pelo combustível verde só nos EUA e na Europa. Apesar desse fato, há forte resistência para a implantação do acordo entre os 27 países da UE para que o etanol cubra 10% do consumo europeu de combustíveis em 2020.

Na semana passada, os técnicos da UE notificaram o Brasil que será preciso um acordo bilateral sobre etanol, com cláusulas muito claras sobre proteção de direitos sociais na produção de álcool, além de estritos controles na questão ambiental. A rigor, a meta de inclusão de 10% de etanol no consumo europeu enfrenta um poderoso lobby contrário em vários países europeus. Aliás, a chanceler Angela Merkel foi muito cautelosa e pediu transparência do Brasil, mencionando a resistência que a questão provoca na Europa. Há duas alternativas: estabelecer metas possíveis, por país, até atingir os 10% previstos de etanol, para ajudar na proteção do meio ambiente, ou reduzir a meta de 10%, negociando politicamente a resistência dos lobbies contrários ao etanol. Atenta a este contexto, Merkel reconheceu que a área produtora de cana em São Paulo fica “bem longe da Amazônia”, mas aproveitou a ocasião para pedir ações concretas para isolar a floresta do cultivo de soja e da prática da pecuária.

Em setembro do ano passado, o Parlamento Europeu aprovou o Relatório Thonsen, elaborado pela deputada Britta Thonsen, propondo a instalação de um formal sistema de certificação social e ambiental, impondo mecanismo de verificação e monitoramento periódico dos países produtores de etanol. A medida atingiria diretamente o Brasil que já é o maior fornecedor do produto para a UE. Esse documento foi uma resposta ao parecer técnico da Comissão Européia, que fixou em 10% a parcela do produto no consumo europeu ao final da próxima década. A decisão dos deputados não tem poder impositivo sobre a Comissão, mas possui forte pressão política. A Comissão já previra uma certificação ambiental para a produção do etanol, mas delegada aos países produtores. O relatório aprovado foi bem além dessa determinação técnica e chega a prever uma avaliação se o combustível comprado “não gerou impacto negativo sobre a produção de alimentos na área de cultivo”.

Há, obviamente, grande desinformação quanto a questões sociais e ambientais envolvidas na produção de álcool no Brasil. O eventual uso de terras da floresta amazônica para cultivo de cana enfrenta obstáculo técnico intransponível: o volume de chuvas na região não permite o amadurecimento da cana. Quanto à questão social envolvida no etanol, motivo até de denúncias de religiosos para a chanceler, não resiste aos relatórios da Organização Internacional do Trabalho, mostrando que o Brasil é “exemplo na luta contra o trabalho forçado”, fato que inclui a fixação de metas de produção inumanas.

A Alemanha tem um papel preponderante nas decisões da Comissão Européia. A chanceler Merkel reconheceu que o Brasil tem “vastas áreas” para o plantio de cana, insistindo em que essa não é a situação de outros países latino-americanos. A adaptação da frota européia para o modelo flex fuel sequer começou, mas será inevitável, apesar do “atraso” na adição dos biocombustíveis aos combustíveis fósseis, como reconheceu a chanceler. No entanto, a necessidade de proteção ambiental, além dos riscos inerentes ao petróleo, fará do etanol um fato consumado no contexto europeu. Será uma questão de tempo e, ao que parece, Angela Merkel sabe disso.

http://www.gazetamercantil.com.br/integraNoticia.aspx?Param=1,8,7,1835048,UIOU

19/05/2008

Subsecretário do Usda visita usina

Edson Álvares da Costa
Gazeta Mercantil

Sertãozinho (SP), 19 de Maio de 2008 – O subsecretário para Agricultura e Serviço Agrícola Internacional do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), Mark Keenum, não concorda que a produção de biocombustíveis tenha prejudicado a oferta e os preços de alimentos. Ao contrário da opinião pública internacional, Keenum considera “pequeno” o efeito do aumento da produção de biocombustíveis na redução da oferta de alimentos. “A questão é que a demanda global por alimentos aumentou e a produção caiu por fatores climáticos” disse Keenum, que visitou na última sexta-feira a Usina São Francisco, em Sertãozinho.

“Nos Estados Unidos, a produção de milho neste ano será a maior dos últimos dez anos. O milho será usado para fazer etanol e mesmo assim sobrará para abastecer o mercado interno e exportar.” Segundo ele, a produção de etanol a partir de milho, as vendas no mercado doméstico norte-americano e as exportações do grão pelo país vão todas crescer em 2008.

“O Brasil e os Estados Unidos são líderes na produção de etanol, que é uma alternativa energética, ainda mais com os preços do petróleo nesses patamares”, disse.
Os EUA não deverão eliminar a tarifa de 54 cents por galão de etanol brasileiro, acredita. Keenum lembrou que o Congresso americano prorrogou a tarifa por mais dois anos. “O presidente Bush pode até vetar a lei ou partes dela. Mas o congresso tem força para derrubar o veto e a tarifa deve mesmo virar lei por mais dois anos.”
A barreira ao álcool brasileiro nos Estados Unidos pode representar um instrumento de equilíbrio ao mercado. “Se hoje o Brasil exporta 200 milhões de galões de álcool de cana para os Estados Unidos, se a taxa for eliminada, é lógico que o Brasil passará a exportar mais”, afirmou. Mas Keenum ressalvou que os EUA gastam milhões de dólares em pesquisa para produzir etanol celulósico a partir de outras fontes vegetais. E quando essa nova tecnologia estiver disponível, os EUA poderiam reduzir drasticamente o custo de produção de álcool, possivelmente dispensando a produção brasileira.

Leontino Balbo, diretor da usina São Francisco, mostrou a Keenum e sua comitiva a usina com seus 14 mil hectares de cana orgânica, certificada, e 100% da colheita mecanizada. Keenum viu de perto algumas das operações que fazem da São Francisco a usina mais ambientalmente correta do País.

No laboratório de controle biológico de pragas, viu a produção de vespas responsáveis por eliminar a broca da cana. No campo, viu a fertirrigação por canhões de vinhaça e ainda pegou carona numa colheitadeira de cana.

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