Arquivo de maio, 2008

UE quer selo para evitar importação ilegal de madeira da Amazônia

11/05/08

Análise Fator:

Vivemos uma nova fase nesse início de século. A consciência ecológica e o desenvolvimento sustentável vêm ganhando muito destaque no mundo. Essa nova exigência da UE faz parte de uma tendência mundial de barrar produtos na contramão da produção sustentável.

Não adianta reclamar. A certificação ambiental como requisito para entrada no mercado europeu é uma realidade e tende a expandir-se rapidamente para outros produtos. Além das commodities agrícolas como soja, carne e dos biocombustíveis (etanol), os requisitos ambientais também se estendem à indústria química (é o caso do processo reach, em vigor desde 2007).

A quem cabe a liderança do processo de adaptação das empresas brasileiras nessa nova realidade? Governo ou iniciativa privada?

Será anunciada esta semana a nova Política Industrial de desenvolvimento produtivo para o país. Segundo o ministro Miguel Jorge, o novo plano pretende estimular as exportações através de incentivos à indústria. Vamos acompanhar atentamente o lançamento do plano e a verificar qual a sinalização por parte do governo federal sobre esta questão.

 

http://www.estado.com.br/editorias/2008/05/06/ger-1.93.7.20080506.11.1.xml

Terça-feira, 06/05
Fonte: O Estado de São Paulo

Hoje exigência do certificado é voluntária; no Brasil, ministra reconhece que desmatamento deve crescer em 2008

Jamil Chade e Cristina Amorim

A União Européia (UE) pretende endurecer suas leis sobre importação de madeira com a criação de um selo obrigatório, válido para todos os 27 países-membros, que ateste a origem lícita dos produtos. As compras sem controle promovidas pelo mercado europeu, considerado como o mais lucrativo do mundo, contribuem para o desmatamento na Amazônia e de outras florestas tropicais asiáticas e africanas.

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Pressão de acionistas e ambientalistas estraga a festa das petrolíferas

2/05/08

Da perspectiva do lucro, esta é a melhor fase da indústria do petróleo. Mas o lucro não mostra a história toda.

Os ganhos recordes obtidos pelas petrolíferas mascaram um período de profunda mudança e instabilidade no setor energético. A Exxon Mobil Corp., do ramo entre as não-estatais, divulgou ontem um lucro de US$ 10,89 bilhões no primeiro trimestre, 17% superior ao do mesmo período no ano passado. É o segundo maior lucro já registrado por uma empresa americana, atrás apenas do da própria Exxon no último trimestre do ano passado.

No entanto, esse lucro foi considerado uma decepção em Wall Street. As ações da Exxon caíram 3,73%, ontem, na Bolsa de Nova York, e fecharam a US$ 89,70. O grosso do lucro veio da alta do petróleo, que bateu novos recordes no começo deste ano. Mas a receita decepcionou porque a produção de petróleo da Exxon foi 9,9% menor que a de um ano antes.

 

Henry Hubble, diretor de relações com o investidor da Exxon, admitiu que o trimestre foi uma caso raro de não cumprimento de previsões para a gigante do petróleo, cujos lucros ficaram cerca de US$ 600 milhões abaixo do que os analistas esperavam.

Embora não seja visível facilmente nos enormes lucros divulgados esta semana, a transformação está agitando a indústria, mudando as regras para as petrolíferas mundiais. A demanda por petróleo não está reagindo aos preços altos como os economistas esperavam, e ainda cresce com força na maior parte do mundo, apesar de o preço estar chegando perto dos US$ 120 por barril. Os produtores de petróleo estão agindo de formas inesperadas, segurando a produção em vez de abrir a torneira. Ontem, o petróleo caiu 0,8% na Bolsa Mercantil de Nova York, para US$ 112,52 o barril – um preço ainda alto, mas o mais baixo desde 14 de abril.

A preocupação com o aquecimento do planeta está provocando a mais extensa mudança de regras ambientais em uma geração, o que torna difícil investir a longo prazo porque não se sabe qual será a futura forma dessas regras. Até questões geopolíticas são diferentes do que eram há cinco anos porque China, Índia, Rússia e Brasil emergiram como forças poderosas no mercado mundial de combustíveis, quando mal eram notados alguns anos atrás.

Talvez o que seja mais inquietante para executivos do petróleo é que a velha ordem do setor está sob ataque, já que a commodity não é mais vista como um combustível abundante e dominante como era no passado.

“É uma época de grandes desafios, principalmente porque os últimos anos foram muito bons”, diz Frank Verrastro, diretor do programa de combustíveis do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais, um grupo de estudos de Washington.

Ken Cohen, diretor de relações externas da Exxon, diz que mudar é o status quo da Exxon. “Não quero usar o termo ‘faz parte do negócio’ mas, de fato, nosso negócio está sempre mudando”, diz ele.

No começo da semana, porém, o alto escalão da Exxon teve sua ação cobrada publicamente por membros da família Rockefeller, descendentes do fundador da Standard Oil, John D. Rockeffeler. A família deu uma entrevista coletiva para falar da preocupação de que o presidente da Exxon, Rex Tillerson, não tenha a visão necessária para guiar a empresa para o futuro. A família apóia a indicação de um presidente independente do conselho, deixando Tillerson como diretor-presidente para administrar as operações cotidianas da companhia. E os Rockefellers fizeram coro com um clamor para que as petrolíferas invistam mais no desenvolvimento de fontes alternativas de energia.

A Exxon e outras empresas do setor têm resistido a aprofundar-se em alternativas para o petróleo. A maior parte dos mais de US$ 25 bilhões de investimento da Exxon é canalizado para a produção de petróleo, gás natural, químicos e gasolina. Diretores da empresa dizem estar investindo em pesquisa para desenvolver tecnologias que tragam uma nova geração de combustíveis renováveis, porque não acham que a atual geração seja viável. Ontem, a Shell disse que estava abandonando um projeto para construir a maior fazenda eólica do mundo, poucos dias depois de divulgar lucros recordes.

Infelizmente, as grandes petrolíferas têm tido uma visão muito curta focada unicamente em oportunidades de lucro no curto prazo”, disse Alan Nogee, diretor do Programa de Energia Limpa da União de Cientistas Preocupados. “Alternativas de combustíveis renováveis são cada vez mais eficientes em termos de custo e lucrativas e vão se tornar muito mais à medida que o mundo responde à ameaça e ao desafio do aquecimento global.”

Por outro lado, o setor continua sob pressão para manter os gastos sob controle e retornar mais dinheiro aos acionistas. Quarta-feira, a Exxon anunciou que vai aumentar seu dividendo trimestral em 14%. Um analista do J.P. Morgan, Michael LaMotte, não se impressionou. “Bom, mas não bom o bastante”, escreveu num relatório. “Embora seja o maior aumento em quase 30 anos, estamos decepcionados porque o conselho não fez mais” para aumentar os retornos a investidores.

Por: Russell Gold e Donna Kardos, The Wall Street Journal
Fonte: Valor Econômico
02/05/2008

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Bird aprova US$ 7 bilhões para o País em 4 anos

1/05/08

Em 2008, será liberado US$ 1,6 bilhões; empréstimos, a partir de agora, serão concedidos a Estados WASHINGTON – O Banco Mundial (Bird) aprovou ontem um plano de parceria com o Brasil que prevê empréstimos no valor de US$ 7 bilhões nos próximos quatro anos.O plano estabelece uma mudança completa no relacionamento do banco com o País – em vez de emprestar ao governo federal, o Bird passa a conceder empréstimos principalmente para governos estaduais; em vez de auxiliar na identificação de projetos, o Bird vai se focar em áreas apontadas pelo governo brasileiro como prioritárias. A diretoria do banco aprovou a liberação de US$ 1,6 bilhão neste ano.

O plano deve servir de modelo para o novo relacionamento do banco com países de renda média, como Rússia e China. “Hoje (ontem) de manhã, durante a reunião do conselho, os russos já se manifestaram, querem adotar essas mudanças também”, disse John Briscoe, diretor do Banco Mundial para o Brasil.

Segundo ele, o Brasil fez muito progresso na área econômica. “E o banco precisou se adaptar às novas necessidades do País.” De acordo com o diretor, o relacionamento mudou porque os Estados, depois de terem suas finanças saneadas, têm mais espaço para investir, respeitando a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Os focos de empréstimos são projetos em agricultura, infra-estrutura, desenvolvimento sustentável. Segundo Briscoe, o banco também começou a discutir questões que eram consideradas “tabu”, como financiamento para geração de energia nuclear e projetos de desenvolvimento na Amazônia (em áreas que já foram desmatadas).

O banco vai investir em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em projetos para diminuir a diferença entre o Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Nordeste e do Brasil como um todo; e para reduzir pela metade a taxa de desmatamento da região amazônica.

Briscoe disse que a estratégia identifica muitas áreas onde o Brasil não precisa mais da assistência do banco e outras onde uma combinação de conhecimento, financiamentos e o “selo de aprovação” do Bird pode contribuir para o desenvolvimento do País.

A parceria também identifica novas maneiras de outros países em desenvolvimento se beneficiarem da experiência do Brasil em áreas como federalismo fiscal, biocombustíveis, energia limpa, Aids e programas de transferência condicional de renda.

No total de US$ 1,6 bilhão que o Banco Mundial vai liberar para o Brasil neste ano, estão três empréstimos: o segundo Programa de Parceria para o Desenvolvimento de Minas Gerais, que vai receber US$ 976 milhões, o segundo Projeto de Extensão do Programa Saúde da Família, com US$ 84 milhões, e o projeto de Trens e Sinalização de São Paulo, com US$ 550 milhões.

Por: Patrícia Campos Mello.
Fonte: Estado de S. Paulo
01/05/2008