Análise Fator:
Tempos atrás, meio ambiente era discutido mais intensamente apenas na semana do Dia do Meio Ambiente. Passada essa data, ninguém mais se lembrava do assunto, só no ano seguinte. Hoje é diferente. Questões ambientais estão no centro das decisões estratégicas das nações e das empresas (e em breve das famílias).
Nunca se falou tanto em meio ambiente e isso é um bom sinal. O mundo finalmente absorveu a consciência de que a natureza é uma fonte esgotável de recursos e o aquecimento global uma realidade que trará sérios prejuízos à economia mundial. O mundo está vigilante e cobrando resultados tanto dos governantes quanto das empresas.
Vivemos o Século do Meio Ambiente.
O mundo também despertou para as oportunidades. Nunca se lucrou tanto com produtos de sustentabilidade, em todos os setores: energia, construção, água, saneamento ambiental, comunicação. E isso é só o começo de um novo mercado de produtos com Valor Ambiental Agregado – anunciado já algum tempo – e que não parece voltar a trás, só tende a crescer.
Destaque especial para a matéria “Braskem busca parceiro para carro verde”. É um ótimo exemplo de como a indústria petroquímica procura encontrar o caminho da Sustentabilidade, em meio a problemas de suprimento de gás, disparada do petróleo e discussão sobre aquecimento global. Vejam também o case do sistema flex fuel no Brasil, outro grande exemplo de como lucrar com os novos produtos verdes.
Por Marcos Redondo, diretor-executivo da Fator Ambiental
04/06/2008
Braskem busca parceiro para ‘carro verde’
Murillo Camarotto (colaboração de Marli Olmos)
Valor Econômico
Às vésperas de anunciar o endereço de sua nova fábrica de “polietileno verde”, produzido a partir do etanol, a Braskem busca entre as montadoras de automóveis uma parceria para o fornecimento em escala dessa resina. Segundo o diretor de Relações Institucionais da empresa, Marcelo Lyra, a idéia inicial é que seja criada uma linha especial de veículos, cujas peças de plástico tradicional, de origem fóssil, seriam substituídas pelo plástico verde.
Os planos, entretanto, não param por aí. Mais adiante, a Braskem quer propor à indústria automobilística a troca do metal pelo plástico verde em uma série de peças, como tanque de combustível, duto de admissão do tanque, pára-sol, entre outras. O passo seguinte, segundo Lyra, seria o desenvolvimento de uma resina verde específica para a fabricação de portas, capô, porta-malas e pára-choques. No entanto, para este segundo caso, seria necessário um projeto de carro específico, esclareceu o executivo.
E as montadoras parecem estar animadas com as novas possibilidades. O especialista em materiais da SAE Brasil (entidade que representa os engenheiros da indústria automotiva), José Barbosa, afirma que o setor já tem estudos avançados sobre o aumento da utilização do plástico nos automóveis. Ele citou aplicações além das mencionadas pelo executivo da Braskem, como engrenagens, tampa de cabeçote, tampa de cárter, barras de torção, molas helicodais e molas semi-elípticas.
Também garantiu que as montadoras já examinam a utilização do plástico na fabricação de portas, capô e porta-malas. Segundo ele, testes deste tipo já foram realizados e os resultados “foram muito bons”. Barbosa disse que, hoje em dia, o custo de produção do plástico fóssil, diretamente atrelado ao preço do petróleo, ainda torna a utilização na cadeia automotiva pouco interessante. Porém, a chegada da resina verde poderia ajudar a equilibrar essa equação, segundo ele.
Atualmente, alguns automóveis já contam com pára-choques e pára-lamas revestidos em plástico, porém com uma estrutura de aço por trás, chamada de “alma”. O especialista acredita, no entanto, que entre 2012 e 2013 essas peças já poderão ser totalmente de plástico.
No último final de semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva circulou pela Europa carregando a tiracolo um carrinho produzido com plástico verde da Braskem. Segundo Lyra, a idéia do presidente é promover o etanol por meio de um objeto que simboliza as diversas possibilidades de aplicação do produto, desde o uso como combustível até a fabricação de peças de automóveis.
O executivo informou ainda que as primeiras substituições do plástico comum poderiam começar já em 2010, quando a fábrica da Braskem inicia a produção de 200 mil toneladas anuais da resina verde. Lyra adiantou ao Valor Online que o endereço da nova unidade deverá ser anunciado ainda nesta semana. Estão no páreo os Estados da Bahia e do Rio Grande do Sul, onde ficam os pólos da companhia.
É consenso entre Lyra e Barbosa que a grande vantagem do uso de peças plásticas nos automóveis é a redução do peso dos veículos, que resulta em menor consumo de combustível e emissão de poluentes. O especialista da SAE Brasil, entretanto, faz questão de salientar a necessidade de que o plástico a ser utilizado nos veículos possa ser reciclado. “Se não for dessa forma, cai por terra todo o apelo ambiental dessa utilização”, afirmou Barbosa.
05/06/2008
Estrela usa plástico de etanol da Braskem
Murillo Camarotto
Valor Econômico
No dia em que apresentou uma versão ecológica do jogo Banco Imobiliário, a fabricante de brinquedos Estrela anunciou a intenção de usar a bandeira da sustentabilidade como chamariz para sua estratégia de voltar à liderança do mercado brasileiro. Seu presidente, Carlos Tilkian, disse ontem ontem que a idéia é migrar todo o consumo de plástico da empresa para as resinas verdes, produzidas a partir do etanol.
Porém, isso só poderá começar a acontecer após 2010, ano em que a Braskem, parceira no lançamento do jogo e fornecedora de grande parte do plástico tradicional consumido pela Estrela, iniciará a produção de 200 mil toneladas anuais da resina verde. Ainda assim, a migração só deve ganhar corpo a partir de 2011, quando estiver definida a estratégia da Braskem para o produto.
Na nova versão do Banco Imobiliário, as peças plásticas são produzidas a partir do polietileno verde, o tabuleiro é feito de papel reciclável e a temática do jogo é outra. Ao invés de logradouros valiosos, pode-se comprar, por exemplo, reservas florestais, cachoeiras e empresas de produção de biodiesel. Uma primeira leva do jogo, de 10 mil unidades, estará à venda a partir de 1º de julho, somente nas lojas do Wal-Mart. Segundo Tilkian, a parceria foi fechada com vistas à exportação futura, especialmente à Europa, “onde o apelo da sustentabilidade tem grande valor”.
A Estrela começou a ter dificuldades na década de 1990, quando o processo de abertura do mercado atingiu a indústria de brinquedos. Em 2005, acabou fechando duas fábricas. Para voltar a brigar pela liderança, a Estrela vai investir neste ano R$ 20 milhões em divulgação e R$ 12 milhões em desenvolvimento de produtos. Para 2008, a empresa espera expansão de 40% no faturamento, que fechou 2007 em R$ 100 milhões.
05/06/2008
O sistema flex fuel reduz emissão de CO2
Sonia Moraes
Gazeta Mercantil
A indústria automobilística já deu um grande passo para garantir a proteção do meio ambiente, com a produção da tecnologia flex fuel, que permite usar no mesmo tanque de combustível álcool e gasolina. Desde 2003, quando foi lançado no Brasil o sistema biocombustível de injeção, já temos na frota total de veículos que circulam pelo País mais de 5 milhões de carros flex fuel. “Em 2012 serão 15 milhões de veículos com o sistema flex de injeção”, prevê Silvério Bonfiglioli, presidente e CEO da Magneti Marelli na América do Sul e do Norte, empresa do grupo Fiat.
“Cada carro que circula com sistema flex reduz entre 12% e 14% o índice de emissões de CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera, um dos principais causadores do efeito estufa. Isso quer dizer que, em média 1 milhão de carros flex emitem 850 mil toneladas a menos de CO2 em relação ao modelo que roda com gasolina”, diz Bonfiglioli.
“Isso é muito vantajoso para o Brasil, não só em relação à qualidade do meio ambiente, mas em negócios, pois com a expansão da frota de automóveis e comerciais leves flex fuel do País acumulará grande índice de redução de emissões de CO2 e poderá comercializar o seu crédito de carbono com outros países, conforme prevê o Protocolo de Kyoto.
Atualmente uma tonelada de CO2 equivale de € 18 a € 20. “Antes o valor era inexpressivo”, diz Bonfiglioli. Ele destacou que de 1975 – quando foi lançado o Proálcool – até 2006 a utilização do álcool pelos veículos brasileiros evitou a emissão de 644 milhões de toneladas de CO2 e o Brasil economizou US$ 52 bilhões com petróleo.
No encontro das nações, que será realizado em Estocolmo em 2009, serão definidas as regras mundiais mais claras para o limite de emissões de CO2, segundo Bonfiglioli. “Se os países europeus atingirem o nível máximo de emissões de poluentes, poderão comprar crédito de carbono das empresas brasileiras”.
Bonfiglioli destacou que a nova unidade da Magneti Marelli, que está sendo construída em Hortolândia (SP) utiliza mais recursos que preservam o meio ambiente, como o material reciclável e energia solar. Nesta fábrica serão produzidos a nova geração de bicos injetores. A principal função deste componente é melhorar o desempenho dos motores flex fuel, reduzindo em até 7,8% o consumo de combustível. Também será fabricado o Ethanol Cold System, sistema que elimina o uso do reservatório de gasolina para partida a frio, nos carros com motor flex. “Até o final de 2009 ,completamos a produção dos novos sistemas para iniciar a produção da terceira geração do sistema flex, que permitirá aos veículos emitir um índice ainda menor de poluentes, em relação aos modelos atuais. Também ajudará a reduzir o consumo e melhorar a dirigibilidade nos dias frios. Hoje a Magneti Marelli tem 47% de participação nos carros flex no Brasil.
05/06/2008
Empresas tentam emitir menos CO2
Margareth Boarini, para o Valor, de São Paulo
Progresso causa poluição. Nas dez localidades mais poluídas do mundo, a atividade econômica é que está por trás das densas nuvens de dióxido de carbono ou outros gases de efeito estufa, segundo pesquisa do Blacksmith Institute, dos EUA. Mas algumas empresas já estão fazendo sua parte para diminuir o impacto de sua produção. Transportadoras terceirizadas que atendem o Sistema Integrado Martins, por exemplo, já receberam do atacadista notificação alertando para as emissões acima do permitido por algum caminhão de sua frota. De 2004 para cá, o Martins enviou mais de quarenta cartas com este “puxão de orelha”. Os resultados positivos começaram a aparecer e a receptividade ficou mais expressiva.
O Sistema Integrado Martins decidiu investir na redução da emissão de CO2 a partir de 2004, motivado tanto pela redução nos custos com combustível como para contribuir para a qualidade do ar. O atacadista mineiro definiu uma estratégia que incluía desde a substituição gradual da frota por caminhões eletrônicos, que emitem até 30% menos dióxido de carbono, até uma campanha de conscientização dos motoristas que trabalham para a companhia. Até março de 2009 toda a frota própria de 1.200 caminhões deverá ser totalmente renovada. “O tema meio ambiente ganhou destaque nos treinamentos desses funcionários”, afirma Marcos Amaral, gerente de frota e transferência.
Restrita a pouquíssimas empresas até alguns anos atrás, a preocupação com o meio ambiente e com a redução na emissão de gases causadores do efeito estufa vem conquistando paulatinamente mais espaço na pauta estratégica das grandes companhias em razão do aquecimento global. As pequenas e médias ainda não aderiram por completo, mas esta é uma prática que não deve demorar a acontecer. “A preocupação com a mudança climática é inevitável. Ou se embarca nessa ou se será atropelado”, define Carlos Henrique Delpupo, diretor do Instituto Totum.
Otimista, o especialista em meio ambiente afirma que esta é uma questão que traz mais oportunidades que riscos.
Os créditos de carbono, diz, são a parte mais palpável dessa oportunidade, mas não se deve esquecer que a boa prática com relação ao meio ambiente proporciona uma série de benefícios, como a melhoria na reputação da empresa, da valorização de sua marca, num melhor posicionamento frente aos concorrentes e na possibilidade de participar de inúmeros outros negócios. “As grandes empresas já têm áreas estruturadas, com gestores próprios, e passaram a tratar o tema dentro da governança corporativa, das decisões estratégicas. É um processo complexo, mas certamente chegará às médias e pequenas também”, diz.
A Celulose Irani foi a primeira empresa brasileira a receber a certificação ISO 14.064, que estabelece um inventário de emissões de gases de efeito estufa, obtida no início deste ano. Esse inventário é uma arma importante na batalha contra a redução do gás porque permite o mapeamento eficaz e completo das emissões e permite o desenvolvimento de oportunidades de investimentos em projetos baseados no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).
“O investimento na gestão ambiental é importante porque, antes de tudo, protege a natureza, com a necessidade de criar inovações para gerar eficiência e otimizar o uso de recursos naturais. Além disso, com a redução do impacto ambiental, o negócio ganha com a redução de custos operacionais”, afirma Odivan Carlos Cagnin, diretor administrativo-financeiro e de relações com investidores.
A Unilever no Brasil, terceira maior operação do grupo entre os cem países em que está presente, aposta na área ambiental desde os anos 90, com melhorias em diversas etapas da produção. Por isso, quando, no começo dos anos 2000, a matriz estabeleceu a meta mundial de registrar a marca de 25% na redução de CO2 até 2012, as mudanças não demoraram a ganhar projeção maior internamente. A queda na emissão de CO2 por aqui, contabilizando o período de 2004 a 2007, bateu em 56%. “Várias ações contempladas num projeto de longo prazo motivaram nosso resultado”, diz Juliana Nunes, diretora de assuntos corporativos da companhia.
Além de concentrar-se no monitoramento da área de transporte e logística, com a otimização no carregamento de cargas, a Unilever apostou em alterações na forma de embalar alguns produtos, ora com uso de menor quantidade de plástico, ora com substituição do tipo de papel usado para fabricar as embalagens.
Um dos xampus produzidos pela empresa, por exemplo, teve eliminado de sua embalagem um detalhe de plástico. Menos matéria-prima, peso menor, maior capacidade de acomodação durante o transporte geraram uma redução de duas vezes e meia na emissão de CO2.
A utilização de biomassa em sete das 12 fábricas da companhia também foi outro fator decisivo para atenuar o impacto ambiental. “Podem parecer números pequenos, mas se somarmos todas as ações, o resultado é muito positivo”, ressalta Juliana.
Energia proveniente da biomassa é um dos recursos usados também pela AmBev. Até 2003, 100% dos combustíveis empregados pelas fábricas da empresa eram fósseis. Do começo tímido em 2004, quando apenas 1% de biomassa era utilizada, a empresa fechou 2007 com uma matriz energética distribuída por 34% de biomassa, 12% de óleo BPS (o mais poluente) e 54% de gás natural. “Sete plantas nossas já usam a biomassa e outra deve passar a utilizar até o final do ano”, informa Beatriz Botelho de Oliveira, gerente corporativa de meio ambiente da empresa.
Por conta desta e outras iniciativas, a redução no índice de emissão de CO2 na atmosfera obtido pela Ambev nos últimos cinco anos ficou em 33%, e o Brasil tornou-se benchmarking para outras filiais do grupo Inbev no mundo.
Um ano e meio atrás, a subsidiária brasileira da Avon decidiu que era hora de estruturar uma área para contemplar mais de perto a questão do meio ambiente, com o apoio de todos os demais departamentos da companhia. A primeira iniciativa aconteceu com a área de transportes, através da reengenharia das rotas de distribuição de cosméticos e a ampliação da estação de tratamento de efluentes para a reutilização de água na fábrica da empresa, localizada no bairro de Interlagos (SP).
Segundo Waltencyr Peixoto, gerente de segurança, saúde no trabalho e meio ambiente da Avon, a reestruturação logística do uso da malha rodoviária, com otimização de rotas, deve gerar, até abril de 2009, uma redução de três milhões de quilômetros percorridos por veículos para a entrega de produtos.
04/06/2008
BID ainda espera relatório da Cetesb sobre segunda fase do Projeto Tietê
Samantha Maia
Valor Econômico
A Cetesb, a agência ambiental paulista, deverá publicar este mês o relatório de acompanhamento da emissão de efluentes industriais das 290 empresas que deveriam ter entrado no monitoramento da segunda fase do Projeto Tietê. A agência ainda não publicou o relatório referente a este monitoramento para o ano de 2007, situação que, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), financiador do projeto, caracteriza um descumprimento do contrato. A agência, contudo, se comprometeu, em conjunto com a Sabesp, a resolver o problema antes do fim da segunda fase do programa, em julho.
Essa é hoje a única pendência contratual relacionada ao trabalho de despoluição dos rio Tietê, Pinheiros e afluentes, empreendimento que ainda se mostra longe de chegar à meta de limpeza efetiva das águas.
A entrada de novas empresas no monitoramento do Projeto Tietê foi prevista no contrato de financiamento da fase 2, medida importante para fortalecer a redução do lançamento de carga inorgânica (metais pesados) nos rios. Até o fim do ano passado, porém, segundo informações da Cetesb ao Valor, isso não tinha sido feito. A informação era de que a agência não tinha conseguido chegar a um acordo com a Sabesp sobre quais indústrias deveriam integrar a nova lista e que por isso o trabalho
havia sido abandonado.
Esse impasse entre as duas companhias subordinadas ao governo estadual não foi informado ao BID, que emprestou US$ 400 milhões para a fase 2 do projeto. A não publicação do relatório sobre os trabalhos realizados em 2007, no entanto, foi reclamada pelo banco. No último documento publicado no site da agência, de 2006, apenas é citada a continuidade do monitoramento de 607 empresas iniciado na fase 1 (1992 a 1998).
O BID não informa que implicações o descumprimento dessa cláusula pode ter sobre a negociação do financiamento da próxima fase do projeto – que está sendo discutido com a Sabesp e envolve cerca de US$ 1 bilhão. Patrício Naveas, especialista em saneamento do banco explica, porém, que o cumprimento das cláusulas é levado em conta na hora de aprovar um novo financiamento. “Dependendo da relevância do descumprimento, o banco poderia chegar a não aprovar o financiamento.”
Ao ser questionado diretamente sobre a relevância desse monitoramento, Naveas afirmou apenas que a Cetesb e a Sabesp expressaram à instituição que estão empenhando esforços para cumprir a cláusula. “Assim, esperamos que o problema seja resolvido antes da finalização da segunda etapa do programa.”
Na primeira fase, 1.250 indústrias foram monitoradas, as maiores poluidoras da região. Juntas, lançavam em 1992, 4,7 toneladas por dia de metais pesados no rio, índice que caiu para 0,44 ton/dia em 2006. A fiscalização foi mantida, mas a menor poluição também ocorre porque das 1.250 empresas, só 607 continuam na região. A outra metade fechou ou mudou.
A Cetesb não informa o seu plano para recuperar o tempo perdido até o fim do ano passado em relação a esse trabalho. Segundo a Sabesp, no entanto, deverão ser utilizadas informações de empresas que, apesar de não terem sido incorporadas ao programa, aderiram ao Sistema de Esgotamento Sanitário no período de 2002 até este ano, e que por isso têm seus efluentes monitorados pela Cetesb. O contrato de financiamento destinou US$ 5 milhões para o trabalho de inclusão de novas empresas na fiscalização, recursos destinados a outras obras do projeto.
“A Sabesp e a Cetesb têm trabalhado no sentido de ampliar os seus controles e os resultados dos trabalhos deverão ser oficialmente apresentados ao BID até o término desta etapa do projeto, bem como disponibilizado para conhecimento público no site das companhias, conforme acordado com o banco”, diz André Ferreira, gerente do departamento de planejamento e Controle da Sabesp.
A expectativa é de que o relatório do BID referente aos resultados da fase 2 seja finalizado em setembro ou outubro. Diferentemente do ocorrido na fase 1, o novo relatório será divulgado ao público, devido a uma mudança de política do banco. O financiamento da fase 3 já está sendo negociado entre a instituição e a Sabesp. A expectativa da empresa é conseguir iniciar a nova fase no ano que vem. Entre a primeira e a segunda fase houve um intervalo de quatro anos.
Lançado como o maior programa de saneamento de São Paulo, em 1992, o Projeto Tietê termina sua segunda fase após 15 anos e US$ 1,5 bilhão investidos em redes de coleta de esgoto e estações de tratamento. O empreendimento conseguiu reduzir a mancha de poluição de 300 quilômetros para 180 quilômetros, mas o índice de apenas 37% de tratamento de esgoto na Região Metropolitana de São Paulo, segundo dados da Cetesb, ainda não é suficiente para reduzir expressivamente a poluição das águas. Estima-se que hoje, a cada segundo, cerca de 33 mil litros de esgoto desaguam no rio.
05/06/2008
Energias renováveis têm muito espaço para crescer
Roberto Rockmann
Valor Econômico
Anna Carolina Negri / Valor

Jank: investidor de olho em países que buscam reduzir dependência do petróleo
A disparada do preço do petróleo e as discussões sobre o aquecimento global têm colocado as energias limpas nas agendas de países e empresas do mundo inteiro. A geração de energia pela força do sol, do vento, da biomassa e as centrais hidrelétricas vêm ganhando espaço, enquanto indústrias vêm investindo em eficiência e redução do consumo, como forma de minimizar os impactos sobre o meio ambiente. O mercado de energia eólica e solar tem crescido mais de 20% ao ano nos últimos cinco anos. Divulgado no fim de maio, relatório do Greenpeace estima que o mercado de energias renováveis tenha movimentado US$ 75 bilhões em 2007 – um volume 70% superior aos US$ 45 bilhões apurados dois anos antes.
Apesar do vigoroso crescimento, as energias limpas ainda representam uma pequena parcela da matriz energética mundial. Dados da Renewables 2007 Global Status, estudo elaborado pela Rede de Energias Renováveis, uma aliança internacional de pesquisas no setor, indica que as energias limpas representam apenas 5% da capacidade energética do mundo.
Nesse cenário, o Brasil poderá desempenhar um papel relevante no mundo, fornecendo para diversos países os biocombustíveis e o etanol – as duas maiores apostas de especialistas para a redução da dependência de combustíveis fósseis.
A matriz energética do Brasil, sustentada pelo consumo de álcool nos veículos e pela geração de energia por usinas hidrelétricas, tem cerca 50% de sua capacidade formada por fontes renováveis. Um cenário completamente diferente do visto em outros países: 13% das matrizes energéticas do mundo, em média, vêm de fontes limpas. Nos países mais ricos do mundo, os números são ainda menores: apenas 6% da energia usada se origina de fontes renováveis.
“A matriz brasileira é um grande destaque no mundo e todos desejariam ter uma semelhante”, afirma Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), órgão de planejamento estatal do setor de energia. “Com a maior participação da cana-de-açúcar, teremos uma posição bastante diferenciada. Hoje a energia limpa é uma obsessão em muitos países”, diz. Com o aumento do consumo de álcool nos veículos, a cana perde hoje apenas para o petróleo na matriz energética brasileira, mas fica à frente até das usinas hidrelétricas.
No Brasil, estimativas informais de mercado apontam que mais de US$ 25 bilhões possam ser investidos nos próximos anos em fontes renováveis de energia, sendo que mais de 50% virá do setor de etanol e biocombustíveis. Usinas estão sendo erguidas no Centro-Sul do país por grupos nacionais e estrangeiros de olho em países que estão buscando reduzir a dependência de derivados de petróleo.
Um exemplo dessas iniciativas é o Japão, que está implementando um plano que prevê o uso de biocombustíveis como um dos meios de reduzir em até 6% nos próximos cinco anos os gases que causam o efeito estufa. Outro exemplo é a Suécia, país onde mais de 30% dos postos de combustível oferecem uma mistura de 85% de etanol com 15% de gasolina. “Estamos buscando consolidar um mercado mundial para o etanol brasileiro, que tem grande competitividade”, afirma o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única), Marcos Jank.
Criar o mercado de biocombustíveis não será tarefa fácil. Muitos países resistirão em aumentar a sua dependência em relação ao Brasil, já principal fornecedor global de vários produtos como carnes, suco de laranja, soja e açúcar. “Poderão surgir pressões protecionistas e a abertura de mercado será complicada”, afirma o diretor da Faculdade de Economia da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Rubens Ricupero.
Também vêm ganhando espaço investimentos em energia eólica. Segundo o Atlas Eólico Brasileiro, o país tem um potencial na geração de energia por meio de ventos equivalente a dez usinas de Itaipu, ou 120 mil MW de potência, sendo que 75% do potencial se encontra na região Nordeste. “Esse é outro nicho que poderá ser explorado”, afirma Tolmasquim.
Mas apenas 2% desse potencial gigantesco é hoje de fato utilizado. Uma das principais razões ainda é o seu custo: custa mais de 50% que o kWh gerado por uma hidrelétrica. Apesar do preço, alguns investimentos já estão saindo do papel. No Rio Grande do Norte, até o próximo ano, devem entrar em operação 200 MW vindos de geradoras eólicas. Mais de R$ 200 milhões em investimentos poderão chegar a esse segmento no país nos próximos anos, prevêem especialistas.
No mundo, a energia eólica também está em alta. Com investimentos de US$ 9 bilhões, houve um crescimento de 45% na capacidade instalada de energia eólica nos Estados Unidos, que já têm 5300 MW dessas usinas – um número muito próximo à capacidade que as duas usinas do rio Madeira terão. Na Espanha, hoje cerca de 15% da demanda do país é atendida por usinas eólicas.
As indústrias também vêm buscando aumentar a eficiência de seus processos como forma de minimizar os impactos sobre o meio ambiente e reduzir custos operacionais. Dados do Balanço Energético Nacional de 2007, divulgados em maio, apontam que a intensidade elétrica do PIB, medida em kWh por mil dólares, caiu 0,9% de 2007 para 2006, apesar de ter havido expressivo incremento de 11,7% no consumo per capita da população (kWh/hab). “Isso mostra que as empresas estão se tornando mais produtivas consumindo energia de uma forma mais eficiente”, diz Tolmasquim.
No setor de vidro, as empresas vêm fortalecendo ações de reciclagem, trabalhando o reaproveitamento de embalagens de vidro. A produção de vidro a partir dele próprio consome menos energia e causa a menor emissão de gases que causam o efeito estufa. O uso de 10% de cacos de vidro reduz em até 4% o consumo de energia, uma forma de reduzir os custos com um dos principais custos de produção, a energia elétrica e o gás natural, que respondem por cerca de um quarto das despesas operacionais. “Essa é uma das atividades que mais crescem”, diz o superintendente da Associação Brasileira da Indústria do Vidro (Abividro), Lucien Belmonte.
Em 1991, o índice de reciclagem na indústria estava em 15%. Hoje supera os 50%.
05/06/2008
Embrapa corre para tornar-se referência em biocombustíveis
Mauro Zanatta
Valor Econômico
Ruy Baron/Valor

Braço de agroenergia da empresa acelera as pesquisas com os biocombustíveis nacionais do futuro. O agrônomo mineiro Frederico Durães, chefe-geral da Embrapa Agroenergia: pesquisas com sorgo e novas canas.
Criado há dois anos, o centro da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) dedicado ao estudo de novas fontes renováveis de energia ainda não tem sede própria, conta com uma equipe reduzida e briga para garantir seu quinhão nos disputados recursos orçamentários da estatal.
Tantas limitações, porém, não impedem a Embrapa Agroenergia, caçula da rede de 38 unidades da empresa, de consolidar suas apostas estratégicas e científicas com o objetivo de dominar a tecnologia de novas matérias-primas dos biocombustíveis do futuro no Brasil.
Em meio ao intenso jogo político internacional em torno dos biocombustíveis, a Embrapa pretende, com suas pesquisas, elevar o status de referência na agropecuária para transformar-se em modelo industrial. Para isso, investe em novos materiais de primeira geração para a fabricação de um etanol mais barato e produtivo.
A estatal também reforça a aposta em um biocombustível brasileiro de segunda geração, feito a partir de celulose e “construído” com conhecimento novo e parcerias estratégicas. Assim como faz com a Embrapa Internacional, cuja atuação espalha-se pelo mundo, o plano da empresa é acelerar as pesquisas para alavancar no exterior os negócios de indústrias, equipamentos, processos e serviços genuinamente brasileiros.
Na área de desenvolvimento de novas matérias-primas, o principal trunfo da Embrapa Agroenergia é o domínio tecnológico do sorgo sacarino. Gramínea de alta capacidade de captação de energia, comparável à cana-de-açúcar, este tipo de sorgo adapta-se em várias regiões, tolera seca e tem alto potencial para ser cultivado em áreas marginais da cana.
“O sorgo produz 85 toneladas por hectare [produtividade similar à da cana], mas leva apenas 140 dias para ser colhido, enquanto a cana demora entre 12 e 18 meses para o primeiro corte”, diz o chefe-geral da Embrapa Agroenergia, o agrônomo mineiro Frederico Durães.
Mais do que uma matéria-prima perfeita para o etanol, o sorgo também pode ser usado como ração para o gado. Fácil de armazenar, produz entre duas e três toneladas de massa seca por hectare. O novo produto encurta o caminho para etanol de celulose, algo que está no topo da agenda dos grandes consumidores, como Estados Unidos e Europa.
“O sorgo produz 70% da sacarose da cana e metade da lignina [substância que dá consistência à madeira], o que exige menos energia para quebrar as cadeias de carbono e transformá-lo em etanol”, explica Durães. Quer dizer, é mais fácil extrair etanol de celulose a partir deste material.
A Embrapa já tem quatro variedades brasileiras com avançado domínio tecnológico. “É só difundir os materiais”, diz o pesquisador. O capim-elefante, muito comum em várias partes no país, também pode ser usado para produção de massa seca no regime de co-geração de energia, diz Durães.
Nos planos da Embrapa, estão as pesquisas para melhorar a cana-de-açúcar por meio da fixação biológica de nitrogênio. Isso eliminaria a demanda de 70% de derivados de petróleo e significaria mais lucros, porque há uma redução de 30% nos custos de produção já no primeiro ano.
“Não vamos reinventar a roda, mas arredondar o que está quadrado”, afirma o chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento, o engenheiro de alimentos Esdras Sundfeld. Para superar o desafio, a estatal trabalha em uma rede de 42 centros e 200 cientistas da casa e de outras unidades de pesquisa.
Para os biocombustíveis de segunda geração, a estratégia é usar as chamadas “variabilidades genéticas” exclusivas do Brasil. Ou seja, buscar o potencial natural com métodos já dominados.
Até 2011, a Embrapa terá um tipo de cana com sacarose nas “ponteiras” da planta, o que significa acrescentar energia em mais um terço da gramínea. “Será uma revolução feita à base de genética fisiológica e bioquímica via melhoramento convencional não-transgênico”, aposta Durães.
É uma tecnologia dominada pela Embrapa há tempos, mas guardada a sete chaves nos laboratórios da empresa. “Precisamos ter cuidado para não trocar recurso natural bruto, a nossa biodiversidade, por processos ou ferramentas tecnológicas importadas que podemos dominar”, afirma Esdras Sundfeld.
Mas ainda falta a densidade científica e a catalisação das competências espalhadas nas diversas unidades da Embrapa. “Trabalhamos agora nisso”.
A estratégia da Embrapa também inclui os pólos produtores de etanol de cana. Frederico Durães aposta na região de Araçatuba, no interior de São Paulo. As áreas de pastagem, hoje com baixa capacidade de suporte, devem avançar.
O pesquisador estima que a lotação dos pastos saltará das atuais seis para até 14 cabeças por hectare em cinco anos. Conforme ele, a região de Ribeirão Preto, principal pólo sucroalcooleiro paulista, brasileiro e mundial terá que mudar de perfil em razão da mecanização expressiva e a urgência da certificação ecológica da produção.
Também há espaço para ganhos de logística no auto-consumo. No Rio Grande do Sul, onde há 25 mil hectares plantados, algumas regiões podem produzir até 130 toneladas por hectare, acima da média nacional, que varia de 80 a 85. “Hoje, eles importam tudo de São Paulo, mas podem se abastecer e exportar ao Uruguai e à Argentina”, acredita Durães.
http://www.gazetamercantil.com.br/integraNoticia.aspx
?Param=770%2c0%2c+%2c1867393%2cYTRE
05/06/2008
Nova tecnologia poderá reduzir poluição
Empresas pretendem substituir diesel, óleo combustível e carvão na geração limpa
Fábio Couto
Gazeta Mercantil
Rio de Janeiro, 5 de Junho de 2008 – Empresas do setor elétrico têm colocado as fichas em iniciativas que mitiguem ou eliminem emissões de e de poluentes em tempos de aquecimento global. Seqüestro de carbono, mudanças no processo produtivo, créditos de carbono e mudanças legais estão na agenda da geração fóssil.
A biomassa e o gás natural são exceções, pois emitem menos dióxido de carbono que as outras e não poluem. Mas toda usina térmica é um emissor natural de , já que a energia é gerada pela combustão, segundo explicou o diretor-executivo da Associação Brasileira da Geração Flexível (Abragef), Marco Antônio Veloso. E o País não pode abrir mão da geração dessas usinas, já que dificuldades ambientais decretaram o fim da era dos grandes reservatórios de hidrelétricas, destaca.
De acordo com dados de geração da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), até maio, o Brasil possuia um parque instalado de 606 usinas a óleo diesel, óleo combustível e carvão mineral, totalizando 5.959,8 megawatts (MW). Além disso, estão na fase de construção quatro plantas a diesel e uma a carvão, que totalizam 517,4 MW. Os dados mostram ainda que 70 empreendimentos – 52 térmicas a diesel, 11 a óleo combustível e sete a carvão – receberam autorização para implantação. Elas somam 5.210,5 MW.
No caso do carvão mineral, há vários estudos em todo o mundo para mitigar os impactos ambientais, como o seqüestro geológico de . Essa técnica – o Carbon Capture and Storage -, envia e armazena o gás carbônico da queima para o subsolo. O presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral, Fernando Luiz Zancan, que esteve em Nova York participando de seminário sobre financiamento de projetos de mitigação de , observa que há uma preocupação mundial com a expansão da oferta de energia. Segundo ele, a Alemanha discute a volta de investimentos em térmicas a carvão e a ampliação da energia nuclear, por exemplo.
O professor de planejamento energético da Coppe/Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFFRJ), Roberto Schaeffer, observa que as análises sobre essa tecnologia estão num ritmo mais intenso, já que num cenário de mudanças climáticas, o carvão seria uma das fontes energéticas mais afetadas no ponto de vista dos mercados. “Como o carvão é a fonte de energia que tem mais carbono, políticas mais draconianas, no ponto de vista de mudanças climáticas, em certo sentido comprometem a própria essência do insumo”, assinala Schaeffer. Atualmente, na visão dele, o custo e não o desenvolvimento de novas tecnologias, é a maior questão. Zancan, da ABCM, lembra que o custo médio do investimento em térmica a carvão situa-se na casa dos US$ 2.800 por quilowatt (kW), o que pode aumentar com as novas tecnologias em estudo.
Por sinal, a Energias do Brasil testará uma tecnologia piloto que consiste na passagem dos gases da queima em uma piscina de microalgas. De acordo com o projeto, as algas alimentam-se de CO2 no seu processo de fotossíntese, sendo o carbono incorporado à sua matéria orgânica. “Existem várias espécies de algas em teste, algumas com bom potencial de utilização em fertilizantes, outras em biodiesel”, observou o superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Energias do Brasil, Pedro Sirgado. Ele estima que uma térmica a carvão moderna emita algo entre 850 quilos por megawatt-hora (MWh) e 870 quilos por MWh de CO2.
Além disso, a empresa adotará também uma tecnologia, conhecida como filtros de mangas na térmica de 720 MW que será construída em Pecém (CE), junto com a empresa MPX.
Já as usinas a óleo também podem recorrer ao seqüestro geológico do gás carbônico, afirma Schaeffer, da Coppe/UFRJ. No Brasil, elas são utilizadas na Amazônia, atendendo ao Sistema Isolado. A Guascor, uma das principais empresas da região, apostou na modulação dos motores das usinas a diesel – especialidade da companhia – para reduzir a emissão do CO2. De acordo com o presidente da Guascor, Joaquim Augusto Sanches Pereira, a idéia é trabalhar com uma quantidade maior de máquinas para produzir a mesma quantidade de energia que seria obtida com um só equipamento. Por exemplo, para produzir 10 MW, em vez de gerar com apenas uma máquina, a Guascor utilizaria cinco unidades de 2 MW. A configuração, justifica, evita aumento do consumo de diesel. “Isso faz com que atenda a curva de carga sem forçar os motores. As máquinas emitem muito menos gás carbônico e gastam menos combustível”, comenta Pereira.
O governo também estuda medidas para os geradores fósseis. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, sinalizou uma espécie de compensação energética, para impactos ambientais de termelétricas fósseis, semelhante a um decreto regulamentado no final de maio no Rio de Janeiro. Pelo dispositivo, os empreendedores definirão, durante a fase de licenciamento, o tipo de investimento – em usina renovável ou energia eficiente. Para cada 100 MW de energia oriunda de combustíveis fósseis, o gerador deve instalar 5 MW de energias renováveis ou investir em eficiência energética.
Incentivo
Pereira, da Guascor, vê a proposta com bons olhos, mas ressalta que a Aneel já possui um dispositivo que incentiva a substituição de combustíveis fósseis por energias renováveis – por meio da chamada sub-rogação da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC). Na prática, o investidor que implantar, no Sistema Isolado – regiões não atendidas pelo Sistema Interligado Nacional (SIN)-, projetos de energia renovável, pode contar com os recursos da CCC, que são arrecadados de todos os consumidores. Já Zancan, da ABCM, avalia que a proposta precisa de maior análise, já que uma imposição legal pode dificultar a vantagem de negociação de créditos de carbono.
Em paralelo, há investidores em hidrelétricas que aproveitam para enquadrar projetos no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), para obter créditos de carbono. Ao apresentar os resultados do primeiro trimestre, em maio, a CPFL Energia anunciou planos de negociar créditos de carbono das hidrelétricas Castro Alves, 14 de julho, Campos Novos e Monte Claro – todas com processo em andamento no Brasil ou na Organização das Nações Unidas (ONU), sem contar com os planos da companhia para Barra Grande e Foz do Chapecó.
05/06/2008
Órgãos estaduais vão fiscalizar restrição de crédito para desmatador
De Brasília
Valor Econômico
Elza Fiúza/ABr

Carlos Minc: os fiscais do Ibama vão atuar apenas “por amostragem”
O ministério do Meio Ambiente anunciou ontem que caberá aos órgãos estaduais de meio ambiente e não ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a decisão sobre quais propriedades rurais poderão sofrer restrições de crédito. De acordo com resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), o órgão vai restringir a concessão de financiamento agrícola para quem não cumpre critérios ambientais a partir de 1º de julho.
Segundo o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, os fiscais do Ibama vão atuar apenas “por amostragem” na fiscalização das propriedades. Caberá às secretarias estaduais de meio ambiente seguir uma linha geográfica que limita o bioma amazônico, definida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afim de realizar a fiscalização.
“Você não pode presumir que as autoridades estaduais vão cometer irregularidades. Quem atestar (a localização das propriedades) de forma fraudulenta, incorrerá nas penas da lei, que prevê falsidade ideológica e crime ambiental, e isso no Brasil dá prisão”, afirmou Minc após a posse do novo presidente do Ibama, Roberto Messias Franco.
Para o ministro, não é possível deslocar funcionários do Ibama que atuam na fiscalização de parques e reservas ambientais para funções burocráticas. “Não posso pegar 400 funcionários do Ibama para analisar a documentação de mais de 7 mil propriedades rurais”, argumentou o ministro.
O novo presidente do Ibama também defendeu o que chamou de “confiança republicana” nos órgãos estaduais de meio ambiente e destacou que a responsabilidade compartilhada com os Estados está prevista na legislação ambiental brasileira.
“É um equívoco achar que um órgão só (o Ibama) daria conta de tudo. E não se constrói um país em cima só de desconfiança. Não acredito que existam brasileiros querendo destruir o Brasil”, disse. O Ibama deve preparar uma instrução técnica para orientar os Estados na definição de quais propriedades estarão sujeitas à restrição de crédito para financiamento agrícola.
O ministro Carlos Minc também informou que pretende negociar com o CMN a extensão da restrição de crédito para financiamento agrícola de propriedades irregulares para os biomas Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Para os municípios do bioma amazônico, a resolução do CMN entra em vigor a partir de 1º de julho. “Não é admissível que quem desmatou o Cerrado, a Mata Atlântica e o Pantanal receba crédito fácil do governo. Brevemente vou propor ao CMN resoluções equivalentes para os outros biomas. A Amazônia foi o primeiro por razões práticas”, afirmou durante discurso na posse do novo presidente do Ibama.
De acordo com Minc, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciará amanhã um pacote de medidas ambientais, em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente. Ele antecipou que serão criadas unidades de conservação no sul do Amazonas e em Tocantins. O governo vai enviar ao Congresso um projeto de lei sobre mudanças climáticas e em dez dias o presidente Lula deverá assinar um decreto para combater a impunidade dos crimes ambientais. A idéia é limitar as possibilidades de recursos que retardam ou impedem a aplicação de punições.
Minc anunciou que, em até um mês, enviará ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) proposta para agilizar o licenciamento ambiental. Segundo ele, serão eliminadas etapas “inúteis”, mas sem afrouxar “um milímetro” o rigor das análises. “Não haverá licenciamento político, com a faca no pescoço”, discursou Minc, dizendo, em seguida, que isso não ocorria antes e não ocorrerá agora.
O ministro também quer elevar as exigências de controle de emissões de gases em indústrias. Ele afirmou que, na Europa, os níveis de controle são cinco a dez vezes mais rigorosos do que no Brasil. Segundo Minc, isso acabaria levando empresas internacionais a se instalar no país com equipamentos de menor padrão tecnológico.
Ele também reclamou do contingenciamento de recursos da pasta para a realização de superávit primário (economia para pagar juros). Ele defendeu o “superávit ambiental” e quer que seu ministério tenha voz na política industrial e de saneamento básico. “Acho inadmissível que o ministério não tenha voz ativa em saneamento ambiental”, afirmou. Segundo ele, apenas o índice de coleta e tratamento de esgoto no Brasil é de 35%. O ministro disse que é possível dobrar a cobertura em dez anos, atingindo 70%.
Minc também deu posse à nova secretária-executiva do ministério, Izabella Teixeira, e anunciou que a escolha do presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, responsável pela gestão de unidades de conservação, será feita por um “comitê de busca formado por cinco autoridades nacionais da ciência”. O grupo deverá elaborar uma lista quíntupla e analisar o plano de trabalho dos indicados antes de definir o novo titular do órgão.
03/06/2008
Shell investe na produção de gás metano na Austrália
Peter Smith e Ed Crooks
Financial Times, de Sidnei e Londres
A Royal Dutch Shell é o mais novo grupo internacional de energia a entrar na próspera indústria de gás metano extraído das camadas de carvão da Austrália, unindo forças com a Arrow Energy para desenvolver projetos na Austrália e internacionalmente.
O acordo segue-se à rejeição, na semana passada, pela Origin Energy da Austrália, a uma proposta de 13,6 bilhões de dólares australianos feita pela BG.
A Shell vai investir até 776 milhões de dólares australianos na compra de 30% da área de gás extraído das camadas de carvão da Arrow em Queensland e 10% de seus ativos internacionais, incluindo instalações na China, Índia, Indonésia e Vietnã. A Shell tem uma opção de adquirir até 50% dos projetos individuais da Arrow após cinco anos.
O gás extraído de camadas de carvão, conhecido na Austrália como gás de jazida de carvão, é um gás natural produzido a partir de depósitos de carvão. Jeroen van der Veer, diretor-presidente da Shell, disse que os recursos mais desafiadores estão se tornando importantes para as grandes companhias internacionais de petróleo.
“Acredito que companhias como a Shell vão se movimentar o tempo todo rumo ao gás e petróleo de exploração mais difícil, onde poderemos aplicar nossa tecnologia”, disse ele. “Muito petróleo e gás de fácil exploração podem ficar a cargo das companhias nacionais de petróleo”.
O negócio da Shell com a Arrow acontece depois de uma atividade intensa no setor de gás de jazidas de carvão da Austrália nos últimos dias. Na quinta-feira, a Petronas da Malásia fechou um investimento de US$ 2,5 bilhões em um projeto de gás que está sendo desenvolvido pelo grupo australiano de gás e petróleo Santos. O projeto vai converter gás de jazidas de carvão extraído em Queensland em gás natural liquefeito. A Shel chegou a considerar uma parceria com a Santos.
O alto preço pago pela Petronas levou a Origin a rejeitar a proposta aumentada feita pela BG na semana passada. A Petronas pagou o equivalente a 1,65 dólar australiano por gigajoule das reservas comprovadas, prováveis e possíveis da Santos, enquanto a oferta da BG envolvia cerca de 70 centavos de dólar australianos por gigajoule para as reservas comprovadas, provadas e possíveis da Origin.
Analistas do Citigroup calcularam que o negócio da Shell avaliou as reservas da Arrow em cerca de 80 centavos de dólar australiano por gigajoule e sugerem que o acordo “poderá ser um encorajamento para a BG Group”. Nick Davies, diretor-presidente da Arrow, disse que o plano da Arrow de desmembrar seus projetos internacionais em uma empresa que pudesse levantar capital via abertura de capital, não é mais necessário.
No momento, espera-se que o gás da Arrow será vendido em mercados locais, mas a Shell poderá investir em capacidade de liquefação na Austrália.
As ações da Arrow subiram 14% em Sidnei ontem, para 3,79 dólares australianos. A ação da Origin fechou em 16,03 dólares australiano, acima da oferta da BG, de 15,50 dólares australianos, e distante dos cerca de 10 dólares australianos a ação registrado pouco antes da abordagem inicial da BG ter sido anunciada.
03/06/2008
China avalia mistura de 5% de biodiesel
Wang Ying
Bloomberg
A China, segundo maior consumidor de energia do mundo, poderá exigir que varejistas vendam diesel contendo 5% de biodiesel já no fim do ano, para promover o uso de combustíveis alternativos, disseram autoridades do setor.
A China Petroleum & Chemical Corp (Sinopec), maior refinadora asiática, é uma das empresas que negocia com o governo sobre a nova exigência, disse ontem Qin Wrizhong, diretor-adjunto de planejamento da Sinopec. Ele não informou se o novo decreto será posto em vigor em todo o país ou apenas em determinadas províncias.
A China planeja gastar 1,5 trilhões de yuan (US$ 216 bilhões) entre 2006 e 2020 para incrementar substancialmente o uso de fontes de energia renovável e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. O governo deve subsidiar projetos de biocombustíevis, especialmente biodiesel e etanol.
É improvável que as novas regras sobre o biodiesel venham a ser aplicadas ao país inteiro devido à produção limitada, disse ontem Lin Hailong, gerente-adjunta da divisão de bioenergia da Cofco. A Cofco, maior negociante chinesa de grãos, também está em conversações com o governo sobre a exigência do novo teor de biodiesel.
A China produz cerca de 300mil toneladas métricas de biodiesel por ano, 10% da capacidade instalada do país, disse Li Zhijun, vice-diretor de pesquisa no Centro de Pesquisas para Desenvolvimento do Conselho Estatal da China, na cúpula da Apec (Associação de Cooperação Econômica da Ásia do Pacífico) sobre biocombustíveis em Qingdao. “A baixa taxa operacional deve-se a aguda escassez de matérias primas” disse Li.
A maioria das usinas de biocombustíveis na China são operadas por pequenas empresas que processam, como insumo, óleo de cozinha usado, segundo Li. A Sinopec poderá construir usinas produtoras de biodiesel no Sudeste Asiático usando óleo de palma como matéria-prima, disse ele.
Em 2010, a demanda chinesa por combustíveis deve crescer até 24%, para 230 milhões de toneladas, disse Qin. Em 2020, o país poderá ter de importar para atender até 60% da demanda interna.
“O biodiesel é apenas um complemento aos combustíveis baseado em petróleo e não é capaz de substituí-los”, disse Qin. “Também estamos desenvolvendo outras alternativas como a conversão de carvão em combustíveis líquidos e melhorias na eficiência energética para diminuir nossa dependência em relação ao petróleo”.