Arquivo de junho, 2008

A indústria e o meio ambiente

16/06/08

Análise Fator:

Esta semana a indústria do Estado de São Paulo declarou oficialmente seu compromisso com o desenvolvimento sustentável: vejam o artigo de Paulo Skaf para a Folha de S. Paulo. Mais do que vencer as barreiras ambientais impostas pelo mundo, é o despertar da indústria para as oportunidades de negócio com os produtos de sustentabilidade.

Com a compreensão de que “Poluição é desperdício”, empresários que já superaram o estágio de enquadramento à legislação ambiental de seus negócios, investem na eficácia de seus processos, reduzindo as taxas de consumo de insumos (energia, água, combustíveis e materiais primas) e de geração de resíduos (emissões de CO2, efluentes e resíduos sólidos) por unidade de receita operacional ou de produção.

Muitas empresas em estágio avançado de suas agendas de sustentabilidade poderiam alcançar um maior retorno através de uma estratégia mais eficiente de divulgação destas ações para o mercado.

Por Marcos Redondo, diretor-executivo da Fator Ambiental

 

08/06/2008

Nova consciência ambiental

Jornal Folha de S.Paulo

Paulo Skaf: “O compromisso com o desenvolvimento sustentável está definitivamente na lista de prioridades da indústria”.

O COMPROMISSO com o desenvolvimento sustentável – que consiste em gerar riquezas com responsabilidade ambiental e social – está definitivamente na lista de prioridades da indústria.

A Fiesp e o Ciesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) realizaram seminários técnicos da maior importância durante a Semana do Meio Ambiente, justamente com o propósito de dar subsídios ao setor produtivo para que as melhores medidas ambientais possam ser adotadas, de maneira racional, correta e responsável.

As entidades industriais paulistas usam também a criatividade para estimular as empresas a atuar com o máximo de eficiência e o mínimo de impacto negativo.

O Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental reconhece e incentiva as boas práticas nessa área de todos os segmentos da indústria. E o Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso da Água, que chegou à sua terceira edição em março de 2008, tem como objetivo valorizar as ações em prol do bom aproveitamento dos recursos hídricos.

Porém, as iniciativas da Fiesp e do Ciesp em torno da questão ambiental não se resumem a eventos momentâneos ou cerimônias de premiação.

Para analisar as questões de importância macro, criamos o Conselho Superior do Meio Ambiente, sob a coordenação do Instituto Roberto Simonsen (IRS), que reúne especialistas da área ambiental, muitos deles com histórico de militância ecológica.

Ou seja, trata-se de um organismo plural, representativo da sociedade, que dispõe de absoluta autonomia para questionar e propor reflexões.

Como o rigor técnico também é prioritário para nós, mantemos um Departamento de Meio Ambiente com um quadro de altíssima qualificação: são geólogos e engenheiros totalmente dedicados ao estudo e à produção de medidas objetivas no tocante ao uso do solo e dos recursos hídricos, ao controle da poluição e ao manejo de resíduos.

No entanto, muitas vezes esbarramos no desconhecimento da sociedade com relação a tudo o que fazemos. Entretanto, continuaremos apostando no trabalho duro e sério, único caminho para a conquista de resultados efetivos.

Os eventos programados pelas entidades industriais paulistas -Fiesp, Ciesp, Sesi-SP, Senai-SP e IRS – para essa Semana do Meio Ambiente e o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho, representaram uma boa oportunidade para chamarmos a atenção da sociedade para o nosso empenho em fazer com que o desenvolvimento sustentável seja mais do que um conceito da moda e se transforme em realidade.

Com o lema “A indústria respeita a vida”, empreendemos desde caminhadas e atividades ecoesportivas até discussões técnicas de altíssimo nível, com personalidades do meio acadêmico, secretários de Estado e especialistas em temas como energia, infra-estrutura, licenciamento ambiental e biocombustíveis.

Foram cinco dias de debates, de 2 a 6 de junho, que resultaram num documento final, a ser oportunamente divulgado. Também em 6 de junho, ao meio-dia, fizemos um ato simbólico de vital importância pela preservação do parque Trianon, área verde vizinha à nossa sede, que possui 34.706 metros quadrados de remanescentes da mata atlântica. O compromisso foi celebrado com um grande abraço em torno do parque.

Hoje, 8 de junho, nossa semana de comemorações chega ao fim com caminhadas ecológicas em praticamente todas as cidades paulistas. Ao todo, foram mobilizadas cerca de 40 mil pessoas, unidas em torno de um objetivo comum: construir o amanhã que todos nós, brasileiros e brasileiras, desejamos e merecemos.

PAULO SKAF, 52, é o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, além do Sesi (Serviço Social da Indústria) e do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) de São Paulo e do Instituto Roberto Simonsen (IRS).

 

 

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12/06/2008

Embraer adere a pacto de práticas responsáveis

Júlio Ottoboni
Gazeta Mercantil

São José dos Campos (SP) – A direção da Embraer divulgou ontem sua adesão ao programa Pacto Global, ou Global Compact como é denominado por sua criadora, a Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo da ação é mobilizar a comunidade empresarial internacional na adoção de práticas de negócios de valores essenciais nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, proteção ambiental e combate à corrupção.
O presidente da empresa, Frederico Fleury Curado, declarou que essa preocupação já existe na Embraer e tem se intensificado nos últimos anos como uma garantia ao crescimento sustentável. “Além de incentivar nossos clientes e fornecedores a seguir o mesmo caminho”, afirmou.

Segundo o executivo, a Embraer tem respeitado os princípios do Pacto Global, as leis vigentes e o código de ética existente no estatuto da companhia. “Com esta adesão formal, deixamos mais transparente nosso comprometimento sócio-ambiental”, comentou.
O programa é um compromisso formal assumido pelas empresas para a sustentabilidade dos seus negócios com visão de longo prazo e baseia-se em dez princípios fundamentais – respeitar e proteger e impedir violações dos direitos humanos, apoiar liberdade de associação no trabalho e reconhecer o direito à negociação coletiva, abolir o trabalho forçado e também o infantil. Prevê eliminar discriminação no ambiente de trabalho, apoiar abordagens preventivas aos desafios ambientais, promover responsabilidade ambiental, encorajar tecnologias que não agridam o meio ambiente e combater a corrupção em todas formas. Como a Embraer está no Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bovespa, tem desenvolvido nos últimos tempos iniciativas com foco sustentável do seu negócio. Também há esforços para substituição da matriz energética, neutralização de carbono e aumento do desempenho ambiental-industrial. Às ações responsáveis da empresa soma-se a recente assinatura da declaração da cúpula da Air Transport Action Group (Atag) para redução de emissões poluentes.

 

 

13/06/2008

Disparada do petróleo faz Toyota acelerar a produção de híbridos

Gazeta Mercantil (Bloomberg News)

Toyoto sedã híbrido Camry

Toyoto sedã híbrido Camry: produção na Tailândia começa em 2009 e no ano seguinte se estende para a Austrália

Tóquio, 13 de Junho de 2008 – A Toyota Motor Corp., a maior montadora do Japão, vai produzir carros híbridos na Tailândia e na Austrália, dobrando o número de suas fábricas no exterior, diante do aumento da demanda por veículos econômicos, como resultado da disparada dos preços do petróleo.

A montadora vai começar a produzir até 9.000 sedãs híbridos Camry por ano na Tailândia a partir de 2009 e até 10.000 por ano na Austrália a partir de 2010, disse a empresa em dois comunicados separados ontem.

A Toyota, fabricante do Prius, tem planos de aumentar a produção de veículos movidos a gasolina e eletricidade, uma vez que a alta dos preços do petróleo e o crescimento das preocupações com o ambiente incentivam a demanda. A montadora tem expectativa de mais do que dobrar as vendas globais de veículos híbridos, para um milhão por ano, a partir do começo da próxima década.

“Houve um aumento na popularidade dos híbridos por causa da disparada nos preços da gasolina”, disse Tsuyoshi Mochimaru, analista do Lehman Brothers Japan Inc. em Tóquio. “É positivo para a Toyota estar na dianteira nesses mercados.”

O governo federal australiano vai dar à Toyota 35 milhões de dólares australianos (US$ 33 milhões) em subsídios para ajudar no início da produção de híbridos, segundo nota divulgada. O governo do estado australiano de Vitória também vai dar apoio financeiro, acrescentou a empresa, sem dar mais informações.

“A demanda australiana por novos automóveis está ficando mais forte graças à economia do país”, disse Yasuaki Iwamoto, analista da Okasan Securities Co. em Tóquio, cuja classificação é “acima da média” para as ações da Toyota. “A Austrália também tem um forte interesse no ambiente.” As vendas de novos veículos no país cresceu 4%, para 436.154 nos primeiros cinco meses deste ano, segundo a Câmara Federal das Indústrias Automotivas.

A fábrica da Toyota em Melbourne produziu 148.900 veículos no ano passado, próximo da sua capacidade, de 150.000. Atualmente ela produz sedãs Camry a gasolina e exporta para o Oriente Médio e outras regiões. Na Tailândia, a Toyota vai gastar cerca de 90 milhões de baht (US$ 2,7 milhões) para modernizar uma linha de produção, de forma a dar apoio aos carros híbridos, disse a jornalistas, em Bangcoc, Misuhiro Sonoda, presidente da unidade local da montadora. A fábrica vai produzir híbridos para o mercado interno, acrescentou ele.

Cinco Fábricas

A Toyota tem cinco fábricas na Tailândia e produziu 502.000 veículos no país no ano passado. A Toyota, que atualmente produz híbridos no Japão, nos EUA e na China, vendeu 429.000 unidades em todo o mundo no ano passado. As vendas cresceram com a alta dos preços do petróleo.

Um veículo híbrido combina um motor convencional a gasolina com um motor elétrico. O motor elétrico alimenta o veículo a baixas velocidades e o a gasolina assume a função quando o carro acelera. A bateria do motor elétrico é carregada pelo motor a gasolina e realimentada pelos breques.

 

 

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11/06/2008

Cresce o uso da tecnologia em granjas e cooperativas

Andrea Vialli
O Estado de São Paulo

Biogás é alternativa para gerar energia 

Biogás é alternativa para gerar energia

O gás metano, mais conhecido como biogás, está se tornando uma alternativa viável para produção de eletricidade em propriedades rurais e já fomenta novos negócios. Fabricantes de geradores a biogás e biodigestores aproveitam o bom momento das tecnologias limpas para lançar novos equipamentos. Estima-se que o País pode gerar 440 megawatts de energia a partir do gás do lixo e de resíduos de criações de animais.

A paranaense Caetano Branco, que tem uma unidade de equipamentos voltados para geração doméstica de energia, é uma das que estão apostando nesse segmento. A empresa lançou em 2007 o primeiro gerador de energia movido a biogás, com potência de 10 MW. O foco eram propriedades rurais que geram muito resíduo, como granjas e fazendas de suínos. No processo, os dejetos são colocados em um biodigestor – câmara hermética onde a matéria orgânica, diluída em água, sofre um processo de fermentação, que resulta na produção de um efluente de gás metano. Um compressor bombeia o gás para o gerador de eletricidade.

“Observamos as necessidades de um mercado que estava desperdiçando uma fonte importante, o biogás. Os dejetos, que antes contaminavam rios e lençóis freáticos, agora produzem energia em cooperativas e outras empresas rurais”, explica Marcelo Utrabo, presidente da Caetano Branco. A empresa prepara, para o segundo semestre, o lançamento do gerador “bioflex” – que funciona com biogás e etanol.

O empresário rural Vanio Deutnner, que possui uma granja com 22 mil codornas em Petrolândia (SC), a 180 quilômetros de Florianópolis, aderiu à tecnologia. “A produção da granja cresceu nos últimos anos e eu não sabia o que fazer com os dejetos das aves”, conta. Com um investimento de R$ 18 mil, Deutnner instalou o equipamento e, no primeiro mês, verificou uma redução de 35 % na conta de luz. A eletricidade produzida é usada na estufa para aquecer as aves. A expectativa do produtor é que, com o uso contínuo, a economia de energia chegue a 50%.

Créditos De Carbono

Outra empresa que está lucrando com esse novo mercado é a Sansuy, de Embu (SP). Há 20 anos a companhia, que fabrica plástico para cobertura de grandes superfícies, começou a notar o interesse de produtores rurais que queriam tratar seus efluentes. Nos últimos cinco anos, a demanda explodiu, segundo Luiz Hiroma, gerente de biodigestores da Sansuy. “A possibilidade de produzir energia elétrica a partir dos resíduos e de vender créditos de carbono fez a procura crescer muito”, diz. Atualmente, a empresa tem 1.070 biodigestores instalados em todo o País – 300 deles só este ano. O alto preço do petróleo, matéria-prima dos fertilizantes, também tem contribuído para elevar a procura. “Além do biogás, o processo de fermentação da matéria orgânica no biodigestor resulta em um efluente que, quando seco, é um ótimo adubo. É um retorno à adubação às antigas”, diz.

A gigante Sadia espera começar a produzir energia nas propriedades dos seus produtores integrados a partir de 2009. A empresa criou em 2005 um programa para reduzir o impacto ambiental da criação de porcos de 1.104 fornecedores em quatro Estados. Foram instalados biodigestores nas granjas, com o objetivo futuro de produzir energia elétrica com o biogás e negociar créditos de carbono no mercado internacional.

“Agora, o projeto está em fase de análise na ONU para venda de créditos de carbono – está prevista a negociação de 6,2 milhões de toneladas de gases do efeito estufa que deixaram de ser lançados na atmosfera”, explica Paloma Cavalcanti, coordenadora do programa Suinocultura Sustentável da Sadia. A empresa também tomou um empréstimo de R$ 60,5 milhões no BNDES para dar continuidade ao programa, que vai incluir também produtores rurais da região de Lucas do Rio Verde (MT), onde inaugura em breve uma nova planta.

Como Funciona

Biodigestor: espécie de câmara hermética onde a matéria orgânica, misturada à água, passa por processo de fermentação sem oxigênio. Do processo, resultam o efluente líquido – que pode ser usado como fertilizante – e o biogás, que produz eletricidade.

Biogás: o metano produzido no biodigestor é comprimido e usado para alimentar o gerador. A eletricidade produzida pode ser usada em iluminação, aquecimento de granjas e secagem de grãos.

 

 

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10/06/2008

Governo vai co-responsabilizar indústria por crime ambiental de fornecedor

Folha de S. Paulo

O governo quer co-responsabilizar a cadeia produtiva pelos crimes ambientais cometidos por seus fornecedores. Para isso, o governo pretende chamar dentro de 15 dias setores da indústria para listarem os nomes de seus fornecedores.

“A partir do dia 15, toda grande siderúrgica, pecuária, frigorífico, todos serão notificados nos termos de lei já existentes. Terão prazo de 60 dias para dar a lista de todos seus fornecedores. E serão co-responsabilizadas pelos crimes ambientais cometidos por eles”, disse o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) hoje após reunião na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), é favorável à idéia. Segundo ela, parte do desmatamento é incentivado pela pressão dos compradores da madeira que provoca o desmatamento. “A riqueza do Sul e Sudeste pressionam o desmatamento na Amazônia. A maior parte da madeira que sai da Amazônia está em São Paulo”, disse à Folha Online.

Minc afirmou que o objetivo da medida é colocar as cadeias produtivas dentro da lei. “O grande frigorífico, a grande agropecuária vão querer ajudar a modernizar e até financiar a modernização.”

Segundo ele, a Fiesp é favorável a co-responsabilização dos compradores pelos crimes ambientais de seus fornecedores. “Coloquei para Fiesp o pedido de apoio para isso. Fiesp é favorável. Em breve assinaremos termo de cooperação entre o Ministério do Meio Ambiente e a Fiesp para que as indústrias de São Paulo também participem dessa forma da defesa da Amazônia.”

Lei ambiental

Minc defendeu ainda punições diferenciadas para os crimes ambientais. “A proposta é de separar a pessoa que tem um passarinho em casa daquela que organiza uma rede para mandar mil pássaros para o exterior. Precisam de penas diferenciadas”, disse.

Ele também quer aperfeiçoar o sistema de cobrança de multas para crimes ambientais. “Hoje em dia só 5% das multas são pagas, o que incentiva a impunidade ambiental. E os prazos de recursos são de 4 anos. Vão passar para 4 meses. Isso vai dar mais efetividade à lei e menor oportunidade de impunidade no país.”

 

 

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13/06/2008

60 siderúrgicas multadas por uso ilegal de carvão

Empresas de Minas, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul terão de pagar valor recorde de R$ 414 milhões

Lígia Formenti, Brasília
O Estado de São Paulo

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) autuou 60 siderúrgicas de Minas, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul pelo uso ilegal de carvão. O valor da multa é recorde: R$ 414 milhões para as empresas, além dos R$ 70 milhões que terão de ser pagos pelas carvoarias. Na operação, a maior já realizada no cerrado e no Pantanal, foi identificado o consumo de 800 mil metros cúbicos de carvão ilegal somente em 2007, volume suficiente para carregar 10 mil caminhões. O carvão era extraído ilegalmente do Pantanal. Além das multas, as siderúrgicas serão obrigadas a replantar 11 mil hectares de floresta.

“A mão vai pesar”, afirmou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, ao anunciar os resultados da operação. Batizada de Rastro Negro Pantanal, a investigação resulta do cruzamento de dados do Sistema Documento de Origem Florestal (DOF) e a documentação de órgãos estaduais, além da fiscalização.

O anúncio do pacote de multas serve de contrapeso para a imagem de benevolência com o setor produtivo dos primeiros dias de gestão. E ele mesmo faz questão de ressaltar essa intenção. “A mesma mão que dá a licença é a mão dura, que acaba com a enrolação”, afirmou. “Quero ver delinqüente ambiental no xilindró.”

O DOF substitui a Autorização de Transporte de Produto Florestal (ATPF), ocumentação de controle que, por sua fragilidade, virou alvo fácil de fraude. Muitas quadrilhas durante anos “esquentaram” ou venderam ATPFs falsificadas, num esquema mais tarde desbaratado durante a Operação Curupira.

O Sistema DOF entrou em operação em 2006. Por meio dele, madeireiros informam pela internet o produto que pretendem transportar, o volume e a origem. Os dados são compartilhados e comparados com Estados. “Trata-se de um olho eletrônico, que vai coibir a impunidade”, garantiu o ministro. Mas o cruzamento de dados ainda não é feito em todas as regiões do País.

Infratoras

A maior parte das siderúrgicas autuadas tem sede em Minas – 55 empresas. No Espírito Santo, uma empresa foi multada e, em Mato Grosso do Sul, outras quatro. A maior infratora é a Siderúrgica Matéria Prima Ltda. Fiscais do Ibama detectaram o uso de 91,8 mil m3 de carvão não autorizado, procedentes de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina.

“A turma da delinqüência ambiental tem lá sua inteligência”, afirmou Minc. Um dos truques mais freqüentes, disse, era misturar nos caminhões carvão extraído legalmente com o ilegal. “Eles apresentavam autorização para transportar 15 m3. Mas na verdade, levavam 25″, explicou o ministro.

A operação também encontrou casos de exploração de áreas de carvão não permitidas, documentos de autorização usados mais de uma vez e a simulação de importação de carvão. “Na verdade, era um pedido fajuto. O carvão era brasiguaio”, disse Minc. Além disso, parte das empresas não cumpriu a determinação de reflorestar.

Segundo Minc, a apreensão não prejudicará a produção nos Estados. Ele ressaltou que em Minas, por exemplo, 55% do carvão das siderúrgicas vêm de áreas plantadas para esse fim; 40% vêm de manejo florestal e 5% são ilegais. Em Carajás, admitiu o ministro, 50% da madeira é ilegal.

Amazônia

16/06/08

Análise Fator:

Um dos melhores caminhos no momento para a conciliação entre o desenvolvimento dos Estados da Amazônia e a preservação da floresta encontra-se bem debaixo de nossos olhos: é a Zona Franca de Manaus. Enquanto não se alcança um consenso sobre o modelo ideal de exploração dos recursos naturais da região, o pólo industrial de Manaus segue com um PIB de aproximadamente US$ 25 bilhões sem tocar na floresta.

Pode ser esta a melhor estratégia para o desenvolvimento da região Amazônica: a criação de pólos industriais com atividades de elevado valor agregado, que geram riqueza ao país e distribuem renda à população de forma sustentável com a floresta, pois são atividades intensivas e que ocupam pequenas áreas localizadas próximo aos centros urbanos. Deve-se estar atento para o planejamento do crescimento destes pólos. Com atenção especial para a melhoria das condições de infra-estrutura e de fiscalização da atividade industrial, com certeza este é um modelo que poderia ser melhor explorado.

É sim possível desenvolver economicamente a região Amazônica em harmonia com a preservação da biodiversidade local. Mas não com atividades extensivas, como nosso modelo agro-pecuário.

Por Marcos Redondo, diretor-executivo da Fator Ambiental

 

 

 

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09/06/2008

É quase impossível impor regras na Amazônia, diz revista inglesa

Gazeta Mercantil (Bloomberg News)

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O garimpo de ouro e outras riquezas também contribui para a devastação da fauna e flora

O garimpo de ouro e outras riquezas também contribui para a devastação da fauna e flora

Londres, 9 de Junho de 2008 – É quase impossível para o governo brasileiro controlar o desmatamento e a exploração da floresta Amazônica, já que praticamente não há controle sobre a propriedade de terras na região, diz a revista britânica The Economist na sua edição de sexta-feira.

Em uma reportagem intitulada “Bem-vindo à nossa selva que encolhe”, a revista comenta os desafios enfrentados pelo novo “hiperativo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc”, que “aceitou o emprego sob um número de condições (dez ao todo)”, após a demissão de Marina Silva, diz a revista.

A revista comenta o plano de Minc que prevê que, a partir de julho, os fazendeiros que não apresentarem a documentação adequada perderão acesso a financiamentos subsidiados, e os que não a apresentarem dentro de até quatro anos terão suas terras confiscadas.

“Mas na prática é quase impossível para o governo impor sua vontade nos limites de seu império, mesmo se quisesse. Os membros da tribo fotografada recentemente (em referência à tribo encontrada perto da fronteira do Peru, que nunca teve contato com a civilização) não são os únicos que não reconhecem a soberania do Brasil na Amazônia”, conclui a reportagem. A revista diz que o plano de Minc “tem que dar certo…se o Brasil for combater o recente aumento do desmatamento”.

“No dia 2 de junho, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que monitora o desmatamento, anunciou que a floresta diminuiu substancialmente em abril, em comparação ao mês anterior.” A revista aponta diversos fatores que podem ter contribuído para este aumento, inclusive o fato de as fotografias de satélite serem mais claras agora por causa das condições climáticas, e afirma que o pior pode ainda estar por vir, já que a época das secas, que se estende pelos próximos quatro meses, registra o ápice das queimadas.

“O aumento tem várias causas e escolher uma ou duas tende a distorcer o quadro. Mas parece haver uma ligação entre o alto preço de commodities e o desmatamento, com intervalo de cerca de um ano.” A revista ainda cita a produção de carne e soja, afirmando que elas estão ligadas indiretamente ao problema, já que o gado criado na Amazônia não pode ser exportado, e a soja é plantada longe da floresta, mas empurra criadores para a região.

“Mas o alto preço das commodities é só parte da história. O desmatamento ilegal ocorre quando pecuaristas e madeireiras conspiram para limpar faixas de terra. Um pecuarista tipicamente ocupa parte da floresta e vende os direitos de cortar as árvores para uma madeireira. Isto ajuda a financiar o próximo estágio da operação pecuária. A madeireira então vem e tira o que quer, e depois limpa a área. O pecuarista termina o trabalho com a ajuda de uma retroescavadeira, queima o que sobra e planta capim e cria gado. Quando a terra se exaure, o que ocorre rapidamente, os pecuaristas seguem adiante.”

Segundo a revista, esta é a forma mais comum de se ocupar a floresta: “Dos 36% da floresta supostamente de propriedade privada, apenas 4% contam com títulos de propriedade regularizados, segundo a organização não-governamental Imazon. Como o governo não sabe quem possui o quê, impor qualquer regra é impossível.”

 

 

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11/06/2008

Crescer sem desmatar

Merval Pereira
O Globo

Menos de um mês no cargo e o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, já recebeu lições fundamentais para avançar nas medidas que considera fundamentais.

O próprio presidente Lula tratou de dar-lhe a primeira lição, ao recomendar que não mantivesse uma postura de confrontação com o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi. Especialmente por ser um governador aliado, mas não apenas por isso. Lula lembrou a Minc que o pacto federativo pressupõe uma relação harmoniosa entre a União e os estados.

Outro toque importante ele recebeu da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, quando o mesmo Maggi ameaçava colher um abaixo-assinado dos governadores da região da Amazônia Legal pedindo a mudança da portaria 96/2008, assinada em março pela então ministra Marina Silva, que impede a concessão de crédito oficial para produtores de municípios que apresentam as maiores taxas de desmatamento.

Dilma advertiu o novo ministro: se a maioria dos governadores assinasse o pedido, politicamente seria difícil manter a portaria intacta.

Minc partiu então para negociação, governador por governador, e conseguiu inviabilizar o abaixo-assinado.

Conseguiu, ao mesmo tempo, incluir em uma medida provisória os preços mínimos para produtos extrativistas, que nunca houve, e foi um dos argumentos que usou na reunião de Belém com os governadores da Amazônia para convencêlos a não subscrever o pedido de revogar a decisão do Banco Central.

O ministro Carlos Minc diz que o alcance dessa medida para as pessoas que plantam arroz, milho e soja é imenso. Elas agora têm garantia para comprar máquinas, e, se o preço desaba, o governo garante, não perdem a máquina.

“O pessoal do guaraná, açaí, borracha, castanha, não tinha preço mínimo. Moral da história, não pegava o dinheiro, não se capitalizava, não tinha frigorífico, caminhão. Então, as pessoas não tinham décimo terceiro, carteira assinada e previdência. Estavam no miserê”.

Minc ressalta que, sem alternativas produtivas sustentáveis, “a peãozada vai para cima do mato. Primeiro tirar a árvore, depois é o gado que corta o resto”. A conseqüência dessa dialética, como define Minc, é a plantação de soja.

O novo ministro quer romper essa dialética controlando as cadeias produtivas, garantindo produção sustentável na madeira, na soja, na carne e tendo dinheiro para recuperar as áreas degradadas. A partir do dia 15 deste mês, todas as grandes empresas frigoríficas, siderúrgicas, madeireiras vão ter que informar os seus fornecedores e serão co-responsáveis pelos crimes ambientais cometidos por seus fornecedores.

Minc está disposto a fazer pactos com cada um desses setores produtivos. Os grandes produtores assinam uma moratória de mais um ano de não exportar um litro de soja originário do desmatamento da Amazônia. Vai fazer o mesmo com os madeireiros.

Dentro de dez dias, o presidente do BNDES, economista Luciano Coutinho, que Minc classifica de “ecodesenvolvimentista”, se reunirá com os representantes dessas cadeias produtivas para financiar a regularização delas, dando a sinalização de que “o caminho é o da legalidade”.

Mas suas negociações foram criticadas por transferir para os estados a definição de quem está habilitado dentro da lei a receber os financiamentos. Minc nega que tenha flexibilizado a lei para favorecer o Mato Grosso, retirando dela o cerrado. “Na verdade, nós não tiramos o cerrado da resolução, porque o cerrado nunca esteve nela. A portaria trata do bioma amazônico”, esclareceu Minc no programa “Roda Viva”, de segunda-feira.

Ele explica que, dos 527 municípios do bioma amazônico, apenas 92 têm produtores dentro e fora da linha demarcada pelo IBGE, e a resolução só se aplica aos produtores que atuam dentro do bioma que o IBGE definiu, e está no mapa de todas as secretarias.

“A lei diz que, em primeira instância, quem certifica isso são os estados. Se as pessoas certificarem falso, vão responder por crime de falsidade ideológica, crime ambiental, vão perder o emprego e vão perder a liberdade”.

Minc acha que a solução é uma atuação repressiva fortemente combinada com medidas de desenvolvimento sustentado, intensificando as operações do chamado Arco Verde. “Você tem que abrir uma outra possibilidade de atividade legal e sustentável, porque, senão quem está na ilegalidade vai para a outra atividade igualmente ilegal e aí é enxugar gelo”, comenta o ministro.

Minc quer melhorar a produtividade para reduzir o espaço explorado, e pretende concluir, até final do ano que vem, o zoneamento econômico ecológico da Amazônia. “A nossa guerra é com o modelo predatório que empobrece o povo e destrói a biodiversidade”, diz Minc, para quem é preciso “limitar a cobiça”. E para tal, ele está convencido de que “um bom zoneamento é uma base de negociação com o setor privado”.

Minc acha que dá para crescer sem desmatar, “porque o desmatamento como ele é feito hoje é muito irracional”.

Na Amazônia, a maior parte do desmatamento tem a ver com a pecuária, 70%, uma pecuária extensiva, de baixa produtividade, um boi por hectare. “Então, não se trata de ecologista versus desenvolvimento. É um desenvolvimento predatório e antieconômico versus a possibilidade de nós sermos ponta do mundo em matéria de biotecnologia, biogenética, ciência avançada”, empolgase o ministro do Meio Ambiente, mudando o eixo do enfoque do ministério, para fazer esquecer sua amiga, a senadora Marina Silva, sem que sintam falta dela, mas também sem desmerecê-la.

 

 

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09/06/2008

Por que continua o desmatamento na Amazônia?

Adalberto Veríssimo

Após três anos de queda, a retomada no ritmo de desmatamento na Amazônia, verificada no último semestre de 2007, agora se confirma com os dados divulgados tanto pelo Inpe quanto pelo Imazon – Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, para o mês de abril de 2008. O aumento é explicável sobretudo pela alta nos preços de produtos como soja e carne. A floresta está sendo derrubada porque, a curto prazo (e para alguns segmentos econômicos) a agropecuária é mais lucrativa do que opções tais como o manejo sustentável, que permite a retirada de madeira e outros produtos sem destruição ambiental. Para entender por que estamos encalhados há mais de três décadas na busca de solução efetiva para esse problema, é preciso conhecer suas causas.

O desmatamento é relativamente recente na história amazônica. Foi impulsionado a partir da década de 70 pelo governo federal por meio de incentivos para a ocupação da região. Passou de 0,5% do território da floresta original, em 1975, para quase 18% – ou mais de 740 mil quilômetros quadrados – até 2007, área equivalente à soma dos estados de Minas Gerais e Paraná. Além disso, da floresta remanescente estima-se que cerca de um terço já tenha sofrido algum tipo de pressão, como exploração madeireira predatória e incêndios. Isso significa que a situação é muito mais crítica do que sugerem os dados do desmatamento recém-divulgados.

Por que o desmatamento persiste na Amazônia? A explicação mais plausível é que ele gera benefícios econômicos e políticos para segmentos que lá atuam. O Imazon chama isso de padrão “boom-colapso”: nas novas áreas desmatadas (municípios de fronteira), ocorre rápido e efêmero crescimento na renda e no emprego, porém com altos custos em termos de violência rural e degradação ambiental. A médio prazo, em geral após uma década, os indicadores socioeconômicos pioram e esses municípios entram em colapso social, econômico e ambiental. É o pior dos mundos – natureza destruída e manutenção ou agravamento da pobreza.

E a tendência é um acirramento dessa situação. Nesse início de milênio, as forças que atuam na Amazônia são mais complexas e incluem investimentos com potencial de ampliar o desmatamento e a degradação ambiental, a exemplo dos gastos públicos, da expansão de assentamentos de reforma agrária e do aporte de capital privado para atender o mercado global nas áreas de mineração, agropecuária e exploração madeireira.

Para enfrentar e domar de vez as forças do boom-colapso, são fundamentais mudanças de base na economia regional. A supremacia das atividades primárias com baixo valor agregado deve ser substituída por uma economia onde os produtos e serviços da floresta sejam valorizados e a renda dessas atividades contribua com a melhoria da qualidade de vida da população. Para isso, é necessário rediscutir as diretrizes do desenvolvimento da Amazônia e ampliar significativamente os investimentos em ciência e tecnologia para favorecer a economia da floresta.

Iniciativas para reduzir o desmatamento e até mesmo cessá-lo por completo, como a moratória proposta pelas principais ONGs com atuação na Amazônia, devem ser perseguidas a curto prazo. Outras medidas precisam ser contempladas, incluindo o aprofundamento do combate à grilagem de terras, a suspensão definitiva de novos assentamentos de reforma agrária, a continuidade das ações de ordenamento territorial e a garantia de que as Unidades de Conservação criadas sejam efetivamente implementadas.

O desafio de manter a integridade da floresta amazônica é imenso e urgente. As ameaças persistem e se ampliam com o avanço da fronteira de ocupação. As oportunidades para promover um desenvolvimento com base na existência da floresta estão presentes, mas precisam evoluir do caráter meramente periférico de experiências-piloto para pilar central da vida política, econômica e social da região.

Por último, tão importante quanto o que fazer é o como fazer. Além de medidas urgentes de grande alcance, o governo federal precisa construir um pacto político envolvendo todos os segmentos representativos interessados no desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sem esse pacto e um plano vigoroso de investimento na economia e na conservação da floresta, o problema do desmatamento não terá solução. Mas é preciso ser rápido e persistente, pois algumas iniciativas levam tempo para vingar. É preciso também ter disposição para fazer valer os interesses do país e das gerações presentes e futuras de brasileiros sobre os grupos de interesse que teimam em continuar destruindo a Amazônia.

Adalberto Veríssimo: engenheiro agrônomo e ecólogo, é pesquisador sênior e co-fundador do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia)

Desenvolvimento sustentável

16/06/08

Análise Fator:

Não existe justificativa para situações com esta do “lixão” de Itapecirica. O Ministério Público do Estado de São Paulo deveria utilizar o instrumento de Termo de Ajuste de Conduta (TAC) e firmar com as prefeituras com baixos índices ambientais planos de enquadramento de saneamento e gestão de resíduos sólidos. O BNDES acabou de lançar novas linhas de crédito, específicas para financiamento de projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).

Alguns anos atrás a Promotoria no Estado de Santa Catarina fez com que as prefeituras de diversas cidades do interior, incluindo de Joinville, assinassem Termos de Ajuste de Conduta para implantação de ações de adequação dos lixões.

Por Marcos Redondo, diretor-executivo da Fator Ambiental

 

 

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12/06/2008
 

Lixão de Itapecerica é fechado no dia seguinte à expedição fotográfica

Lixão de Itapecerica

A contaminação das águas e solo do entorno por chorume e lixo, desmatamento e assoreamento de córregos são alguns dos impactos ambientais do lixão.

Após pressão da sociedade civil local e longo histórico de impactos ambientais, o lixão de Itapecerica da Serra, município inteiramente localizado em área de manancial, foi finalmente fechado. Coincidentemente, o fechamento ocorreu no dia seguinte à visita feito pelo grupo de fotógrafos participantes da Expedição Fotográfica De Olho nos Mananciais, organizada pelo ISA e Estúdio Madalena.

Desde abril o Instituto Socioambiental (ISA) aguardava a adoção de providências decorrentes de denuncia feita à Secretaria do Estado do Meio Ambiente de São Paulo (SMA) e Ministério Público Estadual (MPE) sobre irregularidades no lixão localizado no bairro Putuverá, no município de Itapecerica, dentro da Bacia Hidrográfica da Guarapiranga. Mas somente na segunda feira 2 de junho, coincidentemente um dia após a realização da Expedição Fotográfica De Olho nos Mananciais, o lixão foi fechado.

O fechamento vinha sendo pedido há muito tempo também por entidades da sociedade civil local. A Associação dos Amigos do Bairro Ferradura dos Manacás, bairro próximo ao lixão, presenciou em março de 2006 o deslizamento de parte do maciço do lixo e pressionou para que, em 2007, a Cetesb notificasse a prefeitura a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mediado pelo MPE, para que as irregularidades fossem corrigidas. No entanto, não houve qualquer solução para o problema.

Em março de 2008 o secretário de estado de meio ambiente, Xico Graziano, visitou o lixão e declarou que, em até 90 dias, o problema estaria resolvido. A promessa foi cumprida antes do fim do prazo, que se esgotaria em 7 de junho. Agora, com o lixão fechado, os moradores do bairro vizinho, lançam uma plataforma de campanha sobre o lixo e cidadania para Itapecerica da Serra, para envolver os candidatos à prefeitura e à câmara municipal e fomentar o debate na região sobre as áreas de disposição de resíduos.

Antes desta mobilização, contudo, o lixão fora objeto de intervenção do Programa Guarapiranga e permanecera funcionando de forma irregular por anos, gerando diversos problemas ambientais e sociais na região, dentre os quais vale destacar a contaminação das águas e solo do entorno por chorume e lixo, desmatamento, assoreamento de córregos, além de incentivar a situação degradante vivida pelos catadores, muitos dos quais crianças. Em abril de 2008 o ISA chegou a apresentar ofício à Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo (veja abaixo) denunciando a situação irregular.

A visita do grupo da expedição à Itapecerica da Serra, coordenada pela fotógrafa Mônica Zarattini, consistiu em um dos roteiros realizados em 1° de junho pela Expedição Fotográfica, um projeto da Campanha De Olho nos Mananciais do ISA. A Expedição, que contou com 30 grupos coordenados por alguns dos melhores profissionais da fotografia brasileira, mobilizou mais de 2.300 pessoas para conhecer e fotografar diversos roteiros em locais específicos na região das represas Billings e Guarapiranga.

 

 

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13/06/2008

Ricos têm proposta “vaga” contra emissões

Renate Krieger
Folha de S. Paulo
Colaboração para a Folha de S.Paulo, em Bonn

Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção do Clima das Nações Unidas, exortou ontem os países industrializados a detalhar melhor suas idéias no âmbito das negociações de um novo acordo de combate aos efeitos das mudanças climáticas para substituir o protocolo de Kyoto, a partir de 2013.

Segundo De Boer, os países em desenvolvimento ainda estão esperando um sinal dos países ricos sobre o qual será sua contribuição. Muitas das posições ainda são “incrivelmente vagas”, um fato especialmente preocupante para o resultado das negociações.

“Politicamente, teremos sérios problemas se Copenhague falhar”, afirmou De Boer a jornalistas, um dia antes do fim da segunda rodada de negociações da Convenção do Clima em Bonn. O encontro termina hoje e é parte de uma série de oito reuniões que culminará com a redação do novo tratado na capital dinamarquesa, em 2009.

Para De Boer, o fator mais crítico das negociações é o financiamento de medidas para que os pobres possam lutar contra as mudanças climáticas. O combate ao aquecimento global deverá custar cerca de 150 bilhões anuais até 2030.

A conta poderia ser atenuada com o chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), através do qual países industrializados investem em projetos ambientais nos países pobres em troca de créditos de carbono. Se os ricos concordarem em reduzir suas emissões de poluentes em até 80% até a metade do século, o MDL poderia gerar cerca de 100 bilhões de dólares anuais.

Alguns dos 172 países reunidos em Bonn também consideram alterar para 2005 o ano-base dos cálculos para metas de redução do CO2. Hoje, os cientistas fazem projeções partindo dos níveis de poluição registrados em 1990. O IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) disse no ano passado que as nações desenvolvidas teriam que cortar suas emissões entre 25 e 40% até 2020 para que a temperatura média do planeta não suba mais de 2ºC.

Segundo Yvo de Boer, essa idéia era impensável até um ano atrás, mas os delegados reunidos em Bonn a consideram uma maneira de incluir os Estados Unidos, que não ratificaram o protocolo de Kyoto, num novo acordo.

Médio Prazo

Em entrevista à Folha na quarta-feira, De Boer também pediu que o G8, grupo dos sete países mais industrializados do mundo e a Rússia, restrinja suas emissões de gases de efeito estufa até 2020.

“Acho que o G8 não deveria se concentrar apenas no longo prazo (2050), mas em como estarão os níveis de suas emissões no médio prazo”, disse o holandês, questionando a relevância de metas longas para aqueles que têm interesse em usinas eólicas, por exemplo.

O Japão, país-sede da cúpula do G8 entre os dias 7 e 9 de julho, anunciou na segunda-feira que quer reduzir suas emissões de gases-estufa de 60% a 80% até o meio do século.

Na terça-feira, o presidente dos EUA, George W. Bush, afirmou durante sua visita de despedida à Europa que considera possível obter um acordo para lutar contra o aquecimento global até o final de seu mandato –se grandes economias emergentes como a Índia e a China forem incluídas na conta. Por causa dessa condição, De Boer estima que “não vai ser fácil” chegar a um consenso no âmbito do G8 (Alemanha, EUA, Reino Unido, Canadá, França, Itália e Rússia).

 

 

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10/06/2008

O isolamento do presidente

Correio Brasiliense
José Goldemberg
Professor da Universidade de São Paulo (USP)

Uma das facetas surpreendentes do presidente Lula é seu engajamento solitário na defesa do programa do álcool em foros internacionais. Em suas viagens pelo Brasil, quer anunciando obras ou benesses o presidente vive cercado de políticos, ministros e áulicos em que sua retórica tem muito sucesso. Ele cumpre bem seu papel, mas não tem revelado convicções pessoais muito fortes.

No entanto, na defesa do programa do álcool do Brasil o presidente tem revelado convicções profundas e não oportunistas ao se tornar um “cavaleiro andante” em defesa do uso dos biocombustíveis, um dos maiores programas de energia renovável do mundo. Aparentemente, ele o faz por convicção.

Biocombustíveis (tanto etanol como biodiesel) já são produzidos na Europa há muitos anos em pequenas quantidades e o seu uso como substituto dos derivados de petróleo foi saudado inicialmente como umas das soluções mais criativas da área energética nas últimas décadas. Nos últimos 10 ou 15 anos, a produção de etanol cresceu muito, sendo produzida a partir da cana-de-açúcar no Brasil e de milho nos Estados Unidos. Hoje, cerca de 3% da gasolina do mundo foi substituída por etanol. No Brasil, ele substitui 40%. O biodiesel foi apresentado como parte do programa de agricultura familiar, que poderia atrair o apoio de certos setores da “esquerda”, mas dificuldades técnicas tornaram esse programa pequeno e problemático.

O custo de produção do etanol – a partir do milho – nos Estados Unidos é o dobro do seu custo no Brasil. Na Europa, onde é feito de beterraba ou trigo, o custo é quatro vezes maior. O excelente clima do Brasil é favorável à cultura da cana-de-açúcar e 30 anos de experiência na produção de etanol o tornaram imbatível no mundo.

É evidente, portanto, que o etanol do Brasil ameaça interesses comerciais dos produtores dos Estados Unidos e da Europa, e, para impedir que penetre nessas áreas, barreiras alfandegárias foram criadas. Os ataques dos interesses comerciais ameaçados contaminaram o movimento ambientalista, cuja oposição não deve ser menosprezada.

Os ambientalistas conseguiram paralisar os programas nucleares em muitos países e quase paralisaram a construção de hidroelétricas. Seu principal argumento é que o uso de milho para produzir álcool é um dos responsáveis pelo crescimento do preço dos alimentos e, portanto, está criando fome no mundo. Sucede que o etanol do Brasil vem da cana-de-açúcar e está se expandindo em pastagens, não substituindo outras culturas. Os ataques ao Brasil se concentram também nas condições sociais dos trabalhadores que trabalham nos canaviais e no desmatamento da Amazônia, que não é conseqüência da produção de cana.

Para enfrentar esses ataques, não basta o presidente discursar em Bruxelas, em reuniões da União Européia ou em Roma, onde ele tem tido até um desempenho razoável. É preciso demolir tecnicamente esses argumentos e também conquistar os “corações e mentes” das organizações ambientais e acadêmicas que alimentam os argumentos protecionistas dos governos dos Estados Unidos, Europa e dos países produtores de petróleo.

Essa batalha não ocorre em Bruxelas e Roma, mas nas páginas das revistas científicas, como Science (americana) e Nature (inglesa), e nelas poucos são os cientistas brasileiros engajados até agora.

O presidente não se cercou, nem aparece em foros internacionais apoiado pelos seus ministros das áreas técnicas (exceto o de Relações Exteriores). Ele está só e parece ao mundo externo estar só. Ao falar de temas complexos como biocombustíveis e as diferenças entre o modelo brasileiro e o americano e europeu de produzi-los, ele não pode fazê-lo de maneira convincente.

O presidente parece ter se dado conta disso ao anunciar a realização de uma conferência científica em São Paulo, em novembro, para discutir biocombustíveis. É uma boa iniciativa, mas vem atrasada, sendo preciso fazer mais. Até agora o governo tem promovido apenas conferências chapa-branca, como a realizada em Iguaçu pelo Ministério de Minas e Energia, em que nem foram convidados os cientistas das nossas universidades e institutos de pesquisa que trabalham na área e que, portanto, não ajudaram a dissipar as restrições mundiais aos nossos programas.

 

 

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09/06/2008

Transição para energia limpa vai custar US$ 45 trilhões, diz agência

Folha de S. Paulo

Os ministros de energia do G8 já sabem o que fazer e quanto pagar para que o mundo consiga pelo menos amenizar as mudanças climáticas até 2050. O plano de vôo apresentando ontem pela IEA (Agência Internacional de Energia) defende a eficiência energética, o investimento em massa nas fontes renováveis e a estocagem de carbono. Tudo isso pela quantia de US$ 45 trilhões, um pouco mais de 1% do PIB mundial.

O setor que mais precisa alterar a sua visão de mundo, segundo o documento de mais de 600 páginas encomendado pelas grandes economias globais, é o de transportes. A mensagem é clara: o setor precisa ser bastante “descarbonizado”.

Dentro do cenário otimista, além dos biocombustíveis, um bilhão de veículos elétricos vão circular pelas ruas até 2050.

Do total estimado pela IEA, US$ 33 trilhões deverão ser investidos apenas nos meios de transporte. O segundo setor que mais vai precisar de recursos financeiros, o da construção civil – apenas para lidar com seu consumo de energia -, requer US$ 7,4 trilhões.

Após esgotadas todas as possibilidades de melhoria na eficiência energética -o grande gargalo mundial hoje-, os técnicos da IEA apostam nas chamadas energia renováveis alternativas, como o vento, a luz solar e calor do solo.

A agência internacional também defende aumento no volume de geração da polêmica energia nuclear. Até 2050, será preciso construir 30 centrais nucleares em média, de mil megawatts cada, por ano.

Enquanto a fonte nuclear seria responsável por 25% da energia em 2050, na visão da IEA, a hidrelétrica corresponderia a 50% de toda a matriz energética mundial.

Bombear gás carbônico -o principal causador do efeito estufa- no subsolo é outro caminho que terá um peso importante nas reduções das emissões de carbono. A Petrobras já tenta fazer isso de forma experimental aqui no Brasil.

A previsão da IEA é que quase 20% da diminuição do carbono atmosférico em quatro décadas poderá ocorrer por meio dessa espécie de enterro do gás carbônico.

 

 

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11/06/2008

Governo deve criar salário para cortador de cana

Jamil Chade, GENEBRA
O Estado de Saão Paulo

De olho no mercado internacional para o etanol e tentando reverter acusações de trabalho escravo no setor, o governo anuncia até o fim do mês medidas para garantir salário mínimo específico para os trabalhadores rurais no corte da cana. A iniciativa faz parte de pacote para o setor canavieiro com o objetivo de garantir melhores condições de trabalho.

O Brasil vem sendo criticado pelas violações dos direitos trabalhistas no setor e sendo acusado de ter trabalho escravo. O governo americano, a Anistia Internacional e a União Européia deixaram claro que a situação não é aceitável. “Temos a meta de expandir muito a produção de cana e já vemos que o consumo de etanol já ultrapassou o da gasolina. Como o setor vai crescer muito, temos de garantir a qualidade para os trabalhadores”, afirmou Carlos Lupi, ministro do Trabalho.

Dados da FAO (Organização para a Agricultura e Alimentação, na sigla em inglês) apontam que a produção de etanol no Brasil aumentará em mais de 130% entre 2007 e 2017 e o País será o maior exportador na próxima década. Os americanos continuarão como os maiores produtores, atingindo 52 bilhões (2017). O Brasil fica em segundo, com 40 bilhões de litros em dez anos.

 

 

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13/06/2008

Minc promete antecipar licença de hidrelétrica

Leonardo Goy e Lu Aiko Otta, Brasília
O Estado de São Paulo

Se depender dos discursos dos ministros de Minas e Energia, Edison Lobão, e do Meio Ambiente, Carlos Minc, as brigas entre os dois ministérios são coisa do passado. Numa demonstração de que pretende trabalhar em parceria com Lobão, Minc anunciou ontem que o Ibama deverá antecipar a emissão da licença de instalação da hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, permitindo o início das obras. “Trabalhávamos com a data de 31 de julho para a liberação da usina, mas nossa perspectiva é a de antecipar esse prazo em pelo menos quatro ou cinco dias.”

O anúncio foi feito por Minc após participar, no Palácio do Planalto, da solenidade de assinatura da concessão de Santo Antônio. O projeto, de 3.150 megawatts (MW), foi arrematado em dezembro passado pelo consórcio Madeira Energia S.A. O consórcio pretende iniciar as obras em Rondônia em agosto. Mas, para isso, precisa que o Ibama libere a licença de instalação da usina.

O ministro Edison Lobão aproveitou a solenidade para elogiar o colega do Meio Ambiente. “Tenho uma aliança com o Minc, que é indestrutível. Não há intriga que nos faça separar”, declarou Lobão, arrancando sorrisos do presidente Lula e da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que acompanhavam a cerimônia.

Lobão disse que a relação com a ex-ministra Marina Silva não era ruim. “Mas devo admitir que melhorou significativamente com o novo ministro, que tem visão muito próxima da minha no que diz respeito à rapidez com que as licenças devem ser examinadas.”

 

 

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13/06/2008

Energias do Brasil paga R$ 51 mi por usina eólica

Maurício Capela
Valor Econômico
Carol Carquejeiro

António Pita de Abreu, presidente do grupo, diz que espera do governo a realização de leilão específico para essa fonte

António Pita de Abreu, presidente do grupo, diz que espera do governo a realização de leilão específico para essa fonte

Há pouco mais de um ano que a Energias do Brasil andava de olho na Central Nacional da Energia Elétrica (Cenaeel). Uma das pioneiras na geração de energia a partir da força dos ventos no país, a Cenaeel virou alvo da controlada do grupo português EDP, depois que a companhia colocou na sua lista global de prioridades a produção de energia a partir das fontes renováveis. E essa aproximação deu negócio. Por R$ 51 milhões, a multinacional arrematou a Cenaeel, herdando dois parques eólicos e uma carteira de 70 megawatts (MW) em projetos desse tipo de energia.

António Pita de Abreu, diretor-presidente da Energias do Brasil, conta que os dois projetos, localizados em Santa Catarina, são capazes de gerar 14 MW. E a energia de um deles foi negociada com o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) e outro tem contrato com a distribuidora do insumo no estado, a Celesc.

Agora, o desafio da companhia é tirar do papel os 70 MW, que também estão localizados em Santa Catarina. E nesse caso não é só manter os estudos. É também preciso fazer contas, já que colocar em funcionamento cada megawatt desse tipo de geração demanda perto de R$ 4 milhões. Ou seja, se o montante total for posto de pé, a companhia deverá desembolsar perto de R$ 280 milhões.

Mas por ora a Energias do Brasil dará seqüência ao planejamento. Manterá a prospecção e as negociações para o arrendamento das terras necessárias à produção do insumo, apesar disso não significar que o potencial vai virar realidade. Segundo o presidente da Energias do Brasil, as usinas somente sairão do papel se um novo Proinfa for colocado em prática ou se o governo federal fizer um leilão específico para energia eólica. “Construir um parque eólico é rápido. Demora um ano. Não é problema”, conta.

A julgar pelos números disponíveis no mercado, é certo que a eólica precisa mesmo de um leilão próprio, já que gerar o insumo a partir da força dos ventos é mais caro do que uma usina hídrica ou térmica. “O megawatt/hora (MWh) precisa ser vendido a R$ 200 para remunerar o investimento”, afirma Pita de Abreu. No Proinfa, a eólica costumava sair acima desse valor, enquanto que em leilões de hidrelétricas, o preço-teto estabelecido nos leilões não ultrapassa os R$ 126 por MWh.

A entrada da multinacional portuguesa no negócio eólico no Brasil é reflexo de sua postura global. A empresa, que recentemente fez uma oferta pública de ações da sua controlada EDP Renováveis e arrecadou ? 1,8 bilhão por 25% da companhia, resolveu acomodar sua incursão nesse tipo de energia no país na subsidiária EDP Renováveis Brasil.

Hoje, a EDP é a quarta maior geradora de energia eólica do mundo. Tem sob sua responsabilidade 2,9 gigawatts (GW), sendo que a primeira colocada é a espanhola Iberdrola, com 6,9 GW.

Mas o crescimento da fonte eólica no mundo não se dá apenas pelo aumento do preço do petróleo ou pela necessidade em reduzir o aquecimento global. Ela tem ganhado espaço porque sua tecnologia de produção ficou mais barata. Dados da Associação Mundial de Energia Eólica, por exemplo, mostram que a capacidade global instalada desse tipo de insumo cresceu 26,6% no ano passado, fechando em 93,8 GW. E a expectativa é que a geração mundial de energia eólica alcance 170 GW em 2010.

No Brasil, contudo, a geração a partir da força dos ventos ainda é pequena. Hoje, a capacidade instalada é próxima dos 247,1 MW, o que dá ao país o 25º lugar no ranking da associação, cujo levantamento engloba 74 países.

Miguel Setas, vice-presidente de comercialização da Energias do Brasil, acredita que o país deverá acrescentar 149 MW neste ano, o que representaria um crescimento de quase 66%. E poderia ser até maior. O Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, elaborado pela consultoria Camargo -Schubert para o Ministério de Minas e Energia em 2001, aponta um potencial de 143,4 GW, distribuídos pelas cinco regiões do Brasil. E isso equivale a cerca de dez usinas hidrelétricas de Itaipu.

 

 

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13/06/2008

A estratégia das políticas de desenvolvimento

Antonio Corrêa de Lacerda
Valor Econômico

Os países hoje desenvolvidos se utilizaram dessas políticas para chegarem onde estão

O anúncio da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) tem gerado um interessante debate sobre o espaço e o papel das políticas de desenvolvimento na atual fase da economia mundial. As críticas à iniciativa ocorrem em dois sentidos. A primeira, de cunho mais liberal, daqueles que não vêem sentido e espaço para iniciativas do Estado, por acreditarem que o mercado possa dar conta do desafio. A segunda, daqueles que consideram que, com a globalização da economia, não é mais possível adotar ações de política industrial, que teriam se tornado “coisa do passado”.

Como se os países hoje desenvolvidos não tivessem utilizado para chegarem onde estão. Ou mesmo a experiência dos países em desenvolvimento bem-sucedidos que não sucumbiram ao “canto da sereia” do neoliberalismo e mantiveram a proatividade do Estado em beneficio do desenvolvimento. Quem tiver qualquer dúvida a esse respeito pode consultar o excelente “Chutando a Escada: A Estratégia do Desenvolvimento em Perspectiva Histórica” (Editora Unesp, 2004), do sul-coreano professor de Cambrige Jo Haan Chang.

A globalização da economia criou um mito de que as políticas industriais se tornariam desnecessárias. A prática tem demonstrado que as políticas de competitividade se mostram imprescindíveis. O que mudou é que ficou mais complexo fazê-la. Mas, apesar de mais difícil, o pior dos mundos é não tê-la. Para o Brasil, é fundamental fortalecer e criar novas vantagens competitivas e toda iniciativa a esse respeito deve ser apoiada. A PDP não é, como pode parecer a alguns, uma ajuda a setores da indústria. Quem ganha efetivamente é o país, ao favorecer o desenvolvimento.

Portanto, é pouco embasada a critica aos subsídios contidos na iniciativa, porque, na verdade, ao desonerar investimentos e a produção, na prática o governo só estará adiando uma receita tributária posterior adicional, que virá via produção, consumo e impostos sobre a renda de salários e lucros.

Ao assumi-la efetivamente com uma política de governo e não apenas de um ministério, ou um único órgão, cria-se boas condições para dirimir eventuais divergências, o que no passado recente sempre foi fator de empecilho. Portanto, garantir o comprometimento de todos os ministérios e órgãos governamentais diretamente envolvidos (MDIC, MCT, Minifaz, BNDES, ABDI, etc), com os objetivos estabelecidos é um importante ponto de saída e fator de sucesso.

O próximo passo será agilizar o detalhamento e a regulamentação da PDP para viabilizar a sua efetiva implementação. Também é importante criar mecanismos de acompanhamento e mensuração, dentre os objetivos traçados e os resultados alcançados – inclusive no que se refere aos prazos. Como houve abertura para o diálogo anterior com os setores e suas principais entidades representativas envolvidas, o escopo da proposta contempla o cerne das demandas industriais.

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A PDP não substitui câmbio, juros, tributos e burocracia, itens em que estamos na contramão de tudo
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Trata-se, portanto, de um muito claro diagnóstico e excelente guia de iniciativas. Também é preciso entender a política industrial como mais um dos fatores de sucesso, mas que não substitui a necessidade de condições sistêmicas isonômicas relativamente aos principais países concorrentes (câmbio, juros, tributos, burocracia, etc.). Ou seja, se é que se faz necessário ser mais explícito nesse ponto, no que se refere aos itens citados estamos exatamente na contramão de tudo que possa melhorar a competitividade.

No que se refere à infra-estrutura e à ampliação da capacidade produtiva, da mesma forma, vai ser fundamental alavancar os investimentos (além do PAC) para atingir a meta necessária de 21% da relação investimento/PIB, imprescindível para suportar o crescimento econômico sustentado de 5% ou mais, ao ano. Para isso, há alguns desafios em pauta.

O primeiro, que veio junto com a globalização nas últimas duas décadas, foi o crescimento do comércio internacional, motivado pela redução das alíquotas de importação, os acordos regionais e bilaterais de comércio, a formação de blocos. A corrente de comércio mundial praticamente dobrou nos últimos dez anos, atingindo a fantástica cifra de US$ 26 trilhões ao ano.

O segundo desafio é o da internacionalização das economias. A liquidez mundial e o crescimento do mercado de capitais propiciaram a viabilização das estratégias de expansão das empresas transnacionais. Via fusões e aquisições no exterior, ou novos projetos, essas empresas adquiriram um papel sem precedentes na economia mundial, respondendo por 40% da produção industrial e mais de 60% das exportações.

O terceiro desafio é decorrente do espetacular avanço tecnológico que encurtou a vida útil dos produtos e impulsionou as inovações. Estados nacionais e empresas perceberam a necessidade dos elevados investimentos em pesquisa e desenvolvimento para suportar a necessidade de crescentes inovações, que representam hoje a grande fator de competitividade. Há empresas inovadoras globais, que chegam a investir até 10% do seu faturamento em novas pesquisas.

O Brasil se industrializou ao longo do século XX. Foi uma longa luta para vencer os desafios pós-segunda revolução industrial e sair de uma atividade agrária para a indústria. O modelo de substituição de importações propiciou a formação de uma indústria diversificada. Nos anos 1990, a intensificação da abertura comercial da economia impôs um novo desafio. A estabilização inflacionária, por outro lado deixou parte da cadeia produtiva vulnerável, especialmente a indústria de transformação. A adesão unilateral a um liberalismo tardio nos fez perder a idéia de projeto nacional.

O uso da taxa de câmbio como instrumento de estabilização desarticulou a estrutura de preços relativos da economia e amplificou o problema da competitividade. Urge tomar medidas para ampliar os investimentos e modernizar o tecido industrial brasileiro. É preciso fortalecer os setores nos quais já possuímos vantagens competitivas e construir novas competências em setores. Há muito a se fazer para estimular a inovação e modernização das empresas brasileiras. Da mesma forma, é possível influenciar as estratégias das empresas transnacionais já em operação no Brasil para fortalecê-las na cadeia produtiva internacional. Também é importante estabelecer ações para atrair novos investimentos, especialmente em áreas nas quais temos evidentes debilidades, assim como privilegiar atividades que agreguem valor localmente e que possam promover saltos qualitativos em exportações nas áreas mais dinâmicas do comércio internacional.

Antonio Corrêa de Lacerda é doutor em economia pela UNICAMP e professor-doutor da PUC-SP. Foi presidente da Sobeet e do Cofecon e integra o Conselho Superior de Economia da FIESP e o Conselho Temático de Política Econômica da CNI. Publicou, entre outros, “Globalização e Investimento Estrangeiro no Brasil”

 

 

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13/06/2008

Metais em alta abrem temporada para fusões e aquisições

Gazeta Mercantil (Bloomberg News)

LONDRES, 13 de junho de 2008 – Os metais são a nova moeda forte de Wall Street, após as empresas de mineração terem substituído as do setor de serviços financeiros e se transformado na maior fonte na área de fusões e aquisições. O valor das aquisições anunciadas para o setor de mineração nos últimos tempos mais do que triplicou, passando a US$ 199 bilhões, nos primeiros cinco meses de 2008 em relação ao mesmo período de 2007, apesar de o ritmo mundial de fusões e compras ter recuado 37%, segundo mostram dados compilados pela agência Bloomberg News.

As empresas de serviços financeiros, que vinham sendo as maiores propulsoras das taxas de fusão nos últimos dois anos, informaram US$ 173,5 bilhões em transações nos primeiros cinco meses de 2008. Essa é a primeira vez que as fusões do setor de mineração encabeçam o ranking de fusões e aquisições desde que a Bloomberg começou a compilar esse tipo de informação, no ano de 1998.

“Nós entramos na era das commodities”, disse Carl Hughes, sócio da Deloitte & Touche LLP em Londres, que supervisiona o setor de energia e recursos da empresa. “Claramente há um grande número de empresas de mineração apenas gerando dinheiro e lucros como se não houvesse amanhã”, comentou o especialista.

Uma transação no valor de US$ 100 bilhões é uma “possibilidade iminente”, disse Shaun Treacy, que dirige o grupo mundial de metais e mineração do Lehman Brothers Holdings Inc. a partir de Londres. Essa quantia viria a se somar à oferta não-solicitada da BHP Billiton Ltd., no valor de US$ 147 bilhões, apresentada este ano pelo Rio Tinto Group, na maior transação mundial já realizada pelo setor de mineração.

“A corrida por recursos valiosos, de alta qualidade e escassos está armada”, disse Treacy. “Há boatos circulando a respeito de várias transações, pois continua a haver um apetite significativo neste mercado”, afirmou o especialista à Bloomberg.

Alvos Potenciais

O aumento nas aquisições nos últimos tempos está ocorrendo em um momento em que as empresas concorrem por ativos minerais muito escassos e à medida que a alta dos custos torna mais barata a compra de concorrentes do que o desenvolvimento de novas minas produtivas.

“Eu não ficaria surpreso em presenciar meganegócios nos próximos seis meses, quer sejam transações de US$ 20 bilhões a US$ 50 bilhões ou até mais”, disse Tim Goldsmith, sócio do setor de mineração da PricewaterhouseCooper’’s localizado em Melbourne, na Austrália.

“Há um desejo mundial para abocanhar quaisquer recursos que estejam disponíveis, pois eles são escassos no mundo. Prevemos bons tempos pela frente”, afirmou o analista.
A Freeport-McMoRan Copper & Gold Inc., a segunda maior produtora mundial de cobre, a Alcoa Inc., terceira maior produtora de alumínio, e a Southern Copper Corp., do Grupo Mexico SAB, estão entre os possíveis alvos de aquisições futuros, disseram os executivos do setor bancário. Isso porque essas empresas detêm um valor de mercado conjunto de aproximadamente US$ 112 bilhões. Altos funcionários das três empresas, entretanto, recusaram-se a fazer comentários sobre o assunto.

A Companhia Vale do Rio Doce (Vale), produtora brasileira de minério de ferro que retirou sua oferta de compra pela Xstrata Plc, disse no último dia 10 que poderá fazer uma emissão de cerca de US$ 15 bilhões em ações para realizar obter recursos para novas compras.

 

O século do meio ambiente

9/06/08

Análise Fator:

Tempos atrás, meio ambiente era discutido mais intensamente apenas na semana do Dia do Meio Ambiente. Passada essa data, ninguém mais se lembrava do assunto, só no ano seguinte. Hoje é diferente. Questões ambientais estão no centro das decisões estratégicas das nações e das empresas (e em breve das famílias).

Nunca se falou tanto em meio ambiente e isso é um bom sinal. O mundo finalmente absorveu a consciência de que a natureza é uma fonte esgotável de recursos e o aquecimento global uma realidade que trará sérios prejuízos à economia mundial. O mundo está vigilante e cobrando resultados tanto dos governantes quanto das empresas.

Vivemos o Século do Meio Ambiente.

O mundo também despertou para as oportunidades. Nunca se lucrou tanto com produtos de sustentabilidade, em todos os setores: energia, construção, água, saneamento ambiental, comunicação. E isso é só o começo de um novo mercado de produtos com Valor Ambiental Agregado – anunciado já algum tempo – e que não parece voltar a trás, só tende a crescer.

Destaque especial para a matéria “Braskem busca parceiro para carro verde”. É um ótimo exemplo de como a indústria petroquímica procura encontrar o caminho da Sustentabilidade, em meio a problemas de suprimento de gás, disparada do petróleo e discussão sobre aquecimento global. Vejam também o case do sistema flex fuel no Brasil, outro grande exemplo de como lucrar com os novos produtos verdes.

Por Marcos Redondo, diretor-executivo da Fator Ambiental

 

04/06/2008

Braskem busca parceiro para ‘carro verde’

Murillo Camarotto (colaboração de Marli Olmos)
Valor Econômico

Às vésperas de anunciar o endereço de sua nova fábrica de “polietileno verde”, produzido a partir do etanol, a Braskem busca entre as montadoras de automóveis uma parceria para o fornecimento em escala dessa resina. Segundo o diretor de Relações Institucionais da empresa, Marcelo Lyra, a idéia inicial é que seja criada uma linha especial de veículos, cujas peças de plástico tradicional, de origem fóssil, seriam substituídas pelo plástico verde.

Os planos, entretanto, não param por aí. Mais adiante, a Braskem quer propor à indústria automobilística a troca do metal pelo plástico verde em uma série de peças, como tanque de combustível, duto de admissão do tanque, pára-sol, entre outras. O passo seguinte, segundo Lyra, seria o desenvolvimento de uma resina verde específica para a fabricação de portas, capô, porta-malas e pára-choques. No entanto, para este segundo caso, seria necessário um projeto de carro específico, esclareceu o executivo.

E as montadoras parecem estar animadas com as novas possibilidades. O especialista em materiais da SAE Brasil (entidade que representa os engenheiros da indústria automotiva), José Barbosa, afirma que o setor já tem estudos avançados sobre o aumento da utilização do plástico nos automóveis. Ele citou aplicações além das mencionadas pelo executivo da Braskem, como engrenagens, tampa de cabeçote, tampa de cárter, barras de torção, molas helicodais e molas semi-elípticas.

Também garantiu que as montadoras já examinam a utilização do plástico na fabricação de portas, capô e porta-malas. Segundo ele, testes deste tipo já foram realizados e os resultados “foram muito bons”. Barbosa disse que, hoje em dia, o custo de produção do plástico fóssil, diretamente atrelado ao preço do petróleo, ainda torna a utilização na cadeia automotiva pouco interessante. Porém, a chegada da resina verde poderia ajudar a equilibrar essa equação, segundo ele.

Atualmente, alguns automóveis já contam com pára-choques e pára-lamas revestidos em plástico, porém com uma estrutura de aço por trás, chamada de “alma”. O especialista acredita, no entanto, que entre 2012 e 2013 essas peças já poderão ser totalmente de plástico.

No último final de semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva circulou pela Europa carregando a tiracolo um carrinho produzido com plástico verde da Braskem. Segundo Lyra, a idéia do presidente é promover o etanol por meio de um objeto que simboliza as diversas possibilidades de aplicação do produto, desde o uso como combustível até a fabricação de peças de automóveis.

O executivo informou ainda que as primeiras substituições do plástico comum poderiam começar já em 2010, quando a fábrica da Braskem inicia a produção de 200 mil toneladas anuais da resina verde. Lyra adiantou ao Valor Online que o endereço da nova unidade deverá ser anunciado ainda nesta semana. Estão no páreo os Estados da Bahia e do Rio Grande do Sul, onde ficam os pólos da companhia.

É consenso entre Lyra e Barbosa que a grande vantagem do uso de peças plásticas nos automóveis é a redução do peso dos veículos, que resulta em menor consumo de combustível e emissão de poluentes. O especialista da SAE Brasil, entretanto, faz questão de salientar a necessidade de que o plástico a ser utilizado nos veículos possa ser reciclado. “Se não for dessa forma, cai por terra todo o apelo ambiental dessa utilização”, afirmou Barbosa.

 

05/06/2008

Estrela usa plástico de etanol da Braskem

Murillo Camarotto
Valor Econômico

No dia em que apresentou uma versão ecológica do jogo Banco Imobiliário, a fabricante de brinquedos Estrela anunciou a intenção de usar a bandeira da sustentabilidade como chamariz para sua estratégia de voltar à liderança do mercado brasileiro. Seu presidente, Carlos Tilkian, disse ontem ontem que a idéia é migrar todo o consumo de plástico da empresa para as resinas verdes, produzidas a partir do etanol.

Porém, isso só poderá começar a acontecer após 2010, ano em que a Braskem, parceira no lançamento do jogo e fornecedora de grande parte do plástico tradicional consumido pela Estrela, iniciará a produção de 200 mil toneladas anuais da resina verde. Ainda assim, a migração só deve ganhar corpo a partir de 2011, quando estiver definida a estratégia da Braskem para o produto.

Na nova versão do Banco Imobiliário, as peças plásticas são produzidas a partir do polietileno verde, o tabuleiro é feito de papel reciclável e a temática do jogo é outra. Ao invés de logradouros valiosos, pode-se comprar, por exemplo, reservas florestais, cachoeiras e empresas de produção de biodiesel. Uma primeira leva do jogo, de 10 mil unidades, estará à venda a partir de 1º de julho, somente nas lojas do Wal-Mart. Segundo Tilkian, a parceria foi fechada com vistas à exportação futura, especialmente à Europa, “onde o apelo da sustentabilidade tem grande valor”.

A Estrela começou a ter dificuldades na década de 1990, quando o processo de abertura do mercado atingiu a indústria de brinquedos. Em 2005, acabou fechando duas fábricas. Para voltar a brigar pela liderança, a Estrela vai investir neste ano R$ 20 milhões em divulgação e R$ 12 milhões em desenvolvimento de produtos. Para 2008, a empresa espera expansão de 40% no faturamento, que fechou 2007 em R$ 100 milhões.

 

05/06/2008

O sistema flex fuel reduz emissão de CO2

Sonia Moraes
Gazeta Mercantil

A indústria automobilística já deu um grande passo para garantir a proteção do meio ambiente, com a produção da tecnologia flex fuel, que permite usar no mesmo tanque de combustível álcool e gasolina. Desde 2003, quando foi lançado no Brasil o sistema biocombustível de injeção, já temos na frota total de veículos que circulam pelo País mais de 5 milhões de carros flex fuel. “Em 2012 serão 15 milhões de veículos com o sistema flex de injeção”, prevê Silvério Bonfiglioli, presidente e CEO da Magneti Marelli na América do Sul e do Norte, empresa do grupo Fiat.

“Cada carro que circula com sistema flex reduz entre 12% e 14% o índice de emissões de CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera, um dos principais causadores do efeito estufa. Isso quer dizer que, em média 1 milhão de carros flex emitem 850 mil toneladas a menos de CO2 em relação ao modelo que roda com gasolina”, diz Bonfiglioli.

“Isso é muito vantajoso para o Brasil, não só em relação à qualidade do meio ambiente, mas em negócios, pois com a expansão da frota de automóveis e comerciais leves flex fuel do País acumulará grande índice de redução de emissões de CO2 e poderá comercializar o seu crédito de carbono com outros países, conforme prevê o Protocolo de Kyoto.

Atualmente uma tonelada de CO2 equivale de € 18 a € 20. “Antes o valor era inexpressivo”, diz Bonfiglioli. Ele destacou que de 1975 – quando foi lançado o Proálcool – até 2006 a utilização do álcool pelos veículos brasileiros evitou a emissão de 644 milhões de toneladas de CO2 e o Brasil economizou US$ 52 bilhões com petróleo.

No encontro das nações, que será realizado em Estocolmo em 2009, serão definidas as regras mundiais mais claras para o limite de emissões de CO2, segundo Bonfiglioli. “Se os países europeus atingirem o nível máximo de emissões de poluentes, poderão comprar crédito de carbono das empresas brasileiras”.

Bonfiglioli destacou que a nova unidade da Magneti Marelli, que está sendo construída em Hortolândia (SP) utiliza mais recursos que preservam o meio ambiente, como o material reciclável e energia solar. Nesta fábrica serão produzidos a nova geração de bicos injetores. A principal função deste componente é melhorar o desempenho dos motores flex fuel, reduzindo em até 7,8% o consumo de combustível. Também será fabricado o Ethanol Cold System, sistema que elimina o uso do reservatório de gasolina para partida a frio, nos carros com motor flex. “Até o final de 2009 ,completamos a produção dos novos sistemas para iniciar a produção da terceira geração do sistema flex, que permitirá aos veículos emitir um índice ainda menor de poluentes, em relação aos modelos atuais. Também ajudará a reduzir o consumo e melhorar a dirigibilidade nos dias frios. Hoje a Magneti Marelli tem 47% de participação nos carros flex no Brasil.

 

05/06/2008

Empresas tentam emitir menos CO2

Margareth Boarini, para o Valor, de São Paulo

Progresso causa poluição. Nas dez localidades mais poluídas do mundo, a atividade econômica é que está por trás das densas nuvens de dióxido de carbono ou outros gases de efeito estufa, segundo pesquisa do Blacksmith Institute, dos EUA. Mas algumas empresas já estão fazendo sua parte para diminuir o impacto de sua produção. Transportadoras terceirizadas que atendem o Sistema Integrado Martins, por exemplo, já receberam do atacadista notificação alertando para as emissões acima do permitido por algum caminhão de sua frota. De 2004 para cá, o Martins enviou mais de quarenta cartas com este “puxão de orelha”. Os resultados positivos começaram a aparecer e a receptividade ficou mais expressiva.

O Sistema Integrado Martins decidiu investir na redução da emissão de CO2 a partir de 2004, motivado tanto pela redução nos custos com combustível como para contribuir para a qualidade do ar. O atacadista mineiro definiu uma estratégia que incluía desde a substituição gradual da frota por caminhões eletrônicos, que emitem até 30% menos dióxido de carbono, até uma campanha de conscientização dos motoristas que trabalham para a companhia. Até março de 2009 toda a frota própria de 1.200 caminhões deverá ser totalmente renovada. “O tema meio ambiente ganhou destaque nos treinamentos desses funcionários”, afirma Marcos Amaral, gerente de frota e transferência.

Restrita a pouquíssimas empresas até alguns anos atrás, a preocupação com o meio ambiente e com a redução na emissão de gases causadores do efeito estufa vem conquistando paulatinamente mais espaço na pauta estratégica das grandes companhias em razão do aquecimento global. As pequenas e médias ainda não aderiram por completo, mas esta é uma prática que não deve demorar a acontecer. “A preocupação com a mudança climática é inevitável. Ou se embarca nessa ou se será atropelado”, define Carlos Henrique Delpupo, diretor do Instituto Totum.

Otimista, o especialista em meio ambiente afirma que esta é uma questão que traz mais oportunidades que riscos.

Os créditos de carbono, diz, são a parte mais palpável dessa oportunidade, mas não se deve esquecer que a boa prática com relação ao meio ambiente proporciona uma série de benefícios, como a melhoria na reputação da empresa, da valorização de sua marca, num melhor posicionamento frente aos concorrentes e na possibilidade de participar de inúmeros outros negócios. “As grandes empresas já têm áreas estruturadas, com gestores próprios, e passaram a tratar o tema dentro da governança corporativa, das decisões estratégicas. É um processo complexo, mas certamente chegará às médias e pequenas também”, diz.

A Celulose Irani foi a primeira empresa brasileira a receber a certificação ISO 14.064, que estabelece um inventário de emissões de gases de efeito estufa, obtida no início deste ano. Esse inventário é uma arma importante na batalha contra a redução do gás porque permite o mapeamento eficaz e completo das emissões e permite o desenvolvimento de oportunidades de investimentos em projetos baseados no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).

“O investimento na gestão ambiental é importante porque, antes de tudo, protege a natureza, com a necessidade de criar inovações para gerar eficiência e otimizar o uso de recursos naturais. Além disso, com a redução do impacto ambiental, o negócio ganha com a redução de custos operacionais”, afirma Odivan Carlos Cagnin, diretor administrativo-financeiro e de relações com investidores.

A Unilever no Brasil, terceira maior operação do grupo entre os cem países em que está presente, aposta na área ambiental desde os anos 90, com melhorias em diversas etapas da produção. Por isso, quando, no começo dos anos 2000, a matriz estabeleceu a meta mundial de registrar a marca de 25% na redução de CO2 até 2012, as mudanças não demoraram a ganhar projeção maior internamente. A queda na emissão de CO2 por aqui, contabilizando o período de 2004 a 2007, bateu em 56%. “Várias ações contempladas num projeto de longo prazo motivaram nosso resultado”, diz Juliana Nunes, diretora de assuntos corporativos da companhia.

Além de concentrar-se no monitoramento da área de transporte e logística, com a otimização no carregamento de cargas, a Unilever apostou em alterações na forma de embalar alguns produtos, ora com uso de menor quantidade de plástico, ora com substituição do tipo de papel usado para fabricar as embalagens.

Um dos xampus produzidos pela empresa, por exemplo, teve eliminado de sua embalagem um detalhe de plástico. Menos matéria-prima, peso menor, maior capacidade de acomodação durante o transporte geraram uma redução de duas vezes e meia na emissão de CO2.

A utilização de biomassa em sete das 12 fábricas da companhia também foi outro fator decisivo para atenuar o impacto ambiental. “Podem parecer números pequenos, mas se somarmos todas as ações, o resultado é muito positivo”, ressalta Juliana.

Energia proveniente da biomassa é um dos recursos usados também pela AmBev. Até 2003, 100% dos combustíveis empregados pelas fábricas da empresa eram fósseis. Do começo tímido em 2004, quando apenas 1% de biomassa era utilizada, a empresa fechou 2007 com uma matriz energética distribuída por 34% de biomassa, 12% de óleo BPS (o mais poluente) e 54% de gás natural. “Sete plantas nossas já usam a biomassa e outra deve passar a utilizar até o final do ano”, informa Beatriz Botelho de Oliveira, gerente corporativa de meio ambiente da empresa.

Por conta desta e outras iniciativas, a redução no índice de emissão de CO2 na atmosfera obtido pela Ambev nos últimos cinco anos ficou em 33%, e o Brasil tornou-se benchmarking para outras filiais do grupo Inbev no mundo.

Um ano e meio atrás, a subsidiária brasileira da Avon decidiu que era hora de estruturar uma área para contemplar mais de perto a questão do meio ambiente, com o apoio de todos os demais departamentos da companhia. A primeira iniciativa aconteceu com a área de transportes, através da reengenharia das rotas de distribuição de cosméticos e a ampliação da estação de tratamento de efluentes para a reutilização de água na fábrica da empresa, localizada no bairro de Interlagos (SP).

Segundo Waltencyr Peixoto, gerente de segurança, saúde no trabalho e meio ambiente da Avon, a reestruturação logística do uso da malha rodoviária, com otimização de rotas, deve gerar, até abril de 2009, uma redução de três milhões de quilômetros percorridos por veículos para a entrega de produtos.

 

 

04/06/2008

BID ainda espera relatório da Cetesb sobre segunda fase do Projeto Tietê

Samantha Maia
Valor Econômico

A Cetesb, a agência ambiental paulista, deverá publicar este mês o relatório de acompanhamento da emissão de efluentes industriais das 290 empresas que deveriam ter entrado no monitoramento da segunda fase do Projeto Tietê. A agência ainda não publicou o relatório referente a este monitoramento para o ano de 2007, situação que, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), financiador do projeto, caracteriza um descumprimento do contrato. A agência, contudo, se comprometeu, em conjunto com a Sabesp, a resolver o problema antes do fim da segunda fase do programa, em julho.

Essa é hoje a única pendência contratual relacionada ao trabalho de despoluição dos rio Tietê, Pinheiros e afluentes, empreendimento que ainda se mostra longe de chegar à meta de limpeza efetiva das águas.

A entrada de novas empresas no monitoramento do Projeto Tietê foi prevista no contrato de financiamento da fase 2, medida importante para fortalecer a redução do lançamento de carga inorgânica (metais pesados) nos rios. Até o fim do ano passado, porém, segundo informações da Cetesb ao Valor, isso não tinha sido feito. A informação era de que a agência não tinha conseguido chegar a um acordo com a Sabesp sobre quais indústrias deveriam integrar a nova lista e que por isso o trabalho
havia sido abandonado.

Esse impasse entre as duas companhias subordinadas ao governo estadual não foi informado ao BID, que emprestou US$ 400 milhões para a fase 2 do projeto. A não publicação do relatório sobre os trabalhos realizados em 2007, no entanto, foi reclamada pelo banco. No último documento publicado no site da agência, de 2006, apenas é citada a continuidade do monitoramento de 607 empresas iniciado na fase 1 (1992 a 1998).

O BID não informa que implicações o descumprimento dessa cláusula pode ter sobre a negociação do financiamento da próxima fase do projeto – que está sendo discutido com a Sabesp e envolve cerca de US$ 1 bilhão. Patrício Naveas, especialista em saneamento do banco explica, porém, que o cumprimento das cláusulas é levado em conta na hora de aprovar um novo financiamento. “Dependendo da relevância do descumprimento, o banco poderia chegar a não aprovar o financiamento.”

Ao ser questionado diretamente sobre a relevância desse monitoramento, Naveas afirmou apenas que a Cetesb e a Sabesp expressaram à instituição que estão empenhando esforços para cumprir a cláusula. “Assim, esperamos que o problema seja resolvido antes da finalização da segunda etapa do programa.”

Na primeira fase, 1.250 indústrias foram monitoradas, as maiores poluidoras da região. Juntas, lançavam em 1992, 4,7 toneladas por dia de metais pesados no rio, índice que caiu para 0,44 ton/dia em 2006. A fiscalização foi mantida, mas a menor poluição também ocorre porque das 1.250 empresas, só 607 continuam na região. A outra metade fechou ou mudou.

A Cetesb não informa o seu plano para recuperar o tempo perdido até o fim do ano passado em relação a esse trabalho. Segundo a Sabesp, no entanto, deverão ser utilizadas informações de empresas que, apesar de não terem sido incorporadas ao programa, aderiram ao Sistema de Esgotamento Sanitário no período de 2002 até este ano, e que por isso têm seus efluentes monitorados pela Cetesb. O contrato de financiamento destinou US$ 5 milhões para o trabalho de inclusão de novas empresas na fiscalização, recursos destinados a outras obras do projeto.

“A Sabesp e a Cetesb têm trabalhado no sentido de ampliar os seus controles e os resultados dos trabalhos deverão ser oficialmente apresentados ao BID até o término desta etapa do projeto, bem como disponibilizado para conhecimento público no site das companhias, conforme acordado com o banco”, diz André Ferreira, gerente do departamento de planejamento e Controle da Sabesp.

A expectativa é de que o relatório do BID referente aos resultados da fase 2 seja finalizado em setembro ou outubro. Diferentemente do ocorrido na fase 1, o novo relatório será divulgado ao público, devido a uma mudança de política do banco. O financiamento da fase 3 já está sendo negociado entre a instituição e a Sabesp. A expectativa da empresa é conseguir iniciar a nova fase no ano que vem. Entre a primeira e a segunda fase houve um intervalo de quatro anos.

Lançado como o maior programa de saneamento de São Paulo, em 1992, o Projeto Tietê termina sua segunda fase após 15 anos e US$ 1,5 bilhão investidos em redes de coleta de esgoto e estações de tratamento. O empreendimento conseguiu reduzir a mancha de poluição de 300 quilômetros para 180 quilômetros, mas o índice de apenas 37% de tratamento de esgoto na Região Metropolitana de São Paulo, segundo dados da Cetesb, ainda não é suficiente para reduzir expressivamente a poluição das águas. Estima-se que hoje, a cada segundo, cerca de 33 mil litros de esgoto desaguam no rio.

 

 

05/06/2008

Energias renováveis têm muito espaço para crescer

Roberto Rockmann
Valor Econômico

Anna Carolina Negri / Valor

Jank: investidor de olho em países que buscam reduzir dependência do petróleo

Jank: investidor de olho em países que buscam reduzir dependência do petróleo

A disparada do preço do petróleo e as discussões sobre o aquecimento global têm colocado as energias limpas nas agendas de países e empresas do mundo inteiro. A geração de energia pela força do sol, do vento, da biomassa e as centrais hidrelétricas vêm ganhando espaço, enquanto indústrias vêm investindo em eficiência e redução do consumo, como forma de minimizar os impactos sobre o meio ambiente. O mercado de energia eólica e solar tem crescido mais de 20% ao ano nos últimos cinco anos. Divulgado no fim de maio, relatório do Greenpeace estima que o mercado de energias renováveis tenha movimentado US$ 75 bilhões em 2007 – um volume 70% superior aos US$ 45 bilhões apurados dois anos antes.

Apesar do vigoroso crescimento, as energias limpas ainda representam uma pequena parcela da matriz energética mundial. Dados da Renewables 2007 Global Status, estudo elaborado pela Rede de Energias Renováveis, uma aliança internacional de pesquisas no setor, indica que as energias limpas representam apenas 5% da capacidade energética do mundo.

Nesse cenário, o Brasil poderá desempenhar um papel relevante no mundo, fornecendo para diversos países os biocombustíveis e o etanol – as duas maiores apostas de especialistas para a redução da dependência de combustíveis fósseis.

A matriz energética do Brasil, sustentada pelo consumo de álcool nos veículos e pela geração de energia por usinas hidrelétricas, tem cerca 50% de sua capacidade formada por fontes renováveis. Um cenário completamente diferente do visto em outros países: 13% das matrizes energéticas do mundo, em média, vêm de fontes limpas. Nos países mais ricos do mundo, os números são ainda menores: apenas 6% da energia usada se origina de fontes renováveis.

“A matriz brasileira é um grande destaque no mundo e todos desejariam ter uma semelhante”, afirma Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), órgão de planejamento estatal do setor de energia. “Com a maior participação da cana-de-açúcar, teremos uma posição bastante diferenciada. Hoje a energia limpa é uma obsessão em muitos países”, diz. Com o aumento do consumo de álcool nos veículos, a cana perde hoje apenas para o petróleo na matriz energética brasileira, mas fica à frente até das usinas hidrelétricas.

No Brasil, estimativas informais de mercado apontam que mais de US$ 25 bilhões possam ser investidos nos próximos anos em fontes renováveis de energia, sendo que mais de 50% virá do setor de etanol e biocombustíveis. Usinas estão sendo erguidas no Centro-Sul do país por grupos nacionais e estrangeiros de olho em países que estão buscando reduzir a dependência de derivados de petróleo.

Um exemplo dessas iniciativas é o Japão, que está implementando um plano que prevê o uso de biocombustíveis como um dos meios de reduzir em até 6% nos próximos cinco anos os gases que causam o efeito estufa. Outro exemplo é a Suécia, país onde mais de 30% dos postos de combustível oferecem uma mistura de 85% de etanol com 15% de gasolina. “Estamos buscando consolidar um mercado mundial para o etanol brasileiro, que tem grande competitividade”, afirma o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única), Marcos Jank.

Criar o mercado de biocombustíveis não será tarefa fácil. Muitos países resistirão em aumentar a sua dependência em relação ao Brasil, já principal fornecedor global de vários produtos como carnes, suco de laranja, soja e açúcar. “Poderão surgir pressões protecionistas e a abertura de mercado será complicada”, afirma o diretor da Faculdade de Economia da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Rubens Ricupero.

Também vêm ganhando espaço investimentos em energia eólica. Segundo o Atlas Eólico Brasileiro, o país tem um potencial na geração de energia por meio de ventos equivalente a dez usinas de Itaipu, ou 120 mil MW de potência, sendo que 75% do potencial se encontra na região Nordeste. “Esse é outro nicho que poderá ser explorado”, afirma Tolmasquim.

Mas apenas 2% desse potencial gigantesco é hoje de fato utilizado. Uma das principais razões ainda é o seu custo: custa mais de 50% que o kWh gerado por uma hidrelétrica. Apesar do preço, alguns investimentos já estão saindo do papel. No Rio Grande do Norte, até o próximo ano, devem entrar em operação 200 MW vindos de geradoras eólicas. Mais de R$ 200 milhões em investimentos poderão chegar a esse segmento no país nos próximos anos, prevêem especialistas.

No mundo, a energia eólica também está em alta. Com investimentos de US$ 9 bilhões, houve um crescimento de 45% na capacidade instalada de energia eólica nos Estados Unidos, que já têm 5300 MW dessas usinas – um número muito próximo à capacidade que as duas usinas do rio Madeira terão. Na Espanha, hoje cerca de 15% da demanda do país é atendida por usinas eólicas.

As indústrias também vêm buscando aumentar a eficiência de seus processos como forma de minimizar os impactos sobre o meio ambiente e reduzir custos operacionais. Dados do Balanço Energético Nacional de 2007, divulgados em maio, apontam que a intensidade elétrica do PIB, medida em kWh por mil dólares, caiu 0,9% de 2007 para 2006, apesar de ter havido expressivo incremento de 11,7% no consumo per capita da população (kWh/hab). “Isso mostra que as empresas estão se tornando mais produtivas consumindo energia de uma forma mais eficiente”, diz Tolmasquim.

No setor de vidro, as empresas vêm fortalecendo ações de reciclagem, trabalhando o reaproveitamento de embalagens de vidro. A produção de vidro a partir dele próprio consome menos energia e causa a menor emissão de gases que causam o efeito estufa. O uso de 10% de cacos de vidro reduz em até 4% o consumo de energia, uma forma de reduzir os custos com um dos principais custos de produção, a energia elétrica e o gás natural, que respondem por cerca de um quarto das despesas operacionais. “Essa é uma das atividades que mais crescem”, diz o superintendente da Associação Brasileira da Indústria do Vidro (Abividro), Lucien Belmonte.

Em 1991, o índice de reciclagem na indústria estava em 15%. Hoje supera os 50%.

 

05/06/2008

Embrapa corre para tornar-se referência em biocombustíveis

Mauro Zanatta
Valor Econômico

Ruy Baron/Valor

Braço de agroenergia da empresa acelera as pesquisas com os biocombustíveis nacionais do futuro. O agrônomo mineiro Frederico Durães, chefe-geral da Embrapa Agroenergia: pesquisas com sorgo e novas canas

Braço de agroenergia da empresa acelera as pesquisas com os biocombustíveis nacionais do futuro. O agrônomo mineiro Frederico Durães, chefe-geral da Embrapa Agroenergia: pesquisas com sorgo e novas canas.

Criado há dois anos, o centro da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) dedicado ao estudo de novas fontes renováveis de energia ainda não tem sede própria, conta com uma equipe reduzida e briga para garantir seu quinhão nos disputados recursos orçamentários da estatal.

Tantas limitações, porém, não impedem a Embrapa Agroenergia, caçula da rede de 38 unidades da empresa, de consolidar suas apostas estratégicas e científicas com o objetivo de dominar a tecnologia de novas matérias-primas dos biocombustíveis do futuro no Brasil.

Em meio ao intenso jogo político internacional em torno dos biocombustíveis, a Embrapa pretende, com suas pesquisas, elevar o status de referência na agropecuária para transformar-se em modelo industrial. Para isso, investe em novos materiais de primeira geração para a fabricação de um etanol mais barato e produtivo.

A estatal também reforça a aposta em um biocombustível brasileiro de segunda geração, feito a partir de celulose e “construído” com conhecimento novo e parcerias estratégicas. Assim como faz com a Embrapa Internacional, cuja atuação espalha-se pelo mundo, o plano da empresa é acelerar as pesquisas para alavancar no exterior os negócios de indústrias, equipamentos, processos e serviços genuinamente brasileiros.

Na área de desenvolvimento de novas matérias-primas, o principal trunfo da Embrapa Agroenergia é o domínio tecnológico do sorgo sacarino. Gramínea de alta capacidade de captação de energia, comparável à cana-de-açúcar, este tipo de sorgo adapta-se em várias regiões, tolera seca e tem alto potencial para ser cultivado em áreas marginais da cana.

“O sorgo produz 85 toneladas por hectare [produtividade similar à da cana], mas leva apenas 140 dias para ser colhido, enquanto a cana demora entre 12 e 18 meses para o primeiro corte”, diz o chefe-geral da Embrapa Agroenergia, o agrônomo mineiro Frederico Durães.

Mais do que uma matéria-prima perfeita para o etanol, o sorgo também pode ser usado como ração para o gado. Fácil de armazenar, produz entre duas e três toneladas de massa seca por hectare. O novo produto encurta o caminho para etanol de celulose, algo que está no topo da agenda dos grandes consumidores, como Estados Unidos e Europa.

“O sorgo produz 70% da sacarose da cana e metade da lignina [substância que dá consistência à madeira], o que exige menos energia para quebrar as cadeias de carbono e transformá-lo em etanol”, explica Durães. Quer dizer, é mais fácil extrair etanol de celulose a partir deste material.

A Embrapa já tem quatro variedades brasileiras com avançado domínio tecnológico. “É só difundir os materiais”, diz o pesquisador. O capim-elefante, muito comum em várias partes no país, também pode ser usado para produção de massa seca no regime de co-geração de energia, diz Durães.

Nos planos da Embrapa, estão as pesquisas para melhorar a cana-de-açúcar por meio da fixação biológica de nitrogênio. Isso eliminaria a demanda de 70% de derivados de petróleo e significaria mais lucros, porque há uma redução de 30% nos custos de produção já no primeiro ano.

“Não vamos reinventar a roda, mas arredondar o que está quadrado”, afirma o chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento, o engenheiro de alimentos Esdras Sundfeld. Para superar o desafio, a estatal trabalha em uma rede de 42 centros e 200 cientistas da casa e de outras unidades de pesquisa.

Para os biocombustíveis de segunda geração, a estratégia é usar as chamadas “variabilidades genéticas” exclusivas do Brasil. Ou seja, buscar o potencial natural com métodos já dominados.

Até 2011, a Embrapa terá um tipo de cana com sacarose nas “ponteiras” da planta, o que significa acrescentar energia em mais um terço da gramínea. “Será uma revolução feita à base de genética fisiológica e bioquímica via melhoramento convencional não-transgênico”, aposta Durães.

É uma tecnologia dominada pela Embrapa há tempos, mas guardada a sete chaves nos laboratórios da empresa. “Precisamos ter cuidado para não trocar recurso natural bruto, a nossa biodiversidade, por processos ou ferramentas tecnológicas importadas que podemos dominar”, afirma Esdras Sundfeld.

Mas ainda falta a densidade científica e a catalisação das competências espalhadas nas diversas unidades da Embrapa. “Trabalhamos agora nisso”.

A estratégia da Embrapa também inclui os pólos produtores de etanol de cana. Frederico Durães aposta na região de Araçatuba, no interior de São Paulo. As áreas de pastagem, hoje com baixa capacidade de suporte, devem avançar.

O pesquisador estima que a lotação dos pastos saltará das atuais seis para até 14 cabeças por hectare em cinco anos. Conforme ele, a região de Ribeirão Preto, principal pólo sucroalcooleiro paulista, brasileiro e mundial terá que mudar de perfil em razão da mecanização expressiva e a urgência da certificação ecológica da produção.

Também há espaço para ganhos de logística no auto-consumo. No Rio Grande do Sul, onde há 25 mil hectares plantados, algumas regiões podem produzir até 130 toneladas por hectare, acima da média nacional, que varia de 80 a 85. “Hoje, eles importam tudo de São Paulo, mas podem se abastecer e exportar ao Uruguai e à Argentina”, acredita Durães.

 

 

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05/06/2008

Nova tecnologia poderá reduzir poluição

Empresas pretendem substituir diesel, óleo combustível e carvão na geração limpa

Fábio Couto
Gazeta Mercantil

Rio de Janeiro, 5 de Junho de 2008 – Empresas do setor elétrico têm colocado as fichas em iniciativas que mitiguem ou eliminem emissões de e de poluentes em tempos de aquecimento global. Seqüestro de carbono, mudanças no processo produtivo, créditos de carbono e mudanças legais estão na agenda da geração fóssil.

A biomassa e o gás natural são exceções, pois emitem menos dióxido de carbono que as outras e não poluem. Mas toda usina térmica é um emissor natural de , já que a energia é gerada pela combustão, segundo explicou o diretor-executivo da Associação Brasileira da Geração Flexível (Abragef), Marco Antônio Veloso. E o País não pode abrir mão da geração dessas usinas, já que dificuldades ambientais decretaram o fim da era dos grandes reservatórios de hidrelétricas, destaca.

De acordo com dados de geração da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), até maio, o Brasil possuia um parque instalado de 606 usinas a óleo diesel, óleo combustível e carvão mineral, totalizando 5.959,8 megawatts (MW). Além disso, estão na fase de construção quatro plantas a diesel e uma a carvão, que totalizam 517,4 MW. Os dados mostram ainda que 70 empreendimentos – 52 térmicas a diesel, 11 a óleo combustível e sete a carvão – receberam autorização para implantação. Elas somam 5.210,5 MW.

No caso do carvão mineral, há vários estudos em todo o mundo para mitigar os impactos ambientais, como o seqüestro geológico de . Essa técnica – o Carbon Capture and Storage -, envia e armazena o gás carbônico da queima para o subsolo. O presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral, Fernando Luiz Zancan, que esteve em Nova York participando de seminário sobre financiamento de projetos de mitigação de , observa que há uma preocupação mundial com a expansão da oferta de energia. Segundo ele, a Alemanha discute a volta de investimentos em térmicas a carvão e a ampliação da energia nuclear, por exemplo.

O professor de planejamento energético da Coppe/Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFFRJ), Roberto Schaeffer, observa que as análises sobre essa tecnologia estão num ritmo mais intenso, já que num cenário de mudanças climáticas, o carvão seria uma das fontes energéticas mais afetadas no ponto de vista dos mercados. “Como o carvão é a fonte de energia que tem mais carbono, políticas mais draconianas, no ponto de vista de mudanças climáticas, em certo sentido comprometem a própria essência do insumo”, assinala Schaeffer. Atualmente, na visão dele, o custo e não o desenvolvimento de novas tecnologias, é a maior questão. Zancan, da ABCM, lembra que o custo médio do investimento em térmica a carvão situa-se na casa dos US$ 2.800 por quilowatt (kW), o que pode aumentar com as novas tecnologias em estudo.

Por sinal, a Energias do Brasil testará uma tecnologia piloto que consiste na passagem dos gases da queima em uma piscina de microalgas. De acordo com o projeto, as algas alimentam-se de CO2 no seu processo de fotossíntese, sendo o carbono incorporado à sua matéria orgânica. “Existem várias espécies de algas em teste, algumas com bom potencial de utilização em fertilizantes, outras em biodiesel”, observou o superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Energias do Brasil, Pedro Sirgado. Ele estima que uma térmica a carvão moderna emita algo entre 850 quilos por megawatt-hora (MWh) e 870 quilos por MWh de CO2.

Além disso, a empresa adotará também uma tecnologia, conhecida como filtros de mangas na térmica de 720 MW que será construída em Pecém (CE), junto com a empresa MPX.

Já as usinas a óleo também podem recorrer ao seqüestro geológico do gás carbônico, afirma Schaeffer, da Coppe/UFRJ. No Brasil, elas são utilizadas na Amazônia, atendendo ao Sistema Isolado. A Guascor, uma das principais empresas da região, apostou na modulação dos motores das usinas a diesel – especialidade da companhia – para reduzir a emissão do CO2. De acordo com o presidente da Guascor, Joaquim Augusto Sanches Pereira, a idéia é trabalhar com uma quantidade maior de máquinas para produzir a mesma quantidade de energia que seria obtida com um só equipamento. Por exemplo, para produzir 10 MW, em vez de gerar com apenas uma máquina, a Guascor utilizaria cinco unidades de 2 MW. A configuração, justifica, evita aumento do consumo de diesel. “Isso faz com que atenda a curva de carga sem forçar os motores. As máquinas emitem muito menos gás carbônico e gastam menos combustível”, comenta Pereira.

O governo também estuda medidas para os geradores fósseis. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, sinalizou uma espécie de compensação energética, para impactos ambientais de termelétricas fósseis, semelhante a um decreto regulamentado no final de maio no Rio de Janeiro. Pelo dispositivo, os empreendedores definirão, durante a fase de licenciamento, o tipo de investimento – em usina renovável ou energia eficiente. Para cada 100 MW de energia oriunda de combustíveis fósseis, o gerador deve instalar 5 MW de energias renováveis ou investir em eficiência energética.

Incentivo
Pereira, da Guascor, vê a proposta com bons olhos, mas ressalta que a Aneel já possui um dispositivo que incentiva a substituição de combustíveis fósseis por energias renováveis – por meio da chamada sub-rogação da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC). Na prática, o investidor que implantar, no Sistema Isolado – regiões não atendidas pelo Sistema Interligado Nacional (SIN)-, projetos de energia renovável, pode contar com os recursos da CCC, que são arrecadados de todos os consumidores. Já Zancan, da ABCM, avalia que a proposta precisa de maior análise, já que uma imposição legal pode dificultar a vantagem de negociação de créditos de carbono.

Em paralelo, há investidores em hidrelétricas que aproveitam para enquadrar projetos no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), para obter créditos de carbono. Ao apresentar os resultados do primeiro trimestre, em maio, a CPFL Energia anunciou planos de negociar créditos de carbono das hidrelétricas Castro Alves, 14 de julho, Campos Novos e Monte Claro – todas com processo em andamento no Brasil ou na Organização das Nações Unidas (ONU), sem contar com os planos da companhia para Barra Grande e Foz do Chapecó.

 

 

05/06/2008

Órgãos estaduais vão fiscalizar restrição de crédito para desmatador

De Brasília
Valor Econômico

Elza Fiúza/ABr

Carlos Minc: os fiscais do Ibama vão atuar apenas \

Carlos Minc: os fiscais do Ibama vão atuar apenas “por amostragem”

O ministério do Meio Ambiente anunciou ontem que caberá aos órgãos estaduais de meio ambiente e não ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a decisão sobre quais propriedades rurais poderão sofrer restrições de crédito. De acordo com resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), o órgão vai restringir a concessão de financiamento agrícola para quem não cumpre critérios ambientais a partir de 1º de julho.

Segundo o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, os fiscais do Ibama vão atuar apenas “por amostragem” na fiscalização das propriedades. Caberá às secretarias estaduais de meio ambiente seguir uma linha geográfica que limita o bioma amazônico, definida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afim de realizar a fiscalização.

“Você não pode presumir que as autoridades estaduais vão cometer irregularidades. Quem atestar (a localização das propriedades) de forma fraudulenta, incorrerá nas penas da lei, que prevê falsidade ideológica e crime ambiental, e isso no Brasil dá prisão”, afirmou Minc após a posse do novo presidente do Ibama, Roberto Messias Franco.

Para o ministro, não é possível deslocar funcionários do Ibama que atuam na fiscalização de parques e reservas ambientais para funções burocráticas. “Não posso pegar 400 funcionários do Ibama para analisar a documentação de mais de 7 mil propriedades rurais”, argumentou o ministro.

O novo presidente do Ibama também defendeu o que chamou de “confiança republicana” nos órgãos estaduais de meio ambiente e destacou que a responsabilidade compartilhada com os Estados está prevista na legislação ambiental brasileira.

“É um equívoco achar que um órgão só (o Ibama) daria conta de tudo. E não se constrói um país em cima só de desconfiança. Não acredito que existam brasileiros querendo destruir o Brasil”, disse. O Ibama deve preparar uma instrução técnica para orientar os Estados na definição de quais propriedades estarão sujeitas à restrição de crédito para financiamento agrícola.

O ministro Carlos Minc também informou que pretende negociar com o CMN a extensão da restrição de crédito para financiamento agrícola de propriedades irregulares para os biomas Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Para os municípios do bioma amazônico, a resolução do CMN entra em vigor a partir de 1º de julho. “Não é admissível que quem desmatou o Cerrado, a Mata Atlântica e o Pantanal receba crédito fácil do governo. Brevemente vou propor ao CMN resoluções equivalentes para os outros biomas. A Amazônia foi o primeiro por razões práticas”, afirmou durante discurso na posse do novo presidente do Ibama.

De acordo com Minc, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciará amanhã um pacote de medidas ambientais, em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente. Ele antecipou que serão criadas unidades de conservação no sul do Amazonas e em Tocantins. O governo vai enviar ao Congresso um projeto de lei sobre mudanças climáticas e em dez dias o presidente Lula deverá assinar um decreto para combater a impunidade dos crimes ambientais. A idéia é limitar as possibilidades de recursos que retardam ou impedem a aplicação de punições.

Minc anunciou que, em até um mês, enviará ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) proposta para agilizar o licenciamento ambiental. Segundo ele, serão eliminadas etapas “inúteis”, mas sem afrouxar “um milímetro” o rigor das análises. “Não haverá licenciamento político, com a faca no pescoço”, discursou Minc, dizendo, em seguida, que isso não ocorria antes e não ocorrerá agora.

O ministro também quer elevar as exigências de controle de emissões de gases em indústrias. Ele afirmou que, na Europa, os níveis de controle são cinco a dez vezes mais rigorosos do que no Brasil. Segundo Minc, isso acabaria levando empresas internacionais a se instalar no país com equipamentos de menor padrão tecnológico.

Ele também reclamou do contingenciamento de recursos da pasta para a realização de superávit primário (economia para pagar juros). Ele defendeu o “superávit ambiental” e quer que seu ministério tenha voz na política industrial e de saneamento básico. “Acho inadmissível que o ministério não tenha voz ativa em saneamento ambiental”, afirmou. Segundo ele, apenas o índice de coleta e tratamento de esgoto no Brasil é de 35%. O ministro disse que é possível dobrar a cobertura em dez anos, atingindo 70%.

Minc também deu posse à nova secretária-executiva do ministério, Izabella Teixeira, e anunciou que a escolha do presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, responsável pela gestão de unidades de conservação, será feita por um “comitê de busca formado por cinco autoridades nacionais da ciência”. O grupo deverá elaborar uma lista quíntupla e analisar o plano de trabalho dos indicados antes de definir o novo titular do órgão.

 

03/06/2008

Shell investe na produção de gás metano na Austrália

Peter Smith e Ed Crooks
Financial Times, de Sidnei e Londres

A Royal Dutch Shell é o mais novo grupo internacional de energia a entrar na próspera indústria de gás metano extraído das camadas de carvão da Austrália, unindo forças com a Arrow Energy para desenvolver projetos na Austrália e internacionalmente.

O acordo segue-se à rejeição, na semana passada, pela Origin Energy da Austrália, a uma proposta de 13,6 bilhões de dólares australianos feita pela BG.

A Shell vai investir até 776 milhões de dólares australianos na compra de 30% da área de gás extraído das camadas de carvão da Arrow em Queensland e 10% de seus ativos internacionais, incluindo instalações na China, Índia, Indonésia e Vietnã. A Shell tem uma opção de adquirir até 50% dos projetos individuais da Arrow após cinco anos.

O gás extraído de camadas de carvão, conhecido na Austrália como gás de jazida de carvão, é um gás natural produzido a partir de depósitos de carvão. Jeroen van der Veer, diretor-presidente da Shell, disse que os recursos mais desafiadores estão se tornando importantes para as grandes companhias internacionais de petróleo.

“Acredito que companhias como a Shell vão se movimentar o tempo todo rumo ao gás e petróleo de exploração mais difícil, onde poderemos aplicar nossa tecnologia”, disse ele. “Muito petróleo e gás de fácil exploração podem ficar a cargo das companhias nacionais de petróleo”.

O negócio da Shell com a Arrow acontece depois de uma atividade intensa no setor de gás de jazidas de carvão da Austrália nos últimos dias. Na quinta-feira, a Petronas da Malásia fechou um investimento de US$ 2,5 bilhões em um projeto de gás que está sendo desenvolvido pelo grupo australiano de gás e petróleo Santos. O projeto vai converter gás de jazidas de carvão extraído em Queensland em gás natural liquefeito. A Shel chegou a considerar uma parceria com a Santos.

O alto preço pago pela Petronas levou a Origin a rejeitar a proposta aumentada feita pela BG na semana passada. A Petronas pagou o equivalente a 1,65 dólar australiano por gigajoule das reservas comprovadas, prováveis e possíveis da Santos, enquanto a oferta da BG envolvia cerca de 70 centavos de dólar australianos por gigajoule para as reservas comprovadas, provadas e possíveis da Origin.

Analistas do Citigroup calcularam que o negócio da Shell avaliou as reservas da Arrow em cerca de 80 centavos de dólar australiano por gigajoule e sugerem que o acordo “poderá ser um encorajamento para a BG Group”. Nick Davies, diretor-presidente da Arrow, disse que o plano da Arrow de desmembrar seus projetos internacionais em uma empresa que pudesse levantar capital via abertura de capital, não é mais necessário.

No momento, espera-se que o gás da Arrow será vendido em mercados locais, mas a Shell poderá investir em capacidade de liquefação na Austrália.

As ações da Arrow subiram 14% em Sidnei ontem, para 3,79 dólares australianos. A ação da Origin fechou em 16,03 dólares australiano, acima da oferta da BG, de 15,50 dólares australianos, e distante dos cerca de 10 dólares australianos a ação registrado pouco antes da abordagem inicial da BG ter sido anunciada.

 

03/06/2008

China avalia mistura de 5% de biodiesel

Wang Ying
Bloomberg

A China, segundo maior consumidor de energia do mundo, poderá exigir que varejistas vendam diesel contendo 5% de biodiesel já no fim do ano, para promover o uso de combustíveis alternativos, disseram autoridades do setor.

A China Petroleum & Chemical Corp (Sinopec), maior refinadora asiática, é uma das empresas que negocia com o governo sobre a nova exigência, disse ontem Qin Wrizhong, diretor-adjunto de planejamento da Sinopec. Ele não informou se o novo decreto será posto em vigor em todo o país ou apenas em determinadas províncias.
A China planeja gastar 1,5 trilhões de yuan (US$ 216 bilhões) entre 2006 e 2020 para incrementar substancialmente o uso de fontes de energia renovável e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. O governo deve subsidiar projetos de biocombustíevis, especialmente biodiesel e etanol.

É improvável que as novas regras sobre o biodiesel venham a ser aplicadas ao país inteiro devido à produção limitada, disse ontem Lin Hailong, gerente-adjunta da divisão de bioenergia da Cofco. A Cofco, maior negociante chinesa de grãos, também está em conversações com o governo sobre a exigência do novo teor de biodiesel.

A China produz cerca de 300mil toneladas métricas de biodiesel por ano, 10% da capacidade instalada do país, disse Li Zhijun, vice-diretor de pesquisa no Centro de Pesquisas para Desenvolvimento do Conselho Estatal da China, na cúpula da Apec (Associação de Cooperação Econômica da Ásia do Pacífico) sobre biocombustíveis em Qingdao. “A baixa taxa operacional deve-se a aguda escassez de matérias primas” disse Li.

A maioria das usinas de biocombustíveis na China são operadas por pequenas empresas que processam, como insumo, óleo de cozinha usado, segundo Li. A Sinopec poderá construir usinas produtoras de biodiesel no Sudeste Asiático usando óleo de palma como matéria-prima, disse ele.

Em 2010, a demanda chinesa por combustíveis deve crescer até 24%, para 230 milhões de toneladas, disse Qin. Em 2020, o país poderá ter de importar para atender até 60% da demanda interna.

“O biodiesel é apenas um complemento aos combustíveis baseado em petróleo e não é capaz de substituí-los”, disse Qin. “Também estamos desenvolvendo outras alternativas como a conversão de carvão em combustíveis líquidos e melhorias na eficiência energética para diminuir nossa dependência em relação ao petróleo”.