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14 de julho de 2008
Expansão portuária aguarda novas regras
AE – Agencia Estado
SÃO PAULO – A criação de um novo regime de concessão de portos, previsto para ser apresentado este mês, mexe com os nervos dos empresários. Sem saber direito o que virá pela frente, eles temem que o governo force a mão na elaboração das regras e interrompa o forte ciclo de expansão do setor, com a suspensão de empreendimentos prioritários para o comércio exterior. Estima-se que o País tenha hoje mais de 30 projetos de terminais privativos em vários estágios de elaboração, cujos investimentos ultrapassam os R$ 11 bilhões.
Alguns já conseguiram autorização da Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq), como é o caso do Porto Embraport, em Santos; Itapoá, em Santa Catarina; e Porto Açu, no Rio de Janeiro. Outros ainda estão sendo examinados pela agência reguladora, que inclui na lista projetos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Gerdau, Usipar e Companhia Siderúrgica do Mearim (CSM), entre outros, incluindo projeto da Petrobrás. Há ainda empreendimentos que estão em fase de licenciamento ambiental e estudos de viabilidade. É o caso do megaprojeto desenhado pelo empresário Eike Batista para a cidade paulista de Peruíbe, orçado em US$ 2 bilhões. Junta-se a essa carteira de investimentos outros projetos como o Terminal Portuário do Guarujá (TPG), da OAS. A mineradora anglo-australiana BHP Billiton também teria iniciado estudos para construir um porto em Itaguaí.
Parte desse volume de investimento pode perder a atratividade com o novo decreto a ser assinado pelo presidente da República nas próximas semanas. O item mais aguardado é o que define a concessão dos Terminais Privativos de Uso (TPU) Misto – aqueles que movimentam carga própria e de terceiros. Uma ala do governo havia sinalizado que esses empreendimentos teriam de passar por processo de licitação. A proposta, entretanto, esbarra no fato de a maioria desses projetos ser construída em terrenos dos próprios empresários. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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14 de Julho de 2008
Cana garante emprego em alta no interior paulista
Cidades que mais criaram postos de trabalho formais em relação à população têm na cana-de-açúcar sua vocação
Marcelo Rehder, Vista Alegre do Alto

Cana de açúcar: emprego em alta
Praticamente sem desempregados e com um índice de criminalidade muito baixo, apesar de um quarto de sua população ser flutuante, a pequena Vista Alegre do Alto, localizada na região de Ribeirão Preto, a 378 quilômetros da capital paulista, tornou-se um verdadeiro oásis. Graças à cana-de-açúcar, a cidade, com 6,1 mil habitantes, entrou no ranking das 50 cidades que mais abriram postos de trabalho com carteira assinada este ano no Brasil.
De janeiro a maio, as empresas de Vista Alegre do Alto fizeram 4.089 contratações, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. A cidade ocupou a 43ª colocação entre as que mais criaram empregos no período. A primeira foi São Paulo, com cerca de 123 mil novas vagas.
Em termos proporcionais ao tamanho da população, contudo, o município só ficou atrás de Braúna (SP) na criação de empregos com carteira assinada. As duas cidades têm a mesma vocação do agronegócio, puxado pela cana-de-açúcar. Em Vista Alegre do Alto, o grande empregador é a Nardini Agroindustrial, que contratou este ano cerca de 3 mil cortadores de cana para o período de safra, que vai de abril até o fim de novembro.
No total, os mais de 4 mil postos de trabalho abertos este ano seriam suficientes para ocupar 67% da população da cidade. A proporção, porém, é bem menor, porque, embora os trabalhadores tenham sido registrados em Vista Alegre do Alto, a maioria das vagas foi ocupada por moradores de cidades vizinhas e migrantes.
Na Nardini, só 400 das 3 mil contratações foram para o corte de cana no município. “Os demais estão espalhados pelos canaviais que a empresa mantém em 23 cidades da região”, explica Antônio Destri, assessor de diretoria da Nardini.
Boa parte dessa mão-de-obra migra de áreas rurais do Norte e Nordeste, atraída pelos melhores salários pagos no Sudeste, onde se concentra mais de 70% da produção de cana-de-açúcar do País.
O pernambucano Cícero Alves Feitosa, de 32 anos, deixou Afogados da Ingazeira (PE) há 12 anos para tentar a sorte no interior paulista. Para Feitosa, que é analfabeto, a garantia de emprego bem remunerado e com carteira assinada naquela região é tão rara quanto a chuva. “Vim para cortar cana, junto com meio mundo de gente”, conta o pernambucano, que embarcou para São Paulo com outros 50 trabalhadores rurais.
A primeira parada foi no município de Taquaritinga, na região de Ribeirão Preto. “A gente ficou um tempo lá e depois foi de um canto pra outro, procurando por quem paga melhor, tem moradia e o lugar é mais calmo.” Faz três anos que Cícero trabalha como safrista em Vista Alegre do Alto, onde já conseguiu realizar o sonho da compra da casa própria.
“A vontade é continuar por aqui, mas a cada dia a vida fica mais difícil e, se não achar um jeito de ficar, volto pra trás de novo.” Nesse caso, os planos são de vender a casa e, com o dinheiro, comprar um pedaço de terra na sua cidade natal.
A vida de cortador de cana não é nada fácil. Os registros em carteira são em regime de contratos por tempo determinado e o salário é pago por produção. Para ganhar mais, trabalhadores tornam-se praticamente máquinas de cortar cana e chegam a colher, cada um, mais de 10 toneladas por dia. A média entre os safristas da Nardini é 7,2 toneladas, o que corresponde a um salário mensal ao redor de R$ 800.
O baiano Robeiltone Soares dos Santos, de 31 anos, diz que corta de 8 a 10 toneladas de cana por dia e consegue tirar cerca de R$ 900 por mês. É bem mais do que ele ganhava nas lavouras de Morro do Chapéu, na Chapada Diamantina (BA), onde recebia R$ 10 por dia de trabalho. “Nem penso em voltar pra lá, aqui é bem melhor.”
A Nardini deverá encerrar a atual safra com recorde de moagem de 3,1 milhões de toneladas de cana, ultrapassando em 20% a anterior (2,6 milhões de toneladas). Também deverá alcançar recorde de produção em açúcar e álcool. No total, deverão ser produzidos 160 milhões de litros de álcool e 175 mil toneladas de açúcar.
Além da usina, a cidade tem três indústrias metalúrgicas e duas fábricas de polpas de frutas e conservas , além de 16 barracões de frutas e do comércio e serviços em geral. A indústria de Polpas e Conservas Val, por exemplo, contratou este ano 45 funcionários. Hoje, emprega 300 pessoas.
“Não temos desemprego”, diz o prefeito Antonio Aparecido Fiorani (PP). Tanto que o número de cestas básicas distribuídas na cidade pela Conferência Vicentina Santa Rita de Cássia é pequeno. Segundo o presidente do movimento da Igreja Católica, Arnaldo Mattioli Júnior, hoje só 32 famílias precisam ser atendidas com a cesta básica.
Um indicador do dinamismo da cidade é o índice de participação no produto da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Estado. O índice de participação do município de Vista Alegre do Alto deu um salto de 67,89% nos últimos 24 anos. Para se ter uma idéia do que isso representa, nesse mesmo período o índice de Bauru cresceu 34,66%, o de Campinas aumentou 14,91% e o de Diadema recuou 7,81%.
“É sinal de que Vista Alegre adicionou muita renda e é um dos municípios que mais enriqueceram no Estado no período”, diz Antonio Vicente Golfeto, diretor do Instituto de Economia da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto.
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Minc lança pacote para agilizar licenças ambientais (Mercado Aberto)
15/07/2008
FOLHA DE S. PAULO – SP
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anuncia, depois de amanhã, um pacote de medidas para tentar agilizar o processo de aprovação de licenças ambientais pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente).
Com o nome de “Destrava Ibama”, Minc quer aumentar a velocidade na aprovação das obras de infra-estrutura no país. Ele está preocu.pado com a morosidade no andamento dos projetos de infra-estrutura.
Seu objetivo é promover um alívio às tarefas do órgão para tentar encurtar prazos, reduzir as etapas no processo e aumentar o número de aprovações das licenças ambientais.
Minc deve, por exemplo, diminuir o número de funcionários que precisam hoje ver o processo de licenciamento antes de transferi-lo para o analista. Ele já adotou programa semelhante no Rio, quando ocupava a Secretaria de Ambiente.
“Antes de chegar às mãos de um analista ambiental, no Rio, um processo passava por 16 funcionários. Reduzimos para um funcionário, que verifica a burocracia e envia ao analista. É o que tem que acontecer.”
O trabalho contempla também a regulamentação do artigo 23 da Constituição, que estabelece atribuições e competências da União, dos Estados e dos municípios no processo de licenciamento. O objetivo é dar mais competências aos Estados e municípios, o que também contribuirá para aliviar o trabalho do Ibama. “Não podemos deixar o Ibama na miudeza.”
Minc afastou a possibilidade de, com essas medidas, diminuir o rigor da atuação. Segundo ele, vai até aumentar.
Ele já entrou em contato com a Fiesp e afirmou que as propostas não serão recebidas com resistência pelos empresários.
Entre as medidas, há um item que trata da elaboração de padrões mais rigorosos para as emissões de poluentes. “Para a minha surpresa, a medida foi recebida com entusiasmo.”
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15 de Julho de 2008
Agricultura limpa
Xico Graziano
O Brasil é campeão mundial no recolhimento de embalagens vazias de agrotóxicos. Frascos usados viram conduítes para fiação elétrica e embalagens para óleo lubrificante. A lei federal estabelece: quem vende o produto agrícola se obriga a receber o vasilhame de volta. Um ovo de Colombo.
Perto de 95% das embalagens colocadas no mercado retornam para 376 locais de recebimento, distribuídos entre 264 postos de coleta e 112 centrais de processamento. O município gaúcho de Dom Pedrito ostenta o recorde nacional, com 98% do volume de embalagens devolvido. No Canadá, o recolhimento atinge 70%, seguido da Alemanha (65%), da Austrália (54%), da França (45%) e dos EUA (20%). Gringos na rabeira, quem diria.
São Paulo lidera a estrutura de reciclagem, mantendo 80 unidades de coleta. Em Mato Grosso, porém, está o maior volume recolhido, respondendo por 23% do total nacional, seguido do Paraná (17,5%), com os paulistas em terceiro (13,9%). Nestes primeiros meses de 2008, Tocantins acelerou seu trabalho, superando em 392% o volume recolhido no ano passado. Em Alagoas, o crescimento anual está em 151%. Na cadeia de distribuição, 2.850 revendedores e cooperativas agropecuárias participam do sistema. O esquema, gerenciado pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev), avança na faixa de 8% ao ano. Coisa de agricultura séria.
O Inpev é mantido, basicamente, pelas próprias empresas fabricantes de defensivos. Aqui reside a grande inovação, uma obrigação legal. Põe-se em prática o conceito da co-responsabilidade empresarial, procedimento que na discussão da política nacional de resíduos sólidos está sendo chamado de “logística reversa”. Quem cria o problema que ajude a resolver o assunto. Na agricultura, funciona. E muito bem.
Antes, nas áreas rurais se acumulavam recipientes vazios de agrotóxicos, sem que ninguém soubesse o que fazer com os perigosos trecos. Enterrar era proibido, por causa do risco de contaminar o solo e as águas subterrâneas. Queimar não se podia, embora muitos o fizessem. Centenas de casos de intoxicação se conheciam, advindos do uso de baldes vazios de venenos no fornecimento de água para animais. Até na cozinha do lar se utilizavam as peças, supostamente limpas, de pesticidas. Um pequeno horror.
A lebre foi primeiramente levantada, na década de 80, pela Associação de Engenheiros Agrônomos de São Paulo (Aeasp). Surgiu daí a proposta da “tríplice lavagem”, recomendando aos agricultores que promovam a correta limpeza dos recipientes vazios de agrotóxicos. Depois, já com auxílio das empresas setoriais, montou-se um projeto-piloto nas instalações da Coplana, exemplar cooperativa rural localizada no município de Guariba, interior paulista. Seu presidente, na época, era o brilhante agrônomo Roberto Rodrigues.
Partindo dessas experiências, a proposta evoluiu para uma espécie de acordo coletivo, patrocinado pelo governo federal. Nasceu assim, em 2002, a bem-sucedida legislação. Variados setores da cadeia produtiva se comprometeram a participar da solução do problema: fabricantes, distribuidores, cooperativas, associações de produtores. Campanhas de conscientização foram realizadas. Pegou. Agricultura limpa.
O exemplo que brota do campo bem que poderia servir para a cidade, onde montanhas de lixo, de todos os tipos, se acumulam alhures. Muitos aterros sanitários, quando não configuram fétidos lixões a céu aberto, verdadeiras fábricas de urubus, recebem, desnecessariamente, toneladas de materiais que poderiam ser coletados e reciclados. Não é lixo aquilo que se pode reaproveitar.
Felizmente, na tarefa da limpeza urbana, cresce a coleta seletiva, contando com o fundamental apoio de grupos de catadores de rua. Condomínios e empresas começam a participar da tarefa. Latinhas de alumínio, graças ao bom preço no mercado da reciclagem, se reaproveitam bem. Papel usado também se recolhe, acima do material plástico. Ganha força a reciclagem, é verdade.
Mas já pensou que maravilha seria se, por exemplo, os vendedores de telefone celular fossem obrigados a receber de volta, na loja, o aparelho usado? Junto, os carregadores de baterias. Afinal, cada modelo novo lançado no mercado exige a troca do maldito carregador, sempre diferente um do outro. Gavetas se enchem dessa parafernália eletrônica, fios, tomadas, acumuladores, gerando um estrupício insuportável, que ninguém sabe onde dispor.
A solução virá, por lei ou acordo de conduta, quando funcionar a tal logística reversa. Igual à roça. Quem vende artigo gerador de resíduo sólido que articule uma forma eficiente de livrar a sociedade do problema. Ora, se funciona na agricultura, onde as distâncias são enormes, poderá funcionar muito bem nas cidades. Basta existir vontade coletiva, unindo público e privado, em prol do meio ambiente.
O consumidor consciente gosta da estratégia dos 3 Rs – reduzir, reutilizar, reciclar. Muita coisa, desnecessária, pode ser descartada pelo cidadão no ato do consumo. A sacolinha plástica representa um bom começo. Na padaria, na farmácia, recuse-a. No supermercado, leve sua sacola ecológica. Presentes com caixas enormes, embalagens cheias de inútil rococó, grandiosos convites de casamento, quanta energia se gasta para depois virar lixo. Economia do desperdício.
Campo Limpo. Esse é o nome da fábrica inaugurada em Taubaté em 23 de junho passado, véspera de São João. A agricultura sustentável colocou mais um tijolo em seu bonito edifício. Pioneira no mundo, a empresa passará a produzir embalagens de agrotóxicos a partir da reciclagem de embalagens usadas, de agrotóxicos. Está fechado o ciclo reverso.
Fim da porcaria.
Xico Graziano, agrônomo, é secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. E-mail: xico@xicograziano.com.br
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16/07/2008
O ESTADO DE S. PAULO – SP
Compras públicas passarão a seguir critérios ambientais
Governo federal prepara decreto para estimular produção sustentável
Adriana Fernandes e Fabíola Salvador, BRASÍLIA
Todas as compras do governo federal terão de seguir regras de sustentabilidade. Decreto em elaboração no governo vai regulamentar as compras da administração pública, autarquias, fundações e empresas estatais com base em critérios de menor impacto ambiental e geração de resíduos.
O decreto terá de ser regulamentado por cada órgão e a idéia é que Estados e municípios adotem os mesmos princípios. Juntas, as compras públicas representam cerca de 15% de todo o Produto Interno Bruto (PIB).
As novas regras fazem parte do Plano de Ação para a Produção e Consumo Sustentável que deverá ser lançado em agosto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com esse mecanismo de maior rigor nas compras, o governo quer estimular a produção ambientalmente correta.
Segundo o diretor do Departamento de Economia do Ministério do Meio Ambiente, Luiz Fernando Merico, por causa do poder de compra do governo, o decreto deve provocar mudanças importantes na atuação dos fornecedores. “As regras induzem as empresas a produzirem bens com mais responsabilidade ambiental”, disse.
Papel, produtos de limpeza, mobiliário, combustíveis, lâmpadas, uso de energia, alimentos e até mesmo a merenda escolar terão de ser comprados com base na nova orientação. Alguns dos exemplos mais comuns são o uso de lâmpadas e equipamentos que reduzem o consumo de energia, papel reciclado e móveis produzidos com madeira certificada.
Portaria baixada este ano pelo Ministério do Meio Ambiente já determina internamente a adoção de compras sustentáveis. É o primeiro passo para a mudança em todo o governo federal. O decreto vai regulamentar artigo da Lei das Licitações (8.666/93) e estabelecer a Política de Licitações Públicas Sustentáveis no governo federal.
“Há uma quantidade muito grande de produtos que são adquiridos pelo poder público que podem ser produzidos com o conceito de produção mais limpa”, afirma Merico. O conceito de produção mais limpa (P+L) foi definido pelas Nações Unidas no início dos anos 90, com a adoção de uma estratégia ambiental aplicada aos processos produtivos e de serviços. Anos depois, o conceito levou à idéia da produção e consumo sustentável, que tem ganhado cada vez mais espaço na agenda das empresas e dos consumidores.
VAREJO
O plano também vai focar medidas para a redução do uso de agrotóxicos na agricultura e de estímulo ao consumo sustentável no varejo. Setor da economia que representa 30% do PIB, o varejo é um segmento no Brasil que agora começa a se voltar para práticas de sustentabilidade, atrás da indústria, que saiu na frente.
“Vamos traçar uma estratégia nacional de sustentabilidade do setor de varejo”, disse o diretor.
O plano federal prevê ainda o desenvolvimento de indicadores em produção e consumo sustentável em articulação com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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Quarta-Feira, 16 de Julho de 2008
Doha e a globalização
Os governos darão um sinal ominoso a todo o mundo, se a Rodada Doha de negociações comerciais atolar em novo impasse na conferência ministerial da próxima semana, advertiu o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, ao apresentar, ontem, o relatório anual da entidade. “Como será preenchido o vazio deixado pela ruptura de uma negociação multilateral das dimensões e da importância da Rodada Doha?”, perguntou Lamy. A globalização, segundo ele, não vai parar. O processo continuará, movido por fatores como a inovação tecnológica, mudanças políticas e práticas empresariais em evolução. O resultado será provavelmente bem melhor, se a integração comercial prosseguir de maneira ordenada, sugeriu o diretor da OMC.
O novo relatório mostra a evolução do intercâmbio de bens e serviços no ano passado e contém um amplo estudo sobre o comércio num período de globalização. “O relatório não poderia vir em momento melhor”, disse Lamy, referindo-se ao estágio decisivo das negociações da Rodada Doha. O estudo confirma os efeitos benéficos da globalização, em termos de expansão do comércio e da produção, de modernização e difusão do avanço tecnológico, de racionalização do uso de recursos e de criação de oportunidades para milhões de trabalhadores.
Os autores do relatório, no entanto, não mostram somente os benefícios produzidos pela crescente integração econômica da maior parte dos países. Esses benefícios, admitem, foram distribuídos de forma desigual. A abertura dos mercados, a mudança tecnológica e a redistribuição geográfica da produção, para citar só alguns fatores, produziram desequilíbrios, deixando alguns grupos de trabalhadores em desvantagem. O desajuste foi enfrentado com políticas apropriadas em vários países, mas não em todos. O relatório explora esses problemas e as soluções adotadas, mas o balanço geral é bastante positivo.
Economias emergentes, incluída a brasileira, estão na lista das grandes beneficiárias da integração econômica internacional. Estarão também, segundo outro estudo da OMC, entre as principais ganhadoras de um acordo razoável na conclusão da Rodada Doha.
O governo brasileiro sabe disso, e por esse emotivo apostou tantas fichas no sucesso da negociação multilateral. As novas cartas postas sobre a mesa, com os novos esboços de acordos sobre agricultura e indústria, são mais satisfatórias que as anteriores em vários aspectos. Mas ainda contêm armadilhas, como a possibilidade de ampliação da lista de produtos agrícolas “sensíveis” e sujeitos ao protecionismo. Os negociadores brasileiros deverão dedicar boa parte de seus esforços, na reunião da próxima semana, em Genebra, à tentativa de eliminar essas armadilhas. Se tiverem sucesso, haverá boas possibilidades de um acordo sobre acesso a mercados agrícolas e industriais.
Mesmo com as distorções ainda em vigor e com os efeitos da crise financeira internacional, o comércio continuou a crescer em 2007, como indica o relatório da OMC. Calculada em dólares correntes, a exportação mundial de bens cresceu 15% no ano passado. Entre 2000 e 2007, a expansão média anual foi de 12%.
As vendas brasileiras ao exterior avançaram em média 17% ao ano nesse período e mantiveram esse desempenho em 2007, alcançando US$ 161 bilhões, 1,19% do total mundial. O desempenho brasileiro foi superado pelo de uns poucos países, como a China (26%), a Índia, a África do Sul e a Alemanha (todas com 20%).
O bom resultado brasileiro foi favorecido em 2007 e continua sendo em 2008 pelos preços dos produtos agrícolas e, de modo geral, dos produtos básicos. Mas a importação cresceu ainda mais no ano passado (32%, uma das maiores taxas indicadas no relatório da OMC) e a tendência se repete em 2008. Mas a expansão das importações não deve ser motivo de preocupação, segundo Lamy, porque está sendo financiada com segurança e decorre basicamente do aumento de consumo dos pobres e das compras de máquinas e equipamentos. Os técnicos da OMC mostram maior inquietação diante da crise internacional, capaz, segundo seus cálculos, de reduzir sensivelmente o crescimento do comércio. Mais uma boa razão, segundo eles, para concluir a Rodada Doha e criar as bases para uma nova etapa de prosperidade global.
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Minc acelera prazo para dar licenças ambientais
MARTA SALOMON
Folha de S. Paulo
18/7/2008
Ibama define período de no máximo 13 meses para liberar empreendimentos
Sem um prazo definido, hoje processos duram 2 anos em média; Minc diz que atraso de empreendedor não será coberto pela nova regra.
O Ibama reduziu para 13 meses o prazo máximo para todas as etapas do licenciamento ambiental. Hoje, o processo dura, em média, dois anos. A regra vale só para procedimentos do órgão. Segundo o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) o objetivo da medida é tornar mais ágil a liberação de licenças ambientais sem afrouxar exigências.
Por meio de norma interna anunciada ontem, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) fixou em 13 meses o prazo máximo para todas as etapas de licenciamento ambiental de empreendimentos no país, da elaboração do termo de referência à concessão da licença de operação. Atualmente -sem prazos predefinidos-, o processo dura, em média, dois anos. A coluna “Mercado Aberto” havia antecipado a medida na terça-feira.
As novas regras valem apenas como referência para procedimentos internos do Ibama e não consideram eventuais atrasos dos empreendedores, inclusive para responder a questionamentos dos analistas ambientais.
“Estamos falando de metas para os nossos prazos”, afirmou o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente). Ele comparou o processo de licenciamento a um jogo de xadrez, em que a contagem do tempo do órgão ambiental pára durante os lances do outro jogador.
“Os empreendedores também vão ter de apresentar estudos de melhor qualidade”, disse o ministro. Não há previsão de punição em caso de não cumprimento do prazo.
Segundo Roberto Messias, presidente do Ibama, a análise dos estudos de impacto ambiental poderá levar até seis meses, na fase mais demorada no licenciamento.
Entre a concessão da licença prévia e a licença de instalação, que autoriza o início das obras, os técnicos do instituto terão, no máximo, 75 dias.
Em nota, a Abdib (Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base) considerou os prazos “positivamente ousados”.
Antes mesmo da entrada em vigor da nova regra, o Ibama se comprometeu a conceder, até o início de agosto, a licença prévia para a usina nuclear de Angra 3, no Rio de Janeiro, e a licença de instalação para a hidrelétrica de Santo Antonio, no rio Madeira, em Rondônia.
No âmbito do PAC
Os prazos constam de documento discutido ontem no Planalto, durante reunião de coordenação do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento).
O documento não prevê prazos para a concessão de licença de duas importantes obras do PAC: as usinas hidrelétricas de Belo Monte, no Pará, e Jirau, em Rondônia.
No caso da usina de Jirau, o Ibama poderá ter de rever a licença prévia concedida no ano passado por conta de mudanças no projeto feitas pelo consórcio vencedor do leilão, realizado em maio.
A norma do Ibama faz parte de pacote de medidas lançado ontem, com o título “Destrava Ibama”. Carlos Minc insistiu em que a intenção do governo é agilizar a liberação de licenças ambientais sem “afrouxar as exigências”. O pacote prevê ainda a contratação de mais 90 analistas ambientais, além dos 140 que se encarregam atualmente das licenças.
Minc também anunciou mudança na composição da câmara de compensação ambiental, com participação de representantes de empresários, da academia, de organizações não-governamentais, Estados e municípios nas deliberações.
O ministro disse que a compensação a ser definida para cada empreendimento poderá alcançar 2,5% do valor da parcela da obra com impacto ambiental. Licenças no setor elétrico serão condicionadas à adoção de unidades de conservação.
Os empresários temem que o custo elevado da compensação ambiental inviabilize alguns empreendimentos, de acordo com a Abdib.
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18 de Julho de 2008
Agronegócio deve crescer 11% este ano
Projeções da CNA apontam para um PIB de R$ 646,7 bilhões
Fabíola Salvador, BRASÍLIA
Projeções divulgadas ontem pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sinalizam um cenário positivo para o agronegócio este ano. O Produto Interno Bruto (PIB) do setor deve somar R$ 646,7 bilhões em 2008, crescimento de 11% em relação ao resultado de R$ 582,6 bilhões de 2007.
Nos quatro primeiros meses do ano, o PIB do agronegócio cresceu 3,83%, resultado impulsionado, principalmente, pela alta dos preços dos insumos agrícolas. No mercado internacional, o cenário também é positivo, principalmente por causa da elevação dos preços internacionais dos grãos e da carne.
Embaladas pela crescente demanda mundial por alimentos, as exportações agropecuárias devem crescer 14,7% no ano, chegando a US$ 67 bilhões. As importações devem aumentar 26,4%, para US$ 11 bilhões. Com os resultados, o saldo comercial crescerá 12%, para US$ 56 bilhões.
No primeiro semestre deste ano, as exportações do campo renderam US$ 33,8 bilhões, um crescimento de 16,3% na comparação com o mesmo período de 2007. No acumulado de janeiro a junho, os gastos com importações somaram US$ 5,6 bilhões, crescimento de 42,7% ante igual período do ano passado. De acordo com números da CNA, o trigo foi o produto agrícola mais importado pelo País no período, respondendo por um quinto dos gastos.
O saldo comercial cresceu 23,4% no período de janeiro a junho, para US$ 28,15 bilhões. Uma terceira previsão divulgada pela Confederação indica que o faturamento primário da agropecuária será de R$ 284,9 bilhões em 2008, o que representa um crescimento de 29,18% em relação ao resultado de 2007, quando o Valor Bruto da Produção (VBP) somou R$ 220,5 bilhões.
Apesar dos números positivos para o setor, o superintendente-técnico da CNA, Ricardo Cotta, lembrou que eles não significam renda para o produtor rural, principalmente quando avaliado o resultado do PIB no acumulado do ano até abril.
“Os insumos são os grande vilões da agricultura brasileira neste ano e foi esse item que mais puxou o resultado do PIB”, afirmou. Diante do cenário de “desestímulo”, ele considerou que a meta do governo de elevar para 150 milhões de toneladas a produção agrícola na safra atual, 2008/2009, está “ameaçada”.
Segundo ele, o governo não atacou os principais gargalos da agricultura com o plano de safra anunciado no começo do mês. Cotta disse que “faltou prioridade” para medidas que reduzam a dependência externa por fertilizantes e ampliem o número de empresas que atuam no mercado interno.
Ele acrescentou ainda que o governo não investiu em obras de infra-estrutura e defendeu a autorização por parte do governo para que a iniciativa privada invista na área de logística, principalmente portuária.
Como medida que pode reduzir o custo de produção -já para a safra que será plantada a partir do próximo mês de setembro -, o superintendente citou a eliminação da alíquota de 25% do Adicional do Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM). Segundo Cotta, outra idéia é zerar a cobrança de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na comercialização de fertilizantes, decisão que cabe aos Estados.
“Seria um injeção na veia”, afirmou. Para garantir renda ao produtor, ele defendeu que o governo estimule o uso de mecanismos de mercado futuro, incluindo financiamentos. “Quanto menos intervenção (do governo), melhor.”