Arquivo de setembro, 2008

Globalização e sustentabilidade

29/09/08

Análise Fator:

Por Frederico Nadal Draetta, gerente da Fator Ambiental

Na semana passada voltou à agenda de discussões da Assembléia Legislativa a questão da ocupação da área de proteção ambiental no entorno da Represa Billings, com a apresentação de projeto de Lei específico para ela. Esta é uma questão modelo e também uma grande oportunidade para colocarmos em prática todos os conceitos de sustentabilidade levando-se em consideração os aspectos econômicos, ambientais e sociais dos interesses envolvidos.

Governo e sociedade civil, representados pela população, além de organizações e setores da iniciativa privada, têm a oportunidade de implementar um projeto para se tornar um CASO DE SUCESSO de relevância internacional. Mas para isso todos os aspectos devem ser analisados, a decisão deve passar pela vocação das áreas impactadas e estar dentro dos planos diretores das cidades afetadas e do Estado de São Paulo.

Sendo assim, a partir da definição do melhor caminho, deverá ser elaborada uma Lei que permita o estabelecimento de um programa com metas e responsabilidades claras, prazos para início e fim bem definidos e instrumentos de controle e transparência. Grandes oportunidades de desenvolvimento envolvem esta e outras questões nas grandes metrópoles.

Abraços a todos e boa leitura!

 

 

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Para cumprir metas, a União Européia investe em geração solar

Londres, 26 de Setembro de 2008 - Quando o sol se levanta sobre Sevilha, no sul da Espanha, a sua luz ofuscante se reflete em um campo de 624 espelhos cercados por girassóis. Os espelhos móveis refletem os raios do sol para uma torre branca de 115 metros de altura, que usa o calor concentrado para ferver água, produzindo vapor que gira uma turbina elétrica 97 vezes por segundo. É a primeira usina comercial da Europa de energia elétrica termossolar e a vanguarda do movimento a favor do poder verde.

“Veja! Veja!”, exclama o gerente da usina, Valerio Fernández, olhando uma tela de computador que mostra que a produção está quase chegando ao máximo. Em dias quentes e claros, a usina, de ?37 milhões (US$ 55 milhões), pode gerar 11 megawatts (MW), potência suficiente para 5.500 moradias. A usina não atingiu a sua meta ao meio-dia daquele dia de junho, o que significa que um punhado de casas vai usar energia elétrica derivada de combustíveis fósseis. “Que pena, não conseguimos!”, disse Fernández. “Mas quase conseguimos.”

“Chegamos perto, mas não conseguimos” é uma expressão que pode ser aplicada à energia solar de um modo geral. A disparada dos preços do petróleo e do gás natural, as preocupações com a segurança do abastecimento externo e o sistema de subsídios da Espanha e Alemanha estão tornando a energia solar mais competitiva do que nunca.

Essas condições levaram empresas européias, como a Abengoa, sediada em Sevilha e que construiu a usina em que Fernández trabalha, a entrar na corrida para aproveitar os raios de sol para geração de energia elétrica. A energia solar, se fosse aproveitada devidamente, poderia resolver os problemas energéticos do mundo.

” Em seis horas, o consumo anual de eletricidade da humanidade é coberto, na forma de energia solar, nos desertos”, disse o físico de partículas alemão Gerhard Knies. Ele projetou um plano audacioso de construir campos de espelhos no deserto do Saara e ligar os países do Norte da África à rede de energia elétrica da Europa, atravessando o Mar Mediterrâneo.

“É um projeto maravilhoso”, disse Jeffrey Sachs, diretor do Instituto da Terra na Universidade de Columbia. “Ainda não está no nível da tecnologia comercial, mas tenho confiança de que pode chegar lá”. Sachs diz que o financiamento público será a chave do sucesso.

A consciência pública de que ecologia é uma coisa boa - e o apoio político aos subsídios - também fortalece os projetos solares. O documentário de Al Gore, “Uma Verdade Inconveniente”, vencedor de dois prêmios Oscar em 2007, aumentou a aceitação por parte de governos e de cidadãos de que a queima de combustíveis fósseis está causando o aquecimento global.

A União Européia (UE) estabeleceu no ano passado a meta de gerar 20% de sua eletricidade a partir de fontes renováveis até 2020, contra 9,2% em 2006 . A invasão da Geórgia pela Rússia, em agosto, também destacou o risco de depender demais de um fornecedor estrangeiro de combustível. A Rússia fornece mais de 40% das importações de gás natural da Europa e um terço de seu petróleo importado, segundo a Comissão Européia, órgão executivo da UE.

“Dada a intervenção da Rússia na Geórgia, é crucial que a Europa diversifique as fontes tecnológicas e geográficas de sua energia”, diz Michael Ware, diretor-gerente da Good Energies.

Knies, um homem de 71 anos cheio de energia e que já foi pesquisador do Deutsches Elektronen-Synchrotron, centro de física de partículas sediado em Hamburgo, organizou em abril deste ano uma conferência de que participaram 160 pessoas, entre elas investidores, empresas como a Abengoa e políticos.

Knies, filho de um pastor protestante, disse no encontro que a energia solar é gratuita, limpa e quase inesgotável. A luz do sol pode ser coletada nos desertos ermos e usada para movimentar usinas de dessalinização, que podem fornecer água potável e irrigação a terras áridas.

“Se conseguirmos usar a energia solar do deserto, poderemos ter tecnologia que poderia resolver os nossos problemas”, diz Knies. A instalação de espelhos em apenas 0,2% do Saara - uma área de 130 quilômetros por 130 quilômetros - poderia gerar toda a energia elétrica da UE, segundo ele.

A França, que no ano passado gerou 77% de sua energia elétrica em usinas nucleares, quer criar o Plano Solar Mediterrâneo, como parte de uma nova união entre estados da Europa e do Mediterrâneo, fundada este ano por Sarkozy. A meta do bloco é aumentar o comércio, a segurança e o emprego no Norte da África, uma grande fonte de imigração ilegal na Europa.

O cenário apresentado por Knies pode ser exageradamente ensolarado. A energia solar precisa competir com outras formas de energia, da eólica à nuclear. Até em 2016, o custo de construir uma usina termossolar fará com que a sua eletricidade saia por US$ 0,14 por kilowatt-hora, mais que o dobro do valor da fornecida por petróleo, gás natural e carvão, diz Christopher Namovicz, analista da Agência de Informação sobre Energia dos EUA.

“O limite da eletricidade termossolar está no seu custo”, diz ele. “Existem problemas com a confiabilidade do sistema - que não funciona à noite ou em dias nublados -, mas eles também acabam se reduzindo aos problemas de custo”.

Existe uma forma de contribuir para que a energia solar “pegue”. “Ela exige subsídios”, diz Namovicz. É incerto se eles estarão disponíveis, acrescentou ele. “É difícil prever a vontade dos parlamentares”.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 4)(Bloomberg News)

 

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GAZETA MERCANTIL - SP

26/09/2008

Governo evita compromisso com meta de corte de emissões

O governo brasileiro divulgou ontem um plano nacional de combate às mudanças climáticas, mas evitou se comprometer com metas para a redução de emissões de gases que alteram o efeito estufa e provocam o aquecimento global. O programa, que reúne iniciativas de diversos ministérios, será colocado em consulta pública durante outubro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinará o texto definitivo em até quatro meses.

“São objetivos setoriais voluntários”, declarou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, para quem a resistência do Itamaraty em adotar compromissos a fim de evitar o enfraquecimento do país nas negociações internacionais sobre o tema impediu a inclusão de metas no documento.

“O plano tem objetivos. Um plano sem objetivos é um saco vazio”, ponderou o Minc, ao comentar a capacidade do governo em garantir a eficácia do programa.
O Protocolo de Kyoto só estabelece metas para os países desenvolvidos, mas a Organização das Nações Unidas (ONU) recomendou aos países em desenvolvimento a diminuição de 20% das emissões até 2050.
Atualmente, o desmatamento representa cerca de 80% do total das emissões brasileiras. O Plano de Nacional de Mudança Climática busca atacar esse problema.

O governo quer reduzir o desmatamento ilegal e aumentar a área de florestas plantadas de 5,5 milhões de hectares para 11 milhões de hectares. Desse total, 2 milhões de hectares devem ser de espécie nativa. O restante será de florestas para uso comercial.
Assim, destacou o ministro, o Brasil eliminará a perda líquida das áreas com cobertura florestal até 2015. “Seremos credores em termos de emissão”.

Por meio de nota, o Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS) criticou o plano pelo fato de não incluir instrumentos para verificar as ações.
“Temos um governo deslumbrado com o petróleo do pré-sal, com o crescimento econômico e insensível, imaturo, em face ao cataclisma climático que se anuncia”, destacou o comunicado.

O governo continuará a aumentar a participação dos biocombustíveis na matriz de transportes nacional. Manterá também os esforços para estruturar um mercado internacional para os produtos.
Segundo o plano, a substituição da gasolina pelo etanol reduzirá o lançamento de aproximadamente 508 milhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera até 2017. A troca de diesel por biodiesel evitará a emissão de 62 milhões de toneladas do gás nesse período.

O plano estima que a produção nacional de álcool passará de 25,6 bilhões de litros neste ano para 53,2 bilhões de litros em 2017. “Não há a menor possibilidade de o nosso etanol não ser verde, porque senão vão bloquear ele lá fora”, afirmou Minc, em referência a possíveis barreiras comerciais ao produto. Já a produção de biodiesel deve subir de 10,5 bilhões de litros para 14,3 bilhões de litros até 2017.

O plano também cita a intenção do governo de elevar a participação de energia renovável na matriz energética elétrica. Até 2010, descreve o documento, 7 mil MW de potência em energias renováveis entrarão no mercado nacional.

Segundo o documento, o Ministério de Minas e Energia estuda realizar um leilão específico para a contratação de energia eólica no primeiro semestre de 2009.
(Reuters)

 

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26/09 - 01:13

Brasil terá álcool de celulose em 2010

CURITIBA, 26 de setembro de 2008 - A corrida tecnológica pelo álcool de segunda geração, o combustível verde obtido a partir de resíduos do bagaço de cana ou de qualquer outros vegetal, poderá ser vencida pelo Brasil em um ano e meio. Foi o que garantiu o presidente para a América Latina da dinamarquesa Novozymes, Pedro Luiz Fernandes. Segundo informou, será possível iniciar a produção deste tipo de álcool em escala comercial em 2010, a um custo mais baixo que o álcool convencional.

Há um ano, a Novozymes, maior produtora de enzimas industriais do mundo, e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), de São Paulo, assinaram acordo para selecionar a enzima mais adequada para a hidrólise do bagaço da cana-de-açúcar.

Desde a assinatura do acordo, a pesquisa evoluiu para a utilização de dois tipos de enzima. “Nós já encontramos a ‘mistura óptima’, como se costuma denominar em química.” Os estudos estão na etapa em que se busca a melhor forma de utilizar uma enzima em cada etapa de produção ou as duas simultaneamente, informou.

Segundo Fernandes, a tecnologia da empresa aponta para uma solução, cujo custo será inferior ao da produção de álcool convencional. “Com certeza, na medida em que ganhar escala, o álcool de celulose será mais barato que o produto atual.” Com essa tecnologia, o Brasil poderá triplicar a produção de etanol sem necessidade de ocupar novas áreas agrícolas.

A Novozymes faz essa pesquisa em escala mundial. Os Estados Unidos têm o mesmo interesse de produzir o álcool de celulose a partir dos resíduos do milho. São mais de 110 cientistas envolvidos na sede da empresa na Europa, nos EUA (a empresa tem parceria com a Universidade de Washington) e no País. “Pelo que tem de biomassa, o Brasil é o player do futuro neste tipo de combustível.” (Norberto Staviski - Gazeta Mercantil)

 

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quinta-feira, 25 de setembro de 2008, 10:03

OIT: etanol vai criar 12 milhões de empregos até 2030

AE - Agencia Estado

GENEBRA, SUÍÇA - O etanol deve criar 12 milhões de empregos no mundo até 2030, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), que chama a atenção para o fato de que, no Brasil, milhares de pessoas que atuam no setor ainda sofrem com salários e condições de trabalho degradantes. A entidade prevê uma consolidação do etanol no Brasil nos próximos anos e o surgimento de sete grandes grupos no setor no País. Os dados fazem parte de um relatório sobre o impacto das novas tecnologias ambientais para o emprego divulgado ontem pela OIT. Energias renováveis, entre elas o etanol, vão gerar 20 milhões de empregos até 2030 no mundo.

A entidade acredita que os governos terão de buscar investimentos para incentivar a retomada da economia afetada pela crise financeira e, aposta, o setor ambiental será um dos mais relevantes. As estimativas indicam que US$ 630 bilhões em projetos serão investidos em energia renovável até 2030. Isso geraria 2,1 milhões de postos de trabalho em energia eólica e 6,3 milhões na energia solar.

O Brasil é o país com o maior número de trabalhadores no setor do etanol. Segundo a OIT, são 500 mil pessoas que dependem diretamente do produto. Nos Estados Unidos, são 312 mil e na China, 266 mil. Na Alemanha, o biodiesel gera 95 mil empregos e 10 mil na Espanha. Em 20 anos, o número de pessoas empregadas no setor será multiplicada por dez e o Brasil continuará sendo um dos líderes. A OIT quer garantir que os novos empregos respeitem direitos trabalhistas. Uma das preocupações é o uso de trabalho semi-escravo nos canaviais. O próprio ministro do Trabalho, Carlos Lupi, em Genebra, admitiu que o trabalho degradante existe no setor do etanol. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

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O ESTADO DE S. PAULO - SP

25/09/2008

Etanol: Demanda deve crescer 150%

País vai consumir 63,9 bi de litros em 2017, diz EPE

Mônica Ciarelli

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) prevê crescimento de 150% na demanda de etanol no Brasil até 2017, que passaria dos 25,5 bilhões de litros para 63,9 bilhões de litros. Para atingir esse volume, serão necessários, segundo a EPE, investimentos entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões, valor que toma como base a construção de 246 usinas.

O presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, não vê dificuldades para que o montante seja alcançado. Isso porque as unidades para produzir quase a metade do volume necessário para atingir a meta estão em construção ou já foram instaladas.

Ele explica que o uso do etanol no setor automotivo será o principal fator que sustentará o incremento da demanda. O estudo prevê que o etanol represente em 2017 80% do volume total de combustíveis líquidos consumidos nos veículos leves no País. Hoje, esse porcentual gira na casa dos 30%.

Segundo o presidente da EPE, o resultado do estudo sobre a previsão de oferta e demanda de etanol mostra que o governo foi conservador no Plano Nacional de Energia - 2030, lançado no ano passado. No estudo anterior, o País só demandaria 63 bilhões de litros de etanol em 2030, a meta para 2017 ficava em 45 bilhões de litros.

Tolmasquim afirma que o etanol vai continuar competitivo. O trabalho, explicou, leva em conta um barril do petróleo, em média, de US$ 85 até 2017. “O álcool é vantajoso para o consumidor se custar até 70% do preço da gasolina. Atualmente, pela média nacional, custa 59%. Não considero que vai ficar muito diferente disso.”

A previsão de crescimento da demanda por etanol se sustenta na expansão da frota de veículos biocombustíveis no País. Segundo as projeções, a frota de veículos leves passará de 23,2 milhões em 2008 para 37,5 milhões em 2017.

O estudo prevê que as exportações de etanol dobrem no período, passando de 4,2 bilhões de litros para 8,2 bilhões de litros. “Quem vai puxar demanda externa é o Japão. Desses 8 bilhões, 3 bilhões serão para o Japão e achamos que se trata de projeção conservadora.”

 


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O GLOBO
25/09/2008

Ibama dá sinal verde para iniciar obra de Angra 3

Canteiro começa a ser preparado imediatamente

Ramona Ordoñez

A Eletronuclear vai iniciar imediatamente as obras da usina nuclear de Angra 3 que estão paradas há 22 anos. O Ibama enviou carta à estatal no último dia 22 dando autorização para preparar o canteiro de obras da usina. A estatal vai realizar as obras de drenagem do local, a estação de tratamento de água e seus efluentes, entre outras. A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) por sua vez autorizou as obras de concretagem do local onde serão construídos os prédios não nucleares. Passada a fase inicial de preparar o terreno, a construção propriamente da usina deve começar em abril do próximo ano.

A Eletronuclear terá ainda que cumprir 60 exigências impostas pelo Ibama para receber a licença de instalação que permitirá iniciar as obras da usina.

Por sua vez o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, informou ontem que as projeções indicam que a demanda total de etanol no mercado brasileiro será de 64 bilhões de litros em 2017. Esse volume representará um aumento de 150% em relação aos quase 26 bilhões de litros neste ano.

Esse crescimento se dará pelo aumento do consumo nos automóveis no mercado interno e o aumento das exportações. O número de carros flex, que usam gasolina ou álcool passará dos atuais 23 milhões para 37 milhões em 2017, dos quais 75% usarão o álcool por ser competitivo. As exportações em 2017 também deverão chegar a 8 bilhões de litros contra os 4 bilhões atuais, contando principalmente com o mercado Japonês.

Até 2017, mais 246 usinas de álcool serão criadas

Maurício Tolmasquim destacou que a expansão da oferta será suficiente para atender toda demanda. Estão previstas a construção até 2017 de mais 246 novas usinas que agregarão cerca de 3 bilhões de litros por ano. Os investimentos são estimados entre US$ 20 bilhões a US$ 25 bilhões. Entre 2008 a 2017 está prevista a construção de 246 novas usinas que vão acrescentar em média cerca de 3 bilhões de litros por ano à capacidade instalada do país.

Maurício Tolmasquim disse não ter receio de que a crise financeira internacional venha a afetar os investimentos na expansão da oferta de álcool no país.

- Não acredito. A perspectiva de crescimento da demanda é muito forte e o etanol é muito atrativo para o investidor. Mesmo com o barril do petróleo chegando a US$ 75, que é o piso, o estimado até 2017, o etanol ainda é competitivo. Portanto haverá muito investimento e acho que essa crise internacional não afetará essa perspectiva boa de expansão - afirmou Tolmasquim.

 

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ONU prevê ” empregos verdes”

Nova York, 25 de Setembro de 2008 - O desenvolvimento de energias alternativas deve criar mais de 20 milhões de empregos ao redor do mundo nas próximas décadas, à medida que os governos adotarem políticas de redução de gases causadores do efeito estufa, de acordo com um relatório da ONU divulgado nesta quarta-feira.

Cerca de 2,3 milhões de pessoas já trabalham com energia verde, sendo metade em biocombustíveis, diz o relatório ” Empregos verdes: rumo ao trabalho decente em um mundo sustentável e com baixo carbono”, elaborado e patrocinado pelo programa ambiental da Organização das Nações Unidas.

A criação de empregos vai depender da implementação e expansão dessas políticas nos países, incluindo a redução de emissões de gases causadores do efeito estufa e a migração de subsídios das antigas formas de energia para as novas em um esforço para diminuir o aquecimento global, diz o estudo.

O relatório foi escrito antes da crise de crédito dos EUA abalar Wall Street e repercutir ao redor do mundo, o que pode desacelerar muitos setores, incluindo o de energias alternativas.

O estudo diz que 12 milhões de empregos podem se criados ate 2030 na indústria e agricultura voltadas aos biocombustíveis. Os críticos dos biocombustíveis dizem que o etanol americano, feito principalmente de milho, faz pouco para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa. Mas as empresas correm para fabricar um etanol mais limpo de fontes como resíduos de lavouras e aceleram a plantação de lavouras não-comestíveis.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Reuters)

 

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O amplo alcance das medidas de sustentabilidade

25 de Setembro de 2008 - Com o fortalecimento da economia brasileira, estamos acompanhando o aumento da produção industrial, principalmente no setor da indústria automobilística, que carrega consigo o crescimento de outros setores como o da indústria de pneus.

Esse segmento da economia apontou, recentemente, números de ações responsáveis divulgados por instituições ligadas a ele. Uma delas, a Reciclanip, criada pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos, entidade formada pelos maiores fabricantes mundiais de pneus novos, a Bridgestone Firestone, Goodyear, Michelin e Pirelli, concentra mais de 180 pontos de coleta de pneus inservíveis em todo o País. Foi criada com o objetivo de coletar e dar um destino a esses produtos.

Segundo dados desta entidade, foram recolhidos mais 140 mil toneladas de pneus, elevando para 780 mil o volume coletado desde 1999, no início do Programa Nacional de Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis.

Outra iniciativa importante desse setor, por exemplo, é o projeto da Pirelli para capacitar deficientes auditivos em Feira de Santana, na Bahia. A Bridgestone, por exemplo, aponta em seu balanço social, detalhes de assuntos que dão importância, como apoiar iniciativas em prol do desenvolvimento social e esportivo; desenvolver programas que estimulam a cidadania e buscar diálogos constantes com a comunidade em seu entorno, além de promover o desenvolvimento ambiental das regiões onde atuam. Estes são elos de uma grande corrente que chamamos de sustentabilidade. São iniciativas como essas que ajudam o País a ficar no centro das atenções de investidores internacionais.

Em vários países, empresas de diversos setores vêm se empenhando para fazer parte dos índices de sustentabilidade, como o Dow Jones Sustainability Indexes (DJSI). Entre essas empresas está a estatal brasileira Petrobras, que conseguiu no ano passado ser indicada. O DJSI é um indicador que reúne empresas socialmente responsáveis cotadas na Bolsa de Nova York.

O principal objetivo dessas companhias, assim como a nossa estatal, é tornar-se mais atrativas para os fundos que investem em empresas tidas como socialmente responsáveis, demonstrando mais transparência e credibilidade; mais governança e, por conseqüência, maior competitividade no mundo dos negócios. Nos Estados Unidos esses fundos chegam a movimentar mais de US$ 1 trilhão por ano. E para atrair a atenção dos investidores que procuram empresas socialmente responsáveis, é preciso mostrar a eles por meio dos relatórios de sustentabilidade que apontam as ações tomadas diante de cada stakeholder.

A participação num índice de sustentabilidade, como o da Bolsa de Nova York, é fundamental para a obtenção de novos recursos financeiros e, de certa forma, atesta que a companhia possui boas práticas de governança corporativa, de gestão ambiental e de relacionamento com consumidores, funcionários e fornecedores, entre outros. Na prática, a participação nesses índices vem representando ganhos extraordinários.

Como em outras regiões do mundo, o Brasil também tem o seu Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), criado pela Bovespa em 2005, quando foi composto por uma carteira de 28 empresas em seu lançamento. Essas companhias enfrentaram um processo de seleção e tiveram de responder a um questionário que avalia aspectos econômico-financeiros, sociais e ambientais.

Para a indústria automobilística e, por conseqüência, o segmento de pneus, gerar qualidade de vida é um diferencial. Portanto, a implementação de práticas e políticas de Responsabilidade Social nas empresas do segmento é de altíssimo valor agregado.

Não há obrigatoriedade legal de qualquer setor para a implementação das práticas de responsabilidade social corporativa. Porém, naturalmente, há sim uma cobrança da sociedade e de todos os envolvidos.

A BDO Trevisan está concluindo o 3 Estudo de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) 2008, que tem como objetivo mostrar ao mercado um retrato de como as corporações e seus gestores lidam com os conceitos de responsabilidade socioambiental. As organizações e seus líderes já perceberam que, num futuro bem próximo, não haverá lugar para empresas e negócios isolados dos conceitos de sustentabilidade, de preocupação com os grupos de interesse - os chamados stakeholders - e dos conceitos de pilares básicos de sustentação da governança.

kicker: Para atrair investidores, é preciso mostrar a eles as ações realizadas

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 3) MAURO AMBRÓSIO* - Sócio-diretor da BDO Trevisan )

 

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Candidatos à prefeitura de São Paulo assinam plataforma para os mananciais

[24/09/2008]

Geraldo Alckmin, Gilberto Kassab, Ivan Valente, Marta Suplicy, Renato Reichmann e Sonia Francine assinaram nos últimos dias o documento lançado pelo ISA, assumindo compromissos para garantir a preservação das fontes de água da cidade caso sejam eleitos

A plataforma foi construída a partir de diferentes processos de consulta e proposição de ações realizadas nos últimos anos nas áreas de mananciais da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), entre eles o Seminário Billings 2002, o Seminário Guarapiranga 2006, discussões realizadas junto às instituições da sociedade civil promotoras das três edições do Abraço Guarapiranga, debates no âmbito do Fórum em Defesa da Vida e Contra Violência do Jardim Ângela e propostas realizadas no GT de Meio Ambiente do Movimento Nossa São Paulo.
Entre as propostas está a garantia de coleta e tratamento de esgoto para 100% da população que mora nos mananciais, a garantia de condições adequadas de moradia para a população e o fim do crescimento da cidade sobre as áreas de mananciais. Saiba mais sobre a plataforma.

A coleta de assinatura foi feita por meio de contato com as coordenações de campanha de cada um dos candidatos. Alguns postulantes, mais sensíveis à causa, receberam pessoalmente a equipe do Programa Mananciais do Instituto Socioambiental (ISA) e manifestaram seu apoio às propostas apresentadas para preservar e recuperar as fontes de água de São Paulo.

Para o segundo turno das eleições o ISA está preparando um documento que garanta o compromisso firmado no primeiro turno e que, a partir de 2009, ajude a sociedade civil a fiscalizar o prefeito ou prefeita eleito no cumprimento das metas assumidas.

Veja abaixo a tabela com os candidatos, partidos e coligações que assinaram a plataforma:

Candidato Partido Data Coligação
Ivan Valente PSOL 05.09.2008 Alternativa de Esquerda
Geraldo Alckmin PSDB 12.09.2008 São Paulo na Melhor Direção
Renato Reichmann PMN 12.09.2008 Não tem coligação
Sonia Francine PPS 12.09.2008 Não tem coligação
Gilberto Kassab DEM 22.09.2008 São Paulo no Rumo Certo
Marta Suplicy PT 22.09.2008 Uma Nova Atitude para
São Paulo

 

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ANP planeja outros leilões de biodiesel

Fabiana Batista
Gazeta Mercantil
24/9/2008

Já com dificuldades financeiras, a Brasil Ecodiesel teve nesta semana cancelados seus contratos de biodiesel dos leilões 10 e 11 da Agência Nacional de Petróleo (ANP), punição ocorrida por conta da inadimplência nos leilões 9 e 10. Assim, a empresa deixará de vender 66,6 milhões de litros de biodiesel. Também foram cancelados pela agência contratos da Renobras (MT) que também atrasou entregas, que deveria ter ocorrido entre julho e 31 deste mês. “As empresas que não entregarem 50% do produto por quatro semanas seguidas estão sujeitas ao cancelamento. E foi o que ocorreu”, explica Edson Silva, superintendente de Abastecimento da ANP.

A agência deve realizar nos próximos dias outro leilão para repor o volume referente aos contratos cancelados das empresas inadimplentes. “A regra do edital é a de que a empresa que tiver contrato cancelado não pode participar dos leilões seguintes. Foi o que aconteceu com a Brasil Ecodiesel. A empresa descumpriu a entrega referente aos leilões 8 e 9, mas o cancelamento do contrato não ocorreu a tempo de impedir sua participação nos leilões seguintes. Mas, conseguimos cancelar essa participação, porque ela não foi concluída, uma vez que a Petrobras ainda não realizou os leilões eletrônicos com as distribuidoras”, explica Silva.

Das cinco unidades produtoras de biodiesel da companhia, três estavam inadimplentes. A fábrica de Iraquara arrematou 21,6 milhões de litros e só entregou 95,9%, a de Itaqui contratou 21,056 milhões de litros e somente entregou 85%, e a de unidade de Rosário apenas entregou 85% do volume arrematado.

A Renobras deixou de entregar 95% do volume de 1,2 milhão de litros contratados. A Agrenco (unidade de Alto Araguaia) também teve contrato cancelado pois somente entregou 4% dos 39,6 milhões de litros devidos. “Lamentamos pelas empresas, mas regra é regra e tem que ser obedecida. As punições são sinal de que o mercado é sério e que as empresas que entram nele tem que cumprir as regras”, avalia.

Segundo ele, a inadimplência da Brasil Ecodiesel, que é a maior empresa do setor, não atrapalhou o abastecimento, mas obrigou a realização de quatro leilões de estoques estratégicos para atender o programa de mistura.

 

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Energia limpa movimenta $ 60 bi

São Paulo, 24 de Setembro de 2008 - O mercado mundial de créditos de carbono já tem projetos para movimentar $ 60 bilhões este ano. O valor representará um aumento significativo em relação à 2007, quando foram gerados $ 42 bilhões. A projeção é do engenheiro Ricardo G. Neuding, diretor da empresa Ativos Técnicos e Ambientais (ATA), com base nos processos registrados no protocolo de Kyoto, que estabeleceu metas de redução de gases de efeito - estufa com algo em torno de 5,2% entre os anos de 2008 e 2012.

Os créditos de carbono são originários da implantação de projetos denominados Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), estabelecido dentro do protocolo de Kyoto. O MDL é desenvolvido por países emergentes e geram créditos que são vendidos para os países desenvolvidos. A venda traz receitas que ajudam na implantação dos projetos. É uma maneira de avançar na geração de energia limpa e contribuir para a redução do efeito-estufa.

Atualmente, o mercado de crédito carbono é dominado pela China, que responde por 61% do total negociado, seguida pela Índia com 12% e pelo Brasil, com 4%. Segundo relatório do Ministério da Ciência e Tecnologia, o Brasil tem hoje 264 projetos de MDL, que representam a redução da emissão de cerca de 300 milhões de toneladas ano de gás carbônico. De acordo com o Banco Mundial, a China com 975 projetos está no topo do ranking mundial de MDL e a Índia com 834, ocupa o segundo lugar.

Apesar do crescimento do mercado de carbono e do aumento do interesse sobre o assunto, muitos empresários ainda não dão a devida importância a esse mercado. “Eles não entendem os mecanismos de MDL e, por isso, o tema não faz parte do negócio da empresa”, afirma.

O Brasil tem inúmeras oportunidades de desenvolvimento de MDL. “Há oportunidades de redução na indústria de cimento, siderúrgica, metalúrgica e química. A Rodhia fez um projeto grande de redução de emissão de gazes do efeito estufa, alterando parte de seu processo de produção química.” Apesar dos projetos em andamento nessas áreas, ainda há muito mais a ser feito. “Há também muito a ser feito na área de geração de calor em caldeiras a partir da substituição do óleo combustível pela queima de biomassa. “Temos muitas oportunidade de substituição pela queima de resíduos de madeira, casca de arroz, bagaço de cana, por exemplo”, acrescenta.

Dados do World Resources Institute (WRI) mostram que o Brasil ocupa a quinta posição entre os países que mais emitem carbono no mundo, devido à queimadas e desmatamentos, que destroem reservatórios naturais e sumidouros, que tem a propriedade de absorver o CO2 do ar. O carbono é responsável por cerca de 60% do efeito-estufa.

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 4)(Lucia Rebouças)

 

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Leilão na BM&F Bovespa pode render R$ 37,5 milhões

Qua, 24 Set, 07h26

São Paulo, 24 de Setembro de 2008 - A alta nas cotações dos créditos de carbono e a demanda internacional crescente trazem boas expectativas para o leilão previsto para acontecer amanhã, na BM&F Bovespa. Com base nos preços praticados atualmente no mercado financeiro, a Prefeitura de São Paulo, detentora das 713 mil reduções certificadas de emissão (RCEs) que serão colocadas à venda, deverá obter um valor até 24% superior por tonelada vendida em relação à primeira operação desse tipo, em setembro do ano passado. No total, o leilão deve girar R$ 37,5 milhões.

Os créditos, que possuem o certificado do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Kyoto, são procedentes dos projetos dos aterros sanitários Bandeirantes e São João, onde os gases produzidos pela decomposição do lixo, que provocam o efeito estufa, deixam de ir para a atmosfera e são usados para a geração de energia elétrica. O leilão acontecerá às 8h30 (horário de Brasília) desta quinta-feira e será realizado pela internet, no site da BM&F Bovespa. A divulgação do preço mínimo para os lances está prevista para hoje.

Na primeira edição do leilão, o valor obtido foi de 16,20 por tonelada, enquanto na operação que acontece amanhã os créditos devem ser arrematados por um valor próximo de 20. Os preços de referência são os praticados pela European Climate Exchange (ECE), principal mercado do ativo. Existe ainda a perspectiva de um pequeno ganho adicional para a Prefeitura por conta da desvalorização registrada pelo real em relação ao euro desde a realização do leilão passado.

Na análise do superintendente de crédito de carbono do Banco Real, Maurik Jehee, o leilão deve atrair um grande interesse. “O principal atrativo do produto é que o crédito já foi emitido e possui certificação, ou seja, não possui risco nenhum”, explica, ao lembrar que o mercado costuma funcionar com entrega futura da “mercadoria” - no caso, a redução das emissões de carbono.Jehee avalia que a demanda dos investidores deve ser, no mínimo, a mesma do primeiro leilão, quando 14 participantes foram habilitados e nove apresentaram lances. Para esta edição é esperada a participação tanto de instituições financeiras que comercializam créditos no mercado como empresas que precisam dos certificados para alcançar suas metas de redução de carbono dentro do Protocolo de Kyoto. No primeiro leilão, o banco europeu Fortis arrematou os créditos.

Entre as companhias que manifestaram a intenção de participar do leilão está a francesa Rhodia. A empresa se lançou com força no mercado de créditos de carbono e hoje é responsável por 20% de toda a recuperação mundial. “Trata-se de um volume equivalente a parar uma cidade com 1,2 milhão de automóveis”, compara o vice-presidente da companhia, Elder Martini. Para atuar no mercado, a Rhodia realizou uma joint venture com o banco francês Société Générale e criou a Orbeo, que hoje é a maior comercializadora de créditos em atividade.

Efeitos da crise Na avaliação do superintendente do Banco Real, as cotações do crédito de carbono até o momento têm resistido aos impactos da crise financeira internacional. Segundo Jehee, é muito difícil avaliar como se comportará o mercado, por se tratar de um ativo com pouco histórico de negociação. Ele considera, porém, que a perspectiva de uma desaceleração da economia européia pode provocar uma redução nos preços, uma vez que esfriaria a demanda por créditos.

Além da questão macroeconômica, a oscilação desse mercado depende ainda da variação dos preços de commodities como o gás e o carvão, que servem de matéria-prima para a produção das companhias energéticas européias. Se o preço do gás estiver relativamente mais caro e as empresas usarem o carvão para a produção de energia, a tendência é de que haja uma maior procura por créditos. Isso porque as companhias precisarão de mais créditos para compensar a maior emissão de poluentes do carvão e se adequarem às metas de emissão.

(Gazeta Mercantil - Vinícius Pinheiro)

 


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Quarta-feira, 24 setembro de 2008

Brasil terá ’superávit ambiental’ em 2050

País pode aliar crescimento e conservação, diz estudo

Andrea Vialli

O Brasil e a Rússia devem ser os únicos grandes países do mundo a atingir 2050 com um balanço positivo entre crescimento da economia e conservação dos recursos naturais. No caso brasileiro, a matriz energética mais limpa e as florestas dão ao País mais preparo para enfrentar as mudanças climáticas e mais oportunidades de negócios nesse campo. É o que mostra estudo da Universidade de São Paulo (USP), que calculou o balanço dos países em relação às mudanças climáticas.

Com base na metodologia contábil empresarial, a pesquisa avaliou o estoque de recursos naturais e o saldo entre as emissões e capturas de gases causadores de efeito estufa em sete países - Brasil, Rússia, Índia, China, Estados Unidos, Alemanha e Japão - até 2050.

“No cenário previsto para 2050, o Brasil terá um superávit de US$ 544 bilhões, patrimônio suficiente para continuar crescendo e ainda contribuir positivamente para a Terra com cotas excedentes de carbono, provenientes de energia limpa e recursos florestais” diz José Roberto Kassai, professor de contabilidade da faculdade de Economia e Administração (FEA/USP) e um dos responsáveis pelo estudo, que envolveu seis pesquisadores da USP.

O mundo, segundo o estudo, terá um déficit econômico-ambiental estimado em US$ 15,3 trilhões, ou 23,7% do PIB mundial. “Só Brasil e Rússia terão condições de continuar crescendo sem maiores pressões sobre o meio ambiente”, avalia. O estudo completo será divulgado em outubro, na Câmara Americana do Comércio (Amcham).

Para Kassai, o balanço positivo para o País pode se traduzir em oportunidades de negócios. “Se o Brasil souber aproveitar esse trunfo, poderá receber volumosos investimentos estrangeiros, tanto para projetos de geração de créditos de carbono quanto em compensações financeiras para manter as florestas intactas.”

LUCROS

Muitas empresas já estão lucrando no mercado de créditos de carbono, que vem ganhando impulso desde 2005. A fabricante de papel Klabin concluiu, em abril, a venda do seu segundo lote de créditos de carbono. A empresa substitui o óleo combustível por gás natural nas caldeiras da fábrica em Piracicaba (SP). A venda dos créditos trouxe receita adicional de 1,5 milhão.

“O gás natural é 26% menos poluente que o óleo” , diz Júlio Nogueira, gerente-corporativo de meio ambiente da Klabin. Segundo ele, novos projetos estão em curso. Na nova fábrica de papel da empresa, inaugurada na semana passada, no Paraná, uma das caldeiras será alimentada só com restos de madeira da própria fábrica e do pólo madeireiro da região. “Esse projeto tem um potencial de gerar créditos equivalentes a até 100 mil toneladas de CO2 por ano.”

A petroquímica Solvay Indupa, em Santo André, faturou US$ 1,4 milhão com uma venda de créditos na semana passada, também proveniente da troca de óleo combustível por gás natural. “Geramos receita extra com uma vantagem ambiental enorme, já que o gás não emite gases de enxofre”, diz Carlos Nardocci, assessor da direção industrial.

O ESTUDO DA USP

Amostra: Sete países que representam 68% do PIB e 50% da população do mundo

Metodologia: Usando a equação básica da contabilidade empresarial (ativo - passivo = patrimônio líquido), os pesquisadores calcularam o patrimônio líquido ambiental de cada país. Ou seja, qual o custo do crescimento econômico em relação à preservação e manutenção dos recursos naturais

Resultados: Somente Brasil e Rússia terão patrimônio líquido ambiental com superávit em 2050. O Brasil terá um superávit de US$ 544 bilhões e a Rússia, de US$ 156 bilhões. Países como os EUA e China serão os maiores deficitários ambientais, com US$ 2,72 trilhões e US$ 3,26 trilhões, respectivamente. O mundo como um todo terá um ‘déficit’ ambiental de US$ 15,3 trilhões

 

 


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Quarta-feira, 24 setembro de 2008

Crise freia corte de CO2 na Europa

Para indústria, custos ficaram altos demais com turbulência financeira

Jamil Chade, GENEBRA

O pacote ambiental que a Europa estava prestes a adotar, que modificaria parte do funcionamento de sua economia, pode ser parcialmente abandonado por causa da crise financeira que atinge o mundo. Nos últimos dias, governos e empresas européias alertaram que o custo da adaptação climática proposta por Bruxelas pode se tornar inviável em razão da recessão que ameaça o continente.

Diante das ameaças impostas pelas mudanças climáticas, a Comissão Européia foi a primeira a anunciar um plano para reduzir as emissões de gás carbônico (CO2) em 20% até 2020. O custo dessa adaptação para a indústria européia seria de 44 bilhões (cerca de R$ 117 bilhões) por ano entre 2013 e 2020.

Para representantes da indústria, a crise atual diminui o espaço para que empresas aceitem reformar sua produção. Nesta semana, um grupo de empresários deixou claro às autoridades européias que simplesmente retirariam seus investimentos do continente e os levariam para outra região se a idéia do pacote ambiental fosse aprovada. O impacto dessa ameaça poderia ser a perda de empregos - e mesmo a queda de governos, que não teriam o apoio do setor privado. Empresários alertam ainda que o pacote pode matar a competitividade da indústria européia.

Angela Merkel, chanceler alemã, deixou claro que quer novas regras de emissões de CO2, mas “não poderia apoiar a destruição dos empregos na Alemanha”. A Polônia, ainda com sua indústria pesada, também quer que o acordo seja voluntário.

SUICÍDIO

Na Itália, alguns dos principais políticos afirmam que o pacote não será aprovado. “Politicamente, as idéias fazem sentido. Mas o plano não será aprovado”, alertou o primeiro-ministro italiano, Giuliano Amato. Renato Brunetta, ministro italiano para a Inovação, vai além. “Se o plano for aprovado, matará qualquer chance de recuperação da economia. Ninguém precisa cometer suicídio”, disse.

A idéia da Comissão era obter uma aprovação para o projeto até o fim do ano. O comissário da União Européia (UE) para Meio Ambiente, Stavros Dimas, não se cansa de apelar para que o tema continue recebendo a atenção dos políticos.

Parte da responsabilidade recai sobre o presidente da França, Nicolas Sarkozy, que preside a UE até dezembro. Paris havia indicado que essa seria uma de suas prioridades. Mas, com a crise e a reação da indústria, a proposta final pode ser aguada para evitar que a política ambiental européia seja totalmente abandonada.

RECUO EUROPEU

Angela Merkel
Chanceler da Alemanha

“(Eu) não poderia apoiar a destruição dos empregos”

Giuliano Amato
Primeiro-ministro italiano

“As idéias fazem sentido. Mas o plano não será aprovado”

Renato Brunetta
Ministro italiano

“Se o plano for aprovado, matará qualquer chance de recuperação da economia. Ninguém precisa cometer suicídio”

 

 


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Quarta-feira, 24 setembro de 2008

Projeto prevê urbanização da Billings

Plano permite regularização de 4,4 mil residências, com 70, 100, 125 e 250 m², no entorno do reservatório

Eduardo Reina e Diego Zanchetta

A 11 dias das eleições, o Estado entrega hoje à Assembléia Legislativa um projeto de lei específico da Represa Billings, que favorecerá a regularização de milhares de lotes ocupados irregularmente à beira do manancial por cerca de 1 milhão de pessoas. São cerca de 600 mil habitantes no lado da capital, outros 200 mil em São Bernardo do Campo e aproximadamente 200 mil nas cidades de Santo André, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e Diadema.

A maior parte está em área de preservação ambiental, em assentamentos irregulares, cujos esgotos são lançados diretamente no reservatório. A remoção em áreas de risco e de preservação, contudo, atingirá apenas 4.438 famílias da capital, numa intervenção que será realizada pela Secretaria Municipal de Habitação. Essa proposta chega às mãos dos deputados com um ano e meio de atraso - era prometida para abril de 2007 - e não define se a função básica da Billings é de fornecimento de água para abastecimento ou de produção de energia, via Usina Henry Borden, em Cubatão. E muito menos determina quem fará a fiscalização da qualidade da água.

“É impossível remover 1 milhão de pessoas do entorno da represa, mas não podem ser criados padrões urbanos de zoneamento de ocupações com lotes de até 5 mil metros quadrados”, criticou Marussia Whately, do Instituto Socioambiental (ISA). O temor é que essa “anistia” induza novas ocupações. Haverá reconhecimento de lotes, com possibilidade de entrega de documento de posse para áreas em região de preservação com 70, 100, 125 e 250 m².

Carlos Bocuhy, integrante do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), observa ainda que a lei não determina responsabilidade pelo passivo ambiental das ocupações. “Há muita responsabilidade de prefeituras, políticos e do próprio governo do Estado na ocupação desenfreada do entorno da Billings. O pior é que a proposta não congela o avanço dessas ocupações.”

Já para a superintendente da Secretaria Municipal de Habitação de São Paulo, Elisabete França, a lei “é um avanço e cria áreas de preservação permanente, promovendo a regulamentação em locais onde não havia regras específicas”. Atualmente, só 43% da área da bacia da Billings abriga mata atlântica . O lado da represa voltado para a capital está tomado por uma camada de 50 centímetros de lodo e há vários pontos contaminados com metais pesados. Essa poluição se originou do bombeamento do Rio Pinheiros para o manancial. A operação, que visava a evitar enchentes em São Paulo, foi paralisada em 1992, mas ainda ocorre em casos de emergência.

Apesar da Lei de Proteção aos Mananciais existir desde a década de 70, a degradação da Billings já avançou mais de 30% nos últimos anos com a urbanização sem regras. O manancial perdeu 58 mil hectares de mata. Ambientalistas calculam que, só nos últimos 3 anos, o desmatamento progrediu cerca de 20 metros quadrados por hora.

Maior manancial em área urbana do mundo, a produção original de água, que era de 28 metros cúbicos por segundo, caiu para 12 metros cúbicos/segundo com esgotos, erosão e ocupação irregular. Hoje, a bacia fornece água para 1,6 milhão de pessoas na Grande São Paulo.

ASFALTO ECOLÓGICO

Os bairros a serem regularizados pela lei ainda deverão ganhar asfalto ecológico, com pavimentação permeável. Estão previstas a remediação do antigo aterro do Alvarenga, que funcionou de 1974 a 1986 e era utilizado pelas cidades de São Bernardo e Diadema, e a criação de parques lineares ao longo do Córrego dos Alvarengas e do Ribeirão dos Couros.

 

 


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23/09/2008 - 09h15

Relatório aponta redução de desmatamento legal em SP

O desmatamento legal –autorizado pelo governo de SP– caiu 15% entre 2006 e 2007 e deve cair mais em 2008, se a tendência do primeiro semestre se confirmar. Os dados são de um relatório do programa “Desmatamento Zero”, divulgado ontem pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e que já tinham sido adiantados pela Folha em agosto.

O documento mostra que a queda do desmatamento legal para loteamentos não tem seguido a mesma tendência e que a autorização de desmatar para a silvicultura (plantio comercial de eucalipto, entre outros) também foi maior neste ano do que em todo o ano passado.

Segundo a diretora-geral do DPRN (Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais), Renata Inês Ramos, as autorizações são dadas com base na Lei da Mata Atlântica e o desmatamento para loteamentos “é um sinal que a secretaria deverá prestar atenção”.

A área de vegetação nativa retirada com autorização no primeiro semestre corresponde a 18% do total desmatado legalmente em 2007.

 

 


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Tietê será desassoreado e ganhará plantas e passeio

Serviço começa com quatro meses de atraso e na véspera do início da temporada de chuvas; governo do Estado diz que serão gastos R$ 42,7 mi

Às vésperas da temporada de chuvas e com pelo menos quatro meses de atraso, o governo do Estado vai começar o trabalho de desassoreamento do Rio Tietê e de alguns de seus principais afluentes, como o Tamanduateí e o Cabuçu de Cima, além do trabalho de limpeza de vários piscinões na região metropolitana. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), esta primavera terá temperatura mais elevada e chuvas acima da média.

Está previsto o plantio de árvores e flores nas margens do Tietê. O projeto inclui, ainda, a construção de passeios públicos, de acordo com a secretária estadual de Saneamento e Energia, Dilma Pena. O custo será de R$ 42,7 milhões, além de R$ 4,8 milhões para implementação do projeto paisagístico nas margens do rio, que vem sendo feito desde dezembro de 2007.

Todos os dias, o Tietê recebe uma carga poluidora de mais de 1,1 mil tonelada de matéria orgânica, 3 toneladas de matéria inorgânica e mais de 300 toneladas de resíduos sólidos. O lixo despejado diretamente nos córregos e rios ou em aterros improvisados acaba no leito do Tietê. Estima-se que mais de 35% da poluição acumulada na bacia venha das mais de 600 entradas de água existentes em todo o canal.

A previsão é que a partir de 1º de outubro comece a retirada de até 400 mil metros cúbicos de entulho (40 mil caminhões carregados de terra). Todo esse material passará por separação e depois será levado para aterros sanitários. A previsão inicial era começar os trabalhos em maio.

No período de 2002 a 2006, um total de 10 milhões de metros cúbicos de sedimentos, rochas, detritos e lixo foram retirados do rio. O programa de despoluição do Tietê teve início em 1992 e já custou US$ 1,5 bilhão, ou quase R$ 3 bilhões.

BALSAS
Os novos contratos prevêem que oito máquinas retroescavadeiras farão o trabalho de retirada do material do leito do Tietê pelos próximos 12 meses. Elas ficarão sobre balsas entre a Barragem Edgard de Souza e a Barragem da Penha, num total de 41 quilômetros, e também em terra. “É um projeto de engenharia preventiva essencial para recuperar a capacidade de escoamento das águas do Tietê”, disse Ubirajara Tannuri Félix, superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE).

Em um dos quatro lotes da obra, a empresa será obrigada a revitalizar os jardins nas margens do Tietê próximo da Rodovia Castello Branco, nas cidades de Osasco, Carapicuíba, Barueri e Santana de Parnaíba. Serão plantadas 14 mil mudas de embaúba, aroeira mansa, sombreiro, jerivá, pitangueira e ipê branco, entre outros. O trecho que receberá o paisagismo corresponde aos locais que receberão a duplicação das pistas na chegada à capital e onde estão em construção novas pontes e viadutos nas rodovias Castello Branco e Anhangüera.

No Rio Tamanduateí haverá retirada de dejetos no trecho entre a cidade de São Caetano do Sul e a foz do Tietê, na zona norte da capital. Estão previstos investimentos de R$ 1,5 milhão.

No Córrego Cabuçu de Cima (entre São Paulo e Guarulhos) já foram canalizados 10,5 quilômetros de leito, desde sua foz até a Ponte Três Cruzes. Outros R$ 7 milhões estão sendo destinados para a limpeza de piscinões.

(Por EDUARDO REINA, O Estado de S. Paulo, 23/09/2008)

 

 


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22/09/2008

Produtos verdes fazem sua estréia este ano

EVELSON DE FREITAS/AE

PILOTANDO - O Panelinha tem um estúdio próprio, que foi reformado para o oitavo aniversário do site
Para Laureen Ornelas, diretora de campanha da Coalização Anti-Resíduos Tóxicos do Vale do Silício, ” hoje não existem eletrônicos verdes”. As empresas estariam cientes das necessidades do meio ambiente, mas ainda relutantes em reduzir o impacto de seus produtos na natureza.

“Mas é verdade que a indústria de TI é incrivelmente inovadora e nos permitiu compartilhar informações de maneiras inimagináveis décadas atrás”, observa. “Parece-me que, se pudessem usar essa criatividade para desenvolver materiais menos poluentes e aparelhos mais fáceis de reaproveitar e reciclar, estariam em um caminho melhor.”

O pessimismo de Laureen pode finalmente ceder este ano, que deve ficar marcado como o da coroação dos esforços iniciados em 2003 para criar dispositivos mais verdes. “Não podemos custear o preço de não sermos verdes”, diz Albert Esser, vicepresidente de soluções em energia e infra-estrutura da Dell. “Dentro de cinco ou dez anos veremos a diferença no crescimento daquelas empresas que se comprometeram com o meio ambiente e daquelas que não o fizeram claramente.”

Roberto Brandão, gerente de tecnologia da AMD no Brasil, explica que “hoje, o grau de agressão ao planeta é menor pela substituição de materiais nocivos, mas não só por isso”. “Começamos a investir em processadores de baixo consumo há anos e, por exemplo, o AMD Phenom X4, que tem quatro núcleos, gasta menos energia do que um chip de núcleo único de quatro anos atrás”, conta Roberto Brandão, gerente de tecnologia da AMD no Brasil. Equipamentos da HP e da Lenovo com processadores AMD ainda foram agraciados com a certificação EPEAT Gold (a mais alta no sistema administrado por um consórcio de fabricantes de eletrônicos e a Agência de Proteção Ambiental dos EUA, com base nos critérios do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos).

A Intel também apostou na redução do consumo de energia e, segundo Reinaldo Affonso, diretor de desenvolvimento tecnológico da empresa no Brasil, “a família de processadores Core 2 oferece uma performance 40% superior com um consumo de energia 40% menor quando comparada à linha anterior”.

Um desses chips Intel está a bordo do desktop eleito o mais verde do ano pelo guia MetaEfficient, editado desde 2004 com resenhas de produtos ambientalmente responsáveis. Ainda sem previsão de venda no Brasil, o Dell Studio Hybrid PC consome 44 watts quando seu sistema é totalmente exigido, 26 watts em modo de espera e 1 watt quando está hibernando ou desligado. Caso fique conectado à tomada todo o tempo esses valores somam à conta de luz 17,5 kWh ao mês.

Outro modelo verde que estreou este ano foi o laptop Thinkpad X300, da Lenovo. A máquina à venda no Brasil traz monitor de 13,3″, processador Intel Core 2 Duo e um disco de estado sólido de 64 GB no lugar do disco rígido (HD). O Thinkpad X300 foi agraciado com a certificação EPEAT Gold, conquistada apenas por outros seletos 15 notebooks - entre os quais há modelos da Dell e da HP, mas não da Sony e da Apple, que, procuradas pelo Link para comentar suas políticas ambientais, declinaram da oportunidade. Assim como a Toshiba e a Positivo.

“A Lenovo é uma empresa preocupada com a sustentabilidade e os impactos que a indústria pode causar ao planeta. Além do X300, temos outros modelos com materiais tóxicos reduzidos e programas de reciclagem nos Estados Unidos, Canadá, China e Índia”, conta Romualdo Soluri, gerente de novos projetos da Lenovo Brasil. “Agora estudamos a implementação do programa de reciclagem no Brasil” . J.R.

 

 


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Segunda-Feira, 22 de Setembro de 2008

BID libera R$ 836 mil para SP ter mais verde

Sé e Praça da República são as áreas que estão na mira da arborização

José Carlos Cafundó

Uma boa notícia para o primeiro dia da primavera: a imagem dura do centro de São Paulo, com prédios, pontes e outra paisagens de concreto, pode ganhar um pouco mais de verde até o fim do ano. Nos próximos meses, deve ser lançada a licitação para o Plano de Arborização do Centro, projeto para plantar árvores nos distritos da Sé e República. O projeto já foi aprovado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que vai financiar os R$ 836 mil previstos para sua execução. O banco analisa o edital de licitação, que a Secretaria do Verde e Meio Ambiente quer concluir para iniciar o plantio.

A idéia do projeto é melhorar o índice de 3 metros quadrados de área verde por habitante na região do centro expandido, muito abaixo do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) - 12 metros quadrados. As áreas mais críticas, segundo dados de 2005, são os distritos da Mooca, Brás, Pari e República.

A cidade de São Paulo tem 48 metros quadrados de verde por habitante, número que não reflete a real situação, já que a cidade tem regiões de mata nativa, como a Serra da Cantareira, na zona norte. “É uma imagem desequilibrada: de um lado temos Parelheiros e a Serra da Cantareira, com imensas áreas verdes, mas do outro está o centro, as áreas industriais antigas e os bairros mais pobres, com níveis quase zero de área verde por habitante”, diz o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge.

O projeto de plantio de árvores faz parte do Programa de Reabilitação da Área Central de São Paulo (Procentro), que foi anunciado há quase cinco anos. Segundo a secretaria, a demora para a implantação foi causada por alguns entraves burocráticos. Como o Plano de Arborização do Centro será realizado por meio do empréstimo do BID, o projeto precisou ser bem detalhado para atender às especificações do banco. Essa é uma das razões alegadas para que a licitação seja feita pela Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), embora o projeto seja da Secretaria do Verde e Meio Ambiente.

Além disso, o plano é complexo por envolver a arborização de uma área amplamente dominada pelo concreto. Devolver o verde a áreas como a República, por exemplo, gera muitas intervenções porque passam por ali cabos de fibra ótica, tubulações de gás e fiação elétrica e telefônica.

Num primeiro momento, uma das empresas vencedoras da licitação vai fazer uma análise da região para detectar as áreas em que é possível plantar e quais árvores podem ser instaladas. “Nós temos de considerar diversos fatores, como a existência de fios e tubulações, para que a árvore cresça após ser plantada e para que ela não cause estragos”, diz o diretor do Departamento de Parques e Áreas Verdes (Depave) da Prefeitura de São Paulo, Hélio Neves.

Somente após esse trabalho é que serão definidas a quantidade de árvores e quais espécies serão plantadas em determinados lugares. O Depave adianta que serão árvores grandes - sempre que possível -, resistentes e que haverá grande biodiversidade, já que as espécies serão distribuídas de acordo com as características de cada lugar. “Acredito que em dois anos teremos sombras de árvores no centro de São Paulo”, diz Neves.

COLABOROU RENATO MACHADO

 

 


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Lucro verde: Empresário ganha com redução de emissões

Folha de S.Paulo
21/09/2008

Mudar produção e vender créditos de carbono podem trazer retorno

Além de reciclar para produzir novas matérias-primas, empresários têm outras oportunidades em ecossoluções.

“Há “zilhões” de necessidades, mas é preciso ser criativo”, sugere Katherine Schulz, da consultoria de oportunidades sustentáveis Tandaká.

Para Fernando Almeida, presidente-executivo do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, em um cenário em que restrições como o racionamento de energia só aumentam, também devem crescer as oportunidades de negócio.

“Uma das alternativas é buscar soluções em eficiência energética, substituindo fontes poluentes por ecológicas”, diz.

Essa foi a saída que Juarez Cotrim, 38, encontrou para seu negócio, a Cerâmica Luara, que faz tijolos em Panorama (SP). Desde 1993, quando adquiriu o empreendimento, Cotrim utilizava lenha nas suas fornalhas.

Quando, em 2005, tomou conhecimento das oportunidades no mercado de crédito de carbono -que permite que a redução de emissões de um processo produtivo seja capitalizada-, resolveu reestruturar toda a sua produção.

Cotrim passou a usar uma biomassa feita a partir de serragem, que é menos poluente e mais eficiente energeticamente. Para isso, investiu cerca de R$ 300 mil em novos fornos e equipamentos.

O quanto a empresa deixou de poluir foi revertido em créditos de carbono. Com a primeira venda desses créditos, para a empresa norte-americana Southeastern Carbon Solutions, no final de 2007, o investimento foi recuperado. Foram 23,7 mil toneladas de CO2, cada tonelada a cerca de R$ 15.

O dinheiro dessa e da segunda venda -6.300 toneladas para um grupo francês- foi reaplicado na companhia. Sua produção mensal passou de 400 mil tijolos para 650 mil. Cada milhar vale R$ 230.

Crescimento

O mercado voluntário para créditos de carbono, para o qual Cotrim fez suas vendas, cresceu 344% entre 2006 e 2007, segundo dados do World Bank Marketplace e do New Carbon Finance publicados neste ano.

O mercado voluntário envolve países que não precisam reduzir a quantidade de emissões que libera, como o Brasil, ou que não tenham ratificado o Protocolo de Kyoto -como os Estados Unidos.

Stefano Merlin, diretor da Social Carbon Company, consultoria focada em pequenas e médias empresas, alerta que o processo pode demorar de um a dois anos, em parte devido às burocracias envolvidas (leia mais à direita).

“No caso de empresas muito pequenas, é importante que se juntem com outras do mesmo setor para garantir a rentabilidade da prática”, sugere. O volume mínimo anual de redução é de aproximadamente 10 mil toneladas de CO2. (DB)

CRÉDITOS

A unidade de medida é a tonelada de CO2, que pode ser vendida para instituições como bancos e bolsas internacionais por uma média de R$ 20 cada uma Para adequar o processo produtivo e obter certificações, a empresa deve procurar instituições especializadas, como a Social Carbon ou a Brazilian Carbon Bureau

Para a prática ser rentável, pequenos empreendimentos do mesmo setor devem se unir

Fontes: Stefano Merlin, diretor da Social Carbon, e Sebrae-SP

 

 


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Domingo, 21 setembro de 2008

Físico brasileiro vence ‘Nobel’ do Meio Ambiente

Goldemberg é 1.º latino-americano a ganhar o Prêmio

Planeta Azul

O físico brasileiro José Goldemberg foi um dos vencedores do Prêmio Planeta Azul 2008, uma espécie de Nobel do meio ambiente concedido pela fundação japonesa Asahi Glass a pessoas que se destacam em pesquisa e formulação de políticas públicas na área ambiental. Essa é a primeira vez que um pesquisador da América Latina ganha o prêmio.

Goldemberg, que foi secretário de Ciência e Tecnologia, ministro da Educação e secretário nacional de Meio Ambiente durante o governo Collor, quando ajudou a articular a Eco-92, será homenageado por suas “grandes contribuições na formulação e implementação de políticas associadas ao melhor uso e conservação da energia”.

Ex-reitor da Universidade de São Paulo (USP) e professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da mesma instituição, Goldemberg também atuou como secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Ao longo de sua carreira como físico nuclear, desenvolveu o conceito conhecido como “technological leapfrogging”, segundo o qual os países em desenvolvimento poderiam dar um “salto tecnológico” com o uso de energias limpas, como o etanol, em vez de depender do modelo energético de países ricos.

Segundo a fundação Asahi Glass, Goldemberg trouxe importantes contribuições para a maneira como o Brasil e o mundo vêem a questão energética. Ajudou a quebrar o paradigma de que energia era algo diretamente ligado ao Produto Interno Bruto dos países e que, por isso, quanto mais fosse usada, melhor.

O Planeta Azul é, ao lado do Prêmio Goldman, a maior premiação da área ambiental. Este ano também será homenageado o francês Claude Lorius, por seus estudos sobre o gelo da Antártida e a relação entre os níveis de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera e as mudanças climáticas .

Cada um dos homenageados receberá 50 milhões de ienes (cerca de R$ 851 mil). A cerimônia de premiação será realizada em novembro, em Tóquio.

 

 


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Sustentabilidade: mais do que moda, modo de ser e agir

Flávio Resende
Correio Braziliense
20/9/2008

É difícil imaginar como, durante tanto tempo, alguns conceitos e valores seguiram na contramão do que hoje entendemos por sustentabilidade. Nas mais simples atitudes - como jogar o lixo na lixeira, de preferência separando o que é orgânico, reciclável ou não - até a implementação de políticas de responsabilidade social em grandes, médias e, mais recentemente, pequenas corporações, sem contar o surgimento de instituições voltadas exclusivamente para essa questão, como o Instituto Ethos, a consciência socioambiental preenche, a cada dia, mais espaço na sociedade organizada.
No campo empresarial, adotar uma gestão transparente; estabelecer um vínculo de respeito e ética com todos os stakeholders; produzir de forma a garantir a sustentabilidade não só da empresa como de todo planeta; e atuar de maneira socialmente responsável são mais do que uma tendência. Diria que se trata de modelo moderno de gestão empresarial, dissociado, conceitualmente, do aspecto filantrópico, permitindo ao empresário descobrir que ser socialmente responsável também garante sustentabilidade ao negócio.

Por definição, sustentabilidade é atender às necessidades do presente sem comprometer as possibilidades de as futuras gerações atenderem às próprias necessidades. Para ser sustentável, qualquer empreendimento humano deve ser ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente aceito. Mas esses conceitos, que parecem óbvios, simples sinais de bom senso, infelizmente ainda estão longe de constituírem prática cotidiana de muitas pessoas, grupos, empresas e governos.

Caminhamos numa direção em que o público terá, em pouco tempo, leitura crítica suficiente para discernir o que constitui verdadeiramente uma cultura sustentável empresarial. Muitas organizações acreditam que usar papel reciclado, por exemplo, constrói uma imagem positiva e aliada à questão socioambiental. Mas, para o público, vale muito mais a postura dessa mesma empresa frente a seus clientes, colaboradores e fornecedores, do que ações isoladas, muitas das quais oportunistas e visivelmente artificiais.

Para agir de forma sustentável, devemos ter visão de longo prazo, consciência de que nossas relações sociais e nosso estilo de vida impactam diretamente a realidade à nossa volta - e que devemos ter solidariedade com nossos descendentes. Para que isso aconteça de fato, é preciso entender a construção da sustentabilidade como desafio de muitas faces. Só assim conseguiremos encontrar as múltiplas respostas que o problema impõe.

Sustentabilidade é tema em construção. Há muito o que aprender a respeito. Mas já sabemos que tem a ver com atos de nosso cotidiano. Desde e de cada um de nós até a forma como lidamos ou deixamos de lidar com o que produzimos. Tem a ver com a maneira como usamos os recursos disponíveis. Mais do que modismo, a sustentabilidade deve representar, conscientemente, para pessoas e organizações em geral, perspectiva de futuro melhor para todos.

Grandes oportunidades

23/09/08

Análise Fator

Por Frederico Nadal Draetta, gerente da Fator Ambiental

Nesta semana grandes oportunidades de negócios foram selecionadas para vossa leitura. Temos na área da energia os biocombustíveis e a energia nuclear em destaque, além da expectativa do aumento da produção de ouro em nosso país.

A cada vez maior abertura do mercado europeu aos produtos frutos de processos sustentáveis, além de outras matérias importantes, também fazem parte dessa edição do FATOR NEWS.
E sempre é válido lembrar: os grandes obstáculos são, na verdade, grandes oportunidades, mas é preciso fé, conhecimento e muito trabalho para aproveitá-las!
Boa leitura a todos.

 

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Sexta-Feira, 19 de Setembro de 2008

UE terá cláusula ambiental em seus acordos de comércio

Europeus também confirmam exigência de madeira importada certificada

A Europa anunciou que vai exigir compromissos ambientais em todos os seus acordos comerciais a partir de agora e que já está redigindo uma lei que condicionará toda a importação de madeira de países tropicais, entre eles o Brasil, à apresentação de certificados ambientais.

Todos os acordos comerciais a partir de agora terão, ainda, de incluir metas relacionadas a mudanças climáticas.

A inclusão de cláusulas ambientais nos contratos de comércio sempre preocupou países emergentes, para os quais o assunto é manipulado pelos ricos para criar mais dificuldades às suas exportações.

Ontem, o comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, ressaltou que a vigência de critérios ambientais no comércio é irreversível para os europeus. “O mundo de um comércio desregulado pode ter conseqüências negativas para o meio ambiente. Mas esse não é o mundo que queremos”, declarou Mandelson. “O mercado não é moldado apenas por interesses comerciais brutos. Os Estados podem regular o uso de recursos naturais e os cortes de emissões de CO2.”

Os assessores do comissário, porém, ressalvaram que, no caso das negociações em curso para um acordo com o Mercosul, iniciadas sob um mandato sem condicionantes ambientais, seria politicamente complicado zerar o jogo agora e reiniciá-lo com toda uma série de novas e delicadas exigências.

Mas em áreas específicas, o Brasil pode sofrer impactos imediatos. “Na área de madeiras, estamos já trabalhando em uma legislação que vai criar obrigações para exportadores a fim de monitorar de onde veio a madeira. Isso visa a garantir que ela venha de fontes certificadas e legais e que as áreas são gerenciadas de forma responsável ambientalmente”, afirmou Mandelson.

No início do ano, o Estado já havia divulgado o plano da UE de adotar cláusulas ambientais. Agora, Bruxelas confirma que o objetivo é concluir o pacote até o final do ano. Os europeus avaliam, ainda, a criação de selos ambientais para o etanol.

MUDANÇA CLIMÁTICA

Mandelson informou também que a UE vai usar as negociações comerciais para “incentivar a adoção de metas na área de mudanças climáticas”.

As metas vinculantes de corte de emissões de dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases do efeito estufa, é outro capítulo controverso na diplomacia internacional. Brasil, Índia e China alegam que não podem assumir compromissos porque isso poderia ser um freio à expansão econômica. Para os europeus, se os emergentes continuarem com o atual ritmo de emissões, os esforços de Bruxelas, Tóquio e Washington de corte de emissões não darão resultado.

 


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Sexta-feira, 19 de setembro de 2008

AIE: América do Sul vive ‘desintegração energética’

AE - Agencia Estado

GENEBRA - A América do Sul está vivendo uma fase de distanciamento entre os governos e desintegração energética diante das políticas desencontradas de vários países e do fracasso da nacionalização na Bolívia. O alerta é a da Agência Internacional de Energia (AIE), que publicou ontem relatório sobre o tema, em Paris. Segundo o documento, os paradoxos são tantos na região que projetos de gasodutos estão sendo abandonados, apesar dos recursos abundantes.

Para a agência, a falta de gás na América do Sul transformou-se em problema “endêmico”, e a demanda no Brasil mais que dobrará até 2012. O País, porém, poderá transformar-se em exportador de gás, dependendo do resultado da exploração das novas reservas de Tupi e Júpiter. A AIE, entidade controlada pelos países ricos, aponta que a Bolívia está dependente hoje do Brasil e, por isso, tentando acertar um pacto com Brasília. Com a promessa de que a Petrobras invista no País, daria preferência ao mercado brasileiro sobre o argentino no fornecimento de gás.

De acordo com o relatório, o crescimento da produção de gás na Bolívia está estagnado e dificilmente o país conseguirá atrair os investimentos necessários para cumprir os contratos assinados nos últimos anos com Argentina e Brasil. A agência estima que o país terá de investir US$ 3,5 bilhões até 2012 para entregar o gás prometido. Isso equivale aos investimento dos últimos 12 anos. Diante da confiança baixa dos investidores no país neste momento, a meta seria difícil de ser atingida.

O problema, para a AIE, é que a demanda de gás no Brasil cresce mais rápido que a produção nacional e deve dobrar até 2012, em comparação a 2006. Por isso, a estratégia é diversificar as fontes e incrementar a produção nacional. “Em 2007, 40% do fornecimento de gás vinha da Bolívia. Mas com a instabilidade política no país e o processo de nacionalização, o Brasil freou seus esforços para incrementar a capacidade de importação do gasoduto.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 


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A dimensão estratégica da responsabilidade socioambiental

Artigo - Ricardo Abramovay
Valor Econômico
19/9/2008

A responsabilidade socioambiental do setor privado envolve um paradoxo básico, em torno de cuja explicação a literatura científica se polariza e os atores sociais se dividem. Para uns trata-se de contradição nos termos, ilusão que ignora a essência mesmo do que é o sistema capitalista. A expressão emblemática deste ponto de vista está na célebre afirmação do prêmio Nobel de Economia, Milton Friedman, segundo o qual qualquer companhia voltada a controlar a poluição além do exigido por lei, para contribuir com a melhoria do meio ambiente, estaria praticando socialismo puro e simples (”pure and unadulterated socialism”). Mais recentemente (e a partir de argumentos diferentes dos de Friedman), Robert Reich, ex-ministro do Trabalho de Bill Clinton, em Supercapitalism, denuncia a noção de responsabilidade social corporativa como uma espécie de cortina de fumaça que obscurece o papel imprescindível do Estado na organização social.

Nefasto desvio das finalidades para as quais a empresa existe ou ilusão perniciosa de que o setor privado pode conduzir transformações sociais significativas, em ambos os casos a conclusão é a mesma: a busca do lucro (no respeito à lei, é claro) resume a essência do que fazem os componentes de uma economia descentralizada. As unidades individuais operam a partir dos sinais que recebem do mercado e cabe ao Estado corrigir e impor às firmas o ônus das externalidades, isto é, dos efeitos socialmente indesejados de seus atos.

Este ponto de vista padece de dois problemas básicos. Por um lado, ele ignora que o setor privado e as associações empresariais vão muito além do cumprimento da legislação no que se refere aos impactos socioambientais de suas ações. Não havia qualquer exigência legal para a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais e a Associação Nacional de Exportadores de Cereais decidissem, em junho de 2006, não mais comprar soja vinda de áreas recentemente desmatadas do bioma amazônico. Da mesma forma, não foi para obedecer à lei que a indústria farmacêutica criou um “índice de acesso aos medicamentos” (www.atmindex.org), de cuja elaboração participaram universidades, movimentos sociais, governos e organizações não-governamentais, e cujo ponto de partida está na constatação de que as chamadas doenças negligenciadas não têm recebido nem de longe atenção suficiente do setor privado.
Ora, dirá o leitor, nos dois casos, as empresas só tomam estas iniciativas por interesse, para ganhar mais, por razões, na verdade, egoístas, e não por uma preocupação socioambiental legítima. Aqui reside o segundo problema ligado ao ponto de vista que julga ilusória ou nefasta a própria idéia de responsabilidade socioambiental do setor privado. É claro que o setor privado age por interesse. A questão consiste em saber de que maneira se formam e se exprimem estes interesses.

A principal crítica que se pode fazer aos que rejeitam, em princípio, o conceito de responsabilidade socioambiental do setor privado é que tratam os interesses empresariais como se fossem imunes à pressão social. Tudo se passa como se os mercados, de fato, fossem mecanismos de equilíbrio, neutros, impessoais e situados, por assim dizer, acima da vida social.

Não são apenas as empresas que estão no meio ambiente, sob a forma de emissões, destruição da biodiversidade, poluição e comprometimento tão freqüente do patrimônio social e natural em que intervêm. O meio ambiente (isto é os ecossistemas dos quais as sociedades humanas são parte integrante e indissolúvel) também está nas empresas. Sua presença aí é cada vez mais importante e nela se encontra um dos caminhos de mudança no mundo contemporâneo.

Michael Porter e Mark Kramer, em artigo de 2006 premiado pela Harvard Business Review (”Strategy and Society - The Link between Competitive Advantage and Corporate Social Responsibility”), insistem na dimensão estratégica da responsabilidade corporativa. Muitas companhias, relatam Porter e Kramer, só acordaram para a importância do tema sob pressão e isso lhes trouxe (como no célebre caso da Nike, acusada de fazer uso de trabalho infantil ou das empresas petrolíferas diante de seus sucessivos acidentes) imensos prejuízos. Com freqüência, a resposta a estas pressões foi episódica, cosmética e, sobretudo, sem horizonte estratégico. O grande desafio para a empresa é medir as conseqüências de suas ações não só em seu entorno imediato, mas numa perspectiva de longo prazo, em que sejam criadas capacidades para antecipar resultados.

Para isso, é fundamental reconhecer a dependência mútua entre corporações e sociedade. Porter e Kramer falam em valores partilhados (shared values), que abram caminho para reduzir os conflitos potenciais que a firma enfrenta. As escolhas das empresas não envolvem apenas seleção de tecnologias, preços e procedimentos produtivos. Referem-se também à maneira como vão relacionar-se com as dimensões socioambientais do que fazem, ou, em outras palavras, à qualidade de sua inserção social.

A publicação pelo Global Report Initiative de um documento sobre a biodiversidade (http://www.globalreporting.org/home) é um passo marcante neste sentido. Destinado a tomadores de decisão no interior das organizações, o documento mostra a importância dos ecossistemas para a vida humana e sugere procedimentos concretos para proteger e regenerar os ambientes em que atuam. São imensas as oportunidades de ganho empresarial que uma atitude não predatória oferece. Mas isso exige, com freqüência, mudanças tanto na visão que a empresa tem de seus recursos, como, sobretudo, de suas relações com os stakeholders. Estes stakeholders vão desde comunidades locais e grupos preocupados como a biodiversidade até investidores temerosos dos riscos que a destruição dos ecossistemas poderia trazer à própria legitimidade (licença para operar) da companhia. Socioambiental não é um setor à parte, uma equipe de bombeiros convocada quando a temperatura sobe, mas sim o componente estratégico decisivo do qual depende a integridade de qualquer organização contemporânea.

Ricardo Abramovay professor titular do Departamento de Economia da FEA/USP, coordenador de seu Núcleo de Economia Socioambiental (NESA) e pesquisador do CNPq - www.econ.fea.usp.br/abramovay/
 

 


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Brasileiro é sensível ao aquecimento

O Estado de S. Paulo
19/09/2008

Cristina Amorim

Os brasileiros estão mais sensíveis com as mudanças climáticas, mas ainda há uma inércia que não converte a preocupação em ações. Essa é uma das conclusões de um estudo realizado pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser), com o apoio da Embaixada Britânica.

Entre janeiro e maio, foram ouvidas 210 pessoas consideradas influentes em seis segmentos: mídia, Congresso, sociedade civil organizada, universidades e institutos de pesquisa, empresariado e agências governamentais. “Além de seus papéis sociais, as pessoas estão perplexas como indivíduos diante do desafio. Há um engajamento quase pessoal”, explica a principal autora do estudo, Samyra Crespo.

Ela enfatiza que todos os setores esperam que o Poder Executivo indique o direcionamento do Brasil diante da problemática global. A expectativa vem, também, dos legisladores - abertos ao diálogo com o “lobby virtuoso” feito por ambientalistas, mas que não inseriram a temática em propostas de trabalho. “Eles acham que ambiente não dá votos e, de fato, ainda não dá”, diz Crespo.

Isso porque as pessoas ainda não estabelecem vínculos diretos entre questões ambientais e o cotidiano, como a manutenção da saúde. “Mas a questão das mudanças climáticas traz essa urgência. Sou otimista”, afirma.

Brasileiros esperam liderança nacional contra efeito estufa

Segundo pesquisa do Iser, os cientistas são os mais engajados na questão, e os políticos, os menos

São Paulo - A mudança climática tornou-se um tema importante na agenda de cientistas, empresários, ONGs, da mídia e dos políticos no Brasil. É o que aponta o estudo do Instituto de Estudos da Religião (Iser) que ouviu representantes de todas essas áreas no País.

Os pesquisadores ouviram a opinião de 210 pessoas consideradas líderes em seus respectivos segmentos. E todos os setores ouvidos defenderam que o aquecimento global representa uma das questões mais importantes do nosso tempo, um fato científico incontestável e que afetará toda a sociedade, especialmente a população pobre.

A pesquisa foi feita entre janeiro e maio de 2008, com o apoio da Embaixada Britânica e usou a técnica da entrevista em profundidade, realizando entrevistas de cerca de 50 minutos com cada líder.

“Trata-se de um estudo sobre o nível de informação, engajamento, visões e percepções dominantes de 30 líderes em cada setor selecionado em relação o tema das mudanças climáticas” explica a cientista social do Iser, Samyra Crespo, coordenadora da pesquisa.

Segundo os entrevistados, os impactos sociais das mudanças climáticas deverão levar a uma reformulação nas políticas públicas, com enfoque na redução das desigualdades e conservação de recursos hídricos.

Para a maioria dos entrevistados, a responsabilidade do Brasil perante o mundo no combate às mudanças climáticas concentra-se, principalmente, em quatro ações: conter o desmatamento da Amazônia, rever a matriz de transportes, não “sujar” a matriz energética brasileira, cuja base hidrelétrica considerada limpa em comparação à de países que dependem da queima de combustível para gerar eletricidade, e priorizar o desenvolvimento de biocombustíveis.

“A idéia presente na maioria das respostas é a de que conter o desmatamento é um problema, pois significa mudar o modelo de uso do solo na região, tida como enorme e diversa”, explica Samyra.

Entre os setores entrevistados, os cientistas são os mais preocupados, engajados e bem informados, e os congressistas foram os que se posicionam de forma mais insegura em termos de consistência e engajamento.

Para uma parte significativa dos entrevistados, o Brasil vem, equivocadamente, desprezando a chance de encabeçar uma iniciativa relevante, tornando-se líder dos países emergentes. Para a maioria absoluta dos entrevistados, quem deve liderar o processo de engajamento do Brasil, dentro e fora do País, é o governo. Trata-se de “tarefa de Estado”, disseram. Depois que o governo sinalizar para a sociedade que está levando o assunto a sério, dizem os entrevistados, os demais atores tendem a se engajar.

Veja também:

Íntegra dos resultados do estudo www.estadao.com.br/ext/especiais/2008/09/relatorio_de_divulgacao.pdf
 

 


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19/09/2008 - 10h36

Algodão transgênico dá proteção a lavoura vizinha

RICARDO BONALUME NETO
da Folha de S.Paulo

O algodão transgênico em plantações na China já havia diminuído a quantidade de inseticidas na agricultura, mas agora uma equipe de pesquisadores mostrou um benefício inesperado da tecnologia: as plantas modificadas geneticamente ajudaram a diminuir as pragas que afetam culturas vizinhas.
O algodão estudado foi modificado para produzir o inseticida Bt (derivado da bactéria Bacillus thuringiensis).
O grupo de Kong-Ming Wu, da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas, estudou dados agrícolas de 1997 a 2007 sobre a cultura do algodão Bt no norte da China, além de checar as populações das pragas, especialmente a lagarta da espécie Helicoverpa armigera. O Bt não faz mal a humanos, mas é letal para lagartas de borboletas e mariposas, que atacam plantas como o algodão.

A equipe de cientistas estudou várias culturas plantadas em seis Províncias chinesas, cobrindo 38 milhões de hectares. Desse total, três milhões de hectares eram de algodão Bt.
As lagartas de Helicoverpa armigera costumam atacar o trigo na sua primeira geração, e migram para algodão, milho, soja, amendoim e legumes em gerações subseqüentes.
Em artigo publicado na edição de hoje do periódico “Science”, os cientistas afirmam que a “densidade populacional da H. armigera foi “drasticamente” reduzida com a introdução do algodão Bt.
E as plantações vizinhas de outras culturas também se beneficiaram com a diminuição das pragas. Segundo os autores, isso resultaria do fato de o algodão ser o principal hospedeiro dos ovos desses insetos.
Os cientistas dizem, porém, que é preciso ter cuidado com a possibilidade de os insetos adquirirem resistência ao Bt.

“O controle da resistência de inseto é uma das questões-chave ligadas à pesquisa e desenvolvimento, regulação e aplicação de culturas Bt para controle de insetos no mundo. Entretanto, nenhum caso de resistência em campo foi relatado”, disse Zhao à Folha.
Em laboratório, têm sido criadas linhagens de insetos resistentes ao inseticida. “É uma questão complicada, com muitos artigos sendo publicados a cada ano”, afirma Zhao; por isso, ele cita as conclusões de um novo livro sobre o tema.

“Uma estratégia promissora de controle da resistência envolve o uso de plantas com uma alta dose da toxina em combinação com a manutenção de culturas “refúgios” que encorajam a proliferação de insetos suscetíveis ao Bt na população da praga”, escreveram os autores no artigo na “Science”.

Nos EUA, isso virou norma –cada fazenda de algodão tem de reservar uma parte da terra para algodão não-transgênico.

No caso chinês essa solução seria mais difícil, pela necessidade de instruir milhões de camponeses. Mas a prática chinesa de plantar diversas culturas –como soja, amendoim e milho– próximas ao algodão cria, na prática, os refúgios nos quais as pragas podem viver sem a pressão de terem de adquirir resistência ou morrer.



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Sexta-feira, 19 setembro de 2008

Para escapar à barbárie urbana

Washington Novaes

Às vésperas de eleições municipais, deveríamos meditar no significado dos números da contagem divulgada há duas semanas, que apontam uma população nacional de 189,6 milhões, quando se acreditava que ela já estaria próxima de 200 milhões. Mais ainda, a contagem mostra que o índice de fecundidade das mulheres já baixou para 1,8 filho, abaixo da taxa de reposição populacional, que é de 2 filhos por mulher (que substituirão mãe e pai, sem aumentar a população), e que se esperava só fosse atingido em meados do século, com uma população em torno de 245 milhões. Isso quer dizer que ultrapassamos o crescimento populacional “explosivo”. A população só continuará aumentando nas próximas décadas porque ainda é alto o número de mulheres em idade fértil (por causa das altas taxas de natalidade nas décadas de 60 a 90 do século passado). A persistirem as atuais taxas de fecundidade, a população poderá até reduzir-se em poucas décadas.

É hora, então, de repensar as políticas urbanas. Para que os benefícios da mudança no quadro populacional não venham a ser anulados por políticas que continuem estimulando a concentração urbana e a formação de megalópoles próximas da ingovernabilidade, como nas últimas décadas. Os números expostos pelo caderno especial Megacidades (Estado, agosto de 2008) são assustadores, com a megarregião São Paulo-Campinas concentrando em 11.698 km2 (0,27% do território nacional) nada menos que 22 milhões de moradores, 22,1% do PIB brasileiro e 65% do PIB paulista. Para agravar, pouco mais de um quarto dos paulistanos, 3,2 milhões de pessoas, vive em 1.565 favelas e 1.128 loteamentos irregulares (4/8), além de 36,5 km2 de áreas de mananciais (500 mil pessoas).

O déficit habitacional ali é calculado em 1,5 milhão de moradias. Mas as contas são difíceis porque, ao mesmo tempo, é imenso o número de moradias vagas, com a degradação de certas áreas e a migração de pessoas em busca de segurança. Entre 1996 e 2007, dizem a Fundação Seade e o IBGE , o “centro expandido” perdeu 441 mil habitantes, enquanto áreas “extremas” da Região Metropolitana ganharam 1,21 milhão. É evidente que o deslocamento gera novas demandas. E, ao mesmo tempo, o fechamento progressivo, a “condominialização” de ruas ou setores inteiros em busca de segurança, é uma nova questão.

Para completar, o quadro dos transportes urbanos: “São Paulo vai parar”, diz o urbanista Cândido Malta Campos Filho (Estado, 30/3), segundo quem os paulistanos só aceitam deixar o carro se dispuserem de metrô. E ele não acredita que o Rodoanel venha a alterar significativamente o panorama, pois só deslocará 50 mil veículos.

Nesse panorama, parece claro que só a descentralização político-administrativa para valer, com participação da sociedade na elaboração, execução e fiscalização do orçamento, poderá levar a novos rumos - e impedir que as decisões administrativas continuem confinadas em corporações de interesses político-econômicos. Mas se esbarra aí em outra questão, tratada com muita competência pelo sociólogo José de Souza Martins neste jornal (24/8), ao dizer que a utopia urbana é bloqueada “pelas irracionalidades e absurdos que, infiltrando-se pelas eleições, chegam à política e dominam as cidades”. Explica ele: “Pessoas que foram secularmente mantidas à margem dos direitos políticos, e ainda estão à margem dos direitos econômicos e sociais, tiveram um crescimento político mutilado por essa deformação, que, inevitavelmente, se reflete nas eleições por meio da transformação das carências não-políticas em demandas políticas.” Ou seja, os marginalizados transformam a satisfação de suas carências econômico-sociais em demanda eleitoral - e, por esse caminho, em política clientelista por parte dos candidatos. Não se concebem políticas urbanas adequadas, e sim formatos de atendimento de necessidades específicas (asfalto, ônibus, escola, postos de saúde) em locais específicos. Não se consegue conceber macropolíticas que mudem os rumos das grandes cidades.

Seria fundamental, então, que o País conseguisse chegar a verdadeiras políticas de redistribuição da renda, que nos tirassem do patamar vergonhoso em que nos situamos, com pelo menos 30% da população abaixo da linha da pobreza e milhões na miséria. Embora o Bolsa-Família seja importante, não se pode esperar daí nenhuma transformação profunda do quadro. Ainda mais sabendo que, pelo outro lado, prossegue a concentração, com o pagamento de juros absorvendo 15 vezes mais recursos que o Bolsa-Família. Sem falar em isenções de impostos, perdão de dívidas, crédito privilegiado, sonegação tolerada, etc., etc.

Simultaneamente, precisamos conceber políticas urbanas que levem a transformações profundas na localização de investimentos (e na geração de postos de trabalho), para redistribuir espacialmente a população. Enfrentar interesses que levam à expansão urbana desordenada, sem implantação das infra-estruturas básicas (e transferindo os ônus para toda a sociedade). Ter coragem no enfrentamento das questões do trânsito: vai-se continuar permitindo, sem nenhuma outra exigência (como a retirada de veículos muito antigos), o licenciamento de mil veículos novos a cada dia numa cidade que está parando? Não se estabelecerá nenhuma exigência quanto ao tipo de veículo e seu volume de emissões de gases, nem se implantará o programa de aferição de emissões, aprovado há mais de 20 anos? Não se tornarão obrigatórias novas regras para construções, que substituam e economizem materiais, além de estimular a iluminação e aeração naturais? Não haverá obrigatoriedade de todo gerador de resíduos pagar pela sua coleta e destinação?

“Nossas cidades”, diz José de Souza Martins, “estão escapulindo da civilização em direção à barbárie.” Não é com políticas e medidas paliativas/clientelistas que se pode fugir a desse destino.

Washington Novaes é jornalista
E-mail: wlrnovaes@uol.com.br

 


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Sexta-Feira, 19 de Setembro de 2008

Sabesp nega descontos aos clientes

Empresa diz que água tem qualidade e nenhuma operação será realizada

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) não dará desconto nas contas de água dos consumidores afetados pelo surto de algas nem vai suspender a cobrança enquanto o problema não for solucionado. De acordo com o Departamento Comercial da Sabesp, o problema está no desconforto no consumo, mas a água continua própria para ingestão. Não existe nenhuma operação a ser realizada para diminuir o cheiro e o sabor fortes da água.

Responsável pela Estação de Tratamento da Represa do Guarapiranga, Angelino Aniello Saullo disse que não há mais nada a ser feito. “Não existe necessidade de novo tratamento. A água está segura para o consumo. Não recomendamos nenhuma etapa adicional de tratamento em casa. Se isso for feito, poderá quebrar a presença do cloro”, explicou.

O sol forte e excesso de nutrientes presentes na água por causa do despejo de esgoto são os responsáveis pela proliferação desse tipo de organismo. As algas se proliferam na presença de fosfato de nitrogênio, de luz e de calor forte, como o registrado em agosto. “Há um trabalho no manejo da represa para que esses eventos não ocorram. Mas o comportamento do manancial, que recebe muito esgoto, estiagem e calor, faz as algas aparecerem”, disse Saullo.

Técnicos em química apontam que sabor e cheiro indesejáveis na água, como de inseticida, bolor, terra ou peixe, são provocados pela presença de algas, húmus e outros detritos que naturalmente estão presentes nos mananciais. O gosto e o cheiro provocados pelas algas tem como causa alguns gêneros de cianobactérias, minúscula alga que libera composto orgânico chamado de geosmina.

A Sabesp, em carta aos moradores que reclamaram, informou que “a água, apesar de diferente, não traz riscos à saúde”. “A Sabesp toma todos os cuidados para garantir que seu produto - a água - seja sanitariamente seguro para o consumo humano, cumprindo todas as exigências das leis que normatizam a qualidade da água no território nacional, tendo inclusive certificados seus laboratórios de análise com padrões ISO”, afirmou a empresa. E.R.

 

 


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Serra da Mantiqueira tem seu primeiro residencial ecológico

São José dos Campos (SP), 18 de Setembro de 2008 - Situado no quilômetro 151 da antiga estrada para Campos do Jordão, a SP-50, foi criado o primeiro loteamento ambientalmente correto e compatível com a legislação que protege a Mata Atlântica de altitude que cobre a Serra da Mantiqueira. Trata-se do Residencial Ecológico Parque da Mantiqueira, localizado em Santo Antônio do Pinhal. O local manteve 70% de sua área como sendo de preservação e se tornou o primeiro da região a ter 100% de aprovado pelos órgãos ambientais.

Os índices de conservação do bioma natural, segundo o proprietário do empreendimento Armando Pinheiro, se encontram além do exigido pela legislação. Isto acabou sendo o diferencial de venda do loteamento e a principal característica do residencial, que manteve 115 mil m de mata preservada e com ecossistemas complexos e ativos.

“A área do empreendimento é histórica. Por sua localização estratégica, suas vistas, cachoeiras e água mineral farta, contam que foi passagem dos Bandeirantes no século XVII e acampamento das lutas entre mineiros e paulistas por divisas, na primeira metade século XX. Ali se formou a antiga Fazenda Rancho Feliz”, explicou o empresário.

O local ficou por décadas intocado, com isso se preservou a flora e fauna primitivas. No lugar há ainda um dos bosques com 30 mil m exclusivos de araucárias centenárias e cinco trilhas próprias. Em meio a esses corredores existe um trecho de 320 metros onde se tem 12 cachoeiras e piscinas naturais.

Vista deslumbrante

Outra referência é a vista panorâmica. Do residencial se contempla pontos que são marcos turísticos do trecho paulista da Serra da Mantiqueira, como o Pico Agudo, a Pedra do Baú, o vale do Rio Sapucaí, os altos de Campos do Jordão e a parte da cordilheira na qual se encontra o distrito de São Francisco Xavier, pertencente a São José dos Campos. Por características microclimáticas e a altitude, neste trecho serrano há no inverno a formação de grandes geadas e a queda de neve, além dos termômetros atingirem temperaturas até 6 graus abaixo de zero.

Os investimentos realizados, já computados a infra-estrutura completa, se encontram na ordem de R$ 9 milhões. Eles abrangem 5,5 mil metros de alamedas interna, todas drenadas, pavimentadas, arborizadas, sinalizadas e com paisagismo. A rede domiciliar é abastecida por água mineral, captada e armazenada no próprio empreendimento. Entre os cuidados com o meio ambiente natural está a rede de energia elétrica e iluminação pública. A fiação é subterrânea.

A área total do Residencial Ecológico Parque da Mantiqueira é de 750 mil m sendo 500 mil m destinados às áreas verdes e alamedas. Um terço da área, cerca de 240 mil, foi usada para abrigar os 196 lotes. Os terrenos variam de tamanho, entre 900 a 2 mil m. Desse total, 109 deles já foram comercializados, ao preço médio atual de R$ 100 por metro quadrado.

Foi criada uma associação de proprietários que estabeleceu normas para o início das obras de residências. A entidade considerou as peculiaridades ecológicas do empreendimento e a necessidade de se cumprir a legislação específica voltada para área de preservação ambiental. Isto fez com que se estabelecesse um limite de tonelagem de carga nas vias públicas e a necessidade de controle de acesso de veículos e pessoas pela portaria principal.

O residencial foi entregue no final do primeiro semestre deste ano com 100% da infra-estrutura implantada, o que tem atraído a atenção de pessoas de várias localidades. Os compradores são, geralmente, profissionais liberais, empresários e executivos de empresas que optaram por morar no local ou ter sua casa de campo. Cerca de 50% dos compradores residem na Grande São Paulo, 40% no Vale do Paraíba e 10% em outras regiões. Eles não vêem a hora de voltar a entrar em contato com a natureza e fugir do trânsito da capital.

(Gazeta Mercantil/relatorio - Pág. 4)(Júlio Ottoboni)

 


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18/09/2008 - 10h23

Mais da metade dos domicílios brasileiros tem rede de esgoto

Pela primeira vez, o Brasil passou a ter mais da metade dos domicílios com acesso a tratamento de esgoto, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada nesta quinta-feira.

Em 2007, 51,3% das habitações estavam ligadas à rede coletora, totalizando 28,9 milhões de residências.

A pesquisa registrou também melhora na qualidade dos domicílios brasileiros. De acordo com a pesquisa, 2,4 milhões de domicílios passaram a ter acesso à rede coletora de esgoto em 2007, alcançando mais da metade das residências no país. Quando considerados os domicílios com sistema de fossa séptica, esse percentual vai a 70%.

O número total de domicílios aumentou 3,18%, ou 1,7 milhão, no Brasil em 2007, chegando a 56,3 milhões. Destes, 69,8% eram casas próprias, que tiveram um aumento de 0,7 ponto percentual ante 2006.

Já o abastecimento de água chegou, em 2007, para 46,9 milhões de domicílios, totalizando 83,3% do total, pouco a mais que em 2006 (83,2%). Em termos absolutos, cerca de 1,5 milhão de casas passaram a contar com a rede de água em 2007.

A energia elétrica foi o serviço mais abrangente nos domicílios brasileiros em 2007. Naquele ano, apenas 1,8% das casas não tinham acesso à energia. No Sudeste, o índice de residências atendidas por este serviço chegou a 99,8%, segundo a Pnad.

Por causa do acesso facilitado a aparelhos celulares, a presença de telefones em domicílios brasileiros vem crescendo nos últimos anos, segundo o IBGE. Em 2007, 2,7 milhões de residências passaram a contar com aparelhos, totalizando 43,4 milhões, ou 77% do total. Destas, 17,6 milhões tinham só telefones celulares.

As casas com computadores passaram a representar 26,6% do total de domicílios em 2007, ou 15 milhões. Entre elas, 11 milhões tinham acesso a internet.

Junto da aquisição de mais bens e mais serviços, os domicílios brasileiros ficaram menos ocupados, segundo dados da pesquisa. Caiu o número de domicílios com oito, sete, seis, cinco ou quatro habitantes, e subiu a quantidade de casas com um, dois ou três moradores, na comparação com 2006. Em 2007, a maioria dos domicílios (cerca de 25%) abrigada três pessoas, e a minoria (cerca de 2%), oito pessoas.

A Pnad, que faz levantamentos socioeconômicos anuais da população brasileira, coletou em 2007 dados em 147.851 domicílios de 851 municípios do Brasil.

 

 


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Consumo pode triplicar em 10 anos, prevê BP

Johannesburgo (África do Sul), 18 de Setembro de 2008 - A demanda mundial por biocombustíveis pode até triplicar, à medida que os governos dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia regulamentarem políticas para aumentar o uso de combustíveis derivados de produtos agrícolas, disse Olivier Mace, diretor para a Europa e a África da unidade de biocombustíveis da BP Plc.

O consumo mundial de etanol pode crescer para, pelo menos, 40 bilhões de galões (150 bilhões de litros) por ano até 2020, duplicando a quantidade prevista para consumo até 2010, disse Mace ontem em entrevista na capital comercial da Tanzânia, Dar es Salaam. No mesmo período, o uso de biodiesel pode crescer de 5 bilhões de galões para mais de 10 bilhões de galões. “As estimativas conservadoras mostram a demanda por biocombustíveis dobrando”, disse Mace. “As mais altistas a mostram triplicando”, acrescentou.

A demanda global por etanol está crescendo, num momento em que muitos países, entre eles os Estados Unidos, tentam reduzir a sua dependência do petróleo e reduzir a emissão de gazes poluentes. O preço dos biocombustíveis também seguiu a alta dos preços do petróleo nos últimos 12 meses porque os atacadistas de combustíveis usam mais etanol quando os preços da gasolina sobem.

A oferta de biocombustíveis da América do Sul, particularmente do Brasil, e de países africanos provavelmente será necessária para cobrir a escassez nos Estados Unidos e na Europa, disse Mace. A BP está explorando a viabilidade de se produzir biocombustíveis na África para o mercado europeu, aproveitando a proximidade entre os dois continentes e acordos de tarifas preferenciais, acrescentou o diretor da unidade de biocombustíveis da BP Plc.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 10)(Bloomberg News)

 

 


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Falta de gás faz subir preço da energia

São Paulo, 17 de Setembro de 2008 - Se colocado em prática, o plano de contingência de gás natural trará efeitos desastrosos para ao preço nacional da energia elétrica e, conseqüentemente, para o bolso de todos consumidores brasileiros de eletricidade. O “plano B” traçado pelo governo federal para um eventual novo corte de fornecimento do produto boliviano prevê a substituição de gás por óleo diesel nas indústrias capacitadas para operar com ambos os combustíveis e ainda o desligamento de termelétricas a gás, mantendo em operação as usinas abastecidas com o óleo .

“Ligando térmicas a óleo diesel, mais uma vez o impacto será para o consumidor, já que a geração a partir desse combustível é mais cara, além de mais suja”, afirma Ricardo Lima, presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace). A geração térmica a partir do óleo custa em torno de R$ 600 por megawatt-hora (MWh), o dobro do custo da geração de uma termelétrica a gás.

Na quinta-feira da semana passada, o Brasil viu o seu fornecimento diário de gás boliviano, de cerca de 31 milhões de metros cúbicos, cair pela metade por um período de seis horas, depois que opositores do governo Evo Morales danificaram as instalações do produto. Por precaução, a Petrobras acionou seu plano de contingência e, para evitar um racionamento de gás, a primeira medida anunciada pela estatal foi a retirada de algumas térmicas a gás da companhia do sistema elétrico. Caso a crise se agravasse, o segundo passo seria o ligamento das chamadas “usinas bicombustívies”, que normalmente utilizam o gás natural, mas que também podem operar com o óleo diesel.

“A dependência que temos da Bolívia é muito grande. O país vizinho fornece para o Brasil mais da metade do total de gás consumido aqui”, diz João Canellas, da consultoria Andrade & Canellas.

Leonardo Caio, coordenador do curso de pós-graduação em negócios de petróleo, gás e biocombustíveis da Fundação Instituto de Administração (Fia), afirma que, assim como durante a crise energética de 2001, ano do apagão no País, quem pagará a conta pelo problema do gás é o consumidor. “Não será diferente se essa crise se agravar”, comenta o especialista, para completar: “O primeiro custo que será repassado para o consumidor é a substituição do gás pelo óleo diesel, seja na geração elétrica com no refino do petróleo”, explica Caio.

Conta salgada

Só o acionamento de usinas térmicas - que substituem a geração a partir de hidrelétricas - durante os primeiros sete meses deste ano custará aos consumidores brasileiros de energia R$ 1,5 bilhão. Esse valor será rateado entre todas as distribuidoras de energia, via cobertura tarifária pelo encargo setorial denominado Encargo de Serviços do Sistema (ESS) - que tem como atribuição garantir a segurança energética. “Se térmicas a óleo começarem a funcionar agora, o ESS subirá e o consumidor terá de pagar”, ressalta Lima, da Abrace. “Se forem ligadas, mais uma vez o ESS vai disparar”, ecoa Márcio Sant”ana, diretor da comercializadora Ecom Energia.

As termelétricas a óleo e gás foram acionadas durante o fim de 2007 e início de 2008 para suprir a escassez de energia proveniente das hidrelétricas devido ao baixo regime de chuvas. “Se houver pouca chuva no momento em que faltar gás, o País sofrerá novo apagão”, diz Giuseppe Bacoccoli, pesquisador da coordenação dos estudos de pós-graduação de petróleo (Coppe) da UFRJ.

O presidente da Abrace ressalta ainda a questão logística para entrega de óleo diesel. “Não conhecemos detalhes do plano de contingência da Petrobras. Eles solicitam a troca do gás pelo óleo diesel, mas será que há transporte suficiente para entregar o combustível?”, questiona Lima.

Ricardo Neuding, diretor da Ativos Técnicos e Ambientais (Ata), ressalta os danos ambientais causados pela geração a óleo diesel. “No Brasil a maior parte da matriz é hidrelétrica e, portanto renovável. A geração térmica é muito mais poluente, sobretudo a por meio do óleo diesel, que emite gases para o efeito estufa”, argumenta.

Setor produtivo

Na lista do plano de contingência, após o corte de gás para as térmicas, está a interrupção do fornecimento do produto ao setor produtivo. “Se houvesse um novo corte do fornecimento, o governo precisaria escolher ente abastecer as térmicas ou a indústria”, afirma Canellas. Segundo o presidente da Abrace, um corte na indústria seria “extremamente prejudicial para a competitividade” nacional. “O desequilíbrio no fornecimento pode causar impacto direto na indústria”, afirma. No entanto, segundo Lima, como a Petrobras receberá algum ressarcimento da Bolívia, pelo não cumprimento do contrato, a estatal deveria fornecer o óleo diesel para a indústria a um preço equivalente. “Assim não prejudica tanto o setor produtivo”, sugere.

Leonardo Caio, da Fia, diz que algumas empresas não são “flex”, ou seja, que podem funcionar com gás e óleo diesel. “As flex são prejudicadas porque o diesel custa mais que o gás, o que tira a competitividade da unidade fabril”, afirma. “Num caso de agravamento da crise, o governo deveria reduzir a carga tributária para compensar os gastos adicionais com combustível”, completa.

“Erros estratégicos”

As indústrias de cerâmica e de vidro, setores que nos últimos dez anos promoveram a troca da matriz energética de diesel para gás natural, também criticam o atual cenário. “Depender de um único parceiro e não desenvolver alternativas são erros estratégicos”, afirma Lucien Belmonte, superintendente da Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro).

Possível agravamento

Apesar de a situação estar aparentemente calma, Bacoccoli, da Coppe/UFRJ, afirma que a crise na Bolívia é constante e tem melhoras e pioras. “Naquele país há profundas diferenças sociais e étnicas, portanto há um racha na sociedade que dificilmente será superado”, comenta o especialista. “Estamos nas mãos das manifestações dos bolivianos. Me admiro que os ataques aos gasodutos tenham ocorrido só neste ano”, acrescenta o pesquisador, que afirma que “é muito difícil controlar um manifestante”.

Bacoccoli diz que as ações violentas dos manifestantes ocorrem por “incapacidade do governo boliviano de segurar os opositores”. Além disso, o professor critica a falta de planejamento energético brasileiro. “Nós nunca tivemos planejamento e por isso estamos nas mãos do gás boliviano”, argumenta. O professor lembra que o gasoduto que liga a Bolívia ao Brasil ficou pronto em 1999 e nessa época sobrava gás natural. Porém, diz, por conta do tipo de contrato firmado com o país vizinho, não era possível negociar a quantidade exportada.

Para o professor da universidade do Rio, já em 2001, após o apagão, já era possível saber que faltaria o insumo em 2005. “Desde 2001, o consumo nacional por gás nacional tem subido em 16% ao ano”, diz. “O erro foi cometido nesta época. O gás não era para termelétricas”, acrescenta.

GNL como alternativa

O início da operação de regaseificação do gás natural liquefeito (GNL) importado pela Petrobras pode dar um alívio ao consumidores de gás natural no Brasil. “A entrada do GNL ajuda, mas não elimina a dependência brasileira, já que o insumo será importado”, diz Bacoccoli. O especialista afirma que é preciso achar gás no Brasil. “Com o pré-sal acredito que a situação do gás natural melhore a partir de 2015″.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Roberta Scrivano)

 


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GAZETA MERCANTIL
INFRA-ESTRUTURA - 17/09/2008

Battistella propõe uso de biodiesel em geradores

O grupo Battistella - com sede na capital paranaense e negócios na área de logística, revenda de caminhões e florestas e faturamento próximo a R$ 1 bilhão - quer aproveitar os altos e baixos do fornecimento de gás boliviano para alavancar uma solução que permita substituir o insumo importado pelo biodiesel. A proposta é a instalação de grupos geradores de 20 megawatts (MW) ou mais junto aos fabricantes de biodiesel espalhados pelo Brasil, para que estes possam produzir energia e despachá-la para consumo próximo ou a média distância.

“É uma medida preventiva, que poderia funcionar por três ou quatro anos até que os investimentos em novas hidrelétricas se consolidem e elas estejam produzindo”, explica Gérson Schmitt, presidente executivo do grupo.

Uma primeira experiência de um produtor de biodiesel utilizando o produto para também gerar energia já começou na BSBios, usina de biodiesel de Passo Fundo (RS), que utiliza o Maquigeral B100 e hoje é auto-suficiente na produção de energia nos horários críticos. “Enquanto o investimento numa PCH (Pequena Central Hidrelétrica) ou usina convencional é geralmente superior a R$ 2.000,00/KW, uma PUC-100 (Pequena Usina de Biodiesel 100%) custa R$ 350,00/KW, com tempo de implantação de 2 a 4 meses, contra os 2 a 4 anos habituais das hidroelétricas”, compara Schmitt. “Numa crise de oferta de energia, em meio ano, várias PUB-100 poderiam despachar 500 mil/KW de energia limpa e renovável, evitando um súbito apagão”, acrescenta o executivo.

Uma das vantagens econômicas do projeto, por exemplo, seria auferida pela Petrobras e o programa nacional de biodiesel, para o qual a alternativa de conversão de combustível em energia poderia trazer um novo acelerador para o desenvolvimento e consolidação desse projeto estratégico. “Já a Petrobras, que hoje demonstra preocupação com o provável aumento do custo ou falta de gás natural, poderia evitar o deslocamento de milhares de caminhões com combustível para alimentar termelétricas no Centro-Oeste do País”, afirma. “Assim, a proposta das PUB-100 apresenta-se como uma alternativa muito mais barata em termos logísticos, além de ser segura na geração e distribuição de energia”, completa Schmitt.

O Grupo Battistella há mais de 30 anos possui uma indústria montadora de grupo motor gerador instalada em Colombo, no Paraná´, e que hoje produz 160 máquinas mensais, e fatura perto de R$ 100 milhões anuais. No entanto, de acordo com a empresa, o faturamento poderá dobrar com a instalação de mais um turno.

Há quatro anos a empresa vem pesquisando a utilização de biodiesel puro (100%) neste equipamentos com resultados expressivos. “Utilizar as usinas de biodiesel como parte de um complexo de geração de energia limpa em um modelo descentralizado e com custo logístico menor que o abastecimento das atuais térmicas movidas a diesel convencional é um desenvolvimento possível do nosso negócio”, acrescenta o executivo.
Na BS Bios, o grupo gerador, além da segurança, já trouxe também economia. Segundo Erasmo Carlos Battistella, diretor comercial, anteriormente a empresa dependia somente da concessionária de energia local para o fornecimento de energia, independente do horário e com o risco de quedas nos horários de ponta - das 17h30 às 21h30 - e a possibilidade de paralisação na produção da empresa. “Os blecautes de energia não são previsíveis e como trabalhamos com processos químicos contínuos, a nossa produção não pode parar”, diz. “Neste horário o preço da energia fornecida pelas concessionárias aumenta muito. De segunda a sexta-feira, o preço médio do MWh praticado pela concessionária é de R$ 1.169,50, sem impostos. Já o preço da energia produzida pela usina geradora a biodiesel instalada na BS Bios é de R$ 775 o MWh, incluso a cotação do litro de biodiesel B100, que é de R$ 2,65″, garante ele.

Com a evolução do projeto, a BS Bios já pensa em ampliar sua produção de energia, para atender a demanda local, em programa conjunto com a comercializadora que atua em sua região.
Segundo a Battistella, o grupo motor gerador alimentado a biodiesel reduz consideravelmente a emissão de gases poluentes em relação ao diesel comum, chegando a ter 25% menos emissão de CO (monóxido de carbono) e 14% de hidrocarbonetos, além da diminuição de 88% da fuligem na atmosfera, responsável pelo efeito estufa.

A solução conjugada de máquinas foi chamada de “Pequenas Usinas de Biodiesel - PUB”. Esta tecnologia permite ainda a supervisão remota, à distância, do equipamento. O Maquigeral B 100 foi lançado no mercado pela Battistella no fim de 2007, após seu desenvolvimento por meio de uma parceria tecnológica de vários anos, com o Instituto Tecnológico do Paraná (Tecpar).
(Norberto Staviski)

 


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Mais energia e eficiência

EDITORIAL
Folha de S. Paulo
17/9/2008

EDISON LOBÃO , titular do Ministério de Minas e Energia, surpreendeu há poucos dias até os mais entusiasmados defensores da geração de energia elétrica de fonte termonuclear. Em visita à Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, em Angra dos Reis (RJ), o ministro afirmou que o governo federal prevê instalar 50 usinas nucleares em 50 anos. Isso depois de concluir Angra 3, em 2014, e de construir outras quatro já previstas no Plano Nacional de Energia 2030.

Tendo em vista que foram necessárias três décadas para pôr em operação as duas usinas de Angra, seria um desempenho e tanto. Lobão parece seguro de que a opção do governo Lula pela energia nuclear será mantida e até aprofundada pelas próximas administrações.

No órgão de planejamento de seu próprio ministério, contudo, o cenário é outro. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que coordenou o PNE 2030, projeta um potencial máximo de 25 unidades termonucleares no país.
Mesmo esse contingente soa otimista demais. A expansão das usinas nucleares é necessária e desejável, mas é preciso ressaltar que essa fonte continuará a ter peso minoritário na matriz energética do país. Isso porque o potencial hidrelétrico, por exemplo, está longe de ser esgotado.

A alternativa mais óbvia, em curto prazo, é promover a eficiência energética. Estima-se na EPE um potencial de 10% a 20% de redução no consumo com medidas de conservação de energia, da utilização de equipamentos mais eficientes na indústria à substituição de lâmpadas incandescentes por fluorescentes.
Pouco se ouve falar desse tipo de providência. O país já conta há décadas com programas isolados de conservação, como o Procel (etiquetagem indicadora de baixo consumo por aparelhos). Falta, contudo, uma ação ambiciosa e abrangente.

Encontra-se em gestação no Ministério de Minas e Energia, desde 2004, um Plano Nacional de Eficiência Energética. Deveria ser finalizado em dezembro próximo. Seria bom ouvir o ministro falar sobre isso com igual entusiasmo.

 


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Quarta-feira, 17 setembro de 2008

Doação para ambiente terá isenção de imposto

Noruega vai destinar US$ 1 bilhão até 2015 para combater o desmatamento na Amazônia

João Domingos, Adriana Fernandes e Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA

A decisão do governo da Noruega de destinar U$ 1 bilhão ao País até 2015 para conter o desmatamento na Amazônia levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a assinar decreto que isenta da cobrança do PIS/Cofins o dinheiro de doações para a prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e de conservação do uso sustentável das florestas. Para obter a isenção, o dinheiro terá de ser depositado em bancos oficiais.

No caso do Fundo Amazônia, que recebeu U$ 20 milhões da Noruega ontem, o dinheiro ficará no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Outros U$ 120 milhões deverão ser depositados no fundo nos próximos 12 meses, também pelo governo da Noruega. O restante, pelos anos seguintes, até 2015.

“Não tem sentido um país dar U$ 100 milhões para defender a Amazônia e U$ 20 milhões virarem imposto para o governo. Então, qualquer fundo dessa natureza, supõe-se que ele vá diretamente para o destino adequado, que é a sustentabilidade”, disse o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. “Não faz sentido taxar uma doação que está destinada a um fim tão nobre”, complementou o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

O decreto que isentou as doações destinadas à preservação das florestas foi publicado no Diário Oficial da União de ontem e regulamenta a Medida Provisória 438, deste ano, que prevê a criação de fundos para a preservação da biodiversidade do País. Pelos cálculos do governo, o impacto da renúncia fiscal em 2008 é estimado em R$ 43 milhões para a Cofins e R$ 7 milhões para o PIS/Pasep. Para os anos seguintes, a previsão de renúncia também é de R$ 50 milhões.

O primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, anunciou ontem a concessão de US$ 1 bilhão até 2015 para o Fundo da Amazônia. Do total, US$ 870 milhões estarão no fundo entre 2010 e 2015 só se forem comprovados os resultados da política brasileira de redução do desmatamento da região.

A iniciativa do governo norueguês foi qualificada como exemplar pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que recebeu Stoltenberg, em visita oficial. “No dia em que todo o País desenvolvido tiver a mesma atitude da Noruega, teremos certeza de que o aquecimento global vai ser reduzido”, afirmou Lula. “Espero que outros países sigam o exemplo da Noruega.”

Segundo Minc, além da Noruega, outros cinco países já manifestaram interesse em colaborar com a preservação da região: Coréia, Japão, Suécia, Alemanha e Suíça.

Segundo o ministro, “hoje o governo fecha uma serraria em uma hora, mas não gera 50 empregos sustentáveis em uma hora. Sem recursos importantes e manejo e desenvolvimento sustentável, a guerra contra o desmatamento não prosperará”.

COLABOROU TÂNIA MONTEIRO

 


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Iguatemi e Brascan entram na onda verde

São Paulo, 16 de Setembro de 2008 - Os shopping centers estão entrando na onda verde. Dois novos projetos de shoppings em São Paulo estão se adaptando para receber o certificado LEED (Leadership in Energy & Environmental Design), concedido pelo US Green Building Council, com sede em Beverly Hills (EUA), que atesta, em diferentes graus, a sustentabilidade dos empreendimentos. O Iguatemi Alphaville foi o primeiro shopping do Brasil a entrar com o pedido de certificação, em maio passado, pela Iguatemi Empresa de Shopping Centers (IESC).

O projeto do shopping - cujas obras de fundação já começaram na entrada principal de Alphaville - inclui um edifício comercial anexo de 26 andares com lajes corporativas, o iTower Alphaville, e tem como parceiros a Odebrecht Empreendimentos Imobiliários, a JAG Participação e Desenvolvimento e a Y. Takaoka Empreendimentos, que era dona do terreno e terá participação de 22% no empreendimento.

O investimento total será de R$ 300 milhões, sendo R$ 180 milhões somente no shopping center, que deverá ser inaugurado em abril de 2010. Segundo Carlos Jereissati Filho, presidente da IESC, o projeto de sustentabilidade para um shopping center tem um grau de complexidade bem maior que o de um prédio comercial porque sofre mais interferências de terceiros. É preciso, lembra ele, fazer um trabalho junto a todos os lojistas para que cada um colabore com a utilização racional de seus equipamentos individuais como, por exemplo, do ar-condicionado.

Jereissati Filho calcula que o projeto sustentável do novo shopping, que terá 230 lojas em uma área construída de 119.283 m, deverá resultar em economia operacional de 40% no consumo de água e redução de 20% a 25% no uso de energia elétrica. Parte dessa economia, segundo ele, será repassada de alguma forma aos lojistas. “É a lógica do negócio, racionalizar a operação”, declara sem saber ainda estimar o quanto os custos operacionais ficarão abaixo dos projetos já existentes.

Já a Brascan Shopping Centers está elaborando o projeto para entrar com pedido de certificado LEED para o shopping Pátio Mogi, cujas obras estão começando na cidade de Mogi Mirim, a cerca de 160 km de São Paulo. Este será o primeiro shopping da Brascan no interior paulista e terá como parceira a empresa Jorge’’s Participações. Segundo Paulo Bastos, gerente de desenvolvimento da Brascan, uma pesquisa feita pela empresa identificou 54 cidades com mais de 200 mil habitantes com potencial econômico e financeiro para o desenvolvimento de shopping centers e essa região foi a escolhida porque fica próxima também das cidades de Mogi Guaçu, Itapira e Estiva Gerbi, somando uma população de 350 mil habitantes.

O empreendimento absorverá investimentos totais da ordem de R$ 60 milhões e o custo das obras deve ficar entre 5% e 10% mais alto que o de uma construção convencional, afirma Bastos. O shopping terá 162 lojas com uma área bruta locável (ABL) de 19,6 mil m e cerca de 1 mil vagas de estacionamento. Será uma construção térrea de 27,6 mil m em um terreno de 84,7 mil m dos quais serão ocupados apenas cerca de 50 mil m. A área restante ficará reservada para um plano de expansão que poderá ser lançado sete anos após a inauguração da primeira fase, informa o gerente. A inauguração do Pátio Mogi está prevista para o Natal de 2009.

Bastos não soube adiantar de quanto será a economia operacional com o projeto sustentável mas disse que não deverá influir nos preços dos aluguéis e do condomínio para os lojistas. Isto porque a adoção do projeto sustentável eleva gastos em outros setores que terão que ser compensados. Como exemplo ele cita a operação do sistema de reutilização de água. Ao invés de uma, serão feitas três torres de água - uma para captação de água da chuva, uma para água potável e uma para água reaproveitada e tratada - que consumirão mais energia em sua operação. Esse consumo terá que ser compensado com outras formas de redução de uso de energia, como iluminação ou ar-condicionado.

Segundo Ricardo Vasconcelos, sócio da CA2 - empresa que está desenvolvendo o projeto de sustentabilidade para a Brascan - a economia nos gastos com energia e água nas construções verdes nos Estados Unidos, chega a 30% e 50%, respectivamente. De acordo com ele, cerca de 10% de todo o material que será usado na construção do Pátio Mogi é reciclado.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 9)(amarilis bertachini)

 


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Terça-feira, 16 setembro de 2008

Ambiente ‘perde’ R$ 3,2 bi de royalty

Em 6 anos, ministério deveria receber R$ 3,8 bilhões para programas ambientais, mas ficou com R$ 606 milhões

Sérgio Gobetti

O governo brasileiro desviou para o superávit primário R$ 3,2 bilhões de royalties de petróleo, recursos hídricos e minerais vinculados ao meio ambiente entre 2002 e 2007, cerca de 10 vezes mais do que deve receber da Noruega para investir na preservação da floresta amazônica, entre U$ 150 milhões e U$ 200 milhões. A informação consta de um relatório técnico elaborado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), com base em dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi).

Nos últimos seis anos, o Ministério do Meio Ambiente deveria receber R$ 3,8 bilhões de royalties para investir nos programas ambientais, mas ficou com apenas R$ 606 milhões. O restante dos recursos foi, como se diz no jargão orçamentário, contingenciado - a maior parte já na aprovação da lei orçamentária. Ou seja, os parlamentares aprovaram a proposta do governo de deixar o dinheiro dos royalties numa reserva de contingência, a ser utilizada apenas eventualmente.

Na prática, o dinheiro dos royalties tem sido acumulado no caixa do governo para o superávit primário, a economia de receitas que o governo faz para teoricamente pagar a dívida. Esse “desvio de finalidade” foi possível porque a legislação diz onde o dinheiro dos royalties pode e onde não pode ser aplicado, mas nada impede o governo de não gastá-lo, como vem ocorrendo.

No caso da participação especial do petróleo, por exemplo, o Meio Ambiente tem direito a 10% de tudo o que o Tesouro arrecada. Das demais atividades que lidam com recursos naturais não-renováveis, os royalties vinculados ao meio ambiente somaram apenas R$ 230 milhões em seis anos.

De acordo com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, o contingenciamento de verbas é um dos motivos que levaram à proposta do fundo privado para defender a Amazônia, no qual o Tesouro não tem ingerência. Além disso, segundo Minc, o governo enviou um projeto ao Congresso flexibilizando a regra sobre a utilização dos royalties do petróleo - hoje limitada a programas de mitigação de desastres ambientais no mar.

“Queremos utilizar o dinheiro em programas de clima, que contribuam para a redução das emissões de gases poluentes, como a preservação e monitoramento da Amazônia e o programa de tirar metano do lixo”, afirma. O ministro diz que a expectativa é arrecadar US$ 900 milhões (cerca de R$ 1,6 bilhão) para o Fundo da Amazônia neste ano. A primeira doação será oficializada hoje pelo primeiro ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, em Brasília.

Inicialmente cogitava-se uma ajuda anual da Noruega de US$ 100 milhões (aproximadamente R$ 180 milhões) ao Brasil, mas assessores do governo norueguês admitiam que essa contribuição pode chegar a US$ 200 milhões (cerca de R$ 360 milhões).

PASSEIO

O primeiro-ministro Stoltenberg teve ontem um roteiro movimentado no Rio, que começou por um passeio a Niterói.Na quarta-feira, o primeiro-ministro da Noruega viaja para Santarém (PA), base de sua visita à floresta amazônica. A Noruega dispõe de um fundo de US$ 3 bilhões para destinar à preservação das florestas tropicais de todo o mundo durante cinco anos.

 

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O ESTADO DE S. PAULO
ECONOMIA E NEGÓCIOS - 16/09/2008

Biodiesel poderá ganhar superusina

Petrobrás estuda a construção de sua quarta unidade, que poderá produzir cinco vezes mais que as atuais

Gustavo Porto, Kelly Lima e Nicola Pamplona

A Petrobrás estuda a construção de sua quarta usina de biodiesel, a primeira de grande porte, com capacidade de produção anual de 300 mil toneladas ou 295 milhões de litros. Essa unidade teria produção mais de cinco vezes superior à de cada uma das três atuais da companhia - as já inauguradas em Quixadá (CE), Candeias (BA) e a de Montes Claros (MG), prevista para entrar em operação até meados de outubro.
De acordo com o diretor industrial da Petrobrás Biocombustível, Ricardo Castelo Branco, a quarta unidade será ainda um projeto inédito de produção de biodiesel com 30% de óleo de mamona misturado ao de soja já utilizado no sistema de produção. “Até agora, nenhum fabricante nos dava garantias para um projeto como esse, mas desenvolvemos reatores, separadores que são capazes de superar essa dificuldade adicional”, explicou o diretor, que não revelou data e nem local do projeto.

Como a utilização do óleo de mamona no processo, a Petrobrás espera atingir os padrões de especificação europeus para o combustível, os quais não são atendidos pelo combustível só de soja. “A mamona aparece como uma solução, pois, na mistura, há melhora nas propriedades a frio, que consistem no desempenho do funcionamento dos veículos, prejudicado no rigoroso inverno europeu”, disse.

Apesar das perspectivas para esse biodiesel na Europa, o diretor disse que não há negociações da companhia para a exportação do combustível para o continente. “Não há negociação para exportação, mas toda vez que se discute exportação para a Europa aparece como uma das dificuldades a rigorosa especificação de lá”, disse. A Petrobrás espera chegar em 2012 com participação de 40% no mercado brasileiro de biodiesel, estimado em 938 milhões litros ao ano.

Ele não descartou o interesse da Petrobrás também na aquisição da participação em empresas produtoras de biodiesel. “As parcerias não estão excluídas, principalmente com empresas bem posicionadas”, concluiu o executivo, que participou da Rio Oil & Gas Conference.

Castelo Branco também admitiu que companhia iniciou a revisão das metas de exportação de etanol até 2012. Os novos dados serão divulgados até o início de outubro. “As metas ano a ano, até chegar aos 4,75 bilhões de litros em 2012, estão sob reavaliação”, afirmou.

Ele evitou falar sobre os novos números, mas deu a entender que a meta deverá ser maior que a atual e pode haver variações nos dados de exportação de álcool nos próximos anos. “Se é para cima ou para baixo, vamos avaliar de acordo com o mercado. A tendência (em 2012) é ser maior, mas, se num determinado ano teremos o mercado para uma determinada quantidade, isso vai depender das condições externas.”

Até 2012, a Petrobrás espera ter um volume de pelo menos 4 bilhões de litros produzido em 20 unidades das quais será sócia minoritária, no modelo de parceria que une a companhia a produtores, que têm participação majoritária e uma trading.

 


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Geração une investidor e ambientalistas

São Paulo, 15 de Setembro de 2008 - A preocupação com a definição da matriz energética nacional e as fontes que vão garantir o crescimento do País une ambientalistas e os que priorizam o crescimento econômico na dinâmica do desenvolvimento sustentável. O Brasil tem hoje nas tomadas 102 mil megawatts (MW) de energia. Até 2015, calcula-se que será preciso injetar mais 5% na atual oferta a cada ano. Para não correr o risco da responsabilidade por novos apagões - ou arcar com o ônus de desastres ecológicos - verdes e desenvolvimentistas definem estratégias pragmáticas na busca de saídas para abastecimento do mercado consu-midor, abrindo mão de velhos radicalismos.

No governo, a saída para o setor de energia tem três nome: Jirau, com capacidade instalada de 3.300 MW; Santo Antônio, com 3.150 MW, hidrelétricas de grande porte na região Amazônica, cujos leilões foram vencidos por megacorporações como Odebrecht e a franco-belga Suez, além de Belo Monte, que será a segunda maior hidrelétrica da América Latina, com 11 mil MW.

Para verdes como o Greenpeace, a questão é mais profunda: redesenhar a matriz energética, optando por pequenas hidrelétricas e atenuando o peso do represamento na composição da cesta energética brasileira.

“Nossa matriz energética atual é invejável do ponto de vista ambiental, com mais de 80% vinda de hidrelétrica. Os países desenvolvidos lutam com desespero para renovar suas fontes por energias limpas. E, como planejador estou tranqüilo. Em Belo Monte, fizemos um acordo que diminuiu de 2 mil quilômetros quadrados para 440 quilômetros quadrados a área a ser alagada e cancelamos os projetos de construção de outras duas hidrelétricas no Rio Xingu”, diz Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

“A maior ameaça ao desenvolvimento são as mudanças climáticas e, por isto, discutir a matriz energética é fundamental”, diz Marcelo Furtado, diretor-executivo do Greenpeace no Brasil. Para a entidade, em 2050, o perfil energético deveria ter 38% em hidrelétricas, somando as hidrelétricas existentes e novos projetos pequenos de até 15 MW. A conta inclui 26% de biomassa, conseguida com a segunda geração de restos agrícolas, 20% de eólica, 12% de gás natural e 4% de solar. “Reconheço que não é possível fechar a matriz com fontes inteiramente renováveis”, diz Furtado sobre a inclusão de gás natural, que contém metano, um desastre em tempos de aquecimento ambiental. “Há uma visão quase hostil às grandes usinas mas não sei o efeito destas pequenas todas juntas”, diz Jerson Kelman, presidente da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Os efeitos das grandes hidrelétricas são o pomo da discórdia entre os dois lados. Na luta pela concessão das licenças ambientais, o tema já rendeu polêmicas como a do peixe bagre dourado, migrador do rio Madeira. O impacto sobre a rota migratória do peixe ao longo do rio Madeira teria adiado a concessão da licença pelo Ibama para as usinas de Santo Antônio e Jirau. A demora do órgão na liberação de aval para que os canteiros de obras fossem autorizados teria rendido, entre outros motivos, em meados de maio, o pedido de demissão da ministra Marina Silva, representante do setor mais a esquerda dos ambientalistas. Seu sucessor, Carlos Minc, começou agradando aos setores mais verdes mas, ao conceder a licença de funcionamento para Angra 3, perdeu a simpatia.

“O estudo sobre o bagre dourado migrador de longo curso faz parte de um pacote de ações da empresa focadas no levantamento das espécies da região da fauna e da flora”, diz Sérgio Leão, diretor de meio ambiente da Odebrecht Investimentos Infra Estrutura. Ao lado das demandas pelo meio ambiente, o executivo frisa que as carências sociais também têm peso relevante na hora de aprovar os projetos. “O licenciamento se tornou caixa de ressonância de carências da sociedade”, diz ele, que conduziu 69 reuniões com as populações moradoras da região que será submersa por Santo Antônio. “Atenuamos a ansiedade das pessoas e conseguimos a licença social para a obra”.

“O pior é a postergação das decisões”, diz Paulo Godoy, da Associação Brasileira de Infra Estrutura e Indústrias de Base (Abdib). Segundo estudos da entidade, o prazo médio para o licenciamento varia de 21 e 37 meses. “Queremos algo em torno de 13 meses”, diz Godoy, para quem o setor de energia já tem preocupações ambientais e monitoramento oficial suficientes. “O mais preocupante são as operações ilegais, como invasões urbanas e desmatamentos em áreas preservadas”, acrescenta.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 5)(Leda Rosa)

 

 


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SERRA PELADA VIVE NOVA CORRIDA PELO OURO

Luciana Collet
Gazeta Mercantil
15/9/2008

Serra Pelada, o célebre garimpo que nos anos de 1980 fez muita gente enriquecer e, depois de fechado, em 1992, deixou muitos “órfãos”, volta à cena no próximo domingo.

- A esperança de um futuro “de ouro” e a disputa de poder dividem a cena em Serra Pelada, no sudeste do Pará. Não, esse não é um texto de 1982, quando o então “maior garimpo a céu aberto do mundo” atraía milhares de homens que lutavam por um pedacinho de terra e trabalhavam horas ao sol em busca de uma pepita que pudesse mudar o rumo da própria vida. Em 2008, a cava do garimpo é um lago, mas ainda existem homens procurando ouro na área. Em vez de garimpeiros, são geólogos e ao invés de pepitas que possam lhes dar uma vida melhor, buscam volume de metal que garanta a sustentabilidade da exploração industrial da área.

O projeto está a cargo da mineradora canadense Colossus Minerals, empresa fundada há cerca de dois anos e que realiza pesquisas minerais em ouro no Brasil, em Sumidouro (MG) e Natividade (TO), além de Serra Pelada, mas o principal foco de atenção atualmente é o ex-garimpo paraense, informou Augusto Kishida, vice-presidente de exploração da companhia.

O projeto é realizado em parceria com a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp), em uma joint venture formada em meados de 2007 na qual a mineradora detém 51% de participação, e a cooperativa 49%. Enquanto a empresa canadense entrou com os recursos e o conhecimento necessários para o desenvolvimento da pesquisa, a cooperativa entrou com os direitos minerários, já que desde 2007 detém o alvará de pesquisa de 100 hectares onde está localizada Serra Pelada. Até então a área estava em poder da Cia Vale do Rio Doce, que possui a concessão para explorar os 10 mil hectares ao redor de Serra Pelada, onde produz minério de ferro.

Entre 1980 e 1998, a Vale avaliou cerca de 40 mil metros de Serra Pelada e identificou potencial de cerca de 20 toneladas de ouro - durante a época do garimpo, acredita-se que foram retiradas 60 toneladas. Estimativas extra-oficiais são de que ainda há de 30 toneladas a 40 toneladas de ouro na região, mas os garimpeiros alimentaram por anos o sonho de que as reservas seriam superiores a 200 toneladas.

O plano da Colossus, de US$ 18 milhões, prevê a sondagem complementar de cerca de 20 mil metros, além de fazer a reinterpretacão dos dados da Vale. A pesquisa, que deve ser concluída até o final de 2009, já analisou cerca de 5 mil metros, com resultados animadores. Em volumes pesquisados, encontrou-se até 24,11 gramas de ouro por tonelada minerada, além de 9,04 gramas de platina e 11,57 gramas de paládio. “Tecnicamente é preciso aguardar os resultados finais, mas pessoalmente acho que já dá para pensar na fase de desenvolvimento”, disse Kishida.

Segundo geólogos ouvidos por este jornal, existem projetos em andamento com teor abaixo de 1 grama de ouro por tonelada minerada, o que coloca Serra Pelada em uma posição de destaque, se mantiver a média entre 20 e 25 gramas por tonelada minerada. Com a vantagem de que ainda há teores comercializáveis de platina e paládio, usados principalmente em catalisadores. O preço da platina subiu 36,9% em 2007, mas acumula queda de 22,4% este ano e fechou em US$ 1.187 por onça-troy. Já a cotação do paládio acumula perdas de 33,8% neste ano, encerrando a semana passada em US$ 241 por onça-troy.

Caso seja confirmada a viabilidade econômica do depósito, será instalada uma mina no local, empreendimento que demandará cerca de US$ 30 milhões na fase de desenvolvimento e outros US$ 150 milhões na implantação. A Colossus e a entidade dividiriam os ganhos com a operação, portanto os associados da cooperativa receberiam uma participação nos resultados.

Há quem defenda que os recursos poderiam ser destinados a projetos de desenvolvimento econômico e social da comunidade . “A intenção é aproveitar os recursos para incentivar a educação básica e profissionalizante, estimular a agricultura familiar e melhorar as condições de moradia”, disse o geólogo Pérsio Mandetta, que colaborou na elaboração do projeto de parceria da Coomigasp com a Colossus.
 

 


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Investimento no metal sobe 56% em um ano

São Paulo, 15 de Setembro de 2008 - Em tempos de turbulência financeira, o porto seguro dos investidores é o ouro. Com a crise dos créditos imobiliários de alto risco (subprime) nos Estados Unidos não foi diferente e o resultado é não apenas o aumento no preço do metal, que acumula uma alta de 23% no último ano, mas também uma alta de 56,4% no investimento em mineração de ouro no Brasil. Agora será de US$ 1,55 bilhão para o período de cinco anos, entre 2008 e 2012, segundo levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). No ano passado, o valor dos investimentos em projetos de produção de ouro somava US$ 989 milhões para o período de cinco anos.

As autorizações para pesquisa mineral concedidas pelo Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM) também aumentaram, 47,9%, entre 2006 e 2007 e totalizaram 1782 somente no ano passado.
Apesar da recente desaceleração no preço do ouro, que registrou queda de 10,23% no acumulado do ano até sexta-feira, o diretor presidente do Ibram, Paulo Camillo Vargas Penna, destacou que o metal ainda apresenta um valor elevado, do ponto de vista histórico, e não deve ter retração deste patamar. “De 2001 a agosto de 2008, o ouro acumula alta de 206%, sendo que somente no último ano subiu 23,8%”, disse. “Já o níquel acumula queda de 30% no ano, o chumbo caiu 54% e o zinco, 43%”, comparou. Por isso, o executivo acredita que o metal continuará atrativo para investimentos. “Muito disso se deve à alta volatilidade no mercado financeiro, e o ouro se torna um ativo ainda mais importante nessas horas.”
No Brasil, o maior consumo de ouro vem do mercado de ativos financeiros, que responde por 79% de toda a demanda nacional, segundo o Ibram. Em seguida vem a indústria metalúrgica, com 9,5%, e o setor joalheiro, com 7,1%.

Em 2007, a produção brasileira foi de 47 toneladas, 14,6% acima do apurado em 2006, e correspondeu a 1,88% da demanda mundial, ante 1,64% do ano anterior.

Mesmo com o crescimento, o País permaneceu no décimo terceiro lugar entre os principais produtores mundiais de ouro. Do total produzido, 33,8 toneladas foram exportadas, o que representou um incremento de 6,5% ante os embarques de 2006. Países como Estados Unidos, Peru, Indonésia e Canadá reduziram suas produções entre 2006 e 2007.

Com isso, a exportação de ouro brasileiro tem crescido. Passou de 31 toneladas para 36 toneladas no ano passado. Somente em 2007, o crescimento foi de 6,5% em volume. Em valor, a alta foi ainda maior, de 19,3%, somou US$ 791 milhões. Os Estados Unidos foram os principais compradores, adquirindo 92% do volume total embarcado, seguidos pelo Reino Unido, com 6%, e Canadá e Emirados Árabes, com 2% cada um.
Expansão

Com os investimentos em expansão, a produção brasileira deve atingir as 80 toneladas até 2012. Deste volume, 10 toneladas virão do projeto de expansão da Rio Paracatu Mineração, controlada da Kinross Gold Corporation. A empresa está finalizando seu projeto de expansão que triplicará a capacidade da mina em Paracatu (MG), para 15 toneladas. O projeto, orçado em US$ 540 milhões, já está em fase de testes e deve entrar em operação ainda este mês. Com isso, já este ano colaborará para um aumento de 4,5 toneladas na produção brasileira.

Já a Yamana Gold vai investir US$ 740 milhões em seus projetos de expansão no Brasil entre 2008 e 2011. O volume corresponde a 57% do plano de US$ 1,3 bilhão que a companhia está desenvolvendo para ampliar em 83% sua produção global de ouro, de 1,2 milhão de onças ( 37,3 toneladas) para 2,2 milhões de onças (68,4 toneladas).

O maior investimento será realizado para a expansão da mina de Chapada, em Goiás, onde serão aplicados US$ 221 milhões. Atualmente, a mina possui capacidade para processar 16 milhões de toneladas de rocha, e deve ampliar essa capacidade para 32 milhões em 2011. A estimativa é de que a companhia produza 170 mil onças (5,3 toneladas) de ouro este ano e atinja 6,2 toneladas anuais em 2012.

O projeto da AngloGold Ashanti, de US$ 350 milhões, prevê a expansão da mina de Cuiabá, localizada em Sabará (MG), que deve passar de uma produção anual de 5,2 toneladas para 8,5 toneladas até 2010. Além disso, a empresa, que no início de agosto adquiriu a São Bento Mineração por US$70 milhões, possui o projeto de Córrego do Sítio, no qual estuda a viabilidade de produzir 100 mil onças (3,1 toneladas) a partir de 2011. Devido à aquisição, a empresa avalia ampliar o projeto.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 9)(Luciana Collet)

 


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Segunda-feira, 15 setembro de 2008

O Banco Mundial e as hidrelétricas

José Goldemberg

O Banco Mundial publicou recentemente um interessante relatório sobre o Licenciamento Ambiental de Empreendimentos Hidrelétricos no Brasil, que foi preparado como contribuição ao debate sobre os rumos que a produção de eletricidade vai tomar no Brasil.

Foi a produção de energia em usinas hidrelétricas, a partir do fim do século 19, que deu início à eletrificação do mundo moderno. Em condições favoráveis, é uma energia limpa e renovável, que transforma a força mecânica da água dos rios em eletricidade. Uma vez construída, uma usina hidrelétrica pode funcionar sem maiores problemas durante 40 a 50 anos, sem consumir combustível e operada por apenas algumas dezenas de técnicos. Assim foi introduzida na Europa e nos países industrializados, onde praticamente todos os aproveitamentos hidrelétricos possíveis foram feitos rapidamente. Só a partir de meados do século passado é que a geração de eletricidade em usinas térmicas, queimando carvão, derivados de petróleo e gás - além de usinas nucleares -, se tornou importante. Nos países em desenvolvimento, sobretudo na América Latina e na África, existe ainda um imenso potencial de aproveitamentos hidrelétricos a serem feitos.

Como explicar, portanto, as resistências que surgiram à construção de usinas hidrelétricas em vários países do mundo e, em especial, no Brasil?

A origem do problema está na Índia e na China, que têm grande densidade populacional e não são particularmente dotadas de recursos hidrelétricos. O que sucede é que a construção de usinas exige, em geral, a formação de lagos artificiais, que inundam grandes áreas e provocam outros impactos ambientais e sociais que forçam à realocação de populações indígenas e ribeirinhas e de atividades agrícolas. Em alguns casos, de fato, ela não foi bem conduzida, o que deu origem a toda espécie de reivindicações, algumas legítimas, às quais se somam, às vezes, outras questões não relacionadas com as hidrelétricas.

Uma das conseqüências dessas reivindicações, no Brasil, é que desde meados da década de 1980 as usinas que têm sido construídas têm reservatórios pequenos ou até nenhum reservatório, o que origina falta de eletricidade em períodos de pouca chuva. Parte dos problemas que tivemos em 2001 e até quase levaram a um racionamento se deve a isso.

Há cerca de dez anos, a resistência à construção de usinas atingiu tal vulto em alguns países que foi sugerido que o Banco Mundial deixasse de financiar empreendimentos hidrelétricos. Uma decisão dessas teria graves conseqüências, uma vez que usinas hidrelétricas exigem longo tempo para sua concretização (de cinco a dez anos), o que torna indispensável a aplicação de recursos financeiros a juros baixos e longo prazo para pagamento, que só o Banco Mundial pode fazer. Tratava-se, evidentemente, de uma proposta que poderia prejudicar milhões de habitantes de cidades que ficariam na escuridão sem a eletricidade proveniente de tais usinas. Por essa razão, na época foi criada uma Comissão Internacional de Barragens, que fez recomendações de aperfeiçoamento do processo de licenciamento e construção de hidrelétricas, sem impedir seu financiamento e construção. Muitas delas são relevantes para o Brasil e merecem ser revisitadas.

O grande potencial hidrelétrico remanescente do nosso país está na Amazônia, porque os principais aproveitamentos da Região Centro-Sul já foram feitos. Essa expansão, no entretanto, está provocando resistência de populações ribeirinhas e grupos indígenas diretamente atingidos e de algumas organizações não-governamentais (ONGs) que ainda não compreenderam que as outras opções para produzir energia, como usinas térmicas e nucleares, seriam piores do ponto de vista ambiental.

Essa resistência faz aumentar muito o tempo necessário para a concessão das licenças ambientais, o que eleva o custo das obras e até torna incerta a implementação de alguns projetos. Só para dar uma idéia dos problemas, os custos diretos do licenciamento ambiental (sociais, ambientais e incertezas regulatórias) representam, em média, cerca de 15% do custo total da obra - além dos custos indiretos.

O resultado é que se criam freqüentemente conflitos entre o Ministério de Minas e Energia, que deseja fazer as obras, e o Ministério do Meio Ambiente, que as licencia, uma vez que grandes obras (não só hidrelétricas, como estradas, portos e outras de infra-estrutura) sempre geram impactos.

É realmente urgente a solução desses problemas, pela seguinte razão: quando o governo decide ampliar a produção de eletricidade, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realiza um leilão em que o vencedor é o grupo empresarial que oferece o menor preço para a eletricidade a ser vendida quando a usina começar a funcionar. Esse procedimento aparentemente beneficia a população com tarifas mais baixas, mas tem a conseqüência perversa de beneficiar também a opção por usinas a carvão ou gás, que levam menor tempo para construir, mas são muito mais poluentes. Com isso a responsabilidade e a pressão das ONGs, do Ministério Público e dos empreendedores sobre as autoridades ambientais se tornam imensas, porque estas ficam com a missão de corrigir escolhas impróprias que decorrem de leilões em que a única consideração é o preço final da energia.

Esta é uma situação parecida com os procedimentos que os governos utilizam para compras em geral, desde lápis até computadores: o critério é o menor preço, o que freqüentemente leva à compra do pior.

O recente relatório do Banco Mundial analisou em detalhes todas essas questões e fez um conjunto de recomendações muito úteis que - se adotadas - resolveriam muitos dos problemas existentes.

José Goldemberg, professor da USP, foi secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo

 

 


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Segunda-feira, 15 setembro de 2008

Seul limpa rio poluído em tempo recorde

Mais barato e rápido, programa coreano virou exemplo mundial

Eduardo Reina

Cheonggyecheon e Tietê são muito parecidos, quase primos. Dois rios que cortam duas grandes metrópoles, Seul e São Paulo; dois rios extremamente poluídos, símbolos da degradação das cidades e do desenvolvimento a qualquer custo. Ambos receberam milhões de dólares para serem revitalizados. Aí começa a diferença: além dos milhares de quilômetros que separam Cheonggyecheon e Tietê, um deles foi totalmente revitalizado em apenas quatro anos e hoje tem cascatas, fontes, peixes, crianças brincando e jovens se divertindo. Já o outro está há 16 anos esperando sua limpeza, sem vislumbrar quando de fato isso irá acontecer.

O governo de Seul iniciou o que se pode chamar de renascimento do Cheonggyecheon, no coração da capital sul-coreana, em julho de 2003. Por sobre o fétido canal havia um enorme viaduto, quase um Minhocão, que foi implodido. A revitalização integrou projeto de nova política de transportes públicos para uma cidade sustentável.

Gyengchul Kim, diretor do Instituto de Desenvolvimento de Seul, contou que os governantes adotaram, a partir de 2002, medidas em favor da utilização de ônibus e metrô. O caso mais emblemático foi a derrubada do viaduto sobre o leito do Cheonggyecheon. Em lugar da obra, construída em 1960, foi iniciada sua revitalização, com um parque linear para recreação e atrações culturais.

O curso d’água recebeu peixes e vegetação. Foram erguidas fontes luminosas que se tornaram pontos de visitação. A temperatura em Seul, em virtude das melhorias no meio ambiente proporcionadas pelo novo Cheonggyecheon, diminuiu 3,6°C, indo de 36,3°C para 32,7°C. Tudo ao custo de US$ 370 milhões na época (hoje algo em torno de R$ 700 milhões).

Vencido o desafio, a restauração dos 5,8 quilômetros do rio teve impacto econômico positivo para a cidade. Segundo representantes da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), sediada em Paris, foi criada uma outra imagem da Coréia do Sul, contribuindo para a promoção do país no mercado internacional e para a atração do capital estrangeiro. “Seul deve descartar os excessos do desenvolvimento e se tornar ecologicamente correta, para prosperar. Pense diferente, eco-eficientemente. Não para mais carros, mas sim pelas pessoas”, disse Kim.

O rio sul-coreano era responsável pela drenagem das águas de toda a cidade, com mais de 10 milhões de habitantes. No auge do desenvolvimento, o leito se tornou poluído. A calha principal acabou parcialmente aterrada e agora reaberta. Hoje, as águas que correm por lá são bombeadas do Rio Han.

Aqui, o programa de despoluição do Tietê já custou US$ 1,5 bilhão, ou quase R$ 3 bilhões aos cofres do Estado, desde sua implementação em 1992. Tantos gastos e esforços, e a sensação que se tem é que a poluição continua cada vez maior.

O Tietê, quando atravessa os municípios da Grande São Paulo, recebe uma infinidade de esgotos, efluentes industriais e lixo. O engenheiro Julio Cerqueira Cesar Neto, da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, estima que sejam despejados nos rios e córregos da capital cerca de 39 mil litros de esgoto in natura por segundo, que de certa forma acabam no Tietê.

Uma lição de sustentabilidade

21/09/08

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5 de Agosto de 2008 - Darcy Winslow é chefe do setor de calçados femininos da Nike, a famosa empresa de artigos esportivos que, em 1996, foi objeto de escândalo global, após a denúncia de que havia trabalho escravo e infantil em um de seus fornecedores na Indonésia. O caso tornou-se - como já se sabe - paradigmático no debate sobre a responsabilidade social.

Há sete anos, coube a Winslow o desafio de desenvolver processos e produtos ambientalmente responsáveis. Para dar conta dele, a executiva reuniu colaboradores e criou um “grupo de estratégias empresariais sustentáveis”, uma espécie de força-tarefa cuja missão era integrar os departamentos de inovação, os designers, gerentes de produtos, engenheiros e empregados em torno da idéia de “pensar verde” e “fora da caixa”.

Segundo a própria Winslow, iniciado o processo colaborativo de incluir as pessoas no planejamento da mudança, não demorou muito para que emergissem o que ela classifica como “paixões profundas”. De forma espontânea, sem que fosse necessário adotar qualquer artifício de estímulo à participação, os funcionários começaram a falar sobre o tema, a compreender intimamente a sua importância e a associar sustentabilidade com inovação, não por acaso um das características mais marcantes da cultura Nike.

Na análise da executiva, quando os times concentraram o seu olhar no quanto a inovação sustentável poderia impactar os produtos da empresa “idéias e energia fluíram de maneira espantosa”. O resultado veio na forma de metas concretizadas antes do tempo. Além de estabelecer padrões elevados em redução de desperdício e responsabilidade coletiva na fabricação, a Nike, como parte da ação do seu quadro engajado de colaboradores, criou peças de vestuário à base de algodão orgânico, repensou componentes de borracha livres de toxinas químicas, retirou os solventes dos processos de manufatura e ainda hoje evolui, sem perder o ritmo, no uso de materiais ecológicos, alternativos ao PVC, em toda a sua linha de produtos.

A corporação, que um dia foi o anti-exemplo de responsabilidade social, esforça-se para reelaborar princípios de design visando criar produtos inteiramente desmontáveis na ponta final de seu ciclo de vida, com componentes reutilizáveis e recicláveis.

A história da Nike é uma das pérolas do livro Presença: Propósito Humano e o Campo do Futuro, escrito por Otto Scharmer, Joseph Jaworski, Betty Sue e o já famoso Peter Senge. Na obra, ela se destaca como estudo de caso de mudança organizacional para a sustentabilidade, uma comprovação da validade da chamada Teoria do U - que se fundamenta nos pilares do Sentir (observar, tornando-se um com o mundo), Presenciar (recolher-se e refletir para deixar vir á tona o saber) e Concretizar (agir rapidamente num fluxo natural).
Perguntada por Senge, o papa da gestão de conhecimento, sobre como chegara à conclusão de que a Nike deveria ser líder em sustentabilidade, Winslow receitou, sem fazer menção direta, os três movimentos da Teoria do U. Primeiro, ela e seu time analisaram os cenários (de dentro deles e não como olheiros externos), observaram as dificuldades ambientais das empresas e se indagaram sobre quem eram e quais deveriam ser os seus compromissos mais profundos para com a preservação do planeta.

Como exercício de lógica racional, mais do que descobrir o óbvio (Nike tem tudo a ver com boa forma, saúde e qualidade de vida), todo o grupo sentiu e vivenciou a descoberta, passando, em seguida, a traduzi-la em novas formas de a empresa conduzir os negócios em suas diferentes áreas, sempre em completa sintonia com a sua cultura altamente inovadora e competitiva. A ação de mudança ocorreu de modo natural. Quando a equipe percebeu que o planejamento não fora imposto, que ninguém ali se sentia obrigado a mudar apenas por mudar, mas que o fazia por absoluta identificação (não por conveniência mas por convicção), novos processos e produtos, mais sustentáveis, ganharam vida na corporação.

A julgar por seu depoimento, Winslow não acredita que a Nike seja um estudo de caso finalizado em sustentabilidade. E nem poderia. Admitindo um longo caminho a percorrer, com desafios importantes de infra-estrutura em escala global, ela vê o interesse crescente do consumidor pelo tema como um elemento fundamental para a irreversibilidade do processo. Da história de Winslow, as empresas hoje interessadas em acelerar a mudança rumo à sustentabilidade podem extrair uma lição: se quiserem ser mais efetivas em seu intento terão que substituir os modelos convencionais de mudança planejada, excessivamente autoritários e diretivos, por outros mais sistêmicos, que proporcionem espaço ao sentir, ao partilhar e à construção coletiva de significado.

Enquanto a sustentabilidade for tratada como um conjunto de metas a alcançar, uma obrigação conveniente para não perder negócio ou o mero objeto de um plano com cuja essência as pessoas parecem não se identificar intimamente, então as soluções encontradas serão sempre superficiais, utilitárias e de curtíssimo espectro. Nunca é demais lembrar: sustentabilidade não representa um trabalho a mais, um custo a mais ou uma função a mais com que se preocupar numa corporação. Significa o modo mais humano - e portanto, o melhor - de pensar e fazer negócios.

Caminhada rumo à sustentabilidade

21/09/08

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19/08/2008

Revista Idéia Socioambiental, 19 de Agosto de 2008 - No ano em que completa o seu vigésimo aniversário, o setor de franquias prepara para o próximo mês de outubro um conjunto inédito de indicadores para avaliar o desempenho das empresas que o compõem em relação à responsabilidade social. Com o propósito de se adaptar às novas demandas por sustentabilidade no mercado, o franchising brasileiro espera combinar consciência ambiental com rentabilidade, melhorando, desse modo, os negócios com os fornecedores e a relação com os clientes.

Segundo Cláudio Tieghi, presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), a finalidade da adoção de indicadores próprios é incluir definitivamente as questões socioambientais na agenda das empresas. “Assuntos relacionados à responsabilidade social muitas vezes entram pela porta do marketing. Quando propusemos esse trabalho, o primeiro objetivo foi proporcionar aos líderes das empresas uma reflexão sobre o seu modelo de gestão, sobre como a questão da sustentabilidade está sendo ou não abordada”, diz. Os indicadores específicos - enfatiza Tieghi - vão integrar um único questionário, por meio do qual será possível aos franqueadores realizarem uma auto-avaliação de sua performance socioambiental em comparação com a média geral das outras empresas.

Na avaliação de Tieghi, o setor de franquias vive duas realidades distintas - a do franqueado e a do franqueador - o que pode levar a um dilema na hora de cada segmento responder os questionários já existentes. “Com uma nova ferramenta, tentamos diminuir esse tipo de dúvida. Em um primeiro momento, tivemos que escolher os indicadores para o franqueador, aquele que detém a marca. Mas já existe uma primeira derivação desse projeto, que futuramente pode abarcar também as franquias”, afirma o presidente da Associação.

A formulação do questionário de responsabilidade social teve início no final do mês de junho, quando a ABF começou a realizar reuniões com grupos de trabalho específicos. Empresas representantes de diversos setores estão auxiliando no processo de criação, entre elas O Boticário, CNA, Yázigi Internexus, Amor aos Pedaços, BIT Company, Bob’’s, China in Box, McDonald’’s, Rei do Mate, Spoleto, Flytour Viagens e Turismo, Linces Vistorias e Arezzo. “Resolvemos convidar 13 marcas relacionadas ao setor, com diferentes graus de representatividade. Mas a idéia é que todas as empresas se sintam, de alguma forma, representadas”, ressalta o presidente da ABF.

Ao longo de quatro oficinas, grupos de trabalho devem finalizar a elaboração dos indicadores com base naqueles utilizados pelo Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social para análise de pequenas empresas. O questionário levará em consideração, entre outros aspectos, a ética nas relações com os stakeholders, além de temas como transparência e governança. O resultado de todo esse esforço conjunto será apresentado na Convenção da Associação Brasileira de Franchising, no mês de outubro.

De acordo com Tieghi, após a apresentação, em outubro, o questionário ficará disponível para consulta pública no site do Instituto Ethos. Lá, os dados fornecidos pelas empresas serão processados resultando numa nota média para cada segmento. A partir da análise do desempenho médio, a companhia pode avaliar em quais quesitos vai bem e em quais deve investir em melhorias para alcançar o padrão do grupo, ou até mesmo superá-lo. O simples exercício de preenchimento do questionário leva à reflexão sobre quais atitudes e conceitos têm sido bem desenvolvidos e quais estão abaixo das empresas socialmente responsáveis, o que pode favorecer os negócios daqueles comprometidos em atingir um patamar sustentável.

“Já existem candidatos a abrir franquias interessados em saber se a franqueadora adota responsabilidade social como um de seus valores. Essa é uma informação que se tornará tão importante para a decisão da abertura de um negócio quanto qualquer outra considerada estratégica”, afirma o presidente do ABF. Em sua opinião, um processo como este contribui para a definição de planos estratégicos muito mais alinhados com a questão do desenvolvimento de negócios mais sustentáveis. “A primeira questão é educacional. Quanto mais esse tema for tratado de modo pragmático e mais estiver inserido no modelo de gestão das empresas, mais se construirá uma nova consciência”, afirma.

Desafios e oportunidades

Segundo Adir Ribeiro, sócio-diretor de educação corporativa do Grupo Cherto, alguns pontos são fundamentais para fazer propagar o pensamento da sustentabilidade no setor. “No primeiro nível, o desafio está na concepção dos projetos sociais, que também devem ser projetados como negócios. No segundo nível, temos o elemento da conscientização, essencial para mudar a maneira de pensar do mercado. E no terceiro nível, os incentivos empresariais são necessários para desenvolver uma nova visão dentro das franquias”.

De acordo com Ribeiro, outra dificuldade que envolve a adaptação do segmento à questão da sustentabilidade é o apoio restrito aos pequenos negócios, que sofrem com a alta carga tributária no Brasil. “Acredito que a falta de estimulo tributário é um problema a ser destacado, pois esse benefício aumentaria o engajamento das empresas. O nível de consciência também vem com o estí-mulo financeiro”, aponta.

A questão econômica também esteve presente nas discussões que precederam o consenso sobre a criação dos indicadores. No entanto, o ponto principal foi a percepção de que a criação e o uso da ferramenta pressupõe um nível de amadurecimento ainda não comum no franchising brasileiro. Entre os críticos, o argumento recorrente foi que talvez o setor não tenha porte e preparo suficientes para enfrentar esse novo desafio, e que seria, portanto, necessário mais tempo para sensibilizar as empresas e fortalecer o comprometimento necessário.

Tieghi ressalta, porém, que só haverá consciência por parte do setor se ele for visto de uma forma sistêmica e gerencial. De outro modo, a falta de preparo seria mera suposição. “Ao contrário de imaginar que não estamos preparados, argumentamos que somos capazes de ampliar a visão e mostrar o caminho para as empresas que desejam segui-lo”, afirma.

Já parece haver, no setor, um consenso de que a sustentabilidade gera benefícios hoje e no futuro. De acordo com Ribeiro, os negócios que adotarem valores socioambientais na pauta corporati-va terão grandes oportunidades no mercado. “Segundo o NRF (National Retail Foundation, ou Fundação Nacional de Varejo), 43% dos americanos já preferem comprar produtos de empresas responsáveis, o que para nós é um indicador muito forte de uma tendência que está chegando e irá se consolidar em nossa cultura. No Brasil já existe o questionamento por parte do consumidor, o que poderá gerar ações concretas no futuro”, destaca o diretor.

Uma das atitudes socialmente responsáveis já adotadas pelo franchising é a inclusão de pequenos produtores, comunidades e cooperativas em uma produção mais sustentável. Além de adicionar valor ao negócio, esse tipo de prática reverte em benefícios financeiros e sociais, seja na forma de eficiência e economia de processos seja na conquista de maior confiança junto aos clientes. “A questão da responsabilidade social empresarial não pode mais ser vista como despesa, e sim como o desenvolvimento de uma inteligência mais sustentável”, destaca Tieghi.

Segundo o sócio-diretor do Grupo Cherto, boas práticas de gestão sustentável podem influenciar outras empresas a também inserirem os temas socioambientais em suas estratégias de negócio. “O pensamento que deveria balizar as ações das empresas é `devolver ao mundo aquilo ele nos deu. É extremamente benéfico para a marca registrar o seu nome como ambientalmente responsável entre os consumidores, identificando tendências e ajudando a disseminá-las em seu mercado de atuação”, ressalta Adir.

Franquia empresarial

Apesar de os indicadores de responsabilidade social estarem sendo desenvolvidos apenas agora, o setor já tem uma experiência considerável na atuação comunitária. O conceito de franquia diz respeito a replicar medidas bem sucedidas por meio de outros processos, e as ações ligadas ao terceiro setor não são uma exceção à regra. Através da utilização de ferramentas dos negócios, a gestão de organizações se aprimora a cada dia, multiplicando administrações de sucesso e transferindo conhecimento à sociedade.

O franchising social pode ser muito benéfico aos gestores das empresas. Além de criar executivos extremamente capacitados e com a habilidade de administrar negócios eficientes com poucos recursos, o desafio estimula uma visão mais ampla das oportunidades do mercado em uma época onde responsabilidade social é um conceito relevante em todos os processos.

Muitos projetos comunitários acabam não tendo continuidade devido à administração inadequada e a falta de conhecimento por parte do gestor, questão que pode ser resolvida através da franquia social. Quebrar barreiras e unir os segmentos com uma mesma finalidade pode gerar atitudes inovadoras e benefícios para mercado e comunidade.

Segundo Ribeiro, ainda existe uma certa resistência na utilização de ferramentas comuns ao mercado em ações sociais, mas aos poucos a idéia de a franquia empresarial disseminar conhecimento para outras áreas irá se estabelecer. “Talvez possamos rever a nossa missão, não que ela não seja boa como negócio, mas devemos pensar no mundo que queremos daqui pra frente. Nós desejamos proporcionar uma visão mais ampla para os negócios e o estímulo para que eles contemplem também as questões do meio ambiente.”