Globalização e sustentabilidade

Análise Fator:

Por Frederico Nadal Draetta, gerente da Fator Ambiental

Na semana passada voltou à agenda de discussões da Assembléia Legislativa a questão da ocupação da área de proteção ambiental no entorno da Represa Billings, com a apresentação de projeto de Lei específico para ela. Esta é uma questão modelo e também uma grande oportunidade para colocarmos em prática todos os conceitos de sustentabilidade levando-se em consideração os aspectos econômicos, ambientais e sociais dos interesses envolvidos.

Governo e sociedade civil, representados pela população, além de organizações e setores da iniciativa privada, têm a oportunidade de implementar um projeto para se tornar um CASO DE SUCESSO de relevância internacional. Mas para isso todos os aspectos devem ser analisados, a decisão deve passar pela vocação das áreas impactadas e estar dentro dos planos diretores das cidades afetadas e do Estado de São Paulo.

Sendo assim, a partir da definição do melhor caminho, deverá ser elaborada uma Lei que permita o estabelecimento de um programa com metas e responsabilidades claras, prazos para início e fim bem definidos e instrumentos de controle e transparência. Grandes oportunidades de desenvolvimento envolvem esta e outras questões nas grandes metrópoles.

Abraços a todos e boa leitura!

 

 

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Para cumprir metas, a União Européia investe em geração solar

Londres, 26 de Setembro de 2008 - Quando o sol se levanta sobre Sevilha, no sul da Espanha, a sua luz ofuscante se reflete em um campo de 624 espelhos cercados por girassóis. Os espelhos móveis refletem os raios do sol para uma torre branca de 115 metros de altura, que usa o calor concentrado para ferver água, produzindo vapor que gira uma turbina elétrica 97 vezes por segundo. É a primeira usina comercial da Europa de energia elétrica termossolar e a vanguarda do movimento a favor do poder verde.

“Veja! Veja!”, exclama o gerente da usina, Valerio Fernández, olhando uma tela de computador que mostra que a produção está quase chegando ao máximo. Em dias quentes e claros, a usina, de ?37 milhões (US$ 55 milhões), pode gerar 11 megawatts (MW), potência suficiente para 5.500 moradias. A usina não atingiu a sua meta ao meio-dia daquele dia de junho, o que significa que um punhado de casas vai usar energia elétrica derivada de combustíveis fósseis. “Que pena, não conseguimos!”, disse Fernández. “Mas quase conseguimos.”

“Chegamos perto, mas não conseguimos” é uma expressão que pode ser aplicada à energia solar de um modo geral. A disparada dos preços do petróleo e do gás natural, as preocupações com a segurança do abastecimento externo e o sistema de subsídios da Espanha e Alemanha estão tornando a energia solar mais competitiva do que nunca.

Essas condições levaram empresas européias, como a Abengoa, sediada em Sevilha e que construiu a usina em que Fernández trabalha, a entrar na corrida para aproveitar os raios de sol para geração de energia elétrica. A energia solar, se fosse aproveitada devidamente, poderia resolver os problemas energéticos do mundo.

” Em seis horas, o consumo anual de eletricidade da humanidade é coberto, na forma de energia solar, nos desertos”, disse o físico de partículas alemão Gerhard Knies. Ele projetou um plano audacioso de construir campos de espelhos no deserto do Saara e ligar os países do Norte da África à rede de energia elétrica da Europa, atravessando o Mar Mediterrâneo.

“É um projeto maravilhoso”, disse Jeffrey Sachs, diretor do Instituto da Terra na Universidade de Columbia. “Ainda não está no nível da tecnologia comercial, mas tenho confiança de que pode chegar lá”. Sachs diz que o financiamento público será a chave do sucesso.

A consciência pública de que ecologia é uma coisa boa - e o apoio político aos subsídios - também fortalece os projetos solares. O documentário de Al Gore, “Uma Verdade Inconveniente”, vencedor de dois prêmios Oscar em 2007, aumentou a aceitação por parte de governos e de cidadãos de que a queima de combustíveis fósseis está causando o aquecimento global.

A União Européia (UE) estabeleceu no ano passado a meta de gerar 20% de sua eletricidade a partir de fontes renováveis até 2020, contra 9,2% em 2006 . A invasão da Geórgia pela Rússia, em agosto, também destacou o risco de depender demais de um fornecedor estrangeiro de combustível. A Rússia fornece mais de 40% das importações de gás natural da Europa e um terço de seu petróleo importado, segundo a Comissão Européia, órgão executivo da UE.

“Dada a intervenção da Rússia na Geórgia, é crucial que a Europa diversifique as fontes tecnológicas e geográficas de sua energia”, diz Michael Ware, diretor-gerente da Good Energies.

Knies, um homem de 71 anos cheio de energia e que já foi pesquisador do Deutsches Elektronen-Synchrotron, centro de física de partículas sediado em Hamburgo, organizou em abril deste ano uma conferência de que participaram 160 pessoas, entre elas investidores, empresas como a Abengoa e políticos.

Knies, filho de um pastor protestante, disse no encontro que a energia solar é gratuita, limpa e quase inesgotável. A luz do sol pode ser coletada nos desertos ermos e usada para movimentar usinas de dessalinização, que podem fornecer água potável e irrigação a terras áridas.

“Se conseguirmos usar a energia solar do deserto, poderemos ter tecnologia que poderia resolver os nossos problemas”, diz Knies. A instalação de espelhos em apenas 0,2% do Saara - uma área de 130 quilômetros por 130 quilômetros - poderia gerar toda a energia elétrica da UE, segundo ele.

A França, que no ano passado gerou 77% de sua energia elétrica em usinas nucleares, quer criar o Plano Solar Mediterrâneo, como parte de uma nova união entre estados da Europa e do Mediterrâneo, fundada este ano por Sarkozy. A meta do bloco é aumentar o comércio, a segurança e o emprego no Norte da África, uma grande fonte de imigração ilegal na Europa.

O cenário apresentado por Knies pode ser exageradamente ensolarado. A energia solar precisa competir com outras formas de energia, da eólica à nuclear. Até em 2016, o custo de construir uma usina termossolar fará com que a sua eletricidade saia por US$ 0,14 por kilowatt-hora, mais que o dobro do valor da fornecida por petróleo, gás natural e carvão, diz Christopher Namovicz, analista da Agência de Informação sobre Energia dos EUA.

“O limite da eletricidade termossolar está no seu custo”, diz ele. “Existem problemas com a confiabilidade do sistema - que não funciona à noite ou em dias nublados -, mas eles também acabam se reduzindo aos problemas de custo”.

Existe uma forma de contribuir para que a energia solar “pegue”. “Ela exige subsídios”, diz Namovicz. É incerto se eles estarão disponíveis, acrescentou ele. “É difícil prever a vontade dos parlamentares”.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 4)(Bloomberg News)

 

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GAZETA MERCANTIL - SP

26/09/2008

Governo evita compromisso com meta de corte de emissões

O governo brasileiro divulgou ontem um plano nacional de combate às mudanças climáticas, mas evitou se comprometer com metas para a redução de emissões de gases que alteram o efeito estufa e provocam o aquecimento global. O programa, que reúne iniciativas de diversos ministérios, será colocado em consulta pública durante outubro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinará o texto definitivo em até quatro meses.

“São objetivos setoriais voluntários”, declarou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, para quem a resistência do Itamaraty em adotar compromissos a fim de evitar o enfraquecimento do país nas negociações internacionais sobre o tema impediu a inclusão de metas no documento.

“O plano tem objetivos. Um plano sem objetivos é um saco vazio”, ponderou o Minc, ao comentar a capacidade do governo em garantir a eficácia do programa.
O Protocolo de Kyoto só estabelece metas para os países desenvolvidos, mas a Organização das Nações Unidas (ONU) recomendou aos países em desenvolvimento a diminuição de 20% das emissões até 2050.
Atualmente, o desmatamento representa cerca de 80% do total das emissões brasileiras. O Plano de Nacional de Mudança Climática busca atacar esse problema.

O governo quer reduzir o desmatamento ilegal e aumentar a área de florestas plantadas de 5,5 milhões de hectares para 11 milhões de hectares. Desse total, 2 milhões de hectares devem ser de espécie nativa. O restante será de florestas para uso comercial.
Assim, destacou o ministro, o Brasil eliminará a perda líquida das áreas com cobertura florestal até 2015. “Seremos credores em termos de emissão”.

Por meio de nota, o Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS) criticou o plano pelo fato de não incluir instrumentos para verificar as ações.
“Temos um governo deslumbrado com o petróleo do pré-sal, com o crescimento econômico e insensível, imaturo, em face ao cataclisma climático que se anuncia”, destacou o comunicado.

O governo continuará a aumentar a participação dos biocombustíveis na matriz de transportes nacional. Manterá também os esforços para estruturar um mercado internacional para os produtos.
Segundo o plano, a substituição da gasolina pelo etanol reduzirá o lançamento de aproximadamente 508 milhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera até 2017. A troca de diesel por biodiesel evitará a emissão de 62 milhões de toneladas do gás nesse período.

O plano estima que a produção nacional de álcool passará de 25,6 bilhões de litros neste ano para 53,2 bilhões de litros em 2017. “Não há a menor possibilidade de o nosso etanol não ser verde, porque senão vão bloquear ele lá fora”, afirmou Minc, em referência a possíveis barreiras comerciais ao produto. Já a produção de biodiesel deve subir de 10,5 bilhões de litros para 14,3 bilhões de litros até 2017.

O plano também cita a intenção do governo de elevar a participação de energia renovável na matriz energética elétrica. Até 2010, descreve o documento, 7 mil MW de potência em energias renováveis entrarão no mercado nacional.

Segundo o documento, o Ministério de Minas e Energia estuda realizar um leilão específico para a contratação de energia eólica no primeiro semestre de 2009.
(Reuters)

 

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26/09 - 01:13

Brasil terá álcool de celulose em 2010

CURITIBA, 26 de setembro de 2008 - A corrida tecnológica pelo álcool de segunda geração, o combustível verde obtido a partir de resíduos do bagaço de cana ou de qualquer outros vegetal, poderá ser vencida pelo Brasil em um ano e meio. Foi o que garantiu o presidente para a América Latina da dinamarquesa Novozymes, Pedro Luiz Fernandes. Segundo informou, será possível iniciar a produção deste tipo de álcool em escala comercial em 2010, a um custo mais baixo que o álcool convencional.

Há um ano, a Novozymes, maior produtora de enzimas industriais do mundo, e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), de São Paulo, assinaram acordo para selecionar a enzima mais adequada para a hidrólise do bagaço da cana-de-açúcar.

Desde a assinatura do acordo, a pesquisa evoluiu para a utilização de dois tipos de enzima. “Nós já encontramos a ‘mistura óptima’, como se costuma denominar em química.” Os estudos estão na etapa em que se busca a melhor forma de utilizar uma enzima em cada etapa de produção ou as duas simultaneamente, informou.

Segundo Fernandes, a tecnologia da empresa aponta para uma solução, cujo custo será inferior ao da produção de álcool convencional. “Com certeza, na medida em que ganhar escala, o álcool de celulose será mais barato que o produto atual.” Com essa tecnologia, o Brasil poderá triplicar a produção de etanol sem necessidade de ocupar novas áreas agrícolas.

A Novozymes faz essa pesquisa em escala mundial. Os Estados Unidos têm o mesmo interesse de produzir o álcool de celulose a partir dos resíduos do milho. São mais de 110 cientistas envolvidos na sede da empresa na Europa, nos EUA (a empresa tem parceria com a Universidade de Washington) e no País. “Pelo que tem de biomassa, o Brasil é o player do futuro neste tipo de combustível.” (Norberto Staviski - Gazeta Mercantil)

 

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quinta-feira, 25 de setembro de 2008, 10:03

OIT: etanol vai criar 12 milhões de empregos até 2030

AE - Agencia Estado

GENEBRA, SUÍÇA - O etanol deve criar 12 milhões de empregos no mundo até 2030, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), que chama a atenção para o fato de que, no Brasil, milhares de pessoas que atuam no setor ainda sofrem com salários e condições de trabalho degradantes. A entidade prevê uma consolidação do etanol no Brasil nos próximos anos e o surgimento de sete grandes grupos no setor no País. Os dados fazem parte de um relatório sobre o impacto das novas tecnologias ambientais para o emprego divulgado ontem pela OIT. Energias renováveis, entre elas o etanol, vão gerar 20 milhões de empregos até 2030 no mundo.

A entidade acredita que os governos terão de buscar investimentos para incentivar a retomada da economia afetada pela crise financeira e, aposta, o setor ambiental será um dos mais relevantes. As estimativas indicam que US$ 630 bilhões em projetos serão investidos em energia renovável até 2030. Isso geraria 2,1 milhões de postos de trabalho em energia eólica e 6,3 milhões na energia solar.

O Brasil é o país com o maior número de trabalhadores no setor do etanol. Segundo a OIT, são 500 mil pessoas que dependem diretamente do produto. Nos Estados Unidos, são 312 mil e na China, 266 mil. Na Alemanha, o biodiesel gera 95 mil empregos e 10 mil na Espanha. Em 20 anos, o número de pessoas empregadas no setor será multiplicada por dez e o Brasil continuará sendo um dos líderes. A OIT quer garantir que os novos empregos respeitem direitos trabalhistas. Uma das preocupações é o uso de trabalho semi-escravo nos canaviais. O próprio ministro do Trabalho, Carlos Lupi, em Genebra, admitiu que o trabalho degradante existe no setor do etanol. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

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O ESTADO DE S. PAULO - SP

25/09/2008

Etanol: Demanda deve crescer 150%

País vai consumir 63,9 bi de litros em 2017, diz EPE

Mônica Ciarelli

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) prevê crescimento de 150% na demanda de etanol no Brasil até 2017, que passaria dos 25,5 bilhões de litros para 63,9 bilhões de litros. Para atingir esse volume, serão necessários, segundo a EPE, investimentos entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões, valor que toma como base a construção de 246 usinas.

O presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, não vê dificuldades para que o montante seja alcançado. Isso porque as unidades para produzir quase a metade do volume necessário para atingir a meta estão em construção ou já foram instaladas.

Ele explica que o uso do etanol no setor automotivo será o principal fator que sustentará o incremento da demanda. O estudo prevê que o etanol represente em 2017 80% do volume total de combustíveis líquidos consumidos nos veículos leves no País. Hoje, esse porcentual gira na casa dos 30%.

Segundo o presidente da EPE, o resultado do estudo sobre a previsão de oferta e demanda de etanol mostra que o governo foi conservador no Plano Nacional de Energia - 2030, lançado no ano passado. No estudo anterior, o País só demandaria 63 bilhões de litros de etanol em 2030, a meta para 2017 ficava em 45 bilhões de litros.

Tolmasquim afirma que o etanol vai continuar competitivo. O trabalho, explicou, leva em conta um barril do petróleo, em média, de US$ 85 até 2017. “O álcool é vantajoso para o consumidor se custar até 70% do preço da gasolina. Atualmente, pela média nacional, custa 59%. Não considero que vai ficar muito diferente disso.”

A previsão de crescimento da demanda por etanol se sustenta na expansão da frota de veículos biocombustíveis no País. Segundo as projeções, a frota de veículos leves passará de 23,2 milhões em 2008 para 37,5 milhões em 2017.

O estudo prevê que as exportações de etanol dobrem no período, passando de 4,2 bilhões de litros para 8,2 bilhões de litros. “Quem vai puxar demanda externa é o Japão. Desses 8 bilhões, 3 bilhões serão para o Japão e achamos que se trata de projeção conservadora.”

 


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O GLOBO
25/09/2008

Ibama dá sinal verde para iniciar obra de Angra 3

Canteiro começa a ser preparado imediatamente

Ramona Ordoñez

A Eletronuclear vai iniciar imediatamente as obras da usina nuclear de Angra 3 que estão paradas há 22 anos. O Ibama enviou carta à estatal no último dia 22 dando autorização para preparar o canteiro de obras da usina. A estatal vai realizar as obras de drenagem do local, a estação de tratamento de água e seus efluentes, entre outras. A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) por sua vez autorizou as obras de concretagem do local onde serão construídos os prédios não nucleares. Passada a fase inicial de preparar o terreno, a construção propriamente da usina deve começar em abril do próximo ano.

A Eletronuclear terá ainda que cumprir 60 exigências impostas pelo Ibama para receber a licença de instalação que permitirá iniciar as obras da usina.

Por sua vez o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, informou ontem que as projeções indicam que a demanda total de etanol no mercado brasileiro será de 64 bilhões de litros em 2017. Esse volume representará um aumento de 150% em relação aos quase 26 bilhões de litros neste ano.

Esse crescimento se dará pelo aumento do consumo nos automóveis no mercado interno e o aumento das exportações. O número de carros flex, que usam gasolina ou álcool passará dos atuais 23 milhões para 37 milhões em 2017, dos quais 75% usarão o álcool por ser competitivo. As exportações em 2017 também deverão chegar a 8 bilhões de litros contra os 4 bilhões atuais, contando principalmente com o mercado Japonês.

Até 2017, mais 246 usinas de álcool serão criadas

Maurício Tolmasquim destacou que a expansão da oferta será suficiente para atender toda demanda. Estão previstas a construção até 2017 de mais 246 novas usinas que agregarão cerca de 3 bilhões de litros por ano. Os investimentos são estimados entre US$ 20 bilhões a US$ 25 bilhões. Entre 2008 a 2017 está prevista a construção de 246 novas usinas que vão acrescentar em média cerca de 3 bilhões de litros por ano à capacidade instalada do país.

Maurício Tolmasquim disse não ter receio de que a crise financeira internacional venha a afetar os investimentos na expansão da oferta de álcool no país.

- Não acredito. A perspectiva de crescimento da demanda é muito forte e o etanol é muito atrativo para o investidor. Mesmo com o barril do petróleo chegando a US$ 75, que é o piso, o estimado até 2017, o etanol ainda é competitivo. Portanto haverá muito investimento e acho que essa crise internacional não afetará essa perspectiva boa de expansão - afirmou Tolmasquim.

 

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ONU prevê ” empregos verdes”

Nova York, 25 de Setembro de 2008 - O desenvolvimento de energias alternativas deve criar mais de 20 milhões de empregos ao redor do mundo nas próximas décadas, à medida que os governos adotarem políticas de redução de gases causadores do efeito estufa, de acordo com um relatório da ONU divulgado nesta quarta-feira.

Cerca de 2,3 milhões de pessoas já trabalham com energia verde, sendo metade em biocombustíveis, diz o relatório ” Empregos verdes: rumo ao trabalho decente em um mundo sustentável e com baixo carbono”, elaborado e patrocinado pelo programa ambiental da Organização das Nações Unidas.

A criação de empregos vai depender da implementação e expansão dessas políticas nos países, incluindo a redução de emissões de gases causadores do efeito estufa e a migração de subsídios das antigas formas de energia para as novas em um esforço para diminuir o aquecimento global, diz o estudo.

O relatório foi escrito antes da crise de crédito dos EUA abalar Wall Street e repercutir ao redor do mundo, o que pode desacelerar muitos setores, incluindo o de energias alternativas.

O estudo diz que 12 milhões de empregos podem se criados ate 2030 na indústria e agricultura voltadas aos biocombustíveis. Os críticos dos biocombustíveis dizem que o etanol americano, feito principalmente de milho, faz pouco para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa. Mas as empresas correm para fabricar um etanol mais limpo de fontes como resíduos de lavouras e aceleram a plantação de lavouras não-comestíveis.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Reuters)

 

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O amplo alcance das medidas de sustentabilidade

25 de Setembro de 2008 - Com o fortalecimento da economia brasileira, estamos acompanhando o aumento da produção industrial, principalmente no setor da indústria automobilística, que carrega consigo o crescimento de outros setores como o da indústria de pneus.

Esse segmento da economia apontou, recentemente, números de ações responsáveis divulgados por instituições ligadas a ele. Uma delas, a Reciclanip, criada pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos, entidade formada pelos maiores fabricantes mundiais de pneus novos, a Bridgestone Firestone, Goodyear, Michelin e Pirelli, concentra mais de 180 pontos de coleta de pneus inservíveis em todo o País. Foi criada com o objetivo de coletar e dar um destino a esses produtos.

Segundo dados desta entidade, foram recolhidos mais 140 mil toneladas de pneus, elevando para 780 mil o volume coletado desde 1999, no início do Programa Nacional de Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis.

Outra iniciativa importante desse setor, por exemplo, é o projeto da Pirelli para capacitar deficientes auditivos em Feira de Santana, na Bahia. A Bridgestone, por exemplo, aponta em seu balanço social, detalhes de assuntos que dão importância, como apoiar iniciativas em prol do desenvolvimento social e esportivo; desenvolver programas que estimulam a cidadania e buscar diálogos constantes com a comunidade em seu entorno, além de promover o desenvolvimento ambiental das regiões onde atuam. Estes são elos de uma grande corrente que chamamos de sustentabilidade. São iniciativas como essas que ajudam o País a ficar no centro das atenções de investidores internacionais.

Em vários países, empresas de diversos setores vêm se empenhando para fazer parte dos índices de sustentabilidade, como o Dow Jones Sustainability Indexes (DJSI). Entre essas empresas está a estatal brasileira Petrobras, que conseguiu no ano passado ser indicada. O DJSI é um indicador que reúne empresas socialmente responsáveis cotadas na Bolsa de Nova York.

O principal objetivo dessas companhias, assim como a nossa estatal, é tornar-se mais atrativas para os fundos que investem em empresas tidas como socialmente responsáveis, demonstrando mais transparência e credibilidade; mais governança e, por conseqüência, maior competitividade no mundo dos negócios. Nos Estados Unidos esses fundos chegam a movimentar mais de US$ 1 trilhão por ano. E para atrair a atenção dos investidores que procuram empresas socialmente responsáveis, é preciso mostrar a eles por meio dos relatórios de sustentabilidade que apontam as ações tomadas diante de cada stakeholder.

A participação num índice de sustentabilidade, como o da Bolsa de Nova York, é fundamental para a obtenção de novos recursos financeiros e, de certa forma, atesta que a companhia possui boas práticas de governança corporativa, de gestão ambiental e de relacionamento com consumidores, funcionários e fornecedores, entre outros. Na prática, a participação nesses índices vem representando ganhos extraordinários.

Como em outras regiões do mundo, o Brasil também tem o seu Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), criado pela Bovespa em 2005, quando foi composto por uma carteira de 28 empresas em seu lançamento. Essas companhias enfrentaram um processo de seleção e tiveram de responder a um questionário que avalia aspectos econômico-financeiros, sociais e ambientais.

Para a indústria automobilística e, por conseqüência, o segmento de pneus, gerar qualidade de vida é um diferencial. Portanto, a implementação de práticas e políticas de Responsabilidade Social nas empresas do segmento é de altíssimo valor agregado.

Não há obrigatoriedade legal de qualquer setor para a implementação das práticas de responsabilidade social corporativa. Porém, naturalmente, há sim uma cobrança da sociedade e de todos os envolvidos.

A BDO Trevisan está concluindo o 3 Estudo de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) 2008, que tem como objetivo mostrar ao mercado um retrato de como as corporações e seus gestores lidam com os conceitos de responsabilidade socioambiental. As organizações e seus líderes já perceberam que, num futuro bem próximo, não haverá lugar para empresas e negócios isolados dos conceitos de sustentabilidade, de preocupação com os grupos de interesse - os chamados stakeholders - e dos conceitos de pilares básicos de sustentação da governança.

kicker: Para atrair investidores, é preciso mostrar a eles as ações realizadas

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 3) MAURO AMBRÓSIO* - Sócio-diretor da BDO Trevisan )

 

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Candidatos à prefeitura de São Paulo assinam plataforma para os mananciais

[24/09/2008]

Geraldo Alckmin, Gilberto Kassab, Ivan Valente, Marta Suplicy, Renato Reichmann e Sonia Francine assinaram nos últimos dias o documento lançado pelo ISA, assumindo compromissos para garantir a preservação das fontes de água da cidade caso sejam eleitos

A plataforma foi construída a partir de diferentes processos de consulta e proposição de ações realizadas nos últimos anos nas áreas de mananciais da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), entre eles o Seminário Billings 2002, o Seminário Guarapiranga 2006, discussões realizadas junto às instituições da sociedade civil promotoras das três edições do Abraço Guarapiranga, debates no âmbito do Fórum em Defesa da Vida e Contra Violência do Jardim Ângela e propostas realizadas no GT de Meio Ambiente do Movimento Nossa São Paulo.
Entre as propostas está a garantia de coleta e tratamento de esgoto para 100% da população que mora nos mananciais, a garantia de condições adequadas de moradia para a população e o fim do crescimento da cidade sobre as áreas de mananciais. Saiba mais sobre a plataforma.

A coleta de assinatura foi feita por meio de contato com as coordenações de campanha de cada um dos candidatos. Alguns postulantes, mais sensíveis à causa, receberam pessoalmente a equipe do Programa Mananciais do Instituto Socioambiental (ISA) e manifestaram seu apoio às propostas apresentadas para preservar e recuperar as fontes de água de São Paulo.

Para o segundo turno das eleições o ISA está preparando um documento que garanta o compromisso firmado no primeiro turno e que, a partir de 2009, ajude a sociedade civil a fiscalizar o prefeito ou prefeita eleito no cumprimento das metas assumidas.

Veja abaixo a tabela com os candidatos, partidos e coligações que assinaram a plataforma:

Candidato Partido Data Coligação
Ivan Valente PSOL 05.09.2008 Alternativa de Esquerda
Geraldo Alckmin PSDB 12.09.2008 São Paulo na Melhor Direção
Renato Reichmann PMN 12.09.2008 Não tem coligação
Sonia Francine PPS 12.09.2008 Não tem coligação
Gilberto Kassab DEM 22.09.2008 São Paulo no Rumo Certo
Marta Suplicy PT 22.09.2008 Uma Nova Atitude para
São Paulo

 

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ANP planeja outros leilões de biodiesel

Fabiana Batista
Gazeta Mercantil
24/9/2008

Já com dificuldades financeiras, a Brasil Ecodiesel teve nesta semana cancelados seus contratos de biodiesel dos leilões 10 e 11 da Agência Nacional de Petróleo (ANP), punição ocorrida por conta da inadimplência nos leilões 9 e 10. Assim, a empresa deixará de vender 66,6 milhões de litros de biodiesel. Também foram cancelados pela agência contratos da Renobras (MT) que também atrasou entregas, que deveria ter ocorrido entre julho e 31 deste mês. “As empresas que não entregarem 50% do produto por quatro semanas seguidas estão sujeitas ao cancelamento. E foi o que ocorreu”, explica Edson Silva, superintendente de Abastecimento da ANP.

A agência deve realizar nos próximos dias outro leilão para repor o volume referente aos contratos cancelados das empresas inadimplentes. “A regra do edital é a de que a empresa que tiver contrato cancelado não pode participar dos leilões seguintes. Foi o que aconteceu com a Brasil Ecodiesel. A empresa descumpriu a entrega referente aos leilões 8 e 9, mas o cancelamento do contrato não ocorreu a tempo de impedir sua participação nos leilões seguintes. Mas, conseguimos cancelar essa participação, porque ela não foi concluída, uma vez que a Petrobras ainda não realizou os leilões eletrônicos com as distribuidoras”, explica Silva.

Das cinco unidades produtoras de biodiesel da companhia, três estavam inadimplentes. A fábrica de Iraquara arrematou 21,6 milhões de litros e só entregou 95,9%, a de Itaqui contratou 21,056 milhões de litros e somente entregou 85%, e a de unidade de Rosário apenas entregou 85% do volume arrematado.

A Renobras deixou de entregar 95% do volume de 1,2 milhão de litros contratados. A Agrenco (unidade de Alto Araguaia) também teve contrato cancelado pois somente entregou 4% dos 39,6 milhões de litros devidos. “Lamentamos pelas empresas, mas regra é regra e tem que ser obedecida. As punições são sinal de que o mercado é sério e que as empresas que entram nele tem que cumprir as regras”, avalia.

Segundo ele, a inadimplência da Brasil Ecodiesel, que é a maior empresa do setor, não atrapalhou o abastecimento, mas obrigou a realização de quatro leilões de estoques estratégicos para atender o programa de mistura.

 

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Energia limpa movimenta $ 60 bi

São Paulo, 24 de Setembro de 2008 - O mercado mundial de créditos de carbono já tem projetos para movimentar $ 60 bilhões este ano. O valor representará um aumento significativo em relação à 2007, quando foram gerados $ 42 bilhões. A projeção é do engenheiro Ricardo G. Neuding, diretor da empresa Ativos Técnicos e Ambientais (ATA), com base nos processos registrados no protocolo de Kyoto, que estabeleceu metas de redução de gases de efeito - estufa com algo em torno de 5,2% entre os anos de 2008 e 2012.

Os créditos de carbono são originários da implantação de projetos denominados Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), estabelecido dentro do protocolo de Kyoto. O MDL é desenvolvido por países emergentes e geram créditos que são vendidos para os países desenvolvidos. A venda traz receitas que ajudam na implantação dos projetos. É uma maneira de avançar na geração de energia limpa e contribuir para a redução do efeito-estufa.

Atualmente, o mercado de crédito carbono é dominado pela China, que responde por 61% do total negociado, seguida pela Índia com 12% e pelo Brasil, com 4%. Segundo relatório do Ministério da Ciência e Tecnologia, o Brasil tem hoje 264 projetos de MDL, que representam a redução da emissão de cerca de 300 milhões de toneladas ano de gás carbônico. De acordo com o Banco Mundial, a China com 975 projetos está no topo do ranking mundial de MDL e a Índia com 834, ocupa o segundo lugar.

Apesar do crescimento do mercado de carbono e do aumento do interesse sobre o assunto, muitos empresários ainda não dão a devida importância a esse mercado. “Eles não entendem os mecanismos de MDL e, por isso, o tema não faz parte do negócio da empresa”, afirma.

O Brasil tem inúmeras oportunidades de desenvolvimento de MDL. “Há oportunidades de redução na indústria de cimento, siderúrgica, metalúrgica e química. A Rodhia fez um projeto grande de redução de emissão de gazes do efeito estufa, alterando parte de seu processo de produção química.” Apesar dos projetos em andamento nessas áreas, ainda há muito mais a ser feito. “Há também muito a ser feito na área de geração de calor em caldeiras a partir da substituição do óleo combustível pela queima de biomassa. “Temos muitas oportunidade de substituição pela queima de resíduos de madeira, casca de arroz, bagaço de cana, por exemplo”, acrescenta.

Dados do World Resources Institute (WRI) mostram que o Brasil ocupa a quinta posição entre os países que mais emitem carbono no mundo, devido à queimadas e desmatamentos, que destroem reservatórios naturais e sumidouros, que tem a propriedade de absorver o CO2 do ar. O carbono é responsável por cerca de 60% do efeito-estufa.

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 4)(Lucia Rebouças)

 

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Leilão na BM&F Bovespa pode render R$ 37,5 milhões

Qua, 24 Set, 07h26

São Paulo, 24 de Setembro de 2008 - A alta nas cotações dos créditos de carbono e a demanda internacional crescente trazem boas expectativas para o leilão previsto para acontecer amanhã, na BM&F Bovespa. Com base nos preços praticados atualmente no mercado financeiro, a Prefeitura de São Paulo, detentora das 713 mil reduções certificadas de emissão (RCEs) que serão colocadas à venda, deverá obter um valor até 24% superior por tonelada vendida em relação à primeira operação desse tipo, em setembro do ano passado. No total, o leilão deve girar R$ 37,5 milhões.

Os créditos, que possuem o certificado do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Kyoto, são procedentes dos projetos dos aterros sanitários Bandeirantes e São João, onde os gases produzidos pela decomposição do lixo, que provocam o efeito estufa, deixam de ir para a atmosfera e são usados para a geração de energia elétrica. O leilão acontecerá às 8h30 (horário de Brasília) desta quinta-feira e será realizado pela internet, no site da BM&F Bovespa. A divulgação do preço mínimo para os lances está prevista para hoje.

Na primeira edição do leilão, o valor obtido foi de 16,20 por tonelada, enquanto na operação que acontece amanhã os créditos devem ser arrematados por um valor próximo de 20. Os preços de referência são os praticados pela European Climate Exchange (ECE), principal mercado do ativo. Existe ainda a perspectiva de um pequeno ganho adicional para a Prefeitura por conta da desvalorização registrada pelo real em relação ao euro desde a realização do leilão passado.

Na análise do superintendente de crédito de carbono do Banco Real, Maurik Jehee, o leilão deve atrair um grande interesse. “O principal atrativo do produto é que o crédito já foi emitido e possui certificação, ou seja, não possui risco nenhum”, explica, ao lembrar que o mercado costuma funcionar com entrega futura da “mercadoria” - no caso, a redução das emissões de carbono.Jehee avalia que a demanda dos investidores deve ser, no mínimo, a mesma do primeiro leilão, quando 14 participantes foram habilitados e nove apresentaram lances. Para esta edição é esperada a participação tanto de instituições financeiras que comercializam créditos no mercado como empresas que precisam dos certificados para alcançar suas metas de redução de carbono dentro do Protocolo de Kyoto. No primeiro leilão, o banco europeu Fortis arrematou os créditos.

Entre as companhias que manifestaram a intenção de participar do leilão está a francesa Rhodia. A empresa se lançou com força no mercado de créditos de carbono e hoje é responsável por 20% de toda a recuperação mundial. “Trata-se de um volume equivalente a parar uma cidade com 1,2 milhão de automóveis”, compara o vice-presidente da companhia, Elder Martini. Para atuar no mercado, a Rhodia realizou uma joint venture com o banco francês Société Générale e criou a Orbeo, que hoje é a maior comercializadora de créditos em atividade.

Efeitos da crise Na avaliação do superintendente do Banco Real, as cotações do crédito de carbono até o momento têm resistido aos impactos da crise financeira internacional. Segundo Jehee, é muito difícil avaliar como se comportará o mercado, por se tratar de um ativo com pouco histórico de negociação. Ele considera, porém, que a perspectiva de uma desaceleração da economia européia pode provocar uma redução nos preços, uma vez que esfriaria a demanda por créditos.

Além da questão macroeconômica, a oscilação desse mercado depende ainda da variação dos preços de commodities como o gás e o carvão, que servem de matéria-prima para a produção das companhias energéticas européias. Se o preço do gás estiver relativamente mais caro e as empresas usarem o carvão para a produção de energia, a tendência é de que haja uma maior procura por créditos. Isso porque as companhias precisarão de mais créditos para compensar a maior emissão de poluentes do carvão e se adequarem às metas de emissão.

(Gazeta Mercantil - Vinícius Pinheiro)

 


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Quarta-feira, 24 setembro de 2008

Brasil terá ’superávit ambiental’ em 2050

País pode aliar crescimento e conservação, diz estudo

Andrea Vialli

O Brasil e a Rússia devem ser os únicos grandes países do mundo a atingir 2050 com um balanço positivo entre crescimento da economia e conservação dos recursos naturais. No caso brasileiro, a matriz energética mais limpa e as florestas dão ao País mais preparo para enfrentar as mudanças climáticas e mais oportunidades de negócios nesse campo. É o que mostra estudo da Universidade de São Paulo (USP), que calculou o balanço dos países em relação às mudanças climáticas.

Com base na metodologia contábil empresarial, a pesquisa avaliou o estoque de recursos naturais e o saldo entre as emissões e capturas de gases causadores de efeito estufa em sete países - Brasil, Rússia, Índia, China, Estados Unidos, Alemanha e Japão - até 2050.

“No cenário previsto para 2050, o Brasil terá um superávit de US$ 544 bilhões, patrimônio suficiente para continuar crescendo e ainda contribuir positivamente para a Terra com cotas excedentes de carbono, provenientes de energia limpa e recursos florestais” diz José Roberto Kassai, professor de contabilidade da faculdade de Economia e Administração (FEA/USP) e um dos responsáveis pelo estudo, que envolveu seis pesquisadores da USP.

O mundo, segundo o estudo, terá um déficit econômico-ambiental estimado em US$ 15,3 trilhões, ou 23,7% do PIB mundial. “Só Brasil e Rússia terão condições de continuar crescendo sem maiores pressões sobre o meio ambiente”, avalia. O estudo completo será divulgado em outubro, na Câmara Americana do Comércio (Amcham).

Para Kassai, o balanço positivo para o País pode se traduzir em oportunidades de negócios. “Se o Brasil souber aproveitar esse trunfo, poderá receber volumosos investimentos estrangeiros, tanto para projetos de geração de créditos de carbono quanto em compensações financeiras para manter as florestas intactas.”

LUCROS

Muitas empresas já estão lucrando no mercado de créditos de carbono, que vem ganhando impulso desde 2005. A fabricante de papel Klabin concluiu, em abril, a venda do seu segundo lote de créditos de carbono. A empresa substitui o óleo combustível por gás natural nas caldeiras da fábrica em Piracicaba (SP). A venda dos créditos trouxe receita adicional de 1,5 milhão.

“O gás natural é 26% menos poluente que o óleo” , diz Júlio Nogueira, gerente-corporativo de meio ambiente da Klabin. Segundo ele, novos projetos estão em curso. Na nova fábrica de papel da empresa, inaugurada na semana passada, no Paraná, uma das caldeiras será alimentada só com restos de madeira da própria fábrica e do pólo madeireiro da região. “Esse projeto tem um potencial de gerar créditos equivalentes a até 100 mil toneladas de CO2 por ano.”

A petroquímica Solvay Indupa, em Santo André, faturou US$ 1,4 milhão com uma venda de créditos na semana passada, também proveniente da troca de óleo combustível por gás natural. “Geramos receita extra com uma vantagem ambiental enorme, já que o gás não emite gases de enxofre”, diz Carlos Nardocci, assessor da direção industrial.

O ESTUDO DA USP

Amostra: Sete países que representam 68% do PIB e 50% da população do mundo

Metodologia: Usando a equação básica da contabilidade empresarial (ativo - passivo = patrimônio líquido), os pesquisadores calcularam o patrimônio líquido ambiental de cada país. Ou seja, qual o custo do crescimento econômico em relação à preservação e manutenção dos recursos naturais

Resultados: Somente Brasil e Rússia terão patrimônio líquido ambiental com superávit em 2050. O Brasil terá um superávit de US$ 544 bilhões e a Rússia, de US$ 156 bilhões. Países como os EUA e China serão os maiores deficitários ambientais, com US$ 2,72 trilhões e US$ 3,26 trilhões, respectivamente. O mundo como um todo terá um ‘déficit’ ambiental de US$ 15,3 trilhões

 

 


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Quarta-feira, 24 setembro de 2008

Crise freia corte de CO2 na Europa

Para indústria, custos ficaram altos demais com turbulência financeira

Jamil Chade, GENEBRA

O pacote ambiental que a Europa estava prestes a adotar, que modificaria parte do funcionamento de sua economia, pode ser parcialmente abandonado por causa da crise financeira que atinge o mundo. Nos últimos dias, governos e empresas européias alertaram que o custo da adaptação climática proposta por Bruxelas pode se tornar inviável em razão da recessão que ameaça o continente.

Diante das ameaças impostas pelas mudanças climáticas, a Comissão Européia foi a primeira a anunciar um plano para reduzir as emissões de gás carbônico (CO2) em 20% até 2020. O custo dessa adaptação para a indústria européia seria de 44 bilhões (cerca de R$ 117 bilhões) por ano entre 2013 e 2020.

Para representantes da indústria, a crise atual diminui o espaço para que empresas aceitem reformar sua produção. Nesta semana, um grupo de empresários deixou claro às autoridades européias que simplesmente retirariam seus investimentos do continente e os levariam para outra região se a idéia do pacote ambiental fosse aprovada. O impacto dessa ameaça poderia ser a perda de empregos - e mesmo a queda de governos, que não teriam o apoio do setor privado. Empresários alertam ainda que o pacote pode matar a competitividade da indústria européia.

Angela Merkel, chanceler alemã, deixou claro que quer novas regras de emissões de CO2, mas “não poderia apoiar a destruição dos empregos na Alemanha”. A Polônia, ainda com sua indústria pesada, também quer que o acordo seja voluntário.

SUICÍDIO

Na Itália, alguns dos principais políticos afirmam que o pacote não será aprovado. “Politicamente, as idéias fazem sentido. Mas o plano não será aprovado”, alertou o primeiro-ministro italiano, Giuliano Amato. Renato Brunetta, ministro italiano para a Inovação, vai além. “Se o plano for aprovado, matará qualquer chance de recuperação da economia. Ninguém precisa cometer suicídio”, disse.

A idéia da Comissão era obter uma aprovação para o projeto até o fim do ano. O comissário da União Européia (UE) para Meio Ambiente, Stavros Dimas, não se cansa de apelar para que o tema continue recebendo a atenção dos políticos.

Parte da responsabilidade recai sobre o presidente da França, Nicolas Sarkozy, que preside a UE até dezembro. Paris havia indicado que essa seria uma de suas prioridades. Mas, com a crise e a reação da indústria, a proposta final pode ser aguada para evitar que a política ambiental européia seja totalmente abandonada.

RECUO EUROPEU

Angela Merkel
Chanceler da Alemanha

“(Eu) não poderia apoiar a destruição dos empregos”

Giuliano Amato
Primeiro-ministro italiano

“As idéias fazem sentido. Mas o plano não será aprovado”

Renato Brunetta
Ministro italiano

“Se o plano for aprovado, matará qualquer chance de recuperação da economia. Ninguém precisa cometer suicídio”

 

 


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Quarta-feira, 24 setembro de 2008

Projeto prevê urbanização da Billings

Plano permite regularização de 4,4 mil residências, com 70, 100, 125 e 250 m², no entorno do reservatório

Eduardo Reina e Diego Zanchetta

A 11 dias das eleições, o Estado entrega hoje à Assembléia Legislativa um projeto de lei específico da Represa Billings, que favorecerá a regularização de milhares de lotes ocupados irregularmente à beira do manancial por cerca de 1 milhão de pessoas. São cerca de 600 mil habitantes no lado da capital, outros 200 mil em São Bernardo do Campo e aproximadamente 200 mil nas cidades de Santo André, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e Diadema.

A maior parte está em área de preservação ambiental, em assentamentos irregulares, cujos esgotos são lançados diretamente no reservatório. A remoção em áreas de risco e de preservação, contudo, atingirá apenas 4.438 famílias da capital, numa intervenção que será realizada pela Secretaria Municipal de Habitação. Essa proposta chega às mãos dos deputados com um ano e meio de atraso - era prometida para abril de 2007 - e não define se a função básica da Billings é de fornecimento de água para abastecimento ou de produção de energia, via Usina Henry Borden, em Cubatão. E muito menos determina quem fará a fiscalização da qualidade da água.

“É impossível remover 1 milhão de pessoas do entorno da represa, mas não podem ser criados padrões urbanos de zoneamento de ocupações com lotes de até 5 mil metros quadrados”, criticou Marussia Whately, do Instituto Socioambiental (ISA). O temor é que essa “anistia” induza novas ocupações. Haverá reconhecimento de lotes, com possibilidade de entrega de documento de posse para áreas em região de preservação com 70, 100, 125 e 250 m².

Carlos Bocuhy, integrante do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), observa ainda que a lei não determina responsabilidade pelo passivo ambiental das ocupações. “Há muita responsabilidade de prefeituras, políticos e do próprio governo do Estado na ocupação desenfreada do entorno da Billings. O pior é que a proposta não congela o avanço dessas ocupações.”

Já para a superintendente da Secretaria Municipal de Habitação de São Paulo, Elisabete França, a lei “é um avanço e cria áreas de preservação permanente, promovendo a regulamentação em locais onde não havia regras específicas”. Atualmente, só 43% da área da bacia da Billings abriga mata atlântica . O lado da represa voltado para a capital está tomado por uma camada de 50 centímetros de lodo e há vários pontos contaminados com metais pesados. Essa poluição se originou do bombeamento do Rio Pinheiros para o manancial. A operação, que visava a evitar enchentes em São Paulo, foi paralisada em 1992, mas ainda ocorre em casos de emergência.

Apesar da Lei de Proteção aos Mananciais existir desde a década de 70, a degradação da Billings já avançou mais de 30% nos últimos anos com a urbanização sem regras. O manancial perdeu 58 mil hectares de mata. Ambientalistas calculam que, só nos últimos 3 anos, o desmatamento progrediu cerca de 20 metros quadrados por hora.

Maior manancial em área urbana do mundo, a produção original de água, que era de 28 metros cúbicos por segundo, caiu para 12 metros cúbicos/segundo com esgotos, erosão e ocupação irregular. Hoje, a bacia fornece água para 1,6 milhão de pessoas na Grande São Paulo.

ASFALTO ECOLÓGICO

Os bairros a serem regularizados pela lei ainda deverão ganhar asfalto ecológico, com pavimentação permeável. Estão previstas a remediação do antigo aterro do Alvarenga, que funcionou de 1974 a 1986 e era utilizado pelas cidades de São Bernardo e Diadema, e a criação de parques lineares ao longo do Córrego dos Alvarengas e do Ribeirão dos Couros.

 

 


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23/09/2008 - 09h15

Relatório aponta redução de desmatamento legal em SP

O desmatamento legal –autorizado pelo governo de SP– caiu 15% entre 2006 e 2007 e deve cair mais em 2008, se a tendência do primeiro semestre se confirmar. Os dados são de um relatório do programa “Desmatamento Zero”, divulgado ontem pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e que já tinham sido adiantados pela Folha em agosto.

O documento mostra que a queda do desmatamento legal para loteamentos não tem seguido a mesma tendência e que a autorização de desmatar para a silvicultura (plantio comercial de eucalipto, entre outros) também foi maior neste ano do que em todo o ano passado.

Segundo a diretora-geral do DPRN (Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais), Renata Inês Ramos, as autorizações são dadas com base na Lei da Mata Atlântica e o desmatamento para loteamentos “é um sinal que a secretaria deverá prestar atenção”.

A área de vegetação nativa retirada com autorização no primeiro semestre corresponde a 18% do total desmatado legalmente em 2007.

 

 


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Tietê será desassoreado e ganhará plantas e passeio

Serviço começa com quatro meses de atraso e na véspera do início da temporada de chuvas; governo do Estado diz que serão gastos R$ 42,7 mi

Às vésperas da temporada de chuvas e com pelo menos quatro meses de atraso, o governo do Estado vai começar o trabalho de desassoreamento do Rio Tietê e de alguns de seus principais afluentes, como o Tamanduateí e o Cabuçu de Cima, além do trabalho de limpeza de vários piscinões na região metropolitana. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), esta primavera terá temperatura mais elevada e chuvas acima da média.

Está previsto o plantio de árvores e flores nas margens do Tietê. O projeto inclui, ainda, a construção de passeios públicos, de acordo com a secretária estadual de Saneamento e Energia, Dilma Pena. O custo será de R$ 42,7 milhões, além de R$ 4,8 milhões para implementação do projeto paisagístico nas margens do rio, que vem sendo feito desde dezembro de 2007.

Todos os dias, o Tietê recebe uma carga poluidora de mais de 1,1 mil tonelada de matéria orgânica, 3 toneladas de matéria inorgânica e mais de 300 toneladas de resíduos sólidos. O lixo despejado diretamente nos córregos e rios ou em aterros improvisados acaba no leito do Tietê. Estima-se que mais de 35% da poluição acumulada na bacia venha das mais de 600 entradas de água existentes em todo o canal.

A previsão é que a partir de 1º de outubro comece a retirada de até 400 mil metros cúbicos de entulho (40 mil caminhões carregados de terra). Todo esse material passará por separação e depois será levado para aterros sanitários. A previsão inicial era começar os trabalhos em maio.

No período de 2002 a 2006, um total de 10 milhões de metros cúbicos de sedimentos, rochas, detritos e lixo foram retirados do rio. O programa de despoluição do Tietê teve início em 1992 e já custou US$ 1,5 bilhão, ou quase R$ 3 bilhões.

BALSAS
Os novos contratos prevêem que oito máquinas retroescavadeiras farão o trabalho de retirada do material do leito do Tietê pelos próximos 12 meses. Elas ficarão sobre balsas entre a Barragem Edgard de Souza e a Barragem da Penha, num total de 41 quilômetros, e também em terra. “É um projeto de engenharia preventiva essencial para recuperar a capacidade de escoamento das águas do Tietê”, disse Ubirajara Tannuri Félix, superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE).

Em um dos quatro lotes da obra, a empresa será obrigada a revitalizar os jardins nas margens do Tietê próximo da Rodovia Castello Branco, nas cidades de Osasco, Carapicuíba, Barueri e Santana de Parnaíba. Serão plantadas 14 mil mudas de embaúba, aroeira mansa, sombreiro, jerivá, pitangueira e ipê branco, entre outros. O trecho que receberá o paisagismo corresponde aos locais que receberão a duplicação das pistas na chegada à capital e onde estão em construção novas pontes e viadutos nas rodovias Castello Branco e Anhangüera.

No Rio Tamanduateí haverá retirada de dejetos no trecho entre a cidade de São Caetano do Sul e a foz do Tietê, na zona norte da capital. Estão previstos investimentos de R$ 1,5 milhão.

No Córrego Cabuçu de Cima (entre São Paulo e Guarulhos) já foram canalizados 10,5 quilômetros de leito, desde sua foz até a Ponte Três Cruzes. Outros R$ 7 milhões estão sendo destinados para a limpeza de piscinões.

(Por EDUARDO REINA, O Estado de S. Paulo, 23/09/2008)

 

 


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22/09/2008

Produtos verdes fazem sua estréia este ano

EVELSON DE FREITAS/AE

PILOTANDO - O Panelinha tem um estúdio próprio, que foi reformado para o oitavo aniversário do site
Para Laureen Ornelas, diretora de campanha da Coalização Anti-Resíduos Tóxicos do Vale do Silício, ” hoje não existem eletrônicos verdes”. As empresas estariam cientes das necessidades do meio ambiente, mas ainda relutantes em reduzir o impacto de seus produtos na natureza.

“Mas é verdade que a indústria de TI é incrivelmente inovadora e nos permitiu compartilhar informações de maneiras inimagináveis décadas atrás”, observa. “Parece-me que, se pudessem usar essa criatividade para desenvolver materiais menos poluentes e aparelhos mais fáceis de reaproveitar e reciclar, estariam em um caminho melhor.”

O pessimismo de Laureen pode finalmente ceder este ano, que deve ficar marcado como o da coroação dos esforços iniciados em 2003 para criar dispositivos mais verdes. “Não podemos custear o preço de não sermos verdes”, diz Albert Esser, vicepresidente de soluções em energia e infra-estrutura da Dell. “Dentro de cinco ou dez anos veremos a diferença no crescimento daquelas empresas que se comprometeram com o meio ambiente e daquelas que não o fizeram claramente.”

Roberto Brandão, gerente de tecnologia da AMD no Brasil, explica que “hoje, o grau de agressão ao planeta é menor pela substituição de materiais nocivos, mas não só por isso”. “Começamos a investir em processadores de baixo consumo há anos e, por exemplo, o AMD Phenom X4, que tem quatro núcleos, gasta menos energia do que um chip de núcleo único de quatro anos atrás”, conta Roberto Brandão, gerente de tecnologia da AMD no Brasil. Equipamentos da HP e da Lenovo com processadores AMD ainda foram agraciados com a certificação EPEAT Gold (a mais alta no sistema administrado por um consórcio de fabricantes de eletrônicos e a Agência de Proteção Ambiental dos EUA, com base nos critérios do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos).

A Intel também apostou na redução do consumo de energia e, segundo Reinaldo Affonso, diretor de desenvolvimento tecnológico da empresa no Brasil, “a família de processadores Core 2 oferece uma performance 40% superior com um consumo de energia 40% menor quando comparada à linha anterior”.

Um desses chips Intel está a bordo do desktop eleito o mais verde do ano pelo guia MetaEfficient, editado desde 2004 com resenhas de produtos ambientalmente responsáveis. Ainda sem previsão de venda no Brasil, o Dell Studio Hybrid PC consome 44 watts quando seu sistema é totalmente exigido, 26 watts em modo de espera e 1 watt quando está hibernando ou desligado. Caso fique conectado à tomada todo o tempo esses valores somam à conta de luz 17,5 kWh ao mês.

Outro modelo verde que estreou este ano foi o laptop Thinkpad X300, da Lenovo. A máquina à venda no Brasil traz monitor de 13,3″, processador Intel Core 2 Duo e um disco de estado sólido de 64 GB no lugar do disco rígido (HD). O Thinkpad X300 foi agraciado com a certificação EPEAT Gold, conquistada apenas por outros seletos 15 notebooks - entre os quais há modelos da Dell e da HP, mas não da Sony e da Apple, que, procuradas pelo Link para comentar suas políticas ambientais, declinaram da oportunidade. Assim como a Toshiba e a Positivo.

“A Lenovo é uma empresa preocupada com a sustentabilidade e os impactos que a indústria pode causar ao planeta. Além do X300, temos outros modelos com materiais tóxicos reduzidos e programas de reciclagem nos Estados Unidos, Canadá, China e Índia”, conta Romualdo Soluri, gerente de novos projetos da Lenovo Brasil. “Agora estudamos a implementação do programa de reciclagem no Brasil” . J.R.

 

 


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Segunda-Feira, 22 de Setembro de 2008

BID libera R$ 836 mil para SP ter mais verde

Sé e Praça da República são as áreas que estão na mira da arborização

José Carlos Cafundó

Uma boa notícia para o primeiro dia da primavera: a imagem dura do centro de São Paulo, com prédios, pontes e outra paisagens de concreto, pode ganhar um pouco mais de verde até o fim do ano. Nos próximos meses, deve ser lançada a licitação para o Plano de Arborização do Centro, projeto para plantar árvores nos distritos da Sé e República. O projeto já foi aprovado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que vai financiar os R$ 836 mil previstos para sua execução. O banco analisa o edital de licitação, que a Secretaria do Verde e Meio Ambiente quer concluir para iniciar o plantio.

A idéia do projeto é melhorar o índice de 3 metros quadrados de área verde por habitante na região do centro expandido, muito abaixo do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) - 12 metros quadrados. As áreas mais críticas, segundo dados de 2005, são os distritos da Mooca, Brás, Pari e República.

A cidade de São Paulo tem 48 metros quadrados de verde por habitante, número que não reflete a real situação, já que a cidade tem regiões de mata nativa, como a Serra da Cantareira, na zona norte. “É uma imagem desequilibrada: de um lado temos Parelheiros e a Serra da Cantareira, com imensas áreas verdes, mas do outro está o centro, as áreas industriais antigas e os bairros mais pobres, com níveis quase zero de área verde por habitante”, diz o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge.

O projeto de plantio de árvores faz parte do Programa de Reabilitação da Área Central de São Paulo (Procentro), que foi anunciado há quase cinco anos. Segundo a secretaria, a demora para a implantação foi causada por alguns entraves burocráticos. Como o Plano de Arborização do Centro será realizado por meio do empréstimo do BID, o projeto precisou ser bem detalhado para atender às especificações do banco. Essa é uma das razões alegadas para que a licitação seja feita pela Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), embora o projeto seja da Secretaria do Verde e Meio Ambiente.

Além disso, o plano é complexo por envolver a arborização de uma área amplamente dominada pelo concreto. Devolver o verde a áreas como a República, por exemplo, gera muitas intervenções porque passam por ali cabos de fibra ótica, tubulações de gás e fiação elétrica e telefônica.

Num primeiro momento, uma das empresas vencedoras da licitação vai fazer uma análise da região para detectar as áreas em que é possível plantar e quais árvores podem ser instaladas. “Nós temos de considerar diversos fatores, como a existência de fios e tubulações, para que a árvore cresça após ser plantada e para que ela não cause estragos”, diz o diretor do Departamento de Parques e Áreas Verdes (Depave) da Prefeitura de São Paulo, Hélio Neves.

Somente após esse trabalho é que serão definidas a quantidade de árvores e quais espécies serão plantadas em determinados lugares. O Depave adianta que serão árvores grandes - sempre que possível -, resistentes e que haverá grande biodiversidade, já que as espécies serão distribuídas de acordo com as características de cada lugar. “Acredito que em dois anos teremos sombras de árvores no centro de São Paulo”, diz Neves.

COLABOROU RENATO MACHADO

 

 


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Lucro verde: Empresário ganha com redução de emissões

Folha de S.Paulo
21/09/2008

Mudar produção e vender créditos de carbono podem trazer retorno

Além de reciclar para produzir novas matérias-primas, empresários têm outras oportunidades em ecossoluções.

“Há “zilhões” de necessidades, mas é preciso ser criativo”, sugere Katherine Schulz, da consultoria de oportunidades sustentáveis Tandaká.

Para Fernando Almeida, presidente-executivo do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, em um cenário em que restrições como o racionamento de energia só aumentam, também devem crescer as oportunidades de negócio.

“Uma das alternativas é buscar soluções em eficiência energética, substituindo fontes poluentes por ecológicas”, diz.

Essa foi a saída que Juarez Cotrim, 38, encontrou para seu negócio, a Cerâmica Luara, que faz tijolos em Panorama (SP). Desde 1993, quando adquiriu o empreendimento, Cotrim utilizava lenha nas suas fornalhas.

Quando, em 2005, tomou conhecimento das oportunidades no mercado de crédito de carbono -que permite que a redução de emissões de um processo produtivo seja capitalizada-, resolveu reestruturar toda a sua produção.

Cotrim passou a usar uma biomassa feita a partir de serragem, que é menos poluente e mais eficiente energeticamente. Para isso, investiu cerca de R$ 300 mil em novos fornos e equipamentos.

O quanto a empresa deixou de poluir foi revertido em créditos de carbono. Com a primeira venda desses créditos, para a empresa norte-americana Southeastern Carbon Solutions, no final de 2007, o investimento foi recuperado. Foram 23,7 mil toneladas de CO2, cada tonelada a cerca de R$ 15.

O dinheiro dessa e da segunda venda -6.300 toneladas para um grupo francês- foi reaplicado na companhia. Sua produção mensal passou de 400 mil tijolos para 650 mil. Cada milhar vale R$ 230.

Crescimento

O mercado voluntário para créditos de carbono, para o qual Cotrim fez suas vendas, cresceu 344% entre 2006 e 2007, segundo dados do World Bank Marketplace e do New Carbon Finance publicados neste ano.

O mercado voluntário envolve países que não precisam reduzir a quantidade de emissões que libera, como o Brasil, ou que não tenham ratificado o Protocolo de Kyoto -como os Estados Unidos.

Stefano Merlin, diretor da Social Carbon Company, consultoria focada em pequenas e médias empresas, alerta que o processo pode demorar de um a dois anos, em parte devido às burocracias envolvidas (leia mais à direita).

“No caso de empresas muito pequenas, é importante que se juntem com outras do mesmo setor para garantir a rentabilidade da prática”, sugere. O volume mínimo anual de redução é de aproximadamente 10 mil toneladas de CO2. (DB)

CRÉDITOS

A unidade de medida é a tonelada de CO2, que pode ser vendida para instituições como bancos e bolsas internacionais por uma média de R$ 20 cada uma Para adequar o processo produtivo e obter certificações, a empresa deve procurar instituições especializadas, como a Social Carbon ou a Brazilian Carbon Bureau

Para a prática ser rentável, pequenos empreendimentos do mesmo setor devem se unir

Fontes: Stefano Merlin, diretor da Social Carbon, e Sebrae-SP

 

 


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Domingo, 21 setembro de 2008

Físico brasileiro vence ‘Nobel’ do Meio Ambiente

Goldemberg é 1.º latino-americano a ganhar o Prêmio

Planeta Azul

O físico brasileiro José Goldemberg foi um dos vencedores do Prêmio Planeta Azul 2008, uma espécie de Nobel do meio ambiente concedido pela fundação japonesa Asahi Glass a pessoas que se destacam em pesquisa e formulação de políticas públicas na área ambiental. Essa é a primeira vez que um pesquisador da América Latina ganha o prêmio.

Goldemberg, que foi secretário de Ciência e Tecnologia, ministro da Educação e secretário nacional de Meio Ambiente durante o governo Collor, quando ajudou a articular a Eco-92, será homenageado por suas “grandes contribuições na formulação e implementação de políticas associadas ao melhor uso e conservação da energia”.

Ex-reitor da Universidade de São Paulo (USP) e professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da mesma instituição, Goldemberg também atuou como secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Ao longo de sua carreira como físico nuclear, desenvolveu o conceito conhecido como “technological leapfrogging”, segundo o qual os países em desenvolvimento poderiam dar um “salto tecnológico” com o uso de energias limpas, como o etanol, em vez de depender do modelo energético de países ricos.

Segundo a fundação Asahi Glass, Goldemberg trouxe importantes contribuições para a maneira como o Brasil e o mundo vêem a questão energética. Ajudou a quebrar o paradigma de que energia era algo diretamente ligado ao Produto Interno Bruto dos países e que, por isso, quanto mais fosse usada, melhor.

O Planeta Azul é, ao lado do Prêmio Goldman, a maior premiação da área ambiental. Este ano também será homenageado o francês Claude Lorius, por seus estudos sobre o gelo da Antártida e a relação entre os níveis de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera e as mudanças climáticas .

Cada um dos homenageados receberá 50 milhões de ienes (cerca de R$ 851 mil). A cerimônia de premiação será realizada em novembro, em Tóquio.

 

 


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Sustentabilidade: mais do que moda, modo de ser e agir

Flávio Resende
Correio Braziliense
20/9/2008

É difícil imaginar como, durante tanto tempo, alguns conceitos e valores seguiram na contramão do que hoje entendemos por sustentabilidade. Nas mais simples atitudes - como jogar o lixo na lixeira, de preferência separando o que é orgânico, reciclável ou não - até a implementação de políticas de responsabilidade social em grandes, médias e, mais recentemente, pequenas corporações, sem contar o surgimento de instituições voltadas exclusivamente para essa questão, como o Instituto Ethos, a consciência socioambiental preenche, a cada dia, mais espaço na sociedade organizada.
No campo empresarial, adotar uma gestão transparente; estabelecer um vínculo de respeito e ética com todos os stakeholders; produzir de forma a garantir a sustentabilidade não só da empresa como de todo planeta; e atuar de maneira socialmente responsável são mais do que uma tendência. Diria que se trata de modelo moderno de gestão empresarial, dissociado, conceitualmente, do aspecto filantrópico, permitindo ao empresário descobrir que ser socialmente responsável também garante sustentabilidade ao negócio.

Por definição, sustentabilidade é atender às necessidades do presente sem comprometer as possibilidades de as futuras gerações atenderem às próprias necessidades. Para ser sustentável, qualquer empreendimento humano deve ser ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente aceito. Mas esses conceitos, que parecem óbvios, simples sinais de bom senso, infelizmente ainda estão longe de constituírem prática cotidiana de muitas pessoas, grupos, empresas e governos.

Caminhamos numa direção em que o público terá, em pouco tempo, leitura crítica suficiente para discernir o que constitui verdadeiramente uma cultura sustentável empresarial. Muitas organizações acreditam que usar papel reciclado, por exemplo, constrói uma imagem positiva e aliada à questão socioambiental. Mas, para o público, vale muito mais a postura dessa mesma empresa frente a seus clientes, colaboradores e fornecedores, do que ações isoladas, muitas das quais oportunistas e visivelmente artificiais.

Para agir de forma sustentável, devemos ter visão de longo prazo, consciência de que nossas relações sociais e nosso estilo de vida impactam diretamente a realidade à nossa volta - e que devemos ter solidariedade com nossos descendentes. Para que isso aconteça de fato, é preciso entender a construção da sustentabilidade como desafio de muitas faces. Só assim conseguiremos encontrar as múltiplas respostas que o problema impõe.

Sustentabilidade é tema em construção. Há muito o que aprender a respeito. Mas já sabemos que tem a ver com atos de nosso cotidiano. Desde e de cada um de nós até a forma como lidamos ou deixamos de lidar com o que produzimos. Tem a ver com a maneira como usamos os recursos disponíveis. Mais do que modismo, a sustentabilidade deve representar, conscientemente, para pessoas e organizações em geral, perspectiva de futuro melhor para todos.

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