Arquivo de setembro, 2008

O rumo dos negócios em um novo planeta

21/09/08

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26/08/2008
Gazeta Mercantil (Brasil)

Revista Idéia Socioambiental, 26 de Agosto de 2008 – Nos próximos anos, as mudanças climáticas vão definir o rumo dos negócios e certas adaptações serão necessárias para a consolidação de empreendimentos, administração de riscos e geração de oportunidades. Esta é a principal conclusão a que chegou o relatório Adaptation – an issue brief for business (Adaptação, a síntese de uma questão para os negócios), do Conselho Empresarial Mundial pelo Desenvolvimento Sustentável (WBCSD), grupo que reúne 200 corporações de todo o mundo comprometidas com o crescimento baseado na sustentabilidade. O estudo trata das conseqüências das mudanças climáticas para os negócios e da necessidade de repensar estratégias para evitar prejuízos e reduzir os danos ao meio ambiente.

De acordo com o estudo, graças aos impactos ambientais, alguns deles irreversíveis, a sobrevivência do mercado nos próximos anos dependerá da capacidade de adaptação de cada empresa. Uma das prioridades destacadas para o alcance desse novo patamar é a busca contínua por soluções sustentáveis e o desenvolvimento de novas tecnologias.

Ainda segundo o relatório da WBCSD, novos riscos e oportunidades emergem nesse novo cenário. Questões que envolvem locação, design, operação e infra-estrutura podem causar gran-de impacto na gestão corporativa, razão pela qual será essencial, para manutenção do mercado mundial, tomar as medidas necessárias quanto à redução dos efeitos negativos.

Para Marco Antônio Fujihara, consultor do Instituto Totum, a adequação ao contexto das mudanças climáticas representa uma necessidade básica para os negócios. “A grande questão em pauta é que o protocolo de Kyoto transferiu a problemática da área ambiental para a área de mercado. Transformou a vulnerabilidade das mudanças climáticas numa questão mercadológica”, afirma.

Conforme o estudo, um plano de adaptação eficiente pode gerar vantagem competitiva e economia de custos para empresas inovadoras. Além disso, exigirá que as corporações passem a atuar em colaboração com organizações governamentais e não-governamentais para identificação e suporte de boas soluções.

Perspectivas para um futuro próximo

Assim como cresce o interesse de consumidores por produtos mais verdes, resultantes de cadeias produtivas socioambientalmente responsáveis, evoluem também novos mercados verdes. As empresas que souberem se adaptar a essa realidade global – atesta o relatório – poderão usufruir de vantagens decorrentes de novas oportunidades. As líderes brasileiras parecem atentas às mudanças climáticas. “Com o aumento da conscientização, vão surgir novas chances no mercado, não só no Brasil, mas no mundo todo. O aquecimento global passou a representar uma boa oportunidade de negócio que será bem recebida pela sociedade, algo para integrar a visão estratégica da empresa”, admite Luiz Stano, gerente de saúde, segurança e meio ambiente da Petrobras.

Segundo Fujihara, muitas corporações utilizam o desenvolvimento de ações socioambientais como estratégia de marketing, sem construírem uma estrutura eficiente por trás dessas atitudes. “Acredito que teremos um aumento na demanda de produtos verdes, mas é necessário que as empresas demonstrem mais consistência técnica ao fazer a abordagem de sustentabilidade”, diz.

Outro benefício destacado no estudo do WBCSD diz respeito ao desenvolvimento de uma estrutura regulatória eficiente, que levará à padronização das ações e leis de mercado para segurança do meio ambiente. No longo prazo, isso representará redução de riscos e estímulo à conscientização de mais empresas.

O acesso a matérias-primas em alguns locais também se tornará mais fácil, possibilitando a exploração de fontes ainda não descobertas. Porém, o Adaptation revela que a consciência socioambien-tal das empresas determinará quão bem utilizadas serão essas novas fontes. A grande oportunidade no novo cenário, de acordo com o estudo, está mais em saber reutilizar recursos e reduzir a dependência de fontes do que em descobrir novas reservas.

Em relação ao mercado que surge diante da transição das empresas para um modelo mais sustentável há diversas oportunidades no setor de consultoria e gestão de riscos, já que a demanda de declarações por parte de analistas de investimentos tende a crescer devido a forte exigência dos públicos de interesse. Na opinião de Fujihara, a produção de relatórios de sustentabilidade mais consistentes, muitas vezes validados por auditorias externas, também pode garantir mais confiança aos negócios. “Acredito que se a empresa produz um documento claro, o mercado de capitais absorve as informações importantes em um primeiro momento e os consumidores relevam esses dados em um segundo momento”, atesta.

Na indústria automobilística, onde a mudança de combustíveis fósseis para modelos híbridos ganha cada vez mais força, o estimulo à inovação e a lucratividade de novos modelos tende a gerar cada vez mais benefícios para as empresas atentas às novas tendências.

Para o estudo da WBCSD, os riscos das mudanças climáticas serão diferentes para cada setor econômico. Os que dependem diretamente das condições naturais de clima – ressalta Fujihara – poderão sofrer sérias conseqüências nos próximos anos se não houver um esforço imediato para a adaptação de estruturas. ” O de agronegócios corre riscos complicados, pois enfrentará mudanças desde a época de florada até a colheita. O que lida com recursos hídricos também será afetado, pois depende do meio ambiente de maneira geral”, diz. Segundo o relatório, a escassez de água pode representar um risco não só para a produção de energia, mas também para os sistemas de resfriamento em diversas instalações.

Apesar das diferenças de impacto, o estudo identifica riscos generalizados para todos os setores, como, por exemplo, a dificuldade em cumprir obrigações contratuais e os possíveis danos causados por eventos climáticos à infra-estrutura das empresas. O fechamento de instalações costeiras graças ao aumento no nível dos oceanos e a deterioração de comunidades locais incluem-se entre os riscos.

No campo do mercado de trabalho, o aumento no incidente de doenças pode afetar a produtividade, gerando aumento nos custos dos seguros de saúde. Outro dado de interesse geral avaliado pelo estudo é a redução da possibilidade de planejamento futuro. Devido às mudanças climáticas bruscas, ficará cada dia mais difícil – enfatiza o relatório – prever com antecedência possíveis danos às instalações e às cadeias de suprimentos. Com essa falta de perspectiva, planejar o processo produtivo não será uma tarefa das mais fáceis, podendo resultar em grandes erros de logística e perda de boas oportunidades.

Empresas mudando paradigmas

A relação com os públicos de interesse tem perpassado cada vez mais os conceitos da sustentabilidade e influenciado líderes corporativos na tomada de decisões importantes. O fim dos recursos não renováveis e uma forte crise nas cadeias de suprimentos, por exemplo, são riscos já esperados que devem afetar não só as decisões das empresas, mas toda a cadeia produtiva.

Em relação às comunidades, o impacto do aquecimento global pode provocar desde prejuízos em pequenos negócios até menor disponibilidade financeira da população. A escassez de certos recursos, como a água, também pode afetar a venda de produtos que utilizam essa fonte na fabricação e consumo. A pressão crescente por parte dos consumidores, no que diz respeito à conservação desses recursos, aponta uma tendência que já pode ser visualizada atualmente e se tornará definitiva em um futuro próximo.

Segundo Stano, da Petrobras, a questão do aquecimento global representa um desafio generalizado, que deve ser enfrentado a partir da integração entre sociedade, governo e empresas. “Não adianta dizer que as mudanças climáticas são um problema das indústrias de petróleo. Quem é que consome os produtos? Quem utiliza carro? Como é a estrutura do transporte público? Na verdade, para resolver essa questão, é necessário engajar a sociedade como um todo”.

Investidores mais atentos às novas tendências também podem passar a evitar negócios de alto risco, optando por outros com bases sólidas para enfrentar os riscos dos impactos ambientais. A melhoria no desempenho socioambiental, de acordo com Stano, gera benefícios econômicos e proporciona mais facilidade no desenvolvimento de ações e na busca de financiamentos.

O relatório do WBCSD destaca que os negócios podem mostrar liderança na área através da análise de fatores de curto e médio prazo e de ações inovadoras dentro de suas operações e cadeias de suprimentos. Integrar a sustentabilidade na tomada das decisões corporativas levará a uma redução considerável de riscos e ajudará a desenvolver uma nova consciência em relação aos impactos ambientais. “Acredito que os negócios representem um ponto de partida na mudança de uma série de paradigmas”, aponta Fujihara.

Segundo o estudo, outra área essencial para adaptação das empresas é a relação com a sociedade. Ações em parceria com comunidades locais podem representar uma estratégia eficiente, otimizando operações e gerando projetos integrados. “Apesar de ser possível realizar ações independentes, as atuações conjuntas produzem mais resultados. A vantagem está na agilidade da capitalização de processos e na visibilidade em curto prazo”, ressalta Fujihara.

É necessário que as comunidades estejam aptas a resistir a eventos climáticos severos e se recuperar rapidamente de suas conseqüências, pois vem delas a mão de obra e público consumidor. Muitas corporações já trabalham com esse envolvimento em termos de disseminação da consciência socioambiental. No futuro, no entanto, será necessária uma colaboração mais estreita para o desenvolvimento de planos eficientes para possíveis emergências. Para Carlos Alberto Roxo, diretor de sustentabilidade da Aracruz, o relacionamento com a comunidade é fundamental. “É importante desenvolver a habilidade de construir pontes entre a empresa e a sociedade em diferentes situações”, ressalta o diretor.

Veja mais no site www.ideiasocioambiental.com.br

(Gazeta Mercantil/Caderno A – Pág. 14)

Energia nuclear e sustentabilidade

15/09/08

Por Frederico Nadal Draetta, gerente da Fator Ambiental

Para um novo momento, uma inovadora forma de enxergarmos um antigo modelo. A utilização da energia nuclear passa a ser uma das mais limpas e promissoras fontes de energia para o crescimento sustentável do planeta. Críticos ferozes passaram a defensores do que chamam de “verdadeira fonte de energia com emissão zero de gases do efeito estufa”.

Inúmeros exemplos bem sucedidos para poucos casos isolados de acidentes fizeram com que a energia nuclear saísse dos centros de pesquisa direto para a planilha de custos e investimentos de muitos executivos. E numa fase mais avançada para os cronogramas de engenheiros, já implantando usinas ao redor do mundo.

Cabe ao Brasil assumir seu papel de líder mundial nas questões de energia e definir claramente uma política, mais do que nuclear, energética, para não ficar mais uma vez refém de sua baixa “capacidade de investimento”. E também evitar, outra vez, não estar totalmente preparado para os grandes ciclos de desenvolvimento econômico e crescer pouco em relação às outras nações emergentes.

Boa leitura a todos.

 

 
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Força do vento faz Ceará reduzir dependência de outros estados

Gazeta Mercantil
12/09/2008
Roberta Scrivano

Não precisa ser nenhum especialista para julgar a tamanha força dos ventos do estado do Ceará. O vento, que sopra do mar, faz a areia bater nas canelas e ardem feito chicote. Até executivos se esforçam para manter os cabelos penteados. Para aproveitar a força do vento, ontem, a GDF-Suez inaugurou a usina eólica de Beberibe, a 83 quilômetros de Fortaleza, central recentemente adquirida pelo grupo da norte-americana Econergy, responsável por sua construção.

O empreendimento, que teve investimentos de US$ 150 milhões, é a primeira usina eólica do Programa de Incentivo as Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) a entrar em operação no estado cearense.

“Infra-estrutura de energia elétrica é o ramo que requer mais investimentos. Hoje, nós importamos de outros estados quase a totalidade da eletricidade consu-mida pelo Ceará, por isso esse empreendimento é tão importante para nós”, afirma o governado do Ceará, Cid Gomes.

Gil Maranhão, diretor de desenvolvimento de novos negócio da GDF Suez, comemora a conquista da empresa. “Na nossa carteira de geração faltava a fonte eólica e a atuação no Nordeste brasileiro. E, com a oportunidade de adquirir a Econergy, entramos neste ramo e na região”, explica o executivo.

Na verdade, a GDF-Suez ainda está em processo de aquisição da Econergy. “A oferta pública que fizemos pela companhia, na bolsa de Londres, já foi aceita por 97% dos acionistas”, diz Maranhão para esclarecer que, para a conclusão de outros projetos antes pertencente à companhia norte-americana, é preciso o aval da Agên-cia Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O processo de aquisição da Econergy envolve mais dois ativos, ainda em construção: uma pequena central hidrelétrica (PCH), em Minas Gerais, de 19 MW, e outra usina uma eólica, que será instalada no Piauí terá uma potência de 18 MW.

Programa de incentivo

Em dezembro deste ano expira o Proinfa. No entanto, Mauro Fiúza, presidente da Associação Brasileira de Geração Eólica (Abeolica), antecipou que o governo já está concluindo um novo projeto para incentivar fontes complementares de energia. O programa deve começar no começo do próximo ano. “Ontem nos tivemos uma reunião de quatro horas de duração na Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e essa nova proposta está corrigindo os ‘erros’ do Proinfa, que era um projeto piloto”, afirma Fiúza.

Segundo o executivo, a Abeolica foi convidada pela EPE para discutir o estabelecimento desse novo programa. “Até o fim do ano o programa será lançado e nós estamos vendo com muito entusiasmo a realização do primeiro leilão de eólica dentro de um programa de longo prazo”, diz o presidente da associação.

Fiúza conta que faz parte da discussão com a EPE o volume de energia que será implantado durante do programa. “Devemos chegar um a um consenso, mas a sugestão da Abeolica é um programa de 10 gigawatts em 10 anos, ou seja, mil megawatts para cada ano”, comenta. “É um percentual relativamente pequeno dentro da matriz e do potencial energético brasileiro”, acrescenta.

Além disso, o especialista afirma que, projetos de longo prazo ampliam e dão segurança aos investidores. “A minha tese é que o Brasil, tendo um programa com a base nacional de parques, pode se transformar em um dos maiores fornecedores de equipamentos para o mundo”, afirma.

Fiúza salienta, porém, a importância do Proinfa para a energia eólica no Brasil. “Temos hoje sete fábrica de torres de metal instaladas no País em função do Proinfa, além de duas fabricas de geradores”, comemora o especialista. De acordo com o presidente da Abeolica, hoje estão no Brasil os maiores investidores em energia eólica no Mundo. “Estas empresas têm planos de investir seriamente em eólicas. Isso tudo graças ao Proinfa”, enfatiza.

(Roberta Scrivano – Viajou a convite da GDF-Suez)

 

 
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UE reduz pela metade meta de consumo de etanol

12/09 – 13:19 – Agência Estado

O objetivo do Brasil de transformar o etanol em uma commodity internacional sofre um duro revés. Ontem, um dos principais comitês do Parlamento Europeu votou por modificar o pacote de leis para combater as mudanças climáticas e reduziu quase pela metade as metas de expansão do uso do etanol na União Européia até 2020.
Pelo projeto original, a UE seria obrigada a importar biocombustível do Brasil para suprir a meta.

Com o corte, o comércio deve ser afetado. Os parlamentares acreditam que a Europa deve se focar em desenvolver carros movidos eletricidade e hidrogênio, e não com base no biocombustível. A idéia da UE era a de ter 10% de seus veículos movidos a etanol até 2020. O Brasil esperava ocupar pelo menos um quinto desse mercado.

Hoje, a Europa consome 20% das exportações brasileiras de etanol, com 2,1 bilhões de litros em três anos. Se a meta fosse mantida, a UE compraria do Brasil cerca de 2,8 bilhões de litros por ano até 2010 e 4,9 bilhões até 2020.

Mas o comitê alegou que a meta era inviável, geraria desmatamento e alta nos preços de alimentos. A votação ocorre depois de meses de pressão por parte de grupos ambientais e opositores ao etanol. O governo brasileiro chegou a alertar que parte do lobby tem sido apoiado pela indústria do petróleo.

A meta fazia parte de um pacote ambicioso da UE para reduzir a dependência do petróleo e emitir um volume menor de gás carbônico. E tinha como objetivo criar uma nova base energética. A esperança era de que o projeto entrasse em vigor no dia 1 de janeiro de 2009. Para 2020, a idéia seria de 20% de toda a energia européia vir de fontes renováveis – o dobro dos atuais. O comitê manteve a meta de 10% para energias renováveis no transporte.

Mas decidiu que pelo menos 40% sejam obtidos com eletricidade, hidrogênio e de biocombustíveis de segunda geração (fabricados a partir do lixo). Na prática, o etanol feito a partir de milho, cana e outros produtos agrícolas se limitarão a 4% do consumo europeu em 2020. Hoje, o etanol ocupa cerca de 2% dos veículos europeus. Diplomatas brasileiros que acompanharam a decisão não escondiam a decepção.

A própria Organização das Nações Unidas (UNU) pediu que a meta fosse abandonada, alegando que somente seria atingida com amplos subsídios que distorceriam os mercados. Para o relator da ONU para o Direito à Alimentação, Olivier de Schutter, o impacto sobre o preço da comida seria alto. Cerca de 70% da alta nos preços dos alimentos nos últimos meses ocorreram por causa do etanol, principalmente nos Estados Unidos e Europa, afirmou.

A nova proposta de lei será submetida ao Parlamento. Se aprovada, segue para ser renegociada entre os 27 países da UE. A França, que preside o bloco, quer uma lei até o fim do ano. ONGs ambientalistas comemoravam. Adrian Bebb, da entidade Friends of the Earth Europe, afirmou que o voto “reconhece o sério problema associado ao uso do etanol”. Usar produtos agrícolas para alimentar carros uma falsa solução, disse.

O comitê ainda decidiu que, até 2015, 5% por cento dos combustíveis do transporte rodoviário virão de fontes renováveis,sendo um quinto de fontes não agrícolas. Os biocombustíveis precisam emitir 45% a menos de gás carbônico em relação à gasolina para serem aceitos, até 2015, 60% menos, decidiram os países da UE.

 

 

 
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O ESTADO DE S. PAULO – SP

11/09/2008

Brasil contesta proposta da ONU

Itamaraty discorda de sugestão de regras para etanol

Jamil Chade

O Brasil questiona a proposta da ONU de criar diferentes categorias de etanol e critérios para que os biocombustíveis sejam exportados. O Estado informou ontem que a ONU iria sugerir a criação de requisitos para a produção de etanol e que as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) fossem modificadas para permitir que apenas biocombustíveis produzidos conforme esses critérios pudessem ser exportados.

“O Brasil acredita que qualquer iniciativa relacionada com o comércio internacional de biocombustíveis seja não discriminatória, transparente e compatível com as regras da OMC”, afirmou o Itamaraty em uma declaração lida diante do Conselho de Direitos Humanos da ONU, ontem.
O relator das Nações Unidas para a Alimentação, Olivier de Schutter, que apresentou a proposta, disse em uma coletiva de imprensa que ficou “surpreso” com a resposta do Brasil. “Não senti que o Brasil insistiu de forma suficiente no fato de que existem diferentes tipos de etanol no mundo”, afirmou.

Para ele, a expansão dos biocombustíveis gerou parte da alta mundial dos preços de alimentos. Mas Schutter poupou o etanol brasileiro, alegando que sua produção não afetou o mercado da mesma forma que o etanol de milho americano.
O relator da ONU sugere a criação de um sistema para permitir que o etanol que não respeite o meio ambiente, os direitos trabalhistas e o acesso a alimentos seja banido do comércio internacional. Sua idéia é que o etanol que não cumprir esses requisitos em sua produção seja impedido de ser exportado. Para isso, sugere até uma mudança nas leis da OMC para permitir a discriminação. “O mundo precisa criar um código para essa expansão do etanol”, defendeu ontem novamente.

Tanto ele como o governo brasileiro, porém, concordam que os subsídios americanos e europeus ao etanol estão distorcendo os mercados e agravando a fome. O Brasil, porém, alega que seria “injusto” colocar o etanol nacional no mesmo patamar de avaliação que o biocombustível dos demais países.

 

 
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Gasoduto no Amazonas só sairá em 2009

Kelly Lima
O Estado de S. Paulo
11/9/2008

O gasoduto Urucu-Coari-Manaus (AM), cujas obras foram visitadas ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deve ser concluído mais de um ano e meio após o previsto inicialmente. A obra, de 670 quilômetros de extensão, foi iniciada em junho de 2006, com previsão de entrega para março de 2008. Em entrevista em Manaus dada anteontem, a diretora de Gás e Energia da Petrobrás, Maria das Graças Foster, anunciou que o gasoduto deve entrar em operação até setembro de 2009, com custos totais de R$ 3,5 bilhões.

A empresa atribui o atraso às dificuldades características da região – como o excesso de chuvas, que atrapalha as obras, e o acesso mais complicado por questões ambientais. A Petrobrás enfrentou ainda dificuldades na fase de licitação, em 2005. O processo foi cancelado mais de uma vez, porque a empresa havia considerado os preços elevados.

O gasoduto Urucu-Coari-Manaus viabilizará o transporte inicial de 5,5 milhões de m³ de gás natural ao mercado amazonense. A reserva estimada em Urucu é de aproximadamente 52 bilhões de m³. E já há previsão de elevar a pressão no duto para poder transportar até 10 milhões de m³ por dia, já que hoje o campo de Urucu poderia produzir 9 milhões diários. O governo do Amazonas acredita que o volume extra poderá possibilitar a instalação de um pólo petroquímico na região.

 

 

 
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GDF-Suez estréia em geração eólica no Brasil

Roberta Scrivano
Gazeta Mercantil
11/9/2008

A franco-belga GDF-Suez – gigante dos mercados de gás e eletricidade, resultado da recente fusão da Gaz de France e do grupo Suez – estréia hoje em geração eólica no Brasil ao colocar em funcionamento uma usina localizada na cidade cearense de Beberibe, a 83 quilômetros de Fortaleza, com potência de 26 megawatts – volume suficiente para abastecer cerca de 200 mil pessoas. A central foi adquirida recentemente da norte-americana Econergy International (Econergy), que, além dessa unidade, repassou para a multinacional franco-belga mais dois ativos: outra usina eólica e uma pequena central hidrelétrica (PCH).

Esses dois últimos empreendimentos, porém, ainda serão construídos no País. Segundo Gil Maranhão, diretor de desenvolvimento de novos negócios da GDF Suez, o grupo já injetou US$ 159 milhões nos projetos para viabilizar a conclusão dos empreendimentos até o ano que vem.
“O Brasil é target primário para o grupo GDF-Suez, queremos crescer neste País”, afirma o diretor da companhia, que no mundo já soma 2 mil megawatts em centrais eólicas.

A outra usina eólica comprada pelo grupo franco-belga, chamada de Pedra do Sal, está localizada no Piauí, também na região do Nordeste brasileiro, e terá potência de 18 MW. As obras, de acordo com o grupo, devem estar concluídas em dezembro. Já a Pequena Central Hidrelétrica será instalada em Minas Gerais, terá potência de 19 MW e deve ser inaugurada em janeiro do próximo ano.
Apesar do alto custo da eólica, há a contrapartida da rapidez em que uma central fica pronta. “A obra de Beberibe teve início em junho do ano passado e foi concluída no início deste ano”, comenta Frota. Edward Hoyt, vice-presidente sênio da Econergy, afirma ainda que neste empreendimento foram gerados 600 empregos diretos.
O projeto de Beberibe consiste em 32 aerogeradores de 800 kilowatts cada, juntos totalizam uma potência de 25,5 megawatts. As torres tem 75 metros de altura, são compostas de concreto e aço. As pás tem 22,8 metros de comprimento totalizando um diâmetro de 48 metros.

“O grande desafio da Econergy foi construir uma usina em cima de dunas móveis, muito característica aqui na região. Cada torre tem uma base de concreto de três metros de profundidade, ancoradas em dezesseis estacas de dezessete metros de profundidade”, detalha Frota. Segundo ele, a usina é conectada ao sistema da Coelce por meio de uma linha de transmissão de 24 e somam 175 postes.
A Suez, controladora da Tractebel Energia há dez anos, já é a maior geradora privada do País com 7,2 mil MW de potência. No Brasil, o grupo lidera o consórcio que venceu a disputa para a construção da hidrelétrica de Jirau, a segunda usina no Rio Madeira.

“Estamos analisando outras propostas de aquisição de projetos de energia alternativa”, comenta o diretor, sem dar detalhes das negociações. “Em dez anos no controle da Tractebel nós ampliamos a potência geradora em 90%”, acrescentou.

Ainda de acordo com Maranhão, esta não é a entrada do grupo no segmento de energias alternativas. “Nós já temos um projeto em operação desde 2003, em Lages, no estado de Santa Catarina, que é uma usina movida a biomassa de madeira”, argumenta o executivo.

Os empreendimentos de energia alternativa têm, no Brasil, como incentivo do governo federal o Programa de Incentivo a Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), que está previsto para acabar no fim deste ano.

Questionado sobre se o fim do projeto pode prejudicar o desenvolvimento das fontes geradoras, Maranhão é enfático: “Com a usina de Lage (que entrou em operação antes do programa), somos um bom exemplo de que dá para viabilizar um empreendimento sem incentivo do Proinfa”, diz. O executivo sugere outras formas de incentivo como formas de financiamento especiais, incentivo fiscal na compra de equipamentos ou na implantação, além de leilões específicos.

A energia a ser gerada por Beberibe, por ser um projeto do Proinfa, já está contratada pela Eletrobrás. “Um megawatt-hora será vendido a R$ 231″, comenta Eduardo Frota, gerente de projetos da Econergy, o valor é o mesmo para a energia de Pedra do Sal. “A PCH tem um valor mais baixo, o MWh será negociado a R$ 153″, acrescenta o técnico.

Viajou a convite da GDF-Suez

 

 
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Solventes e energia ganham espaço nos negócios da Rhodia

11 de Setembro de 2008 – Às vésperas de comemorar 90 anos de Brasil, em 2009, a multinacional francesa Rhodia tem muitos motivos para comemorar. Desde a chegada, o País tem se revelado um bom investimento, tanto que hoje a subsidiária local já está no seleto grupo do faturamento superior a 7 dígitos: US$ 1,2 bilhão, o que representa 90% do movimento da América Latina ou 17% da receita da companhia no mundo. Esse volume é um diferencial no setor químico, pois na região poucas empresas alcançam tanto peso nas operações globais.

“Sempre tivemos sorte no Brasil, a começar pela compra da antiga fazenda de café, em 1942, que deu origem ao complexo alcoolquímico de Paulínia”, diz o presidente da Rhodia, Marcos De Marchi. Como, na época da guerra, o Brasil não conseguia trazer álcool, a Rhodia iniciou a produção local. Hoje, o negócio de solventes provenientes de etanol é tão importante para a empresa, que Paulínia já abriga uma fábrica de escala mundial, para atender um segmento que cresceu 13 vezes em 10 anos. Graças a isso, nos últimos três anos, o centro dobrou sua capacidade, com investimentos de US$ 60 milhões, passando a produzir 300 mil toneladas de solventes oxigenados (derivado de etanol e acetona).

Isso colocou a companhia em segundo lugar no mercado europeu e elevou o Brasil ao comando do negócio solventes para o mundo inteiro.

Álcool

“Apostamos no álcool quando ninguém imaginava que ele se tornaria a nova matriz energética”, afirma o vice-presidente da Rhodia, Mario Lindenhayn, que também é responsável pelos alcoolquímicos, setor que hoje já representa 30% do negócio como um todo. Da produção de solventes, 45% é exportada para mais de 60 países, sendo o segundo maior fornecedor para Europa, região que a partir de janeiro adotará regras muito rígidas para comercialização de substâncias químicas e derivados.

“As regras são muito rígidas, mas já sabemos que sem ser sustentável, em químicos ou em qualquer outro negócio, não haverá futuro”, afirma De Marchi.

Mas não é só na área de solventes que a Rhodia acertou a mão. “Acreditamos no mercado de náilon para pneus de motos, caminhões e tratores, justamente os que mais crescem hoje”, brinca De Marchi. Segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), as motocicletas já representam 70% do mercado total de veículos. Além disso, os automóveis, outro segmento que cresce 27% em média no País, já carregam cerca de 10 quilos de poliamida. Alguns como o Idea Adventure, da Fiat, chegam a carregar até 20 quilos. Plásticos de Engenharia crescem a uma taxa de 10% ao ano, segundo o presidente De Marchi. O náilon já responde por 10% do faturamento.

Energia

Energia é outro grande foco da Rhodia no mundo inteiro e surgiu mais por conta das necessidades especiais das fábricas da empresa. “Só com o que reduzimos em emissões em nossas fábricas, equivale a retirar 1,2 milhão de automóveis das ruas”, explica De Marchi. Uma das maiores consumidoras de gás e energia elétrica, a companhia começou a gerenciar melhor seus recursos globalmente. Hoje, cerca de um quinto dos créditos de carbono são gerados pela Rhodia, de acordo com Elder Martini, vice-presidente da companhia para a América Latina na área de compras e logística em energia.

“Nosso conhecimento no assunto foi tão além, que a empresa firmou uma joint venture com o Societe General para essas ações no mundo”, acrescenta. Dessa união, surgiu a Orbeo que negocia créditos de carbono para terceiros. No Brasil, a Rhodia só tem cogeração nos próprios sites.

“Mas estamos atentos às oportunidades de investimentos, especialmente com esta falta de disponibilidade de energia para o futuro”, afirma o executivo. (Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 1)(Marcello D’Angelo e Anna Lúcia França São Paulo)

 

 
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10 de setembro de 2008

Indústria desenvolve motor flex para trator

Três empresas são parceiras em projeto de motor movido a álcool[br]e diesel, que está em fase de desenvolvimento

O Estado de S.Paulo

Um motor flex para tratores, movido a álcool e diesel. A novidade, ainda em fase de desenvolvimento, foi apresentada durante a Expointer 2008, que terminou no domingo, em Esteio (RS), e chamou a atenção dos visitantes. O projeto é uma parceria entre a Massey Ferguson, MWM International e Delphi. O motor biocombusível ainda não está em produção comercial.

Os resultados iniciais, conforme os parceiros, indicam até 60% de substituição do diesel pelo etanol com mesmo desempenho do motor e economia de até 25% em gastos com combustível, dependendo do preço. O objetivo do projeto, a princípio, é atender a segmentos específicos de mercado, como usinas e produtores de álcool, que já utilizam tratores a diesel.

A pesquisa partiu de um motor a diesel, utilizando uma combinação de etanol e diesel como combustível, mantidos em dois tanques distintos. As proporções são variáveis conforme a exigência sobre o propulsor. Nos momentos de maior exigência de força, a proporção de etanol aumenta e a de diesel diminui, o que possibilita no trabalho mais forte atender o consumo com uma quantidade maior do combustível mais barato, o etanol. No tanque de diesel também é possível usar o biodiesel.

“Nosso objetivo é investir em novas tecnologias e buscar soluções que satisfaçam aos clientes”, diz o gerente de Desenvolvimento do Produto da MWM International, Guilherme Ebeling. “Os tratores biocombustível darão aos usineiros e produtores maior independência e flexibilidade em relação à escolha do combustível utilizado, além de uma considerável redução de custo”, complementa o gerente de Projetos Especiais da Delphi, Vicente Pimenta. “Com essa parceria, estamos aptos a fornecer o que o cliente precisa, buscando novas tecnologias e soluções que tragam importantes vantagens ao setor, considerando aspectos ambientais e econômicos”, diz o diretor de Marketing da Massey Ferguson, Fábio Piltcher.

 

 

 
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Em busca da sustentabilidade, Prius completa 1 milhão de unidades

São Paulo, 10 de Setembro de 2008 – Os chamados carros híbridos – utilizam simultaneamente motores a combustão e elétrico – deverão formar uma ponte para a futura era do hidrogênio, o combustível mais limpo e abundante no planeta. No entanto, o preço de venda é maior e a economia no custo por quilômetro rodado não se torna tão interessante fora do trânsito urbano.

Toyota Prius, primeiro a utilizar a tecnologia, acaba de completar 1 milhão de unidades vendidas em longos 10 anos nos Estados Unidos, no Japão e na Europa. Híbridos também poderão, em breve, ter suas baterias de íons de lítio recarregadas na rede de energia elétrica.

A indústria automobilística tem um futuro desafiador quanto ao desenvolvimento de novas tecnologias. Nos próximos 10 a 15 anos a necessidade de transporte terrestre continuará crescente. As projeções para 2020, segundo o relatório do Programa do Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep, na sigla em inglês) indicam que os automóveis estarão rodando 11 bilhões de quilômetros/ano. Caminhões leves e caminhões pesados, juntos, quase 40 bilhões de quilômetros/ano. O crescimento será superior aos 40% em relação a 2008.

Por outro lado, estudos científicos prevêem que o pico de produção de petróleo acontecerá no máximo em cinco a dez anos. Há dados, porém, menos otimistas. O professor da Universidade de Upsala (Suécia), Kjell Aleklet, é presidente de uma associação internacional dedicada a avaliar produção e consumo de petróleo e como isso afeta as reservas mundiais, provadas e por descobrir.

Nesse cenário, os fabricantes de veículos terão que investir em pesquisa e desenvolvimento dentro do senso de urgência que a sociedade espera. A longa luta pela diminuição da emissão de gases tóxicos (CO, HC e NOx) está praticamente vencida, apesar de novas conquistas ainda por vir. O grande avanço ocorreu, tanto no Brasil como no exterior, a partir da última década do século passado. A redução, em alguns casos, chegou a 90%.
Os esforços agora se centram na diminuição de consumo de combustíveis fósseis, com duplo objetivo. Em primeiro lugar, porque carros mais econômicos emitem também menos gás carbônico (CO2). Por outro lado, há necessidade de modelos que consomem menos gasolina e diesel como contraponto aos preços dos derivados de petróleo, que sobem de forma preocupante.

No momento, frotas experimentais rodam em alguns países de ponta. A Honda estendeu a utilização, pela primeira vez, de um automóvel à pilha de hidrogênio a compradores particulares selecionados. Serão apenas 200 unidades do FCX Clarity, nos próximos três anos, para motoristas de três cidades da Califórnia, o mais rico dos estados norte-americanos. O Clarity é um sedã médio, tem 127 cv e autonomia de 435 quilômetros.
(Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 14)(Fernando Calmon)

 

 
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ONU propõe regras para a produção de etanol

Jamil Chade
O Estado de S. Paulo
10/9/2008

Entidade poupou Brasil, mas disse que biocombustível afetou preços

Para tentar dar um ponto final à polêmica do etanol e seu impacto nos preços de alimentos, a ONU propõe a criação de uma série de critérios para que os biocombustíveis sejam produzidos, uma entidade para monitorar a questão e a revisão dos subsídios que existem para o setor nos países ricos. Hoje, o relator das Nações Unidas para a Alimentação, Olivier de Schutter, apresentará sua proposta aos países da entidade. Ele poupa o etanol do Brasil de críticas e garante que a alta de preços dos alimentos no mundo não foi gerada pelo País. Mas confirma que o biocombustível em outros mercados teve um impacto direto nos preços dos alimentos.

“A produção atual de etanol não é sustentável”, afirmou. A proposta de Schutter é que a comunidade internacional chegue a um consenso sobre as regras para a produção do etanol e para o estabelecimento de políticas públicas. Os critérios propostos devem incluir não apenas questões de preços de alimentos, mas aspectos relacionados ao meio ambiente e condições de trabalho. Para ele, a exploração é “freqüente” nas grandes plantações da indústria de biocombustíveis.

“Se o modelo de produção do etanol continuar, violações aos direitos à alimentação se proliferarão.” Sua proposta é que cada novo investimento passe por uma avaliação sobre o impacto ambiental que terá, sobre o efeito na concentração de terras, as condições de trabalho e o preço dos alimentos na região.

Os critérios de produção e investimento devem incluir garantias de acesso a alimentos, de que pequenos agricultores não serão expulsos de suas terras e casas, de remuneração justa aos trabalhadores e de proteção dos direitos de indígenas e mulheres. Segundo a proposta, “países devem ser encorajados a não permitir investimentos se esses critérios não forem seguidos”.

O acesso aos mercados internacionais só poderia ocorrer se o etanol fosse produzido nessas bases. A ONU sugere até mesmo uma reforma nas leis da Organização Mundial do Comércio (OMC) para permitir que a discriminação seja feita. Para monitorar o cumprimento dos critérios, a ONU sugere a criação de um fórum permanente.
Outra proposta é dar fim a todos os esquemas de subsídios e incentivos fiscais nos países ricos para a produção de etanol, o que estaria gerando uma distorção nos mercados e um comércio artificial.

AMEAÇA

A ONU não nega que o avanço do etanol contribuiu para o aumento dos preços das commodities, “ameaçando o direito à alimentação”. Um aumento de 1 ponto percentual no preço de alimentos provoca um aumento de 16 milhões de pessoas que sofrem de subnutrição.

De acordo com Schutter, o Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu que o etanol foi responsável por 70% da alta no preço do milho e 40% no da soja. Outro estudo aponta que o etanol americano teria sido o principal responsável pela alta dessas commodities em 2007 e 2008, que foi superior até ao aumento do preço do petróleo. Diante dessa constatação, o relator da ONU pede que metas de expansão do etanol nos Estados Unidos e Europa sejam abandonadas.

BRASIL

Para Schutter, porém, seria “irresponsável condenar” todas as políticas de etanol no mundo. A produção para o consume local reduzir a dependência de petróleo não é a mesma da produção em grande escala para a exportação. Para ele, não se pode avaliar da mesma forma o etanol produzido de milho e o de cana. Cada um teria feito diferente para o meio ambiente e para a criação de empregos. No Brasil, 1 milhão de pessoas estariam empregada no setor. Mas a ONU alerta que a mesma situação pode não ocorrer em outros países.

“A produção de etanol do Brasil a partir da cana não contribuiu para a recente alta nos preços das commodities”, afirmou. O motivo é que a produção de cana no País aumentou de forma significativa e as exportações de açúcar triplicaram desde 2000. O Brasil ainda passou a dominar 40% do mercado mundial de açúcar, ante o peso de 20% em 2000. Segundo os estudos, as exportações nacionais de açúcar foram suficientes para manter a alta na commodity relativamente modesta, salvo em 2005 e 2006, quando uma seca afetou a produção.

CONCENTRAÇÃO

Um temor da ONU é que haja uma corrida por terras para a produção do etanol, deixando um espaço menor para a produção de alimentos e encarecendo o preço das commodities. O etanol não seria o único problema. A compra de terras por estrangeiros para garantir seu abastecimento seria outro problema crítico.

O etanol, segundo a ONU, provoca uma concentração de terras e ameaça o acesso de indígenas e pequenos produtores às áreas agricultáveis. No total, 60 milhões de indígenas e povos autóctones seriam afetados diretamente pela produção do etanol no mundo.

O relatório ainda alerta que a produção de etanol em um país em desenvolvimento para abastecer um mercado rico não vai ajudar na geração de desenvolvimento e combate à pobreza. O Brasil, ao lado dos Estados Unidos, está promovendo projetos nesse estilo na América Central.

 

 

 
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Mineradoras vão investir US$ 57 bi no País até 2012

Daniele Carvalho
O Estado de S. Paulo
10/9/2008

Estimativa anterior do Instituto Brasileiro de Mineração era de aplicações de US$ 42 bilhões no período
O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) revisou as estimativas de investimentos do setor de US$ 42 bilhões para US$ 57 bilhões até 2012.

O presidente do Ibram, Paulo Camillo, diz que o aumento nos investimentos reflete a confiança das empresas na manutenção de um ciclo de preços altos para os minérios, puxado pelo crescimento da China. Tudo isso apesar do clima de extremo nervosismo no mercado financeiro internacional.

“Estamos completando um ano de crise das hipotecas. Apesar disso, os investimentos em mineração mais do que dobraram no Brasil. Em junho de 2007, nossa projeção para cinco anos era de que o País receberia US$ 24 bilhões em investimentos. Hoje, estamos em US$ 57 bilhões”, diz Camillo.

Distribuídos em uma lista de 48 projetos, o valor inclui tanto planos de expansão quanto novos negócios. O minério de ferro mantém de longe a liderança, recebendo cerca de US$ 37 bilhões, ou 65% do total. Em seguida aparece a exploração do níquel, que receberá outros US$ 6,2 bilhões nos próximos cinco anos.

O Brasil também receberá grandes investimentos em alumina (US$ 2,6 bilhões), fosfato (US$ 2,24 bilhões), cobre (US$ 1,71 bilhão), bauxita (US$ 1,61 bilhão) e ouro (US$ 1,54 bilhão).

As novas minas e projetos de expansão estão espalhados pelo Brasil, incluindo de investimentos de US$ 540 milhões em Paracatu, Minas Gerais, pela mineradora americana Kinross para extração de ouro à duplicação da mina de ferro de Carajás, no Pará, pela Vale, num pacote de US$ 10 bilhões.

A demanda externa, especialmente, por minério de ferro está tão forte que reservas antes consideradas de baixo valor econômico ficaram atraentes. “Isso explica o interesse de grandes grupos não só por novos projetos, mas também por minas que já estão em operação e que têm potencial para aumentar os volumes produzidos. Nesses casos, os compradores ganham tempo porque não precisam aguardar por licenças ambientais”, diz Camillo.
Minas de porte médio, que antes se limitavam a fornecer minério de ferro para produtores de ferro-gusa, num negócio relativamente modesto, agora atraem as maiores mineradoras e siderúrgicas do mundo. A região de Itaúna, a 76 quilômetros de Belo Horizonte, ilustra bem a nova corrida pelo ouro.

No início do ano, ‘seu’ José Nogueira, dono da loja de eletrodomésticos Princesinha, vendeu a mina JMendes, localizada em sua fazenda, por mais de US$ 1 bilhão. Dependendo da revisão do tamanho das reservas, o preço pago pela Usiminas pode subir para US$ 1,9 bilhão.
Em Itatiauçu, cidade vizinha a Itaúna, está ocorrendo uma história parecida. Os irmãos Edson e Dilson Fonseca da Silva são donos das mineradoras MBL e Minerita. Eles já foram procurados por grupos brasileiros e estrangeiros interessados nas reservas. Especula-se que as minas sejam avaliadas em mais de US$ 1 bilhão.
Mas a reserva que desperta maior cobiça internacional pertence à CSN. Sua subsidiária Namisa, que reúne ativos de mineração, está à venda e pode ser negociada por US$ 10 bilhões, segundo especialistas. Grupos chineses, japoneses, russos e indianos já demonstraram interesse pelo negócio.

DESCOBERTA

Na área de níquel, os destaques têm sido os novos projetos. Nesse grupo enquadra-se a Mirabela Mineração, que deve investir US$ 330 milhões até 2009. A empresa inicia no ano que vem a produção de ferro-níquel do projeto Santa Rita, localizado no município baiano de Itagibá, a 370 km de Salvador.

Outra empresa júnior (empreendimento feito com capital de risco obtido junto a investidores internacionais), a britânica Horizonte Minerals, comunicou, no início desta semana, a descoberta de uma jazida “significativa” de níquel laterítico em seu projeto Lontra, em Carajás.
“Temos grande diversidade de minerais, mas conhecemos pouco nossas reservas”, diz Camillo. Apenas 30% do território nacional possuem um levantamento geológico razoável.”

Ele diz que o interesse em se mapear esse território vem crescendo. Os investimentos saltaram de US$ 80 milhões, em 2002, para US$ 450 milhões este ano. O entrave aos investimentos é a infra-estrutura. “A falta de infra-estrutura em novas áreas de mineração encarece os projetos.”

 

 
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Álcool: divulgação e oportunidades

ARTIGO – Humberto Viana Guimarães
Gazeta Mercantil
9/9/2008

É simplesmente incrível! Quando os poderosos lobbies das grandes petroleiras querem bombardear o etanol, logo em seguida aparece alguém declarando que “a produção de biocombustíveis é crime contra a humanidade”. De fato, usar milho para produzir etanol é uma total estupidez. Por conveniência, esses mesmos lobistas preferem “botar a viola no saco” e não atacam os altos subsídios ao etanol de milho e de outros cereais pagos a seus agricultores e tampouco buscam desenvolver motores mais econômicos e menos poluentes.

Esses movimentos acontecem, não só por falta de uma melhor divulgação a respeito das fantásticas virtudes do etanol de cana, assim como melhores práticas na produção do mesmo (proteção do meio ambiente e a erradicação do trabalho escravo, que volta e meia ainda permeia em alguns estados).

O Brasil como o maior produtor mundial do vitorioso etanol de cana-de-açúcar deve dar o exemplo da boa governança e tem que ter a responsabilidade em manter esse energético fora dessa confusão, onde se colocam os biocombustíveis num mesmo saco. Nunca está por demais dizer que não é o etanol de cana que está provocando o aumento dos custos e a falta de alimentos no mundo e sim um conjunto de variáveis, tais como: aumento no poder de compra da população – sem contrapartida no aumento na produção de alimentos em função de fatores climáticos e urbanização crescente -; alta do petróleo, esse sim, o grande responsável, pois influencia toda a cadeia produtiva; utilização de 30% da produção total do milho nos Estados Unidos para fabricação de etanol; e especulação com commodities agrícolas nas bolsas internacionais (vende-se e compra-se o que não tem!).
Nestes últimos meses, como tenho andado por alguns países da América Central e Caribe, procurei ter o feeling das pessoas a respeito da produção brasileira de etanol de cana e geração de energia a partir do bagaço. A maioria com quem tratei desse tema desconhecia totalmente o assunto, mas sabia que os Estados Unidos estão produzindo o etanol a partir do milho e que ele não era economicamente viável. Ou seja, mesmo sabendo do seu maior custo por litro (enquanto uma unidade fóssil produz 8,9 unidades de etanol de cana, contra 1,3 de etanol de milho), o lobby a favor do energético americano é atuante.

Apesar de o Brasil ainda ter milhões de hectares a serem utilizados para o plantio da cana-de-açúcar, sem fazer uso do desmatamento, acredito que os empresários do setor deveriam dar mais atenção às regiões citadas mais acima, principalmente devido ao fato de que a partir dela pode-se exportar o etanol de cana para os Estados Unidos sem a absurda sobretaxa de US$ 0,54 por galão.

Seria muito interessante que os investidores fizessem um recorrido na República Dominicana e observassem as enormes possibilidades para o plantio de cana-de-açúcar naquele país caribenho, com terras baixas férteis em várias regiões (aptas para a mecanização), grande grau de insolação e mão-de-obra farta. Soma-se a isso que, devido à enorme dependência do petróleo para geração de energia (75%), todo o excedente de energia elétrica gerada pelo bagaço seria vendida ao mercado, ajudando assim o país a evitar os constantes apagões e economizar bilhões de dólares na importação do petróleo. Ademais, poderíamos vender os nossos eficientes carros flex-fuel que ajudariam a diminuir a poluição.

 

 

 
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Equívocos no licenciamento de Angra 3

ARTIGO – Aquilino Senra Martinez
Gazeta Mercantil
9/9/2008

A concessão da licença prévia para Angra 3 trouxe novamente ao debate público a questão dos rejeitos radioativos produzidos durante a operação de uma usina nuclear. Entre as 60 condicionantes incluídas na licença concedida pelo Ibama, uma se destaca, por ser precipitada. Trata-se da exigência de apresentação de uma proposta e do início da execução do projeto para disposição final dos rejeitos radioativos de alta atividade.

Por ser possível e ambientalmente mais correto o reaproveitamento desses rejeitos, é inadequado condicionar a licença prévia de Angra 3 à construção de um depósito definitivo para seu armazenamento.
Cabe legalmente à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) regular sobre essa matéria e também a responsabilidade pelo destino final dos rejeitos radioativos produzidos em território nacional. Por isso, a exigência não poderia ter sido endereçada ao empreendedor, no caso, a Eletronuclear.

Deve ser destacado que, durante vários anos após serem usados, os elementos combustíveis contendo os rejeitos radioativos devem ser mantidos em piscinas localizadas junto aos reatores, especialmente projetadas para esse fim e com um sistema de refrigeração dedicado para remover o calor residual antes de serem reprocessados ou armazenados definitivamente. Países que fazem uso maciço da energia nuclear, como Estados Unidos, França, Alemanha e Japão – que operam mais da metade dos 439 reatores em operação no mundo -, não têm em operação um depósito definitivo para os rejeitos radioativos de alta atividade.

Estes rejeitos são materiais que decaem ao longo do tempo, emitindo partículas e radiações nucleares até se tornarem estáveis e não oferecerem risco para os seres vivos. Os tempos de decaimento variam de dias até milhares de anos. Os materiais radioativos, se ingeridos ou inalados, causam diferentes danos aos seres vivos, dependendo das taxas de decaimento e do tempo de retenção no organismo. Por essa razão, devem ser isolados do meio ambiente de forma segura e pelo tempo necessário para que não ofereçam qualquer risco à saúde.

Caso a opção seja por seu armazenamento em depósitos permanentes, os rejeitos passam a ser rotulados de lixo radioativo, pelo simples fato de não serem reutilizados. Essa opção é uma conseqüência da política internacional de restrição ao reprocessamento dos rejeitos radioativos para limitar a proliferação de armas nucleares. Entre os materiais nucleares existentes nesses resíduos há urânio e plutônio, que podem ser usados para a fabricação de armas nucleares, mas que também podem servir para gerar mais eletricidade, além daquela já produzida originalmente nos reatores nucleares.

Atualmente, centros de pesquisa ao redor do mundo estão desenvolvendo um novo tipo de reator, que produz energia e incinera os rejeitos radioativos. O conceito é bem simples e utiliza aceleradores de partículas combinados com a fissão nuclear. O termo “incineração” significa o encurtamento do período de atividade dos rejeitos.

A deposição, sem qualquer tratamento, em um depósito definitivo, precisa durar milhares de anos para os resíduos alcançarem o nível natural de radioatividade de uma mina de urânio. Com o uso dos novos reatores incineradores, o tempo de armazenamento é reduzido para menos de 300 anos.

Por que, então, não aguardar novos avanços no setor nuclear para o tratamento dos rejeitos? Por que não usá-los para gerar mais energia elétrica? O desconhecimento da evolução dessas novas tecnologias não pode justificar decisões precipitadas no processo de licenciamento de Angra 3.

No setor elétrico, todas as fontes têm algum tipo de impacto para o meio ambiente. Nenhuma delas sozinha será capaz de atender às necessidades futuras de geração de eletricidade. A energia nuclear poderá dar uma contribuição importante para a diversidade da matriz energética do País e, por isso, seu uso não pode ser apresentado de forma maniqueísta. Criar falsos dilemas sobre sua utilização não nos levará a lugar algum. O que precisamos é estabelecer exigências que efetivamente conciliem a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento.

 

 

 
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Brasil mais nuclear

Folha de S. Paulo
8/9/2008

Centrado na geração elétrica, programa cresce sob controle civil, mas rejeitos e custos ainda exigem esclarecimento

DEZOITO ANOS depois de deitar uma pá de cal no programa nuclear paralelo e na veleidade de construir uma bomba atômica, o Estado brasileiro está a ponto de adotar uma política clara para o setor. Com a decisão de completar em 2014 a usina Angra 3, paralisada nos anos 1980, e mais duas centrais (4 a 8 usinas no total), cessa a ambivalência e engrena-se uma nova marcha.
A origem militar do programa se reflete no papel-chave da Marinha, detentora da tecnologia de enriquecimento do urânio. Centrífugas por ela desenvolvidas aparelham hoje a fábrica de combustível das Indústrias Nucleares do Brasil, estatal sob controle civil da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). O objetivo da Marinha, construir um submarino, envolve apenas propulsão nuclear, não armamento.

A maturidade do projeto nuclear se expressa na disposição de criar uma agência fiscalizadora separada da Cnen. Hoje a comissão acumula tal função com a de fomento à atividade nuclear, um foco de objeções por organismos internacionais. Espera-se que a separação, proposta por um comitê de 11 ministros, seja referendada pela Presidência da República em outubro.

O novo programa prevê ainda auto-suficiência em combustível nuclear em 2014. Se chancelado, consagrará a geração de energia elétrica como sua espinha dorsal. Há muitas razões para isso, como aproveitar a sexta maior reserva de urânio do mundo e diversificar a matriz energética.

Termelétricas nucleares funcionam a qualquer tempo, independentemente da meteorologia. Representam, por isso, uma alternativa atraente para fortalecer o sistema elétrico. Em contraste com usinas alimentadas com combustíveis fósseis, não favorecem o aquecimento global.
Se o acidente de Tchernobil (1986) ainda levanta dúvidas sobre a segurança de usinas nucleares, o histórico do uso de combustível físsil para produzir energia é francamente favorável nesse aspecto. A tragédia na Ucrânia foi o único acidente com vítimas fatais registrado em 54 anos. Mais de 400 usinas estão em funcionamento no mundo e dezenas de novas plantas estão em construção.

A opção de expandir a matriz nuclear não desobriga o governo de investir em eficiência energética e fontes alternativas. Seria irracional, porém, deixar de explorar jazidas de urânio com potencial para fornecer energia durante séculos. A nova escala de investimento em capacitação tecnológica beneficiará ainda outros setores, como o fornecimento de radiofármacos para medicina nuclear e aplicações na indústria.
Mas persistem duas incógnitas: o chamado lixo nuclear -que precisa ficar isolado por muitos anos para não ameaçar a saúde pública- e os custos da energia produzida nessas usinas.

A Cnen projeta construir um depósito para os rejeitos, que no entanto só ficaria pronto em 2026. Quanto ao custo da energia, o governo estima um preço competitivo com o de outras fontes, mas tais cálculos dependem de fatores inescrutáveis, como futuras cotações do petróleo.

 

 

 
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HOJE EM DIA – MG
07/09/2008

Brasil deve dobrar consumo de etanol

O consumo brasileiro de gasolina deve cair 40% até 2015, com o avanço dos carros flex e expansão do mercado interno de etanol, que deverá mais que dobrar de tamanho no período e chegar a 32,1 bilhões de litros. É o que aponta um estudo da RC Consultores sobre o mercado de biocombustíveis no Brasil. Em dois anos, o etanol vai ultrapassar a gasolina na bomba. “Indiscutivelmente, o grande mercado para o etanol brasileiro nos próximos anos é doméstico”, afirma o economista Fábio Silveira, diretor da RC Consultores. Segundo ele, o consumo de gasolina cairá de 18 bilhões de litros no ano passado para 11 bilhões de litros em 2015.

Um dos motivos é a expansão da frota de veículos flex: hoje em torno 3 milhões de carros, será de 18 milhões de veículos no período e vai ultrapassar a frota a gasolina, estimada em 15 milhões de carros em 2015. “Hoje, 90% dos carros fabricados no país são flex, e as montadoras não planejam lançamentos sem
considerar a tecnologia bicombustível”, diz Silveira.
Na prática, o álcool já avança sobre a gasolina. No primeiro semestre, a soma do consumo de álcool hidratado (o combustível) e do álcool anidro (misturado à proporção de 25% na gasolina) foi de 9,037 bilhões de litros, enquanto o de gasolina A (sem a mistura) foi de 9,038 bilhões de litros, segundo a Agência Nacional do Petróleo. Em fevereiro, a demanda por álcool chegou a ser maior que a da gasolina.

“A tendência é progressiva. O consumo de etanol cresce em todas as regiões do País”, aponta Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). “Um exemplo é o Nordeste. Em 2003, para cada litro de gasolina, era vendido 0,08 litro de álcool. Hoje, é 0,30 litro de álcool para cada litro de gasolina”, aponta. Na média brasileira, a proporção é 2 litros de gasolina vendidos para cada litro de etanol. “O álcool tende a se tornar mais competitivo do que é hoje, quando superarmos alguns gargalos de logística e tributação.”

Segundo ele, a implementação de grandes projetos ferroviários e alcooldutos devem amenizar os custos logísticos no médio prazo. Por outro lado, Rodrigues vê como alta a alíquota de ICMS de 25% que incide sobre o etanol na média dos Estados brasileiros. Em São Paulo, essa alíquota é de 12%. “De qualquer forma, a tendência de avanço do etanol sobre a gasolina no Brasil é inegável e não tem volta”, diz.

Outro estudo, divulgado esta semana pela COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB) aponta que a demanda interna pelo etanol deve saltar de 16,47 bilhões de litros no ano passado para 24,78 bilhões de litros em 2011, um incremento de 50,46%. De acordo com a pesquisa, as exportações também terão crescimento. Até o final de 2008 serão enviados a outros países 4,17 bilhões de litros, ou 18,21% a mais que os 3,53 bilhões de litros de 2007. Já em 2011 as exportações devem chegar a 6,10 bilhões de litros, um aumento de 72,85% sobre o resultado de 2007.
“Após quatro safras positivas, a frota de veículos em circulação no país movidos exclusivamente a gasolina cairá de 45% para 8%”, afirma Ângelo Bressan, coordenador da pesquisa, apresentada na última quinta-feira na Feira Internacional da Indústria Sucroalcooleira (Fenasucro), em Sertãozinho (SP), município que é um dos grandes produtores de etanol de São Paulo.

EMISSÕES

10/09/08

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Inspeção vai exigir reciclagem de veículos no Brasil

Guilherme Manechini e Murillo Camarotto*
03/09/2008

Ana Paula Paiva/Valor

José Edison Parro, da AEA, trabalha na elaboração de um plano de reciclagem para ser apresentado ao governo

José Edison Parro, da AEA, trabalha na elaboração de um plano de reciclagem para ser apresentado ao governo


A aprovação pela Câmara dos Deputados do Projeto de Lei 5.979/2001, que trata da Inspeção Técnica Veicular (ITV), além do impacto político que poderá causar, vai ressuscitar um debate adormecido há quase dez anos: a destinação adequada dos automóveis sem condições de circular no país. Antevendo a discussão, o Ministério das Cidades, por meio do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), solicitou à Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) um estudo sobre a possibilidade de ser criado um programa nacional de reciclagem de veículos, envolvendo desde a indústria automobilística até as siderúrgicas.

O Denatran não confirma sua atuação direta no projeto, mas admite a relevância do tema. Em nota, ressaltou considerar “que a previsão dos procedimentos de destinação dos veículos reprovados na ITV é necessária na regulamentação da matéria”. Executivos ligados à indústria automotiva também concordam com o fato de que a inspeção vai retirar das ruas um grande contingente de veículos, e que os pátios existentes não suportariam o volume adicional.

O tamanho da frota suscetível ao programa de reciclagem é desconhecido, assim como o número de veículos que realmente rodam no país. Mas é possível ter uma idéia do que o plano pode representar se consideradas as estimativas do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). Conforme os dados da entidade, a frota brasileira atual é de 33 milhões de unidades, considerando automóveis (73,3%), motos (22,1%), caminhões (3,7%) e ônibus (0,9%). A idade média da frota é de 9,1 anos, sendo que quase 12% compõe o grupo chamado “frota marginal”, onde estão os veículos com pendências de documentação, multas e falta de condições de segurança. Na teoria, seriam esses os primeiros a caírem na malha fina da inspeção e, por conseqüência, os primeiros a serem retirados de circulação com chances de irem para as prensas de reciclagem.

Para José Edison Parro, presidente da AEA, o processo completo de reciclagem deve envolver não só as montadoras e fabricantes de autopeças, mas também as siderúrgicas, os produtores dos chamados “componentes poluídos” e o poder público. “Tecnicamente, (o processo) será tão complexo quanto forem os modelos de veículos a serem reciclados”, declarou o engenheiro.

Dentro da AEA, foi criada uma comissão responsável pela elaboração do plano de reciclagem. Segundo Parro, além da questão do espaço físico para abrigar os automóveis barrados na inspeção, existe no governo federal a preocupação com os danos ao meio ambiente que esses carros causam quando expostos ao ar livre. Por este motivo, está prevista a despoluição dos veículos no âmbito do processo de desmanche. Essa etapa consiste na retirada de resíduos líquidos, como o combustível, óleo lubrificante, fluidos de freio e embreagem, baterias e gás CFC do ar condicionado. No entanto, ainda não há definição sobre quem seriam os responsáveis por cada etapa do processo de desmanche.

Para algumas pessoas a par do projeto, as siderúrgicas poderiam atuar nessa etapa, porém as empresas do setor mostram maior interesse em consumir o aço resultante da desmontagem. Grande compradora de sucata, a indústria siderúrgica nacional tem forte interesse em utilizar os veículos velhos como matéria-prima para a produção de aço.

O vice-presidente do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), Marco Polo de Mello Lopes, afirmou que o setor apóia a iniciativa da reciclagem de veículos e garante que as siderúrgicas nacionais estão totalmente preparadas para receber a sucata em todo o volume que estiver disponível. “Sucata é sempre bem-vinda e necessária. O aço é o produto mais reciclável que existe”, reforçou o vice-presidente do IBS.

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No fim dos anos 90, foi sugerido valor de R$ 1,8 mil como incentivo ao proprietário que trocasse de carro

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O debate sobre a reciclagem não é novo e já teve defensores bem organizados e dispostos a investir. No fim da década de 90, as montadoras foram as maiores defensoras da adoção da inspeção e reciclagem. Naquela época, ao lado dos sindicatos de metalúrgicos, as montadoras articularam o chamado Plano de Renovação da Frota. O objetivo era impulsionar as vendas de veículos, em queda acentuada desde 98. De acordo com os dados da Anfavea, a produção total de automóveis no país em 1997 foi de 2,07 milhões de unidades. No ano seguinte, o setor registrou uma queda de 30%, totalizando 1,59 milhão de unidades. Em 99, mais um tombo, desta vez de 17% em relação ao ano anterior, o que resultou em uma produção de aproximadamente 1,36 milhão de veículos.

Na ocasião, o plano preparado pelos fabricantes de veículos incluía o pagamento de R$ 1,8 mil por automóvel velho que fosse entregue para reciclagem. Atualizado pelo IPCA, índice de inflação oficial, o valor seria hoje em torno de R$ 3,5 mil, praticamente o dobro do que foi estimado pela indústria em 98.

Mas a disposição das montadoras mudou tão radicalmente quanto o cenário de vendas. Agora que o mercado caminha para atingir o recorde de, aproximadamente, 3,5 milhões de veículos produzidos, as montadoras estão à margem da discussão. Por meio de porta-voz, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) nega a existência de qualquer iniciativa dentro da entidade sobre um programa de reciclagem de automóveis.

Luiz Antonio Pirola, vice-presidente do Instituto Brasileiro Veicular (IBV), ressalta o fato de a capacidade de produção das montadoras estar apertada como um limitador à sua participação no plano de reciclagem. “Há dez anos, a vontade dos fabricantes estava atrelada ao desejo de melhorar o desempenho das vendas”, afirmou o executivo.

Mesmo que as montadoras estivessem hoje tão interessadas como há dez anos, os entraves a criação de um programa de reciclagem seriam, basicamente, os mesmos: legislação adequada para determinar quais veículos serão encaminhados à reciclagem; incentivo financeiro para que o proprietário de um carro antigo participe do programa; e principalmente a aprovação da ITV pela Câmara dos Deputados e Congresso Nacional.

Antonio Carlos Bento, conselheiro do Sindipeças e coordenador do Grupo de Manutenção Automotiva (GMA), alerta para a necessidade de uma estrutura jurídica adequada para que o desmanche dos automóveis seja viabilizado. “Não pode haver brechas para que um carro roubado desapareça”, disse. Segundo ele, do ponto de vista tecnológico, o país está preparado.

Na seara política, pesa contra a ITV a impopularidade atrelada à cobrança da inspeção, que deve ficar em torno de R$ 100 no caso dos veículos de passeio e comerciais leves. Para muitos em Brasília, a aprovação da inspeção poderá soar como “um novo imposto disfarçado”, tese rechaçada por Anfavea e Sindipeças. O projeto de lei está na fila para ser votado na Câmara. (*Valor Online)


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Redução de emissões precisa de incentivo fiscal

Daniela Chiaretti
02/09/2008

Economias de baixo carbono, adaptadas ao futuro mais aquecido do planeta, dependerão de engenharia tributária para decolar. Produtos ambientalmente mais eficientes, que gastem menos energia ou usem menos recursos naturais, custarão inevitavelmente mais. Para tornar a conta mais atraente ao consumidor, o poder público terá que flexibilizar a arrecadação e oferecer algum tipo de incentivo fiscal. As sugestões partem da outra ponta do tripé – dos empresários.

Neste caso específico são britânicos. Estão num meticuloso estudo da Confederação das Indústrias Britânicas, a CBI, sobre o aquecimento global e seus desafios para o mercado. “Mudanças climáticas: um assunto do interesse de todos”, será lançado hoje em São Paulo. Nele se lê que os consumidores, através de suas decisões pessoais, controlam diretamente ou influenciam 60% das emissões no Reino Unido – desde a escolha do meio de transporte ao aparelho elétrico que preferem usar ou à forma de esquentar e iluminar a própria casa. “Mas, claro, a consciência do consumidor não será suficiente para enfrentar o problema”, diz Martin Broughton, presidente da CBI, ao Valor, em entrevista por e-mail. “É por isso que estamos pedindo para que se pense numa reforma tributária no Reino Unido”, continua.

“O sistema que existe hoje é antigo e não reflete o rumo de uma economia de baixo carbono”, justifica. O estudo sugere que se dê algum tipo de incentivo fiscal para as pessoas que investirem em sistemas mais eficientes de isolamento térmico em casa, por exemplo. O período de amortização de uma escolha mais ecológica deste tipo pode chegar a cinco anos, muito longo para a maioria. Com algum mecanismo fiscal, a decisão se torna mais sedutora. Já funciona assim na Espanha e na Itália, com alguns eletrodomésticos.

“Achamos que este sistema também poderia ser adotado no Reino Unido.” No mercado britânico já existem rótulos que indicam a eficiência energética das geladeiras, num ranking que vai de A (a mais eficiente) a G (a lanterninha). Com o tempo, diz ele, a preferência dos consumidores fez com que a maioria das geladeiras do mercado fosse do tipo A. “O interessante é que, com a economia desacelerando, os consumidores estão buscando aparelhos elétricos mais eficientes e analisando quanto dinheiro vão poupar na conta de luz.”

A aviação é outro setor que persegue cortes maiores nas emissões de gases do efeito-estufa – reduzir pela metade as emissões por passageiro/por km entre 2000 e 2020. Broughton fala do assunto de carteirinha, é o chairman da British Airways. Ele diz que a meta vem sendo alcançada através de mudanças no design e na produção de aviões ambientalmente mais “limpos”. O mega Airbus A380 e o Boeing 787 Dreamliner, diz ele, emitem entre 20% e 50% menos que os aviões mais velhos, que terão desaparecido em 2020.

Empresas como a BA, continua, têm feito lobby junto aos governos para conseguirem rotas mais eficientes – uma revisão no espaço aéreo da União Européia poderia significar um corte nas emissões de CO2 de 12%. A British Airways, diz Broughton, deixou de emitir 60 milhões de toneladas de CO2 desde 1990, com um combustível menos poluente. Para emitir menos, os aviões da empresa seguem técnicas como taxiar com apenas uma das turbinas.


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Setor privado britânico calcula custos dos cortes das emissões

01/09/2008
Gazeta Mercantil (Brasil)

São Paulo, 1 de Setembro de 2008 – A comunidade científica está cada vez mais convencida de que o aquecimento da Terra se deve ao aumento das emissões de gases de efeito estufa produzidas pelo homem como decorrência da industrialização. Com relação ao Reino Unido, a maior parte dessas emissões resulta da queima de combustíveis fósseis com o propósito de atender necessidades de energia em casa, no trabalho e no transporte.

Uma das principais economias desenvolvidas – e responsável por cerca de 2% das emissões globais de gases de efeito estufa -, ao Reino Unido cabe um papel significativo nesse desafio mundial, conforme o estudo “Mudanças Climáticas: Um Assunto do Interesse de Todos”, divulgado pelo grupo de trabalho de mudanças climáticas da Confederação Britânica da Indústria (CBI).

O peso do Reino Unido nas emissões mundiais sobe para 10% do total se contabilizado o carbono oriundo da produção de artigos importados e o dos bens e serviços exportados. Estima-se que as emissões globais diretas das 100 maiores empresas britânicas representem, sozinhas, cerca de 1,5% do total mundial.

“Se nos perguntarem se temos certeza de que o clima está mudando, teremos que pedir desculpa, pois não cabe a nós da comunidade empresarial dar esta resposta.. Se a questão for se temos certeza de que as mudanças climáticas de fato representam um risco capaz de afetar profundamente a sociedade e a economia em que vivemos, a resposta mais apropriada é, sem dúvida, sim”, afirma o presidente da CBI, Martin Broughton.

Segundo ele, os próximos dois ou três anos serão decisivos e é preciso reconhecer a urgência da situação se o Reino Unido quiser ocupar um papel de liderança internacional na futura economia de baixa emissão de carbono. Somente com esforço adicional atingirá a meta fixada pelo governo, de cortar em mais da metade, até 2030, as emissões previstas. Os benefícios econômicos e os custos de diferentes opções para reduzir as emissões de gases de efeito estufa foram levantadas pela pesquisa.

O estudo – o primeiro com esse nível de aprofundamento realizado naquele país com participação de algumas das principais empresas lá sediadas e baseado em pesquisa encomendada à McKinsey – estima que colocar em prática todas as iniciativas necessárias ao cumprimento dessa meta implica um preço máximo de ? 40 por tonelada, em 2030.

Isso se traduz em investimentos de pouco mais de ? 100 ao ano por domicílio – menos de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) – até 2030. Ainda de acordo com o documento da CBI, esses investimentos vão contribuir para um mundo de vida mais sustentável e para redirecionar recursos aos setores da economia que forneçam produtos e serviços com baixa emissão de carbono.

A pesquisa deu ênfase à busca por maior eficiência energética, com a substituição das atuais fontes por outras de baixa emissão de carbono, além da busca de acordos internacionais de mitigação dessas emissões. Ainda de acordo com o documento, até 2030 o uso eficiente de energia em casa, nas empresas e no transporte tem que representar cerca de 60% das reduções necessárias. No setor de transportes, a previsão é de que boa parte das reduções virá dos veículos de transporte e de passeio, com a incorporação de avanços de eficiência nos motores. Já no setor industrial, a esperança recai sobre a melhoria nos processos de produção, com a substituição dos combustíveis fósseis pela biomassa.

Sem mudanças substanciais no funcionamento da economia não haverá transformação, afirma o documento. Embora muitas tecnologias e soluções estejam disponíveis, ainda não são viáveis do ponto de vista comercial. Segundo o relatório, embora em 2030 a migração para fontes de energia de baixa emissão de carbono e a racionalização do uso de energia elétrica em edifícios possam representar, cada uma, 30% a mais nas reduções necessárias, e os setores industrial e de transportes possam contribuir juntos com os 40% restantes, os entraves são muitos.

(Gazeta Mercantil/Caderno A – Pág. 5)(Liliana Lavoratti)

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Empresários lançam plano para corte de emissões

Daniela Chiaretti, de São Paulo
01/09/2008

Os empresários britânicos têm enfrentado as mudanças climáticas com senso de urgência e como uma oportunidade para remodelar a economia. Dezoito executivos do alto escalão das maiores empresas do Reino Unido se debruçaram sobre o tema durante 10 meses, produzindo um relatório que detalha com profundidade como o governo, as corporações e os consumidores devem agir para tentar reduzir o aquecimento global no futuro e se adequar a ele no presente. A estratégia rumo a uma economia de baixa emissão de carbono prevê desde investimentos de 100 libras ao ano em cada casa, até 2030, ao surgimento de 12 novas usinas nucleares nas ilhas.

“Este relatório não foi escrito por ativistas”, avisa a primeira linha do prefácio de “Mudanças climáticas: um assunto do interesse de todos”, o estudo do grupo de trabalho sobre o assunto da CBI, a Confederação das Indústrias Britânicas. “Foi escrito pela comunidade empresarial.” Isto significou reunir os planos de diretores-executivos e presidentes de empresas de diversos setores sediadas no Reino Unido, que empregam quase dois milhões de pessoas no mundo e têm uma receita anual que bate em um trilhão de libras esterlinas – o que é bem mais que o PIB brasileiro. Ali se lê, por exemplo, que em 2030, se os britânicos quiserem atingir as metas de cortes de emissão propostas pelo governo, 15 milhões de casas deverão ser reformadas para ter isolamento térmico mais eficiente e os produtos elétricos terão que consumir 30% menos energia que os de hoje. Com isso, deixarão de lançar à atmosfera 68 milhões de toneladas de CO2 equivalente – medida que expressa a quantidade de aquecimento global produzida pelos gases-estufa tomando o CO2 como base. Em 22 anos, o Reino Unido terá que ter três mil usinas de geração de energia eólica e 10% de automóveis híbridos, além de aposentar os combustíveis fósseis tradicionais, se quiser realmente dar uma guinada na economia e cortar a emissão de gases-estufa.

O desafio das mudanças climáticas

O desafio das mudanças climáticas

Hoje o Reino Unido responde por cerca de 2% das emissões globais. O estudo mostra que se for considerada a “pegada de carbono”, a responsabilidade britânica é ainda maior. “Pegada de carbono” é a quantidade de emissões de gases-estufa que está ligada a uma atividade. No caso, significa o carbono emitido na produção de artigos importados que os britânicos consomem, assim como o relativo ao que exportam. A estimativa é que as emissões globais diretas das 100 maiores empresas do Reino Unido representem, sozinhas, cerca de 1,5 % do total mundial.

Os planos das empresas

Os planos das empresas

“Os próximos dois ou três anos serão decisivos”, diz o estudo. Lá se propõe que, no próximo triênio, sejam tomadas decisões que alterem a tributação de empresas premiando as que tiverem atitudes realmente ecológicas, que se estudem taxações sobre automóveis e que exista um novo acordo sobre as emissões de CO2 dos carros e até que as compras governamentais sejam feitas pensando em adquirir bens que emitam menos. As compras do setor público batem em 150 bilhões de libras esterlinas ao ano, ou 12% do PIB. O estudo dos empresários calcula que o governo seja responsável por cerca de 7% das emissões do Reino Unido. “É preciso reconhecer a urgência da situação se quisermos atingir as metas de redução das emissões de gases de efeito estufa a um custo razoável e ocupar um papel de liderança internacional na futura economia de baixa emissão de carbono”, diz o relatório, feito a partir de uma análise encomendada à McKinsey. A conclusão da empresa de consultoria é que o governo dificilmente conseguirá atingir as metas de redução de gases-estufa que propôs para 2020. Tem alguma chance com as outras, definidas para 2050, se poder público, empresas e consumidores começarem a se mexer agora.

Para trabalhar com horizonte mais curto e palpável, o estudo da McKinsey projetou um roteiro de ações para 2030. A economia britânica terá que funcionar de outro jeito. A migração para fontes de energia de baixa emissão de carbono e a racionalização do uso de energia elétrica em edifícios poderão representar, cada uma, 30% a mais nas reduções necessárias. A aposta é numa geração de eletricidade mais limpa à medida que as usinas antigas forem substituídas por termoelétricas a gás mais modernas e as energias renováveis ficarem mais baratas.

Trata-se de um esforço gigantesco pela frente. O setor industrial, por exemplo, terá que substituir os combustíveis fósseis convencionais por fontes de energia como biomassa ou lixo. A dependência de geração elétrica aos fósseis, que hoje representa 70% do consumo no Reino Unido, terá que ser reduzida à metade e o restante compensado com investimentos na geração da energia dos ventos, das marés e nucleares. “É preciso começar já a planejar a substituição e expansão da atual frota de usinas nucleares para que as obras tenham início nos próximos cinco anos”, recomendam. Tudo isso sem que a economia perca vigor e estimando um crescimento anual do PIB de 2% a 3%.

Em paralelo a esta busca por novas fontes de energia, o trabalho aposta no desenvolvimento de tecnologias que capturem e armazenem o carbono emitido pelas termoelétricas, as chamadas CAC. A idéia é que todas as novas termoelétricas a carvão tenham CAC em 2025. Os cortes nas emissões também podem ser obtidos com melhor gerenciamento. Um exemplo é a aviação. As viagens aéreas internacionais e domésticas significam 6% das emissões do Reino Unido. Pelo menos 73 milhões de toneladas de CO2 são jogadas por ano na atmosfera devido ao congestionamento de aviões no céu ao redor do aeroporto de Heathrow. “A modernização dos sistemas de controle de tráfego aéreo na Europa poderia cortar o consumo de combustível em 12%”, estima.

Para chegar ao que se pretende em 2050, os níveis de eficiência energética terão que ser muito superiores aos atuais. E os impostos e a legislação que foram feitos para a “antiga economia” devem ser ajustados para um mundo “onde o carbono seja uma nova moeda e os consumidores e as empresas sejam recompensados por tomar as decisões certas.” Esta nova moeda deverá ter um valor máximo para que as coisas funcionem. Segundo a análise da McKinsey, a tonelada de CO2 equivalente terá que custar, no máximo, 40 euros em 2030. Este valor será mais alto em 2020 (60 euros a 90 euros) É o tempo para que o custo inicial das novas tecnologias caia.

Os britânicos já vêm sentindo os efeitos das mudanças climáticas. A barreira contra enchentes do Tâmisa, inaugurada em 1983 para proteger Londres das inundações, foi acionada 55 vezes até 2005 – 28 delas nos últimos cinco anos. A ameaça é real, mas as oportunidades também, reforça o estudo. “As mudanças climáticas abrirão excelentes oportunidades para desenvolver, no Reino Unido, novas áreas de geração de riqueza”, diz. O mercado mundial voltado para as soluções a este megaproblema pode atingir US$ 1 trilhão nos primeiros cinco anos. Haverá oportunidades para empresas inglesas de tecnologia da informação, finanças, aeroespaciais, automotivas, de arquitetura e de varejo. A intenção, também, é se transformar num líder mundial na adaptação ao inevitável – os segmentos de negócios, no caso, seriam os de previsão climática, engenharia civil, tratamento de água e artigos farmacêuticos. O relatório coordenado pelo grupo de trabalho dos empresários britânicos será divulgado amanhã, em São Paulo, por Martin Broughton, presidente da CBI.


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Folha de São Paulo
Data: 30/08/2008

Polônia verá rascunho do pós-Kyoto

Renate Krieger

A terceira de oito reuniões rumo a um novo acordo global de combate às mudanças climáticas acabou nesta semana em Acra, Gana, com sinais de que as negociações para o substituto do protocolo de Kyoto, a partir de 2013, estão acelerando. “Acabou a fase de brainstorming [proposição de idéias]“, disse à Folha o diplomata brasileiro Luiz Alberto Figueiredo Machado, que preside o grupo que negocia o acordo pós-Kyoto.

Em dezembro, Figueiredo quer que os países fiquem prontos para começar a negociar o novo acordo. A rodada oficial de negociações terá início em Poznan, na Polônia.
“Teremos algo muito próximo da primeira versão do texto para as negociações”, disse Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção do Clima das Nações Unidas. O novo acordo deve ficar pronto no fim de 2009, em Copenhague (Dinamarca).

De Boer disse à Folha que está “mais otimista” com o caminho das negociações. “Tivemos propostas muito específicas sobre financiamento, tecnologia e adaptação, especialmente vindas de países em desenvolvimento”, explicou o holandês, citando dois mecanismos propostos pelos países em desenvolvimento para facilitar o financiamento e a transferência de tecnologias energéticas. Após a segunda etapa de reuniões, na Alemanha, De Boer havia criticado as nações, exortando-as a acelerar o entendimento e fazer propostas menos “vagas”.

SUSTENTABILIDADE E NEGÓCIOS

10/09/08

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Quinta-feira, 4 setembro de 2008

Mudança a passos lentos

O desenvolvimento sustentável está no discurso de empresas, mas, no dia-a-dia, agir desse modo ainda é desafio

Giovana Girardi

A palavra está na boca do empresário, do banqueiro, do distribuidor de combustível. Está registrada em alimentos, cosméticos, propaganda dos mais diversos produtos e em mais de 4 milhões de páginas na internet. Sustentabilidade. O consumidor tem ficado atento e quer produtos que tenham essa “marca”, enquanto as empresas já notaram que podem aumentar seu valor de mercado com isso. Mas será que a palavra, e o conceito que ela carrega, são bem compreendidos? E, mais do que isso, o que de fato é atitude concreta e o que é apenas marketing para ficar bem diante do mercado consumidor?

Nas últimas semanas, essas perguntas foram levadas pelo Estado a especialistas do mercado financeiro, de empresas e de instituições que estudam o tema e prestam consultoria sobre ele. A resposta em todos os casos foi quase sempre a mesma: é um movimento que vem ganhando espaço no País entre o empresariado e o mercado financeiro, mas que só é bem compreendido por alguns poucos que se aprofundaram na questão.

Os especialistas acreditam que esse entendimento aos poucos está crescendo, mas afirmam que predominam ou projetos pouco impactantes ou uma noção puramente marqueteira (mais informações na próxima página) ou, ainda, a idéia de que se trata de um mal necessário.

A definição mais simples do conceito diz que, para uma ação ser considerada sustentável, ela tem de se basear no tripé “economicamente viável, socialmente justa e ecologicamente correta”. Na prática, no entanto, isso depende de uma reestruturação completa do sistema produtivo (mais informações na pág. 8) e de uma incorporação da mudança no centro do negócio.

“A produção de um produto sempre gera algum impacto social, ambiental e econômico. É sustentável quando esses impactos são benéficos para a sociedade e são equilibrados. Uma empresa estará promovendo a sustentabilidade quando produzir retorno para todos. Se for apenas para o acionista e não para as outras partes que são afetadas pelo seu negócio, então não funciona de maneira sustentável”, explica o diretor-executivo do Instituto Ethos, Paulo Itacarambi.

Ele afirma que observar esse comportamento pode ser um caminho para o consumidor separar o joio do trigo. “Consideramos que uma atitude é para valer quando o tema entra na orientação de negócio e a empresa dá os passos para mudar seus processos produtivo, de gestão e de comercialização. É para valer quando deixa de ser uma preocupação paralela ao negócio e entra no seu núcleo, no ponto que dá resultado financeiro para a empresa.”

“É quando, nas tomadas de decisão, a empresa passa a olhar para outras variáveis além da econômica. Aborda também as questões sociais e ambientais”, complementa a diretora-executiva da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), Clarissa Lins.

O diretor do Ethos cita como exemplo algumas ações que podem ser tomadas pelo setor financeiro. “Quando um banco coloca como critérios para conceder um financiamento a análise do comportamento socioambiental de seu cliente, então é para valer. Porque está entrando no principal negócio do banco, e força a mudança de comportamento de quem está pedindo o financiamento. Do contrário, é cosmética.”

INDICADORES

Segundo o coordenador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas, Mario Monzoni, não existe empresa sustentável. “Há, sim, um conjunto de critérios e indicadores, com razoável consenso, que pode servir de ‘régua’ para medir e avaliar se uma empresa adota estratégias e práticas que garantam a remuneração do capital ao mesmo tempo em que contribuem para a promoção do desenvolvimento sustentável”, diz Monzoni. “Essa ‘régua’ contempla critérios que podem incluir políticas, instrumentos de gestão e desempenho econômico, social e ambiental; transparência e qualidade da prestação de contas de todos os seus impactos na sociedade e no meio ambiente; eqüidade entre acionistas ou proprietários; e até a natureza de seus produtos.”

Ele se refere a uma série de critérios e indicadores que balizam o comportamento das empresas, como os questionários dos índices de sustentabilidade de bolsas de valores. A Bovespa, por exemplo, lista as companhias que obtêm as melhores notas em questionários sobre suas práticas socioambientais e de governança. Levantamento do Ibmec São Paulo observou que empresas incluídas nesse índice têm um valor de mercado até 19% maior do que aquelas que não estão atentas à questão.

Propósito semelhante têm os Indicadores Ethos, que funcionam como uma espécie de “fotografia” das práticas da empresa. “Eles medem o que a empresa faz de concreto para ter uma boa gestão. A idéia é que ela possa fazer uma leitura de suas relações com os vários atores que são afetados pelo seu negócio e, a partir daí, tenha como produzir metas”, explica Itacarambi.

Estar no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da Bovespa, ou ter uma boa pontuação no Ethos ou ainda fazer relatórios de sustentabilidade dentro de um padrão de qualidade não garante, no entanto, que a empresa esteja fazendo tudo certo, explicam os especialistas. É só um caminho.

 


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Um prêmio à inovação

Artigo – Rodrigo da Rocha Loures
Folha de S. Paulo
4/9/2008

Nós, empresários, devemos desenvolver a habilidade de gerar inovações para criar valor de forma sustentável

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) estabeleceu como principal objetivo do seu mapa estratégico o desenvolvimento industrial sustentável. Adotar esse conceito é um imperativo para as empresas que quiserem sobreviver no concorrido mercado global.

Por certo que empresa sustentável é aquela que dá lucro, mas devemos ter em conta que o mundo pede uma vinculação radical entre a sustentação financeira e os preceitos da sustentabilidade socioambiental. É possível lucrar fazendo bem ao planeta.

Peter Drucker já dizia que todos os problemas do planeta devem ser vistos como oportunidades de negócio.
Agora, mais do que nunca, essa é uma verdade incontestável. Por isso, nós, empresários, devemos desenvolver a habilidade de gerar inovações para criar valor de forma sustentável.
Inovação é a manifestação prática da sustentabilidade. Sustentabilidade é a outra face do desenvolvimento.

A história da humanidade demonstra que a inovação tem sido o grande recurso para as situações e as circunstâncias adversas de escassez, desconforto e sobrevivência em risco.
Nessa fase da competição pela inovação, as oportunidades são promissoras para quem, como nós, brasileiros, conta com um potencial imenso em decorrência da criatividade da cultura relacional, dos recursos naturais e da infra-estrutura tecnológico-industrial já instalada.

Um mundo sustentável depende, incondicionalmente, da capacidade humana de inovar na sociedade, nos governos, na academia e na indústria.

Todavia, as inovações de que necessitamos não são de qualquer natureza. Elas têm que ser concebidas dentro de princípios de sustentabilidade.

Precisamos de um novo paradigma, uma nova linguagem e um novo entendimento das coisas. Os processos produtivos têm que ser repensados e redesenhados.

Entre as competências que temos a desenvolver para perseguir os princípios da sustentabilidade estão a cognição e habilidades que capacitem os profissionais a inovar, valendo-se do ativo de conhecimentos para uma prática sustentável disponibilizados até aqui. Ao mesmo tempo, é preciso incorporar novos conhecimentos e aprendizagens aos empreendimentos humanos.

Economias não se desenvolvem sem a ação de indivíduos empreendedores que transformam idéias, invenções, necessidades e recursos em oportunidades. Diferentemente da noção comumente encontrada, uma investigação mais atenta do processo empreendedor revela que este se constitui -muito mais que em uma imersão individual- num trabalho em rede, que aproxima, informa, influencia e articula recursos, informações, idéias e invenções.

A conjunção da inovação com o empenho do empreendedor é essencial para o desenvolvimento. Mas são os ambientes criativos e autônomos que liberam e mobilizam os indivíduos empreendedores a fazer o melhor que sabem, que é romper e inovar valendo-se dos recursos materiais, humanos e tecnológicos disponíveis. Esse é o caminho que todas as empresas deveriam seguir.

As que já estão nele nos servem de exemplo e são merecedoras de todas as nossas homenagens. É por isso que a Confederação Nacional da Indústria instituiu o Prêmio CNI. Trata-se de um reconhecimento àqueles que desenvolveram a habilidade de combinar inovação, ousadia e criatividade para viabilizar uma produção eficiente e sustentável, que resulte no aumento da nossa competitividade.

O Brasil tem centenas de empresas que têm algo novo e importante para mostrar ao país. É desejável, portanto, que elas exponham suas experiências para inspirar outras a inovar.

O Prêmio CNI é uma oportunidade para isso.

RODRIGO DA ROCHA LOURES é presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná e do Conselho de Política Industrial da CNI (Confederação Nacional da Indústria) e vice-presidente dessa entidade.

 

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Banif capta para fundo ambiental

Vera Saavedra Durão, do Rio
01/09/2008

O Banif Banco de Investimentos inicia hoje a captação de R$ 400 milhões para investir no Caixa Ambiental, um fundo de investimento em participações (FIP) também conhecido como “private equity”, criado em parceria com a Caixa Econômica Federal.

A Caixa vai administrar o fundo. O banco português será o gestor e a consultoria Voga, o consultor do negócio. O FIP vai investir em empresas da área de saneamento ambiental de água, esgoto, lixo e tratamento de afluentes, tendo como cotistas investidores institucionais os fundos de pensão Previ, Funcef, Petros, Infaprev, Ceres e BNDES, informou ao Valor o diretor da área de “private equity” do banco português, Marcos Rechtman.

O Caixa Ambiental terá uma duração de dez anos, sendo quatro de investimento. A expectativa do Banif é devolver o dinheiro aos cotistas com taxa de retorno alta, de 20%. “O prazo é de dez anos, mas espero vender antes. O plano é ficar entre três a quatro anos na empresa, levá-la a mercado e devolver os recursos antes do prazo de duração do Fundo”, disse o diretor do Banif. O FIP terá 20% de participação na empresa e os donos, 80%.

O executivo informou que foram contactadas 15 empresas das quais cinco a seis serão selecionadas pelo comitê de investidores para desenvolver projetos que as levem num prazo máximo de quatro anos a lançamentos na Bolsa.

“Vamos submeter uma média de duas empresas por mês ao comitê e esperamos ter todas as empresas escolhidas num prazo de dois anos”. A idéia do banco é trabalhar bastante com estas empresas promovendo operações de consolidação setorial.

Com esta integração, o banco português pretende aumentar a capacidade competitiva de todas elas e torná-las mais rentáveis para o mercado de capitais. Ele atribui a atual crise das bolsas a um excesso de IPOs (operações de abertura de capital). “Algumas operações deveriam ter passado por um estágio de ‘private equity’. Na minha visão vamos ter este estágio até 2011. A partir daí, prevejo nova onda de IPOs”, previu.

Este é o primeiro FIP que o Banif fecha de um plano estratégico com investidores institucionais para lançar quatro FIPs no mercado até 2011, no valor total de R$ 2,4 bilhões. Os outros três são o Brasil Governança, que ainda não foi fechado, em parceria com o Banco do Brasil Investimentos (BBBI), para o qual o Banif pretende captar R$ 600 milhões junto a investidores institucionais brasileiros. O Bioetanol, para investidores institucionais estrangeiros, com captação externa de R$ 400 milhões e o FIP de logística, arenas esportivas, hotéis de baixa tarifa, silos agrícolas e galpões industriais. Este último FIP é um projeto do Banif de R$ 1 bilhão para investidores institucionais nacionais e estrangeiros.