Arquivo de setembro, 2008

ENERGIA

10/09/08

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CPFL entra no negócio da biomassa

Josette Goulart
04/09/2008
O grupo CPFL fechou seu primeiro negócio para gerar energia a partir do bagaço de cana-de-açúcar. A empresa assinou um acordo com a usina de açúcar e álcool Irmãos Baldin, da cidade de Pirassununga, interior de São Paulo, e juntas as duas empresas vão investir R$ 100 milhões em um projeto de co-geração. Esta é a primeira vez que a CPFL vai gerar energia a partir de biomassa e não somente comprar a produção, como faz desde 1987.

O investimento será feito por meio da recém-criada CPFL Bioenergia, que pertence 100% à CPFL Geração. Neste primeiro projeto serão gerados 25 MW excedentes para venda no mercado livre. A capacidade instalada do projeto pode chegar a 45 MW e vai suprir também a demanda da própria usina Baldin. A energia entrará no sistema a partir de 2010 e será toda vendida para a CPFL Brasil que faz a comercialização.

Para se ter uma idéia do potencial de receita que um projeto como esse pode oferecer à CPFL Bioenergia, recentemente a comercializadora do grupo fechou a compra de cerca de 30 MW do grupo Cosan num valor total de R$ 500 milhões, que entrará gradativamente no caixa da usina ao longo de 15 anos. No leilão de energia de biomassa, realizado pelo governo em meados de agosto, os mesmos 30 MW geraram uma receita fixa anual de cerca de R$ 40 milhões.

No mercado livre, esse retorno pode ficar ainda mais atrativo. Os consumidores que se enquadram na categoria A4, ou seja, que consomem entre 500 kW a 3 MW de energia, podem comprar com um desconto de 50% na Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD). Segundo o presidente do grupo CPFL, Wilson Ferreira, para usufruir desse desconto o consumidor precisa comprar a energia de uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH) ou de uma usina de biomassa que produz até 30 MW.

A estratégia da CPFL, por enquanto, é focar em pequenas usinas (que produzem até dois milhões de toneladas de cana) justamente para pegar esse público consumidor que pode ter o desconto da TUSD. Ferreira diz que a empresa já tem em estudo projetos de co-geração de até 500 MW. Dados apresentados por Ferreira mostram que hoje se produz no Brasil 1,4 mil MW de energia a partir do bagaço, ou 3% do total do sistema elétrico brasileiro. Cerca de 30% do que já é produzido é comprado pela CPFL, que adquire esse tipo de energia desde 1987. Em 2001, por causa do racionamento, a companhia inclusive incentivou 20 usinas de cana de açúcar a produzir energia para que pudesse comprar o excedente, ou seja, o que não é usado na própria usina. A expectativa da CPFL é de que, em 10 anos, a energia de biomassa represente 10% de todo o consumo do sistema, ou o equivalente a 14,4 mil MW.

Esse tipo de energia tem se mostrado muito atrativa e outras tradicionais empresas de geração também estão atentas ao mercado de biomassa. Assim como a CPFL, a Tractebel está investindo na geração de energia a partir da biomassa e chegou a participar do leilão do governo quando vendeu 20 MW, num projeto de investimento de US$ 120 milhões. A Energias do Brasil também vai entrar forte no negócio e, diferentemente das outras, não vai se associar a uma usina. Ela mesma vai cuidar da plantação da cana.

Para os usineiros, o negócio de geração também incrementa o faturamento. Estima-se em média que as empresas ganhem entre R$ 4 e R$ 8 a mais na tonelada de cana. A Baldin Bioenergia, como se denomina agora a Irmãos Baldin, produz atualmente 800 mil toneladas por ano de cana. Luiz Fernando Baldin estima que, com a parceria com a CPFL, sua produção aumente em 130%. Hoje a companhia fatura R$ 54 milhões por ano e pretende chegar a R$ 177 milhões. Os investimentos anunciados serão usados na compra de novas caldeiras, transformadores, subestações e no sistema de conexão.

 

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Quarta-feira, 3 setembro de 2008

Bagaço de cana, ‘resíduo’ cada vez mais lucrativo

Geração de energia, venda de créditos de carbono e, no futuro, o
álcool celulósico fazem do bagaço nobre insumo

Tânia Rabello e Fernanda Yoneya

Geração de bioeletricidade, venda de créditos de carbono, alimentação animal e insumo para adubação orgânica. Esses são os atuais usos de um subproduto da indústria de açúcar e álcool que, até o início da década de 90, era considerado um problema e muitas vezes dado de graça pelas usinas: o bagaço de cana.

Hoje, cada vez menos vendido ou cedido a terceiros pela agroindústria canavieira, o bagaço virou o insumo principal para garantir a auto-suficiência energética das usinas.

Nesta safra, não fosse a utilização do bagaço principalmente para geração de energia, pelo menos 140 milhões de toneladas do resíduo – de uma safra prevista pela Conab em 570 milhões de toneladas – estariam abarrotando os pátios das usinas, já que, de cada tonelada de cana sobram 250 quilos de bagaço, conforme o especialista em bioeletricidade Onório Kitayama, da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), que representa 117 usinas produtoras de açúcar, álcool e bioenergia.

ÁLCOOL CELULÓSICO

E o futuro guarda um uso ainda mais nobre para o antes resíduo e agora “co-produto”: a produção do álcool de segunda geração, feito a partir da hidrólise do bagaço. “O mundo inteiro está pesquisando isso”, diz o engenheiro agronômo especialista em usinas de álcool Rodrigo de Campos. No Brasil, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e a Dedini trabalham com tais pesquisas. O que vai definir, porém, no futuro, se o bagaço será destinado à queima para gerar bioeletricidade ou à produção de etanol celulósico será o mercado. “A tendência será privilegiar o mais lucrativo”, diz Campos.

PELLETS

Ainda na questão energética, o bagaço tem sido pesquisado também para ser transformado em pellets, exportados para a Europa para geração de energia. “O bagaço é prensado em bloquinhos, mais fáceis de serem transportados”, explica Campos. “Atualmente algumas usinas vendem o bagaço solto para a indústria de suco de laranja, por exemplo. Com pellets, poderiam lucrar mais, pois o bagaço fica concentrado e com maior capacidade de geração de energia.”

Não só o bagaço está na mira da pesquisa para produção do álcool celulósico, mas também a palha, deixada no campo em grandes quantidades após a colheita de cana. Assim, parte da palha continuaria na lavoura, protegendo o solo, preservando a umidade e virando adubo orgânico. Parte seria transformada em álcool ou até poderia ser queimada nas caldeiras, num cenário em que o bagaço fosse destinado à produção de álcool.

Segundo Kitayama, da Unica, caso a palha seja destinada cada vez mais à geração de bioenergia, juntamente com o bagaço, entre 2020 e 2021 o potencial energético do setor passaria para 28.760 megawatts/hora, “o equivalente a duas Itaipus”, compara Kitayama, que finaliza: “A cana não deveria mais ser chamada ‘de açúcar’, pois ela produz álcool e energia. Deveria ser rebatizada de cana bioenergética.”

 

140
milhões de toneladas

é a quantidade de bagaço de cana que deverá ser produzida nesta safra

8.020
megawatts

será a capacidade de geração de energia das usinas até
2011, segundo a Única

28.760
megawatts

é o potencial de geração de energia pelas usinas até 2021, o equivalente a duas Itaipus

 

Em busca do álcool celulósico

Dedini e o Centro de Tecnologia Canavieira pesquisam uma maneira viável de produzir etanol a partir do bagaço
O futuro do bagaço de cana está na produção de bioeletricidade e de etanol, diz o vice-presidente de Tecnologia e Desenvolvimento da Dedini, José Luiz Olivério. Segundo ele, as usinas já investem em equipamentos de “otimização energética”, como caldeiras de alta pressão, mas o desafio é produzir etanol do bagaço.
“O Brasil tem grande potencial para desenvolver a tecnologia do etanol a partir do bagaço.” Com mais de 20 anos de experiência em pesquisas de hidrólise ácida – processo pelo qual o bagaço é transformado em álcool -, a Dedini desenvolveu, na década de 80, a tecnologia DHR, que envolve a sacarificação ou hidrólise, a fermentação e a destilação.
Em 2004, em parceria com a Cooperativa de Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Copersucar) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a Dedini instalou, em Pirassununga (SP), unidade semi-industrial com capacidade de produção de 5 mil litros de etanol/dia. “Agora, vamos concluir a definição de parâmetros técnicos para o projeto de uma planta industrial. A idéia é disponibilizar a tecnologia completa no mercado nos próximos anos.”
O gerente de Desenvolvimento Estratégico Industrial do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), Jaime Finguerut, explica que a sacarose, o principal açúcar da cana, representa um terço da energia captada do solo pela planta. O restante é fibra. “O etanol feito de cana é obtido a partir de açúcares solúveis (sacarose) e nisso o País já é referência. O desafio é produzir etanol a partir do material celulósico.”
Por isso, além da hidrólise ácida, o País também está estudando a hidrólise enzimática. “A hidrólise é a quebra das fibras pela água e tem como objetivo recuperar os açúcares que formam essas fibras. E, para que as reações químicas necessárias ocorram, a pesquisa usa catalisadores, que podem ser ácidos ou enzimáticos”, explica. O CTC está pesquisando a via enzimática com uma empresa dinamarquesa.
“Na via enzimática o catalisador é uma molécula de proteína, a mesma usada por microrganismos na reciclagem de material vegetal. O conceito é o mesmo, mas na hidrólise, as proteínas mais potentes são isoladas.” Segundo ele, pode-se comparar a hidrólise a uma porta que precisa ser aberta. “A via ácida, que dissolve tudo em ácido, é como abrir a porta com uma marreta. Já a via enzimática seria abrir com a chave. É mais eficiente.”

Caldeiras elevam rendimento

Atualmente, Kitayama, da Unica, diz que a auto-suficiência energética alcançada pelas usinas com a queima do bagaço “dispensa o uso do sistema elétrico nacional e gera excedentes para abastecer esse mesmo sistema”. E continua: “A safra da cana vai de abril a novembro, meses de seca, exatamente quando os reservatórios de hidrelétricas estão em seu nível mais baixo”, diz.
Para aproveitar todo o potencial do bagaço várias usinas estão instalando caldeiras de altas pressão e temperatura. Estão de olho, também, na venda de créditos de carbono. Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia, 32% dos projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo para geração de energia no País já se referem à geração a partir do bagaço de cana.

A Usina Costa Pinto, do Grupo Cosan, em Piracicaba (SP), está instalando uma caldeira que quintuplicará a capacidade de geração com a mesma quantidade de cana, ou seja, 4 milhões de toneladas. “Teremos energia de sobra para vender para o sistema elétrico”, diz o vice-presidente de Operações da Cosan, Pedro Mizutani. Com a nova caldeira, a Costa Pinto terá capacidade de gerar 75 megawatts/hora, sendo apenas 22% para uso próprio.

Há seis anos, a Equipav, com unidades em Promissão e Brejo Alegre (SP), vende energia para a rede. Para o diretor de Novos Negócios e Energia da Equipav, Ricardo Aquino, o mercado de energia é rentável, tanto que muitas usinas já o exploram como terceira atividade, depois do açúcar e do álcool. Em 2007, a Equipav de Promissão vendeu 175 megawatts de energia. “Foi justamente o surgimento de caldeiras mais eficientes, a partir de 2000, que permitiu a sobra de energia para venda”, diz Ricardo Aquino.

 

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02/09/2008 – 09h35

Governo estuda criar agência nuclear

da Folha Online

O governo deve criar uma agência especializada na fiscalização da energia nuclear, em separado da da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear), informa Marcelo Leite, em reportagem publicada na edição desta terça-feira da Folha.

Para discutir a criação dessa agência, um comitê de 11 ministros deve se reunir no mês que vem. A nova estatal atende a uma pressão internacional. Autoridades estrangeiras vêem com reservas a CNEN, porque supostamente o Brasil não daria independência suficiente para o seu órgão fiscalizador, que também se envolve na execução do programa nuclear nacional.

A discussão sobre uma agência voltada para energia nuclear ocorre no âmbito da viabilização de Angra 3. Ainda no mês que vem, a Eletronuclear começará a escolher o local para a nova central nuclear, provavelmente na região Nordeste.

O governo também prevê a construção de duas novas centrais nucleares, uma no Nordeste e outra no Sudeste, onde já existe a Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto. O local reúne as usinas de Angra 1 e 2 e é onde será construída a usina de Angra 3. Cada central deve contar com duas usinas de 1.000 MW cada até 2030.

Angra 3 terá capacidade para gerar 1.350 MW e custará R$ 7,3 bilhões. A previsão é de que a usina fique pronta em 2014. O Ibama já assinou uma licença prévia para a construção da usina, mas colocou uma lista 60 condições para a obra.

 

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Depósito de lixo nuclear das usinas deve ser “intermediário”

Folha de S. Paulo
2/9/2008

Ibama e CNEN divergem sobre deposição final de rejeito de alta atividade

Em 23 de julho, o Ibama expediu a licença prévia nº 279 impondo 60 condições para o funcionamento da usina Angra 3, cuja construção o governo federal quer terminar em 2014. A exigência que mais chamou a atenção foi um depósito final para rejeitos nucleares.

A determinação abriu um conflito de competências entre agências federais. De um lado, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). De outro, a CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear).

O Ibama concedeu a licença para a empresa Eletronuclear, operadora da usina, que só tem responsabilidade sobre depósitos iniciais (veja quadro nesta página). A deposição intermediária e final de todos os rejeitos é da alçada da CNEN.

“Não darei licença de operação para Angra 3 sem que esteja escolhido, definido e em início de construção o depósito de rejeitos”, afirmou no último dia 17 Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente, ao qual se vincula o Ibama.

Na “condicionante 2.18″ da licença nº 279 do Ibama, o vocabulário é outro: “Apresentar proposta e iniciar a execução do projeto aprovado pelo órgão ambiental para disposição final dos rejeitos radioativos de alta atividade antes do início da operação da Unidade 3″.

Para o setor nuclear, “execução do projeto” não quer dizer construção. Pelo calendário do Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro, que conta com a participação de Minc e mais dez ministros, em 2014 será de fato iniciado o projeto. A construção, porém, começa só em 2019, com conclusão em 2026.

CNEN e Eletronuclear teriam antes de passar do que hoje é um conceito para uma proposta concreta, o que ocorreria no ano que vem. Depois, até 2013, construir e testar um protótipo. Seriam 9 ou 12 das células da colméia de concreto (veja gráfico ao lado), que precisa resistir 500 anos, inclusive a terremotos e inundações. Só em 2017 seria definido o local.

Há alguma confusão ainda sobre o status do depósito. Para rejeitos de alta atividade, só está em pauta um “depósito intermediário de longo prazo” (Dilp, no jargão interno da Eletronuclear). Nada de “final”, portanto. Num depósito intermediário, os elementos combustíveis já empregados não ficam selados e poderiam ainda ser reprocessados.

O argumento em favor de construir só um depósito intermediário para rejeitos de alta atividade, e não final, é que ainda há 40% de energia aproveitável neles. Selá-los privaria as próximas gerações desse potencial. Na área nuclear, evitam-se os termos “rejeito” e “lixo” para qualificá-los.

Contra-argumento: o combustível usado também pode ser utilizado para obter plutônio, matéria-prima para armamento nuclear. Odair Gonçalves, da CNEN, assinala que o programa nuclear brasileiro não tem escala nem razões econômicas para fazer reprocessamento, hoje. Nem competência tecnológica para separar o plutônio apropriado para aplicações bélicas.

“A gente precisa de um programa nuclear consistente, não é com uma ou duas usinas funcionando que se vai começar a pensar nessa tecnologia.”

 

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Fonte a partir do sol pode ganhar força no Brasil

02/09/2008
Gazeta Mercantil

São Paulo, 2 de Setembro de 2008 – Nas discussões a respeito das mudanças climáticas, o foco se volta para as chamadas fontes alternativas, capazes de reduzir rapidamente o impacto ao meio ambiente. Ricardo Ruther, diretor técnico do Instituto para o Desenvolvimento das Energias Alternativas (Idea) e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), defende o uso de painéis fotovoltaicos – que transformam luz solar em eletricidade – nos centros urbanos do Brasil, com o diferencial de estarem ligados à rede elétrica nacional, o que permitirá ao consumidor vender sua eletricidade excedente.

“Até 2013, considerando os aumentos no preço da tarifa brasileira e a redução dos custos dos painéis, em várias regiões do País, será mais barato ter o seu próprio painel e gerar energia do que comprá-la da distribuidora, como é feito hoje”, prevê o especialista, que salienta os ganhos ambientais desta forma de geração energética.

Segundo cálculos do professor, se considerado um reajuste anual tarifário de 4% e redução de 7% no custo da produção dos painéis por ano, a energia convencional terá o mesmo preço da energia fotovoltaica no Ceará, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, entre outros estados, a partir de 2013. De acordo com o cenário proposto, as regiões terão uma tarifa convencional de energia para o setor residencial de R$ 0,62 o kilowatt-hora (KWh), o mesmo valor da energia solar geradas nesses estados.

A proposta de Ruther engloba ainda uma mudança no sistema energético nacional, já que as residências passarão a gerar eletricidade e poderão vender a energia que não usaram. “As residências terão os seus painéis fotovoltaicos instalados nos telhados. Tudo aquilo que gerarem e não consumirem poderão vender de volta ao sistema”, afirma.

O professor explica que a geração solar conectada à rede elétrica é vista como uma tecnologia para países desenvolvidos, enquanto os pequenos sistemas solares isolados, como aqueles que vêm sendo utilizados no programa “Luz para Todos” do governo Federal, são vistos como a aplicação mais apropriada da tecnologia para os países em desenvolvimento como o Brasil. “Este raciocínio está baseado no alto custo da geração solar”, afirma Ruther.

Porém, segundo ele, a análise da curva de redução de custos da geração solar, ou seja, a curva de aprendizado da produção industrial desta tecnologia, mostra que, cada vez que a produção acumulada dos painéis fotovoltaicos no mundo dobra, o custo de produção cai cerca de 20%. “Em contrapartida, as tarifas de energia têm sofrido aumentos consideravelmente superiores à inflação e não há indicativos de que esta tendência se modifique nos próximos dez anos”, afirma o especialista. Além disso, diz ele, a utilização da energia fotovoltaica em centros urbanos pode auxiliar na redução do pico de demanda, diminuindo a sobrecarga da rede.

Ruther salienta que o modelo proposto por ele já é uma fórmula de sucesso na Europa e nos Estados Unidos. ” A Alemanha é líder na aplicação da energia solar”, afirma Ruther.

Segundo o professor, no ano passado na Alemanha foram instalados geradores solares conectados à rede elétrica que juntos somam 1, 3 mil megawatts (MW) de potência, o equivalente a usina nuclear de Angra 2. Em 2006, o país europeu conectou à suas redes sistemas solares fotovoltaicos com potência superior à da termelétrica Jorge Lacerda, a maior usina a carvão da América Latina, ou seja, mais 800 MW.

Os alemães estão fazendo estas instalações por meio de um programa governamental de incentivo e Ruther defende um planejamento parecido. “O modelo que nós estamos propondo é parecido com o da Alemanha. O consumidor deve receber cerca de três vezes mais pela energia vendida do que pela comprada, dessa forma o investimento para a aquisição da placa seria recuperado”, justifica o professor.

Ruther comenta que já apresentou o projeto em diversos locais do País e do mundo, bem como para o governo federal brasileiro. “É preciso fazer um trabalho de conscientização em relação à eficiência energética para sustentar o projeto e adaptar o sistema para recebê-lo”, afirma.

(Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 4)(Roberta Scrivano)

Sustentabilidade na prática: por onde começar?

4/09/08

Análise Fator:

   

Por Marcos Redondo

As questões sócio-ambientais estão definitivamente inseridas na agenda estratégica das empresas modernas. A geração do lucro máximo decorre do alcance de um ponto de equilíbrio nos negócios onde o “lucro converge com o bem comum”, numa definição simples.
Além da busca pelos resultados financeiros, a preocupação com o bem estar social e a preservação ambiental deixaram o status de filantropia e tornaram-se diferencial competitivo em alguns mercados. Considerar ativos sociais e ambientais tão importantes quanto os ativos financeiros pode ser considerada a quebra de paradigma do novo século e o melhor caminho adotado para a maximização dos lucros e garantia de um crescimento rentável e duradouro.
Mas na prática, como implantar a Sustentabilidade? Primeira pergunta: por onde começar? Se você respondeu pela conscientização dos funcionários para os novos valores e mudança da cultura da empresa, passou bem perto. Antes dos funcionários, a mudança começa nos acionistas, investidores e na alta direção. São eles, como em qualquer mudança mais profunda, os grandes patrocinadores do início desta nova jornada. Foi desta forma que os critérios de governança corporativa foram implantados nas empresas de capital aberto com ações em bolsa, logo depois dos mais recentes escândalos financeiros nos Estados Unidos.
O exercício da reflexão e visão sobre as oportunidades deste novo mercado, e também sobre as ameaças de uma mudança tardia, é que irão colocar uma empresa rumo à sustentabilidade. O que vem depois: estratégia, planejamento, implantação, monitoramento e relatórios, gestão dos detentores de interesse e melhoria contínua. Falaremos mais a respeito nas próximas edições.

 

 

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29/08/2008

SP propõe reduzir em 20% emissão de gás estufa até 2020

Herton Escobar
O Estado de S. Paulo

Projeto do Meio Ambiente prevê usar dados de 1999 como referência, mas volume ainda não foi quantificado

Projeto do Meio Ambiente prevê usar dados de 1999 como referência, mas volume ainda não foi quantificado

O governo do Estado de São Paulo vai propor uma redução mínima de 20% nas emissões de gases do efeito estufa até 2020, tomando como base as emissões estaduais de 1999. Essa foi a meta apresentada ontem pelo secretário do Meio Ambiente, Xico Graziano, ao governador José Serra, para um projeto de lei sobre mudanças climáticas que será encaminhado à Assembléia Legislativa nas próximas semanas, segundo apurou o Estado.

“Queremos mostrar claramente nossa posição firme de enfrentar esse desafio (do aquecimento global)”, disse Graziano, ontem de manhã, no lançamento do Programa de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Mais tarde, após uma reunião com Serra, o secretário confirmou ao Estado os detalhes do projeto.

O texto determina que seja feito um inventário das emissões de gases do efeito estufa no Estado no prazo de três anos, com base no qual será determinada uma meta de redução para 2020. “Mas essa meta não poderá ser menor do que 20% em relação a 1999″, disse Graziano. “Está claro que tem de ser feito um inventário e que tem de haver metas.”

A tendência, segundo fontes ligadas ao processo, é que a meta seja apenas “indicativa” (não compulsória), para amenizar a pressão sobre o setor produtivo e não prejudicar a participação do Estado no mercado de créditos de carbono, que tem como premissa o conceito da adicionalidade – ou seja, redução de emissões além do exigido por lei.

Ainda assim, a lei criaria pressão sobre a indústria, a agricultura, os municípios e o próprio Estado para reduzir suas emissões de gases do efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4), provenientes principalmente de processos industriais e do setor de transportes.

“Acreditamos que é uma meta viável, que poderá ser atingida sem muito esforço”, disse ao Estado o ambientalista Fabio Feldmann, secretário-executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e Biodiversidade, que ajudou a redigir o projeto. Mais importante do que a meta, segundo ele, é o debate que a lei deverá estimular sobre o aquecimento global. “O essencial é fixar uma linha de base para esse debate”, disse.

A Prefeitura de São Paulo já apresentou à Câmara Municipal, no início do mês, um projeto de lei que estabelece meta de redução de 30% das emissões de gases-estufa na cidade até 2012, com base nas emissões de 2003, equivalentes a 15,7 milhões de toneladas de CO2.

Com o projeto estadual, o governo paulista entra em confronto com a política internacional do governo federal, que é contra a adoção de metas nacionais de redução de emissões – posição criticada por especialistas presentes ao evento da Fapesp.

 

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29/08/2008

Estudo do clima terá R$ 100 mi

Herton Escobar
O Estado de S. Paulo

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) vai injetar R$ 100 milhões nos próximos dez anos no estudo das mudanças climáticas globais. O objetivo do programa, anunciado ontem, é entender melhor como o Brasil contribui para o aquecimento global e qual será o impacto disso sobre a estrutura econômica, social e ambiental do País nas próximas décadas.

“Não é um programa para resolver o problema, é para descobrir coisas sobre as mudanças climáticas que possam auxiliar na tomada de decisões que levem a soluções”, disse o diretor-científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz. A primeira chamada de projetos foi lançada ontem, no valor de R$ 16 milhões, divididos meio a meio entre a Fapesp e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Uma peça central do programa será o novo supercomputador de 15 teraflops – ou seja, capaz de realizar 15 trilhões de operações matemáticas por segundo – que será instalado no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) no primeiro semestre de 2009. “O recurso já está disponível e em breve vamos lançar o edital de licitação para compra das máquinas”, disse o cientista Carlos Nobre, que será responsável pela operação do equipamento, de R$ 37 milhões. Com isso, afirma Nobre, o Brasil se tornará um dos cinco países mais capacitados para pesquisas sobre mudança climática.

“Queremos ser capazes de produzir nossos próprios modelos, com peculiaridades regionais, e não só usar os modelos que foram feitos lá fora”, reforçou Brito Cruz. O supercomputador será instalado no Inpe, mas poderá ser usado por cientistas de todo o País.

O Programa Fapesp de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais financiará projetos em sete áreas, que incluem, além da modelagem, o estudo de impactos sobre a biodiversidade, a saúde pública e a agricultura.

 

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29/08/2008

Um drama que vem embalado

O Estado de S. Paulo
Washington Novaes

A campanha eleitoral na TV e no rádio mostra, principalmente nos grandes centros urbanos, uma temática semelhante, que quase se resume às questões dos transportes, da violência, da educação e da saúde. Quase não está presente nas propostas e discussões a questão dos resíduos, do lixo. E, no entanto, é das mais graves que enfrentam as cidades, das mais populosas às menores. Convém relembrar que já em 2002 eram coletadas 230 mil toneladas diárias só de lixo domiciliar e comercial no País (1,3 quilo por pessoa/dia), sem falar em resíduos de construções (mais que o domiciliar e comercial), lixo industrial, de estabelecimentos de saúde, lixo tecnológico e – ausência absoluta – lixo rural produzido principalmente pelos excrementos de mais de 200 milhões de cabeças de gado bovino, dezenas de milhões de suínos, bilhões de aves. Pouco se sabe também de quanto lixo urbano não é coletado. Fala-se em mais de 10 mil toneladas/dia. E em mais de metade dos municípios todos os resíduos vão para lixões a céu aberto.

Para demonstrar a gravidade da situação basta relembrar que a cidade de São Paulo está com seus aterros esgotados e terá de definir, em curtíssimo prazo, onde depositará as pelo menos 14 mil toneladas diárias de lixo domiciliar e comercial que gera. Curitiba também esgotou seu aterro. Belo Horizonte tem de mandar seu lixo para dezenas de quilômetros de distância. O Rio de Janeiro, que não tem área no município para colocar suas 9 mil toneladas diárias de resíduos e esgotou o Aterro de Gramacho – onde já há trincas perigosas e expulsão do lodo da base (era um manguezal) por causa do excesso de peso acumulado -, tenta licenciar outro aterro em Paciência. Convém lembrar ao eleitorado de todas essas cidades o que aconteceu em Nova York (EUA), que deixou esgotar seu aterro e tem de mandar 12 mil toneladas diárias para mais de 500 quilômetros de distância, em caminhões. Ou em Toronto (Canadá), que também manda 3 mil toneladas diárias para mais de 800 quilômetros de distância, em trem diário especial. A custos astronômicos.

Não bastasse o volume do lixo, é preciso acrescentar que a reutilização e reciclagem de materiais no País é muito insuficiente. As estatísticas dizem que só se reciclam em empresas 45,5% (2,8 milhões de toneladas/ano) do papel e papelão descartados, 45% do vidro, 24,2% das embalagens longa-vida (9,2 bilhões), 1 milhão de toneladas de plásticos e 95% das latas de alumínio. As usinas públicas de reciclagem paulistanas operam com menos de 1% do lixo total. E a esse panorama assustador veio, há poucas semanas, agregar-se mais uma preocupação: a liberação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do uso de embalagens de PET para acondicionar alimentos e bebidas. Hoje, quase 50% do PET usado no País já não é reciclado. E se toda a produção de cervejas no País (9 bilhões de litros/ano) passar a ser envasada em PET, serão descartados entre 14 bilhões e 18 bilhões anuais de garrafas – agravando o problema dos aterros e das embalagens não recolhidas, já que não há retorno e reutilização. Não se sabe ainda como se resolverá juridicamente a questão de haver sido concedida pela Justiça Federal, em Marília (SP), medida que exige aprovação, pelo Ibama, de estudo de impacto ambiental para essa utilização do PET em cervejas.

Também no âmbito do projeto de Política Nacional de Resíduos Sólidos enviado pelo Executivo ao Congresso Nacional não se vê otimismo. Isso ficou patente em recente seminário promovido no Rio de Janeiro pelo Movimento PET Consciente. O relator da matéria, deputado Arnaldo Jardim, mostrou ali que se prevê uma “logística reversa” a ser implantada nas cadeias produtivas para dar destinação a embalagens; mas isso só será decidido, na prática, numa regulamentação posterior ao projeto. E a experiência mostra, em projetos anteriores, que esse caminho tem sido barrado no Legislativo pela força dos lobbies dos setores interessados. Segundo o deputado, a responsabilidade do gerador de resíduos em geral “cessa com a disponibilização adequada dos resíduos sólidos para a coleta”. Será lamentável se for esse o rumo decidido. Porque não haverá solução para o problema se todo gerador de resíduos (industrial, comercial, domiciliar, rural, tecnológico e qualquer outro) não arcar com o custo da coleta e destinação – como a experiência em muitos países tem demonstrado (e é lamentável que a reduzida discussão sobre esse tema na capital paulista se resuma à afirmação da ex-prefeita de que se arrepende de haver criado a “taxa do lixo”, abolida pela administração posterior – a criação é que era correta e imprescindível).

No mesmo seminário, o professor Gil Anderi, da Universidade de São Paulo, sugeriu que se crie uma taxa por produto descartado “proporcional ao impacto ambiental”. E este deveria ser avaliado por uma “análise do ciclo de vida” do produto: no caso do PET, o impacto desde a extração do petróleo, a refinação, a produção da resina, sua transformação em embalagem e até o impacto na reciclagem (energia, água, transporte, etc.). Para isso seria preciso implantar um banco de dados regional por produto, que no caso do PET levasse em conta 13 possíveis utilizações e cinco opções diferentes de garrafas.

Seja como for, não será possível avançar – como assinalou no seminário o jornalista André Trigueiro – “sem que se explicitem os conflitos”. Eles precisam ser discutidos. Talvez um caminho seja o proposto pelo Movimento PET Consciente: moratória em novas utilizações do PET, até que se alcance o índice mínimo de 80% na reciclagem; e a indústria de bebidas ter obrigatoriamente pelo menos 50% de sua produção envasada em embalagens retornáveis – sejam elas de vidro, PET, alumínio ou outras.

 

 

Leia na fonte (1) – Linear Clipping
Leia na fonte (2) – Estado de S. Paulo

28/08/2008

Prefeitura de SP fará novo leilão de créditos de carbono

Agencia Estado

A Prefeitura de São Paulo lança hoje edital para a venda de 713 mil créditos de carbono – Reduções Certificadas de Emissão (RCEs) – obtidos com o controle de emissão de gases geradores do efeito estufa nos dois aterros sanitários existentes na capital: Bandeirantes e São João. Os dois depósitos, que recebiam cerca de 13 mil toneladas de resíduos diariamente, têm instalados sistemas de captação de gases produzidos pela decomposição do lixo. Esse gás é utilizado para a geração de energia elétrica.

No bairro de Perus, na zona oeste, onde funcionou o Aterro Bandeirantes até o ano passado, os moradores reclamam que o dinheiro arrecadado no primeiro leilão, realizado em setembro de 2007, não está sendo aplicado para atender à demanda da população local. Na ocasião, foram vendidos 808.450 créditos de carbono. O vencedor foi o banco holandês FortisBank, que pagou 16,20 por tonelada, num total de 13.096,89, ou R$ 34 milhões.

De acordo com a Secretaria Municipal de Finanças, todos os recursos oriundos desse leilão estão sendo investidos na melhoria das condições de vida dos moradores da região do aterro. O dinheiro foi remetido para o Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Fema).

Até hoje, foram construídas ou reformadas três praças públicas no bairro. Há ainda um conjunto de projetos em fase de elaboração pela Subprefeitura de Perus e pelo Departamento de Parques e Áreas Verdes (Depave), como a construção de uma escola de madeira do Programa Pau a Pique, que desenvolverá mobiliário urbano para a Prefeitura a partir da utilização de madeira proveniente da poda realizada nos parques municipais.

O segundo leilão de RCEs está marcado para 25 de setembro, na BM&F Bovespa. Dos 713 mil créditos de carbono a serem negociados, 454.343 são do Aterro Bandeirantes e foram emitidos no período de 1º de janeiro de 2007 a 31 de março de 2008. Os 258.657 restantes foram emitidos pelo Aterro São João, entre 22 de maio de 2007 e 31 de março de 2008. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

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27/08/2008

SP planeja aterro ao lado da Cantareira

Eduardo Reina
O Estado de S. Paulo

Prefeitura tenta colocar em funcionamento dois depósitos, mas especialistas consideram sistema ultrapassado

Prefeitura tenta colocar em funcionamento dois depósitos, mas especialistas consideram sistema ultrapassado

 

Há um ano sem aterros sanitários próprios para destinar as mais de 13 mil toneladas de lixo produzidas diariamente na capital, São Paulo corre contra o tempo para conseguir licenciar novos lixões junto aos organismos estaduais. Uma área na zona noroeste deverá abrigar um novo aterro sanitário para depósito de parte do lixo da cidade. Outra, na zona leste, está em fase mais adiantada, mas aguarda licença de instalação para início das obras.

O novo aterro em estudo, cuja localização não está sendo divulgada para evitar invasões e especulação imobiliária, fica em Perus, e está localizado ao lado da Serra da Cantareira, área de proteção ambiental. A Secretaria Municipal de Serviços informou que foram apresentadas três áreas na região administrada pela empresa Loga, na região, que passam por uma análise de viabilidade de uso e ocupação.

Mas, de acordo com o geógrafo Otávio Cabrera De Léo, cuja dissertação de mestrado tratou dos aterros paulistanos, esses equipamentos são modelos que estão com os dias contados, se nenhuma estratégia de coleta seletiva for implementada. “Na Grande São Paulo é preciso tratar a questão do lixo de forma metropolitana. Na prática, isso já acontece, pois o lixo da capital é levado para a cidade de Caieiras. Mas os municípios devem tratar esse assunto de forma consorciada.”

O novo aterro substituirá o Bandeirantes, já esgotado e com licença de funcionamento expirada desde março de 2007. “A Prefeitura recebeu os estudos pertinentes e obrigatórios por contrato. Por razões estratégicas – e para não haver especulação imobiliária -, os locais apresentados são sigilosos”, disse o presidente da Loga, Luiz Gonzaga Alves Pereira.

Esse novo lixão, com vida útil estimada de dez anos, deverá receber aproximadamente 6,5 mil toneladas por dia. Hoje, o lixo que tinha como destino o aterro Bandeirantes vai para uma área particular em Caieiras. São Paulo não tem custos sobre a operação, mas perde a médio prazo com a venda de créditos de carbono, gerados com a utilização do gás produzido no aterro e transformado em energia. Atualmente, a usina instalada no Bandeirantes gera energia para abastecer cerca de 200 mil pessoas em Perus.

A área onde deve ficar o novo aterro já teve declaração de utilidade pública decretada em 2004, na gestão da prefeita Marta Suplicy (PT). O bairro é cercado por árvores, animais são criados soltos nas ruas de terra e há por ali chácaras, fazendas e córregos. Tramita na Comissão de Análise Integrada de Projetos de Edificações e de Parcelamento do Solo (Caieps) da Secretaria de Planejamento um projeto para modificar a qualificação do zoneamento na área. Mesmo que isso ocorra, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente ainda deverão aprovar a viabilidade do novo empreendimento.

Compostagem
“É preciso rediscutir a política pública de resíduos sólidos na cidade. O lixo dos paulistanos vai para as cidades vizinhas. E os aterros que recebem esses resíduos terão vida útil de mais cinco anos. Queremos que a capital pense agora o que fazer nesses próximos cinco anos, para evitar o caos do lixo”, alertou José Vicente Pimenta, coordenador da campanha “Mais vida, menos lixo”. Ele sugere a criação de centrais de compostagem em todas as regiões de São Paulo para resíduos orgânicos e postos de reciclagem para resíduos secos.

Novos métodos de tratamento dos resíduos, como as usinas de compostagem, também são a sugestão de Carlos Bocuhy, do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) e diretor do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam). “Não tem como ter (aterro) sem sacrificar algo. Ou se desmata ou se sacrifica a população de um bairro.”

 

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27/08/2008

Prefeitura só recicla 1% do lixo que a cidade produz

Lais Cattassini
O Estado de S. Paulo

Apenas 1% do lixo produzido na cidade de São Paulo é reciclado pela Prefeitura. O Município produz, mensalmente, 300 mil toneladas de lixo, mas apenas 3.050 toneladas são recolhidas pelo programa de coleta seletiva da Secretaria de Limpeza Urbana, a Limpurb.

São os catadores de lixo os maiores responsáveis pelo volume de material coletado. Os 35 mil carroceiros que trabalham em São Paulo, seja em cooperativas especializadas ou de maneira autônoma, coletam pelo menos 15 vezes mais do que o programa da Prefeitura.

Cerca de 30% do lixo paulistano poderia ser reciclado. A falta de informação, entretanto, faz com que mais de 20% desse material seja destinado indevidamente a aterros. “Poderíamos reciclar muito mais, mas a população ainda não aderiu ao programa”, diz o diretor da BR+10 Ambiental, empresa de gestão de programas de coleta seletiva ligada à Prefeitura.

Vinte e cinco das 31 subprefeituras de São Paulo são atendidas pelo programa de coleta seletiva. Duas concessionárias, a Ecourbis e a Loga, se dividem com 15 cooperativas de catadores para recolher o lixo seco colocado nas ruas. Segundo a Limpurb, foi feita ampla divulgação de dias e horários de coleta seletiva e da importância da separação do lixo, mas a semelhança entre caminhões confunde a população. A secretaria de Limpeza Urbana explica que os caminhões usados pelas concessionárias são muito semelhantes aos usados pela Prefeitura para a coleta normal.

A confusão faz com que a população procure catadores ou organizações especializadas. A arquiteta Maria Eugênia Navarro Ferreira, de 40 anos, recorreu ao movimento Recicla Morumbi para fazer o trabalho de coleta. “Não existe coleta seletiva da Prefeitura na minha rua. Nunca vi o caminhão do Município”, diz. “As pessoas procuram os catadores para fazer a coleta. Como temos uma ação organizada, eles nos entregam os materiais”, conta a catadora Olinda Pedro da Silva, de 63 anos. A venda de materiais pode render até R$ 1.500 por mês ao catador capaz de coletar grandes volumes de embalagens recicláveis.

A diferença significativa dos hábitos de consumo entre regiões nobres e periferia é refletida nos índices de coleta da Prefeitura. A Subprefeitura da Vila Mariana, na zona sul da cidade, coleta 391 toneladas de lixo reciclável por mês, ante apenas 4,5 toneladas da Subprefeitura de Perus.

 

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26/08/2008

Brasil é o 4º consumidor de água engarrafada

Ambientalistas alertam para o risco a fontes naturais; uso de garrafas PET é outro problema

Jamil Chade
O Estado de S. Paulo

A água engarrafada é a bebida cujo consumo mais cresce hoje no mundo e o Brasil já é o quarto maior mercado, ficando atrás apenas de Estados Unidos, México e China. Dados da Associação Internacional de Águas Engarrafadas apontam que a demanda brasileira cresce mais de 7% ao ano. O Brasil consome mais água engarrafada que países como Alemanha, Itália e França.

Ativistas, no entanto, estão alertando que o custo ambiental desse crescimento é alto. Um dos problemas é a exploração considerada degradante de águas de lençóis freáticos. Empresas que fazem o engarrafamento vêm enfrentando resistência de organizações não-governamentais, como no caso da região do Rio São Lourenço, em Minas Gerais.

Há ainda o problema relacionado à embalagem, geralmente de plástico (feito de petróleo e gás natural, ambos recursos não-renováveis). Pelo menos 1,5 milhão de toneladas de plástico é usado para fabricar garrafas PET.

Outro alerta é do Instituto Worldwatch, que denuncia o consumo crescente de água engarrafada enquanto o porcentual da população mundial sem acesso a nenhuma fonte continua aumentando. O estudo aponta que entre 35% e 50% dos moradores de cidades na África e na Ásia não têm acesso a água potável. Mais de 1 bilhão de pessoas são carentes de água e não têm renda para comprá-la engarrafada.

Para as empresas do setor, os emergentes estão se transformando em verdadeiras minas de ouro diante do surgimento de classes médias que não querem mais depender de água da torneira. No mundo, a taxa média de crescimento do setor é de 7,4% ao ano. Na área de vinhos, por exemplo, a média é de 2%. O consumo de cerveja cresce 2,3% ao ano.

Ainda segundo o estudo, a água engarrafada custa até 10 mil vezes mais do que a de torneira. Por metro cúbico, a água engarrafada estaria sendo vendida a US$ 1 mil. Em alguns Estados norte-americanos, o metro cúbico de água de torneira potável não custa mais de US$ 0,50.

Diante de uma campanha em vários países ricos contra a proliferação da venda de água engarrafada, algumas empresas notaram redução de vendas. Em seus últimos resultados, a Nestlé não esconde que sofreu retração nas vendas de 1,1% entre janeiro e junho deste ano. Mesmo assim, vendeu em todo o mundo quase US$ 5 bilhões em água. Nos países emergentes, a alta apenas nos seis primeiros meses deste ano foi de mais de 20%.

Consumo
No total, o mundo consumiu 188,5 bilhões de litros de água engarrafada em 2007, contra 128,7 bilhões de litros em 2002. Os dez maiores consumidores são responsáveis por 136 bilhões de litros. Na China, o crescimento no consumo é de mais de 17% ao ano, contra 0,5% na França.

No Brasil, o consumo de água engarrafada até o final de 2007 foi de 13,6 bilhões de litros (era de 9,4 bilhões de litros em 2002). A média por pessoa é de 77 litros por ano.

 

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26/08/2008

Água da torneira de SP é potável, diz Sabesp

Herton Escobar
O Estado de S. Paulo

A água que chega às torneiras da região metropolitana de São Paulo é 100% potável, segundo informações da Sabesp. Ou seja: pode ser consumida diretamente, desde que os encanamentos internos de casas e prédios também sejam mantidos limpos.

“Com alguns cuidados mínimos, não há problema”, diz o diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato. O principal ponto de contaminação, segundo ele, são justamente os filtros domésticos, que quando não são limpos regularmente favorecem a proliferação de microrganismos. “Quem quiser usar pode usar, mas não esqueça da manutenção.”

A cidade de São Paulo recebe água de três grandes sistemas: o Sistema Produtor de Água Cantareira, o Guarapiranga, que abastece 3,8 milhões de pessoas residentes na zona sudoeste da capital paulista, e Alto Tietê, formado pelos reservatórios Ponte Nova, Paraitinga, Biritiba Mirim, Jundiaí e Taiaçupeba, interligados por meio de túneis e canais para aumentar a captação.

A água mais limpa é a do Cantareira. A mais poluída é a do Guarapiranga, que precisa de um tratamento mais pesado e, por isso, pode chegar à torneira com um cheiro mais forte de cloro.

Neste site é possível saber de onde vem a água da sua casa: www.mananciais.org.br/site/mergulhe_nessa/de_onde_vem_a_agua

 

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26/08/2008

As novas fronteiras das mineradoras

Agência Estado

A escalada no preço dos metais nos últimos anos deflagrou uma corrida de empresas nacionais e estrangeiras por novas fronteiras de exploração no Brasil. Na busca por reservas, despontam Estados como Bahia, que abriu na última quarta-feira uma grande licitação para reservas de minério de ferro, Goiás e Mato Grosso do Sul.

Na semana passada, em apenas três dias de edital, gigantes como Vale, Arcelor Mittal, BHP Billiton, Anglo American e Votorantim já estavam inscritas para receber as informações preliminares dos depósitos da Bahia. O governo baiano até mudou sua estratégia para aproveitar o bom momento da mineração. “Até o ano passado, as ações de arrendamento partiam dos interessados. Resolvemos mudar a estratégia: criamos um grande pacote de áreas a serem licitadas. Assim, despertamos o interesse e atraímos empresas do setor”, diz Rafael Avena, diretor-técnico da Companhia Baiana de Propriedade Mineral (CBPM).

A CBPM decidiu ofertar 25 áreas para mineração entre 2007 e 2008. Desse total, nove já foram arrematadas e as outras 16 serão licitadas este ano. Na lista, além de minério de ferro, estão depósitos de níquel, ouro e cobre. As empresas vencedoras da concorrência têm prazo médio de três anos para apresentar os resultados de suas pesquisas geológicas e a viabilidade econômica da mina.

Os depósitos estão localizados, principalmente, no Norte da Bahia (a cerca de 550 km de Salvador), nas regiões de Sento Sé, Casa Nova, Remanso, Pilão Arcado e Campo Alegre de Lourdes. Até então, as principais reservas do minério estavam localizadas na região de Caetité, no sertão baiano.

As mineradoras não gostam de comentar suas investidas em novas fronteiras, para não atrair a concorrência. O diretor executivo de Ferrosos da Vale, José Carlos Martins, revela, porém, que a empresa está avaliando as oportunidades na área de minério na Bahia.

“A Vale está avaliando as oportunidades. Mas a Vale só entra em projetos que se enquadrem no tamanho da empresa. É preciso ter escala. Outro ponto que tem de ser avaliado é a logística daquela região”, diz.

Um bom exemplo de busca por novas fronteiras na Bahia é a Mirabela Mineração, companhia de capital nacional e australiano. A empresa inicia no ano que vem a produção de ferro-níquel do projeto Santa Rita, localizado no município de Itagibá, a 370 km de Salvador.

O local é apontado como a maior jazida de níquel sulfetado da América Latina, com vida útil estimada em mais de 20 anos. A meta é produzir 147 mil toneladas/ano de concentrado de níquel. O projeto tem orçamento de US$ 225 milhões. Novas prospecções de níquel estão sendo realizadas pela Mirabela nas cidades de Palestina (BA) e Aracaju (SE).

O ritmo com que a mineração avança na Bahia pode levá-la, em quatro anos, ao terceiro lugar no ranking dos maiores produtores nacionais, desbancando São Paulo, que tem forte presen ça na área de produtos minerais voltados para a construção civil (como areia e brita). A avaliação é feita por Marcelo Tunes, diretor de Recursos Minerais do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

“A Bahia receberá nos próximos quatro anos mais de US$ 2 bilhões em investimentos no setor mineral, principalmente na mineração de ouro, ferro, níquel e cobre. Isso quer dizer que é possível que o Estado chegue, sim, a ser o terceiro maior produtor do País”, diz Tunes.

A liderança no ranking deve ser mantida por Minas Gerais, que tem um dos territórios com maior diversificação mineral do mundo. O segundo lugar também dificilmente será tirado do Pará, que abriga a gigantesca mina de Carajás.

Na briga pelo terceiro lugar surge ainda o Estado de Goiás. A região, rica em níquel, tem diversas áreas sob a avaliação de empresas nacionais e estrangeiras. Os estudos estão concentrados no Noroeste do Estado, em cidades como Catalão, Barro Alto e Niquelândia. De acordo com o Ibram, o Estado deve receber, apenas na área de níquel, investimentos que ultrapassam US$ 2 bilhões até 2011.

A busca pelo aumento rápido nos volumes de produção de minério fez com que minas ainda pouco exploradas ganhassem novo perfil. A região de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, ressurge como um dos principais destinos de investimentos.

O governo estadual fala em US$ 4 bilhões em investimentos. Entre eles estão projetos como o da Rio Tinto, que planeja investir US$ 2,15 bilhões na expansão da sua mina de minério de ferro na cidade. A Arcelor Mittal, maior siderúrgica do mundo, acaba de comprar a mineração Pirâmide para produzir minério de ferro. E a MMX, de Eike Batista, pretende investir US$ 62 milhões para permitir que a produção salte das atuais 2,1 milhões de toneladas/ano de minério de ferro para 6,3 milhões de toneladas/ano em 2012.

 

 

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25/08/2008

Mudança climática em discussão

Ana Cecília Americano
Gazeta Mercantil

Rio de Janeiro – A urgência da adoção de uma nova economia para as mudanças climáticas foi o tema de um dos painéis, ontem, no 20 Congresso da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec). A boa notícia é que, entre os países do mundo, o Brasil está particularmente bem posicionado, sendo o custo envolvido nesse esforço muito baixo: basicamente a redução do desmatamento da Amazônia, causa de mais de 50% das emissões do País. Outro indicador positivo nesse sentido é o papel do mercado de capitais, que já adota, a exemplo das Bolsas de Nova York e Londres, índices de sustentabilidade empresarial. No mundo, os investimentos regidos pelo PRI (Princípios para o Investimento Responsável) já somam US$ 15 trilhões, um salto de quase 90% sobre 2005, informou Clarissa Lins, diretora executiva da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS).

Ainda assim, o cenário está longe de ser confortável. “O Brasil está numa situação singular”, comentou Eduardo Viola, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília. “Responde por 2,5% do PIB global, detém 2,8% da população mundial, mas é responsável por 4% das emissões do carbono”, pondera. “Ou seja, não dá para se omitir e dizer que o problema é dos outros”, comenta.

Para o professor, parte importante do estoque do capital fixo do de 2050 no mundo ainda não foi construída. Isso permite mudar o cenário do futuro. “O impacto das emissões de carbono e das mudanças climáticas será maior quanto menor a renda per capita e a intensidade de tecnologia de cada sociedade”, diz ele. Ou seja, brasileiros, chineses e indianos sofrerão mais com as mudanças climáticas que os japoneses, europeus e norte-americanos, que, por disporem de maior renda têm mais condições de se adaptar. Apesar dessa relação, Viola afirma que o Brasil se encontra na melhor condição entre todos os países do mundo para migrar para o novo modelo de economia de baixo carbono.
“O nosso problema reside basicamente na redução do desmatamento”, afirma. Um segundo grupo de países – EUA, Canadá e México – vem em seguida quanto ao custo para financiar essa transição. “São economias mais desenvolvidas e intensivas em carbono; mas a redução da intensidade de seu uso é mais barata”, afirma. Já, Japão, União Européia e Coréia do Sul teriam o terceiro maior custo de transição. “São países mais descarbonizados e mais eficientes energeticamente.

 

 

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25/08/2008

Dados financeiros e socioambientais juntos

Gazeta Mercantil

São Paulo, 25 de Agosto de 2008 – O Banco Real divulgou na semana passada seu relatório de sustentabilidade que, pela primeira vez, está aliado aos dados do desempenho financeiro da instituição. “Essa união representa um grande avanço para nós e para o mercado. E comprova que ações sustentáveis geram resultados cada vez mais rentáveis.”, diz Fabio Barbosa, presidente do Grupo Santander Brasil, ao qual pertence o Banco Real, em nota.

O relatório – “Nossa Visão Estratégica e Resultados Financeiros 2007″ – mostra como a sustentabilidade está inserida nos negócios do Banco Real.

Algumas das ações de sustentabilidade destacadas pelo documento são o microcrédito e o Fundo Floresta Real, pelo seu enquadramento nos três pilares da sustentabilidade (econômico, social e ambiental).

O relatório traz 90 indicadores de sustentabilidade, como o número de funcionários e da fatia representada por cada faixa etária, gênero e cor, além de dados sobre pessoas com deficiência. O leitor ainda pode checar o consumo de água e luz, um inventário da emissão de (gás de efeito estufa, um dos responsáveis pelas mudanças climáticas) e o número de projetos financiados baseados nos Princípios do Equador – acordo global, de adesão voluntárias, que adota critérios socioambientais para a concessão de financiamento para projetos de infra-estrutura).

A edição 2007 do relatório foi produzida de acordo com as diretrizes G3 da GRI (Global Reporting Initiative), referência mundial em relatórios de sustentabilidade, informou o banco. Pela segunda vez, o documento recebeu da instituição o selo A+. As matérias, os indicadores de sustentabilidade e as demonstrações financeiras foram auditados pela consultoria Ernest & Young.

O novo documento está sendo lançado em três versões: a completa, com 212 páginas; a compacta, com 20; e o folder, que estará disponível em todas as agências do Banco Real no país. Também é possível baixar o material na internet (www.bancoreal.com.br/sustentabilidade).

 

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Diesel com menos enxofre só em SP e RJ

Proposta prevê abastecimento apenas para corredores de ônibus

João Domingos, BRASÍLIA
O Estado de S. Paulo

Somente os ônibus que circulam pelos corredores exclusivos de São Paulo e Rio vão operar com o diesel que emite 50 partículas de enxofre por milhão (S-50) a partir de janeiro do ano que vem. Segundo resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), a redução do poluente, com potencial cancerígeno, deveria ser válida para todos os veículos que rodam no País.

O arranjo é uma das formas de compensação que a Petrobrás e a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) ofereceram ao Ministério Público Federal e aos setores civil e ambiental por não cumprirem a resolução. Atualmente, o diesel fabricado e distribuído no Brasil é de grande potencial poluente, pois emite de 500 a 2 mil partículas por milhão.

Ficou acertado que até 2012, agora com todo mundo prevenido, Petrobrás e fabricantes vão se adequar ao chamado “diesel europeu”, com emissão de 10 partículas de enxofre para cada milhão. “Vamos fazer um acordo agora, para que haja as compensações, e antecipar a entrada em vigor do diesel menos poluente”, disse o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Antes, a previsão para o fabrico de veículos próprios para receber o diesel S-10 era 2014.

A proposta foi feita em uma reunião de quatro horas de Minc com representantes do Ministério Público Federal, Ministérios da Justiça, Saúde e Indústria e Comércio, Petrobrás, Anfavea, Sindicato Nacional dos Combustíveis (Sindicon) e sociedade civil. Os fabricantes propuseram-se também a regular motores de caminhões e ônibus que hoje circulam emitindo alta concentração de enxofre e outros poluentes.

“É preciso que eles apresentem muitas outras compensações, de forma a neutralizar a emissão dos poluentes e empatar com as medidas que seriam tomadas a partir de janeiro”, disse a procuradora Ana Cristina Lins, presente na reunião. Ela exige da Petrobrás e dos fabricantes de veículos um termo de ajustamento de conduta.

Até o dia 10, todos os envolvidos nas negociações precisam encontrar outros meios de compensação para a emissão dos poluentes. Nesta data terá início uma nova reunião do Conama, que poderá adiar a entrada em vigor da fabricação de motores próprios para o diesel S-50.

Rearranjo
Para abastecer a frota que vai circular em São Paulo e Rio, a Petrobrás terá de importar o combustível, informou o diretor de Abastecimento da empresa, Paulo Roberto Costa.

O representante da Anfavea, Carlos Eduardo Lemos, elogiou o governo por promover um acordo para o impasse. Na reunião, assim como Paulo Roberto Costa, da Petrobrás, ele admitiu que ninguém se preparou para cumprir a resolução do Conama.

Desde o ano passado, entidades sociais e ambientalistas, além dos governos de São Paulo, Minas e Rio, fazem campanha pública, além de entrarem com uma ação civil, para que a resolução seja cumprida.

 

 

 

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25/08/2008

Carro terá selo de gasto energético

Etiqueta informará quanto o veículo consome de combustível, o que indica seu impacto no aquecimento global

Cristina Amorim
O Estado de S. Paulo

Você sabe quanto o seu carro contribuiu para o efeito estufa? Dificilmente, pois no Brasil a informação não está disponível para os consumidores – e não há previsão para que isso mude. Contudo, a partir de outubro, com a etiquetagem veicular de eficiência energética, quem comprar um veículo poderá saber, pelo menos indiretamente, quanto contribui para o aquecimento do planeta.

Assim como eletrodomésticos vêm com o Selo Procel de Economia de Energia, os carros virão com uma etiqueta que mostrará quanto combustível é consumido pelo modelo. A relação com a emissão de dióxido de carbono (CO2), o principal gás do efeito estufa, é direta: quanto maior o consumo, maior a emissão. O programa será lançado no próximo Salão do Automóvel, que ocorre em São Paulo de 30 de outubro a 9 de novembro. Os carros leves serão os primeiros a receber o selo.

“Consumo é o que mais pesa para o comprador. Se a gente coloca quanto (o carro) emite, a etiqueta fica poluída e mais confunde do que esclarece”, afirma Suzana Kahn Ribeiro, secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente. “A tendência é que, com o tempo, as pessoas procurem veículos mais eficientes.”

Eficiência é a palavra-chave na hora de estabelecer a responsabilidade ambiental do veículo e do seu proprietário. Geralmente, carros mais pesados consomem mais combustível e, portanto, emitem mais CO2. Cerca de 95% do combustível é queimado apenas para movimentar o veículo. Os outros 5% são consumidos pelo peso extra dos passageiros e pelos utensílios de conforto, como o ar-condicionado e o som.

“Da energia útil, 60% é gasta no atrito”, explica Daniel Schmidt, gerente do setor de Operações, Programas e Regulamentações da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). “Gasta-se muito para transformar a energia gerada pela combustão em energia mecânica suficiente para movimentar 1.000 quilos.” Um carro da categoria hatch pesa cerca de 900 kg; uma perua, cerca de 1.000 kg; um sedã, cerca de 1.200 kg; e um utilitário, cerca de 1.500 kg.

Sem Lei
Assim como o Selo Procel, a etiquetagem veicular será voluntária. Dependerá da montadora abraçar a causa. “Não há obrigatoriedade porque o CO2 não é um gás poluente, uma vez que não provoca um dano direto à saúde, como o monóxido de carbono”, explica Suzana.

Daí vem a dificuldade enfrentada pelo consumidor interessado na informação. As emissões de gases-estufa, tais como o CO2, não são reguladas pelo Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), que analisa gases como o monóxido de carbono (CO) e o óxido nitroso (NOx), além do material particulado – subprodutos da queima do petróleo pelo motor, perigosos para a saúde, que têm de obedecer a limites máximos de emissão.

O problema é que o dióxido de carbono, apesar de não ser tóxico, concentra-se na atmosfera, causando um agravamento do efeito estufa, que tem levado ao aquecimento do planeta. Os danos são sentidos somente no longo prazo.

Os níveis de emissão variam de acordo com o combustível e o tipo de motor. Um carro a gasolina emite, em média, 11,3 gramas de CO2 por quilômetro rodado, comparado a 7,9 g/km de um veículo movido a álcool. Os números são um pouco menores para motores do tipo flex: 11,1 g/km quando abastecidos com gasolina e 7,4 g/km, quando abastecidos com álcool.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) preferiu não comentar o tema pela ausência de legislação específica sobre o assunto.

 

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25/08/2008

Sinais preocupantes

Marina Silva
Folha de S. Paulo

Governo adotou medidas que são retrocesso à sua própria política

O movimento ambientalista conquistou respeito e apoio por defender as imensas riquezas naturais do Brasil e questionar o crescimento a qualquer custo. Hoje, com a sociedade mais atenta, e disso tive prova durante os anos em que estive à frente do Ministério do Meio Ambiente, temos uma poderosa união de esforços que dá base política para reposicionar o modelo predatório de uso de nossos ativos ambientais.

Essa base deu suporte ao governo do presidente Lula para adotar medidas contundentes de freio ao desmatamento na Amazônia. Decreto de dezembro de 2007 determinou a regularização fundiária nos 36 municípios de maior desmatamento, a responsabilização das cadeias produtivas e o agravamento das sanções em caso de descumprimento de embargo.

Em janeiro, foi anunciada a operação Arco de Fogo, da Polícia Federal e do Ibama. Em fevereiro o Conselho Monetário Nacional editou resolução que condiciona o crédito rural na Amazônia à regularidade fundiária e ambiental da propriedade. Essa resolução entrou em vigor em 1º de julho e certamente contribuiu decisivamente para os primeiros resultados positivos, ainda que parciais, desse esforço.

No entanto, ao mesmo tempo, surgem sinais preocupantes de mudança na postura do governo. Primeiro, a edição da Medida Provisória 422, que estimula a grilagem de florestas públicas na Amazônia; depois, o veto presidencial ao único dispositivo que disciplinava minimamente a aplicação da MP.

Recentemente, o governo anunciou acordo que, na prática, reduz a reserva legal na Amazônia para 50% e permite o plantio de espécies exóticas. Anunciou também a redução do ritmo de criação de unidades de conservação e promete alterar o decreto recém-publicado que regulamentou a Lei de Crimes Ambientais.

Há 15 dias, manifestei meu estranhamento com declarações do ministro Mangabeira Unger, de que a legislação ambiental brasileira não fora construída “para valer”. Estava em dúvida se o ministro expressava alguma nova visão do governo federal sobre política ambiental. Os sinais aqui relatados reduzem o espaço da dúvida.

Para a sociedade brasileira, que avalizou as corajosas medidas de combate ao desmatamento e recebeu de forma entusiasmada a declaração do presidente de que não haveria retrocesso na política ambiental, será difícil aceitar mudanças na contramão do que foi dito há apenas três meses.

Caso o compromisso assumido pelo presidente simplesmente tenha sido ignorado pelos ministérios que deveriam zelar por ele, resta a esperança de urgente correção de rumos.