Direto da Fator Stuttgart

Conselho Alemão de Desenvolvimento Sustentável encomenda estudo sobre os BRICS

Ele revelou novas oportunidades de negócios para o Brasil na área da sustentabilidade

03/10/2008

Colaboração especial da equipe técnica da Fator Ambiental na Alemanha.

O Brasil precisa se modernizar em diversas questões ambientais se quiser permancer atrativo para investimentos externos. Esse é o resultado de um estudo realizado pelo Fraunhofer Institut para Sistemas e Pesquisa de Inovação (FhG ISI, sigla em alemão) a pedido do Conselho Alemão de Desenvolvimento Sustentável (CADS).

Ele avaliou a capacidade e competência científica de países como Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul (BRICS, sigla em inglês/alemão) e Alemanha. Seis temas na área de sustentabilidade foram submetidos a um inventário, para que seja complementada a perspectiva das existentes experiências de cooperação de empresas alemãs nesses países.

O estudo revelou informações importantes sobre o Brasil. A dinâmica da economia do nosso país é menor que a da China e da Índia, devido à grande burocracia para se abrir empresas. Uma melhoria nessa área atrairia inovações tecnológicas da sustentabilidade.
Outro tema que o Brasil necessita avançar é na qualificação de seus trabalhadores. Além da falta de engenheiros no mercado, os estudantes dessa área têm pouca experiência prática, apesar do grande conhecimento teórico.

Um destaque especial foi dado às energias renováveis. O Brasil tem alguns dos locais mais favoráveis para o aproveitamento da energia eólica, mas até agora não avançou nesse assunto. Como o país está chegando perto do limite do seu atual sistema de fornecimento de eletricidade, este tema será vital para seu desenvolvimento nas próximas décadas. Há acordos de cooperação internacionais muito promissores em andamento.

O Brasil é um dos maiores exportadores de matéria-prima do mundo. Para continuar retirando recursos naturais sem afetar o meio ambiente, o país precisa se adequar ao conceito de desenvolvimento sustentável. Uma cooperação com a Alemanha poderia fornecer a base teórica e a experiência necessária para os brasileiros avançarem no tema.

Outra área com várias oportunidades de ajuda mútua é o etanol. Pesquisas para o desenvolvimento da segunda geração de biocombustíveis no Brasil estão longe do alto nível alemão. Uma parceria entre os dois países é vital.

Por outro lado, as regulamentações ambientais por aqui atingiram altos padrões, em parte com ajuda alemã. Novos progressos nessa área são cruciais para aumentar a importância das tecnologias sustentáveis.

Clique aqui para fazer o download do estudo (inglês).

 

 

Leia na fonte

Goldemberg ataca plano do clima de Lula

CLAUDIO ANGELO
EDITOR DE CIÊNCIA

O novo Plano Nacional de Mudança Climática é um retrocesso em relação às posições que o próprio governo vinha defendendo nas negociações globais de clima. A opinião é de José Goldemberg, professor da USP, um dos principais especialistas em política climática do país.

“Não vejo como melhorar o plano”, disse Goldemberg à Folha. Para ele, o documento oficial, que será posto em consulta pública na segunda, é tão ruim que “nem vale a pena fazer sugestões” a ele.

O plano proposto pelo governo não fixa metas numéricas nem prazos para a redução do desmatamento, responsável por dois terços dos gases-estufa brasileiros. Limita-se a propor, com base nos programas atuais, que o desmatamento ilegal seja um dia reduzido a zero.

Sobre energia, o plano apenas lista medidas voluntárias e já em curso que podem, direta ou indiretamente, levar a alguma redução das emissões.

Segundo Goldemberg, ao se abster de compromissos, o plano recua do acordo de Bali, fechado em 2007, que teve apoio do Brasil. Na negociação, os países em desenvolvimento se comprometeram a adotar medidas “mensuráveis, reportáveis e verificáveis” de redução de emissões.
“O mínimo que eu esperava do plano nacional é que tivesse ações voluntárias mensuráveis, verificáveis e reportáveis para a Amazônia”, diz o físico.

A Folha não encontrou ontem a secretária nacional do clima, Suzana Kahn, para comentários.

 



Leia na fonte 

 

Emissão de CO2 cresce 3% em um ano, diz relatório

Trajetória já ultrapassa o pior cenário do IPCC

As emissões globais de dióxido de carbono aumentaram 3% de 2006 para 2007, com as nações em desenvolvimento como China e Índia agora sendo responsáveis por mais da metade do principal gás de efeito estufa jogado na atmosfera.

Segundo o relatório anual do Projeto Carbono Global, a liberação do principal gás do efeito estufa cresceu, no período de 2000 a 2007, em um ritmo quatro vezes superior (3,5% ao ano) ao com que aumentava na década de 1990 (0,9% ao ano), superando todas as previsões dos cientistas.

O total de emissões hoje ultrapassa o pior cenário previsto pelo IPCC, o painel do clima das Nações Unidas. Nesse cenário, conhecido como A1F1, a temperatura no final do século será 4C mais alta do que na era pré-industrial.

A concentração de gás carbônico na atmosfera chegou em 2007 a 383 partes por milhão, 37% a mais do que na era pré-industrial, quando ela era de 280 partes por milhão.

Segundo o jornal “Los Angeles Times”, os climatologistas ficaram surpresos com aumento, pois achava-se que num contexto de crise econômica o uso de energia cairia.

As emissões por meio da queima de combustíveis fósseis foram um dos fatores principais no aumento, diz o documento, produzido pela ONG que reúne várias academias nacionais de ciências. A culpa foi principalmente o crescimento explosivo da demanda por energia (e da riqueza) da China, que fez a intensidade de carbono (a quantidade de carbono por unidade de PIB) parar de cair em 2003. Uma das tendências observadas na análise é a de que a Índia, em breve, deve tomar o lugar da Rússia como terceiro maior emissor.

Per capita

“Pela primeira vez, o valor absoluto de todas as emissões indo para a atmosfera a cada ano é maior vindo de países em desenvolvimento do que do mundo desenvolvido”, afirma o diretor do projeto, Pep Canadell. “A outra coisa é que nós confirmamos agora que a China é mesmo a maior emissora.”

Os EUA são agora o segundo emissor. Cerca de 60% do saldo de aumento nas emissões vem do território chinês. Apesar disso, as emissões per capita são cinco vezes maiores nos EUA do que na China.
(Folha de SP, 27/9)

 

 


Leia na fonte

O sentido do Fundo

Artigo – MARINA SILVA
Folha de S. Paulo
29/9/2008

A CRIAÇÃO do Fundo Amazônia -que já conta com a primeira doação, feita pela Noruega- tem um sentido pouco enfatizado, além do objetivo de reduzir emissões de CO2 oriundas de desmatamento. Ela expressa mudança da posição brasileira nas negociações globais, que pode nos abrir novo espaço de liderança, pela capacidade de propor e implementar soluções concretas para o desafio das mudanças climáticas.

A ação brasileira que resultou no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) foi inovadora e criativa, mas o impacto do Fundo é de outra ordem. Ele deriva do fim da recusa ao debate sobre responsabilidades e metas para países em desenvolvimento, ocorrida em Bali no final de 2007.

Consagra a competência do Inpe em monitoramento e a persistência de organizações da sociedade, como ISA e Ipam, do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e de quadros dirigentes do Ministério do Meio Ambiente. E mostra visão e habilidade do ministro Celso Amorim, cruciais para a formação de consenso que levou à nova postura do governo. Problema sério é que o novo contexto que o Fundo representa deveria estar concretamente refletido no Plano Nacional de Mudanças Climáticas, recém-anunciado. E ainda não está.

O Fundo não nasceu do dia para a noite. Trata-se de projeto-piloto de grande potencial interno e externo. Tornou-se viável graças aos resultados do plano de combate ao desmatamento lançado em 2004, que contribuiu fortemente para a queda de 57% na taxa de desmatamento, evitando emissão de mais de 500 milhões de toneladas de CO2 entre 2005 e 2007. E só receberá novos aportes externos se essa taxa continuar em queda. Assim como o Comitê Interministerial de Mudanças Climáticas, criado em 2007, é parte da Política Nacional de Mudanças Climáticas, que está no Congresso.

É uma via confiável, transparente e soberana, sem condicionalidades e intervenções, para canalizar eticamente a cooperação e a solidariedade internacionais, pois parte da idéia de “ajudar aquele que se ajuda”, muito diferente de “ser pago para não destruir”. A comercialização como créditos de carbono das emissões evitadas na Amazônia implicaria dar aos países industrializados licença para seguir poluindo. “Ganharíamos”, numa visão meramente monetária, mas à custa de graves prejuízos ao equilíbrio do clima.
Ressalve-se que as doações ao Fundo não substituem o papel do setor público. É preciso concluir a revisão do Plano de Combate ao Desmatamento, em curso desde 2007, e ampliar ações estratégicas e investimentos, passos decisivos para mudar o modelo de desenvolvimento da Amazônia.

 

 


Leia na fonte
29/09/2008 – 08h31

Pantanal vale US$ 112 bilhões, diz estudo

CLAUDIO ANGELO
Editor de Ciência da Folha de S.Paulo

Quanto vale um bioma? A pergunta pode parecer maluca, mas, se o bioma em questão for o Pantanal, ela já pode ser respondida: US$ 112 bilhões por ano, no mínimo. Várias ordens de grandeza mais que o máximo de US$ 414 milhões anuais que a devastação do local gera.

O cálculo foi feito por um pesquisador da Embrapa Pantanal, em Corumbá, e põe pela primeira vez em perspectiva o valor dos serviços ambientais prestados pela maior planície alagável fluvial do mundo, comparados com aquilo que é gerado pela pecuária, a mais rentável atividade econômica praticada na região.

Segundo o oceanógrafo e economista gaúcho André Steffens Moraes, “perdido no Pantanal desde 1989″, um hectare preservado do bioma que detém a maior concentração de fauna das Américas vale entre US$ 8.100 e US$ 17.500 por ano. A conta é detalhada em sua tese de doutorado, recém-defendida na Universidade Federal de Pernambuco e disponível para download (www.cpap.embrapa.br/teses).

Nela, Moraes inclui valores potenciais de coisas como madeira, produtos florestais não-madeireiros e ecoturismo. Mas também de coisas que não estão nem podem ser colocadas facilmente no mercado, como o valor da polinização feita por aves e insetos, o controle de erosão e, principalmente, a oferta e regulação de água -produtos e serviços que são perdidos quando a vegetação tomba. “Eu analisei quanto a sociedade perde quando se desmata”, disse o pesquisador.

Estilo Zé Leôncio

Com terras que ficam alagadas até 8 meses por ano, impróprias para a agricultura e abundantes em gramíneas, o Pantanal parece combinar com a pecuária, única atividade -além do turismo- rentável ali. Hoje há 5,3 milhões de cabeças no bioma, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A pecuária também parece combinar com o Pantanal: como o capim faz parte do ecossistema, não é preciso recorrer ao desmatamento para criar gado. Há no bioma uma coexistência pacífica única no Brasil entre gado e fauna, que acaba tornando os fazendeiros da região conservacionistas, no melhor estilo Zé Leôncio (o fazendeiro consciencioso da novela “Pantanal”, interpretado pelo ator Cláudio Marzo).

No jargão dos economistas, esse pecuaristas são considerados “satisficers” (saciadores) e não “maximizers” (maximizadores). Segundo Moraes, o gado é de certa forma bom para a fauna: com carne de sobra, a pressão de caça diminui.

Desmate na cordilheira

O problema é que viver como Zé Leôncio não é para quem está interessado em grandes lucros: “A pecuária é extensiva, então a rentabilidade é baixa”, afirmou Moraes à Folha. Para ser exato, cada hectare de boi em pasto nativo rende US$ 12,5 ao ano para os produtores.

E é claro que pouca gente quer ser Zé Leôncio hoje em dia. A partir dos anos 1970, um aumento na demanda por carne associado a uma inundação no rio Taquari que diminuiu a área de pasto natural fez os fazendeiros começarem a derrubar as matas nas chamadas cordilheiras, as áreas de floresta que ficam secas o ano todo.
Sem a dor-de-cabeça de precisar tirar o gado todo ano quando o pasto alaga –que reduz o peso dos animais–, quem cria gado nas cordilheiras ganha mais dinheiro: US$ 28 por hectare ao ano.
Isso obviamente teve impacto direto sobre o bioma. Até 1991, apenas 545 mil hectares de mata nativa pantaneira haviam tombado. Em 2000 já era 1,2 milhão de hectares, ou 30% da área do Pantanal.

“O pecuarista não tem alternativa produtiva. O mercado o pressiona para desmatar e pôr pasto”, diz Moraes. “Quando ele faz isso, as ONGs e a sociedade criticam, mas eu como pecuarista faria a mesma coisa.”

 

 


Leia na fonte

Domingo, 28 setembro de 2008

Braço do Guarapiranga é esgoto puro

Em 5 anos, peixes do Rio Embu-Mirim deram lugar a um mar de lixo; Sabesp deve investir R$ 43 milhões até 2012

Marici Capitelli
Moradores do M’Boi Mirim, bairro da zona sul de São Paulo, estão pedindo socorro para salvar várias vidas: a do Rio Embu-Mirim, de seus peixes e de todos os bichos e aves que vivem nas suas margens. Embora seja um dos principais rios que deságuam na Represa do Guarapiranga – que abastece 3,8 milhões de pessoas -, está completamente poluído e abandonado.

Há cinco anos, ainda era fonte de pesca, contam os pescadores da região que, nessa época, chegavam a retirar 100 quilos de pescado em uma única noite. Hoje, é só sujeira e mau cheiro.

O lançamento de esgoto sem tratamento e a falta de conscientização ambiental causaram a tragédia do rio. Em seus 5.048 metros de extensão, de Itapecerica da Serra até a represa, recebe dejetos de 200 mil habitantes, segundo a Sabesp.

Nos pouco mais de 2 quilômetros na zona sul da capital ainda é possível ver marrecos, quero-queros, galinhas d’água, capivaras, lontras, ratão do banhado e outros animais que resistem em meio ao esgoto formado por garrafas pet, sacos de lixo, pneus e todo tipo de sujeira.

“É duro ver esse rio morrer todos os dias”, diz Antonio Ceccato, de 48 anos, o “guardião” do Rio Embu-Mirim. Com sua canoa de fibra e madeira, que a comunidade chama de “barco do Tonho”, ele percorre o rio de uma ponta a outra desde que era criança.

RESPONSABILIDADE

Desde que o esgoto começou a cair na represa com mais intensidade, os moradores dizem que procuraram Sabesp e Prefeitura, sem resultado. “Um joga a responsabilidade para o outro, mas nenhum deles se une a nós para acabar com a poluição e fazer um trabalho de conscientização”, diz Ceccato.

O superintendente da Unidade de Negócios Sul da Sabesp, Roberval Tavares Souza, diz que as ocupações desordenadas em volta das Represas do Guarapiranga e Billings são a grande causa da poluição do rio. Combater essas invasões é uma das estratégias para a recuperação do Embu-Mirim e da Bacia do Guarapiranga, onde mora 1 milhão de pessoas.

Yara Toledo, presidente da SOS Manancial, confirma que o Embu-Mirim, apesar da importância para a Represa do Guarapiranga, foi negligenciado nos últimos anos. “O rio foi bastante discutido na época das audiências públicas do Rodoanel, mas a preocupação foi maior com outros tipos de impactos ambientais, como o da vegetação.” O Embu-Mirim passa por um trecho do Rodoanel Sul, perto da Rodovia Régis Bittencourt.

A comunidade quer o fim do lançamento do esgoto, a reurbanização das favelas nas imediações e a criação do parque Embu-Mirim na várzea do rio. Os moradores se propõem a preservar o parque, numa parceria com os órgãos públicos.

QUATRO ANOS

A Sabesp garante que, daqui a quatro anos, o Rio Embu-Mirim estará livre de poluição. Segundo Roberval Tavares Souza, da Unidade de Negócios Sul da companhia, até 2012 serão investidos R$ 43 milhões em obras para tratamento e coleta de esgoto.

De acordo com ele, nas cercanias do rio moram 400 mil pessoas; metade tem esgoto coletado e levado para a estação de tratamento em Barueri. Uma das obras em andamento é o coletor-tronco Embu-Mirim, que vai captar o esgoto de Itapecerica da Serra – cidade de 65 mil habitantes, onde o rio nasce e onde não há coleta de esgoto – e de parte de Embu. “Não dá para afirmar que todo o esgoto vai para o rio mas, como não há tratamento, é possível que isso ocorra”, diz o diretor de Meio Ambiente de Itapecerica, Marco Antonio Galan.

A despoluição total da Bacia do Guarapiranga é uma meta para 2014.

 

 


Leia na fonte

Etanol pode chegar aos EUA via Colômbia

Bogotá, 29 de Setembro de 2008 – O governo brasileiro e o setor privado vêem chances de o Brasil começar a fornecer para a Colômbia equipamentos para a produção de etanol. E, a exemplo do que já acontece com outros países, como a Jamaica, o governo brasileiro quer que o país colombiano se torne uma base exportadora para o etanol brasileiro chegar aos Estados Unidos sem a tarifa de importação.

A Colômbia tem tratado de livre comércio (TLC) com os americanos. É de olho nisso que a Apex Brasil busca fechar acordos com o governo colombiano e com a embaixada dos Estados Unidos para facilitar o trabalho das empresas brasileiras e aumentar a participação das exportações de produtos com maior valor agregado na balança comercial brasileira, principalmente de médias e pequenas empresas.

Na Jamaica estão sendo montadas unidades industriais para desidratar o álcool hidratado adquirido do Brasil e depois exportado para os Estados Unidos. A Colômbia quer se tornar uma fonte de exportação para os Estados Unidos, mas através de produção própria, segundo revelou o presidente da Petrobrás na Colômbia, Abílio Paulo Pinheiro Ramos.

Empresas brasileiras do ramo estão interessadas em fazer negócios na Colômbia. Um deles é a venda de destilarias para produção de etanol. Outra possibilidade é a exportação do combustível já fabricado.
Paralelamente as empresas colombianas demonstram interesse de fechar negócios com as empresas brasileiras, conforme observou o gerente de Projeto do Apla (Arranjo Produtivo Local do Álcool da Região de Piracicaba), Flávio Castelar, durante o evento “Brasil Tecnológico”, promovido pela Apex Brasil na semana passada, na capital colombiana. Porém, empresários locais revelaram que os colombianos têm interesse de exportar álcool hidratado do Brasil para desidratar na Colômbia, o que não é permitido pela legislação local.
Castelar vê chances de as brasileiras venderem apenas destilarias para os colombianos. No país existem 14 engenhos para a produção de açúcar, enquanto que para a produção de álcool existem apenas cinco destilarias. O gerente avalia que o parque industrial colombiano é insuficiente para atender a demanda por álcool no país que há pouco tempo adotou o programa de adicionar 10% de álcool desidratado na gasolina para incentivar a produção de etanol local, percentual que deve ser elevado para 20% em 2012.
Conforme dados do setor colombiano, a produção atual de etanol no país é de 290 milhões de litros por ano. E o governo colombiano prevê aumentar essa produção para algo entre 11 bilhões e 15 bilhões de litros nos próximos anos, sendo que boa parte do volume será para exportação.

Apesar de o setor ter potencial de crescer na Colômbia, o presidente da Petrobras da Colômbia, Abílio Ramos, admite a possibilidade de as empresas brasileiras venderem apenas equipamentos para as empresas locais produzirem o combustível, pois a “Colômbia tem planos de se tornar uma exportadora de etanol, através de produção própria”.

“Nesse caso poderia haver um intercâmbio de empresas brasileiras que detêm a tecnologia de produção de etanol com as empresas colombianas”, disse Ramos. “Vejo potencial para as empresas brasileiras realizarem negócios aqui (Colômbia), porque as empresas colombianas necessitam de capital e de equipamentos”, acrescentou o presidente da Petrobras em solo colombiano.
(Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 7)(Viviane Monteiro – A jornalista viajou a Convite a Apex.)

 

 


Leia na fonte

Terça-feira, 30 setembro de 2008

Assentamentos lideram desmate

6 projetos do Incra são os campeões da devastação; governo cria conselho interministerial, um Copom ambiental

João Domingos

Oito assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na Amazônia estão na lista dos cem maiores desmatadores do País, de acordo com informações do Ministério do Meio Ambiente. Desses, todos localizados em Mato Grosso, seis encabeçam a relação dos que mais feriram a floresta, um está em 40º lugar e o outro em 44º. Por causa dos desmatamentos de 2.282 quilômetros quadrados (228.208 hectares) nas oito áreas, o Incra foi multado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em R$ 265,5 milhões.

A lista, divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente, relaciona os cem maiores desmatadores de 2005 (com dois casos) para cá. Juntos, eles derrubaram 5.225 quilômetros quadrados de floresta (522,5 mil hectares).

Os assentamentos do Incra foram responsáveis por 44% desse total e as áreas particulares, por 56%. Da mata derrubada, 85,6% foram de floresta nativa; 7,9% de reservas legais; 5,6% de matas primárias e 0,8% de áreas de proteção permanente – margens de rios e lagoas, por exemplo.

Diante da situação, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou ontem 12 medidas. Uma delas é a criação do Conselho Interministerial de Combate ao Desmatamento, que funcionará como uma espécie de Comitê de Política Monetária (Copom) para a área ambiental. Mas, ao contrário do Copom, que fixa taxa de juros, o “Copom” ambiental não fixará metas, mas a cada dois meses fará reuniões para estudar formas de conter desmatamentos, de acordo com a taxa de derrubada que for identificada pelos satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que ontem divulgou os números de desmate relativos a agosto (mais informações nesta pág.).

Minc anunciou ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou a criação da Força Federal de Combate a Crimes Ambientais, que deverá ser constituída por 3 mil homens. “Com isso, não ficamos mais na dependência das forças estaduais para fazer nossas operações”, disse Minc. Ele chegou a mostrar para os repórteres um casal já vestido com a roupa da futura Força Ambiental, portando metralhadora e pistolas. De acordo com Minc, será uma tropa altamente especializada no combate aos crimes ambientais. Não se sabe ainda se o governo enviará ao Congresso um projeto de lei ou uma medida provisória para criar a Força. Nem disse quanto custará.

Outra medida anunciada pelo ministro é a criação de um plano de prevenção e combate ao desmatamento, em conjunto com os governos estaduais. “O governo de Estado que não tiver o seu plano não terá direito a verbas do Fundo da Amazônia”, disse Minc.

Esse fundo, que até 2015 deverá receber US$ 1 bilhão, já conta com US$ 20 milhões, doados pelo governo da Noruega. Esse mesmo país prometeu mais US$ 100 mil até o fim do ano, desde que o governo brasileiro mostre que realmente está empenhado em reduzir o desmatamento.

Minc criticou o desmatamento feito pelos assentamentos do Incra. Disse que a partir de agora as licenças ambientais somente serão concedidas depois que o instituto apresentar a área de reserva. “Não podemos dizer que a reforma agrária na Amazônia está uma maravilha, porque não está, mas também não dá para dizer que é preciso acabar com ela. Por isso, vamos encontrar um jeito de fazer a reforma agrária com sustentabilidade ambiental”, disse ele.

As ações contra os cem maiores desmatadores fazem parte de um trabalho conjunto do Ibama, Advocacia-Geral da União e Ministério Público Federal. Serão abertas também contra outros desmatadores que não estão na lista atual. Na divulgada ontem, além do Incra, tiveram o nome incluído na relação dos grandes desmatadores Léo Andrade Gomes, Honorato Lourenço, Margarida Barbosa, Floraplac Industrial, Ednar Gatti e Sebastião Lourenço, do Pará; Rosana Sorge, José Carlos Ramos, Celso Padovani, José de Castro Filho, João Vicentini, Agropecuária Jarina, Claudemir Guareschi e Olivier Vieira, de Mato Grosso; Cooperação de Trabalho de Roraima; e Aristides Corduva, de Rondônia, entre outros.

 

 

 


Leia na fonte

FOLHA DE S. PAULO – SP
30/09/2008
AGRONEGÓCIOS

Cadeia de biocombustíveis busca certificação

Exigências mais rígidas do mercado europeu por sustentabilidade de empresas movimenta principalmente setor do álcool

Objetivo é atestar a adoção de critérios socioambientais, como não permitir trabalho infantil ou escravo e não desmatar para cultivar cana

ANDRÉ PALHANO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

As exigências mais rígidas de sustentabilidade por parte do mercado europeu vêm gerando uma autêntica corrida pela certificação de critérios socioambientais na cadeia de produção dos biocombustíveis, especialmente do álcool.

O objetivo é atestar a adoção e a prática de critérios socioambientais na cadeia produtiva desses combustíveis, como a não-utilização de trabalho infantil ou escravo, temas que aparecem com cada vez mais freqüência nas discussões de comércio exterior e que muitas vezes funcionam como barreiras não-tarifárias.

“Estamos falando de uma discussão ampla, complicada, polêmica e política”, diz Marcio Nappo, assessor de meio ambiente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar). “Há uma parte legítima de preocupação com os impactos sociais e ambientais da cadeia do etanol nessa discussão, mas há também um componente político muito forte, por exemplo relacionado aos interesses de protecionismo e à pressão da indústria de alimentos.”
Entre as principais iniciativas debatidas, destacam-se as normas para a importação de biocombustíveis na União Européia. Elas determinam, por exemplo, uma meta de adição de combustíveis renováveis aos combustíveis fósseis (álcool na gasolina e biodiesel no diesel) de 10% a partir de 2020 em todos os países do bloco, ainda a ser aprovada.

Tais normas, apontam os especialistas, tendem a ser a principal referência de sustentabilidade para a cadeia do álcool, uma vez que os biocombustíveis importados que não atenderem aos critérios não serão contabilizados para efeito das metas de adição de combustíveis renováveis.
Como o Brasil tem características para se tornar o principal fornecedor mundial de álcool produzido a partir da cana-de-açúcar e um importante fornecedor do biodiesel, a corrida interna em busca de uma certificação que atenda às exigências do mercado internacional também anda aquecida.

Certificação de usinas

Após algumas experiências de certificação entre produtores e importadores, o Inmetro vai fazer os primeiros testes para certificação das usinas de álcool utilizando metodologia própria. Além de critérios de qualidade, serão observados condições de trabalho e impacto ao ambiente, entre outros.
O objetivo é derrubar argumentos externos de que o álcool brasileiro não atende critérios de sustentabilidade exigidos em países desenvolvidos, por conta do uso do trabalho escravo ou infantil, ou desmatamento para o cultivo da cana. Após avaliar usinas de São Paulo, do Centro-Oeste e do Nordeste, os resultados serão levados ao governo, que tende a utilizá-los na negociação externa sobre o álcool. Sua aprovação só deve ocorrer após a definição das mudanças na política energética européia envolvendo biocombustíveis.
Enquanto isso, outros agentes continuam na corrida das certificações. A Rede de Agricultura Sustentável, por exemplo, vem promovendo uma reformulação da norma de certificação de produtos agrícolas para incluir produtos como cana-de-açúcar e oleaginosas para obter o selo Rainforest Alliance Certified.

“São produtos e setores cada vez mais complexos, que demandam processos de avaliação específica e por isso é que estamos discutindo um adendo à norma já existente para outras culturas”, diz Luís Fernando Guedes Pinto, secretário-executivo da ONG Imaflora, uma das principais certificadoras do país. Outras ações também buscam definir um padrão de certificação com critérios socioambientais para o álcool.

A principal barreira para o avanço desses processos, segundo os especialistas, é o tempo. “Avaliar e certificar uma indústria de médio porte já é bem demorado, pois é necessário readequar processos internos, alterar determinadas configurações estruturais, supervisionar os procedimentos dos fornecedores. Imagine isso aplicado à indústria do etanol, que tem milhares de fornecedores nas mais diferentes condições”, afirma o professor Antonio Roberto Pereira, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP).

 

 


Leia na fonte

Terça-Feira, 30 de Setembro de 2008

Licenças mais rápidas

O governo começa a agir com mais eficiência para eliminar os obstáculos criados pela área ambiental à construção de usinas hidrelétricas. Há duas boas notícias nessa área. Já está em discussão a mudança do processo de concessão de licenças ambientais para novas usinas, com o objetivo de acelerá-lo e reduzir os riscos para os investidores, e começam a ser revistos, de acordo com novos parâmetros, alguns projetos antigos – e já licitados -, mas que haviam sido vetados pela área ambiental, o que impunha prejuízos aos vencedores das licitações.

Técnicos dos Ministérios do Meio Ambiente e de Minas e Energia, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estão discutindo o aperfeiçoamento do processo de licenciamento ambiental de novas usinas hidrelétricas, para torná-lo mais rápido e evitar que a falta de licença ambiental paralise projetos já licitados.

O objetivo da revisão é tornar esse processo mais racional, sem reduzir o poder de decisão da área ambiental na sua esfera de atuação. A proposta central – defendida pelo diretor-geral da Aneel, Jerson Kelman, e pelo presidente da EPE, Maurício Tolmasquim – é a de que a análise comece pelo inventário de um rio – ou seja, estudos que identifiquem o potencial hidrelétrico de uma bacia hidrográfica, mas que levem em conta também aspectos sociais e ambientais.

Hoje, a análise desse inventário – que pode ser apresentado por qualquer interessado no empreendimento – é feita exclusivamente pela Aneel. O que se pretende é juntar ao estudo do potencial hídrico, desde o início do processo, as análises de outros órgãos das áreas energética e ambiental, como a Agência Nacional de Águas (ANA), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a EPE. Com esse estudo multidisciplinar seriam evitados problemas no futuro, como o de não concessão da licença ambiental.

Provavelmente, a revisão do processo de análise das novas usinas exigirá mudanças na legislação e nas regras. Mas será mantida a exigência de elaboração do estudo e do relatório do impacto ambiental (EIA/Rima), ainda que com outro nome, o que preservaria o poder do Ibama no processo.

Até há pouco, o Ibama exercia esse poder de maneira absoluta, sem levar em conta os programas do governo e os interesses do País. Vários projetos foram vetados ou tiveram sua execução retardada. Algumas razões alegadas para o veto eram procedentes, mas outras eram no mínimo discutíveis. Agora, o Ibama se dispõe a reexaminar dois projetos que havia vetado, numa demonstração de abertura à discussão que pode ser positiva para o País.

A atitude do Ibama beneficia os projetos de construção de duas usinas hidrelétricas no Rio Araguaia (Santa Isabel, com capacidade de 1.087 megawatts, e Couto de Magalhães, de 150 MW), licitadas ainda no governo FHC. Há dias, o Ibama enviou ao consórcio vencedor da Usina de Santa Isabel um termo de referência com novos parâmetros para a concessão do licenciamento prévio. Fará o mesmo com a Usina de Couto de Magalhães.

A situação dessas usinas era um exemplo claro da incompatibilidade entre os interesses do País e os critérios que o Ibama vinha adotando. O leilão para sua concessão foi realizado em novembro de 2001, quando o País ainda sentia os efeitos do apagão. O vencedor seria aquele que oferecesse pagar mais pelo uso do bem público. O consórcio vencedor de Santa Isabel ofereceu ágio de quase 1.700% sobre o lance mínimo; no caso da Usina de Couto de Magalhães, o ágio alcançou 3.000%.

Em 2002, porém, o Ibama declarou que as usinas eram inviáveis por entender que o Rio Araguaia não poderia ter barragens. As empresas vencedoras do leilão tentaram, por diversas vezes, devolver a concessão ao governo, e o caso vinha se arrastando desde então. Pelo contrato, elas deveriam começar a remunerar o governo a partir de 2009, mas uma lei do PAC, aprovada em 2007, estabeleceu que o pagamento pelo uso do bem público seja feito depois de iniciada a operação comercial do empreendimento.

Até há pouco, a construção dessas usinas estava proibida pelo Ibama. A situação, felizmente, começa a mudar.

 

 

 


Leia na fonte

01/10/2008
O Estado de São Paulo

Brasil vai ‘esconder’ gás carbônico no fundo do mar

Data: 01/10/2008
Andrea Vialli

Petrobras começa em 2009 a testar sistema que joga o CO2 em poços submarinos, diminuindo a poluição do ar

A polêmica tecnologia que permite capturar e enterrar o gás carbônico no subsolo dos oceanos – conhecida como captura e armazenamento geológico de carbono – começa a ser testada no primeiro semestre de 2009 no Brasil. A Petrobrás vai começar a operar os primeiros pilotos da tecnologia, em áreas já usadas para exploração de petróleo, na bacia de Campos e no campo de Miranga, na Bahia.

O processo de injetar gás carbônico em poços de petróleo é uma prática já conhecida entre as petrolíferas, pois ajuda a aumentar a produtividade dos poços de exploração. Agora, a intenção das empresas seria compensar uma parte da poluição que, lançada na atmosfera, contribui para causar o efeito estufa. No processo, o carbono que seria lançado pelas refinarias é capturado por dutos, e o gás é injetado no subsolo.

“Essa técnica já é usada para aumentar a produtividade dos campos de óleo desde a década de 1960 nos Estados Unidos, e no Brasil desde 1987. A diferença agora é a escala em que vai ser feita, e com o propósito de manter o CO2 armazenado no subsolo por muito tempo”, diz João Marcelo Ketzer, coordenador do Centro de Excelência em Pesquisa sobre Armazenamento de Carbono (Cepac), ligado à PUC/RS.

Segundo o pesquisador, alguns projetos-piloto já estão em desenvolvimento no País. São minas de carvão e aquíferos salinos que estão sendo testados para armazenar carbono. A expectativa da Petrobrás é estocar 10 milhões de toneladas de CO2 até 2014. No Cepac, já são 65 pesquisadores desenvolvendo estudos sobre o tema, com um orçamento de R$ 35 milhões, a maior parte da Petrobrás e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

No mundo todo há três grandes projetos em andamento: na Noruega, pela petrolífera Statoil, no Canadá, pela EnCana, e na Argélia, pela BP. “A princípio, empresas de todos os setores podem compensar suas emissões com a tecnologia. As petrolíferas estão liderando esse processo porque já têm know-how”, diz Ketzer.

PALIATIVO

O uso da tecnologia, porém, é polêmico. Embora figure como uma das sugestões para combater o aquecimento global por parte dos cientistas do IPCC, o painel do clima da ONU, os críticos acham que é só uma maneira de varrer o lixo para debaixo do tapete. Segundo o IPCC, até 2050, será preciso eliminar 25 bilhões de toneladas de CO2 por ano da atmosfera, e o processo de captura e armazenamento de carbono poderia estocar pelo menos 20% desse volume.

Para Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace, o investimento na tecnologia de estocagem de carbono é um paliativo. “Alguns vêem essa tecnologia como a corrida ao pote de ouro. Mas pesquisas já mostram que não será possível usar a tecnologia em larga escala antes de 2030, o que faz perder sua eficácia para conter o aquecimento global”, avalia. Outros entraves são o alto custo do sistema e questões de segurança.

Essas preocupações levaram outra ONG, o Instituto Ecoar, de São Paulo, a traçar o primeiro estudo dos impactos socioambientais da tecnologia.Segundo a diretora do Ecoar, Miriam Duailibi, a tecnologia pode permitir que o País explore os recursos do petróleo sem ônus para o meio ambiente e a população. “A demanda por energia no mundo só cresce, e, por mais que nós queiramos fontes renováveis, ainda vai levar de 20 a 30

 

 


Leia na fonte

quarta-feira, 1 de outubro de 2008, 02:10

Café: água da lavagem vira adubo

Após passar por sistema de filtragem, resíduo pode ser aplicado na lavoura ou até mesmo reutilizado para lavar mais grãos

Fernanda Yoneya – O Estado de S.Paulo

Pesquisadores aproveitaram a 6ª Exposição de Tecnologia Agropecuária, Ciência para a Vida, encerrada no domingo, em Brasília (DF), para apresentar uma alternativa eficiente para o reaproveitamento da água utilizada na lavagem de café. No Sistema de Decantação e Filtragem de Água, a água resultante da lavagem de café pode ser reutilizada como adubo ou para lavar novamente os grãos, explica o pesquisador Sammy Fernandes Soares, da Embrapa Café.

Além da Embrapa Café, participaram do desenvolvimento do sistema a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), com apoio financeiro do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café (CBP&D/Café), da Embrapa Café.

Conforme Soares, há demanda crescente por tecnologias que promovam o uso racional da água residuária do café por causa das restrições impostas, em 2005, pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). “Além de ser ilegal, jogar água residuária em cursos d?água, sem tratamento, contraria os princípios de sustentabilidade da cafeicultura moderna”, diz.

SEPARAÇÃO

Após a colheita, os frutos são lavados e faz-se a separação dos bóias dos verdes e cerejas. Depois, o café passa pelo descascador, onde os cerejas são descascados e separados dos verdes, e obtém-se o cereja descascado e a casca. A água é o elemento condutor dos frutos. “Como descartá-la em córregos e rios é proibido, além de ser um desperdício, reaproveitá-la é a melhor opção”, diz Soares. Segundo o pesquisador, o gasto médio estimado na atividade é de 3 a 5 litros de água por litro de fruto de café.

No sistema, instalam-se dois recipientes interligados, onde a água da lavagem passa, primeiro, pelo tanque de decantação, quando as impurezas sólidas são separadas por gravidade. No segundo recipiente, a água é filtrada e pode então ser reaproveitada, por meio de bombeamento de volta à lavagem de grãos, ou para adubar a lavoura. O reuso da água reduz o consumo em até dez vezes.

“Quanto maior for a criatividade do produtor, menos ele gastará. A tela plástica ou um filtro improvisado de palha, por exemplo, substituem um filtro mecânico pressurizado, que custa até R$ 8 mil”, diz.

A pesquisa também comprovou a viabilidade de reutilizar a água residuária decantada e filtrada como adubo, não só em lavouras de café, mas em aveia, alface, feijão e milho.

“Aplicada no solo ou nas folhas, em doses variadas e em condições ambientais diversas, não houve problema”, garante, destacando que há um “mito” de que essa água usada como adubo queima as plantas. “É uma água rica em nitrogênio, fósforo, potássio, magnésio, cálcio e micronutrientes e, como qualquer adubo, não pode ser aplicada em excesso”, diz o pesquisador.

“A sugestão é que se aplique uma dose de água residuária que não produza corrimento superficial, e que se faça o monitoramento por meio de análises de solo e de plantas.”

Informações sobre o sistema estão na circular técnica Água residuária do café: geração e aproveitamento, que pode ser acessada no site www.epamig.br, link Artigos Técnicos.
INFORMAÇÕES: Embrapa Café, tel. (0–61) 3448-4378

 

 


Leia na fonte

COMISSÃO FORMADA PELA BRACELPA VAI DEFINIR REGRAS PARA RECICLAGEM

São Paulo – Após muita polêmica e expansão desenfreada do marketing do reciclado entre as empresas, o que acabou gerando uma demanda além das expectativas, o setor resolveu se organizar. Uma comissão formada por fabricantes e usuários, com ajuda da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), em um total de mais de 150 participantes, vai definir melhor as regras para o produto reciclado, incluindo quantidades de fibras a serem utilizadas e a sanidade do papel. “Queremos desfazer as confusões e criar regulamentações para este mercado”, disse o diretor de assuntos setoriais da Associação Brasileira dos Produtores de Papel e Celulose (Bracelpa), Francisco Saliba. Há pouco mais de sete anos, o Banco Real iniciou o movimento adotando o papel reciclado em todas as suas comunicações com os clientes. Há três anos foi seguido por outras duas instituições financeiras de peso, o Banco Itaú e o Bradesco. A complicação, porém, começou mesmo em 2007 quando um Projeto de Lei começou a tramitar no Congresso Nacional, para estabelecer a obrigatoriedade do uso de papel reciclado em 30% dos impressos oficiais. “Quem fez isso não se preocupou em saber se haveria disponibilidade ou não do produto no mercado”, afirma o presidente do Conselho Diretivo da Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG), Silvio Roberto Isola. Segundo ele, nem mesmo os tradicionais fornecedores teriam condições de atender a este aumento artificial de demanda. Além disso, cada um queria especificar o quanto de fibras usadas deveria conter o papel reciclado. “Cada um tinha uma receita própria”, diz Saliba. Atualmente, o Brasil recicla 3,6 milhões de toneladas de papel por ano, cerca de 45% do consumido no mercado nacional. Mas 67% disso vai para o mercado chamado “marrom”, ou seja, é usado no miolo do papelão ondulado. Dos 3,6 milhões, apenas 100 mil toneladas se destinam ao mercado de imprimir e escrever. O restante é direcionado ao mercado de papeis sanitários, que utiliza em 70% de sua produção fibras recicladas. “É preciso que se entenda que a reciclagem de papel, diferente de outros materiais, não é feita integralmente, porque as fibras se degradam”, afirma Saliba. Assim, é preciso que se inclua fibras novas sempre, para manter a resistência. O aumento desenfreado de demanda elevou em 30% o preço do reciclado no último ano. O que já levou até mesmo empresas que levantaram a bandeira deste tipo de papel, como o próprio Banco Real e a Natura, a rever sua postura. Em comunicado oficial, o banco informou usará tanto certificado reciclado quanto certificado branco, o que tiver mais disponível no mercado, na melhor condição econômico-financeira. Já a Natura trocou, em agosto, o papel reciclado pelo cuchê em seu catálogo, após testes baseados na Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), que analisou a cadeia da produção da publicação com os dois tipos de papel. Além disso, o cuchê usado tem certificado do Forest Stewardship Council (FSC), organização internacional não-governamental que define critérios de certificação florestal e de cadeia de custódia em toda a produção do papel – que começa com o plantio da árvore até a impressão. Nos últimos meses, o que se vê é um movimento dos maiores fabricantes como Suzano Papel e Celulose e International Paper no lançamento de papéis ecologicamente corretos. “Toda nossa linha já é certificada pelo FSC, uma exigência crescente não apenas no Brasil como no mundo inteiro”, explica Carlos Anibal Almeida, diretor executivo da unidade de negócios papel da Suzano. Segundo ele, o fato de ser um papel proveniente de florestas manejadas confere ao produto nacional um diferencial no mercado externo. “Mas o reciclado é muito importante porque existe 15 mil toneladas de lixo por dia só em São Paulo, o equivalente a um Estádio do Morumbi inteiro”, diz Isola. “Hoje 380 mil pessoas vivem do lixo no Brasil e isso não pode ser esquecido”, completa. (Fonte: Gazeta Mercantil – Pág C7 – 01.10.08)

 

 

 


Leia na fonte

Quinta-feira, 2 outubro de 2008

Colapso do lixo atinge 67 cidades de São Paulo

Nove terão de fechar os aterros; prefeitos alegam ‘perseguição’

Diego Zanchetta

A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) desencadeou ontem uma ação para interditar os aterros de 67 municípios de São Paulo, dos quais 9 começaram a ser notificados na semana passada. A medida atinge 1,1 milhão de pessoas. São lixões que funcionam sob as mesmas condições desde os anos 80, com toneladas de resíduos empilhadas de forma precária, próximas de rios e de áreas residenciais, a maior parte sem coleta seletiva ou reciclagem, segundo o governo estadual. Sem as correções exigidas há quase um ano, esse locais ameaçam contaminar com chorume áreas de mananciais como a Represa Billings, usada para abastecer 15% da Grande São Paulo, os lençóis freáticos do Vale do Ribeira e áreas de preservação permanente no litoral e no oeste do Estado.

A intervenção da Cetesb foi antecedida de uma reclassificação sobre as condições dos aterros em 137 cidades, feita em setembro e obtida com exclusividade pelo Estado. O levantamento mostra que 78 municípios (57%) foram considerados “inadequados” pelo Índice de Qualidade de Resíduos (IQR). Desses, 67 têm aterros em situação considerada “crítica”, que precisam ser fechados. A reportagem teve acesso aos nomes de cinco das nove prefeituras que serão alvo de intervenções nas próximas semanas: Araçariguama, Cruzeiro, Embu-Guaçu, Itapetininga (já notificada pela Cetesb) e Presidente Prudente.

Os prefeitos com aterros multados ou prestes a serem interditados reclamam de “perseguição” do governo e argumentam que a ação da Cetesb favorece os 21 aterros particulares em funcionamento no Estado. O governo rebate e diz ter repassado R$ 8 milhões a 70 municípios, somente neste ano, para melhorias em lixões.

Outros 55 municípios com aterros “inadequados” em 2007 melhoraram a classificação – estão entre “adequados” e “controlados”. Para isso, realizaram melhorias como a adoção de reciclagem e de novas estações de transbordo. O número de aterros em condições ruins, contudo, pode ser maior, uma vez que os 508 municípios que obtiveram IQR superior a 6 em 2007 não foram reavaliados no mês passado. Ao todo, São Paulo contava com 332 aterros classificados como “adequados” em novembro – 51,8% das 645 cidades paulistas.

Em junho, uma reclassificação parcial dos aterros já resultara no fechamento dos lixões de Itapecerica da Serra, Araras, Itanhaém e Mongaguá. Três meses após a intervenção, os aterros seguem lacrados. Araras, por exemplo, passou a enviar o lixo para um aterro particular em Paulínia, a 120 km de distância. Itanhaém despeja os resíduos em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo.

Em novembro do ano passado, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SMA) exigiu melhorias em 137 cidades com IQR “inadequado”. Na primeira classificação, em 1997, eram 143 municípios que não atendiam a parâmetros como distância de mananciais e coleta de chorume. “Quase um ano depois, temos 67 cidades que não fizeram nada para melhorar as condições dos (seus) aterros. A coleta seletiva, que reduz a massa de lixo nos aterros, continua incipiente na maior parte dos municípios pequenos”, diz o secretário do Meio Ambiente, Francisco Graziano. “O paulista, que produzia em média 200 gramas de lixo por dia na década de 90, produz mais de 800 gramas hoje. Muitos aterros ficaram pequenos.”

 

 

 


Leia na fonte

Quinta-Feira, 02 de Outubro de 2008

Lixo de 300 cidades pode produzir 15% da energia do País

Usinas termelétricas usam resíduos como matéria-prima; empresas ajustam aterros para poder obter eletricidade

Eduardo Reina

O lixo das 300 maiores cidades brasileiras pode servir para a produção de 15% da energia elétrica consumida no País, segundo revela o Plano Decenal de Produção de Energia 2008/2017 do Ministério de Minas e Energia. O cálculo é feito sobre todo o lixo recolhido nesses locais, que pode ser transformado em energia em usinas termelétricas. De olho nesse novo nicho de mercado, as empresas que atuam nas áreas de resíduos, saneamento e limpeza pública começam a projetar a construção de novos aterros.

As companhias se espelham em determinação da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), ligada ao governo estadual, que só aceita funcionamento de antigos lixões quando transformados em aterros controlados, com cobertura dos detritos com terra. Entretanto, novas licenças são dadas apenas para centros de tratamento, que têm controle sobre a produção de chorume e de gás.

Um executivo de uma companhia que atua no Estado admitiu que “não interessa mais” operar na limpeza pública, “mas trabalhar com aterros”, para aproveitar a onda verde da energia do biogás. São Paulo tem hoje 21 aterros particulares. Há dois pedidos de licenciamento em tramitação no Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema).

A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) diz que em 1997 havia apenas dois aterros privados no Estado. Em 2007, já eram 21, além de três para resíduos industriais. “Hoje 70% dos resíduos domiciliares de São Paulo são depositados em aterros privados. A capital responde por 50%. São 95 municípios que usam equipamentos privados. As prefeituras preferem esses aterros pela qualidade ambiental e dos serviços e pelo maior gerenciamento”, afirma o presidente, Diogenes Del Bel.

Os dois aterros da capital estão com a capacidade esgotada. O São João, na zona leste, ainda receberá detritos até março de 2009 – depois será fechado. O contrato de 20 anos e R$ 10 bilhões no Município, assinado em 2004, prevê a construção de novos equipamentos. A atual gestão renegociou os contratos e prorrogou prazo para a criação de outros aterros. Enquanto isso, as 15 mil toneladas de lixo produzidas pelos paulistanos vão para a central de resíduos Essencis, em Caieiras. A EcoUrbis, que administra o aterro São João, aguarda liberação da licença de funcionamento de área em São Mateus, no limite com Mauá, para instalar outro equipamento.

As empresas projetam a possibilidade de os aterros particulares atenderem a vários municípios de uma mesma região. “O raio de atendimento, com custo competitivo, é de até 70 quilômetros”, afirma Luciano Amaral, presidente da Vega Engenharia Ambiental, sócio do Essencis, que faz limpeza pública em parte da capital. Em Porto Alegre, essa teoria já entrou em prática: um centro de tratamento de resíduos atende cidades localizadas num raio de 140 quilômetros.

 

 

 


Leia na fonte

Governo quer licitar oito hidrelétricas em 2009

Folha de S. Paulo
2/10/2008

O governo vai leiloar no ano que vem concessões para a construção de ao menos oito usinas hidrelétricas, incluindo a de Belo Monte, no Pará, segundo o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann.

Devem ser licitadas as usinas de Barra do Pomba e Cambuci, no RJ, e cinco hídricas na Bacia do Parnaíba, além de Belo Monte, com capacidade prevista de 11.182 megawatts.
Em 2008, o governo licitou apenas Baixo do Iguaçu, no Paraná, e Jirau, no rio Madeira.

O secretário informou que vai começar a conversar com associações de geradores, distribuidores e transmissores de energia sobre a renovação da concessão de licenças que vencem a partir de 2015. As opções do governo são a renovação automática ou fazer novas licitações para as atuais concessões.

 

 

 


Leia na fonte

GAZETA MERCANTIL – SP

02/10/2008

Etanol vence resistência de colombianos

A tecnologia do etanol brasileiro despertou o interesse de empresários colombianos. De acordo com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), o potencial de negócios conseguiu superar a resistência dos empresários da Colômbia em relação à expansão do plantio da cana-de-açúcar e das usinas em detrimento da produção de alimentos.

Os resultados da rodada de negócios promovida no evento Brasil Tecnológico realizado na Colômbia deixaram evidentes que o crescimento da participação do etanol nas operações comerciais entre os dois países.

Durante o encontro, foram fechados negócios estimados em US$ 21,2 milhões. Deste total, o setor de etanol representou US$ 10,5 milhões. Os setores elétrico e eletrônico apresentaram o segundo melhor desempenho no encontro empresarial realizado na semana passada na Colômbia, com volume de vendas previsto em US$ 3,92 milhões, seguido do segmento de máquinas e equipamentos, representados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), com vendas estimadas em US$ 1,5 milhão.

A corrente de comércio entre Brasil e Colômbia este ano, até agosto, somou cerca de US$ 2 bilhões, dos quais R$ 1,5 bilhão são referentes às vendas brasileiras para aquele país, e US$ 572 milhões são de vendas da Colômbia aos brasileiros.

Participaram do evento 58 empresas brasileiras de grande, médio e pequeno porte, enquanto que 214 empresas colombianas compareceram à rodada de negócios.

Internacionalização

A abertura de oportunidades no exterior pode ser melhor aproveitada com suporte técnico, na avaliação de empresários que participaram dos encontros. “A Apex vem abrindo centros de negócios no mundo em uma tentativa de internacionalizar as empresas brasileiras”, disse Wagner Mazzolli, gerente de negócios da divisão internacional da Baumer, fabricante de implantes ortopédicos de São Paulo (SP). As exportações da empresa correspondem a 21% da receita anual, estimada em R$ 60 milhões. A expectativa do executivo é de triplicar esta receita com vendas externas até 2012.

Pequenas e médias

A participação de pequenas e médias empresas na pauta de exportações tem crescido, segundo dados da Apex-Brasil. As vendas externas de produtos com maior valor agregado de médias e pequenas empresas respondem por 8% a 9% do total exportado pelo País ao ano.

Mazolli criticou o fato de Brasil de não fazer acordos bilaterais, por exemplo, com os Estados Unidos, para ter acesso ao mercado livre de tarifas de exportação, e a falta de crédito para os pequenos e médios exportadores, situação que se agrava com crise internacional.

Para o gerente de projeto do Arranjo Produtivo Local do Álcool (Apla), de Piracicaba (SP), Flavio Castelar, o evento tem potencial de gerar mais negócios no médio e longo prazo, na tecnologia de etanol, pois no primeiro momento, o evento é para melhorar o relacionamento entre os empresários.

“Temos chances de fazer grandes negócios por aqui”, avaliou. Sobre o impacto da produção de etanol na alimentação, Castelar disse que a produção de cana-de-açúcar não atrapalha a oferta de alimentos no Brasil, porque a matéria-prima vem sendo cultivada em áreas de pastagens de gado e a produção de cana-de-açúcar ocupa apenas 3% do território brasileiro, dos quais 2,2% do total é destinada à produção de açúcar, que é um alimento. Segundo ele, o Brasil cultiva hoje 7,8 milhões de hectares de cana-de-açúcar.

O gerente de gestão e planejamento da Apex, Jackson De Toni, assegura que é “mais vantajoso” para o Brasil é fechar acordos com blocos de países na América Latina, América do Norte, Ásia, África do Sul e Oriente Médio, para diversificar a pauta de exportação brasileira.

O diretor de negócios da agência, Mauricio Borges, disse que o governo acertou em ter adotado, há quatros anos, a estratégia de diversificar a pauta de exportação brasileira para países fora dos Estados Unidos e União Européia, em uma tentativa de reduzir a dependência dos Estados Unidos e Europa, onde a crise financeira tem se agravado nos últimos dias.
(Gazeta Mercantil/Caderno A – Pág. 6)(Viviane Monteiro)

 

 

 


Leia na fonte

02/10/2008

País precisará importar óleo para termelétricas

As usinas térmicas contratadas nos dois últimos leilões de energia nova (A-5 e A-3) realizados pelo governo federal, que somam 4800 megawatts (MW) de potência, serão abastecidas com óleo importado. O combustível é considerado o mais caro para a geração elétrica e irá elevar a dependência do Brasil pelo produto adquirido fora do País.

As usinas térmicas contratadas nos dois últimos leilões de energia nova (A-5 e A-3) realizados pelo governo federal, que somam 4800 megawatts (MW) de potência, serão abastecidas com óleo importado. O combustível é considerado o mais caro para a geração elétrica e irá elevar a dependência do Brasil pelo produto adquirido fora do País. “O volume de óleo que será demandado por essas usinas é equivalente a 34 milhões de metros cúbicos de gás natural, ou seja, mais que a quantidade que importamos de gás da Bolívia”, calcula Marco Tavares, sócio da consultoria Gás Energy. “Vamos depender da importação de óleo do mesmo jeito que dependemos da importação de gás boliviano”, acrescenta, ressaltando os perigos de cortes no fornecimento.

O especialista diz ainda que nenhuma petroleira internacional, tampouco a Petrobras, aceitou ofertar tamanho volume de óleo combustível, que é equivalente a metade do total que o Brasil exporta atualmente. “A nova demanda, que será gerada por estas térmicas, é equivalente ao volume que toda a indústria nacional consome hoje de óleo”, compara Tavares.
No leilão A-5, realizado dia 30 de setembro, dos 24 produtos vendidos, 17 foram térmicas movida a óleo. A média do preço do arremate destes empreendimentos foi de R$ 145,23 por megawatt-hora (MWh). A única hidrelétrica participante do certame também teve seus megawatts-hora contratados, mas por R$ 98,98, ou seja, valor 46% abaixo do custo da geração a óleo.

Somado ao resultado do leilão anterior, o A-3, realizado em 17 de setembro, segundo a Gás Energy, a oferta das térmicas a óleo combustível importado será equivalente à hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira. “O Brasil está piorando muito a sua matriz energética, nenhum País investe em geração térmica a óleo. Estamos na contramão do mundo”, acrescenta.

Além disso, o consultor explica que o preço de arremate das térmicas nos leilões (de R$ 140 o MWh, em média) é apenas uma simulação de valor, já que o seu custo dependerá do período em que essas usinas ficarão ligadas. Tavares diz que, se em 2013, ano do início do fornecimento destas usinas, acontecer o mesmo que ocorreu no início deste ano – poucas chuvas e térmicas a óleo ligadas durante todo o primeiro semestre, o que gerou um custo de R$ 1,5 bilhão – o montante do valor do despacho será muito mais pesado ao consumidor. “O custo efetivo desta geração pode ser um buraco negro na conta de luz”, diz o executivo.

O valor da geração das térmicas é rateado entre todas as distribuidoras de energia, que repassam o custo aos consumidores da sua área de concessão, via cobertura tarifária pelo encargo setorial denominado Encargo de Serviços do Sistema (ESS) – que tem como atribuição garantir a segurança energética.

Novo modelo de leilão

A Gás Energy critica o atual modelo dos leilões de energia nova e defende a adoção de um novo modelo de leilões específicos para cada uma das fontes (gás, carvão, eólica, biomassa, hidrelétrica, nuclear). “Não dá pra colocar para competir gás com carvão e óleo. É preciso realizar leilões específicos”, afirma Tavares.
Para ele, a fórmula do “leilão não está correta”. “O Brasil precisa definir quanto quer de cada fonte em sua matriz e ir equilibrando com os leilões específicos”, defende.

FONTE: Gazeta Mercantil

 

 


Leia na fonte

03/10/2008 – 14h23

Cosan investe R$ 368 milhões em expansão de usina em SP

da Folha Online

O grupo Cosan anunciou nesta sexta-feira a expansão da Usina Gasa, em Andradina (interior de São Paulo), a um custo de R$ 368 milhões até 2010.

Segundo o grupo, a usina terá a capacidade de moagem de cana-de-açúcar triplicada e incorporará uma unidade termoelétrica, reforçando a posição da companhia como maior produtora de energia do mundo, a partir do bagaço e da palha da cana-de-açúcar.

“A ampliação da Usina da Gasa reforça a liderança e pioneirismo da Cosan no setor sucroalcooleiro e permite ao grupo, por meio da unidade termoelétrica, novas oportunidades de negócios com a venda de energia limpa e renovável produzida a partir da biomassa da cana”, afirmou o presidente da companhia, Rubens Ometto Silveira Mello.

Para a safra 2008/2009 a capacidade de moagem anual passará de 1,2 milhão de toneladas de cana-de-açúcar para 2,7 milhões de toneladas. A produção de álcool passará de 58,6 milhões para 200,7 milhões de litros/safra.

Na fase final de implantação do projeto, prevista para 2010, a usina chegará a capacidade de moagem anual de 3,8 milhões de toneladas e com uma produção de 292,6 milhões de litros de álcool.
Para a instalação da unidade termoelétrica, a empresa informou que adquiriu duas novas caldeiras de alta pressão, de 67 bars e 200 ton/h, que ampliam a capacidade atual de produção de energia da usina, elevando a potência instalada de 4 para 44 MW nesta safra.

Em 2010, a usina alcançará a produção de 78 MW, o que representa um volume total de 250 mil MWh de energia limpa e renovável. A energia gerada será o equivalente a iluminação de uma cidade com cerca de 140 mil residências ou, aproximadamente, 500 mil habitantes.

 

 


Leia na fonte

sexta-feira, 3 de outubro de 2008, 09:00

Prefeitos rejeitam avaliação da Cetesb sobre lixões

Municípios reprovados ameaçam ir à Justiça para manter aterros em funcionamento

Diego Zanchetta, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – Um dia após a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) iniciar a notificação de 67 cidades com lixões em situação crítica, prefeitos já começaram a entrar com mandados de segurança contra a ofensiva do Estado. Prefeituras de Araçariguama, Cravinhos, Cananéia, Embu-Guaçu, Presidente Prudente, São Miguel Arcanjo e Ubatuba contestam a reclassificação feita em setembro nos aterros de 137 municípios.

O levantamento, divulgado na quinta-feira pelo Estado, mostrou que 78 municípios – 57% dos analisados – mantêm aterros “inadequados” para o Índice de Qualidade de Resíduos (IQR). Até novembro, 67 devem ser interditados. As cidades acionadas estão entre as 137 que não fizeram melhorias nos aterros nos últimos dez meses – outros 55 municípios com aterros “inadequados” em 2007 melhoraram a classificação.

Para José Carlos dos Santos (PSDB), prefeito de Cravinhos, cujo aterro teve classificação 3,6 (inadequado), a Cetesb errou. “Fizemos diversas melhorias, a classificação é de 6,4 (controlado) pela agência da Cetesb de Ribeirão Preto.” A cidade não tem coleta seletiva, um dos fatores analisados. “Não faz diferença, o lixo orgânico continua não sendo separado. Tratar lixo é coisa de cidade grande. Aqui, dez servidores municipais fazem a coleta.”

A prefeitura de Cananéia, com aterro inadequado (3,6), também estuda medida judicial. São Miguel Arcanjo, com nota 4,9 para o aterro, também argumenta ter realizado melhorias, como a coleta seletiva. A prefeitura de Ubatuba contesta o parecer da Cetesb, de 8 de setembro, que exige a interdição do aterro. A exceção foi Cosmópolis, que fez uma auto-interdição no aterro, com nota 2,7. Os resíduos passam a ser enviados para um aterro de Paulínia, a 40 quilômetros.

Em Presidente Prudente, a prefeitura informou que vai recorrer na Justiça. A cidade tem um dos piores aterros (2,7). “O mais próximo fica em Bauru, a 300 km, e não vão aceitar nosso lixo. Se o lixão for interditado, o lixo vai ficar na porta dos moradores”, disse Fernando Luizari, secretário de Meio Ambiente da cidade.

A própria Cetesb teme que o vazamento da ação contra os aterros irregulares invalide juridicamente as interdições. Nove cidades, entre elas Araçariguama, Cruzeiro, Embu-Guaçu e Presidente Prudente, devem receber até o fim da próxima semana autos de interdição. O município de Itapetininga já foi notificado.

“A operação obedecerá os trâmites exigidos para esse tipo de interdição e há um tempo para o município se manifestar”, diz o diretor de Controle de Poluição da Cetesb, Marcelo Milanelli. Segundo ele, outras 7 cidades serão cobradas pela não-execução de Termos de Ajustamento de Conduta, 41 autuadas com multas e 10 passarão por nova vistoria.

 

 

 


Leia na fonte

Sexta-Feira, 03 de Outubro de 2008

Aterro privado aliviaria Ribeira

Litoral sul também se beneficiaria de nova área para lixo

Rejane Lima, SANTOS

Estrategicamente escolhida no eixo central do Vale do Ribeira, uma área de 550 hectares em Juquiá deverá trazer a solução para os lixões inadequados da região e do litoral sul. A Patercon Construções e Serviços Ltda investe R$ 2 milhões na instalação de um aterro sanitário entre os km 9 e 11 da SP-165. O Relatório Ambiental Preliminar (RAP) foi enviado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente e a expectativa é de que o aterro entre em funcionamento na metade de 2009.

A análise, porém, não tem data para ser concluída. “Fizemos um RAP muito bom, que é quase um EIA (Estudo de Impacto Ambiental)”, disse o engenheiro José Neves Junior, da Experts Engenharia Legal e Ambiental, consultoria contratada pela Patercon.

De acordo com Neves, a Patercon, sediada em São Vicente, já atua na área ambiental e é proprietária do aterro do Guarujá. “A empreendedora vai utilizar 25 hectares, deixando uma área grande para preservação que terá um viveiro de plantas e uma escolinha de educação ambiental”, disse.

O engenheiro acredita que a única solução viável para resolver o problema do lixo no Vale do Ribeira é um aterro regional e o fato do empreendimento ser privado encerra as disputas políticas. “Essa é uma região ambientalmente muito complicada, com parques estaduais e APAs (Áreas de Proteção Ambiental) e a área foi escolhida estrategicamente pela empresa por estar no eixo da região”, explicou. Segundo Neves, o lençol freático da área fica há 10 metros de profundidade, quando o mínimo exigido é de 3 metros, e a vida útil do aterro deve variar entre 25 e 30 anos.

“O maior ganho ambiental do aterro são os encerramentos dos lixões dos municípios, pois o aterro tem toda proteção. É tecnologia de primeiro mundo”, garante Neves, ressaltando que a localização o torna apto perfeitamente para receber resíduos produzidos em Peruíbe, Mongaguá e Itanhaém.

 

 

 


Leia na fonte

Sexta-Feira, 03 de Outubro de 2008

Governo estuda incinerar lixo

Resíduos serviriam para produção de energia e vapor

Rejane Lima, SANTOS
Um grupo de trabalho da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SMA) aponto um “indicativo de viabilidade”, no mês passado, para o uso de incineradores na transformação do lixo em energia. Aplicado em países como Alemanha, Holanda, Portugal e Suécia, o método é questionado por ambientalistas na Europa há duas décadas. No Brasil, onde a coleta seletiva ainda é restrita, ambientalistas dizem que a queima de plásticos e metais pesados poderia contaminar o ar.

Flávia Bandeira de Mello, supervisora de Projetos Especiais da SMA, entretanto, disse que a pasta agora vai realizar estudos de implantação de incinerador. “Em Santos, por exemplo, a produção de energia e vapor com o lixo poderia ser vendida ao pólo industrial de Cubatão. Em São Bernardo do Campo, a produção com o uso do incinerador poderia ser absorvida pelo pólo petroquímico de Mauá”, explicou. “Em Ilhabela, a energia poderia ser comercializada com a Petrobrás. O lixo precisa ser visto como algo que pode se tornar lucrativo para as prefeituras”, acrescentou.

Para a supervisora, existem poucas áreas hoje para colocar as 28 mil toneladas diárias de resíduos produzidas no Estado. “Por isso temos de trabalhar na prevenção, reduzindo ao máximo a massa de lixo que vai para os aterros.” Mello também defende aterros regionais como solução para a falta de espaço.

Em países como a Holanda, 30% do lixo produzido é transformado em energia. “Mas no Brasil o lixo não é limpo. Imagine em São Paulo, com menos de 2% de coleta seletiva, o que não entraria no incinerador?”, questiona o biólogo e ambientalista Renato Ângelo Fercundini. “E mesmo na Europa diversas entidades de ativistas questionam o incinerador. Transformar o lixo em um negócio é arriscado. Substâncias como cádmio (componente da pilha) podem contaminar o ar com metais pesados caso sejam queimadas”, diz o biólogo.

.