Arquivo de outubro, 2008

Mudança a passos lentos

23/10/08

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Quinta-feira, 4 setembro de 2008

O desenvolvimento sustentável está no discurso de empresas, mas, no dia-a-dia, agir desse modo ainda é desafio

Giovana Girardi

A palavra está na boca do empresário, do banqueiro, do distribuidor de combustível. Está registrada em alimentos, cosméticos, propaganda dos mais diversos produtos e em mais de 4 milhões de páginas na internet. Sustentabilidade. O consumidor tem ficado atento e quer produtos que tenham essa “marca”, enquanto as empresas já notaram que podem aumentar seu valor de mercado com isso. Mas será que a palavra, e o conceito que ela carrega, são bem compreendidos? E, mais do que isso, o que de fato é atitude concreta e o que é apenas marketing para ficar bem diante do mercado consumidor?

Nas últimas semanas, essas perguntas foram levadas pelo Estado a especialistas do mercado financeiro, de empresas e de instituições que estudam o tema e prestam consultoria sobre ele. A resposta em todos os casos foi quase sempre a mesma: é um movimento que vem ganhando espaço no País entre o empresariado e o mercado financeiro, mas que só é bem compreendido por alguns poucos que se aprofundaram na questão.

Os especialistas acreditam que esse entendimento aos poucos está crescendo, mas afirmam que predominam ou projetos pouco impactantes ou uma noção puramente marqueteira (mais informações na próxima página) ou, ainda, a idéia de que se trata de um mal necessário.

A definição mais simples do conceito diz que, para uma ação ser considerada sustentável, ela tem de se basear no tripé “economicamente viável, socialmente justa e ecologicamente correta”. Na prática, no entanto, isso depende de uma reestruturação completa do sistema produtivo e de uma incorporação da mudança no centro do negócio.

“A produção de um produto sempre gera algum impacto social, ambiental e econômico. É sustentável quando esses impactos são benéficos para a sociedade e são equilibrados. Uma empresa estará promovendo a sustentabilidade quando produzir retorno para todos. Se for apenas para o acionista e não para as outras partes que são afetadas pelo seu negócio, então não funciona de maneira sustentável”, explica o diretor-executivo do Instituto Ethos, Paulo Itacarambi.

Ele afirma que observar esse comportamento pode ser um caminho para o consumidor separar o joio do trigo. “Consideramos que uma atitude é para valer quando o tema entra na orientação de negócio e a empresa dá os passos para mudar seus processos produtivo, de gestão e de comercialização. É para valer quando deixa de ser uma preocupação paralela ao negócio e entra no seu núcleo, no ponto que dá resultado financeiro para a empresa.”

“É quando, nas tomadas de decisão, a empresa passa a olhar para outras variáveis além da econômica. Aborda também as questões sociais e ambientais”, complementa a diretora-executiva da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), Clarissa Lins.

O diretor do Ethos cita como exemplo algumas ações que podem ser tomadas pelo setor financeiro. “Quando um banco coloca como critérios para conceder um financiamento a análise do comportamento socioambiental de seu cliente, então é para valer. Porque está entrando no principal negócio do banco, e força a mudança de comportamento de quem está pedindo o financiamento. Do contrário, é cosmética.”

INDICADORES

Segundo o coordenador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas, Mario Monzoni, não existe empresa sustentável. “Há, sim, um conjunto de critérios e indicadores, com razoável consenso, que pode servir de ‘régua’ para medir e avaliar se uma empresa adota estratégias e práticas que garantam a remuneração do capital ao mesmo tempo em que contribuem para a promoção do desenvolvimento sustentável”, diz Monzoni. “Essa ‘régua’ contempla critérios que podem incluir políticas, instrumentos de gestão e desempenho econômico, social e ambiental; transparência e qualidade da prestação de contas de todos os seus impactos na sociedade e no meio ambiente; eqüidade entre acionistas ou proprietários; e até a natureza de seus produtos.”

Ele se refere a uma série de critérios e indicadores que balizam o comportamento das empresas, como os questionários dos índices de sustentabilidade de bolsas de valores. A Bovespa, por exemplo, lista as companhias que obtêm as melhores notas em questionários sobre suas práticas socioambientais e de governança. Levantamento do Ibmec São Paulo observou que empresas incluídas nesse índice têm um valor de mercado até 19% maior do que aquelas que não estão atentas à questão.

Propósito semelhante têm os Indicadores Ethos, que funcionam como uma espécie de “fotografia” das práticas da empresa. “Eles medem o que a empresa faz de concreto para ter uma boa gestão. A idéia é que ela possa fazer uma leitura de suas relações com os vários atores que são afetados pelo seu negócio e, a partir daí, tenha como produzir metas”, explica Itacarambi.

Estar no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da Bovespa, ou ter uma boa pontuação no Ethos ou ainda fazer relatórios de sustentabilidade dentro de um padrão de qualidade não garante, no entanto, que a empresa esteja fazendo tudo certo, explicam os especialistas. É só um caminho.

Por um modelo que estenda benefícios

23/10/08

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Quinta-Feira, 04 de Setembro de 2008

Israel Klabin*

Nos últimos 50 anos, a consolidação da informatização e da globalização e o surgimento de novas tecnologias aceleraram a história, provocando um aumento das dinâmicas sociais, econômicas e ambientais. Essa gigantesca aceleração na história, comparada às mudanças relativamente lentas que ocorreram nos últimos 2.000 anos, nos obriga a enfrentar um questionamento e um desafio com relação à sustentabilidade de nosso modo de vida.

Dois parâmetros são relevantes e necessitam de soluções urgentes: a realidade do aquecimento climático da Terra, tendo em vista os efeitos globais, e o uso extensivo de recursos naturais finitos do planeta. O pensamento prospectivo nos obriga a replanejar a matriz energética, o conceito e os mecanismos hoje usados para o desenvolvimento e o próprio modelo de governança democrática, que nos parece incapacitado para implementar em tempo útil aquilo que a humanidade precisa com rapidez.

A idéia de mudar radicalmente o nosso modo de viver não é fácil de ser implementada. No percurso da história, somente as grandes catástrofes e as grandes guerras reinventaram as relações socioeconômicas das nações e dos homens. No entanto, já podemos ver hoje alguns vetores dessa mudança, como os altos preços do petróleo e de seus derivados.

As expectativas de crescimento apontam que a economia mundial deve dobrar e a população, saltar dos atuais 6,5 bilhões de pessoas para mais de 8,2 bilhões em 2030. A demanda de energia primária deve ser 62% maior no mesmo ano, em comparação com a de 2005. Imaginemos os efeitos disso.

Se continuarmos a viver dentro deste modelo insustentável de consumo dos recursos naturais, teremos crises urbanas oriundas das migrações internas e, como conseqüência, a formação de aglomerados residenciais de baixa renda e bolsões de pobreza. A crescente demanda por energia e serviços vai acabar tornando as cidades inviáveis. Os modelos atuais de produção agrícola e o uso extensivo de produtos químicos muito provavelmente provocarão uma aceleração na perda de espécies fundamentais para o equilíbrio da vida.

A questão energética é, portanto, prioritária na agenda da sustentabilidade. Em 2006, os 12 países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) mais a Rússia representavam 82% das reservas de petróleo conhecidas, e consumiam apenas 12% do petróleo produzido no planeta.

Por outro lado, os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE ) - juntamente com a China, Índia e Brasil - tinham 8% das reservas, consumindo 71% de toda produção. Em 2007, os consumidores pagaram cerca de US$ 5 bilhões a mais por dia pelo petróleo cru do que nos cinco anos anteriores. Somente em 2007, US$ 5 trilhões foram transferidos dos países consumidores para os países produtores de petróleo.

Neste contexto, a segurança energética deverá ser redefinida, pois a situação atual é insustentável. Apresentam-se duas soluções possíveis, uma por meio de guerras, como vimos no passado, e outra por meio da urgente modificação da matriz energética a ser substituída por energias renováveis limpas.

A humanidade está caminhando entre a necessidade de aumentar a disponibilidade de energia e a degradação de vários aspectos de sustentabilidade da vida. É necessário reduzir rapidamente o uso de fontes fósseis de energia. A prioridade imediata para minimizar os efeitos do aquecimento global está na eficiência energética. Isso também significa uma mudança no modo de vida, pois teremos de nos disciplinar para racionalizar e dar maior eficiência ao uso da energia disponível. Este seria o preço mínimo que a humanidade deveria pagar imediatamente, sobretudo os Estados Unidos, a China e os demais países desenvolvidos.

Dentro do modelo de desenvolvimento econômico estabelecido, baseado no aumento permanente de consumo, devemos esbarrar no esgotamento dos recursos naturais. A criação de um novo modelo implica fundamentalmente no inventário dos recursos naturais disponíveis, na racionalização do seu uso, prevendo ainda processos de reciclagem e mudança nos padrões de bens de uso coletivo como transporte urbano, iluminação, aquecimento e uso industrial da energia.

Por fim, é preciso modificar os modelos de governança democrática. Todos os que já foram estabelecidos e testados provaram que não funcionam adequadamente, pois colidem com os limites necessários da sustentabilidade ambiental, bem como na expectativa de participação nos bens de consumo do planeta pelas populações dos países emergentes.

Sem que cada um de nós adote um comportamento ambientalmente responsável, economicamente justo e socialmente ético, ficaremos ainda mais distantes de alcançar o tão almejado desenvolvimento sustentável.

A consciência da insustentabilidade do modelo econômico, socioambiental e de governança atual nos obriga a criar novos paradigmas. E o processo de evolução passa necessariamente pelas responsabilidades globais de governos e empresas, mas também, e talvez principalmente, por uma reeducação na forma de viver.

É urgente a criação de uma nova ética de inclusão social, que preveja segurança energética, acesso aos alimentos, à água, à habitação e, sobretudo, à educação. Um novo modelo de desenvolvimento que estenda seus benefícios às gerações futuras.

* É presidente do Conselho Curador da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável

Atual matriz de produção pode levar a colapso

23/10/08

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Quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Pensamento econômico voltado só para crescimento está consumindo mais do que o planeta oferece

Giovana Girardi

SÃO PAULO - A discussão de sustentabilidade ainda está muito focada no valor econômico. Muitas empresas agem nesse sentido apenas porque é bom para a imagem, porque atrai mais investimento, mas falta mudar a estratégia de fazer negócio, o modelo corrente de produção.

Essa é a percepção dos especialistas ouvidos pelo Estado para as dificuldades que tornam o desenvolvimento sustentável um sonho ainda distante. “Ao querer somente um resultado melhor, muitos esquecem que é necessária uma mudança mental”, comenta Roberta Simonetti, coordenadora do Programa de Sustentabilidade Empresarial do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas.
Segundo ela, um erro comum dos mais diversos setores é encarar suas ações como coisas isoladas, sem adotar um “olhar sistêmico para todas as suas relações”. “Não existe sustentabilidade empresarial ou dos negócios, o que existe é a contribuição para o desenvolvimento sustentável como um todo.
O economista Hugo Penteado, do Banco Real, pondera que isso só será alcançado quando o pensamento econômico mudar. “Vivemos em um modelo que ignora os limites do planeta, em um mito de crescimento perpétuo, mas estamos caminhando para o colapso, como já ocorreu em outros episódios da história da humanidade”, diz.

Autor do livro Ecoeconomia, uma Nova Abordagem, ele compara o momento atual com o que resultou no desaparecimento dos habitantes da Ilha de Páscoa, no século 13. As teorias mais recentes falam que eles entraram em colapso após esgotarem seus recursos naturais. “Eles fizeram isso em uma ilha. Estamos fazendo globalmente.”

MAIS TRÊS TERRAS

Levantamento da ONG WWF divulgado em junho mostrou que, se toda a humanidade adotasse padrão de consumo semelhante ao do cidadão médio americano, seriam necessários cinco planetas para atender a demanda por recursos naturais. A elite brasileira não fica muito atrás. Se o mundo consumisse como as nossas classes A e B, seriam necessários três planetas. Por outro lado, se todos adotassem o padrão da Somália (África), precisaríamos de 0,22 planeta.

“O ser humano é vulnerável, ele depende do planeta. Não é a Terra que está ameaçada, são as pessoas. Temos de negociar com a Terra a nossa sobrevivência aqui”, alerta Penteado. “A gente não cuida do outro, mas depende dele. Meu pulmão só se enche de oxigênio porque existe um ser vivo produzindo o gás.”

O economista explica que a grande dicotomia que tem de ser resolvida é a do nosso modelo de produção versus processos naturais. “O sistema econômico é linear: extrai, produz, consome e descarta. A natureza é circular. Nossa economia é degenerativa, a natureza é regenerativa. Acreditamos em um crescimento exponencial, infinito, mas o planeta é finito. Enquanto essas características não forem incorporadas, continuaremos caminhando para o precipício. A humanidade só será sustentável quando mimetizar a natureza.”

O quadro ao lado exemplifica o tamanho do problema. Ele foi elaborado com base no filme The Story of Stuff (A História das Coisas - www.storyofstuff.com), iniciativa da ambientalista americana Annie Leonard, que investiga há 20 anos sistemas de produção e despejo pelo mundo. Lançado no fim do ano passado, o filme já virou hit dos defensores da sustentabilidade por relatar os problemas de uma cadeia de produção linear, que extrapola os limites do planeta em todas as etapas.

No cerne da questão está o consumo exagerado. E nesse patamar, até a reciclagem se torna pouco impactante. “Ela é uma tentativa de imitar a natureza, portanto, bem-vinda, mas também demanda mais energia. A primeira postura é reduzir o consumo. Reutilizar e só reciclar quando necessário.”

São Paulo aguarda aprovação da Política Municipal de Mudança do Clima

23/10/08

Meta da Prefeitura é reduzir a emissão de gases de efeito estufa da capital em 30% até 2012

Por Alan Mariasch da Fator Ambiental em São Paulo

São Paulo, 22 de outubro de 2008- Enviada pela Prefeitura de São Paulo à Câmara e esperando ser votada, a Política Municipal de Mudança do Clima depende dos vereadores para virar realidade. Ela estabelece que a cidade tem de reduzir, até 2012, 30% das emissões de gases de efeito estufa, em relação aos valores de 2005, que eram de cerca de 15 milhões de toneladas de carbono por ano.

O projeto de lei foi preparado com a colaboração do Iclei (organização mundial especializada em sustentabilidade para cidades) e da Fundação Getúlio Vargas e foi objeto de vários debates. Ele planeja a redução das emissões com a ampliação da oferta de transporte público, a restrição gradativa do acesso de veículos particulares ao centro da cidade, a melhoria no gerenciamento de resíduos e o desenvolvimento de projetos arquitetônicos com critérios de eficiência energética e sustentabilidade, entre outras diretrizes.
Para Eduardo Jorge, secretário municipal do Verde e Meio- Ambiente, os setores que mais poluem foram priorizados no plano: “destacamos os transportes, com 70% das emissões totais e a disposição de resíduos sólidos, 24% do total, de acordo com o inventário de emissões do Município, lançado em 2005. O fato de São Paulo assumir uma política do clima pode ser um exemplo para outras capitais do país”.
Outra proposta da Política Municipal de Mudança do Clima condiciona a obtenção de alvará de funcionamento apenas para shopping centers e condomínios que instalarem a coleta seletiva. Além disso, critérios ambientais terão de ser priorizados nas licitações da Prefeitura.

Opiniões

José Goldemberg, pesquisador da Universidade de São Paulo e ex-secretário de Ambiente do Estado de São Paulo, comparou a situação da capital paulista com a de Pequim. A metrópole chinesa impôs às pressas medidas para atenuarem a poluição atmosférica durante as Olimpíadas. “São Paulo não está sob tal pressão, mas pode tomar iniciativas pioneiras que a coloquem como líder nessa área”, disse.
Para Marcos Redondo, diretor-executivo da Fator Ambiental, “a iniciativa de São Paulo deve ser vista como um farol por outras esferas públicas no País. A gestão de nossa sustentabilidade ambiental ignora fronteiras administrativas, e requer ações conjuntas e coordenadas. É preciso também que os governos reconheçam os investimentos e esforços feitos pelas empresas modernas em sustentabilidade”.
Eduardo Jorge confia na Política Municipal de Mudança do Clima: “concordo que a meta fixada para redução de gases poluentes na cidade é ousada, mas acredito que ela é factível. Desde 2005, conseguimos reduzir em 20% a emissão de metano (gás do lixo) com duas usinas de captação desse gás. Por isso, acredito ser possível cumprir a meta estabelecida” Conheça na íntegra o Projeto de Lei nº 524-08.

 

 

 



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Proposta contra o desmatamento

Folha de S.Paulo
12/10/2008

A melhor forma de enfrentar o desmatamento é investir em educação, em saúde e na geração de oportunidades

Roger Agnelli

MEU AVÔ João chegou ao Brasil no fim do século 19.
Veio da Itália para ser colono em fazenda de café, no interior de São Paulo. Meu pai, Sebastião, nasceu numa fazenda. Após ter sucesso como industrial, fez-se fazendeiro em Araras, também em São Paulo.
Fui criado vendo as coisas da roça e sei como é difícil manter uma propriedade rural auto-sustentável. Como empresário, meu pai seguia métodos de gestão e de produção modernos para aquela época. Tinha uma propriedade de boa escala e mesmo assim gastou muita energia para manter a fazenda sustentável e com preservação ambiental.

Imagino como vivem os habitantes dos assentamentos rurais no Brasil. Longe dos grandes centros, praticando agricultura familiar sem infra-estrutura, sem recursos financeiros e técnicos, os assentados estão em ecossistemas riquíssimos. Derrubar árvores tornou-se complementação de renda.
Na semana passada, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, iniciou corajoso debate sobre o modelo de reforma agrária. Ele apontou propostas, como um sistema de produção coletiva, para aumentar a produtividade nos assentamentos.
O modelo usado nos assentamentos necessita de ajustes. A sociedade arca com custos de implantação e manutenção dessas áreas. Contudo quem sabe informar o que e quanto produzem? Que tecnologia se faz necessária e que tipo de educação as crianças devem receber para desenvolver essas comunidades? Essas são questões que devem estar nesse debate iniciado pelo ministro.

Cobra-se sustentabilidade das empresas, mas vemos o avanço sem controle do desmatamento nos assentamentos e o êxodo dos jovens para as cidades. Precisamos de modelos que permitam o acesso à terra, com viabilidade econômica e educacional, e que preservem o ambiente.
A melhor forma de enfrentar o desmatamento é investir em educação, em saúde e na geração de oportunidades. Um caminho pode ser estimular novos arranjos econômicos. É preciso haver parcerias entre governos e empresas. Os setores público e privado possuem naturezas de atuação distintas, mas complementares. Se empresas ajudarem no desenvolvimento de novos processos, criam-se condições para a sustentabilidade dos assentamentos.
Vejamos o exemplo da Vale na Área de Preservação Ambiental do Igarapé Gelado, em Parauapebas (Pará). A comunidade existe há décadas, mas não conseguia se desenvolver. Foi feita uma parceria entre Vale, Ibama, prefeitura e comunidade para instalar uma Escola Técnica Rural que, entre outros benefícios, viabilizará a produção de alimentos em escala empresarial, os quais, por sua vez, abastecerão os restaurantes industriais da Vale na região. Uma relação de ganha-ganha para todos.
É preciso uma espécie de PPP entre a iniciativa privada e o governo.
Não devemos perder tempo com discussões sobre a importância da reforma agrária. É necessário levarmos novos processos para os assentamentos e ajudar a banir de lá a pobreza, que, desumana, flagela homens, mulheres e crianças. É hora de promover a inclusão social dos assentados, porque, no fim das contas, o maior inimigo do ambiente é a miséria.

Roger Agnelli , 49, economista e diretor-presidente da Vale, escreve neste espaço a cada quatro semanas.

 

 

 



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Sábado, 11 outubro de 2008

Contra os subsídios ao etanol

O relatório da Organização para Agricultura e Alimentação (FAO) sobre a questão do etanol não é só o mais completo estudo já feito por uma agência da ONU a respeito da polêmica acerca dos biocombustíveis, mas constitui também um libelo contra os vastos subsídios concedidos pelos países ricos, a começar dos Estados Unidos, para o cultivo de grãos com fins energéticos. O documento sustenta que essas políticas precisam ser “revistas com urgência para preservar a meta da segurança alimentar global, proteger agricultores pobres, promover o desenvolvimento rural e assegurar a sustentabilidade ambiental”. Para a FAO, os mais do que generosos incentivos para o etanol de milho e outros alimentos contribuíram decisivamente para reduzir a oferta mundial de alimentos, com a conseqüente disparada dos seus preços e o aumento da fome na África e na Ásia.

No ano passado, a produção mundial de etanol chegou a 52 bilhões de litros, três vezes mais do que em 2000. Os EUA responderam por 27 bilhões; o Brasil, por 19 bilhões; a União Européia e a China, por 2 bilhões cada. Já a produção de biodiesel (cerca de 10 bilhões de litros) aumentou 11 vezes. Norte-americanos, europeus, indonésios e malaios são os principais produtores. Os EUA e a Europa gastam US$ 12 bilhões anuais em estímulos aos biocombustíveis. Esses programas não são viáveis sem subsídios, afirma o estudo. Esse favorecimento foi alvo de duras críticas do presidente Lula, ao participar, em junho, da Cúpula sobre Segurança Alimentar, em Roma. “É evidente”, denunciou, “que o etanol de milho só consegue competir com o etanol de cana quando é anabolizado por subsídios e protegido por barreiras tarifárias.”

Na ocasião, Lula culpou a indústria do petróleo por “criar uma relação de causa e efeito entre os biocombustíveis e o aumento do preço dos alimentos”. Na passagem mais contundente de sua fala, disse que “muitos dos dedos apontados contra a energia limpa dos biocombustíveis estão sujos de óleo e carvão”. Isso decerto não se aplica às conclusões da FAO. A entidade não se opõe à energia de origem agrícola, mas aos subsídios e políticas protecionistas que acabam tendo um impacto perverso sobre o mercado mundial de alimentos e a economia rural dos países pobres. “O etanol é uma oportunidade e um risco”, afirmou Jacques Diouf, diretor-executivo da FAO, ao apresentar o relatório. “Seu futuro dependerá de como os governos irão implementar as respectivas políticas.” O trabalho não deixa claro se a entidade considera o Brasil um caso inteiramente à parte, por seu programa de etanol de cana-de-açúcar, que não contribui para a escassez de alimentos, como o governo reitera nos foros internacionais.

A FAO, de todo modo, ressalva que a cana gera emissões significativamente menores de gases estufa do que outras culturas voltadas para a geração de combustíveis e nota que o Brasil tem o menor custo de produção de etanol do mundo. O órgão também reconhece que o Brasil é o único país que consegue produzir etanol a preços inferiores aos do petróleo. O que significa que, sem os subsídios e os impostos de importação adotados pelos países ricos (as tarifas alcançam 52% na União Européia e 28% nos EUA), a sua produção de etanol ficaria 8 bilhões de litros por ano menor, por falta de competitividade. Já a produção brasileira cresceria 3 bilhões de litros. “A viabilidade da maioria dos combustíveis é tênue sem apoio e subsídios”, aponta a FAO, ecoando a posição do Brasil na Cúpula sobre Segurança Alimentar. E isso, ainda que se mantenham altas as cotações do petróleo.

O problema é que, mesmo que mudem as regras do jogo na economia da biomassa - uma hipótese ainda remota -, o petróleo continuará a ser por muito tempo a principal fonte de energia do mundo. Prevê-se que em 2030 os combustíveis fósseis deterão ainda 82% do mercado global, ante 10% da energia de biomassa. Mas uma segunda geração de biocombustíveis, acompanhada de avanços na tecnologia do processo produtivo, poderá influir na redução das emissões de carbono, com pressões menores sobre os recursos naturais.

 

 


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14/10 - 03:28

Agronegócio bate recorde de receita

SÃO PAULO, 14 de outubro de 2008 - As exportações do agronegócio bateram novo recorde em setembro. O crescimento foi de 38,5% em relação a igual mês de 2007 com uma receita de US$ 6,810 bilhões. As importações cresceram mais - 55,1% - e atingiram US$ 1,042 bilhão. Ainda assim, balança comercial teve superávit de US$ 5,767 bilhões.
O complexo soja exportou US$ 1,621 bilhão, aumento de 67,6%, e mais uma vez foi o setor que mais contribuiu em valor absoluto (67,6%), seguido das carnes (66,7%) e do complexo sucroalcooleiro (34,5%). O volume exportado totalizou 1,8 milhão de toneladas de soja em grãos, alta de 2,5% em relação a setembro de 2007. O maior preço do grão impulsionou o crescimento de 65,6% na receita de exportação desse item, que aumentou de US$ 543,7 milhões em setembro de 2007 para US$ 900,4 milhões em setembro deste ano.
Já a receita com exportações de carnes cresceram 66,7% de US$ 895 milhões para US$ 1,492 bilhão. O resultado deveu-se tanto aos preços mais elevados quanto ao aumento da quantidade exportada. A retração das vendas ao mercado europeu foram mais do que compensadas pelo crescimento para outros destinos, como Rússia (114,3%), Irã (451,5%), e Venezuela (403%).
O incremento das exportações de carne bovina in natura foi da ordem de 55,9%, resultado de preços 48,1% superiores e aumento de 5,2% na quantidade embarcada. A receita com carne de frango in natura cresceu 85,3% com aumento do volume exportado para Japão (263%), Venezuela (214%), e Arábia Saudita (92%). As exportações de carne suína in natura cresceram 59,4%. (Fabiana Batista - Gazeta Mercantil)

 

 

 



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13/10 - 00:58

Consumo de descartáveis tem aumento de 4,7% ao ano

São Paulo, 13 de Outubro de 2008 - O futuro dos papéis descartáveis, ou tecnicamente chamados de tissue, é o mais promissor dentre o mercado de papéis. Independente dos problemas financeiros, este é um segmento que se mantém por ser considerado um produto ligado às necessidades básicas. “Em tempos de crise, o que pode acontecer é uma migração de consumo para produtos de menor qualidade, mas nunca uma redução do uso”, afirma taxativo o especialista em tissue da consultoria Risi, Brad Kalil.

Segundo o executivo, o consumo do produto fica em torno de 27 milhões de toneladas por ano e desde 1991 registra-se um crescimento de 4,5% ao ano em toneladas. Mesmo em mercados maduros, como Europa e Estados Unidos, há uma manutenção e o crescimento orgânico, que acrescenta pelo menos algo em torno de 100 mil toneladas ano. “Pode não parecer muito, mas significa que será preciso uma máquina nova por ano para se manter o fornecimento nestes mercados”, afirma.
Já na Europa Ocidental, a Risi estima um crescimento de 10% ao ano desde 2000 e 7,5% até 2010, o que representa outras 100 mil toneladas a mais ao ano. “Além disso, eles terão mudanças no sistema varejista, o que ajudará a incentivar ainda mais o consumo deste tipo de produto”, diz Kalil.

China

Mas a região mais promissora é a Ásia, com crescimento do consumo estimado de 6% ao ano, de acordo com dados da Risi. Só a China deve crescer 28%, muito por conta da expansão da urbanização da população, o que ajuda a mudar os hábitos e expandir a penetração de produtos de higiene.
Na América Latina, o consumo chega a 2,92 milhões de toneladas, sendo que 60% da produção é feita por México e Brasil, os dois países que também são os maiores consumidores, com 31% e 28%, respectivamente. O consumo brasileiro de 1996 a 2006 cresceu em média 3,9% ao ano e deve ter um incremento anual de 4,7% no período compreendido entre os anos de 2006 e 2016, conforme o especialista. E para atender essa demanda o Brasil conta com muita capacidade.

Novas máquinas

“Até 2009, sabemos que três novas máquinas de tissue serão implantadas pela Mili, Santher e Bipacel com capacidade superior a 30 mil toneladas por ano”, afirma Kalil. Outras empresas também investem em reformas de equipamentos para expandir capacidade. “São máquinas que chegam a 13 mil toneladas por ano”, acrescenta o executivo.
Com participação de 11% no mercado mundial, a América latina se destaca no cenário mundial e deste total, 28% diz respeito a participação do Brasil, que só perde para o México, com participação de 31%. “Dentre os segmentos do mercado de papel, o tissue é, sem dúvida, o mais promissor”, afirma Kalil.

Papelão ondulado

Os fabricantes brasileiros de papelão ondulado informaram na sexta-feira que as vendas do setor tiveram alta de 5,44% no mês de setembro na comparação com igual mês de 2007 e alcançaram 196,1 mil toneladas ante as 185,9 mil toneladas do ano anterior.
Com esse resultado, o setor terminou o terceiro trimestre do ano com vendas de 1.722,7 mil toneladas volume que representa um aumento de 1,44% na comparação com o acumulado de nove meses de 2007 que somou .698,3 mil toneladas), de acordo com dados da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO)., que informou que os volumes ficaram dentro do esperado.
Setembro registrou o segundo melhor desempenho do ano, em julho os fabricantes haviam contabilizado alta de 7,5%, no mês passado de apenas 0,97%. Em março, abril e maio houve redução nas vendas do ano. Parte dessa queda deveu-se ao grande movimento de importação de produtos já embalados. (Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 1)(Anna Lucia França)

 

 

 

 


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15/10 - 05:45

Indústria volta às reutilizáveis

15 de outubro de 2008 - A era da embalagem descartável pode estar com os dias contados. A indústria de embalagens, cada vez mais pressionada pela legislação, por consumidores e ONGs por causa da produção de resíduos e seu descarte inadequado no ambiente, ensaia uma volta às origens. Segundo especialista, a embalagem do futuro será durável e poderá ser reutilizada inúmeras vezes, em um ciclo fechado de produção e consumo.

“É o fim da era do descartável. Haverá um retorno à embalagem durável e reutilizável”, diz Martin Bunce, especialista em design sustentável e diretor da Tin Horse, empresa de design britânica que tem entre os clientes gigantes como Unilever, P&G, Coca-Cola e Electrolux. Segundo Bunce, o conceito de redução do desperdício de embalagens está tomando corpo entre as empresas de bens de consumo e de bens duráveis.
Bunce afirma que as novas embalagens, que já começam a chegar às mãos dos consumidores na Europa, Japão e Estados Unidos, unem conhecimento de ponta ao tradicional. “As pessoas gostam das coisas novas, mas também apreciam as antigas. Lembra quando costumávamos retornar os vasilhames de bebida? Eles estão de volta.”

“Os recursos naturais são finitos, as matérias-primas estão encarecendo e nosso padrão de consumo está transformando as cidades em enormes lixeiras. Os anos de desperdício estão no fim, e a indústria terá de se adaptar a essa realidade.”

Por outro lado, Bunce critica a postura de muitos defensores de práticas mais sustentáveis na indústria de declarar guerra a produtos ou tipos de materiais - é o caso, segundo ele, das sacolas plásticas dos supermercados, na berlinda em várias regiões do planeta. “Essa campanha não faz muito sentido porque as sacolas são reutilizadas para outros fins, o que é um atributo de sustentabilidade.” Segundo ele, do ponto de vista ambiental não faz muita diferença se a embalagem é de vidro, plástico ou alumínio - desde que sua vida útil seja ampliada.

TECNOLOGIA

A multinacional americana Eastman, que produz resinas para embalagens e no Brasil fornece para Natura e O Boticário, tem apostado no desenvolvimento de novos materiais, em parceria com designers renomados. A empresa lançou nos EUA a tecnologia Tritan, um tipo de plástico (copolímero) usado para fabricar artigos com durabilidade até 10 vezes superior. “O conceito de sustentabilidade na indústria está mudando: não é só reciclar o que já foi produzido, mas também conceber produtos que usem menos matéria-prima, duráveis” diz Gaylon White, diretor de de design da Eastman nos EUA. “O refil também surge como forte tendência.”
A garrafa plástica para água Kore One é um exemplo de aplicação do Tritan. Lançada há dois meses, é um fenômeno de vendas nos Estados Unidos - teve uma fila de espera de 10 mil pessoas. “A garrafinha virou um objeto de desejo e ninguém quer jogá-la no lixo após beber água”, diz White. (Gazeta Mercantil)

 

 

 


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“Lobby ” global pela sustentabilidade

Data: 15/10/2008
O GLOBO

Entidades de países de todo o mundo se mobilizam pela educação para o consumo

Luciana Casemiro

Nada será como antes depois dessa crise financeira que o mundo atravessa.
E há quem diga que o padrão de consumo também deverá mudar e de uma forma global. É nesse cenário que, de forma coordenada, a exemplo do que os países estão fazendo atualmente, entidades ligadas à defesa do consumidor e meio ambiente de várias partes do mundo estão mobilizadas hoje na tentativa de sensibilizar os governos para que implementem políticas públicas voltadas a sustentabilidade.
A meta do “Global Consumer Action Day” é levar todos a adotarem as dez diretrizes do programa “Aqui e agora: Educação para o consumo sustentável”, das Nações Unidas (Unep).

O movimento capitaneado pela Consumers International, entidade de defesa do consumidor que congrega 220 organizações de 115 países, será representado no Brasil pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor - Pro Teste.

No Brasil, governo já desenvolve programas nesse sentido - Enviaremos cartas aos ministérios do Meio Ambiente, da Educação, dos Transporte e das Cidades pedindo para que cada um em sua área adote políticas sustentáveis.O Brasil já tem um plano de produção sustentável em estudo, mas queremos uma atuação mais incisiva, antes que a degradação seja irrecuperável - diz Maria Inês Dolci, coordenadora da Pro Teste.
A socióloga Lisa Gunn, do Idec, destaca que o Brasil já está um passo a frente dos demais países no que diz respeito a educação para o consumo sustentável.

Um processo do qual o Idec participou desde o início, em 2002, com o Ministério do Meio Ambiente, e que resultou, em 2004, na edição de material para formação de professores, em parceria com o MEC. E, ano seguinte, na capacitação de mais de 30 mil multiplicadores: - O que nos falta é articulação.
Precisamos incluir no plano de produção sustentável, por exemplo, a educação para o consumo. Não podemos nos restringir à uma produção mais limpa, é preciso ampliar essa visão.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, garante que essa será uma prioridade de sua gestão. Para tanto, sua meta é informar a população dando-lhe a possibilidade de fazer escolhas mais conscientes: - Não adianta convocar as pessoas a participar somente. Assinei com a Feema e a Anfavea (associação de produtores de carros) um acordo para que a partir do mês que vem o consumidor seja informado quanto cada carro consome de combustível e emite de poluente. Com a Fiesp ficou acertado que as empresas paulistas só usarão madeira de áreas de manejo e que essa informação constará da nota fiscal. Os seis bancos públicos também já se comprometeram a financiar apenas projetos sustentáveis social e ambientalmente.

No que diz respeito ao currículo das escolas públicas e particulares brasileiras, o tema já está incluído na grade do segundo segmento da Educação Fundamental, antiga 5aa 8asérie. E o Ministério da Educação, antecipa Raquel Trajber, coordenadora geral da Educação Ambiental do MEC, já estuda incluir em 2009 o tema na educação infantil: - Essas crises, financeira e ambiental, estão correlacionadas ao nosso padrão de consumo. Estamos todos no mesmo barquinho e isso vai mudar a nossa visão de mundo, para uma mais coletiva, que necessariamente passará por formas de consumo mais sustentáveis. Nas escolas estamos trabalhando, além dos 3Rs (reduzir, reutilizar e reciclar), o refletir, que significa pensar sobre os processos de produção, do uso do material ao trabalho humano; e o recusar, ou seja, não consumir o que não vem de uma cadeia ética.

Para Ricardo Morishita, diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), o “Global Consumer Action Day” é estratégico: - A educação para o consumo tem que estar na formação elementar, pois é a base da cidadania. É importante não só para enfrentarmos a complexidade do mundo, como para refletir sobre ele. Só com consciência podemos ser livres para fazer as nossas escolhas, deixar de ser objeto para ser sujeito na relação de consumo.
Na Argentina, o foco principal também será a educação, o que inclui inclusive a alimentação dentro da escola, diz Ester Reynoso, presidente do Instituto de Direitos de Consumo (Iedec): - A merenda escolar constitui um exemplo concreto de consumo saudável.
É um âmbito no qual as crianças devem começar a ser conscientes de seus direitos como consumidores.

 

 

 



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15/10 - 04:38

Pacto pelo desenvolvimento sustentável

15 de outubro de 2008 - A sociedade brasileira exige hoje de seus líderes - políticos, empresários, ambientalistas e demais organizações representativas - a articulação de um amplo pacto pela sustentabilidade do desenvolvimento. O País precisa crescer de forma consistente e duradoura para gerar riqueza, empregos e, com a arrecadação de impostos, viabilizar políticas públicas transformadoras e inclusivas do ponto de vista social. Obviamente que esse crescimento não pode nem deve ocorrer a qualquer preço e de forma predatória. Precisa se dar, conforme também quer a sociedade, de forma sustentável e ética.

Desenvolvimento sustentável, por definição, é aquele que atende às necessidades das gerações atuais - crescimento econômico que gera lucro para as empresas, empregos e qualidade de vida para os trabalhadores e preserva o meio ambiente - sem comprometer o direito das gerações futuras de prover as suas próprias necessidades. Nestes primeiros anos do século XXI, vencida a visão discutida na sempre lembrada Conferência de Estocolmo em 1972, alcançamos um novo patamar.
Avançamos muito até chegar ao conceito do que efetivamente é o desenvolvimento sustentável que hoje, de forma abrangente, se apóia em quatro pilares - o social, o ambiental, o cultural e o econômico, tendo como objetivo final e maior o homem. Subestimar um ou mais deles, quaisquer que sejam, é inviabilizar o que a sociedade mais quer, deseja e precisa. Não é, portanto, empreitada que comporte visões maniqueístas e sectárias.

Hoje, é clara a consciência de que as organizações empresariais somente atingem a sua maturidade plena quando são capazes de fazer do crescimento econômico e do lucro instrumentos de promoção do desenvolvimento sustentável. É exatamente essa a visão estabelecida no Mapa da Indústria, documento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com vigência no período 2007/2015.
Tem sido um longo caminho, mas já há resultados a comemorar. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que o Brasil está adiantado no cumprimento da primeira das Metas do Milênio estabelecidas pela ONU, referente à redução, à metade, da extrema pobreza em nosso País. Em 2001, 17,3% da população brasileira vivia nessas condições. Em 2007, este percentual caiu para 10,2%. A redução média ao ano foi de 7,2 pontos percentuais, quando o esperado eram apenas 2,2 pontos percentuais. Significa que, no Brasil, a extrema pobreza está sendo reduzida a uma velocidade três vezes maior que a estabelecida pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento ( PNUD). Isso, naturalmente, é conseqüência de políticas públicas que somente se tornaram possíveis em função do crescimento econômico dos últimos anos.

Precisamos ir além - e, para isso, é preciso continuar crescendo. Aqui, emergem preocupações de vulto em virtude do evidente desequilíbrio entre os quatro pilares do desenvolvimento sustentável. Em primeiro lugar, falta clareza, transparência e objetividade à legislação ambiental, com deletéria superposição de competências entre as diversas instâncias de governo - federal, estadual e municipal, comprometendo a efetividade das leis e gerando situações que exigem reflexão.
Exemplo: só 33% do território brasileiro e 7% do bioma Amazônia podem, legalmente, ser usados para abrigar atividades humanas relacionadas com moradia, produções agrícola e industrial. Esse é o resultado de um estudo da Embrapa Monitoramento por Satélite, que, pela primeira vez, avalia o alcance territorial da legislação ambiental brasileira. De fato, se aplicada a legislação vigente, grande parte da produção de maçã em Santa Catarina, do café em Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo e da vinicultura no Rio Grande do Sul não poderia continuar existindo. Todos os ribeirinhos do São Francisco teriam que ser retirados.Mais: hoje o principal desafio do Brasil é criar condições para que o ciclo de crescimento recém-iniciado, depois dos chamados anos e décadas perdidos, seja vigoroso e duradouro. É preciso investir de forma intensa em obras de infra-estrutura de apoio ao setor produtivo. O exemplo mais emblemático vem da área de energia, onde se constata que o País apresenta uma oferta crítica. Uma situação que precisa ser revertida pela razão objetiva de que se faltar energia, o Brasil não tem como crescer.

No caso específico da energia - registre-se que a matriz energética brasileira é reconhecida como uma das mais limpas do mundo -, os investimentos anuais necessários são da ordem de R$ 20,2 bilhões. São obras absolutamente vitais para o País e, exatamente por isso, a questão não é discutir se devem ou não ser realizadas, mas, sim, como realizá-las de forma sustentável. É possível fazê-lo, desde que tenhamos, todos, a competência de nos unirmos na formulação e implementação de um verdadeiro e efetivo pacto pela sustentabilidade onde o social, o ambiental, o cultural e o econômico sejam considerados com o mesmo peso e importância. Isso é o que a sociedade brasileira espera de seus líderes. (Robson Braga de Andrade- GAZETA MERCANTIL)

 

 

 


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Quarta-feira, 15 outubro de 2008

Brasil vai produzir diesel de cana-de-açúcar a partir de 2010

Tecnologia, criada por empresa americana, será usada pela primeira vez em usina paulista
Herton Escobar

O mesmo caldo de cana que serve como matéria-prima para a produção de açúcar e álcool servirá em breve, também, para a produção de diesel. A nova tecnologia, desenvolvida pela empresa Amyris, da Califórnia, vai ser colocada em prática no interior paulista em 2010, em sociedade com a Votorantim Novos Negócios e a Usina Santa Elisa, de Sertãozinho. A meta é produzir 400 milhões de litros no primeiro ano e 1 bilhão de litros, em 2012.

O processo é muito parecido com o da produção de álcool combustível, que utiliza leveduras - um tipo de fungo microscópico - para fermentar os açúcares presentes na cana e secretar etanol. A diferença crucial - que foi a grande inovação produzida pela Amyris - está no DNA da levedura, que foi geneticamente modificada para secretar diesel no lugar de álcool.

“Não é biodiesel. É diesel mesmo”, diz o biólogo Fernando Reinach, diretor-executivo da Votorantim Novos Negócios (VNN), fundo de investimento de risco do Grupo Votorantim, que financiou parte da pesquisa. O resultado da fermentação é uma molécula chamada farneceno, com 12 átomos de carbono, que tem todas as propriedades essenciais do diesel de petróleo, mas nenhuma da indesejadas, como a mistura de enxofre - um poluente altamente prejudicial à saúde.

Enquanto o diesel de petróleo - e mesmo o biodiesel de óleos vegetais - contém uma mistura de várias moléculas combustíveis, o diesel de cana tem apenas o farneceno, que pode ser usado diretamente no motor. “É um combustível super puro”, disse o diretor-executivo da Amyris, o português John Melo, que esteve em São Paulo ontem para anunciar o projeto.

O diesel de cana-de-açúcar - além de ser livre de enxofre, o que reduz o impacto sobre a poluição urbana - é renovável em relação ao carbono que emite para a atmosfera, o que reduz o impacto sobre o aquecimento global. A exemplo do que já ocorre com o etanol, o CO2 que sai do escapamento é reabsorvido, via fotossíntese, pela nova cana que está brotando no campo. Quando a cana é colhida, o carbono é convertido novamente em combustível, reemitido, reabsorvido e assim por diante.

A cana não tem óleo, ela apenas fornece o açúcar necessário para alimentar as leveduras que vão produzir o combustível. É um processo completamente diferente do usado para produção de biodiesel, que é um combustível refinado de óleos vegetais, como de soja e mamona.

Segundo Reinach, foram necessários mais de 15 genes para transformar a levedura em uma “fábrica biológica” de diesel. A espécie usada no processo é a mesma da fermentação do álcool (Saccharomyces cerevisiae), mas a origem dos novos genes é mantida em segredo até que as patentes sejam publicadas.

A idéia, a princípio, é que o diesel de cana entre no mercado como um adicional ao diesel de petróleo, e não como um concorrente, já que a produção inicial será muito pequena. O Brasil consome cerca de 45 bilhões de litros de diesel, dos quais 5 bilhões precisam ser importados. “Se acabarmos com a importação já será um enorme sucesso”, avalia Melo, que antes de assumir a Amyris foi presidente nos Estados Unidos da BP Fuels.

A tecnologia foi desenvolvida nos laboratórios da Amyris na Califórnia. Mas o desenvolvimento do produto final será feito no Brasil, com a participação de cientistas brasileiros contratados pela empresa. A Amyris já tem um laboratório em Campinas - acoplado a uma usina-piloto - e planeja construir uma planta industrial junto à usina Santa Elisa, onde será feita a produção de diesel em larga escala.

O interesse da empresa em trazer a tecnologia para o Brasil é simples: “Nossa matéria-prima é o carbono, e o carbono mais barato do mundo é o carbono de cana do Brasil”, explica Melo. “É igual à cadeia do petróleo. As empresas vão onde está o óleo. Nesse caso, elas virão para onde está o carbono vegetal”, completa Reinach. A idéia é que a produção aumente e ganhe mercado gradativamente, com um custo igual ou inferior ao do diesel de petróleo. O custo inicial previsto é de US$ 60 o barril, já bastante competitivo.

As adaptações necessárias nas usinas para produzir diesel em vez de etanol são mínimas. De certo modo, basta trocar a levedura no fermentador. Dentro de alguns anos, prevê Reinach, os usineiros poderão optar por produzir o que for mais vantajoso - álcool, diesel ou açúcar -, com grande flexibilidade.

O diesel de cana surge como mais uma opção no menu de energias renováveis que o mundo procura para substituir os combustíveis fósseis (derivados de petróleo, carvão e gás), que são os principais responsáveis pelo aquecimento global. A cana já oferece duas dessas opções: o álcool combustível e o bagaço, que é queimado para produção de energia elétrica. Agora serão três (etanol, diesel e biomassa), com potencial para chegar a quatro, cinco, ou até seis. Segundo Reinach, com as mesmas técnicas de engenharia molecular, é possível “ensinar” a levedura a produzir quase qualquer tipo de molécula.

A Amyris já está desenvolvendo combustível de aviação para a Força Aérea Americana e, depois do diesel, tem planos de produzir gasolina - tudo a partir da fermentação de açúcar da cana. Para o projeto do diesel, a empresa recebeu US$ 100 milhões de vários fundos de capital de risco nos últimos 12 meses. A Votorantim Novos Negócios não revela de quanto é sua participação.

ENXOFRE

Após intensas discussões com a área ambiental do governo, a Petrobrás decidiu iniciar as importações em 2009 de diesel com 50 partes por milhão (ppm) de enxofre. A empresa, no entanto, alega que o produto chegará ao País com um preço maior do que o nacional.

COLABOROU NICOLA PAMPLONA

 

 

 


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GAZETA MERCANTIL - SP

15/10/2008

Com orçamento de R$ 40 milhões CTC lança três projetos para cana

Ribeirão Preto (SP), Mais importante centro de pesquisa e tecnologia na área sucroalcooleira, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) anunciou ontem, em Ribeirão Preto, três projetos para aumentar a produtividade e a rentabilidade da cana-de-açúcar no Brasil. Primeiro foi o lançamento e liberação para plantio da quarta geração de variedades de cana-de-açúcar, com três novas cultivares. O segundo foi o anúncio da inauguração para fevereiro de 2009, em Piracicaba (SP), de uma nova “biofábrica” de mudas, um projeto de alta tecnologia que ampliará a produção atual de 600 mil para 5 milhões de mudas por ano. Finalmente, o instituto de pesquisa comunicou que dará início neste ano ao programa CTCSat, que irá mapear, num prazo de cinco anos, via imagens de satélite, um total de 3,2 milhões de hectares de canaviais.

Com 177 associados e orçamento anual de R$ 40 milhões, o CTC não arrefeceu seus investimentos, mesmo com a remuneração mais baixa recebida pelas empresas do setor nas últimas duas safras. “Apesar da crise, os associados sabem da importância desse investimento e mantiveram as contribuições”, diz diretor superintendente do CTC, Nilson Zaramella Boeta. “As pesquisas têm de continuar ou perde-se tudo o que foi feito até agora.”

As associadas que já aderiram ao programa “Cartas de Solo e Ambientes de Produção” receberão gratuitamente informações sobre suas áreas de cultivo. “As novas variedades de cana (16, 17 e 18) vêm cumprir uma lacuna no setor sucroalcooleiro, pois todas têm como característica marcante a precocidade da produção aliada a um alto teor de sacarose”, diz o diretor de pesquisa e desenvolvimento do CTC, Tadeu Andrade. Além disso, os novos materiais têm alto teor de fibra, o que contribui para aumentar o rendimento da co-geração de energia a partir do bagaço.

A precocidade da cana ajuda a antecipar o início da safra e, conseqüentemente, contribui para reduzir as oscilações do preço do álcool na entressafra. “As novas variedades precoces de cana registram um alto teor de sacarose já no início da safra”, afirma Boeta. Segundo ele, em média, as variedades 16, 17 e 18 registram 14% de sacarose durante a safra. “Mas, no início da safra, elas já têm teor médio de 12%, em comparação 9% das convencionais”, explica.

A partir de 2009, com apoio de um novo Laboratório de Biotecnologia e da tecnologia de “marcadores moleculares”, o CTC passará a selecionar variedades de cana com base em DNA, para uso em diferentes ambientes de produção.

 

 

 

 


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GAZETA MERCANTIL - SP
15/10/2008

Empresas investem em etanol

São Paulo, Empresas brasileiras e organizações industriais vão formar uma joint venture para financiar pesquisas em álcool celulósico, afirmou na terça-feira um diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A iniciativa inclui a Copersucar, maior produtora brasileira de açúcar e álcool, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e a subsidiária da Bunge no país.
A Votorantim, maior conglomerado industrial brasileiro, o Itausa e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) também participarão do projeto, que deve ser assinado nas próximas semanas, de acordo com o diretor Benedito Ferreira.

“Elas vão criar uma empresa de propósito específico para fazer pesquisas sobre etanol celulósico”, disse Ferreira em um seminário promovido pela Fiesp. “Estamos levantando dinheiro, e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) fará a pesquisa técnica. Também vai procurar parceiros, incluindo no exterior”, completou.

O Brasil e outros países como Estados Unidos e Canadá estão correndo para desenvolver biocombustível a partir da biomassa, como lascas de madeira, um processo com obstáculos tecnológicos que estão aos poucos sendo superados.

A cana-de-açúcar é considerada uma matéria-prima competitiva para o álcool celulósico já que tem bastante biomassa, que hoje é queimada para produzir energia térmica e elétrica. Mas as folhas da cana e outras partes podem ser usadas para produzir etanol.
Produtores brasileiros afirmam que o custo de transportar matéria-prima como grama e madeira para as usinas é o maior problema para o projeto. Mas com a cana esse custo já é absorvido pelo processo tradicional das usinas. “Isso (etanol celulósico) é o futuro. Os americanos estão investindo uma fortuna e querem fazer parcerias conosco porque temos cana”, disse Ferreira, sem dar mais detalhes. Ele explicou que a quantidade de dinheiro a ser investido no projeto será definido depois de finalizado um plano de negócios.
Crise

As restrições a crédito resultantes da crise financeira global poderiam reduzir a velocidade dos investimentos na indústria de etanol do Brasil e favorecer fusões no setor, afirmou o presidente da Unica, Marcos Jank, nesta terça-feira. “As decisões de investimentos tomadas no passado vão acontecer, mas é possível que, a partir de agora, não haja um fluxo para novos projetos, não apenas devido à escassez de crédito, mas também pelos preços baixos nos últimos dois anos”, declarou.
“O setor está muito alavancado, e o aperto de crédito preocupa”, acrescentou. O setor de cana do Brasil cresceu nos últimos anos devido à crescente demanda doméstica pelo biocombustível e com as perspectivas de crescimento nas exportações. Os investimentos no setor são estimados em US$ 33 bilhões entre 2005 e 2012, por diversos investidores, que incluem fundos de private equity, tradings e companhias de petróleo.

 

 

 

 


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Quinta-feira, 16 outubro de 2008

Desmate este ano deve ser maior, reconhece Minc

Há reversão de tendência, admite ministro, mas alta não será grande

Cristina Amorim

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse ontem em São Paulo que o desmatamento acumulado de 2008 na Amazônia deve ser superior ao visto em 2007. “É possível que seja ligeiramente maior, mas sem quebrar a linha de queda genérica de desmatamento. Não vai haver aumento acentuado.”

Os dados que confirmam a informação serão divulgados entre novembro e dezembro. “Nos últimos três anos, houve uma queda de 28 mil quilômetros quadrados para 19 mil e, depois, para 11,8 mil, uma queda acentuada. Começou a haver uma reversão (da tendência de queda) no final do ano passado e no início deste ano.”

O Prodes é o sistema oficial de contabilização de área desmatada e reúne dados de agosto a julho. Quanto ao Deter, sistema de detecção em tempo real do desmatamento, que mostra tendência da ação em campo, o ministro disse que espera uma queda nos números de setembro em relação aos do mês anterior. Em agosto, o Deter registrou 756 km2 de corte.

“O desmatamento nos últimos três meses teve média de 650 km2, a menor dos últimos cinco anos (no mesmo período). E são os três piores meses, junho, julho e agosto, pois há estiagem e queimadas. Então se mantém uma tendência de queda do corte”, afirmou. “Mas nós não comemoramos o desmatamento ilegal. Nós queremos o desmatamento ilegal zero.”

Minc também disse que a revisão da lista dos cem maiores desmatadores recentes da Amazônia está quase pronta, sem que o resultado mude. O Incra encabeça o rol, com seis assentamentos - outros dois estão em 40º e 44º lugares. “No essencial, as multas estão corretas”, disse Minc.

A lista foi divulgada no fim do mês passado e opôs os ministérios do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário. A auditoria foi determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o mal-estar. “A reforma agrária necessária para combater a desigualdade social não pode implicar em desmatamento. A floresta não pode ser tratada como terra improdutiva”, afirmou Minc ontem.

A multa pelo desmatamento de 2.282 km2 nas oito áreas deveria ser de R$ 265,5 milhões. Porém, o ministro do Meio Ambiente disse que o Incra não precisará pagar - haveria, em seu lugar, a doação de terras para conservação e a recuperação de áreas degradadas nos assentamentos. Nem Minc nem o Incra até agora detalharam que terras são essas.

MAIS CANA

O ministro reafirmou que a expansão da área cultivada de cana-de-açúcar não atingirá a Amazônia. Segundo ele, as usinas que já existem na Amazônia e no Pantanal serão mantidas, mas novas não receberão autorização de funcionamento. Ele promete, para novembro, um zoneamento agroecológico nacional do produto. “Nós precisamos de mais 5 milhões de hectares para cana, para dobrar a produção, e temos 60 milhões de hectares disponíveis. Não há nenhuma necessidade (de abrir novas áreas)”, disse.

 

 

 



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17/10/2008 - 11h22

Ministro defende possibilidade de venda de terra por posseiros

Coordenador do PAS (Plano Amazônia Sustentável), o ministro Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) defende que os posseiros que vierem a se beneficiar com títulos de terra na Amazônia não fiquem impedidos de vender os terrenos.

“Se quiser vender, deve poder vender, não estamos preparando um modelo agrário soviético nem populista; precisamos confiar no trabalho e no mercado”, disse.

O “rito sumário” de regularização fundiária da Amazônia é prioridade do PAS. Deve beneficiar inicialmente 284 mil posseiros, que ocupam terrenos da União com até 400 hectares, e alcançará uma área equivalente a 4% da região. As novas regras estão em discussão no Planalto, sob coordenação da Casa Civil. A proposta é que sejam transformadas em medida provisória até o final do ano.

A idéia é facilitar a concessão de títulos aos posseiros que comprovem ter ocupado terras públicas na Amazônia até 1º de dezembro de 2004. Lei aprovada pelo Congresso já dispensou a licitação para a venda de terrenos até 1,5 mil hectares.

Diferentemente de Mangabeira, o ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) teme que permitir a venda dos terrenos leve à concentração fundiária e a mais desmatamento: “Temos que flexibilizar, mas não podemos dar um giro de 180 graus”.

 

 

 

 


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16/10 - 03:05

Lobão cobra solução rápida para usinas

BRASÍLIA, 16 de outubro de 2008 - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, cobrou ontem agilidade do Ministério do Meio Ambiente na concessão da licença para a construção das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira. Para o ministro, perder o momento adequado para essa alternativa será um prejuízo muito grande. “Significa perder um ano de funcionamento da hidrelétrica. Estou convencido de que o Ministério do Meio Ambiente encontrará uma solução rápida para o caso”, disse.
Lobão afirmou que não está “preconizando uma solução A, B ou C”, apenas cobrando rapidez para que não se estrague o plano de por essas hidrelétricas funcionando até mesmo antes de 2013.

Protegido da crise

O ministro disse ainda que o setor energético brasileiro não será afetado pela crise financeira internacional. Lobão lembrou que em momentos de crise investidores costumam transferir capital para essa área. “(O setor energético) é aquele que o capital procura sempre privilegiar, pela necessidade dele ou pela rentabilidade”, afirmou.
Para Lobão, o pior momento da crise financeira já passou. “Os países estão tomando providências firmes, inclusive o Brasil”, salientou o ministro. (Agência Brasil - Gazeta Mercantil

 

 

 


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16/10/08

Chuvas dão folga para térmicas a óleo, mas usina a gás é mantida

Rio de Janeiro - As térmicas movidas a óleo combustível e a carvão devem ficar desligadas pelo menos até o segundo trimestre de 2009, com possibilidade de não serem acionadas durante todo o ano que vem. Graças às chuvas, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) não tem acionado as usinas, cujo custo de geração elétrica é mais caro que a energia hidráulica e a eletricidade proveniente das térmicas a gás. E a previsão é continuar assim, com produção de energia mais barata, de acordo com o presidente do ONS, Hermes Chipp.

Segundo o professor Nivalde de Castro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), as térmicas a gás, que têm custos mais baixos que as de óleo, continuam ligadas, o que justifica o bom nível de reservatórios. “Trata-se de uma estratégia de segurança do governo”, diz.

“As chuvas estão contribuindo e nós não precisamos usar as térmicas a óleo. Especialistas (em clima) avaliam que vai continuar assim”, disse Chipp, durante o evento de lançamento do livro “Séries Econômico-Financeiras das Empresas do Setor Elétrico”, organizado pelo Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da UFRJ. Mesmo na estação de seca, o ONS não precisou despachar energia movida a óleo combustível. Como o período seco acaba agora em outubro, a necessidade de acionar térmicas a óleo são ainda menores.
O nível dos reservatórios na região Sudeste alcançou 53% da capacidade. No Nordeste o percentual chegou a 35%. Os níveis estão dentro dos limites estabeleci-dos pelo ONS. “Tivemos um período de seca bastante favorável, dentro da média pluviométrica e em algumas bacias choveu até acima da média, o que nos permite uma larga margem de segurança no sistema”.

Bacias importantes como a de Iguaçu, Parnaíba e Paranapanema contribuíram para encher os reservatórios de importantes hidrelétricas que abastecem o País.

Leilão de transmissão

O dirigente do ONS avalia que a possibilidade de adiamento do leilão de linhas de transmissão do Complexo Madeira não compromete o abastecimento de energia, desde que seja por pouco tempo. “Se o leilão for adiado será por um período muito curto, de um ou dois meses. Depois a própria empresa vencedora compensará esse atraso durante a obra. E as obras de alta tensão têm sido concluídas com seis meses de antecedência”, disse.

O adiamento do leilão das linhas de transmissão do rio Madeira foi solicitado pela Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Bases (Abdib) e algumas empresas estrangeiras, temerosas com as indefinições do cenário financeiro mundial. A concorrência está marcada para o dia 31 deste mês.
Para o professor da UFRJ, porém, não há necessidade de o governo adiar o leilão. O grupo Eletrobrás, diz, poderia entrar com força nos projetos. Com nível de endividamento baixo, de 30% do patrimônio líquido, seria um forte candidato. Um consórcio forte comentado entre analistas é o que está sendo formado por Furnas, Chesf e Cteep. As coligadas Eletronorte e Eletrosul também participarão mas em lotes diferentes e não concorrendo entre si.(Fonte: Gazeta Mercantil/Sabrina Lorenzi)

 

 

 


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Sexta-feira, 17 outubro de 2008

As perdas não são apenas financeiras

Washington Novaes

Nas últimas semanas, o noticiário fartou-se de anunciar perdas na casa dos trilhões de dólares com a crise financeira global, num mercado que se estimou em mais de US$ 500 trilhões. Nesse megacontexto, passou quase despercebido um estudo da Organização Mundial para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU) e do Banco Mundial que situa em US$ 2 trilhões (equivalentes ao produto bruto anual da Itália ou mais de 1,5 PIB anual brasileiro) os prejuízos provocados pela sobrepesca e pelas aqüiculturas no planeta, decorrentes do esgotamento dos estoques pesqueiros e prejuízos para o meio ambiente e os recursos naturais.

A notícia provavelmente continuará debaixo do tapete por aqui, onde os altos escalões não costumam dar satisfações à sociedade quando algum estudo põe em xeque os postulados vigentes de desenvolvimento econômico acelerado e a qualquer preço. Não será diferente no caso da pesca, em que se planeja dobrar a atual produção até 2015 e se estão licitando 5,5 milhões de hectares para projetos de aqüiculturas em terra e no mar, embora os cientistas venham reiteradamente alertando que 80% das espécies economicamente exploradas no País “estão ameaçadas pela sobrepesca” (O Globo, 8/10), que é grave a situação na área da pesca da sardinha e que as aqüiculturas no mundo se estão inviabilizando rapidamente, porque consomem mais insumos do que produzem pescado, além de provocarem graves danos para o meio ambiente.

No âmbito específico das aqüiculturas, uma reunião do Comitê de Pesca da FAO, no início deste mês, no Chile, diagnosticou que elas estão “numa encruzilhada” - não só não conseguem atender à parcela crescente que lhes cabe na demanda mundial de pescado (era de 6% na década de 1970, já está em 51,6% dos 110,4 milhões de toneladas/ano atuais, ou 57,07 milhões de toneladas), como geram numerosos problemas ambientais e afastam cada vez mais do mercado os pequenos produtores. A pesca tradicional nos oceanos, diz o estudo, chegou a um limite, com 50% dos estoques pesqueiros esgotados e 25% explorados além da capacidade de reposição. Para atender à demanda projetada para 2030 - acréscimo de 28,8 milhões de toneladas/ano, decorrentes principalmente do aumento da população mundial para mais de 8 bilhões de pessoas e do crescimento do consumo per capita (hoje em 16,7 quilos/ano por pessoa) -, as aqüiculturas teriam de se expandir muito. Mas o seu crescimento está declinando: foi de 11,8% na década 1985-1995, caiu para 7,1% na década seguinte e para 6,1% em 2004. Ainda assim, as aqüiculturas têm uma competição crescente com a avicultura e a pecuária pelo uso de farinha e óleo de pescado, usados na alimentação de peixes. Isso faz parte do quadro de insustentabilidade, em que para produzir um quilo de pescado pode ser necessário o consumo de pelo menos o dobro de insumos alimentares - sem falar nos danos para a biodiversidade aquática, na perda de mangues, no despejo de matéria orgânica, no uso excessivo de antibióticos.

No Brasil - onde 25% da população “lida com o mar, vive perto ou dele depende para sobreviver” - , segundo o Instituto Oceanográfico da USP e outras instituições reunidas em relatório do Greenpeace, o quadro é ainda mais complicado. Seria indispensável implantar imediatamente “uma política nacional para os oceanos”, onde a área protegida pela legislação é insignificante: 0,4%. Entre outros problemas, as águas costeiras são atingidas por um volume brutal de esgotos urbanos, assim como por uma forte carga de nitrogênio e outros insumos agrícolas (no mundo, 100 milhões de toneladas anuais de nitrogênio chegam aos oceanos e são a principal causa da perda da biodiversidade marinha, diz o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente). Nada a estranhar, quando se lembra o relatório da Agência Nacional de Águas segundo o qual todas as bacias hidrográficas brasileiras, da Bahia ao sul do País, estão em “situação crítica”, por causa de poluição, assoreamento, esgotos, lixo, etc.

Mais dramática que todas é a situação da sardinha, fonte de renda para pequenos pescadores e alimentação para estratos mais carentes da população. O Comitê de Gestão do Uso Sustentável de Sardinhas, em reunião no mês de setembro, discutiu proposta, de um grupo de cientistas, de moratória de pelo menos 20 anos para a pesca nessa área em águas brasileiras e redução do número de barcos habilitados a pescar, entre outras medidas. Foi mostrada ali a evolução da pesca da sardinha no País: 230 mil toneladas em 1973, apenas 32 mil em 1990, subida para 117 mil em 1997, queda para 17 mil em 1999. Hoje a produção está estimada entre 18 mil e 25 mil toneladas. Já houve 20 indústrias que enlatavam sardinhas no País, hoje são apenas três, em Santa Catarina.

“A pesca pode estar inviabilizada em 2050, segundo a Avaliação Ecossistêmica do Milênio”, enfatiza o relatório 21 do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável. Citando um encontro promovido pela Fundação Joaquim Nabuco, o relatório assinala que no País a pesca extrativa industrial e artesanal responde por 75% do total pescado, enquanto à aqüicultura já cabem 25%. Mas os principais serviços marinhos já estão “ameaçados de extinção”. E “falta uma política de proteção, manejo e renovação dos estoques”.

Como entender, assim, que se pretenda duplicar o volume pescado e ampliar na escala anunciada as aqüiculturas, sem uma política adequada, respeitada tanto pelos segmentos econômicos como pela sociedade? Como entender que se continue subsidiando a ampliação da frota pesqueira, o uso de combustível e a própria atividade pesqueira, acompanhando o resto do mundo, onde os subsídios anuais chegam a US$ 15 bilhões? Aonde pretendemos chegar? A um panorama semelhante ao da China, onde 50% dos ecossistemas costeiros já desapareceram sob aterros (China Daily, 9/6/8)?

Washington Novaes é jornalista
E-mail: wlrnovaes@uol.com.br