Arquivo de dezembro, 2008

Mudanças Climáticas: Conferência de Poznan

20/12/08

Segunda-feira, 15 dezembro de 2008

O Brasil na Conferência de Poznan

José Goldemberg

Acaba de se encerrar em Poznan, na Polônia, a meio caminho entre Berlim e Varsóvia, a 14ª reunião dos países signatários da Convenção do Clima. Estas reuniões ocorrem todos os anos, com a finalidade de definir as medidas a serem tomadas pelos diversos países com o objetivo de “proteger o sistema climático para o presente e as futuras gerações”. Em 1997 ela adotou o Protocolo de Kyoto, que fixou metas obrigatórias, para os países industrializados, de redução das emissões dos gases responsáveis pelo efeito estufa, a serem cumpridas até 2012. Apesar de estas metas não terem sido cumpridas por vários países, há uma enorme pressão para adotar outras ainda mais rigorosas na próxima conferência, a se realizar em Copenhague (Dinamarca) em dezembro de 2009. A Conferência de Poznan foi preparatória para a de Copenhague e apreciou os progressos feitos pelos diversos países nos últimos anos e quais as ações que estão implementando (ou pretendem adotar) para “proteger o sistema climático”.

Cada país emite quantidades diferentes de gases de efeito estufa, dependendo da sua população, do seu estágio de desenvolvimento econômico, do tipo de combustível que usa e do desmatamento que ocorre dentro do seu território. Os dez maiores emissores, pela ordem, são Estados Unidos, China, Indonésia, Rússia, Brasil, Japão, Índia, Alemanha, Canadá e Inglaterra, que representam dois terços de todas as emissões mundiais. A responsabilidade de reduzir as emissões pode ser diferente, mas não é possível aceitar que qualquer país se escuse de fazê-lo, porque com isso prejudica não só os outros, como a si mesmo.

O Protocolo de Kyoto, porém, foi ao extremo de isentar os países em desenvolvimento de reduzirem suas emissões. Essa decisão tomada em Kyoto se revelou desastrada. Por causa dela os Estados Unidos (responsáveis por 25% das emissões mundiais) se mantiveram fora do protocolo, usando o argumento de que teriam de arcar com custos muito elevados para cumpri-lo, prejudicando com isso a competitividade americana no comércio internacional. Além disso, argumentaram que estão subsidiando desenvolvimentos tecnológicos que resolverão o problema, o que claramente não ocorreu até agora: suas emissões aumentaram 20% entre 1990 e o ano 2000. As da China aumentaram 39% no mesmo período e respondem também por 25% das emissões mundiais (tanto quanto os Estados Unidos). A China justifica-se usando o argumento de que o país é subdesenvolvido e precisa crescer. É um pouco irônico que um país como a China, que constrói bombas atômicas e lança satélites no espaço, recorra a essa justificativa. É claro que, se todos os países a usarem, os objetivos da Convenção do Clima nunca serão alcançados.

Os argumentos do governo dos Estados Unidos são equivocados e refletem a influência que os produtores de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás) têm nesse país e que já foi usada para se oporem, no passado, à Lei do Ar Limpo, adotada na década de 1970.

A China, como os demais países em desenvolvimento, tem de tomar as medidas que julgar mais apropriadas para reduzir as suas emissões e abandonar a quimera de que os países ricos terão de pagar por elas. Não há nenhuma razão para que aqueles países, ao se industrializarem, não adotem tecnologias modernas e menos poluentes, evitando os erros cometidos no passado pelas nações que são hoje industrializadas. Esperar que os países ricos paguem por sua ineficiência é irrealista, mesmo porque freqüentemente o problema não é dinheiro, mas a adoção de políticas corretas.

Sob este ponto de vista, o Brasil não está tão mal situado, porque seu parque industrial é moderno e sua matriz elétrica, relativamente limpa.

O grande problema do Brasil é reduzir o desmatamento da Amazônia. É difícil entender a resistência do governo federal a adotar metas de redução, considerando os prejuízos que essa política causou não só aos próprios brasileiros, mas também à credibilidade do País no exterior, o que se reflete em menor apoio financeiro às ações necessárias.

As razões alegadas para não fazê-lo são de dois tipos:

O primeiro é o de que a preservação da Amazônia é desejada por estrangeiros como se fosse um jardim botânico, o que impediria o desenvolvimento da região;

o segundo é o de que países industrializados deveriam pagar para evitar o desmatamento das florestas, por meio de doações, e não usar um mecanismo de mercado. Nesta visão, se o “desmatamento evitado” fosse objeto de transações comerciais, os países ricos se legitimariam em continuar emitindo.

Ambos os argumentos são equivocados:

Quem mais sofrerá com o desmatamento da Amazônia não são os estrangeiros, mas todos os brasileiros, porque a mudança de clima que ele vai provocar atingirá o Nordeste e o Sudeste do País;

os países industrializados, sobretudo da Europa, já estão adotando metas severas para redução das emissões e não estão esperando que o desmatamento da Amazônia seja reduzido para fazê-lo. Além disso, os recursos necessários são muito maiores do que os disponíveis através de filantropia.

Nas vésperas da Conferência de Poznan, a posição do governo melhorou e fixou metas para a redução do desmatamento. A nova política é um passo à frente - apesar de ter sido recebida com algum ceticismo em Poznan -, mas introduziu algumas condicionantes relativas a recursos do exterior, o que é um equívoco, porque muitas das medidas necessárias são de caráter administrativo, e não financeiro.

O que será preciso agora é se certificar de que essas metas de redução serão, de fato, atingidas.

José Goldemberg é professor da Universidade de São Paulo

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sábado, 13 de dezembro de 2008, 17:16

Emergentes saem mais fortalecidos de Poznan

Países como Brasil, China e Índia assumem novo protagonismo

Andrei Neto, enviado especial - O Estado de S. Paulo

POLÔNIA - As negociações da maratona ambiental de 15 dias que resultaram no relatório final da 14ª Conferência do Clima das Nações Unidas, fechado na madrugada de sábado na Polônia, demonstraram a vitória de um grupo de países. Enaltecidos por personalidades da comunidade ambientalista e reconhecidos pelas maiores ONGs do mundo, emergentes como Brasil, China, Índia, México e África do Sul foram alçados ao protagonismo do futuro acordo do clima, em Copenhague, em 2009.

A nova configuração de forças nasceu da conjunção de três fatores na Polônia. Um deles foi a transição de poder nos Estados Unidos, que reduziu à discrição total a delegação americana enviada por George W. Bush. O outro foi o impasse na União Européia, cujos líderes se dividiam em torno da aprovação ou não de suas metas - o Pacote Energia-Clima. O último deles foi o abandono, por parte dos emergentes, do discurso da “responsabilidade histórica”. Esse argumento atribuía ao processo de industrialização dos países desenvolvidos, a partir do século 18, a responsabilidade pelo aquecimento global, e desobrigava os mais pobres de também empreenderem ações fortes de mitigação.

Essa postura permitiu que países como o Brasil assumissem, ao longo do último ano, uma ação mais proativa no cenário internacional, desarmando o argumento dos EUA, que condicionava suas atitudes à fixação de metas por emergentes.

A nova conduta foi marcada por projetos como o Plano Nacional de Mudanças Climáticas. Com ele, Brasília se comprometeu, pela primeira vez, com metas de redução de emissões de CO2. Embora criticado por ONGs internamente, o plano - cujo objetivo é reduzir em 73% o desmatamento até 2017 - fez sucesso nos corredores de Poznan.

QUERIDINHOS

Ao longo da segunda semana da COP 14, as palavras de apreço aos emergentes se multiplicaram. Yvo de Boer, secretário-executivo do Painel do Clima da Organização das Nações (ONU), martelou todos os dias que esses países haviam assumido suas responsabilidades. A cobrança, argumentava, recairia sobre as nações mais ricas.

Uma lista de prêmios Nobel - como o coordenador do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), Rajendra Pachauri, e o economista Wangari Maathai - também enalteceram os novos protagonistas. Richard Worthington, um dos líderes do Greenpeace, reconheceu o novo cenário: “Países em desenvolvimento como o Brasil, que criou o Fundo da Amazônia e já tem US$ 1 bilhão para enfrentar o desmatamento, o México, a África do Sul, a China dão sinais. Mas não vemos avanços dos países ricos.” “Estou particularmente orgulhosa do papel dos países em desenvolvimento nessa conferência”, reiterou Tasneen Essop, membro da WWF África do Sul.

MÍDIA

Leandro Waldvogel, diplomata do Itamaraty envolvido nas negociações, relativizou a aclamação internacional do Brasil e dos emergentes. “As pessoas se deram conta do peso político que o país já tinha nas negociações. Somos, com certeza, um dos cinco maiores players das rodadas do clima das Nações Unidas”, afirma, fazendo uma concessão: “Talvez com o plano de mudanças climáticas tenhamos sido mais midiáticos.”

Quarto maior emissor do mundo, o Brasil, como os demais emergentes, será cobrado pelas metas de preservação que assumiu - e corre risco de desmoralização caso não as cumpra. Além disso, nadará em águas mais turvas em Copenhague, entre 30 de novembro e 11 de dezembro de 2009.

Lá, as negociações com nações ricas serão duras, e a pressão, imensa. “O embrião do acordo final está desenhado”, disse, confiante, Luiz Alberto Figueiredo, chefe da delegação brasileira em Poznan.

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Sábado, 13 dezembro de 2008

Brasil deve liderar debate sobre o clima

Marcos Sawaya Jank
Terminaram ontem em Poznan, na Polônia, duas semanas de frias reuniões da 14ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 14). A despeito das calorosas emoções que cercam o tema da redução das emissões dos gases de efeito estufa (GEE), que provocam mudanças no clima, o fato é que 11 anos após a adoção do Protocolo de Kyoto os resultados ainda são bastante modestos.

Ocorre que os Estados Unidos se recusaram a ratificar o protocolo, que haviam assinado inicialmente, e a maioria dos países ricos ainda está longe de atingir as metas de redução propostas. A compensação por meio do chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) também encontra imensas dificuldades burocráticas na sua operacionalização. Os países em desenvolvimento dividem-se entre os que exigem reduções expressivas, porque correm risco de desaparecer do mapa (países insulares, por exemplo), os que se recusam a avançar (produtores de petróleo) e os que esperam que os países ricos façam a sua lição de casa antes de pedir o comprometimento dos mais pobres. A despeito de ser um dos países com maior potencial para reduzir emissões de GEEs, o Brasil vinha se “escondendo” atrás da Índia e da China nesta terceira categoria. China, Brasil e Índia foram, respectivamente, o segundo, o quarto e o sexto maiores emissores do planeta em 2000! É hora de mudar de postura.

Em primeiro lugar, se fizéssemos a nossa lição de casa, com uma redução expressiva da taxa anual de desflorestamento da Amazônia, assumiríamos uma posição de liderança global nas negociações sobre o clima. Mais de 75% de nossas emissões estão relacionadas ao “pecado original” do desmatamento ilegal, cujas raízes são as deficiências da fiscalização e a falta de direito de propriedade da terra, já que apenas 4% das terras da Amazônia têm títulos incontestáveis - o que transforma a floresta num convite permanente para posseiros e grileiros. Felizmente, o governo decidiu enfrentar este problema e anunciou, numa mudança histórica de posição, metas internas de redução de desflorestamento na conferência, por meio do Plano Nacional de Mudanças do Clima, aprovado há duas semanas pelo presidente Lula. Se, efetivamente, conseguirmos cumprir o anunciado - reduzir o desmatamento da Amazônia para o patamar de 5.740 km2 por ano até 2017 -, estaremos dando um enorme passo no controle da hoje caótica ocupação da floresta. Esta meta, contudo, só será atingida se o setor privado também se engajar no processo. A moratória da indústria da soja na Amazônia e o apoio irrestrito da indústria sucroenergética à interdição de novos plantios da cana-de-açúcar na floresta amazônica e no Pantanal são exemplos de amadurecimento seguido de atitudes concretas de empresários no tema da sustentabilidade.

Segundo, temos tudo para reduzir nossas emissões de GEEs com políticas que fomentem o crescimento sustentável da parcela dos renováveis (carvão vegetal renovável, etanol e biomassa de cana-de-açúcar, biodiesel, energia eólica e solar) na matriz energética brasileira. Ao contrário da China e da Índia, o Brasil conta hoje com uma das matrizes mais limpas do planeta, com 46% de energias renováveis, e é imprescindível lutar para que ela se torne ainda mais limpa. Mas, infelizmente, a expansão de termoelétricas “sujas” à base de carvão mineral e óleo combustível e a permanente “tentação” de reduzir os impostos e/ou os preços administrados da gasolina podem levar a uma queda da participação dos renováveis na matriz energética, a exemplo do que ocorreu nos anos 1990.

Terceiro, esforços complementares podem ser feitos com a redução de emissões da agropecuária e de indústrias como siderurgia, mineração, cimento, petroquímica e outras.

Tudo indica que os democratas, liderados por Barack Obama, vão mudar o rumo da matéria em 2009 e os Estados Unidos se apresentarão na 15ª reunião, em Copenhague (COP 15), com posições inovadoras, assumindo um papel de liderança nas negociações do acordo pós-Kyoto. O novo governo americano deve combinar políticas fiscais expansionistas com incentivos a tecnologias menos poluentes. No segundo semestre de 2009, a União Européia será presidida pela Suécia, um país exemplar na área do meio ambiente e da ampla utilização de bioenergias. O clima em Poznan mostrou claramente que não basta vontade política para lutar contra as mudanças do clima. Estados Unidos, União Européia, Brasil, China, Índia e Indonésia são atores centrais que precisam exercer liderança na discussão de novas metodologias e mecanismos de incentivo e em compromissos mais ambiciosos de redução de emissões.

Ao menos internamente, é hora de o governo e empresários brasileiros começarem a estudar seriamente a possibilidade de assumirmos metas ambiciosas de redução de emissões por setor, com sistemas de compensações e políticas públicas que premiem tecnologias que tragam benefícios sociais e ambientais para a sociedade. Nas discussões sobre o clima em 2009, nossos diplomatas certamente terão a oportunidade de negociar ações multilaterais mais adequadas para mitigar o aquecimento global e que sejam, ao mesmo tempo, mensuráveis, relatáveis e verificáveis. Se o inevitável acordo pós-Kyoto produzir um sistema econômico que incentive as tecnologias limpas de forma mais eficaz que o atual MDL, seguramente o Brasil não terá dificuldades em futuramente se comprometer com metas globais de reduções de emissões, até porque essa atitude tem de tudo para gerar mais benefícios do que perdas para as empresas e a sociedade.

Marcos Sawaya Jank, professor licenciado da FEA-USP, é presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica)

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Sustentabilidade e Negócios: ações verdes

20/12/08

19/12 - 02:14

Ações verdes são alvos de grandes fundos de pensão

19 de Dezembro de 2008 - Até recentemente, os fundos de investimento verde eram na maior parte um nicho para os investidores individuais. Mas agora investir na idéia de melhorar as ações ambientais das corporações, não só maximizar o lucro, está virando moda entre grandes fundos de pensão e fundações, particularmente na Europa e mesmo nos Estados Unidos.

Esses fundos estão redirecionando os investimentos para empresas que causam menos danos ambientais e para aquelas que se empenham para limitar a produção das emissões que, se acredita, estão contribuindo para o atual processo de aquecimento global.

Entre os líderes estão o Fundo de Pensão Global do Governo da Noruega; ABP, o imenso fundo de pensão do governo holandês; e o fundo de pensão da Agência Ambiental Britânica. Nos EUA, o Fundo de Aposentadoria dos Professores do Estado da Califórnia, um dos maiores fundos de pensão do país, é um dos poucos fundos americanos que se tornaram um investidor verde.

“Decidimos que devemos fazer isso porque nossa estratégia de investimento não estava associada com nossa missão”, explica Howard Pearce, diretor do fundo de pensão da Agência Ambiental Britânica.
No entanto muitos investidores institucionais, inclusive uma série de fundações já comprometidas com metas ambientais como parte de suas doações, têm resistido ao movimento, ou tomado só pequenas medidas, com medo de que isso prejudique os lucros. Desse cenário atual fazem parte a Fundação Bill e Melinda Gates, universidades renomadas como Harvard e Yale, e mesmo o fundo de pensão da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Do ponto de vista ambiental, o maior ausente é o investidor comunitário”, explica Matthew Kiernan, fundador da Innovest, uma empresa de investimento sustentável global. “A atitude é: ‘Nós não cortamos árvores’. Mas o dinheiro é o oxigênio para todos os outros setores”.

Os defensores do investimento verde dizem que as empresas, fundações e governos podem combater a mudança climática por meio de seus investimentos com mais eficiência do que por meio de filantropia e outras atividades similares.

Alguns grandes investidores estão inclusive mudando de direção para vender as ações de empresas consideradas negligentes com o meio ambiente. É mais comum, no entanto, que elas tentem pressionar a diretoria por meio de reuniões reservadas e resoluções dos acionistas para modificar o impacto que exercem sobre o meio ambiente.

“Esse pode ser o canal mais importante de que eles dispõem - o dinheiro fala”, diz Frederic Hauge, diretor da Fundação Bellona, maior organização ambiental não governamental da Noruega, que pressionou o fundo de pensão norueguês a tomar uma atitude. Esse fundo de pensão é o maior fundo estatal do mundo. Os fundos de pensão detêm, segundo estimativas, um terço das ações emitidas no mundo.
Hauge e outros enfatizam que não estão sugerindo que os investidores evitem totalmente as empresas envolvidas em setores necessários, porém poluentes, como mineração e produção de petróleo e cimento. Eles dizem que os fundos de investimento podem ser direcionados para empresas que produzem energia e estão relacionadas a outras atividades que emitem um volume excessivo de gás carbono da maneira mais sustentável possível.

Na Grã-Bretanha, os gestores de fundos da agência ambiental trocaram, no ano passado, os contratos no valor de centenas de milhões de dólares das empresas de fundos americanas, como a Capital International e a State Street Global Advisors porque elas não seguiam o que a agência considerava serem normas ambientais adequadas.

No mês passado, o fundo de pensão global norueguês, que adotou uma nova estratégia de sustentabilidade no final de 2004, vendeu as ações da mineradora Rio Tinto por causa de suas práticas na Indonésia. Essas foram as mais recentes das ações de sete empresas que o fundo vendeu por questões ambientais.

O fundos dos professores da Califórnia, conhecido como Calsters, com carteira de US$ 169 bilhões em ativos, declarou que só as empresas que tomam medidas contra a mudança climática receberão seu selo de aprovação e tem pressionado empresas como a Exxon Mobil e a Southern, uma gigante dos serviços públicos, a divulgarem integralmente as emissões de gases que contribuem para a mudança climática.
Para incentivar maior envolvimento nessa área, a ONU lançou, há três anos, o programa Princípios para o Investimento Responsável, um pacto no qual os signatários prometeram integrar as questões ambientais com os investimentos. O número de membros dobrou para 381 em 2008, representando US$ 14 trilhões em ativos administrados. Mas seu impacto tem sido limitado.

“A motivação é realmente imensa, com o número de signatários crescendo ano a ano”, disse James Gifford, de Londres, diretor-executivo do programa Princípios para o Investimento Responsável. Mas ele acrescentou que “muitas estão, de fato, nos estágios iniciais, procurando pessoas com experiência em investimento verde quando contratam gestores de fundos”.
Os defensores do investimento sustentável dizem que estão desapontados porque muitas organizações que declaram apoio para as metas ambientais tenham feito tão pouco.

“Poderíamos pensar que as primeiras ações viriam das universidades e das fundações, mas tem havido pouco movimento por parte delas”, disse Paul Hawken, ex-proprietáro da rede de varejo de jardinagem Smith & Hawken e fundador do Natural Capital Institute, que monitora o investimento sustentável nos EUA. “Vemos painéis solares nas bibliotecas, mas não no portfólio das universidades e fundações”.
As fundações ou os fundos de pensão não são obrigados a publicar listas de investimentos. No interesse de concentrar as decisões de investimento na realização dos maiores retornos, muitas fundações e universidades ergueram um muro entre suas divisões de investimentos e suas doações para boas obras.
Quando perguntada sobre investimento sustentável, Amy Frotsch, da Fundação Bill e Melinda Gates, disse: “Temos uma estrutura de duas entidades”. A fundação, a mais rica do mundo, distribui dinheiro e verbas para projetos separadamente da gestão de sua carteira de investimentos, que é administrada por um grupo chamado BGI, que não retornou as ligações telefônicas em busca de comentários.

Joseph Poupore, porta-voz de Harvard, disse que a universidade estava “fazendo tudo, em todas as áreas, para promover a sustentabilidade no campus” mas “infelizmente não posso falar sobre nossas práticas de investimentos”.

O fundo de pensão da ONU não retornou mais de meia dúzia de ligações em busca de comentários.
As fundações e os fundos de pensão habitualmente têm obrigação de maximizar os retornos. Elas informam que temem ter retornos baixos nos investimentos verdes.
Mas os fundos de pensão que iniciaram essa área informam que as duas metas não são necessariamente incompatíveis.
“Temos as mesmas expectativas de retornos de nossos investimentos convencionais”, disse Jack Ehnes, diretor-executivo da Calsters, que tem um programa de investimento sustentável de bilhões de dólares. “Estamos usando nosso portfólio como mecanismo para atacar a mudança climática”, disse Ehnes.

(Gazeta Mercantil/Relatorio - Pág. 4)(Elizabeth Rosenthal The New York Times)

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Responsabilidade dentro da estratégia

19 de Dezembro de 2008 - Com consumidores cada vez mais exigentes e preocupados com o meio ambiente e a responsabilidade social, instituir políticas e ações socioambientais têm se tornado uma poderosa ferramenta de marketing para divulgar a marca das empresas de todas as áreas de atuação. No entanto, muitas delas ainda não sabem qual a melhor forma de instituir programas desse tipo.

Dentro das possíveis ações que as empresas podem escolher, manter programas de filantropia, ajudando financeiramente determinadas instituições de cunho social ou ambiental, é algo que tende a ser menos freqüente nas companhias daqui para a frente, segundo análise de especialistas. Mas isso não quer dizer que a responsabilidade socioambiental ficará de fora das estratégias das empresas, muito pelo contrário.
O que acontece é que, ao invés de ser apenas uma ação totalmente independente do negócio e da estratégia da empresa, os programas sociais e voltados ao meio ambiente tendem a se tornar parte integrada ao negócio da companhia, totalmente relacionadas à sua área de atuação.

“As empresas precisam pensar mais em seu core business”, explica Katherine Schulz, diretora executiva da Tandaká Soluções Sustentáveis, empresa que desenvolve ações de endomarketing voltadas para conscientização socioambiental, e coordenadora do programa de MBA Gestão Estratégica para Sustentabilidade da BBS (Brazilian Business School).

A especialista exemplifica o que quer dizer: “uma empresa que fabrica lâmpadas e então passa a produzir lâmpadas que consomem menos energia é uma companhia que integrou ações ambientais à estratégia de atuação. Essa é a idéia”.

Para Katherine, o problema de desenvolver ações isoladas e independentes é que esse tipo de atitude não passa a fazer parte da cultura e do dia-a-dia da empresa. “Se as ações não estiverem integradas ao cotidiano da companhia, viram filantropia e isso não cria raiz na empresa”, resume.

Para que todos na empresa estejam alinhados a uma estratégia sustentável, Katherine acha que é preciso transformar os funcionários em pessoas conscientes. “Isso deve começar por dentro. Quando o funcionário está ciente da necessidade de ser responsável, reproduzem essa mentalidade para os outros”, acredita.
Uma dica dada pela especialista para que esse engajamento dos funcionários aconteça é criar um comitê de sustentabilidade dentro da empresa com voluntários, além de instituir ações criativasde endomarketing sobre o tema.

Como companhias já engajadas nesse novo conceito de responsabilidade socioambiental, Katherine aponta como exemplos Banco Real, Wal Mart, Bunge e Promon.
Roberto Gonzales, diretor de sustentabilidade da Media Group, empresa especializada em tornar público o que as empresas clientes fazem com relação a responsabilidade socioambiental, é da mesma opinião que Katherine.

Para ele, o que as companhias fazem para a comunidade está começando a se tornar parte das estratégias das empresas.”Quando vão adquirir um outro negócio ou fazer uma parceria, os executivos estão atentos se essas outras companhias mantêm políticas sociais e ambientais. Ou seja, a responsabilidade socioambiental está sendo ampliada para as tomadas de decisão”, afirma o executivo, que também é professor de governança corporativa da Trevisan Escola de Negócios.

Mesmo apontando essa nova tendência de integração à estratégia , Gonzales avisa que outros tipos de ajuda dadas pelas empresas a algumas organizações não vão deixar de existir: “o auxílio a determinadas ONGs ainda vai continuar. Existem determinadas empresas que ainda estão engatinhando nesse conceito, estão um estágio atrás”, classifica.
C.P.
(Gazeta Mercantil/Relatorio - Pág. 2)(C.P.)

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008, 06:51

Nasa lançará satélite para mapear emissões de CO2

Dispositivo é capaz de localizar principais fontes de emissões de CO2 no planeta.

De San Francisco para a BBC - A Nasa, agência espacial dos Estados Unidos, lançará um satélite que pode mapear em detalhe a localização de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera da Terra.

O Observatório Orbital de Carbono (OCO, na sigla em inglês) apontará locais-chave na superfície do planeta onde o CO2 está sendo emitido e absorvido.

O CO2 emitido a partir de atividades humanas é tido como o responsável pelas mudanças climáticas, mas fatos importantes a respeito de sua movimentação pela atmosfera ainda não são totalmente compreendidos.

Para a Nasa, o novo satélite poderá ajudar na compreensão de alguns destes mistérios.

“Esta é a primeira aeronave da Nasa especificamente dedicada a mapear o dióxido de carbono. O objetivo da missão OCO é conseguir medidas tão precisas que poderão ser usadas para procurar ‘fontes’ e ‘bacias’ de CO2 na superfície”, disse o principal pesquisador do projeto David Crisp, que trabalha no laboratório de propulsão a jato da Nasa.

Crisp afirmou que o lançamento do OCO, em um foguete Taurus XL a partir da Base da Força Aérea de Vandenberg, Califórnia, está agendado para 23 de fevereiro de 2009.

A missão da Nasa foi apresentada na reunião de outono do Sindicato Americano de Geofísica.

Acima da superfície

A Nasa já tem um aparelho para detectar CO2 em seu satélite Aqcua, mas ele apenas examina gases de efeito estufa a cinco ou dez quilômetros acima da superfície terrestre.

O novo satélite vai detalhar a concentração de dióxido de carbono perto da superfície onde seu efeito de aquecimento é mais sentido.

Os mapas globais de concentração de CO2 feitos pelo OCO vão ajudar a equipe de pesquisadores a descobrir onde o gás está entrando na atmosfera e onde está sendo absorvido por plantas terrestres e pelos oceanos.

“Sabemos de onde a maior parte das emissões de combustíveis fósseis está vindo; também sabemos onde coisas como fabricação de cimento estão produzindo grandes quantidades de emissões de CO2″, disse Crisp.

“Mas existem outras coisas como queima de biomassa (floresta) e derrubada; e não temos uma boa medida da quantidade do CO2 liberada por estes processos.”

“Se você retirar os combustíveis fósseis, que compreendemos com sendo a fonte de 10% do CO2, e observarmos o resto do dióxido de carbono que é introduzido na atmosfera pelas nossas atividades, é 100% incerto”, acrescentou.

Mais mistérios

As “bacias” de CO2, locais onde o gás é absorvido, também apresentam mistérios.

A Terra estaria absorvendo cerca de 50% do dióxido de carbono que é produzido pelos humanos, a maioria vai para os oceanos. Mas, segundo cientistas, a descrição de outros locais de absorção ainda é pobre.

“Existe um punhado de ‘frascos’ atmosféricos de coleta (de CO2) pelo planeta e quando aplicamos os modelos para dados, eles mostram que existe uma bacia de carbono nas latitudes centrais e do norte”, afirmou o cientista britânico de observação da Terra Shaun Quegan, da Universidade de Sheffield.

“Mas ainda é motivo de debate se fica na América do Norte, na Sibéria ou em outro lugar.”

Como os cientistas ainda não têm uma noção exata de onde o CO2 está sendo absorvido, os pesquisadores têm uma compreensão limitada de como estas bacias de CO2 vão evoluir com a mudança climática.

“Vamos dizer que descobriremos que as florestas boreais no Canadá e Sibéria são as bacias primárias de CO2, devido ao seu crescimento rápido durante os meses de verão, quando o Sol aparece”, afirmou Crisp.

“Estes ambientes estão mudando de forma dramática agora. Eles vão continuar absorvendo CO2 à medida que o tempo passa? Não sabemos o tamanho do impacto deles atualmente. Por isso o OCO é tão importante”, acrescentou.

Luz

O satélite da Nasa leva um único instrumento, o espectrômetro, que separa as várias cores da luz do Sol refletida na superfície da Terra e analisa o espectro para determinar o quanto de dióxido de carbono e oxigênio molecular existe na amostra.

O OCO vai produzir mapas mensais do dióxido de carbono em regiões de 1,6 mil quilômetros quadrados da superfície da Terra com uma precisão de frações de 1%.

Além do novo satélite da Nasa, também será lançado em 2009 um satélite japonês conhecido como Satélite de Observação de gases de Efeito Estufa (GOSAT, na sigla em inglês).

A Europa também está considerando o lançamento de dois satélites de observação de carbono, o A-SCOPE (Observação Espacial e de Carbono Avançada do Planeta Terra) e uma missão chamada BIOMASS, que poderia ser lançada em 2016.

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Grupo Louis Dreyfus faz planos para elevar produção de etanol

Mônica Scaramuzzo, de São Paulo
18/12/2008

A crise financeira global, que agravou a situação de algumas usinas de açúcar e álcool do país, abriu oportunidades para outras companhias mais capitalizadas do setor sucroalcooleiro. Neste seleto grupo está a francesa Louis Dreyfus Commodities (LDC), que prospecta investimentos para expandir seus tentáculos neste segmento nos próximos anos.

“O setor oferece agora um número grande de oportunidades. Estamos de olho”, afirma Bruno Melcher, presidente do conselho da LDC Bioenergia ao Valor.

Discreta, a companhia fez sua estréia no setor em 2000, com a compra da usina Cresciumal, de Leme (SP). Depois, adquiriu outras duas usinas, a São Carlos, instalada na cidade que leva o mesmo nome, e a Luciânia, em Lagoa da Prata (MG). No início do ano passado, comprou de uma só tacada os ativos do grupo Tavares de Melo, com cinco unidades produtoras, o que tornou a companhia uma das maiores do setor.
Para 2009/10, o grupo deverá expandir a moagem de cana em 30%, saindo dos 15 milhões de toneladas nesta atual safra para quase 20 milhões de toneladas, afirma Melcher. Essa expansão vai ocorrer com o aumento da capacidade das atuais oito usinas do grupo. “Temos avançado. No ano passado, inauguramos a unidade de Rio Brilhante (MS)”, diz.

Com faturamento de US$ 3 bilhões no Brasil e US$ 27 bilhões no mundo (base 2007), a LD Commodities planeja investir até 2010 quase US$ 1 bilhão no país, dos quais uma boa parte será destinado ao setor sucroalcooleiro. Nos últimos quatro anos, o grupo fez aportes de US$ 1,125 bilhão no país para expandir seus negócios agrícolas.
No mercado, circulavam informações de que a Louis Dreyfus poderia se desfazer de seus ativos em açúcar e álcool. Melcher diz que a informação não faz o menor sentido e afirma que a Dreyfus está comprometida com o setor sucroalcooleiro.

A empresa francesa está entre as interessadas em fazer sociedade com o grupo Nova América, que está à procura de um parceiro para levar seus negócios adiante. Segundo Melcher, o grupo não descarta fazer parcerias para elevar os negócios no setor.

No ano passado, o grupo entrou com pedido para abertura de capital na bolsa, mas recuou no início deste ano por conta da situação adversa do mercado. “Ajustamos o timing.” E quando o mercado der sinais de melhora o grupo vai retomar os seus planos de ir à Bovespa.

Com sede em São Paulo, a gigante também opera quatro fábricas processadoras de oleaginosas, três fábricas de suco de laranja, dois terminais portuários (Paranaguá e Santos), mais de 50 armazéns graneleiros, e administra de mais de 200 mil hectares de terras, entre pomares de laranja e canaviais.
Fundado em 1851, em Paris, na França, o grupo Louis Dreyfus iniciou suas atividades no comércio de grãos, comprando a produção de fazendeiros franceses para vender na Suíça. Dez anos depois, a empresa já tinha escritórios na França, Alemanha e Rússia e no final do século XIX, já havia iniciado as operações de trading.
No Brasil desde 1905, o grupo atuava apenas no comércio de algodão e trigo. Após adquirir a Comércio e Indústrias Brasileiras Coinbra S/A, em 1942, a companhia expandiu suas atividades também para o comércio de açúcar, produtos cítricos e café. Na década de 90, a empresa ampliou a produção agrícola da área de cítricos e de oleaginosas. No início dos anos 2000, fez sua estréia em açúcar e álcool.

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18/12/2008 - 18h40

Obama completa equipe que trabalhará em ações ambientais

da Folha Online
O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, completou nesta quarta-feira (17) a equipe que será encarregada de enfrentar os desafios energéticos e ambientais do século XXI, ao nomear Tom Vilsack para a Agricultura e Ken Salazar para o Interior. O meio ambiente, conforme disse na semana passada, é uma das prioridades da sua gestão.

“Para dirigir o departamento da Agricultura, não vejo ninguém melhor que Tom Vilsack”, declarou Obama nesta quarta-feira durante uma entrevista coletiva. Uma das principais missões de Vilsack na Agricultura será acompanhar a evolução dos biocombustíveis, acusados de contribuir para a deterioração da crise alimentar.

Obama destacou que Vilsack promoveu em seu estado, Iowa, “o desenvolvimento de biotecnologias para ajudar nossos agricultores e incentivar uma economia do futuro, que não cultive apenas o que comemos mas também a energia que utilizamos”.
Tom Vilsack, 58 anos, já foi o governador de Iowa, um estado responsável por grande parte da produção agrícola dos Estados Unidos.

“Tom entende que a solução para nossa crise da energia não será encontrada nos campos de petróleo do exterior, mas em nossas plantações agrícolas, na nossa casa”, afirmou.
Já Ken Salazar, 53 anos, o senador de Colorado (oeste dos EUA), foi designado para o cargo de secretário do Interior. Salazar substituirá Dirk Kempthorne.
A missão deste ministério é gerenciar os recursos naturais e supervisionar o trabalho das agências nacionais como o departamento da organização do território, os parques nacionais ou o Instituto de Geofísica Americano (USGS).

“Poucas pessoas são tão qualificadas para encarar os desafios da energia e dos recursos do século XXI”, declarou Obama nesta quarta-feira, referindo-se ao futuro secretário do Interior.
Com a nomeação de Salazar, foi completada a equipe que será encarregada de enfrentar os desafios ambientais na futura administração Obama. O presidente eleito apresentou segunda-feira (15) sua futura equipe da energia e do clima, que inclui o prêmio Nobel de física Steven Chu como secretário da Energia.

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Sustentabilidade gera demanda por contabilistas

por Gazeta Mercantil
17/12/2008

Contabilistas ambientais ainda representam apenas 1% dos 400 mil contadores registrados no Brasil, mas apontam tendência

A responsabilidade socioambiental tem se destacado como uma nova atuação do contabilista. O mercado, cada vez mais exigente sobre a responsabilidade de uma empresa para com o meio ambiente e a sociedade, necessita de profissionais preparados para orientar e demonstrar como o empreendedor deve agir e se relacionar frente as informações dessa área.

A partir dessa preocupação, surgiu o contabilista ambiental, profissional responsável por mostrar ao mercado e ao próprio empreendedor de que maneira os impactos ambientais e sociais causados pela própria empresa podem afetá-la financeiramente. “O contador tem o papel de apresentar ao cliente a saúde patrimonial de sua empresa”, afirma o sócio da Trevisan Outsourcing, Vagner Jaime Rodrigues.

Desde a década de 70, as questões socioambientais passaram a integrar o currículo da formação de contabilista. Mas as atuais exigências de que uma empresa cumpra obrigações e cuidados em relação ao meio ambiente e à sociedade têm contribuído para um aumento na procura de contadores especializados.
Ainda com uma representatividade pequena - de apenas 1% em relação aos 400 mil contadores registrados no Brasil - a função do contabilista socioambiental também está relacionada à elaboração de relatórios, balanços, certificações e auditorias.

O contador atua como um consultor, capaz de orientar o que o empresário deve ou não fazer para comprovar os benefícios realizados para o meio ambiente e a sociedade - os ativos ambientais. Programas de reflorestamento, projetos sociais de auxílio à população em geral - com ênfase àqueles que têm ligações diretas com a empresa, principalmente os funcionários - são exemplos de atividades realizadas pelos empreendedores.

Os efeitos negativos de uma empresa ao meio ambiente e à própria sociedade, ou seja, os passivos ambientais - poluição, desmatamento, danos à saúde, entre outros -, também são responsabilidades do contador. Cabe a ele registrar os impactos e providenciar o pagamento das multas e fiscalização, o que representa uma obrigação da empresa em ressarcir os danos causados. “A atividade do contador é baseada em mensurar os efeitos, causas e impactos da empresa, registrar nos relatórios a parte contábil dos processos e demonstrar alternativas e soluções ao empreendedor”, diz Rodrigues.
Os passivos ambientais interferem diretamente no balanço patrimonial da empresa. Dessa forma, por meio de cálculos, estimativas e registros nos relatórios e balanços, o empreendedor terá controle dos futuros gastos e investimentos necessários para compensar o prejuízo causado.

O balanço socioambiental é uma das principais atividades realizada pelo contador, visando tornar públicas as atividade de uma empresa nessa área. “O objetivo do balanço é traduzir para a sociedade os projetos e iniciativas que a empresa realizou na área socioambiental. É um instrumento capaz de registrar o nível de comprometimento da empresa com o meio ambiente e a sociedade em geral”, afirma o vice-presidente de Desenvolvimento Operacional do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e diretor da catarinense Martinelli Auditores, Juarez Domingues Carneiro.

Com um modelo já implementado pelo CFC, o balanço ainda não é um documento obrigatório, mas “a partir de 2009 ou 2010, haverá um projeto legislativo que obrigará a apresentação do balanço, até porque as instituições financeiras internacionais só investem em empresas que apresentem o documento”, diz o executivo do CFC.

Outro ponto que coloca o contador em destaque nas estratégias socioambientais é o fato de o seu conhecimento assegurar a qualidade dos balanços, em geral produzidos por firmas terceirizadas ou pelas próprias empresas.

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“Sou um ecoansioso, quero tudo resolvido”

18/12/08

Segunda-Feira, 15 de Dezembro de 2008

Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente

Carlos Minc: ministro do Meio Ambiente; ministro diz ao Estado que o desmatamento zero é sua meta e afirma que não cedeu a pressões na questão do diesel

João Domingos e Felipe Recondo, BRASÍLIA

Desde que assumiu o Meio Ambiente, em maio, Carlos Minc mudou radicalmente a forma de atuação da pasta. Saiu da política do “não pode”, para a do “vamos ver como é que pode”. Minc substituiu a senadora Marina Silva (PT-AC), nome consagrado internacionalmente, que acabou desgastada no governo principalmente pela oposição que fazia à concessão das licenças ambientais para obras do Projeto de Aceleração do Crescimento (PAC).

Ao contrário de Marina, que encarava quase tudo com ar casmurro, Minc debate todos os assuntos. “Sou um ecoansioso, quero que tudo se resolva o mais rápido possível”, afirma. Na semana passada, ele participou da 14ª Conferência do Clima das Nações Unidas, da qual o País saiu fortalecido graças à boa aceitação do Plano Nacional de Mudanças Climáticas.

Por que o sr. adotou política tão diferente da de sua antecessora?

Quando assumi o cargo, procurei dar continuidade ao trabalho que a ministra Marina Silva vinha fazendo com muita competência. Tenho o maior respeito e admiração por ela. Com o tempo houve um desgaste natural dela e da equipe pelos diversos enfrentamentos que ocorreram. E ela acabou por sentir que estava sendo inviabilizada. E saiu dizendo que o fazia para pôr novamente a questão ambiental na agenda do governo. Conseguiu.

Depois de viajar o País em seis meses de ministério, que saídas o sr. vê para a Amazônia?

Tem saída. Com o aumento da vigilância, a duplicação das ações do Ibama e da Polícia Federal, o bloqueio de rodovias em pontos estratégicos para evitar a passagem da madeira ilegal e o leilão do boi pirata encontrado nas unidades de conservação conseguimos reduzir nesses seis meses o desmatamento em 23%. Nossa meta é o desmatamento zero. Agora, precisamos criar alternativas para 24 milhões de pessoas viverem com dignidade sem desmatar. Isso se faz com fixação do preço mínimo dos dez principais produtos extrativistas da região; criação de linha de crédito de R$ 1 bilhão com 12 anos de carência e 4% de juros para reconstituição de áreas de preservação; conclusão do zoneamento ecológico-econômico da Região Norte. Já criamos o Fundo Amazônia, que prevê U$ 1 bilhão, doado por governos e entidades internacionais. Interessados no dinheiro só poderão se candidatar a receber a verba se tiverem projetos na área de preservação.

E quanto ao avanço da cana-de-açúcar na Amazônia?

Não haverá avanço da cana nem na Amazônia nem no Pantanal. As duas áreas estão fora do zoneamento ecológico e econômico para o plantio da cana.

O que será feito para que as unidades de conservação não continuem a serem invadidas, visto que não há fiscalização suficiente?

Precisam de mais verbas, mais cientistas, mais fiscais e planos de manejo. Decidimos fazer até 2009 mais cem planos de manejo - 44 a gente já botou em edital. Nossas unidades recebem poucos visitantes, 3,5 milhões, e os parques norte-americanos 192 milhões. Decidimos mudar isso e levar o turismo para nossos parques. Não gosto do conceito de unidade-fortaleza.

Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) determinava que a partir de 2009 houvesse redução na quantidade de enxofre no diesel e fabricação de novos motores para ônibus e caminhões. Isso não foi feito. O Meio Ambiente patrocinou um acordo que permitiu a redução só em 2012. O sr. cedeu a lobbies?

Eu não cedi nada. Tem uma resolução de 2002 do Conama, a 315, que dizia que os ônibus e caminhões novos, a partir de 2009, deveriam ter emissão equivalente à do motor Euro4 e com diesel S-50. Em cinco anos, a Agência Nacional do Petróleo (ANP), que tinha de especificar o diesel, não especificou. Ficou esse tempão enrolando. A Anfavea, que tinha de preparar os motores, também não fez nada. Alegou que, como a outra não especificou, ela não tinha o que fazer. A Petrobrás tinha de preparar o diesel. Nosso diesel é um horror, um veneno. A Petrobrás efetivamente investiu R$ 4 bilhões em 11 refinarias para retirar o enxofre. Só que está atrasada. Em vez de estar com tudo isso pronto para 2009, vai estar para 2010. Como a resolução dizia respeito aos novos veículos - aproximadamente 200 mil ônibus e caminhões novos -, esse era o quadro quando cheguei ao ministério.

Não houve pressão?

Vieram com pressão para cima de mim para modificar a resolução ou dar mais prazo para ela, ou dar uma excepcionalidade que a própria resolução previa. Como a resolução dizia que a Anfavea tinha 36 meses para fazer um motor novo, a partir da especificação da ANP, e como a ANP só fez no finzinho do ano passado, a Anfavea estaria dentro do prazo. Eu disse: “Não mudo, não adio, não excepcionalizo”. Falei: “Só sai o caminhão da fábrica, em 2009, ou cumprindo a resolução, ou com ordem judicial. Tirem o cavalinho da chuva.” Mandei para o Conama um projeto de resolução criando uma nova etapa para que o S-10 comece a operar em 2012. Foi aprovado por unanimidade por ambientalistas. Foi um gol de placa. Alcançamos os europeus. Podemos até tecnologicamente ser mais atrasados, mas nossos pulmões serão iguais.

E só em 2012 a emissão do enxofre será reduzida?

Não. Como eu disse que não daria licença para os caminhões e ônibus novos saírem das fábricas, Anfavea e Petrobrás foram negociar com o Ministério Público Federal e tiveram de aceitar as regras. Vai ser importado diesel S-50 para todas as regiões metropolitanas, para as frotas de ônibus. Não vai diminuir na mesma proporção porque o motor é velho. Mas vai diminuir. Tinham de adequar 200 mil novos veículos, agora vão ter de pôr o diesel em toda a frota. Além do mais, vão ter de tirar dinheiro do bolso para fazer a regulagem de centenas de milhares de ônibus e caminhões. E construir mais um laboratório supertchans, que não existe no Brasil, para controlar a qualidade do diesel, que ficará em São Paulo, além de desenvolver o S-10. Só para esse tipo de diesel a Petrobrás terá de gastar mais US$ 2 bilhões. O triste é que não há como negar que nesse caso houve um festival de omissões. Por isso, vamos fiscalizar todas as etapas de implantação do S-10 até 2012. Para não acontecer a mesma lambança do S-50.

E como ficará o ar das cidades?

Há dez anos, projeto do deputado estadual Carlinhos Minc, que vos fala, tornou a vistoria ambiental obrigatória no Rio. Um carro com a carburação desregulada emite até 60% mais poluição. Isso causa prejuízo ao ambiente e ao bolso do sujeito. No ano que vem, quando lançarmos o plano nacional de qualidade do ar, vamos falar da teoria dos três buracos: um no clima, um no pulmão e outro no bolso. Para reduzir a poluição ambiental, encomendamos uma pesquisa de uma fundação independente, porque poluição não é só o enxofre, é um montão de coisas.

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Sustentabilidade e a geração de empregos

18/12/08

11 de Novembro de 2008 - Como resultado do aquecimento global e da necessidade de atingir as metas de redução das emissões de carbono, as empresas e países terão que desenvolver tecnologias mais limpas. E isso pressupõe a existência de profissionais preparados para desenvolver soluções sustentáveis, que proporcionem não só ganhos econômicos, mas também ambientais e sociais. Baseando-se nessa perspectiva, Lester Brown, um dos pensadores mais importantes da sustentabilidade, aponta que as mudanças climáticas podem gerar milhões de empregos em todo o mundo, evitando assim o declínio da economia.

Brown não é o único a ter essa convicção. Um estudo recente realizado pelo Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep) - o primeiro a tratar da questão dos postos de trabalho na transição para uma sociedade mais sustentável - também revela o impacto que a ascendente economia verde pode causar na mão-de-obra global.

De acordo com o Green Job - towards decent work in a sustainable, low-carbon world (Emprego Verde - para o trabalho decente em um mundo sustentável, de baixo carbono) as mudanças climáticas têm tudo para gerar milhões de empregos se houver um investimento estratégico por parte de corporações e governos em todo o mundo. O setor de energia eólica e solar, por exemplo, dispõe de potencial para gerar mais de oito milhões de postos de trabalho nas próximas duas décadas, segundo estimativas do Unep. Diante desse quadro, novas funções serão criadas, e outras até mesmo perderão relevância, o que levará à extinção de alguns cargos dissonantes com a nova economia sustentável.

O relatório do Unep também destaca a importância dos países em desenvolvimento nesse processo e como as mudanças climáticas estão afetando milhares de trabalhadores e famílias que tem na agricultura e no turismo sua fonte de renda. Além de oportunidades, o Green Job enfatiza também os riscos: diversos empregos em novas áreas, como na reciclagem, estão longe de serem considerados decentes e é necessário um empenho global para repensar uma economia menos desigual. Segundo o documento, líderes globais não deveriam buscar o “conserto” do modelo econômico atual, mas sim as possibilidades oferecidas por modelos alternativos. São justamente essas possibilidades o atual objeto de reflexão de Brown.

Em seu novo livro - “Plan B 3.0: mobilizing to save civilization”, o especialista defende que, por meio do desenvolvimento e uso de energias renováveis, é possível criar novos empregos, conduzindo a economia para a sustentabilidade. Brown afirma ainda que a humanidade precisa rever particularmente a matriz energética com políticas econômicas para reestruturar taxas e pressionar o mercado a “contar a verdade ambiental.”

Segundo o autor, essa verdade diz respeito à inabilidade do mercado em incorporar impactos indiretos causados ao meio ambiente e à sociedade pelas atividades econômicas. Reestruturar taxas, favorecendo as tecnologias e práticas mais limpas, seria uma forma de se contrapor a essa lógica.

Em quase 40 anos dedicados à militância, o especialista tem se empenhado em mostrar uma visão de futuro sustentável e os meios para torná-lo possível. Em 1974, fundou o Worldwatch Institute, uma organização sem fins lucrativos dedicada à análise das questões ambientais globais. Em 1984, lançou a série de relatórios “O Estado do Mundo”, que alcançaram status semi-oficial, transformando-se em “Bíblia” do movimento ambiental. Em 2001, Brown criou a Earth Policy Institute, uma organização que dissemina informações ambientais por meio de uma rede mundial de editores e pelos meios de comunicação, principalmente internet.

O especialista, que virá ao Brasil na próxima edição do Fórum Internacional de Energia Renovável e Sustentabilidade, o Ecopower - realizado de 19 a 21 de novembro, em Santa Catarina - concedeu uma entrevista exclusiva à Idéia Socioambiental, na qual abordou, entre outros temas, as medidas necessárias para tornar a economia mais sustentável:

Idéia Socioambiental - Um estudo recente da Unep mostrou que combater o aquecimento global pode ajudar a criar novos empregos. Partindo dessa premissa, o senhor acredita que a crise financeira atual, de alguma forma, pode ser uma oportunidade para rever o modelo econômico e conduzir a economia para a sustentabilidade?

Lester Brown - Com as fontes renováveis de energia em desenvolvimento há uma oportunidade enorme para criar postos de trabalho. Na Alemanha, divulgou-se que o número de postos criados por capacidade de produção de megawatt de energia elétrica, vinda de energia eólica ou solar, é dez vezes maior do que em usinas termoelétricas de carvão ou nucleares.

Vejamos a situação dos Estados Unidos. Só na transição de fontes de energia, saindo dos combustíveis fósseis, a projeção é de sete milhões de empregos gerados. Precisaremos de um número enorme de carpinteiros, encanadores e eletricistas para instalar aquecedores de água solares e células de energia solar. Vamos precisar também de todo tipo de novos profissionais. Temos aí uma enorme oportunidade de desenvolver e expandir a economia. Basta que tanto os países como as empresas tenham a capacidade de enxergar mais longe e começar a investir nessas tecnologias.

IS - Na sua opinião, quais são os principais desafios para construir uma economia de baixa emissão de carbono?

LS - Uma das coisas que o mercado não faz é incorporar impactos indiretos da queima de combustíveis fósseis. Se reestruturarmos os impostos, abaixando o imposto de renda e aumentando a taxação sobre atividades ambientalmente destrutivas, podemos levar o mercado a dizer a verdade ambiental. Ao fazermos isso, a economia energética começará, muito rapidamente, a se reestruturar e responder aos sinais de preço do mercado. Essa é a medida mais importante que podemos tomar para nos mover em direção a uma economia de baixa emissão de carbono. Enquanto isso, precisamos subsidiar o desenvolvimento das fontes renováveis de energia - eólica, solar e geotérmica - com impostos mais atraentes.

IS - E como fica o Protocolo de Kyoto nessa perspectiva?

LB - Minha conclusão é que acordos climáticos, negociados internacionalmente, não dão certo. Nenhum governo concorda em fazer mais do que os outros países se dispõem a fazer. O resultado disso é um acordo com padrões mínimos. O próprio Protocolo de Kyoto é um exemplo. Deveríamos ter nos afastado dele com algumas metas de cortes de emissões dramáticas, mas não o fizemos. Acredito que não temos tempo para continuar negociando novos acordos climáticos para reduzir as emissões de carbono. Por isso, temos que pensar em uma maneira de diminuir drasticamente as emissões de carbono, como aponto no meu recente livro, Plan B: 3.0.

IS - E qual o caminho alternativo aos acordos internacionais?

LB - Acredito que os governos locais começarão a passar por etapas para cortar suas emissões rapidamente. Nos Estados Unidos, vimos um extraordinário movimento político em oposição às novas usinas termoelétricas alimentadas com carvão. E esse movimento influenciou Wall Street. Alguns dos maiores financiadores, como o JP Morgan, CitiBank, Morgan Stanley e outros criaram o “Carbon Principles” e afirmaram que não financiarão mais empresas de energia para a construção de novas usinas termoelétricas de carvão. Acho que assim cortaremos dramaticamente as emissões de carbono. Não porque passamos anos e anos negociando acordos internacionais, mas porque localmente, começam a surgir medidas para cortar emissões.

IS - Grandes companhias têm lançado linhas de produtos sustentáveis, por exemplo, a General Eletric, com a Ecoimagination. Como o senhor enxerga o movimento corporativo nessa área? A sustentabilidade empresarial veio para ficar?

LB - Praticamente toda grande corporação, em todo o mundo, está tentando se tornar verde de um jeito ou de outro. Mas as empresas têm a obrigação de gerar retorno aos seus acionistas. Por isso, são dependentes dos preços como sinais do mercado para tomarem decisões. Precisamos pressionar o mercado a dizer a verdade ambiental, a partir da reestruturação do sistema tributário. Essa é a chave para se criar um futuro sustentável.

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 7)(Redação/Revista Idéia Socioambiental)

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