Sustentabilidade e Negócios: ações verdes
19/12 – 02:14
Ações verdes são alvos de grandes fundos de pensão
19 de Dezembro de 2008 – Até recentemente, os fundos de investimento verde eram na maior parte um nicho para os investidores individuais. Mas agora investir na idéia de melhorar as ações ambientais das corporações, não só maximizar o lucro, está virando moda entre grandes fundos de pensão e fundações, particularmente na Europa e mesmo nos Estados Unidos.
Esses fundos estão redirecionando os investimentos para empresas que causam menos danos ambientais e para aquelas que se empenham para limitar a produção das emissões que, se acredita, estão contribuindo para o atual processo de aquecimento global.
Entre os líderes estão o Fundo de Pensão Global do Governo da Noruega; ABP, o imenso fundo de pensão do governo holandês; e o fundo de pensão da Agência Ambiental Britânica. Nos EUA, o Fundo de Aposentadoria dos Professores do Estado da Califórnia, um dos maiores fundos de pensão do país, é um dos poucos fundos americanos que se tornaram um investidor verde.
“Decidimos que devemos fazer isso porque nossa estratégia de investimento não estava associada com nossa missão”, explica Howard Pearce, diretor do fundo de pensão da Agência Ambiental Britânica.
No entanto muitos investidores institucionais, inclusive uma série de fundações já comprometidas com metas ambientais como parte de suas doações, têm resistido ao movimento, ou tomado só pequenas medidas, com medo de que isso prejudique os lucros. Desse cenário atual fazem parte a Fundação Bill e Melinda Gates, universidades renomadas como Harvard e Yale, e mesmo o fundo de pensão da Organização das Nações Unidas (ONU).
“Do ponto de vista ambiental, o maior ausente é o investidor comunitário”, explica Matthew Kiernan, fundador da Innovest, uma empresa de investimento sustentável global. “A atitude é: ‘Nós não cortamos árvores’. Mas o dinheiro é o oxigênio para todos os outros setores”.
Os defensores do investimento verde dizem que as empresas, fundações e governos podem combater a mudança climática por meio de seus investimentos com mais eficiência do que por meio de filantropia e outras atividades similares.
Alguns grandes investidores estão inclusive mudando de direção para vender as ações de empresas consideradas negligentes com o meio ambiente. É mais comum, no entanto, que elas tentem pressionar a diretoria por meio de reuniões reservadas e resoluções dos acionistas para modificar o impacto que exercem sobre o meio ambiente.
“Esse pode ser o canal mais importante de que eles dispõem – o dinheiro fala”, diz Frederic Hauge, diretor da Fundação Bellona, maior organização ambiental não governamental da Noruega, que pressionou o fundo de pensão norueguês a tomar uma atitude. Esse fundo de pensão é o maior fundo estatal do mundo. Os fundos de pensão detêm, segundo estimativas, um terço das ações emitidas no mundo.
Hauge e outros enfatizam que não estão sugerindo que os investidores evitem totalmente as empresas envolvidas em setores necessários, porém poluentes, como mineração e produção de petróleo e cimento. Eles dizem que os fundos de investimento podem ser direcionados para empresas que produzem energia e estão relacionadas a outras atividades que emitem um volume excessivo de gás carbono da maneira mais sustentável possível.
Na Grã-Bretanha, os gestores de fundos da agência ambiental trocaram, no ano passado, os contratos no valor de centenas de milhões de dólares das empresas de fundos americanas, como a Capital International e a State Street Global Advisors porque elas não seguiam o que a agência considerava serem normas ambientais adequadas.
No mês passado, o fundo de pensão global norueguês, que adotou uma nova estratégia de sustentabilidade no final de 2004, vendeu as ações da mineradora Rio Tinto por causa de suas práticas na Indonésia. Essas foram as mais recentes das ações de sete empresas que o fundo vendeu por questões ambientais.
O fundos dos professores da Califórnia, conhecido como Calsters, com carteira de US$ 169 bilhões em ativos, declarou que só as empresas que tomam medidas contra a mudança climática receberão seu selo de aprovação e tem pressionado empresas como a Exxon Mobil e a Southern, uma gigante dos serviços públicos, a divulgarem integralmente as emissões de gases que contribuem para a mudança climática.
Para incentivar maior envolvimento nessa área, a ONU lançou, há três anos, o programa Princípios para o Investimento Responsável, um pacto no qual os signatários prometeram integrar as questões ambientais com os investimentos. O número de membros dobrou para 381 em 2008, representando US$ 14 trilhões em ativos administrados. Mas seu impacto tem sido limitado.
“A motivação é realmente imensa, com o número de signatários crescendo ano a ano”, disse James Gifford, de Londres, diretor-executivo do programa Princípios para o Investimento Responsável. Mas ele acrescentou que “muitas estão, de fato, nos estágios iniciais, procurando pessoas com experiência em investimento verde quando contratam gestores de fundos”.
Os defensores do investimento sustentável dizem que estão desapontados porque muitas organizações que declaram apoio para as metas ambientais tenham feito tão pouco.
“Poderíamos pensar que as primeiras ações viriam das universidades e das fundações, mas tem havido pouco movimento por parte delas”, disse Paul Hawken, ex-proprietáro da rede de varejo de jardinagem Smith & Hawken e fundador do Natural Capital Institute, que monitora o investimento sustentável nos EUA. “Vemos painéis solares nas bibliotecas, mas não no portfólio das universidades e fundações”.
As fundações ou os fundos de pensão não são obrigados a publicar listas de investimentos. No interesse de concentrar as decisões de investimento na realização dos maiores retornos, muitas fundações e universidades ergueram um muro entre suas divisões de investimentos e suas doações para boas obras.
Quando perguntada sobre investimento sustentável, Amy Frotsch, da Fundação Bill e Melinda Gates, disse: “Temos uma estrutura de duas entidades”. A fundação, a mais rica do mundo, distribui dinheiro e verbas para projetos separadamente da gestão de sua carteira de investimentos, que é administrada por um grupo chamado BGI, que não retornou as ligações telefônicas em busca de comentários.
Joseph Poupore, porta-voz de Harvard, disse que a universidade estava “fazendo tudo, em todas as áreas, para promover a sustentabilidade no campus” mas “infelizmente não posso falar sobre nossas práticas de investimentos”.
O fundo de pensão da ONU não retornou mais de meia dúzia de ligações em busca de comentários.
As fundações e os fundos de pensão habitualmente têm obrigação de maximizar os retornos. Elas informam que temem ter retornos baixos nos investimentos verdes.
Mas os fundos de pensão que iniciaram essa área informam que as duas metas não são necessariamente incompatíveis.
“Temos as mesmas expectativas de retornos de nossos investimentos convencionais”, disse Jack Ehnes, diretor-executivo da Calsters, que tem um programa de investimento sustentável de bilhões de dólares. “Estamos usando nosso portfólio como mecanismo para atacar a mudança climática”, disse Ehnes.
(Gazeta Mercantil/Relatorio – Pág. 4)(Elizabeth Rosenthal The New York Times)
Responsabilidade dentro da estratégia
19 de Dezembro de 2008 – Com consumidores cada vez mais exigentes e preocupados com o meio ambiente e a responsabilidade social, instituir políticas e ações socioambientais têm se tornado uma poderosa ferramenta de marketing para divulgar a marca das empresas de todas as áreas de atuação. No entanto, muitas delas ainda não sabem qual a melhor forma de instituir programas desse tipo.
Dentro das possíveis ações que as empresas podem escolher, manter programas de filantropia, ajudando financeiramente determinadas instituições de cunho social ou ambiental, é algo que tende a ser menos freqüente nas companhias daqui para a frente, segundo análise de especialistas. Mas isso não quer dizer que a responsabilidade socioambiental ficará de fora das estratégias das empresas, muito pelo contrário.
O que acontece é que, ao invés de ser apenas uma ação totalmente independente do negócio e da estratégia da empresa, os programas sociais e voltados ao meio ambiente tendem a se tornar parte integrada ao negócio da companhia, totalmente relacionadas à sua área de atuação.
“As empresas precisam pensar mais em seu core business”, explica Katherine Schulz, diretora executiva da Tandaká Soluções Sustentáveis, empresa que desenvolve ações de endomarketing voltadas para conscientização socioambiental, e coordenadora do programa de MBA Gestão Estratégica para Sustentabilidade da BBS (Brazilian Business School).
A especialista exemplifica o que quer dizer: “uma empresa que fabrica lâmpadas e então passa a produzir lâmpadas que consomem menos energia é uma companhia que integrou ações ambientais à estratégia de atuação. Essa é a idéia”.
Para Katherine, o problema de desenvolver ações isoladas e independentes é que esse tipo de atitude não passa a fazer parte da cultura e do dia-a-dia da empresa. “Se as ações não estiverem integradas ao cotidiano da companhia, viram filantropia e isso não cria raiz na empresa”, resume.
Para que todos na empresa estejam alinhados a uma estratégia sustentável, Katherine acha que é preciso transformar os funcionários em pessoas conscientes. “Isso deve começar por dentro. Quando o funcionário está ciente da necessidade de ser responsável, reproduzem essa mentalidade para os outros”, acredita.
Uma dica dada pela especialista para que esse engajamento dos funcionários aconteça é criar um comitê de sustentabilidade dentro da empresa com voluntários, além de instituir ações criativasde endomarketing sobre o tema.
Como companhias já engajadas nesse novo conceito de responsabilidade socioambiental, Katherine aponta como exemplos Banco Real, Wal Mart, Bunge e Promon.
Roberto Gonzales, diretor de sustentabilidade da Media Group, empresa especializada em tornar público o que as empresas clientes fazem com relação a responsabilidade socioambiental, é da mesma opinião que Katherine.
Para ele, o que as companhias fazem para a comunidade está começando a se tornar parte das estratégias das empresas.”Quando vão adquirir um outro negócio ou fazer uma parceria, os executivos estão atentos se essas outras companhias mantêm políticas sociais e ambientais. Ou seja, a responsabilidade socioambiental está sendo ampliada para as tomadas de decisão”, afirma o executivo, que também é professor de governança corporativa da Trevisan Escola de Negócios.
Mesmo apontando essa nova tendência de integração à estratégia , Gonzales avisa que outros tipos de ajuda dadas pelas empresas a algumas organizações não vão deixar de existir: “o auxílio a determinadas ONGs ainda vai continuar. Existem determinadas empresas que ainda estão engatinhando nesse conceito, estão um estágio atrás”, classifica.
C.P.
(Gazeta Mercantil/Relatorio – Pág. 2)(C.P.)
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008, 06:51
Nasa lançará satélite para mapear emissões de CO2
Dispositivo é capaz de localizar principais fontes de emissões de CO2 no planeta.
De San Francisco para a BBC – A Nasa, agência espacial dos Estados Unidos, lançará um satélite que pode mapear em detalhe a localização de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera da Terra.
O Observatório Orbital de Carbono (OCO, na sigla em inglês) apontará locais-chave na superfície do planeta onde o CO2 está sendo emitido e absorvido.
O CO2 emitido a partir de atividades humanas é tido como o responsável pelas mudanças climáticas, mas fatos importantes a respeito de sua movimentação pela atmosfera ainda não são totalmente compreendidos.
Para a Nasa, o novo satélite poderá ajudar na compreensão de alguns destes mistérios.
“Esta é a primeira aeronave da Nasa especificamente dedicada a mapear o dióxido de carbono. O objetivo da missão OCO é conseguir medidas tão precisas que poderão ser usadas para procurar ‘fontes’ e ‘bacias’ de CO2 na superfície”, disse o principal pesquisador do projeto David Crisp, que trabalha no laboratório de propulsão a jato da Nasa.
Crisp afirmou que o lançamento do OCO, em um foguete Taurus XL a partir da Base da Força Aérea de Vandenberg, Califórnia, está agendado para 23 de fevereiro de 2009.
A missão da Nasa foi apresentada na reunião de outono do Sindicato Americano de Geofísica.
Acima da superfície
A Nasa já tem um aparelho para detectar CO2 em seu satélite Aqcua, mas ele apenas examina gases de efeito estufa a cinco ou dez quilômetros acima da superfície terrestre.
O novo satélite vai detalhar a concentração de dióxido de carbono perto da superfície onde seu efeito de aquecimento é mais sentido.
Os mapas globais de concentração de CO2 feitos pelo OCO vão ajudar a equipe de pesquisadores a descobrir onde o gás está entrando na atmosfera e onde está sendo absorvido por plantas terrestres e pelos oceanos.
“Sabemos de onde a maior parte das emissões de combustíveis fósseis está vindo; também sabemos onde coisas como fabricação de cimento estão produzindo grandes quantidades de emissões de CO2″, disse Crisp.
“Mas existem outras coisas como queima de biomassa (floresta) e derrubada; e não temos uma boa medida da quantidade do CO2 liberada por estes processos.”
“Se você retirar os combustíveis fósseis, que compreendemos com sendo a fonte de 10% do CO2, e observarmos o resto do dióxido de carbono que é introduzido na atmosfera pelas nossas atividades, é 100% incerto”, acrescentou.
Mais mistérios
As “bacias” de CO2, locais onde o gás é absorvido, também apresentam mistérios.
A Terra estaria absorvendo cerca de 50% do dióxido de carbono que é produzido pelos humanos, a maioria vai para os oceanos. Mas, segundo cientistas, a descrição de outros locais de absorção ainda é pobre.
“Existe um punhado de ‘frascos’ atmosféricos de coleta (de CO2) pelo planeta e quando aplicamos os modelos para dados, eles mostram que existe uma bacia de carbono nas latitudes centrais e do norte”, afirmou o cientista britânico de observação da Terra Shaun Quegan, da Universidade de Sheffield.
“Mas ainda é motivo de debate se fica na América do Norte, na Sibéria ou em outro lugar.”
Como os cientistas ainda não têm uma noção exata de onde o CO2 está sendo absorvido, os pesquisadores têm uma compreensão limitada de como estas bacias de CO2 vão evoluir com a mudança climática.
“Vamos dizer que descobriremos que as florestas boreais no Canadá e Sibéria são as bacias primárias de CO2, devido ao seu crescimento rápido durante os meses de verão, quando o Sol aparece”, afirmou Crisp.
“Estes ambientes estão mudando de forma dramática agora. Eles vão continuar absorvendo CO2 à medida que o tempo passa? Não sabemos o tamanho do impacto deles atualmente. Por isso o OCO é tão importante”, acrescentou.
Luz
O satélite da Nasa leva um único instrumento, o espectrômetro, que separa as várias cores da luz do Sol refletida na superfície da Terra e analisa o espectro para determinar o quanto de dióxido de carbono e oxigênio molecular existe na amostra.
O OCO vai produzir mapas mensais do dióxido de carbono em regiões de 1,6 mil quilômetros quadrados da superfície da Terra com uma precisão de frações de 1%.
Além do novo satélite da Nasa, também será lançado em 2009 um satélite japonês conhecido como Satélite de Observação de gases de Efeito Estufa (GOSAT, na sigla em inglês).
A Europa também está considerando o lançamento de dois satélites de observação de carbono, o A-SCOPE (Observação Espacial e de Carbono Avançada do Planeta Terra) e uma missão chamada BIOMASS, que poderia ser lançada em 2016.
Grupo Louis Dreyfus faz planos para elevar produção de etanol
Mônica Scaramuzzo, de São Paulo
18/12/2008
A crise financeira global, que agravou a situação de algumas usinas de açúcar e álcool do país, abriu oportunidades para outras companhias mais capitalizadas do setor sucroalcooleiro. Neste seleto grupo está a francesa Louis Dreyfus Commodities (LDC), que prospecta investimentos para expandir seus tentáculos neste segmento nos próximos anos.
“O setor oferece agora um número grande de oportunidades. Estamos de olho”, afirma Bruno Melcher, presidente do conselho da LDC Bioenergia ao Valor.
Discreta, a companhia fez sua estréia no setor em 2000, com a compra da usina Cresciumal, de Leme (SP). Depois, adquiriu outras duas usinas, a São Carlos, instalada na cidade que leva o mesmo nome, e a Luciânia, em Lagoa da Prata (MG). No início do ano passado, comprou de uma só tacada os ativos do grupo Tavares de Melo, com cinco unidades produtoras, o que tornou a companhia uma das maiores do setor.
Para 2009/10, o grupo deverá expandir a moagem de cana em 30%, saindo dos 15 milhões de toneladas nesta atual safra para quase 20 milhões de toneladas, afirma Melcher. Essa expansão vai ocorrer com o aumento da capacidade das atuais oito usinas do grupo. “Temos avançado. No ano passado, inauguramos a unidade de Rio Brilhante (MS)”, diz.
Com faturamento de US$ 3 bilhões no Brasil e US$ 27 bilhões no mundo (base 2007), a LD Commodities planeja investir até 2010 quase US$ 1 bilhão no país, dos quais uma boa parte será destinado ao setor sucroalcooleiro. Nos últimos quatro anos, o grupo fez aportes de US$ 1,125 bilhão no país para expandir seus negócios agrícolas.
No mercado, circulavam informações de que a Louis Dreyfus poderia se desfazer de seus ativos em açúcar e álcool. Melcher diz que a informação não faz o menor sentido e afirma que a Dreyfus está comprometida com o setor sucroalcooleiro.
A empresa francesa está entre as interessadas em fazer sociedade com o grupo Nova América, que está à procura de um parceiro para levar seus negócios adiante. Segundo Melcher, o grupo não descarta fazer parcerias para elevar os negócios no setor.
No ano passado, o grupo entrou com pedido para abertura de capital na bolsa, mas recuou no início deste ano por conta da situação adversa do mercado. “Ajustamos o timing.” E quando o mercado der sinais de melhora o grupo vai retomar os seus planos de ir à Bovespa.
Com sede em São Paulo, a gigante também opera quatro fábricas processadoras de oleaginosas, três fábricas de suco de laranja, dois terminais portuários (Paranaguá e Santos), mais de 50 armazéns graneleiros, e administra de mais de 200 mil hectares de terras, entre pomares de laranja e canaviais.
Fundado em 1851, em Paris, na França, o grupo Louis Dreyfus iniciou suas atividades no comércio de grãos, comprando a produção de fazendeiros franceses para vender na Suíça. Dez anos depois, a empresa já tinha escritórios na França, Alemanha e Rússia e no final do século XIX, já havia iniciado as operações de trading.
No Brasil desde 1905, o grupo atuava apenas no comércio de algodão e trigo. Após adquirir a Comércio e Indústrias Brasileiras Coinbra S/A, em 1942, a companhia expandiu suas atividades também para o comércio de açúcar, produtos cítricos e café. Na década de 90, a empresa ampliou a produção agrícola da área de cítricos e de oleaginosas. No início dos anos 2000, fez sua estréia em açúcar e álcool.
Obama completa equipe que trabalhará em ações ambientais
da Folha Online
O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, completou nesta quarta-feira (17) a equipe que será encarregada de enfrentar os desafios energéticos e ambientais do século XXI, ao nomear Tom Vilsack para a Agricultura e Ken Salazar para o Interior. O meio ambiente, conforme disse na semana passada, é uma das prioridades da sua gestão.
“Para dirigir o departamento da Agricultura, não vejo ninguém melhor que Tom Vilsack”, declarou Obama nesta quarta-feira durante uma entrevista coletiva. Uma das principais missões de Vilsack na Agricultura será acompanhar a evolução dos biocombustíveis, acusados de contribuir para a deterioração da crise alimentar.
Obama destacou que Vilsack promoveu em seu estado, Iowa, “o desenvolvimento de biotecnologias para ajudar nossos agricultores e incentivar uma economia do futuro, que não cultive apenas o que comemos mas também a energia que utilizamos”.
Tom Vilsack, 58 anos, já foi o governador de Iowa, um estado responsável por grande parte da produção agrícola dos Estados Unidos.
“Tom entende que a solução para nossa crise da energia não será encontrada nos campos de petróleo do exterior, mas em nossas plantações agrícolas, na nossa casa”, afirmou.
Já Ken Salazar, 53 anos, o senador de Colorado (oeste dos EUA), foi designado para o cargo de secretário do Interior. Salazar substituirá Dirk Kempthorne.
A missão deste ministério é gerenciar os recursos naturais e supervisionar o trabalho das agências nacionais como o departamento da organização do território, os parques nacionais ou o Instituto de Geofísica Americano (USGS).
“Poucas pessoas são tão qualificadas para encarar os desafios da energia e dos recursos do século XXI”, declarou Obama nesta quarta-feira, referindo-se ao futuro secretário do Interior.
Com a nomeação de Salazar, foi completada a equipe que será encarregada de enfrentar os desafios ambientais na futura administração Obama. O presidente eleito apresentou segunda-feira (15) sua futura equipe da energia e do clima, que inclui o prêmio Nobel de física Steven Chu como secretário da Energia.
Sustentabilidade gera demanda por contabilistas
por Gazeta Mercantil
17/12/2008
Contabilistas ambientais ainda representam apenas 1% dos 400 mil contadores registrados no Brasil, mas apontam tendência
A responsabilidade socioambiental tem se destacado como uma nova atuação do contabilista. O mercado, cada vez mais exigente sobre a responsabilidade de uma empresa para com o meio ambiente e a sociedade, necessita de profissionais preparados para orientar e demonstrar como o empreendedor deve agir e se relacionar frente as informações dessa área.
A partir dessa preocupação, surgiu o contabilista ambiental, profissional responsável por mostrar ao mercado e ao próprio empreendedor de que maneira os impactos ambientais e sociais causados pela própria empresa podem afetá-la financeiramente. “O contador tem o papel de apresentar ao cliente a saúde patrimonial de sua empresa”, afirma o sócio da Trevisan Outsourcing, Vagner Jaime Rodrigues.
Desde a década de 70, as questões socioambientais passaram a integrar o currículo da formação de contabilista. Mas as atuais exigências de que uma empresa cumpra obrigações e cuidados em relação ao meio ambiente e à sociedade têm contribuído para um aumento na procura de contadores especializados.
Ainda com uma representatividade pequena – de apenas 1% em relação aos 400 mil contadores registrados no Brasil – a função do contabilista socioambiental também está relacionada à elaboração de relatórios, balanços, certificações e auditorias.
O contador atua como um consultor, capaz de orientar o que o empresário deve ou não fazer para comprovar os benefícios realizados para o meio ambiente e a sociedade – os ativos ambientais. Programas de reflorestamento, projetos sociais de auxílio à população em geral – com ênfase àqueles que têm ligações diretas com a empresa, principalmente os funcionários – são exemplos de atividades realizadas pelos empreendedores.
Os efeitos negativos de uma empresa ao meio ambiente e à própria sociedade, ou seja, os passivos ambientais – poluição, desmatamento, danos à saúde, entre outros -, também são responsabilidades do contador. Cabe a ele registrar os impactos e providenciar o pagamento das multas e fiscalização, o que representa uma obrigação da empresa em ressarcir os danos causados. “A atividade do contador é baseada em mensurar os efeitos, causas e impactos da empresa, registrar nos relatórios a parte contábil dos processos e demonstrar alternativas e soluções ao empreendedor”, diz Rodrigues.
Os passivos ambientais interferem diretamente no balanço patrimonial da empresa. Dessa forma, por meio de cálculos, estimativas e registros nos relatórios e balanços, o empreendedor terá controle dos futuros gastos e investimentos necessários para compensar o prejuízo causado.
O balanço socioambiental é uma das principais atividades realizada pelo contador, visando tornar públicas as atividade de uma empresa nessa área. “O objetivo do balanço é traduzir para a sociedade os projetos e iniciativas que a empresa realizou na área socioambiental. É um instrumento capaz de registrar o nível de comprometimento da empresa com o meio ambiente e a sociedade em geral”, afirma o vice-presidente de Desenvolvimento Operacional do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e diretor da catarinense Martinelli Auditores, Juarez Domingues Carneiro.
Com um modelo já implementado pelo CFC, o balanço ainda não é um documento obrigatório, mas “a partir de 2009 ou 2010, haverá um projeto legislativo que obrigará a apresentação do balanço, até porque as instituições financeiras internacionais só investem em empresas que apresentem o documento”, diz o executivo do CFC.
Outro ponto que coloca o contador em destaque nas estratégias socioambientais é o fato de o seu conhecimento assegurar a qualidade dos balanços, em geral produzidos por firmas terceirizadas ou pelas próprias empresas.
