Arquivo de dezembro, 2008

Uma revolução verde no agronegócio

18/12/08

14 de outubro de 2008 – Reconciliar produções maiores com o uso racional dos recursos naturais é a ordem do dia para o setor agrícola. E, em nome dela, já se observa uma crescente pressão exercida por meio de regulamentações e, sobretudo, pelo mercado. “A pressão por melhores práticas no agronegócio vem de longa data. O movimento de sustentabilidade só reforçou as oportunidades de negócios a partir de uma gestão mais eficiente da produção agrícola”, afirma Meire Ferreira, superintendente do ARES, Instituto para o Agronegócio Responsável.

Este desafio está longe de ser simples Segundo o Worldwatch Institute, cerca de 70% da água consumida mundialmente, incluindo a que decorre de desvios e de bombeamento do subsolo, atende à irrigação na agricultura. Além disso, de acordo com o Banco Mundial, 13 milhões de hectares de florestas tropicais são degradados ou desaparecem a cada ano, principalmente para expansão da atividade agrícola.

Outro desafio do agronegócio sustentável é a expansão sem agressões ao meio ambiente. Para Carlos Clemente Cerri, pesquisador do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (CENA/USP), o Brasil tem total condição de suprir boa parte da demanda de alimentos, fibras e biocombustíveis mundiais sem necessidade de novos desmatamentos. “Precisaremos de 18 a 20 milhões de hectares nos próximos dez anos para cultivo de soja, milho, cana de açúcar e oleaginosas para produção de biodiesel. Essas atividades podem ser realizadas em áreas hoje ocupadas por pastos. Para isso, basta aumentar a concentração de gado de 0,9 para 1,5 cabeça por hectare”, explica Cerri.

A transição para a sustentabilidade passa ainda pela revisão de um modelo de produção baseado na monocultura, uso intensivo de insumos químicos e mecanização. A fórmula, consagrada pela revolução verde no século XX, tem sido alvo constante de críticas. Não sem razão. Essa combinação de tecnologias e métodos levou à perda de biodiversidade, dependência excessiva de combustíveis fósseis, erosão do solo, e à poluição dos recursos hídricos, entre outros efeitos negativos.

O relatório “Agricultura para o desenvolvimento” do Banco Mundial destaca as tendências para a agricultura no futuro. De acordo com o documento, as tecnologias devem fazer mais do que ampliar a produção. Precisam contribuir para a economia de água e energia, a redução de riscos, o aumento da qualidade dos produtos e a proteção do meio ambiente.

Mudança de hábito

As fabricantes de defensivos e fertilizantes têm dedicado esforços à redução das externalidades de seus processos e produtos. Nos últimos anos, essas empresas, ícones da revolução verde, investiram continuamente na redução da toxicidade de seus produtos e na conscientização dos agricultores para uso racional e seguro dos insumos. “Há muitos exemplos de boas práticas no setor agrícola. No entanto, a sustentabilidade vem despertar para questão social e ambiental de uma forma muito mais intensa, propondo o alinhamento das iniciativas existentes ao negócio”, afirma Meire, do ARES.

Walter Dissinger, vice-presidente de proteção de cultivos para a América Latina e Care Chemicals para a América do Sul da Basf, destaca que a sustentabilidade é determinante para a perenidade do agronegócio. “O crescimento da agricultura ocorre justamente em um momento que se torna evidente o desafio de conjugar o crescimento econômico com as questões socioambientais, em que a sustentabilidade não deve ser considerada um diferencial, mas o princípio que garantirá a sobrevivência das organizações”, ressalta.
Revisão de processos e estratégias

A partir da perspectiva da sustentabilidade, as empresas do setor agrícola passaram a revisar alguns processos e estratégias de negócio. A Basf, por exemplo, vem focando a sua estratégia na área de proteção de cultivos. Segundo Eduardo Leduc, diretor da área no Brasil, além de combater pragas e doenças, os produtos dessa linha proporcionam ganhos de produtividade de 10% a 15% a partir dos chamados efeitos fisiológicos que atuam na funcionamento da planta. “Essa tecnologia está diretamente ligada à sustentabilidade porque o agricultor precisa produzir mais na mesma área. Vamos ter que aumentar muito a produtividade para atender à demanda mundial. Não adianta só expandir a área agrícola”, esclarece.

A empresa também investe em pesquisa e desenvolvimento de genes que aumentam a produtividade e a tolerância à seca. Segundo Leduc, a Basf tem buscado parceiros com conhecimento na área de sementes para oferecer a tecnologia ao mercado. “O modelo de negócios adotado pela empresa prevê a introdução de novas soluções no mercado por intermédio de parcerias, respeitando a cadeia de produção de sementes estabelecida”, ressalta Leduc.

Em agosto de 2007, a Basf e a Embrapa anunciaram um acordo de cooperação na área de biotecnologia para desenvolvimento de uma variedade brasileira de soja geneticamente modificada. As duas empresas estão trabalhando para registrar a nova tecnologia junto à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), atendendo às exigências da Lei de Biossegurança 11.105/05. A expectativa é que as novas variedades de soja estejam disponíveis para o produtor de sementes em 2010 ou 2011 e para o agricultor, a partir de 2012.
Desde março de 2007, a corporação de origem alemã mantém parceria com a Monsanto para pesquisa e desenvolvimento de produtos com características de tolerância à seca e maior rendimento para as culturas de milho, soja, algodão e canola. Durante o período de colaboração, as duas companhias vão investir US$ 1,5 bilhão em conjunto.

Pioneira na área de biotecnologia, a Monsanto comprometeu-se a dobrar o rendimento de sementes de milho, soja e algodão, reduzindo em 1/3 a quantidade de recursos para o cultivo das mesmas variedades até 2030. Nos próximos cinco anos, destinará US$ 10 milhões ao setor público de pesquisa visando acelerar o desenvolvimento de novas variedades de trigo e arroz. A cada ano, um painel mundial de especialistas selecionará um projeto diferente, oferecendo US$ 2 milhões em investimentos.

A empresa também integra uma parceria, firmada em março deste ano com os governos de Quênia, Uganda, Tanzânia e África do Sul, com o objetivo de pesquisar variedades resistentes à rigidez do clima árido. A tecnologia será disponibilizada a pequenos produtores sem a cobrança de royalties.

O programa Milho Eficiente para a África (WEMA, na sigla em inglês) conta ainda com a participação da Fundação Bill & Melinda Gates e Howard G. Buffett, a Fundação Africana de Tecnologia Agricultural (AATF) e o Centro Internacional de Melhoramento de Milho e Trigo (CIMMYT). “A biotecnologia sozinha não é a solução, mas tem uma contribuição importante para reverter a crise de alimentos. Com esses três bilhões de pessoas que virão para o mundo nos próximos 20 anos é imperativo produzir mais com menos recursos. E a biotecnologia representa uma boa opção para aumentar a produtividade, utilizando menos áreas e recursos da natureza”, afirma Gabriela Burian, gerente de responsabilidade ambiental da Monsanto.

Relacionamento com stakeholders

A aplicação do conceito de sustentabilidade no setor agrícola tem produzido mudanças importantes no modo como as empresas se relacionam com os seus públicos de interesse.

As ações de responsabilidade socioambiental da Bunge junto aos produtores são divididas em quatro etapas. Primeiro, a empresa promove a conscientização por meio da distribuição da cartilha “Responsabilidade Ambiental na Produção Agrícola”, elaborada em parceria com o Ministério do Meio Ambiente. O documento traz informações sobre o Código Florestal, como obter os licenciamentos e tornar a propriedade mais produtiva do ponto de vista socioambiental.

Havendo o interesse do produtor em investir na adequação, a Bunge aciona ONGs parceiras como a Conservation International para fazer o georeferenciamento e propostas de regularização da propriedade.

A terceira etapa consiste no reconhecimento por meio do prêmio “Destaque Bunge Agricultor Brasileiro” e a última etapa diz respeito à cobrança de práticas relativas à sustentabilidade. Para fornecer matérias-primas à Bunge, os produtores devem estar adequados às legislações ambiental e social. “A empresa entende que, para continuar no mercado, um produtor precisa ser sustentável. E por isso inclui em todos os seus contratos comerciais uma cláusula de sustentabilidade”, explica Adalgiso Telles, diretor de comunicação corporativa da Bunge no Brasil.

Se a qualquer momento ficar comprovado que agricultor descumpriu a legislação, a Bunge tem o direto de rescindir o contrato unilateralmente.

Em relação aos clientes, a empresa cruza os dados fornecidos para cadastro com a lista suja do Ministério do Trabalho que relaciona propriedades com ocorrências de trabalho escravo. “Desenvolvemos um sistema que captura os dados dessa lista de modo que se o produtor constar na relação, a operação comercial é automaticamente bloqueada”, explica Telles.

(Juliana Lopes – Gazeta Mercantil)

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O saudável desafio da eficiência energética

18/12/08

São Paulo, 23 de Setembro de 2008 – O aumento no preço dos combustíveis e a crescente demanda por energia podem prejudicar seriamente cidades, empresas e consumidores se não houver um comprometimento com a criação de tecnologias mais eficientes e com a economia de energia. Essa foi a questão levantada pela Conferência de Competitividade e Eficiência Energética, realizada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), na última semana, em São Paulo.

Segundo dados da Organização Latino-Americana de Energia, a América Latina e o Caribe poderiam reduzir o consumo energético em 10% até 2018 se houvesse mais investimentos em tecnologia e equipamentos mais eficientes. O custo de US$ 17 bilhões para atingir essa meta resultaria na redução de consumo de 143.000 gigawatts/hora. Para atender a essa demanda por meio das tecnologias convencionais, os investimentos saltariam para US$ 53 bilhões, montante necessário para construção de 328 usinas térmicas a gás natural. E se a tendência de crescimento do consumo energético persistir, a região precisará de 75% a mais de energia em 2030 em relação a 2004, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE). Segundo o órgão, um grupo de 16 países industrializados, entre 1990 e 2005, conseguiu atender cerca de metade do aumento de demanda energética pela melhoria na eficiência do consumo.

No Brasil, há muito espaço para o ganho em eficiência energética, constata Roberto Vellutini, diretor de Infraestrutura e Meio Ambiente do BID. “É necessário estender o conceito para edifícios e iluminação públicas, onde há espaço para a implantação de estruturas mais eficientes”.

Além da ação dos governos, o empenho do setor privado é extremamente importante nessa fase de adaptação. Por meio do desenvolvimento de novas tecnologias com a perspectiva de um futuro mais eficiente, empresas colocam produtos inovadores no mercado e estimulam a conscientização de todo o setor para a economia de energia.

Estruturas mais econômicas

Atualmente, já existe uma grande preocupação ambiental em relação a novas construções, e o lançamento de edifícios energeticamente eficientes – uma das características dos green buildings, ou “edifícios verde” – se mostra um atrativo de mercado. A Atlas Schindler, percebendo essa nova demanda crescente, desenvolveu uma linha de elevadores mais econômicos.

Com a substituição do sistema de tração tradicional por um mais moderno, as engrenagens e a construção de casa de máquinas não são mais necessárias. Somada às mudanças no acionamento e no controle das máquinas, essas características dos novos modelos representam uma grande economia. De acordo com Fabio Mezzarano, diretor de Novas Instalações e Modernizações da Atlas Schindler, os elevadores antigos utilizavam até 10 HPs (Horse Power – unidade usada para medir a força de motores). Hoje, essas máquinas utilizam por volta de 4.5 HPs. “É uma redução significativa em termos de consumo de energia, que chega a 70% se compararmos com as soluções anteriores”, ressalta o diretor.

O sistema, desenvolvido pela matriz suíça da empresa, atende a demanda mundial crescente do green building, que representa uma tendência muito forte na Europa e agora se consolida também no Brasil.

“Eu diria que o green building já se tornou um pré-requisito na construção, não algo opcional, e sim uma demanda obrigatória. Nos últimos dois anos houve uma mudança muito forte no país, e a preocupação com a falta de energia cresce a cada dia”, destaca Mezzarano. Nos próximos quatro anos, a empresa busca expandir a tecnologia a todos os elevadores, que atualmente é voltada para os mercados comercial e residencial de médio porte.

Parcerias em processos eficientes

Novas parcerias visando economizar recursos não-renováveis e preservar o meio ambiente representam uma tendência para as empresas nos próximos anos, e aquelas que estiverem mais atentas a esse cenário podem desenvolver negócios lucrativos atendendo a nova demanda do mercado. Para economizar energia e dar um fim ambientalmente responsável a diversos tipos de resíduos, a Resotec, braço da Holcim, trabalha com o co-processamento. Os resíduos de outras indústrias são transformados em um material homogêneo, posteriormente utilizado como combustível para os fornos de produção de cimento, que consomem grandes quantidades de energia. “No Brasil e no mundo nós chegamos à substituição de 15% dos combustíveis tradicionais por meio do co-processamento”, ressalta Edmundo Ramos, gerente da Resotec,
Para Ramos, esse tipo de trabalho conjunto tende a evoluir nos próximos anos. “Acreditamos muito nessas parcerias, pois existe uma grande busca por empresas confiáveis que garantam um destino correto para os resíduos. Estamos conscientes de que no futuro todas as empresas vão aderir a esse tipo de iniciativa para encontrar soluções alternativas aos processos atuais”.

Outra possibilidade que se mostra bastante eficiente para redução do consumo de energia é a reciclagem. A Novelis investe nesse processo e transforma cerca de 107 mil toneladas de alumínio reciclado em novas chapas do material, através da captação de latas do mercado local e daqueles para onde exporta. Para a produção de uma tonelada de alumínio são necessárias cinco toneladas de bauxita, processo que pode ser evitado com a reciclagem e gera economia de 95% da energia elétrica necessária para a produção do metal primário.

TI reduzindo o consumo energético

Um segmento que vem ganhando força para a redução de energia é o de tecnologia da informação. Em 2007, a IBM anunciou o investimento de US$ 1 milhão por ano para o desenvolvimento de novos produtos e serviços de TI que ajudam a tornar mais eficiente o consumo de energia da própria empresa e de seus clientes.

A companhia percebeu a necessidade de adaptação em 1997, pois seus data centers consumiam grandes quantidades de energia. A partir daquela percepção, a IBM começou a fazer um trabalho específico para a área. Nos últimos dez anos, consolidou 155 data centers mundiais em apenas oito. “A empresa fez sua lição de casa. E com o resultado positivo que obteve, percebeu que tinha algo a oferecer para o mercado e para os clientes que também já começavam a estimular essa nova demanda”, constata Adriano Barreto, executivo de Desenvolvimento de Serviços da IBM Brasil.

Com o projeto denominado Big Green, que abrange o diagnóstico, a construção, a virtualização, a gestão e a refrigeração de espaços, a empresa busca duplicar a capacidade operacional dos centros de processamento nos próximos três anos, sem aumento no consumo de energia. Com isso, a IBM lançou luz sobre uma questão que vinha tirando o sono das profissionais de TI. Tendo atingido a capacidade total dos data centers, muitas empresas viram sua possibilidade de crescimento limitada e se encontraram diante da necessidade de fazer novos investimentos para mudar esse quadro. Mas com a otimização desses centros de processamento, a construção de novos espaços deixou de ser necessária e o consumo de energia pode ser muito mais eficiente.

“Quando fazemos um estudo dentro de um data center podemos alcançar uma economia de 25% a 50%. Isso é muito relevante se levarmos em conta que o custo da energia no país sobe a cada dia”, destaca Barreto. Até 2011, a empresa pretende dobrar a capacidade operacional usando a mesma demanda energética.
Outra alternativa de TI que pode diminuir o consumo de energia é a tecnologia da telepresença. Com menos viagens para reuniões de negócios, o programa desenvolvido pela Cisco reduziu milhas de transporte e conseqüentemente a utilização de combustível necessária para as milhares de viagens que seriam realizadas por seus executivos. Por meio da telepresença,11.461 carros deixaram de circular entre 2006 e 2008.
Além disso, todas as linhas de produtos da empresa são desenvolvidas visando maior eficiência energética. Um exemplo está na linha de roteadores, que comparada à de quatro anos atrás, possui capacidade 20 vezes maior consumindo a mesma quantidade de energia.

“A partir do momento que você desenvolve um produto mais potente, que ao mesmo tempo não necessita de mais energia, auxilia na redução do consumo”, avalia Rodrigo Uchôa, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Cisco Brasil.

Mais consciência, menos desperdício

Em 2001, a crise energética que acometeu o País levou empresas, consumidores e governos a repensarem suas ações no que diz respeito ao consumo de energia. Atualmente, o crescente preço dos combustíveis também se tornou uma grande preocupação. De acordo com Osório de Brito, diretor do Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE), houve uma grande conscientização na época, mas que depois perdeu força devido a falta de políticas adequadas. “Houve uma redução de quase 30% do consumo de energia por algum tempo, mas depois voltou tudo ao normal. Essa economia acabou sendo absorvida, consumida, e hoje voltamos para a mesma situação”.

Muitos produtos têm sido desenvolvidos com o intuito de conscientizar e gerar uma economia efetiva para o consumidor. Entre os exemplos desse comportamento está a linha de refrigeradores mais eficientes da Bosch e Continental, que oferece até mesmo um controle automático que regula e reduz o consumo de energia nos períodos em que o refrigerador é menos utilizado.
Para Brito, a percepção desse tipo de ganho pode vir com o tempo se houver mais empenho. “É uma questão simplesmente de conscientização sobre as vantagens resultantes para o consumidor, consciência que ainda não é disseminada”.

De acordo com Uchôa, diretor da Cisco, a movimentação do Brasil na área de eficiência energética cresceu consideravelmente de dois anos para cá e mudar a consciência de cada individuo sobre a utilização de energia faz parte desse desenvolvimento. “Seja através da economia de combustível, evitando uma viagem de carro ou de outras atitudes, acredito que a grande batalha das empresas seja a conscientização de todos os indivíduos”.

Para Roberto Vellutini, do BID, faltam políticas públicas para incentivar uma maior difusão e adaptação de eficiência energética nos processos. “Começar a promover restrições e incentivos seria uma boa alternativa para conscientização”.

(Gazeta Mercantil/Caderno A – Pág. 14)(Ricardo Voltolini)

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Mudanças climáticas

13/12/08

14ª CONFERÊNCIA DO CLIMA DA ONU – POZNAN, POLÔNIA

33 países já têm metas de corte de CO2 para negociar em 2009

12/12 – Agência Estado

Às vésperas do fim da 14ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 14) em Poznan, na Polônia, pelo menos 33 dos 39 países que devem reduzir suas emissões de gases de efeito estufa após Kyoto apresentaram, à imprensa ou nos bastidores, propostas de corte. A lista inclui os 27 membros da União Européia, Noruega e Suíça, elogiados pela comunidade internacional, mas também os “vilões” Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão.
Mais ou menos ambiciosas, as propostas devem ser levadas às mesas de negociação a partir de março de 2009.

O grupo de países que precisa apresentar propostas de corte integra o chamado Anexo 1 do Protocolo de Kyoto e é formado por 30 países filiados à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento (OCDE) e por membros do extinto bloco socialista. Parte dos planos foi evocada pelo secretário-executivo do Painel do Clima das Nações Unidas, o holandês Yvo de Boer, em seu discurso de abertura das reuniões de alto nível – as realizadas com ministros de Meio Ambiente -, ontem, em Poznan.

“Segunda-feira, a Austrália anunciará suas metas para cortes de gases-estufa. Barack Obama, presidente eleito dos EUA, quer retornar em 2020 aos níveis de 1990. A UE nos assegura que reduzirá até 30%, o Reino Unido se comprometeu a reduzir 26% e a Suécia discute a redução de 35%.”

SATISFAÇÃO

“Nós acordamos que até o final de março os países desenvolvidos deverão apresentar suas metas numéricas de cortes”, confirmou o comissário europeu de Meio Ambiente, Stavros Dimas. “Creio que em junho, em Bonn, na Alemanha, todas as propostas já vão estar sobre a mesa”, avaliou Luiz Alberto Figueiredo, chefe da delegação do Brasil na Polônia.

A aparente indefinição sobre metas vinha alimentando mal-estar em Poznan na primeira semana de negociações, mas nos últimos dias delegados de vários países elogiaram as negociações. “Muitos esperavam um acordo sobre tudo em Poznan. Não é esse o objetivo”, disse ao Estado o chefe da delegação da UE, Brice Lalonde. Acertos importantes, como a inclusão do mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) – que interessa ao Brasil – no futuro acordo do clima, e avanços na criação do Fundo de Adaptação vêm sendo enaltecidos.

“Considerando que Poznan é um evento intermediário entre Bali e Copenhague e que chegamos aqui sabendo que nenhuma decisão final seria tomada, estou muito satisfeito”, avaliou Figueiredo. “Para o Brasil tudo está andando exatamente como esperávamos.”

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11 dezembro de 2008

Desmatamento evitado entrará no acordo pós-Protocolo de Kyoto

Proposta favorece Brasil; Europa diz que aprovará corte de emissões

Andrei Netto

O mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD), o maior interesse do Brasil na 14ª Conferência do Clima, em Poznan, Polônia, será incluído no futuro acordo do clima que substituirá o Protocolo de Kyoto. Na prática, a decisão permitirá que governos, empresas privadas e proprietários de terra que preservem áreas de florestas tropicais sejam recompensados financeiramente. A metodologia do REDD ainda precisará ser definida, mas já está certo que o acordo final deverá ser assinado em Copenhague, em 2009.

A negociação ocorreu na noite de quarta-feira e no início da madrugada de quinta. A confirmação foi feita ontem ao Estado pelo governo brasileiro: “Sem dúvida é um passo importante. A discussão sobre a metodologia continuará, mas a inclusão do REDD no novo acordo do clima está garantida”, disse o embaixador Sérgio Serra, membro da delegação do País.

O mecanismo, em tese, beneficia muito o Brasil. No país, o desmatamento é responsável por 75% das emissões. A inclusão do REDD é decisiva porque abre a possibilidade de que, ao preservar a floresta, o Brasil seja indenizado pela comunidade internacional.

A forma como essa compensação se dará ainda está em aberto e precisará ser negociada até dezembro do próximo ano. A proposta brasileira é de que seja criado um fundo internacional – nos moldes do já existente Fundo da Amazônia -, que receberia recursos de outros governos. Países como os EUA, entretanto, defendem que essa remuneração se dê via mercado de carbono. A União Européia também defendia esse ponto-de-vista. Mas, após uma reunião bilateral realizada no sábado com delegados do Brasil, os europeus aceitaram a criação do fundo internacional.

PACOTE EUROPEU

A União Européia vai aprovar as metas de seu Pacote Energia-Clima, anteciparam ontem, na Polônia, autoridades do bloco. O projeto será posto em discussão hoje e amanhã, em Bruxelas, e resultará em um compromisso formal: redução de 20% das emissões, economia de 20% de energia e uso de 20% de fontes renováveis até 2020, tendo como parâmetro o ano de 1990.

Com isso, a UE deve subir o tom das cobranças em relação à proposta de redução de emissões, ainda extra-oficial, elaborada pelo presidente eleito dos EUA, Barack Obama.

Delegados europeus e brasileiros confirmaram ao Estado que os americanos deverão propor, nos próximos meses, o retorno em 2020 aos níveis de emissão de 1990 – ou seja, 0% de redução. No horizonte 2050, a proposta de cortes seria ambiciosa: 80%. “Tenho ouvido de delegados de muitos países que este esforço não é aceitável, não é suficiente”, disse o líder da delegação da França e da UE, Brice Lalonde. “Sobre 2050, sim, é uma proposta aceitável e muito ambiciosa.”

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11 de dezembro de 2008

Minc anuncia ação para fomentar tecnologia verde

Ministro participa na Polônia de negociações da ONU sobre clima.

Enviado especial da BBC Brasil a Poznan (Polônia) – Na Polônia para a rodada final das negociações das Nações Unidas sobre o clima, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, lançou nesta quinta-feira a criação de uma aliança para fomentar o desenvolvimento de tecnologias não-poluentes em países em desenvolvimento.

Batizada de Atia (Aliança Tecnológica para Inovações Antiaquecimento), a iniciativa brasileira – que ainda está em fase inicial – pretende criar parcerias para possibilitar a transferência de “tecnologias adaptadas à realidade de cada país”, em parte com recursos provenientes do mercado de carbono nos países ricos.

“Isso talvez dê corpo a essa idéia geral da transferência de tecnologia que não colou”, afirmou Minc, na cidade polonesa de Poznan, dizendo já contar com o apoio dos governos da Alemanha e da Noruega.

O ministro se referia a um dos impasses, após dez dias de negociações entre representantes de quase 190 países, sobre mecanismos que possibilitem a transferência de tecnologias não-poluentes sem custo para países em desenvolvimento.

Impasse

Integrantes da delegação brasileira consultados pela BBC Brasil afirmaram que a Atia seria uma forma de usar o mercado de carbono para facilitar transferências tecnológicas sem aumentar os direitos de emissões dos países ricos.

O funcionamento do sistema seria semelhante ao já proposto para o fundo da Floresta Amazônica: países que emitem créditos de carbono para empresas poluentes (a exemplo do que já acontece na Europa) destinam uma parcela desses créditos a um leilão.

Uma pequena porcentagem dos recursos levantados no leilão seria utilizada para pagar os donos das patentes de tecnologias limpas ou incentivar novas invenções.

Para que a iniciativa entre em funcionamento rapidamente, o ministro Minc fala também sobre o adiamento do pagamento de royalties aos detentores de patentes.

Dessa forma, à medida que recursos forem arrecadados, poderiam ser aplicados no pagamento destas dívidas. BBC Brasil – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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11/12/2008

Brasil é exemplo de economia verde, diz Ban Ki-moon

ERIC BRÜCHER CAMARA
enviado especial da BBC Brasil a Poznan (Polônia)

Em seu discurso na abertura da fase ministerial do encontro da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre mudanças climáticas em Poznan, na Polônia, nesta quinta-feira, o secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon, citou o Brasil como um dos exemplos da “economia verde” que o resto do planeta precisa seguir.
“O Brasil construiu uma das economias mais verdes do mundo, criando milhões de empregos neste processo”, disse.

Além do representante máximo da ONU, líderes de 61 países discursam no plenário, antes do início das negociações que vão encerrar o encontro deste ano, na sexta-feira.

Moon fez um apelo para que a crise econômica mundial não impeça avanços no combate ao problema.

“Sim, a crise é grave. Mas quando o assunto é mudança climática, as apostas são mais altas. A crise climática afeta o nosso potencial de prosperidade e a vida das pessoas, tanto agora quanto no futuro”, disse Moon.

Guinada política

A crise econômica e os temores de uma recessão profunda e prolongada levaram a mudanças no discurso de países como a Alemanha, vista tradicionalmente como um dos mais ambiciosos na redução de emissões de gás carbônico (CO2).

Ao mesmo tempo em que os ministros se reúnem na Polônia, em Bruxelas os chefes de Estado da União Européia (UE) devem concluir suas propostas de políticas de energia e climática, e um dos pontos mais polêmicos são as metas de redução de emissões.

As decisões tomadas em Bruxelas devem ter um impacto direto sobre as negociações em Poznan, já que a liderança da UE é considerada fundamental, em um momento de crise econômica e em que os Estados Unidos estão à espera da posse do presidente eleito Barack Obama.
O próprio Ban Ki-moon, em seu discurso, ressaltou a importância da liderança americana e européia na fase que o mundo atravessa.

“O que precisamos agora é de liderança”, afirmou o sul-coreano, lembrando que Obama prometeu em sua campanha priorizar o meio ambiente, o desenvolvimento limpo e as energias alternativas no seu governo.

A reunião da ONU sobre mudanças climáticas termina na sexta-feira e é considerada o meio do caminho para um acordo que substitua o Protocolo de Kyoto.

No encontro do ano passado, em Bali, líderes de quase 200 países aceitaram o ano de 2009 como prazo para fechar um novo tratado de redução de emissões.

Desde então, os países envolvidos apresentaram propostas para o acordo, que vêm sendo avaliadas na reunião da Polônia.

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Grandes empresas apóiam corte de emissão de gases

Daniela Chiaretti, de Poznan
09/12/2008

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas foi surpreendida ontem com o comunicado de um grupo de líderes de 140 empresas espalhadas pelo mundo no qual se lia: “Precisamos adotar cortes rápidos e profundos nas emissões de gases do efeito-estufa”. Adotando um discurso de vanguarda e alinhado em vários pontos aos das ONGs mais radicais, os empresários dizem que estão dispostos a se adequar a decisões de cortes de 50% a 85% em 2050.

O comunicado do Corporate Leaders Group on Climate Change é assinado por presidentes e diretores de empresas da Austrália, China, Europa, Japão, Estados Unidos, América do Sul e Canadá. Estão ali a seguradora Allianz e a Deutsche Telekom, a Philips, a Rolls-Royce, a Shell, a Unilever, a Virgin. Assinam também executivos da Nike, Kodak e Yahoo, dos EUA. Há três empresas chinesas (Ryle Technology, Shangai Eletric e Suntech) e uma japonesa, a Ricoh.

“Estamos sinalizando aos governos que eles podem e devem tomar as decisões necessárias”, diz Harry Verhaar, diretor sênior de energia e mudança climática da Philips Lighting, um projeto global da empresa para promover a iluminação mais eficiente. “É muito importante que se consiga um acordo mundial para enfrentar as mudanças climáticas. O planeta vai aquecer, não temos tempo.”

O comunicado faz uma proposta de negociação aos governos. O acordo tem que estabelecer um caminho de reduções de emissões de longo prazo, para o período de 2010 a 2050. As metas terão que se guiar pelo que diz a ciência, “para garantir que as concentrações globais de gases-estufa sejam estabilizadas abaixo dos níveis críticos”.

O documento pede que os países desenvolvidos tomem a dianteira com cortes imediatos e profundos, para dar o exemplo de como crescer com baixo uso de carbono. Os em desenvolvimento, por sua vez, têm de fazer sua parte com planos de redução de emissões. Eles deveriam, sugere o comunicado, “desenvolver fortes ações setoriais para adotar compromissos adequados em 2020″.

Os empresários também pedem “medidas para formar um mercado robusto” de carbono e a revisão do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), para facilitar o apoio financeiro e tecnológico aos países em desenvolvimento. Outro ponto do manifesto fala na necessidade de se ter uma estratégia de adaptação aos efeitos da mudança climática para ajudar os países pobres mais vulneráveis e apóia os mecanismos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD).

“Na conferência de Poznan, pedimos que os países concordem num plano de ação para o último ano das negociações”, diz o comunicado. Isso permitiria chegar a um acordo no encontro de Copenhague, em dezembro de 2009.

Verhaar admite que a crise econômica ameaça tornar o processo de decisões mais lento. Ainda ontem, Itália e Alemanha disseram apoiar medidas contra o aquecimento que não prejudiquem suas economias “Mas é preciso reconhecer que a energia atual também é muito cara e tem impacto sobre a economia”, disse Verhaar. “As empresas que não seguirem este caminho vão desaparecer”, afirmou. “A crise climática é tão imensa que não pode ser resolvida só pelos governos. Temos que estar todos juntos nisso, governos, empresários, ambientalistas.”

A jornalista viajou a Poznan com bolsa da Climate Change Media Partnership

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Sustentabilidade e negócios

13/12/08

Pré-sal e fontes renováveis atraem investidores

SÃO PAULO, 12 de dezembro de 2008 – As recentes descobertas de reservas de petróleo no pré-sal, o potencial hídrico e eólico e a aposta no desenvolvimento dos bicombustíveis colocam o Brasil em uma posição privilegiada diante da crise financeira mundial e abrem novas oportunidades de investidores estrangeiros entrarem no País. A conclusão foi consenso entre os especialistas que participaram do evento “O Setor Energético no Brasil”, promovido pelo periódico português “Diário Econômico”.
A EDP Energias do Brasil é um exemplo. “Nosso plano é investir, em território brasileiro, R$ 4,4 bilhões nos próximos quatro anos e nós já temos recursos para isso”, afirma António Pita de Abreu, presidente da subsidiária brasileira do grupo Energias de Portugal (EDP). Pita ressalta que os aportes serão destinados para a ampliação da capacidade geradora da empresa, sobretudo por meio da construção de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e usinas eólicas. “No meio do ano que vem está previsto ocorrer um leilão específico para centrais eólicas. Acreditamos que o fato irá movimentar fortemente o setor”, afirma.

Rodolpho Tourinho, ex-ministro de Minas e Energia, concorda com Pita. “É muito importante que o Brasil realize leilões específicos para que outras fontes limpas e complementares como a eólica se desenvolvam”. Tourinho ressalta o grande potencial dos ventos brasileiros e a tendência de redução no preço da geração eólica no País. “Trata-se de um mercado muito promissor. Assim que o setor começar a ter ganhos de escala, o custo da geração vai reduzir bastante”, comenta.

José Guilherme de Ataíde, cônsul-geral de Portugal em São Paulo, salienta o potencial hídrico brasileiro e afirma que a matriz energética nacional é invejável. “Energia é um dos assuntos mais importantes e mais falados no mundo e a matriz brasileira é constantemente dada como um bom exemplo”, diz.
Apesar do otimismo em relação ao desenvolvimento das fontes renováveis no Brasil, Paul Roberts, escritor do livro “The end of oil”, chama atenção para os possíveis obstáculos a ser gerados no setor por conta da redução do preço do petróleo. “Nos Estados Unidos, o biocombustível não tem uma boa fama, mas no Brasil a situação é diferente. Porém, com a queda drástica na cotação do petróleo, o desenvolvimento de fontes renováveis pode deixar de valer a pena”. “Mas é preciso lembrar que as oscilações na cotação são fortes e tão logo o preço voltará a subir. Quando a ascensão começar, o mundo deve estar preparado para colocar em prática as fontes mais baratas”, salienta. Para Roberts, o mundo precisa aproveitar o momento para investir fortemente no setor de biocombustíveis como uma saída para a diminuição da demanda por óleo.

Projetos com gás natural

Questionado sobre se a EDP prevê tocar projetos de térmicas a gás natural no País, Pita de Abreu afirma que a companhia mantém dois projetos de centrais que funcionarão com o insumo em território nacional. Segundo o presidente da companhia portuguesa, a importação poderia ser feita por meio da empresa argelina Sonatrach, mas Pita não detalhou de que forma esse trâmite seria feito.

Sobre a situação financeira da Energias do Brasil, o presidente garante que, “do ponto de vista financeiro, a empresa é auto-sustentada”. Pita de Abreu lembrou ainda que há uma semana a empresa firmou com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) um contrato de financiamento de R$ 900 milhões, com condições flexíveis. A verba, a utilizar nos próximos cinco anos, viabilizará parte dos R$ 4,4 bilhões que a empresa pretende aplicar ao longo dos próximos quatro anos. Pita adiantou ainda que a empresa está negociando uma linha de crédito de € 90 milhões com o Banco Europeu de Desenvolvimento (BEI) para financiar parte do seu plano de investimentos. (Roberta Scrivano – Gazeta Mercantil)

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Cresce certificação de produção sustentável

De São Paulo
11/12/2008

Ao mesmo tempo em que acompanha com preocupação as curvas descendentes dos preços do óleo de palma no mercado internacional, Marcello Brito, diretor comercial da Agropalma, maior empresa do segmento no Brasil, tenta acelerar a implantação de regras sustentáveis para a produção no país e no mundo.

Engenheiro de alimentos, Brito foi eleito recentemente diretor da Mesa Redonda do Óleo de Palma Sustentável (RSPO, na sigla em inglês), registrada na Suíça e com escritório central na Malásia. O executivo participa da entidade desde que ela foi criada, em 2004. A RSPO reúne 263 sócios ordinários, dois deles brasileiros. Além da própria Agropalma, o Instituto Biodinâmico, também é sócio da entidade.
Em 2008, afirma Brito, foram certificadas como sustentáveis 1,5 milhão de toneladas de óleo de palma produzidas na Malásia e Papua Nova Guiné, os únicos países que já oficializaram adaptações locais para os princípios e critérios universais estabelecidos pela RSPO. As adaptações para a realidade doméstica sugeridas pela Indonésia estão em fase de revisão, e o Brasil ainda deverá demorar entre três e cinco meses para concluir trabalho semelhante.

“Depois de pronto esse trabalho, as empresas interessadas podem pedir para serem auditadas por certificadoras habilitadas pela RSPO”, explica Brito. Ainda que a produção mundial alcance cerca de 37 milhões de toneladas, ele considerada o volume já certificado bastante significativo, sobretudo quando comparado a outras cadeias produtivas que também contam com suas “mesas redondas sustentáveis”. De acordo com ele, o importante é que a certificação seja bem feita e não perca a credibilidade. (FL)

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A questão da água nas megametrópoles

9 de Dezembro de 2008 – Vivemos a era das megametrópoles. Neste início de dezembro, São Paulo, quinta cidade mais populosa do mundo, sedia a Conferência Urban Age, em sua oitava edição. Agora voltada para as cinco capitais da América do Sul: São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Bogotá e Lima.
Promovida pela London School of Economics and Political Science e pela Alfred Herrhausen Society, a conferência é organizada pelo governo do Estado de São Paulo, prefeitura, Universidade de São Paulo (USP) e Centro de Estudo de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getulio Vargas (FGV). Especialistas e governantes de todo o mundo vão analisar os múltiplos problemas daquelas metrópoles sul-americanas e apontar soluções. Como ocorrido nas edições anteriores em Nova York, Xangai, Londres, Cidade do México, Johannesburgo, Berlim e Mumbai.

Ao mesmo tempo, a cidade terá outro evento importante promovido pelo governo do estado, por meio da Secretaria de Saneamento e Energia e do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE). Um seminário que vai debater o controle de enchentes quando o Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, onde se localiza a cidade, completa dez anos. Um dos grandes temas e preocupações da Urban Age é a questão do cuidado com a água nas megametrópoles.

Fundada pelos jesuítas em 1554, a Vila de São Paulo de Piratininga nasceu às margens de dois rios, o vértice do Tamanduateí com o Anhangabaú. Cresceu e chegou a outro vértice, do Tietê com o Pinheiros, que marcou a história da cidade e do estado. Pólo gerador de trabalho e desenvolvimento, a cidade sempre teve vocação cosmopolita e multicultural.

No século XIX, com o ciclo do café, atraiu imigrantes de vários países. Já no século seguinte, com a queda do preço internacional do café, a capital paulista investiu no desenvolvimento industrial, o que novamente fez de São Paulo um ponto de atração de mão-de-obra. No final do século XX, a pujança da indústria tornou a cidade um grande centro de serviços e negócios.

A rápida e desordenada expansão da cidade impermeabilizou o solo e sacrificou seus rios e córregos, que acabaram canalizados ou transformados em esgotos a céu aberto. Outro problema vivido na metrópole fruto do descuido com os rios ao longo de décadas são as enchentes.
São 28 milhões de habitantes, ou 16% da população brasileira, na macrometrópole, que inclui a região de Campinas e a da Baixada Santista. A macrometrópole paulista, responsável por 80% do PIB estadual e 27% do nacional, desfruta de independência socioeconômica. Em meio a tanta riqueza, sobressai a escassez de água.

Graças às ações do Plano Diretor de Macrodrenagem que completa dez anos, temos o que comemorar: 1- o Tietê não transborda mais desde 2005; 2 – a Sabesp colocou em operação novas estações de tratamento de esgotos e ampliou a rede coletora; 3 – o DAEE aprofundou a calha do rio e cuidou de suas margens, agora urbanizadas; 4 – já foram construídos 42 piscinões de retenção de águas pluviais; entre várias outras realizações que poderíamos listar.

Na questão das águas, mesmo em São Paulo podem ocorrer situações desconhecidas, imponderáveis, como a recente catástrofe em Santa Catarina. Seja o que for, é preciso enfrentar a situação com tecnologia, estudos e previsões mais precisas. Temos que nos adiantar aos problemas. Em todas as circunstâncias, o governo tem que prevenir e agir. Sempre!

A defesa das águas está no centro das preocupações do governo Serra. Este ano foi criada a Parceria Público-Privada (PPP) Alto Tietê para ampliação da produção de água em 5 m³/s até 2010 para a RMSP. No mês passado, foi iniciado o estudo de definição das alternativas de novos mananciais para a macrometrópole paulista, com horizonte de 30 anos. O trabalho ficará pronto em outubro de 2009.
Como se vê, o governo do estado planeja e investe em várias ações e projetos para recuperar e preservar os recursos hídricos de São Paulo. O Programa de Despoluição do Tietê, da Sabesp, busca universalizar os serviços de coleta, afastamento e tratamento de esgotos. A meta é chegar a 2010 com 86% do esgoto coletado e 72% tratado (do coletado) nos municípios atendidos pela empresa na RMSP.

Além dos programas citados, estão em curso ações para a despoluição de córregos (Programa Córrego Limpo), com a complementação de redes coletoras, a identificação de ligações de esgotos clandestinas nas galerias pluviais, o reassentamento de famílias localizadas em faixas de fundo de vale e a educação ambiental. Igualmente, estão sendo realizadas intervenções para recuperar e garantir a qualidade das águas dos mananciais metropolitanos (Programa Vida Nova).

Outra vertente de trabalho para a recuperação e proteção dos recursos hídricos na RMSP é a criação de parques às margens dos rios Pinheiros (Parque Rio Pinheiros) e Tietê (Programa Várzeas do Tietê) e na região dos mananciais (Projeto Orla Guarapiranga e Parques do Rodoanel).

A conservação, recuperação e preservação do meio ambiente não podem depender apenas de ações isoladas, é preciso uma participação cooperativa entre o governo do estado, as prefeituras municipais e a sociedade. É assim que se resolvem problemas como o da poluição dos rios, da proteção dos mananciais e das várzeas e do lixo urbano.

Partindo do que já foi feito, está em andamento um conjunto de projetos articulados, que têm os rios Pinheiros e Tietê como referência e no qual R$ 4,5 bilhões estão sendo investidos, para dar à RMSP um novo rosto: o rosto limpo pela água de córregos, rios, represas e mananciais despoluídos, cercados por várzeas renascidas.

A grande meta é despoluir as águas da região metropolitana e criar parques, áreas verdes, que estimulem seus habitantes a desfrutar da satisfação de viver num ambiente limpo e progressista, que se projeta cada vez mais como uma metrópole mundial.

kicker: Graças ao Plano Diretor de Macrodrenagem, São Paulo tem o que comemorar

(Gazeta Mercantil/Caderno A – Pág. 3) DILMA PENA* – Secretária de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo e presidente do Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Saneamento)

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