Arquivo de janeiro, 2009

Mudanças Climáticas

26/01/09

Quinta-feira, 22 de janeiro de 2009, 17:21

União Europeia quer taxa do clima para países ricos

PETE HARRISON E GERARD WYNN - REUTERS
BRUXELAS - Os países ricos podem arrecadar 200 bilhões de dólares em fundos do clima por meio de uma taxação sobre os gases-estufa emitidos por eles entre 2013 e 2020 a fim de ajudar os países pobres a se preparar para o aquecimento global, defenderá a União Europeia na semana que vem.

O plano está previsto em um documento da UE definindo a posição do bloco antes da reunião sobre o clima em Copenhague, em dezembro, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU). O encontro tem como objetivo chegar a um acordo sobre um novo tratado sobre o clima global.

A idéia para arrecadação de fundos é a mais específica até agora vinda de um bloco ou país rico no que diz respeito a como persuadir os países em desenvolvimento a concordar com passos concretos a fim de evitar as emissões de gases-estufa — um dos obstáculos-chave das negociações climáticas até agora.

O projeto, que deve ser publicado na semana que vem e ao qual a Reuters teve acesso, pede que os países ricos paguem para que os países em desenvolvimento cortem as suas emissões de gases-estufa, no processo chamado de mitigação, e se preparem para o aquecimento inevitável, chamado de adaptação.

“Todos os países desenvolvidos precisarão contribuir com os recursos financeiros para a adaptação e a mitigação nos países em desenvolvimento via financiamento público e uso de mecanismos de crédito de carbono”, diz o documento.

Os países ricos devem se comprometer com limites obrigatórios sobre emissões de gases-estufa até 2020. Eles poderão então pagar um preço estabelecido para cada tonelada de emissão, diz o documento, sob uma de “duas opções principais para gerar os fundos”.

A outra opção seria pagar proporcionalmente por tonelada em um mercado de carbono global, e portanto não ter preço garantido.

Se tiver ampla aprovação, o plano poderia estimular o principal emissor de carbono do mundo, a China, a concordar com medidas climáticas internacionais obrigatórias. Por sua vez, isso poderia satisfazer uma pré-condição geral exigida pelo segundo maior emissor, os Estados Unidos, para assinar um sucessor do Protocolo de Kyoto.

Os EUA não ratificaram o Protocolo de Kyoto porque o pacto não continha nenhuma obrigação concreta para os países em desenvolvimento, posição que provavelmente será mantida pelo novo governo de Obama com relação ao novo pacto depois de 2012.

O documento da UE disse que se os principais países desenvolvidos pagassem 1 euro por tonelada de gás-estufa a partir de 2013, subindo para 3 euros até 2020, isso arrecadaria 164 bilhões de euros (213 bilhões de dólares) ao longo do período.

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22/01/2009 - 11h00

Projeto de Minc expande cultivo de cana-de-açúcar até 2017

da Folha de S.Paulo

Após reunião com o presidente Lula, o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) anunciou ontem que será apresentado em fevereiro o projeto de zoneamento da cana-de-açúcar, cujo cultivo se expandirá de 7 milhões para 13 milhões de hectares até 2017. A novidade, segundo Minc, é a proibição da queima da palha nas lavouras de cana.

O ministro também anunciou o zoneamento para o plantio de dendê, inclusive na Amazônia, mas, segundo ele, em áreas degradadas. A meta é ampliar o cultivo de oleaginosas destinado à produção de biodiesel.
Para ONGs, a introdução do dendê na Amazônia na prática muda o Código Florestal, cuja alteração está em discussão no Congresso, e reduz a reserva legal de 80% para 50%.
A proibição da queima na lavoura de cana será imediata nos 6 milhões de hectares que serão abertos até 2017, disse Minc.

Para os que já existem, o fim das queimadas será gradativo.
A queima da palha produz emissões poluentes para a atmosfera e causa problemas respiratórios.

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Nos EUA, “petróleo verde” atrai apostas de Bill Gates

Roberta Campassi, de São Paulo
22/01/2009

Nos EUA, as microalgas atraíram o dinheiro até de Bill Gates, o fundador da Microsoft. Seu braço de investimentos Cascade e mais três investidores aplicaram US$ 50 milhões na Sapphire Energy, empresa pioneira de San Diego que diz já ter a tecnologia para produzir o que chama de “petróleo verde” (green crude, em inglês), uma fonte de energia renovável feita sobretudo a partir de microalgas.
A Sapphire clama que o produto é ao mesmo tempo capaz de substituir o petróleo e reduzir as emissões de gás que resultam do uso de combustíveis. O petróleo verde também não requer terras agrícolas para ser fabricado, ao contrário de outras matérias-primas.

Tim Zenk, vice-presidente de assuntos corporativos da Sapphire, afirma que o petróleo verde, quando refinado, dá origem aos mesmos combustíveis que o petróleo tradicional: gasolina, querosene e diesel, entre outros derivados. A diferença é que, quando os produtos que resultam desse processo forem queimados, o carbono liberado será em parte absorvido pelas algas, que posteriormente vão gerar novos litros de combustível.

A Sapphire não revela a fórmula do seu petróleo, mas a simplifica da seguinte forma: água não potável + gás carbônico + luz solar + microorganismos, sendo a maioria algas. O silêncio da empresa é ainda maior sobre a sua tecnologia de refino. Esta chama atenção justamente por permitir a obtenção de vários subprodutos, enquanto outras tecnologias existentes viabilizam a produção de apenas um tipo de combustível. A Petrobras, por exemplo, criou a H-Bio, para transformar óleo vegetal em óleo diesel. A UOP, empresa americana especializada em técnicas de refino, pretende licenciar neste ano um processo para produção de querosene de aviação a partir de matérias-primas vegetais.

Em três anos, a Sapphire planeja inaugurar uma planta industrial no Estado americano do Novo México para testar a produção em escala de alga. Nesse estágio, a produção diária do petróleo verde pode chegar a 300 barris, diz Zenk. Em cinco anos, a companhia estima que o volume saltará para 10 mil barris ao dia - pouco menos do que a produção diária de 11,6 mil barris do Chile em 2007. Com esse volume de produção, o barril de “green crude” custaria entre US$ 40 e US$ 80. “Os custos serão similares ao da exploração de petróleo tradicional”, afirma Zenk. “Temos absoluta certeza de que a produção de algas pode alcançar uma escala impressionante”, diz.

Confiante de que vai solucionar o problema de escala e custo, a grande batalha da Sapphire deverá ser com o governo americano e os incentivos bilionários dados aos produtores de etanol de milho do país, por exemplo. “Queremos tratamento igual”, diz Zenk. “O governo não pode determinar quais são as matérias-primas de biocombustível vencedoras e perdedoras. Isso é o mercado que vai mostrar.”
Criada em 2007, a Sapphire tem entre seus investidores o Wellcome Trust, órgão que financia pesquisas científicas, e os fundos de capital de risco Venrock e ARCH, além da própria Cascade.
Gigantes do petróleo também já mostraram interesse na produção de combustível a partir de algas. A Chevron, segunda maior petrolífera dos EUA, fez uma parceria no início de 2008 com a americana Solazyme, que já desenvolve produtos à base de algas para a indústria química e farmacêutica e agora pesquisa seu uso energético.

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Alga entra no “menu” dos biocombustíveis

Bettina Barros, de São Paulo

22/01/2009

Com alguns anos de atraso, o governo brasileiro começa a dar sinais concretos de que incluirá em sua política energética pesquisas com microalgas para a produção de biocombustíveis.

Estudadas há pelo menos 20 anos em iniciativas independentes de pesquisadores brasileiros, esses vegetais microscópicos entraram no foco do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Se antes as pesquisas se limitavam aos setores de cosméticos e fármacos, o interesse volta-se agora para a produção do biocombustível em escala comercial e viável do ponto de vista econômico.

O novo item do cardápio de matérias-primas pesquisadas para a produção de biocombustíveis chega com alguns atrativos. Com rápida reprodução e boa produtividade de óleo, as microalgas são vistas como opção plausível de alternativa ao petróleo. Contam ainda com uma vantagem ainda imbatível: reproduzidas em tanques de água marinha, elas não entram em conflito na disputa por terras agrícolas, questão-chave no debate atual.

De olho nesse futuro mercado, o Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Tecnologia (CNPq), vinculado ao MCT e em parceria com o Ministério da Pesca e Aqüicultura, lançou em 2008 um edital inédito para a contratação de projetos com o objetivo de investigar a fundo o potencial das algas para finalidade energética. Sessenta e três projetos foram apresentados, 11 selecionados.
Paralelamente, a Petrobras também dá seus passos. Desde 2006, a estatal trabalha em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande (FURG), no Rio Grande do Sul, para desenvolver o novo biocombustível. O projeto já entra em sua segunda fase.

“Temos que suprir a necessidade de matéria-prima para a produção de biodiesel, que tire a dependência da soja. E o mais rápido possível”, diz Rafael Menezes, coordenador de ações de desenvolvimento energético do Ministério da Ciência e Tecnologia.

As pesquisas foram divididas em cinco áreas prioritárias: o estudo do potencial de cepas de microalgas; a avaliação das propriedades físico-químicas do biodiesel de algas; os processos mais econômicos e eficientes; a avaliação da viabilidade econômica do cultivo e o desenvolvimento de técnicas para maximizar a produtividade do óleo.

Em dois anos, o CNPq investirá o total de R$ 4,5 milhões em busca das respostas de ao menos parte das perguntas científicas. A primeira delas é também o maior desafio: como produzir combustível de algas a um baixo custo?
“Esse tem sido o maior entrave à produção, aqui e no exterior”, explica Armando Vieira, pesquisador da Universidade Federal de São Carlos e um dos selecionados no edital. Por isso, diz ele, é que ações recentes envolvendo o combustível de alga são simbólicas - marketing, acima de tudo.

Vieira refere-se ao vôo demonstrativo realizado no início deste ano pela companhia aérea americana Continental Airlines, que colocou no ar um avião com um quarto do combustível oriundo de uma mistura de pinhão-manso e algas. “O processo para a produção de combustível de algas ainda é muito caro. Não é viável hoje para realizar vôos. Se quiserem, eu também faço esse combustível. Mas vai ser uma fortuna. US$ 10 por litro”, especula.

As cifras proibitivas devem-se ao processo industrial de concentração, separação e secagem das algas. Por serem extremamente pequenas, com tamanhos que variam de 2 a 200 micrômetros (uma milionésima parte do metro), as algas necessitam ser primeiro aglutinadas para então serem separadas da água. Isso só é possível através de filtragem, centrifugação ou por uso de floculantes. Além de técnicas caras, consomem muita energia.

“Uma centrífuga grande chega a custar hoje algo como US$ 100 mil. Filtros, US$ 5 a unidade. E são necessários centenas”, afirma Paulo César Oliveira, da FURG.

Oliveira pertence à equipe de cientistas que desenvolve as pesquisas com algas para a Petrobras. Durante a primeira fase do projeto, os pesquisadores coletaram espécies nativas do Rio Grande do Norte e identificaram 40 espécies de microalgas. “Ainda estão sendo realizados estudos para verificar se entre elas há novas ocorrências em relação as 30 mil já catalogadas pela ciência”, afirma, em nota, a estatal.

Nos próximos 24 meses, o desafio do grupo será o escalonamento da produção, passando dos experimentos atuais com três mil litros de água para tanques maiores, de 10 mil litros. “A idéia é tirar até três quilos de algas por litro d’água, no período de dez dias”, diz o pesquisador.

A previsão de quando o combustível de algas estará no mercado é uma incógnita. Pesquisadores mais adiantados falam em uma década. No exterior, a corrida pelo “petróleo verde” dá passos mais largos. Nos Estados Unidos, a expectativa do setor privado é de produzir o biocombustível em metade desse tempo.
E por uma razão simples. Ali, as microalgas são usadas há décadas na produção de encapsulantes e na aqüacultura, para alimentar peixes e outros animais. Com a crise do petróleo, nos anos 70, o governo adotou a estratégia de estimular a aplicação desses organismos marinhos para a produção de energia a partir da biomassa, na tentativa de reduzir a dependência pelo óleo. Linhas de investimento especiais foram criadas pelo Departamento de Energia, resultando em dezenas de pesquisas do setor privado e universidades .

A boa notícia é que, superado o problema do custo de produção, o combustível de alga terá, com efeito, uma vantagem competitiva. Diferentemente de outras oleaginosas, as microalgas se reproduzem de forma exponencial. Mantidas em tanques rasos, elas conseguem se duplicar em qualquer tipo de água, da salgada à salobra. Seu principal alimento é o dióxido de carbono (CO2), o que lhes confere um segundo papel de “comedoras” de gases que afetam o ambiente.

Outra vantagem, como já se disse, é que as microalgas não competem com outras culturas. Portanto, seu cultivo não exige o deslocamento de áreas tradicionalmente voltadas para a alimentação humana (um argumento forte sobretudo nos Estados Unidos, onde o milho é a matéria-prima para o etanol).
Pesa ainda a sua produtividade. A soja, principal base do biodiesel no Brasil, rende de 400 a 600 quilos de óleo por hectare e tem apenas um ciclo por ano. O girassol produz de 630 a 900 quilos. Mas uma pesquisa recente do Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense indica que microalgas encontradas no litoral brasileiro têm potencial energético para produzir 90 mil quilos de óleo por hectare. É uma interessante nova frente de ação.

“Estamos falando de algo novo e que até pouco tempo atrás era totalmente ignorado. Muitas pessoas achavam que eu perdia tempo com estes assuntos ‘estranhos’. Agora tudo mudou”, conta Sergio Lourenço, pesquisador da Universidade Federal Fluminense, responsável pelo estudo. “Perdemos terreno por nunca ter investido o suficiente nessa frente”.

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Terça-feira, 20 janeiro de 2009

A política energética de Obama

José Goldemberg

O novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que toma posse hoje, introduzirá, ao que tudo indica, inúmeras modificações nas problemáticas e controvertidas políticas seguidas pelo presidente George W. Bush, que vão desde o envolvimento nas guerras do Oriente Médio até a política econômica.

Entre elas, porém, figura, com destaque, a política energética seguida por aquele país, que é responsável pelo consumo de 25% de toda a energia consumida no mundo, apesar de ter apenas 5% da população mundial. Mais ainda, cerca de 80% desta energia se origina em combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás natural), tornando-o o maior emissor mundial de gases de efeito estufa - responsáveis pelo aquecimento da Terra e pelas mudanças climáticas.

O extraordinário progresso material dos Estados Unidos é baseado no consumo destes combustíveis, cuja comercialização movimenta aproximadamente US$ 2 trilhões por ano.

Os extravagantes padrões de consumo dos Estados Unidos exigem um consumo de energia per capita (predominantemente fóssil) que é o dobro do da Europa e cinco vezes maior que o da maioria dos países em desenvolvimento. Os interesses econômicos que se formaram em torno deste comércio são imensos e vão desde a indústria do carvão e a produção de eletricidade com ele até o petróleo e a indústria automobilística.

Não é surpreendente, portanto, que qualquer tentativa de reduzir o consumo de combustíveis fósseis encontre tanta resistência nos Estados Unidos, mesmo que o bom senso indique que isso deveria ser feito. Desde os tempos do presidente Richard Nixon, há mais de 30 anos, uma das metas do governo americano - nunca alcançada - é a de atingir a “independência energética”, reduzindo a importação de petróleo, uma vez que mais da metade dele vem do Oriente Médio, o que explica, aliás, em parte a forte presença militar dos Estados Unidos naquela região e os gastos decorrentes.

Por causa da extrema dependência americana do consumo de combustíveis fósseis, o governo dos Estados Unidos não aderiu ao Protocolo de Kyoto, cuja finalidade era a de levar à redução dos gases de efeito estufa. As emissões americanas, em lugar de serem reduzidas, como ocorreu em vários países da Europa, aumentaram muito desde 1990.

A política energética da administração George W. Bush em relação ao Protocolo de Kyoto foi sistematicamente uma política hostil, mobilizando até funcionários públicos capazes de alterar documentos - oriundos de laboratórios científicos do próprio governo - alertando para as consequências do aquecimento global, com a finalidade de minimizar os riscos decorrentes.

Na prática, a política do governo federal dos Estados Unidos era apenas a de estimular o desenvolvimento de tecnologias que permitissem continuar a usar combustíveis sólidos, tornando-os, porém, “mais limpos”, como, por exemplo, capturando o carbono emitido pelas chaminés das usinas que geram eletricidade a partir do carvão e armazenando-o em cavernas profundas.

Outra opção do governo Bush foi a de tentar - sem sucesso até agora - reativar a indústria nuclear americana, paralisada desde 1985.

A atenção dedicada ao uso de fontes renováveis de energia foi pequena, apesar de elas não emitirem carbono e serem produzidas localmente - o que contribui para a independência energética -, exceto em alguns Estados, como o Texas.

O novo governo americano deve mudar substancialmente essas políticas, como indica a nomeação do novo secretário de Energia (correspondente ao nosso ministro de Minas e Energia), o dr. Steven Chu, Prêmio Nobel de Física (1997) e professor da Universidade da Califórnia.

As ideias do presidente Barack Obama sobre energia foram expressas com clareza na cerimônia em que anunciou a escolha do novo secretário. Ao agradecer a indicação, o dr. Steven Chu repetiu suas opiniões já bem conhecidas e publicadas mais de um ano atrás.

Que opiniões são essas?

Em primeiro lugar, reduzir o consumo de energia sem abrir mão dos serviços que ela oferece, isto é, usar energia de forma mais eficiente. Isso não apenas é possível como foi feito com sucesso na Califórnia desde 1980, onde a grande maioria dos equipamentos não pode ter um consumo enérgico maior do que o fixado pelo governo do Estado.

Em segundo lugar, aumentar a produção das energias renováveis já bem desenvolvidas, como a eólica (dos ventos) e a solar, para geração de eletricidade e aquecimento de água para usos domésticos e industriais; e, mais significativamente, o uso de biomassa. O aperfeiçoamento das tecnologias usadas hoje para o uso de biomassa (incluindo modificações genéticas) oferece grandes perspectivas. Esta é uma área em que o Brasil está muito avançado - em particular, com os programas de pesquisa financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) -, na produção de etanol (e eletricidade) com cana-de-açúcar. As possibilidades de cooperação dos Estados Unidos com o Brasil nesta área são muito boas.

Em terceiro lugar, estimular o desenvolvimento de novas tecnologias até torná-las competitivas no mercado.

Se implementadas, estas políticas permitirão aos Estados Unidos reduzir suas emissões de carbono (e de outros poluentes), diminuir suas importações de petróleo e, eventualmente, exportar tecnologias “limpas”. Elas fazem, portanto, mais sentido do que as políticas - ou a ausência de políticas - adotadas até agora no governo Bush.

José Goldemberg, professor da USP, copresidiu em 2007, com o dr. Steven Chu, um relatório preparado pelas Academias de Ciências de vários países intitulado O Caminho para um Futuro Energético Sustentável (www.interacademycouncil.net)

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Setor de biocombustível dos EUA espera retomada este ano

Dirk Lammers, Associated Press
19/01/2009

O etanol de celulose, a próxima esperança da indústria de biocombustível, afetado no último ano pela volatilidade das commodities e redução de margens, continua sua lenta marcha à comercialização.
Maior produtora de etanol dos EUA, a Poet abriu as torneiras de uma biorrefinaria de US$ 8 milhões em seu centro de pesquisas em Dakota do Sul, que produzirá por ano 76 mil litros de combustível de sabugo e fibras de milho normalmente deixados sem uso no campo. A usina-piloto servirá como precursora da biorrefinaria maior, de escala comercial, de US$ 200 milhões, prevista para operar em Iowa, em 2011.

A Poet é uma das várias usinas sustentadas por centenas de milhões de dólares em concessões do Departamento de Energia americano, idealizada para ajudar a evolução dos combustíveis de matérias-primas como gramíneas, palha de trigo e aparas de madeira. A indústria faz etanol de milho há mais de 20 anos. Jeff Broin, CEO da empresa, prevê que agregar o sabugo à composição elevará o rendimento de etanol em 11% por bushel de milho e 27% por acre plantado.

A expansão das duas formas de produção ajudará os EUA a atingir suas ambiciosas metas de uso de combustíveis renováveis, que exigirão a mistura de 136 bilhões de litros de biocombustíveis à gasolina até 2022, segundo Broin. “Há potencial, tanto no etanol de celulose como no de grãos, para reduzir a dependência do nosso país por energia”, diz.

Quase todo o etanol nos EUA é feito de milho, e 2008 foi um ano difícil para o setor. A VeraSun Energy, segunda maior produtora do país, entrou com pedido de recuperação judicial após o aperto no crédito tê-la impossibilitado enfrentar as oscilações no preço dos combustíveis e do milho. As ações da Aventine Renewable Energy, Pacific Ethanol e BioFuel Energy perderam em torno de 95% do valor durante o ano.
A florescente indústria de etanol celulósico, porém, provavelmente já se depararia com a inquietude dos investidores mesmo se o país não estivesse enredado entre a letargia do mercado de crédito e a recessão da economia, advertiu Cole Gustafson, economista especialista em biocombustíveis na Universidade Estadual de Dakota do Norte, em Fargo.

As atuais usinas de etanol de milho possuem referenciais de desempenho consistentes, que se encaixam bem no balanço financeiro, enquanto a indústria de etanol celulósico testa uma ampla variedade de matérias-primas, o que poderia confundir os investidores. As empresas trabalham com múltiplos processos de conversão, tanto biológicos como termomecânicos, e a indústria precisa determinar seus mercados para matérias-primas e descobrir como transportá-las, afirmou Gustafson.
“Como conseqüência será muito difícil conseguir capital de Wall Street e de outros investidores que estão à margem da agricultura”, disse.

Embora nenhuma biorrefinaria de etanol de celulose tenha alcançado escala comercial até agora, a usina da Poet é uma entre as várias fábricas em fase experimental que foram abertas nos últimos 12 meses.
A KL Energy Crop, na Dakota do Sul, começou a operar uma usina em janeiro de 2008, com capacidade para produzir 5,7 milhões de litros de etanol por ano a partir de restos de madeira. A Verenium inaugurou em abril uma usina na Louisiana que transformará resíduos agrícolas e de madeira 5,3 milhões de litros de combustível por ano. E a AE Biofuels, na Califórnia, abriu uma usina de provas em agosto, com mais de 800 metros quadrados, em Montana, na qual testará a criação de combustíveis a partir de produtos não comestíveis, como palha de trigo e grama.

Produzir etanol de materiais diversos não é tarefa fácil. A celulose é densa e difícil de desmembrar do resto dos vegetais. As matérias-primas normalmente precisam passar por tratamento prévio. As empresas continuam aperfeiçoando as enzimas necessárias para extrair açúcares complexos e derrubar o custo.
O fermento usual que quebra os açúcares simples não funciona com açúcares complexos, portanto, são necessários mais microorganismos avançados durante a fermentação.

O Departamento de Energia, decidido a tornar o etanol celulósico competitivo até 2012, concedeu US$ 385 milhões a seis empresas em 2007, para o desenvolvimento das primeiras usinas que transformem biomassa em combustível em grande escala. “O que interessa é quando o setor privado para esses empreendimentos decolará. E isso está um pouco longe”, disse Gustafson.

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Sustentabilidade e Negócios

26/01/09

22/01 - 00:47

Resíduos de obras ganham novo destino

São Paulo, 22 de Janeiro de 2009 - Para diminuir gastos com obras e preservar o meio ambiente, algumas empresas do setor construtivo empregam a reutilização de resíduos como saída. É o caso da WTorre Empreendimentos, Trisul e Rodobens Negócios Imobiliários. Segundo o doutor em engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, professor associado da Poli/USP e membro do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), Vanderley Moacyr John, “com exceção dos resíduos perigosos, tudo pode ser aproveitado: metais, plásticos, madeira, vior e gesso”.

No entanto, ele pondera que o Brasil é um país que trabalha muito pouco com essa técnica - apenas 1% da sobra de material da construção é reaproveitado. “Países como a Holanda chegam a ter mais de 90% de reciclagem”, ressalta.

Conforme o presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos, Diógenes Del Bel, a construção gera resíduos que posteriormente são transformados em areia, granulado e pedriscos. “O material é reaproveitado principalmente para fazer pavimentação, mas possui outras aplicações também”, informa. O problema é que muita sobra é considerada inerte, ou seja, sem aproveitamento, e as empresas de tratamento de resíduos são a única solução. “Como não há outra saída, as companhias contratadas providenciam aterros para esses resíduos”, explica Del Bel.

“Cerca de 65% de todos os resíduos gerados no Brasil são provenientes do setor da construção”, afirma o gerente técnico da GBC Brasil, Marcos Casado. Ele ressalta que entre os quatro empreendimentos, no País, que já possuem o certificado, houve um reaproveitamento de resíduos de algo entre 70% e 90%.
O Green Building Council Brasil (GBC Brasil) é responsável pela certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), atribuída aos empreendimentos que seguem especificações para se tornarem sustentáveis. Seis pontos da certificação são referentes à reutilização das sobras de materiais.

Casado diz que a reciclagem e a reutilização de resíduos “nem sempre são gastos, e sim um investimento com certo retorno financeiro”. A incorporadora WTorre Empreendimentos tem o projeto Parque do Povo, uma área lazer de 112 mil metros quadrados entre as avenidas Nações Unidas, Cidade Jardim, Juscelino Kubitschek e Henrique Chamma, em São Paulo. Cerca de 30% do custo de execução da calçada foi reduzido com a reutilização de britagem. “Reutilizando a britagem, nós reduzimos os gastos com a compra de material de mineradoras e com o transporte das pedras”, afirma a gerente de produtos e arquitetura da WTorre Empreendimentos, Rosa Pezzini. Esse material é oriundo de demolições feitas no local, e de outras obras públicas. “Todas as sobras de nossas obras - quando não destinamos ao mesmo local - vão para nossas outras construções”, diz Rosa.

Separação dos produtos

Outro ponto importante no processo de reutilização de resíduos é a coleta e separação de material. Casado diz que o treinamento dos funcionários da obra é muito importante na hora de destinar as sobras. Conforme Rosa Pezzini, os trabalhadores recebem treinamento específico para separarem os resíduos em seus empreendimentos. “O retorno do treinamento é tão interessante que em obras iniciais, quando não orientamos os funcionários sobre a separação, eles nos cobram. Isso se tornou rotina para eles”, diz.

Para o professor e doutor de engenharia Vanderley Moacyr John, a prevenção de geração de resíduos pode render mais do que a reutilização das sobras. “Acho que para construtoras o negócio é prevenir a geração. Mas isso exige medir a quantidade gerada, uma política permanente de combate aos desperdícios, modulação do projeto etc”. Ele pontua que segregar os resíduos permite a venda de plásticos, papéis, metais e madeira, que pode ser mais rentável para a empresa.

Há um ano e meio, a Trisul S.A. Incorporadora e Construtora faz a separação das sobras de madeira, plástico, papel, aço, e outros materiais recicláveis, e encaminha para empresas que compram o material. “Nossa intenção é mais voltada à preservação ambiental. Lucramos cerca de R$ 500 por mês, em cada obra com esse trabalho”, explica o gerente de obras da Trisul, William Vitor. O dinheiro da venda dos resíduos é investido nos refeitórios e áreas de vivência dos funcionários, nas 17 obras em execução da Trisul.

A Rodobens Negócios Imobiliários constrói seus empreendimentos - condomínios residenciais para famílias com renda de três a 10 salários mínimos - com um sistema construtivo que minimiza a produção de resíduos. “Nosso sistema não utiliza madeira, blocos de concreto ou tijolos, e argamassa”, afirma o diretor técnico da Rodobens Negócios Imobiliários, Geraldo Cesta. Ele garante uma redução na produção de entulho de 70%, com a exclusão dos três insumos.

A construção é feita com moldes de plástico, que podem ser utilizados 300 vezes, e moldes de alumínio, com vida útil de 1.500 obras. Os moldes formam as paredes das unidades e são preenchidos com concreto. “Não é necessário o uso de argamassa para o acabamento das paredes. As fôrmas deixam a superfície bem lisa, e isso reduz gastos”, afirma Cesta.

Os imóveis construídos com o sistema de placas são entregues de oito a 12 meses. “Os valores da construção são bem reduzidos quando diminuímos os materiais utilizados e o tempo de entrega”, ressalta Cesta.

(Gazeta Mercantil/Relatorio - Pág. 5)(Pedro Souza)

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22/01 - 04:40

Construção ecológica é viável. E lucrativa

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, 22 de janeiro de 2009 - O engenheiro civil Luiz Fernando Lucho do Valle é um inovador, particularmente ao ligar o meio ambiente, a construção civil e o mercado imobiliário. E ao provar que esta combinação é viável em termos econômicos, lucrativa e geradora de diferenciais de venda. Com 29 anos de experiência profissional na construção civil nas áreas de incorporação, comercial, gestão e marketing, Valle é um dos pioneiros ao inserir o conceito de sustentabilidade na engenharia civil residencial e estabelecer um novo paradigma no mercado com sua empresa, a Ecoesfera.

A Ecoesfera Empreendimentos Sustentáveis nasceu em 2004 e foi responsável pelo desenvolvimento do conceito de habitação Ecolife, com 16 diferenciais ecológicos que vão desde o processo construtivo à vida útil do empreendimento. Atualmente, dois projetos lançados pela companhia estão pré-certificados com o selo “Green Building”, que se baseia na sustentabilidade e qualidade de vida.
Pelos cálculos do empreendedor, cerca de 40% de seus clientes procuram residências que tenham o apelo do ambientalmente correto. A Ecoesfera já lançou, em apenas cinco anos de vida, 22 empreendimentos, totalizando 2.600 unidades de apartamentos nas cidades de São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
Valle faz questão de afirmar que sua empresa nasceu com o DNA da ecologia. Por isso, os empreendimentos da Ecoesfera possuem características sustentáveis para proporcionar conforto, lazer e economia, além de priorizar o consumo inteligente de recursos naturais como água, energia e gás, desde a concepção até a construção de seus imóveis.

A Ecoesfera tem um portfólio de produtos que atende todas as faixas de renda do seu segmento alvo, a classe média, como os selos EcoOne , EcoWay e Ecolife. Em todos eles são encontrados os itens de ecoeficiência adotados pelo grupo para proporcionar melhor uso dos recursos naturais durante a vida útil do residencial.

Entre eles estão: coleta de lixo seletiva, coleta de óleo de cozinha, sensores de presença na utilização da luz artificial, captação de água pluvial para irrigação das áreas verdes, captação e tratamento de água proveniente de pias e chuveiros para reutilização somente nos vasos sanitários, aquecimento de chuveiros a gás, medidores de consumo individuais de gás e de água, placas de captação de energia solar para iluminação das áreas comuns e pré-aquecimento da água. Dessa maneira, os moradores podem ter uma taxa de condomínio cerca de 30% menor que os valores pagos em edifícios convencionais.

Além da preservação e da consequente economia, a Ecoesfera segue uma tendência mundial de valorização dos prédios verdes. Na Europa, por exemplo, a preocupação com o tema valoriza um imóvel considerado sustentável em torno de 20% no ato da revenda.

“Acredito que até 2015 esse fenômeno ocorrerá também no Brasil, já que muitos de nossos clientes manifestam como motivo principal da compra do apartamento os benefícios que os itens ecoeficientes agregaram economia e contribuem com o meio ambiente. Isso significa que as pessoas já estão considerando estes diferenciais como razão para a valorização do imóvel”, afirmou Valle.

Gazeta Mercantil - Em que momento profissional e pessoal a questão ambiental se fez presente?
Desde criança, a questão ambiental sempre esteve presente na minha família. Por necessidades financeiras, o meu pai sempre nos ensinou a apagar a luz após sair de um ambiente, não demorar no banho, coisas que pareciam insignificantes e que mais tarde seriam tão importantes na minha vida pessoal e profissional.

Gazeta Mercantil - Houve algum processo ou ação que lhe deu um “insight” sobre a necessidade de levar o discurso ambiental para a prática?
Não houve um fato isolado que promovesse essa mudança, mas uma sucessão de fatos. Eu estava prestes a completar 50 anos e, graças a Deus, estava com uma carreira consolidada, constituí uma bela família, mas ainda faltava algo que contribuísse para o bem comum. Lembrei-me do meu pai quando estava prestes a morrer e nós tivemos uma conversa de pai para filho que me marcou muito. Ele disse para eu nunca me esquecer de que todos têm uma missão, que não podemos passar pela vida sem contribuir para uma causa maior. Passei a reavaliar minha vida até aquele momento como empresário, como pai, como marido. No dia 31 de dezembro de 2003, eu estava sentado numa pedra à beira-mar na praia de Guarapari, no Espírito Santo, pensando como poderia contribuir para um mundo melhor. “Será que dá para mudar o mundo?” Voltei à minha rotina decidido a mudar. Saí da empresa em que na ocasião ocupava um cargo de diretoria para dar início a um novo projeto de vida. Tranquei-me em casa durante 90 dias e me abasteci de todo material que podia sobre sustentabilidade. Busquei referências fora do País e usei a técnica da visualização criativa, aquela em que você mentaliza seus desejos para que eles se concretizem no futuro. Estabeleci que usaria meu conhecimento para ajudar a construir um mundo melhor. Nesse processo elaborei um plano de negócios com um foco na construção habitacional ecológica. No segundo semestre de 2004, vendi o apartamento que morava e coloquei os dois carros da família como garantia para constituir a Ecoesfera Empreendimentos Sustentáveis.

Gazeta Mercantil - A construção civil é apontada como geradora de interferências microclimáticas em áreas urbanas. Você acredita que a consciência do bem-estar ambiental já chegou aos empresários do setor ou é algo raro no meio?
Não é raridade. Porém, há poucos empresários no setor da construção civil que colocam na prática a questão ambiental. Sou um otimista e acredito que esse movimento irá crescer, até porque o consumidor hoje está mais atento e mais exigente quando o assunto é o futuro da família. Principalmente as mulheres, que se preocupam bastante com o mundo que irão deixar para os filhos. O brasileiro também está mais sensível às questões ambientais. Uma pesquisa realizada pelo IBGE em julho de 2007 demonstrou que 53% dos consumidores deixariam de comprar sua marca preferida se soubessem que o fabricante faz algo prejudicial à sociedade ou ao meio ambiente. Tal mudança cultural reflete automaticamente na economia de um país. Isso implica não só na escolha da casa, mas em tudo que consumimos, o que é ótimo do ponto de vista ambiental, pois estimulará empresas a reverem seus conceitos e criarem produtos que não agridam o meio ambiente.

Gazeta Mercantil - O caso do telhado ecológico é singular. Há algo parecido nos países emergentes da Ásia, por causa da falta de espaço agricultável. Como surgiu essa idéia para São Paulo?
Como comentei, fiquei mergulhado em pesquisas e referências de outros países, e me deparei com um bairro residencial no sul de Londres, o BedZED, ou Beddington Zero Energy Development (Empreendimento de Energia Zero), que é o modelo líder em sustentabilidade urbana e minha grande inspiração - e que tinha esses telhados. Procurei empresas no Brasil que produzissem esse tipo de telhado e por sorte encontrei outro empresário do Sul engajado como eu. Implantar esse tipo de telhado em São Paulo faz todo sentindo, pois contribui com a qualidade do ar e aumenta o verde nas grandes metrópoles. As plantas do telhado ecológico removem as partículas do ar, produzem oxigênio e oferecem sombra. Elas usam energia calorífica durante a evapotranspiração, um processo natural que resfria o ar à medida que a água evapora das folhas da planta. A evapotranspiração e a sombra produzidas pelas plantas ajudam a eliminar o efeito da ilha de calor urbana criado pelo excesso de prédios e asfalto. Como as ilhas de calor urbanas elevam a temperatura de 6°C a 8°C em áreas urbanas e suburbanas, elas acabam aumentando a demanda por aparelhos de ar-condicionado e iniciam um ciclo de consumo de energia que contribui para o aquecimento global. Se utilizados em larga escala, os telhados ecológicos podem diminuir até 4°C, reduzindo os efeitos incômodos das ilhas de calor e contribuindo com a saúde de quem vive nas grandes cidades.

Gazeta Mercantil - Como foi o primeiro impacto de seus clientes quanto a essa proposta? Pelo visto, há um conservadorismo ainda muito grande na hora de escolher a moradia.
O impacto foi positivo. Após alguns lançamentos, realizamos uma pesquisa interna para saber qual o motivo que levou um determinado cliente a optar por nosso projeto, pois na escolha de um apartamento é unânime quais são os fatores de decisão de compra: localização, produto e preço. O que me surpreendeu é que entre esses três fatores implantamos mais um, que é a sustentabilidade, já que 44% dos nosso compradores escolheram nosso projeto pelo fato de agregar itens que geram economia de até 30% na taxa de condomínio e contribuem com o meio ambiente.

Gazeta Mercantil - A empresa tem uma parceria com a U.S. Green Building, uma organização sem fins lucrativos, reconhecida mundialmente, responsável pela certificação de edificações ambientalmente sustentáveis. Como isto se deu e como tem caminhado essa aproximação?
Essa parceria surgiu por meio do engenheiro Newton Figueiredo, da Sustentax, empresa pioneira na América do Sul na certificação de “Green Buildings” pelo critério LEED - Leadership in Energy and Environmental Design, emitido pela ONG Green Building Council. Ela já concedeu as pré-certificações dos projetos Ecolife Independência (SP) e Ecolife Freguesia (RJ). Essas certificações avaliam, entre outros critérios, o uso racional da água e economia da energia. Implantamos itens ecoeficientes que geram tanto a economia dos recursos naturais como proporcionam a diminuição de até 30% da taxa do condomínio.

Gazeta Mercantil - Como é encarada pelo setor da construção civil uma empresa como a Ecoesfera ? Vocês enfrentaram críticas da concorrência?
O setor da construção civil é muito competitivo e resistente à inovação. Iniciativas como da Ecoesfera são positivas para movimentar o mercado, mas em nosso setor, como em outros, as novas práticas passam a ser copiadas. Eu acho ótimo ser copiado, isso reforça que estou no caminho certo, que há coerência no meu discurso e que outros empresários também desejam mudar o mundo. Na Ecoesfera, sustentabilidade não é assessório, faz parte do nosso dia-a-dia; não envolve apenas os projetos, mas a vida de todos os nossos colaboradores.

Gazeta Mercantil - A grande questão é: quais são as diferenças entre a edificação convencional e o processo adotado pela Ecoesfera?
A Ecoesfera é uma construtora que nasceu do processo que comentei anteriormente, fazer nossa parte para um mundo melhor dentro da nossa área de atuação. Construímos edifícios com consciência e responsabilidade, do início ao fim do empreendimento. Por exemplo, compramos terrenos em regiões que atraem compradores e têm alta valorização. Selecionamos terrenos em que não precisamos interferir muito, que dispensam terraplanagem demais, alteração da topografia, mudança das árvores e vegetação originais. Isso economiza custos e economiza o meio ambiente. Também recuperamos terrenos ambientalmente degradados. Buscamos sempre a gestão mais sustentável dos nossos projetos, equilibrando o valor econômico com o valor social e o valor ambiental. Oferecemos programas de gestão do condomínio no dia-a-dia, para criar uma cultura coletiva de uso consciente e de sustentabilidade por meio de programas educativos para práticas sustentáveis na vida das famílias. Acompanhamos e nos corresponsabilizamos pelo funcionamento do edifício.

Gazeta Mercantil - O custo de um prédio com conceitos de sustentabilidade é maior que um convencional? Qual o percentual e como isto é repassado ao consumidor final?
A construção de um empreendimento sustentável em geral é até 15% mais cara que a convencional. Nos projetos da Ecoesfera consegui reduzir esse custo para 3% por meio do conceito de padronização e economia de escala criado pelo Henry Ford, fundador da Ford Motor Company, outra grande inspiração. Isso reforça a questão de rever processos: o meu benchmarking não é o setor da construção, e sim o automobilístico. Construindo no mesmo padrão, é possível comprar materiais do mesmo modelo em grandes quantidades - e ganhar no preço. (Júlio Ottoboni - Gazeta Mercantil)

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20/01 - 01:12

Usinas cada vez mais eficientes e lucrativas

20 de Janeiro de 2009 - É indiscutível que o mercado sucroalcooleiro, assim como diversos outros setores no Brasil e no mundo, sofre com os efeitos da crise atual.

Segundo alguns de seus fornecedores, o volume de cotações de equipamentos de infra-estrutura, por exemplo, caiu desde o início da turbulência econômica. No entanto, os investimentos neste segmento deverão começar a ser retomados em cerca de sete meses, o que pode ser considerado um prazo relativamente curto.

Há várias razões para isso. Uma delas é que a verba destinada para a safra de cana-de-açúcar de 2010 deverá começar a ser gasta no segundo semestre do próximo ano. Outro motivo é a valorização e incentivos que o setor recebeu nos últimos anos por autoridades nacionais e estrangeiras. Junte-se a isso o fato de que 46,4% da matriz energética do País em 2007 provêm de fontes renováveis, segundo os mais recentes dados oficiais disponíveis.
Dentre essas, a cana-de-açúcar é a que tem maior participação nesta cifra, com 16% da oferta de energia.
E, ainda, que o Brasil sustenta a sua demanda interna por etanol e, ao mesmo tempo, é um dos maiores exportadores globais deste biocombustível.

Mais números comprovam que a importância das empresas de açúcar e álcool para a produção energética no Brasil deve crescer ainda mais nos próximos anos. De acordo com a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), apenas por meio de co-geração, as usinas produzem 2 mil megawatts, ou 4,5% da matriz de energia, números que deverão crescer para 15 mil megawatts e 15%, respectivamente, no ano de 2020.
Com esta realidade em vista, pode-se afirmar que o mercado sucroalcooleiro estabeleceu como meta buscar soluções para otimizar a eficiência energética de suas plantas produtivas. E a automação de parte da infra-estrutura das mesmas é uma das melhores alternativas para isso por diversas razões. Uma delas é que a verba necessária para aquisição de produtos para viabilizar uma modificação como esta não passa de 18% do custo de uma usina moderna completa, o que pode ser considerado um valor baixo, aspecto fundamental em tempos de investimentos reduzidos. O panorama se torna ainda mais interessante quando dados oficiais do setor mostram que deverão ser gastos US$ 14 bilhões em novas usinas no Brasil pelos próximos seis anos.
Além disso, a automação de usinas sucroalcooleiras pode representar um investimento com rápido retorno e, também, resultar em aumento de receitas. Isso ocorre porque, neste caso, algumas turbinas que funcionam movidas a vapor não são usadas e, consequentemente, uma quantidade de vapor gerada e utilizada pela própria planta de produção deixa de ser necessária para esta finalidade e passa a ser insumopara a cogeração. Com isso, é possível comercializar energia elétrica com as concessionárias. Em outras palavras, a automação da infraestrutura permite que haja um capital energético excedente que pode significar uma fonte de renda extra.

Por fim, adotar uma estrutura automatizada em usinas do gênero permite que os processos sejam controlados e o açúcar e álcool produzidos tenham melhor qualidade, tornando-os ainda mais competitivos no mercado. Ter um produto de qualidade sem que isso demande um investimento vultoso é igualmente importante em tempos de crise, pois contribui para que as vendas de uma empresa alcancem ou permaneçam em bons níveis, evitando ou amenizando eventuais problemas de caixa. Deve-se ressaltar, também, que um sistema com essas características permite uma economia de energia de até 30%, além de uma redução de custos de manutenção e prolongamento de vida útil das máquinas.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 9)(Ronaldo Bartolomei - Diretor de vendas da Divisão de Controles de Acionamentos da Danfoss do Brasil)

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19/01 - 03:48

Agronegócio do Brasil espera maior engajamento ambiental

SÃO PAULO, 19 de janeiro de 2009 - Entre todas as discussões que envolvem o agronegócio brasileiro e o novo governo dos Estados Unidos, o engajamento americano no combate ao aquecimento global é uma das mais importantes. Não somente pela intenção de transformar o mercado americano em um destino certo para o etanol de cana-de-açúcar do Brasil. O comprometimento do governo Obama com os temas ambientais pode alavancar mercados que, até agora, não deslancharam, apesar do esforço europeu, como o de comercialização de créditos de carbono, e outros incentivos ao desenvolvimento de energias limpas. “A expansão desse mercado vai beneficiar o resgate de carbono com a co-geração de energia com biomassa e com dejetos da suinocultura”, pondera André Nassar, diretor-geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone).

E há indicativos de que o presidente Barack Obama vai ser sensível ao combate às mudanças climáticas, na avaliação de Nassar. Ele acredita que pode até ser que Obama estimule o Protocolo de Kyoto 2 com a criação de novas metas de redução de emissões vão abrir novas oportunidades que tenham relação com energia na agricultura. “Há anos o mercado de crédito de carbono não deslancha. Muitos setores, como os de suinocultura, investiram para resgatar crédito com dejetos de suínos, mas o valor pago por essa não-emissão é baixo. As usinas que co-geram energia com bagaço de cana também não conseguem comercializar o carbono que deixa de ser emitido. É preciso se criar um mercado grande e o engajamento dos Estados Unidos é importante para isso”, esclarece Nassar.

Ele acrescenta que, se for assinado um Protocolo de Kyoto 2, com adesão americana, há grande potencial de eles serem fortes candidatos a financiar projetos ambientais no Brasil, já que eles são deficitários nessa área. Esse maior comprometimento deve motivar, obviamente, os Estados Unidos a ampliarem suas metas de utilização de etanol e criar oportunidades ao Brasil. “Os americanos têm limites para uso do milho nesse processo e vão precisar importar”. A tarifa de 0,54 centavos de dólar por galão (3,785 litros) que o álcool brasileiro paga para entrar nos Estados Unidos ainda será válida, pelo menos, durante o ano de 2009. Para 2010, há expectativa de que haja alguma mudança nessa taxação, mas somente por uma necessidade americana. “Sempre será uma decisão unilateral. Se os Estados Unidos precisarem, em 2010 e 2011, podem alterar a política”, pondera o diretor do Icone.

Já na política agrícola, o governo Obama só poderá influenciar de forma mais decisiva mais à frente, Isso porque o congresso já aprovou a legislação que vigora ate 2013, segundo Nassar. Já na política multilateral, o importante será encerrar o acordo na Rodada Doha, interesse que também parece ser do novo presidente americano, na avaliação de Nassar. “Não haverá nem grandes ganhos nem perdas com a Rodada. Obama deve ter interesse em encerrar essa questão, para tirar esse negócio da agenda. Trata-se de um sinal político, uma vez que estamos falando em reduzir tarifa em momento de crise”, afirma Nassar. Ele acrescenta que será importante fechar o acordo pois terá imposição de limites para ampliação de subsídios, o que é importante, sobretudo em tempos de queda nos preços agrícolas, quando esses instrumentos de política são mais utilizados.

Há mais de um ano com escritório instalado em Washington (EUA), a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) avalia que o novo governo americano tem potencial de ser positivo ao setor sucroenergético do Brasil. No entanto, pondera o diretor de Comunicação Corporativa da entidade, Adhemar Altieri, é necessário esperar secretários e presidente assumirem o cargo para que haja confirmação de que o discurso da campanha se manterá após a posse. “Há discurso de que pode haver aumento do uso de etanol nos Estados Unidos e de reconhecimento das vantagens do uso do etanol de cana-de-açúcar. Mas, é preciso esperar para ver o posicionamento após a posse. A intenção da Unica é que nos Estados Unidos haja o entendimento de que não o etanol do Brasil não vai entrar no país para invadir e competir com o produto americano. Eles é que têm que dizer quanto querem comprar para que o setor no Brasil possa se planejar para atender à demanda”, diz Altieri. (Fabiana Batista - Gazeta Mercantil)

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Sustentabilidade e Negócios

20/01/09

Prédios “verdes” começam a ganhar certificação no País

São Paulo, 15 de Janeiro de 2009 - Aos poucos, o setor da construção civil vai adaptando seus projetos de forma a agredir cada vez menos o meio ambiente. Um importante sinal de que essa consciência vem tomando corpo é o aumento de 100% em 2008, em relação o ano anterior, dos projetos registrados para obter o Leadership in Energy & Environmental Design (Leed).

O resultado é comemorado pela ONG Green Building Council Brasil (GBC Brasil), criada para auxiliar no desenvolvimento da indústria da construção sustentável no País. No ano passado, três empreendimentos no Brasil conquistaram o Leed - em 2007, apenas um recebeu o selo - e 44 novos projetos foram registrados para conseguir a certificação; 2008 fechou com 100 projetos. Para 2009, a perspectiva da GBC Brasil é de um ano ainda melhor. A estimativa é chegar a 200 empreendimentos em processo de certificação, localizados, principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Outra informação positiva da ONG é que o número de profissionais Leed Ap, reconhecidos por seus conhecimentos sobre as práticas de construção sustentável e os princípios do Sistema de Certificação Leed, mais do que dobrou. Em 2007, eram 13 e no final de 2008 este número saltou para 36. São engenheiros e arquitetos que passam a ser consultores de construtoras sobre os requisitos necessários a uma obra sustentável. Segundo Nelson Kawakami, diretor-executivo da GBC Brasil, esse crescimento reflete a preocupação das organizações em desenvolver projetos mais sustentáveis e para isso, elas precisam de profissionais capacitados para desenvolver este trabalho. “A demanda não para de aumentar e há profissionais brasileiros que, inclusive, são recrutados por empresas de fora do País”, afirma.
Kawakami diz que, apesar desse crescimento, o índice ainda é baixo no País, representando menos de 1% de todas as construções. “O maior obstáculo para isso é simples: a falta de informação. Muitos ainda acham que o projeto sustentável tem custo mais alto. De fato, custa um pouco a mais, mas, no máximo, 5% ou 10%. E esse dinheiro resulta em economia mais para a frente. O retorno desse tipo de empreendimento é de aproximadamente cinco anos.”

O representante da GBC diz ainda que não é difícil obter a certificação. “É mais uma questão de vontade do que qualquer outra coisa”, afirma Kawakami. Os requisitos são divididos em cinco grandes grupos: 1) Localização com infraestrutura como comércio, escolas e hospitais; 2) Uso racional da água; 3) Economia de energia; 4) Uso de materiais reciclados e reaproveitáveis; 5) Ambiente interno saudável.
“São 69 itens. Se 26 deles forem atendidos, o projeto já tem direito ao selo Leed. De 33 a 38 itens, recebe a certificação prata; de 39 a 51 itens, certificação ouro e de 52 a 69 itens, certificação platina”, informa Kawakami.

O Leed é um sistema de certificação promovido pelo GBC Brasil e criado pelo USGBC, dos Estados Unidos, que orienta, padroniza, mensura, classifica e certifica os green buildings (prédios verdes), visando a diminuição dos impactos negativos ao meio ambiente. Criado em março de 2007, o Leed foi reconhecido oficialmente pelos Estados Unidos em julho do mesmo ano.

Kawakami faz questão de salientar que o GBC Brasil certifica apenas os empreendimentos e não possui qualquer tipo de certificação para os materiais, equipamentos e serviços sustentáveis usados em sua construção. “Para obter o Leed, o projeto não requer certificação de materiais para que os mesmos possam ser utilizados em empreendimentos que buscam esta certificação. Nós orientamos sobre as características que os materiais devem ter, mas a comprovação desses atributos fica por parte da empresa.”
(Gazeta Mercantil/Relatorio - Pág. 3)(Lourdes Rodrigues)

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Grupo supera Austrália em moagem de cana

De São Paulo
15/01/2009

Maior processador de cana-de-açúcar do mundo, o grupo Cosan encerrou a safra 2008/09 com uma moagem de 44,2 milhões de toneladas, um incremento de 10% sobre o ciclo 2007/08. Esse volume é superior a toda produção da Austrália - de 36 milhões de toneladas -, o oitavo maior produtor mundial de cana e o terceiro maior exportador global de açúcar, segundo levantamento da Datagro.

A produção de açúcar do grupo nesta safra atingiu 3,267 milhões de toneladas, alta de 3,8%, e a de álcool alcançou 1,717 bilhão de litros, elevação de 16,4% em relação ao ciclo anterior. As exportações de açúcar representam 85% da produção total do grupo e as de álcool cerca de 20%.

Com 18 usinas em operação no Estado de São Paulo, o grupo vai colocar este ano em operação sua nova unidade, a de Jataí, instalada em Goiás. “Essa unidade deverá iniciar a moagem entre o fim de julho e agosto”, disse Pedro Mizutani, vice-presidente geral do grupo. Neste primeiro ano de operação, a unidade Jataí deverá processar 600 mil toneladas. Em sua fase final, a expectativa é atingir cerca de 4 milhões de toneladas de cana.

Segundo Mizutani, os projetos de outras duas novas usinas (Paraúna e Montividiu), previstos para o sudoeste do Estado, foram adiados temporariamente por conta da crise financeira. “Decidimos adiar os projetos industriais e estamos reduzindo o ritmo de plantio de cana para essas unidades”, disse. Os projetos deverão ser colocados em prática novamente quando as condições de mercado voltarem a ser favoráveis ao setor.

Com faturamento de R$ 2,7 bilhões na temporada 2007/08, o conglomerado mantém firme seus projetos de co-geração de energia a partir do bagaço de cana. A Cosan tem uma capacidade instalada de 740 MW de energia, dos quais cerca de 600 MW podem ser vendidos. Os planos para logística deverão ser concluídos em 2011, por meio da Uniduto, empresa que prevê a construção de alcooduto, e da qual a Cosan é sócia.
O grupo deverá iniciar a colheita da safra 2009/10 a partir de março em algumas unidades da companhia, segundo Mizutani. A expectativa é de que o processamento da matéria-prima aumente entre 5% e 6%, em uma estimativa ainda conservadora. (MS)

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Estados do Nordeste disputam usinas nucleares

Cristiano Romero, Daniel Rittner e Sérgio Leo,
de Brasília
15/01/2009

Os governadores de quatro Estados - Pernambuco, Bahia, Sergipe e Alagoas - já manifestaram ao governo o firme interesse em receber as quatro usinas nucleares que serão construídas pela União nos próximos anos. Cada usina é estimada em cerca de R$ 10 bilhões e produzirá 1.000 megawatts (MW). Duas deverão ser instaladas no Nordeste e duas no Sudeste. Para viabilizar os investimentos, o governo pretende propor ao Congresso mudanças na legislação para permitir que o setor privado tenha participação minoritária nos projetos, com limite de até 49%. Ruy Baron/Valor

Edison Lobão: “Hoje não há mais temor em relação às usinas nucleares”

O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que pretende definir, ainda em sua gestão no ministério, a localização exata das usinas, que devem começar a ser construídas em 2012, às vésperas da conclusão das obras da usina de Angra 3. “Hoje não há mais temor em relação ao funcionamento de usinas nucleares. Já está mais do que comprovado que o monitoramento dos rejeitos é seguro”, disse.
Dos quatro Estados interessados, dois - Pernambuco e Bahia - propuseram o conceito de “central nuclear”. Por esse conceito, a central do Nordeste teria duas usinas, uma ao lado da outra, nas margens do Rio São Francisco, na região do sertão. O rio faz a divisa entre os dois Estados. Como as usinas não podem ser construídas em margens distintas, os dois governadores - Eduardo Campos (PSB), de Pernambuco, e Jaques Wagner (PT), da Bahia - estão dispostos a aprovar, em em seus Estados, legislação para autorizar um “deslocamento” da divisa.

Essa seria uma forma de evitar uma disputa política pela instalação das usinas. “Trata-se de uma proposta inovadora. Um dos dois Estados cederia ao outro uma área para a construção da usina”, elogiou o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, observando que, nesse caso, o custo de construção das usinas poderia ficar abaixo de R$ 10 bilhões.

A idéia de Eduardo Campos e Jaques Wagner é construir as usinas na região conhecida como “Polígono da Maconha”, uma área carente dos Estados de Pernambuco e Bahia, onde impera a produção e o tráfico daquela droga. “O investimento nas usinas ajudaria ainda a enfrentar o problema social daquela área”, comentou Rezende.

A Eletronuclear espera iniciar em março os estudos para a localização das usinas nucleares no Nordeste. Aguarda a transferência de recursos levantados com a RGR, encargo cobrado nas contas de luz e administrado pela Eletrobrás. Os estudos custarão R$ 10 milhões e têm duração de até 20 meses. Mas, já no segundo semestre deste ano, haverá uma relação inicial de 15 a 20 locais candidatos a abrigar as usinas.

Os técnicos da Eletronuclear têm preferência por um local no litoral nordestino, na faixa entre Salvador e Recife. Vêem dificuldades na instalação de uma central nuclear no São Francisco. Além do temor de controvérsia política, como no projeto de transposição do rio, há uma preocupação de ordem ambiental. As usinas nucleares têm vida útil de 60 anos e requerem grande volume de água para resfriamento do reator. Com as mudanças climáticas nas próximas décadas, espera-se uma redução na vazão dos rios de forma geral. Por isso, há uma inclinação dos técnicos pela instalação no litoral.

A Eletronuclear não vê problemas em erguer as usinas perto do mar, mesmo com a provável elevação do nível das águas, com o aquecimento global. A central de Angra, por exemplo, está a mais de cinco metros acima do mar e nada impede que diques afastem ainda mais os riscos de invasão das águas. No Sudeste, onde os estudos devem demorar um pouco mais para começar, a tendência é pela escolha de um local entre o Espírito Santo e o Rio. O litoral paulista já tem ampla ocupação humana - onde ainda há espaço, existem reservas ambientais. A secretária de Energia de São Paulo, Dilma Pena, é radicalmente contra a instalação de usinas nucleares no Alto Tietê.

O tempo de construção previsto para cada usina nuclear é de cinco anos. Cada unidade produzirá 1.000 MW - hoje, o país produz cerca de 100 mil MW. Angra 1 tem potência de 650 MW e Angra 2 gera 1.350 MW - mesma capacidade de Angra 3, que o governo Lula decidiu retomar há dois anos, ao mesmo tempo em que determinou às áreas técnicas acelerar os estudos para a construção de mais usinas. Os nove grupos de trabalho criados pelo Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro, instituído para subsidiar as decisões do presidente Lula, têm até meados deste ano para concluir suas propostas.

Já tramitam no Congresso pelo menos três Projetos de Emenda Constitucional, de parlamentares do DEM e do PSDB, retirando o monopólio estatal sobre a energia nuclear. O presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), Guilherme Camargo, que reúne técnicos e pesquisadores do setor, comenta que a associação é favorável à entrada do setor privado na geração nuclear, mas defende que essa entrada se dê por meio de Sociedades de Propósito específicos formadas pela Nuclebrás, com sócios privados minoritários. Ele afirma que a formação dessas SPEs não exigiria mudanças na Constituição.

Camargo diz, ainda, que o recém-firmado acordo de cooperação na área nuclear entre Brasil e França indica a existência de alternativas de financiamento às obras, como instituições financeiras francesas. “Esse modelo defendido pelo ministro ainda não parece consensual no governo”, desconfia o pesquisador. O governo já garantirá uma grande avanço se cumprir a promessa de concluir a usina de Angra 3, avalia Camargo.

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Petrobras investirá US$6 bi em diesel limpo até 2012

13/1
Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - Os investimentos totais da Petrobras na produção de um diesel com menor teor de enxofre, com o objetivo de reduzir a poluição do ar no país, deverão somar 6 bilhões de dólares até o final de 2012, de acordo com dados divulgados pela estatal.

A Petrobras investirá na esteira de um acordo já em vigor, firmado em outubro do ano passado com o Ministério Público Federal, montadoras de veículos e Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis que prevê a implementação gradual no país de um combustível mais limpo.

A primeira parte do pacto, válido desde 1o de janeiro, prevê o uso pelas frotas de ônibus dos municípios de São Paulo e Rio de Janeiro do S-50, um diesel com 50 partes de enxofre por milhão (ppm), enquanto a maior parte do país passará a consumir o S-1800 (1800 ppm).
Inicialmente, a estatal importará o diesel necessário para atender a demanda de São Paulo e Rio, já que não produz o S-50, mas para se livrar das importações já havia informado que iria investir 4 bilhões de dólares na produção de S-50 no país.

Nesta terça-feira, durante evento em São Paulo para divulgar a implantação do S-50, um comunicado divulgado pela companhia indicou investimentos de mais 2 bilhões de dólares para o S-10, com menos emissões que o S-50, com previsão de fornecimento desse combustível a partir de 2013.
“Os 4 bilhões serão investidos em 11 unidades. Todas terão hidrotratamento (para a extração do enxofre)”, disse a jornalistas o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa.
Os 2 bilhões de dólares que completam os 6 bilhões, segundo Costa, serão investidos em equipamentos para aumentar a capacidade das refinarias de reduzir o enxofre, disse Costa.

Os projetos ainda estão sendo detalhados, mas provavelmente o parque de refino de São Paulo deve ser beneficiado com a tecnologia para o S-10, pois o Estado usa 50 por cento do diesel consumido no país, segundo Costa.

A refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, está realizando testes de produção do S-50, numa tentativa de antecipar a oferta do produto nacional ainda para este ano.

REPASSE DE CUSTO

Para atender os ônibus paulistanos e cariocas, a Petrobras está importando o S-50 a um custo 10 por cento maior do que o S-500, ao mesmo tempo que está tendo um gasto maior para fornecer o S-1800 para o interior brasileiro –antes do pacto, a maior parte do país consumia o S-2000.

Segundo o diretor, pelo fato de a demanda de S-50 ainda ser pequena (90 mil metros cúbicos/mês), contra 2,5 milhões de metros cúbicos/mês do S-1800, o custo da importação do combustível mais limpo para a empresa não é significativo.

Mas com a implementação do S-1800 a Petrobras foi obrigada a ajustar o seu preço do diesel às distribuidoras em 0,0063 real por litro, disse Costa, observando que a estatal não pode absorver custos. Cerca de 70 por cento do diesel que o país está consumindo é S-1800.

MAIS AÇÕES

Mas todo o investimento da Petrobras pode não ser suficiente para que as metas de redução de poluentes sejam cumpridas, se não for acompanhado da renovação da frota de caminhões e ônibus, avaliaram representantes da Petrobras, Ministério Público Federal e autoridades ambientais.

“A Petrobras está fazendo uma ação pró-ativa, sabendo que isso não é suficiente para atender a resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente)”, disse Costa, referindo-se aos índices de redução propostos.

Um ônibus velho que usa o S-50 pode reduzir, por exemplo, a emissão de poluentes em 10 por cento, segundo Costa, enquanto o mesmo combustível utilizado por um veículo com tecnologia nova permitiria queda nas emissões de 70 por cento.

“Se não tiver renovação da frota, é puro engano pensar que vai reduzir a emissão”, destacou.

Por meio do pacto capitaneado pelo Ministério Público, a estatal terá de ampliar para algumas capitais o uso do S-50 para a frota de ônibus de Curitiba, em agosto de 2009, e para Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador, em janeiro de 2010.

Ainda a partir de maio deste ano, todo o diesel das regiões metropolitanas de Fortaleza, Recife e Belém passará a ser S-50, em substituição ao S-500, atualmente utilizado. A partir de janeiro de 2010, todo o diesel S-500 utilizado nas frotas de ônibus da região metropolitana de São Paulo será trocado pelo S-50.
(Edição de Denise Luna)

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Falta de água pode afetar a produção da indústria

Valor Online
12/01/2009

Na macrometrópole paulista, área que agrega as regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas e Baixada Santista, um item pouco lembrado quando se fala de gargalos de infra-estrutura começa a preocupar o governo. A oferta de água potável hoje é insuficiente para atender ao crescimento da produção industrial, segundo a secretária estadual de Saneamento e Energia, Dilma Pena. “A água pode se tornar um gargalo para o crescimento industrial nessa região, essa é a preocupação”, diz ela.

A região, que conta com 28 milhões de habitantes, tem atualmente capacidade para produzir 67 metros cúbicos de água por segundo e distribui cerca de 65 m3/s. A proximidade cada vez maior da demanda em relação à oferta ligou o alerta dentro do governo, que começou neste mês um estudo para buscar novas fontes de abastecimento na região. “É um estudo para assegurar a disponibilidade de água para o desenvolvimento econômico sustentável da região durante 30 anos”, diz a secretária. O estudo está sendo realizado pela Companhia Brasileira de Projetos e Empreendimentos (Cobrape), um contrato de R$ 2,98 milhões, custeado com recursos do Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE).

A intenção do governo é investir recursos a partir de 2010 para aumentar em 10 m3/s a produção de água na macrometrópole. O governo estima que serão necessários no mínimo cinco anos para finalizar as obras e iniciar o abastecimento. Até lá, o crescimento do consumo provocado pelo aumento da população deve ser atendido pelo incremento proporcionado pela ampliação da estação de tratamento de água de Taiaçupeba, na Bacia do Alto Tietê. O aumento da demanda tem sido em torno de 0,5 m3/s por ano, e Taiaçupeba vai adicionar 5 m3/s ao sistema, o que atenderia ao crescimento vegetativo da demanda projetado por dez anos.

Além de Taiaçupeba, com obras em andamento e previsão de entrada do abastecimento em 2010, a Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo (Sabesp) estuda a viabilidade de produzir mais 4 m3/s de água no Sistema Produtor São Lourenço, no rio Juquiá, ao sul da Grande São Paulo. Após essas investidas, Dilma diz que as alternativas imediatas estão esgotadas.

O estudo sobre novas fontes de abastecimento abrangerá oito alternativas. Por enquanto, a secretária não arrisca fazer projeções sobre quanto será necessário investir nem o volume de água potável a ser produzido em em cada uma das opções avaliadas.

Uma das idéias é explorar melhor a capacidade de São Lourencinho. Segundo Dilma, é a região mais próxima a São Paulo com maior disponibilidade hídrica. A dificuldade nesse investimento está na altura a ser superada para distribuir a água. São 700 metros a serem ultrapassados, o que exige grande gasto com energia para o bombeamento da água, encarecendo o custo do serviço.

A represa de Jurumirim, no rio Paranapanema, a oeste da Grande São Paulo, surge como uma alternativa interessante por ter água de boa qualidade. É uma das poucas que não sofrem com poluição na região. A idéia é fazer o transporte da água por uma adutora paralela à rodovia Castelo Branco e distribuir o recurso para as cidades ao longo de um percurso de 200 quilômetros. “Essa idéia nos agrada muito”, diz a secretária. A maior altura a ser transposta nesse caso é de 300 metros. O reservatório já existe e serve à geração de energia em usinas da empresa Duke Energy. O gerenciamento entre os múltiplos usos da represa é um dos pontos a serem abordados pelo estudo do governo.

A utilização do reservatório de Barra Bonita, acima de Jurumirim e que serve à geração de energia da AES Tietê, seguiria um plano semelhante, com a diferença de que a água não está tão limpa.

Uma fonte de água limpa que o Estado estuda ser interessante para suprir as necessidades da região de Campinas é o Aqüífero Guarani, o maior manancial de água doce subterrânea do mundo, situado entre Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai. O local em que as águas estão mais próximas à superfície no interior paulista é a noroeste da macrometrópole. A captação se diferenciaria das demais fontes por ser feita por meio de poços.

Não necessariamente as novas fontes precisam abastecer a Grande São Paulo. No caso da bacia do Piracicaba, por exemplo, será estudada a construção de pequenos reservatórios, nos rios Jaguari, Atibaia e Camanducaia, para suprir a própria região no longo prazo. O aumento da disponibilidade de água no local daria mais condições para gerenciar o conflito em torno da água transposta da bacia do Piracicaba para o Sistema Cantareira. Há muitos anos a população residente na região da bacia do Piracicaba protesta contra a retirada de 31 m3/s para o abastecimento da cidade de São Paulo.

Outra reversão de bacias poderá se dar pela transposição das águas da represa do Jaguari, a nordeste da Grande São Paulo, para o Sistema Cantareira. Na mesma região, poderão ser transpostas águas da represa de Santa Branca e de Paraibuna para o Sistema Alto Tietê. A produção de água no Alto Tietê também poderá ser reforçada por reservatórios localizados na Serra do Mar, nos rios Itatinga e Itapanhaú.

Todas essas alternativas estão em fase inicial de levantamento. O uso compartilhado com o setor elétrico, a viabilidade técnica da captação e os conflitos políticos devem ser considerados na hora de configurar a carteira de projetos que o Estado escolherá para investir.

Não necessariamente a Sabesp será a operadora dessas estações de tratamento. Para viabilizar o investimento serão consideradas as possibilidade de conceder a obra integralmente a uma empresa privada ou fazer uma Parceria Público Privada (PPP). “É preciso pensar em tudo, como será a comercialização dessa água, e o estudo trará sugestão de encaminhamentos”, diz Dilma.

Segundo a secretária, por enquanto o problema da oferta apertada de água tem sido gerenciado pela redução de perdas na distribuição. De 2000 a 2008, o investimento de R$ 120 milhões por ano em combate a vazamentos conseguiu diminuir a quantidade de água distribuída em 4,3 m3/s. O volume seria suficiente para abastecer 2 milhões de pessoas por dia. “Isso é muito importante, porque sem isso já teríamos tido falta de água em 2008″, diz Dilma. O volume de perdas atual representa 28% da produção da Sabesp. A meta da companhia para 2010 é diminuir esse índice a 25%, e chegar em 2019 com 14% de perdas.

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Mudanças Climáticas

20/01/09

Governo decide leiloar eólicas em 2009

RIO DE JANEIRO, 15 de janeiro de 2009 - O setor energético brasileiro pode ser considerado privilegiado neste momento de crise, mesmo com a restrição de crédito, avaliou o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, que além de manter os leilões de eletricidade já previstos para 2009, programa, pela primeira vez, ofertar energia eólica no País.

A despeito de a energia eólica ser considerada cara por especialistas, Tolmasquim disse à “Reuters” que a realização do leilão servirá para mostrar o seu real valor no Brasil.

O uso da energia eólica tem crescido no mundo inteiro e, assim como a hidrelétrica, é considerada uma fonte de geração não-poluente. “A vantagem de realizar o leilão é que o Brasil vai descobrir o valor real da energia eólica. Todos falam que é alto, mas qual é esse preço? Como o nosso País tem um potencial muito grande, eventualmente a gente pode ser surpreendido na hora da competição”, afirmou o presidente da EPE.

Até o final do mês Tolmasquim entrega ao Ministério de Minas e Energia os estudos para o primeiro leilão específico de energia a partir dos ventos e a proposta de um programa eólico mais amplo, a fim garantir ao investidor a continuidade dos certames. “Estamos pensando em fixar quantidade (de venda de energia nos leilões) para os próximos anos, para sinalizar continuidade, senão não vem fábrica, e tem fábrica de equipamentos de eólicas querendo se instalar aqui”, disse o executivo, lembrando que a falta de equipamentos produzidos no País foi um obstáculo para o Proinfa, programa do governo criado para incentivar fontes alternativas de energia e que possui exigência de conteúdo nacional.

Tolmasquim disse que ainda não estipulou o volume que será negociado no primeiro leilão de energia eólica no Brasil, que teria entre os interessados a espanhola Iberdrola, segundo o executivo. “Mas existem vários grupos espanhóis, portugueses e brasileiros interessados”, antecipou o especialista.
O leilão deverá ocorrer entre o final do primeiro semestre e começo do segundo, mesma época prevista para os demais leilões de eletricidade previstos pelo governo federal em 2009. “Todos os leilões devem ser no final do primeiro semestre e início do segundo”, disse, referindo-se também aos leilões para compra de energia visando 2012 (A-3) e 2014 (A-5).

Licitação de Belo Monte

Já o leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte, que será instalada no rio Xingu, no Pará, será realizado entre outubro e novembro. “(A escolha da data) não tem a ver com crise, é mais com os prazos dos editais”, afirmou Tolmasquim, “mas eventualmente pode ser até conveniente para dar mais fôlego aos investidores.
Ele disse não temer que a restrição de crédito do mercado atrapalhe os leilões, argumentando que o setor elétrico brasileiro garante a contratação da energia por 15 anos, no caso das térmicas, e por 30 anos, nas hidrelétricas, o que dá estabilidade ao investidor e aos bancos que o financiam.

Barril a US$ 70

Tolmasquim estimou também que a queda do preço do petróleo vai reduzir os custos para as empresas explorarem a commodity no Brasil, refletindo a queda do preço dos equipamentos, o que garantirá a manutenção do interesse de investidores.

“A crise, por incrível que pareça, pode vir a ser positiva, porque tem a queda de demanda levando o preço do petróleo a cair, e o Brasil tem projetos muito robustos, que mesmo com petróleo em baixa se mantêm”, avaliou.

“É claro que pode ter um problema conjuntural de caixa, de alavancagem em um certo momento, mas olhando um pouco mais adiante para o Brasil, é uma grande oportunidade”, completou Tolmasquim.
Segundo o executivo, a perspectiva é de que o preço do petróleo se estabilize entre US$ 70 e US$ 75 no médio prazo, “e mesmo abaixo disso os projetos da Petrobras são viáveis”, ressaltou, sem saber informar se ocorre o mesmo nos projetos do pré-sal, região de maior custo de exploração, mas com grande potencial de volume de produção.

Tolmasquim afirmou que a vocação de o Brasil se tornar um exportador de petróleo não morreu com a crise e que reduções momentâneas na autossuficiência alardeada pelo governo são normais. “Nesse momento a gente está numa transição realmente, mas o Brasil vai ser um país exportador. Em algum momento importa mais ou exporta mais, isso não é relevante, o importante é que a tendência é crescente”, explicou. (Reuters - Gazeta Mercantil)

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Chu promete política agressiva contra mudanças climáticas

Vencedor do Prêmio Nobel disse que como secretário de Energia dos EUA desenvolverá fontes de energia limpa

AP
terça-feira, 13 de janeiro de 2009

WASHINGTON - O vencedor do Prêmio Nobel Steven Chu disse nesta terça-feira que, caso seja confirmado como secretário de Energia dos Estados Unidos, buscará agressivamente cumprir as políticas destinadas a conter as mudanças climáticas e atingir a independência energética, desenvolvendo fontes de energia limpa.

Mas ele também disse aos congressistas que vê a energia nuclear e o carvão como partes críticas da composição energética do país e disse que era otimista e acreditava que se podia encontrar uma maneira de tornar o carvão uma fonte mais limpa de energia, capturando suas emissões de carbono.

Chu foi indicado pelo presidente eleito Barack Obama para chefiar o Departamento de Energia. O físico compareceu nesta terça-feira, 13, diante do Comitê de Energia e Recursos naturais do Senado, onde recebeu apoio imediato tanto de democratas quanto de republicanos.

Em um comunicado preparado anteriormente, Chu, descendente de chineses e diretor do Lawrence Berkeley National Laboratory desde 2004, qualificou as mudanças climáticas como um “problema crescente e urgente”. Para ele, a manutenção da dependência do petróleo representa uma ameaça para a economia e para a segurança norte-americanas.

Sobre os riscos do aquecimento global, Chu disse: “Agora é claro que se continuarmos nesse mesmo caminho, corremos o risco de mudanças drásticas em nosso sistema climático durante o período de vida de nossos filhos e netos.”

Chu disse que a energia nuclear produz um quinto da eletricidade do país e 70% da eletricidade livre de carbono, acrescentando que “será uma parte importante de nossa composição energética.”

Cientista largamente respeitado que dividiu um prêmio Nobel em 1997, Chu tem defendido mais pesquisas relativas a energia, especialmente trabalhos relacionados ao avanço de biocombustíveis e energia solar. Ele disse que a pesquisa cientifica é a chave para conter o aquecimento global.

No entanto, quando pressionado por senadores, ele também disse que o carvão não pode ser abandonado como fonte primária de energia, embora tenha prometido pesquisas agressivas sobre captura de carbono.

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Obama, clima, energia e seus agentes

13/01/2009
Valor Econômico

Antonio Bastos A. Sarmento

Mesmo tendo recebido muito pouca atenção nos meios de divulgação no Brasil, uma das facetas que levantaram forte questionamento durante a campanha presidencial americana foi a que expunha aos eleitores as preferências dos candidatos sobre seus projetos e intenções relacionados com os dilemas entre a questão ambiental e a oferta de energia abundante e barata, talvez a maior preocupação do americano comum em relação a seu futuro.

William Weld, antigo governador republicano do estado de Massachusetts e líder na área de assessoramento ambiental, endossou as palavras do candidato, comentando que, em sua opinião, Obama seria aquele com visão mais abrangente sobre o que precisa ser feito em termos de políticas ambientais dentro e fora dos Estados Unidos.

Os planos do futuro presidente incluem uma vasta gama de propostas focadas em investimentos em combustíveis alternativos eficientes, sem prejuízo do incremento das pesquisas na plataforma continental e o desenvolvimento dos campos em produção nessas áreas. Também está nos planos do futuro presidente um importante estímulo às tecnologias de carvão mais limpas, atingindo ainda o lançamento de uma geração de automóveis cuja emissão de poluentes se reduza progressivamente de baixa até zero. Obama se sentirá em casa para distribuir incentivos aos produtores de Detroit, visando à criação de “green jobs” e o redesenho das linhas de produção, convidadas a por em circulação maior número de veículos movidos a combustíveis limpos.

Em relação ao carvão, Obama não esconde sua intenção impulsionar o desenvolvimento de tecnologias não poluentes, usando parcerias público-privadas como forma de alavancar tecnologias mais avançadas e o surgimento de usinas geradoras a carvão, dotadas de dispositivos de captura e sequestro de carbono. Os pontos críticos dessa questão, entretanto, segundo alguns céticos, são os elevadíssimos custos e a natureza meramente experimental dos processos em uso.

O que está em causa é um engajamento acentuado na luta contra o aquecimento global em termos de maiores restrições as emissões de gases de efeito estufa, com a fixação de um sistema de negociação de tetos em acordos comerciais. O objetivo dessas políticas seria licitar 100% de créditos de carbono para levar as empresas a pagar o preço de cada tonelada de carbono por elas produzida. Parte dos lucros seria canalizada para investimentos em combustíveis alternativos e outras iniciativas ambientais.

Prevê-se que Obama terá uma posição agressiva na execução dessas políticas, até mesmo a ponto de atuar unilateralmente para a redução das emissões nos Estados Unidos, ao mesmo tempo pressionando a China e a India para a conscientização de que é necessário evitar o “suicídio econômico”. Na sua plataforma Obama pregou uma redução de emissões globais para 80% abaixo dos níveis de 1990 a ser alcançada em 2050.

Os pontos de estrangulamento de quaisquer projetos energéticos giram, em todo o mundo, ao redor das mesmas realidades, que afetam tanto a capacidade de investimento dos empresários como a de pagamento dos consumidores, o que, afinal, são as duas faces da mesma moeda. Obama pretende criar uma comissão (Grid Modernization Commission) para integração nacional das grades de distribuição de eletricidade, visando administrar problemas de picos de carga, o que poderia baixar os preços ao consumidor.

No setor de petróleo Obama deseja estimular um maior esforço na exploração na plataforma, mas qualquer forma de nacionalização parece estar fora de cogitação. Ameaças de retirar as licenças das firmas morosas não encontram eco e reduziriam a possibilidade de encontrar substitutos, pois a viabilidade de testar essas áreas dependerá sempre das incertezas do preço do petróleo. Não obstante, Obama mira nas reservas de xisto das Montanhas Rochosas e nas formações capazes de gerar suprimentos não convencionais de gás a partir do Texas e do Arkansas.

No campo da energia nuclear as manifestações de Obama ficaram sempre mornas, mesmo porque ele se limitou a considerar como improváveis as aprovações ambientais para estocagem de resíduos nucleares em Nevada. Nesse capítulo, Obama ficou do lado da segurança como diretriz para as atividades pertinentes.

Obama não somente divulgou uma plataforma agressiva para uso doméstico, como enfatizou a intenção de reunir com o G-8 os supostos maiores emissores de gases de efeito estufa, nomeadamente o Brasil, China, India, México e África do Sul para coordenar esforços no combate ao aquecimento global.

Mais importante, porém, que as plataformas divulgadas pelo candidato Barack Obama, serão as escolhas das pessoas que serão incumbidas de por em prática as ações que definirão as atuações das agências reguladoras das questões ambientais e energéticas, a saber, Environmental Protection Agency, Federal Energy Regulatory Commission, e Nuclear Regulatory Commission. Essas escolhas se revelarão, com o tempo, mais decisivas que quaisquer leis que o presidente-eleito fizer aprovar no Congresso.

A equação projeto/realização não é somente um tema de grande visibilidade para o público em geral, assim como para a avaliação do grau de confiabilidade das personalidades públicas e seus partidos nos Estados Unidos, mas é também reveladora das intenções e das competências de todos os líderes nacionais e dos promotores de suas políticas, em quaisquer quadrantes.

Antonio Bastos A. Sarmento é é advogado do escritório Tauil & Chequer Advogados (associados a Thompson & Knight LLP).

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