Sustentabilidade e Negócios
Prédios “verdes” começam a ganhar certificação no País
São Paulo, 15 de Janeiro de 2009 – Aos poucos, o setor da construção civil vai adaptando seus projetos de forma a agredir cada vez menos o meio ambiente. Um importante sinal de que essa consciência vem tomando corpo é o aumento de 100% em 2008, em relação o ano anterior, dos projetos registrados para obter o Leadership in Energy & Environmental Design (Leed).
O resultado é comemorado pela ONG Green Building Council Brasil (GBC Brasil), criada para auxiliar no desenvolvimento da indústria da construção sustentável no País. No ano passado, três empreendimentos no Brasil conquistaram o Leed – em 2007, apenas um recebeu o selo – e 44 novos projetos foram registrados para conseguir a certificação; 2008 fechou com 100 projetos. Para 2009, a perspectiva da GBC Brasil é de um ano ainda melhor. A estimativa é chegar a 200 empreendimentos em processo de certificação, localizados, principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
Outra informação positiva da ONG é que o número de profissionais Leed Ap, reconhecidos por seus conhecimentos sobre as práticas de construção sustentável e os princípios do Sistema de Certificação Leed, mais do que dobrou. Em 2007, eram 13 e no final de 2008 este número saltou para 36. São engenheiros e arquitetos que passam a ser consultores de construtoras sobre os requisitos necessários a uma obra sustentável. Segundo Nelson Kawakami, diretor-executivo da GBC Brasil, esse crescimento reflete a preocupação das organizações em desenvolver projetos mais sustentáveis e para isso, elas precisam de profissionais capacitados para desenvolver este trabalho. “A demanda não para de aumentar e há profissionais brasileiros que, inclusive, são recrutados por empresas de fora do País”, afirma.
Kawakami diz que, apesar desse crescimento, o índice ainda é baixo no País, representando menos de 1% de todas as construções. “O maior obstáculo para isso é simples: a falta de informação. Muitos ainda acham que o projeto sustentável tem custo mais alto. De fato, custa um pouco a mais, mas, no máximo, 5% ou 10%. E esse dinheiro resulta em economia mais para a frente. O retorno desse tipo de empreendimento é de aproximadamente cinco anos.”
O representante da GBC diz ainda que não é difícil obter a certificação. “É mais uma questão de vontade do que qualquer outra coisa”, afirma Kawakami. Os requisitos são divididos em cinco grandes grupos: 1) Localização com infraestrutura como comércio, escolas e hospitais; 2) Uso racional da água; 3) Economia de energia; 4) Uso de materiais reciclados e reaproveitáveis; 5) Ambiente interno saudável.
“São 69 itens. Se 26 deles forem atendidos, o projeto já tem direito ao selo Leed. De 33 a 38 itens, recebe a certificação prata; de 39 a 51 itens, certificação ouro e de 52 a 69 itens, certificação platina”, informa Kawakami.
O Leed é um sistema de certificação promovido pelo GBC Brasil e criado pelo USGBC, dos Estados Unidos, que orienta, padroniza, mensura, classifica e certifica os green buildings (prédios verdes), visando a diminuição dos impactos negativos ao meio ambiente. Criado em março de 2007, o Leed foi reconhecido oficialmente pelos Estados Unidos em julho do mesmo ano.
Kawakami faz questão de salientar que o GBC Brasil certifica apenas os empreendimentos e não possui qualquer tipo de certificação para os materiais, equipamentos e serviços sustentáveis usados em sua construção. “Para obter o Leed, o projeto não requer certificação de materiais para que os mesmos possam ser utilizados em empreendimentos que buscam esta certificação. Nós orientamos sobre as características que os materiais devem ter, mas a comprovação desses atributos fica por parte da empresa.”
(Gazeta Mercantil/Relatorio – Pág. 3)(Lourdes Rodrigues)
Grupo supera Austrália em moagem de cana
De São Paulo
15/01/2009
Maior processador de cana-de-açúcar do mundo, o grupo Cosan encerrou a safra 2008/09 com uma moagem de 44,2 milhões de toneladas, um incremento de 10% sobre o ciclo 2007/08. Esse volume é superior a toda produção da Austrália – de 36 milhões de toneladas -, o oitavo maior produtor mundial de cana e o terceiro maior exportador global de açúcar, segundo levantamento da Datagro.
A produção de açúcar do grupo nesta safra atingiu 3,267 milhões de toneladas, alta de 3,8%, e a de álcool alcançou 1,717 bilhão de litros, elevação de 16,4% em relação ao ciclo anterior. As exportações de açúcar representam 85% da produção total do grupo e as de álcool cerca de 20%.
Com 18 usinas em operação no Estado de São Paulo, o grupo vai colocar este ano em operação sua nova unidade, a de Jataí, instalada em Goiás. “Essa unidade deverá iniciar a moagem entre o fim de julho e agosto”, disse Pedro Mizutani, vice-presidente geral do grupo. Neste primeiro ano de operação, a unidade Jataí deverá processar 600 mil toneladas. Em sua fase final, a expectativa é atingir cerca de 4 milhões de toneladas de cana.
Segundo Mizutani, os projetos de outras duas novas usinas (Paraúna e Montividiu), previstos para o sudoeste do Estado, foram adiados temporariamente por conta da crise financeira. “Decidimos adiar os projetos industriais e estamos reduzindo o ritmo de plantio de cana para essas unidades”, disse. Os projetos deverão ser colocados em prática novamente quando as condições de mercado voltarem a ser favoráveis ao setor.
Com faturamento de R$ 2,7 bilhões na temporada 2007/08, o conglomerado mantém firme seus projetos de co-geração de energia a partir do bagaço de cana. A Cosan tem uma capacidade instalada de 740 MW de energia, dos quais cerca de 600 MW podem ser vendidos. Os planos para logística deverão ser concluídos em 2011, por meio da Uniduto, empresa que prevê a construção de alcooduto, e da qual a Cosan é sócia.
O grupo deverá iniciar a colheita da safra 2009/10 a partir de março em algumas unidades da companhia, segundo Mizutani. A expectativa é de que o processamento da matéria-prima aumente entre 5% e 6%, em uma estimativa ainda conservadora. (MS)
Estados do Nordeste disputam usinas nucleares
Cristiano Romero, Daniel Rittner e Sérgio Leo,
de Brasília
15/01/2009
Os governadores de quatro Estados – Pernambuco, Bahia, Sergipe e Alagoas – já manifestaram ao governo o firme interesse em receber as quatro usinas nucleares que serão construídas pela União nos próximos anos. Cada usina é estimada em cerca de R$ 10 bilhões e produzirá 1.000 megawatts (MW). Duas deverão ser instaladas no Nordeste e duas no Sudeste. Para viabilizar os investimentos, o governo pretende propor ao Congresso mudanças na legislação para permitir que o setor privado tenha participação minoritária nos projetos, com limite de até 49%. Ruy Baron/Valor
Edison Lobão: “Hoje não há mais temor em relação às usinas nucleares”
O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que pretende definir, ainda em sua gestão no ministério, a localização exata das usinas, que devem começar a ser construídas em 2012, às vésperas da conclusão das obras da usina de Angra 3. “Hoje não há mais temor em relação ao funcionamento de usinas nucleares. Já está mais do que comprovado que o monitoramento dos rejeitos é seguro”, disse.
Dos quatro Estados interessados, dois – Pernambuco e Bahia – propuseram o conceito de “central nuclear”. Por esse conceito, a central do Nordeste teria duas usinas, uma ao lado da outra, nas margens do Rio São Francisco, na região do sertão. O rio faz a divisa entre os dois Estados. Como as usinas não podem ser construídas em margens distintas, os dois governadores – Eduardo Campos (PSB), de Pernambuco, e Jaques Wagner (PT), da Bahia – estão dispostos a aprovar, em em seus Estados, legislação para autorizar um “deslocamento” da divisa.
Essa seria uma forma de evitar uma disputa política pela instalação das usinas. “Trata-se de uma proposta inovadora. Um dos dois Estados cederia ao outro uma área para a construção da usina”, elogiou o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, observando que, nesse caso, o custo de construção das usinas poderia ficar abaixo de R$ 10 bilhões.
A idéia de Eduardo Campos e Jaques Wagner é construir as usinas na região conhecida como “Polígono da Maconha”, uma área carente dos Estados de Pernambuco e Bahia, onde impera a produção e o tráfico daquela droga. “O investimento nas usinas ajudaria ainda a enfrentar o problema social daquela área”, comentou Rezende.
A Eletronuclear espera iniciar em março os estudos para a localização das usinas nucleares no Nordeste. Aguarda a transferência de recursos levantados com a RGR, encargo cobrado nas contas de luz e administrado pela Eletrobrás. Os estudos custarão R$ 10 milhões e têm duração de até 20 meses. Mas, já no segundo semestre deste ano, haverá uma relação inicial de 15 a 20 locais candidatos a abrigar as usinas.
Os técnicos da Eletronuclear têm preferência por um local no litoral nordestino, na faixa entre Salvador e Recife. Vêem dificuldades na instalação de uma central nuclear no São Francisco. Além do temor de controvérsia política, como no projeto de transposição do rio, há uma preocupação de ordem ambiental. As usinas nucleares têm vida útil de 60 anos e requerem grande volume de água para resfriamento do reator. Com as mudanças climáticas nas próximas décadas, espera-se uma redução na vazão dos rios de forma geral. Por isso, há uma inclinação dos técnicos pela instalação no litoral.
A Eletronuclear não vê problemas em erguer as usinas perto do mar, mesmo com a provável elevação do nível das águas, com o aquecimento global. A central de Angra, por exemplo, está a mais de cinco metros acima do mar e nada impede que diques afastem ainda mais os riscos de invasão das águas. No Sudeste, onde os estudos devem demorar um pouco mais para começar, a tendência é pela escolha de um local entre o Espírito Santo e o Rio. O litoral paulista já tem ampla ocupação humana – onde ainda há espaço, existem reservas ambientais. A secretária de Energia de São Paulo, Dilma Pena, é radicalmente contra a instalação de usinas nucleares no Alto Tietê.
O tempo de construção previsto para cada usina nuclear é de cinco anos. Cada unidade produzirá 1.000 MW – hoje, o país produz cerca de 100 mil MW. Angra 1 tem potência de 650 MW e Angra 2 gera 1.350 MW – mesma capacidade de Angra 3, que o governo Lula decidiu retomar há dois anos, ao mesmo tempo em que determinou às áreas técnicas acelerar os estudos para a construção de mais usinas. Os nove grupos de trabalho criados pelo Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro, instituído para subsidiar as decisões do presidente Lula, têm até meados deste ano para concluir suas propostas.
Já tramitam no Congresso pelo menos três Projetos de Emenda Constitucional, de parlamentares do DEM e do PSDB, retirando o monopólio estatal sobre a energia nuclear. O presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), Guilherme Camargo, que reúne técnicos e pesquisadores do setor, comenta que a associação é favorável à entrada do setor privado na geração nuclear, mas defende que essa entrada se dê por meio de Sociedades de Propósito específicos formadas pela Nuclebrás, com sócios privados minoritários. Ele afirma que a formação dessas SPEs não exigiria mudanças na Constituição.
Camargo diz, ainda, que o recém-firmado acordo de cooperação na área nuclear entre Brasil e França indica a existência de alternativas de financiamento às obras, como instituições financeiras francesas. “Esse modelo defendido pelo ministro ainda não parece consensual no governo”, desconfia o pesquisador. O governo já garantirá uma grande avanço se cumprir a promessa de concluir a usina de Angra 3, avalia Camargo.
Petrobras investirá US$6 bi em diesel limpo até 2012
13/1
Por Roberto Samora
SÃO PAULO (Reuters) – Os investimentos totais da Petrobras na produção de um diesel com menor teor de enxofre, com o objetivo de reduzir a poluição do ar no país, deverão somar 6 bilhões de dólares até o final de 2012, de acordo com dados divulgados pela estatal.
A Petrobras investirá na esteira de um acordo já em vigor, firmado em outubro do ano passado com o Ministério Público Federal, montadoras de veículos e Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis que prevê a implementação gradual no país de um combustível mais limpo.
A primeira parte do pacto, válido desde 1o de janeiro, prevê o uso pelas frotas de ônibus dos municípios de São Paulo e Rio de Janeiro do S-50, um diesel com 50 partes de enxofre por milhão (ppm), enquanto a maior parte do país passará a consumir o S-1800 (1800 ppm).
Inicialmente, a estatal importará o diesel necessário para atender a demanda de São Paulo e Rio, já que não produz o S-50, mas para se livrar das importações já havia informado que iria investir 4 bilhões de dólares na produção de S-50 no país.
Nesta terça-feira, durante evento em São Paulo para divulgar a implantação do S-50, um comunicado divulgado pela companhia indicou investimentos de mais 2 bilhões de dólares para o S-10, com menos emissões que o S-50, com previsão de fornecimento desse combustível a partir de 2013.
“Os 4 bilhões serão investidos em 11 unidades. Todas terão hidrotratamento (para a extração do enxofre)”, disse a jornalistas o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa.
Os 2 bilhões de dólares que completam os 6 bilhões, segundo Costa, serão investidos em equipamentos para aumentar a capacidade das refinarias de reduzir o enxofre, disse Costa.
Os projetos ainda estão sendo detalhados, mas provavelmente o parque de refino de São Paulo deve ser beneficiado com a tecnologia para o S-10, pois o Estado usa 50 por cento do diesel consumido no país, segundo Costa.
A refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, está realizando testes de produção do S-50, numa tentativa de antecipar a oferta do produto nacional ainda para este ano.
REPASSE DE CUSTO
Para atender os ônibus paulistanos e cariocas, a Petrobras está importando o S-50 a um custo 10 por cento maior do que o S-500, ao mesmo tempo que está tendo um gasto maior para fornecer o S-1800 para o interior brasileiro –antes do pacto, a maior parte do país consumia o S-2000.
Segundo o diretor, pelo fato de a demanda de S-50 ainda ser pequena (90 mil metros cúbicos/mês), contra 2,5 milhões de metros cúbicos/mês do S-1800, o custo da importação do combustível mais limpo para a empresa não é significativo.
Mas com a implementação do S-1800 a Petrobras foi obrigada a ajustar o seu preço do diesel às distribuidoras em 0,0063 real por litro, disse Costa, observando que a estatal não pode absorver custos. Cerca de 70 por cento do diesel que o país está consumindo é S-1800.
MAIS AÇÕES
Mas todo o investimento da Petrobras pode não ser suficiente para que as metas de redução de poluentes sejam cumpridas, se não for acompanhado da renovação da frota de caminhões e ônibus, avaliaram representantes da Petrobras, Ministério Público Federal e autoridades ambientais.
“A Petrobras está fazendo uma ação pró-ativa, sabendo que isso não é suficiente para atender a resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente)”, disse Costa, referindo-se aos índices de redução propostos.
Um ônibus velho que usa o S-50 pode reduzir, por exemplo, a emissão de poluentes em 10 por cento, segundo Costa, enquanto o mesmo combustível utilizado por um veículo com tecnologia nova permitiria queda nas emissões de 70 por cento.
“Se não tiver renovação da frota, é puro engano pensar que vai reduzir a emissão”, destacou.
Por meio do pacto capitaneado pelo Ministério Público, a estatal terá de ampliar para algumas capitais o uso do S-50 para a frota de ônibus de Curitiba, em agosto de 2009, e para Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador, em janeiro de 2010.
Ainda a partir de maio deste ano, todo o diesel das regiões metropolitanas de Fortaleza, Recife e Belém passará a ser S-50, em substituição ao S-500, atualmente utilizado. A partir de janeiro de 2010, todo o diesel S-500 utilizado nas frotas de ônibus da região metropolitana de São Paulo será trocado pelo S-50.
(Edição de Denise Luna)
Falta de água pode afetar a produção da indústria
Valor Online
12/01/2009
Na macrometrópole paulista, área que agrega as regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas e Baixada Santista, um item pouco lembrado quando se fala de gargalos de infra-estrutura começa a preocupar o governo. A oferta de água potável hoje é insuficiente para atender ao crescimento da produção industrial, segundo a secretária estadual de Saneamento e Energia, Dilma Pena. “A água pode se tornar um gargalo para o crescimento industrial nessa região, essa é a preocupação”, diz ela.
A região, que conta com 28 milhões de habitantes, tem atualmente capacidade para produzir 67 metros cúbicos de água por segundo e distribui cerca de 65 m3/s. A proximidade cada vez maior da demanda em relação à oferta ligou o alerta dentro do governo, que começou neste mês um estudo para buscar novas fontes de abastecimento na região. “É um estudo para assegurar a disponibilidade de água para o desenvolvimento econômico sustentável da região durante 30 anos”, diz a secretária. O estudo está sendo realizado pela Companhia Brasileira de Projetos e Empreendimentos (Cobrape), um contrato de R$ 2,98 milhões, custeado com recursos do Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE).
A intenção do governo é investir recursos a partir de 2010 para aumentar em 10 m3/s a produção de água na macrometrópole. O governo estima que serão necessários no mínimo cinco anos para finalizar as obras e iniciar o abastecimento. Até lá, o crescimento do consumo provocado pelo aumento da população deve ser atendido pelo incremento proporcionado pela ampliação da estação de tratamento de água de Taiaçupeba, na Bacia do Alto Tietê. O aumento da demanda tem sido em torno de 0,5 m3/s por ano, e Taiaçupeba vai adicionar 5 m3/s ao sistema, o que atenderia ao crescimento vegetativo da demanda projetado por dez anos.
Além de Taiaçupeba, com obras em andamento e previsão de entrada do abastecimento em 2010, a Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo (Sabesp) estuda a viabilidade de produzir mais 4 m3/s de água no Sistema Produtor São Lourenço, no rio Juquiá, ao sul da Grande São Paulo. Após essas investidas, Dilma diz que as alternativas imediatas estão esgotadas.
O estudo sobre novas fontes de abastecimento abrangerá oito alternativas. Por enquanto, a secretária não arrisca fazer projeções sobre quanto será necessário investir nem o volume de água potável a ser produzido em em cada uma das opções avaliadas.
Uma das idéias é explorar melhor a capacidade de São Lourencinho. Segundo Dilma, é a região mais próxima a São Paulo com maior disponibilidade hídrica. A dificuldade nesse investimento está na altura a ser superada para distribuir a água. São 700 metros a serem ultrapassados, o que exige grande gasto com energia para o bombeamento da água, encarecendo o custo do serviço.
A represa de Jurumirim, no rio Paranapanema, a oeste da Grande São Paulo, surge como uma alternativa interessante por ter água de boa qualidade. É uma das poucas que não sofrem com poluição na região. A idéia é fazer o transporte da água por uma adutora paralela à rodovia Castelo Branco e distribuir o recurso para as cidades ao longo de um percurso de 200 quilômetros. “Essa idéia nos agrada muito”, diz a secretária. A maior altura a ser transposta nesse caso é de 300 metros. O reservatório já existe e serve à geração de energia em usinas da empresa Duke Energy. O gerenciamento entre os múltiplos usos da represa é um dos pontos a serem abordados pelo estudo do governo.
A utilização do reservatório de Barra Bonita, acima de Jurumirim e que serve à geração de energia da AES Tietê, seguiria um plano semelhante, com a diferença de que a água não está tão limpa.
Uma fonte de água limpa que o Estado estuda ser interessante para suprir as necessidades da região de Campinas é o Aqüífero Guarani, o maior manancial de água doce subterrânea do mundo, situado entre Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai. O local em que as águas estão mais próximas à superfície no interior paulista é a noroeste da macrometrópole. A captação se diferenciaria das demais fontes por ser feita por meio de poços.
Não necessariamente as novas fontes precisam abastecer a Grande São Paulo. No caso da bacia do Piracicaba, por exemplo, será estudada a construção de pequenos reservatórios, nos rios Jaguari, Atibaia e Camanducaia, para suprir a própria região no longo prazo. O aumento da disponibilidade de água no local daria mais condições para gerenciar o conflito em torno da água transposta da bacia do Piracicaba para o Sistema Cantareira. Há muitos anos a população residente na região da bacia do Piracicaba protesta contra a retirada de 31 m3/s para o abastecimento da cidade de São Paulo.
Outra reversão de bacias poderá se dar pela transposição das águas da represa do Jaguari, a nordeste da Grande São Paulo, para o Sistema Cantareira. Na mesma região, poderão ser transpostas águas da represa de Santa Branca e de Paraibuna para o Sistema Alto Tietê. A produção de água no Alto Tietê também poderá ser reforçada por reservatórios localizados na Serra do Mar, nos rios Itatinga e Itapanhaú.
Todas essas alternativas estão em fase inicial de levantamento. O uso compartilhado com o setor elétrico, a viabilidade técnica da captação e os conflitos políticos devem ser considerados na hora de configurar a carteira de projetos que o Estado escolherá para investir.
Não necessariamente a Sabesp será a operadora dessas estações de tratamento. Para viabilizar o investimento serão consideradas as possibilidade de conceder a obra integralmente a uma empresa privada ou fazer uma Parceria Público Privada (PPP). “É preciso pensar em tudo, como será a comercialização dessa água, e o estudo trará sugestão de encaminhamentos”, diz Dilma.
Segundo a secretária, por enquanto o problema da oferta apertada de água tem sido gerenciado pela redução de perdas na distribuição. De 2000 a 2008, o investimento de R$ 120 milhões por ano em combate a vazamentos conseguiu diminuir a quantidade de água distribuída em 4,3 m3/s. O volume seria suficiente para abastecer 2 milhões de pessoas por dia. “Isso é muito importante, porque sem isso já teríamos tido falta de água em 2008″, diz Dilma. O volume de perdas atual representa 28% da produção da Sabesp. A meta da companhia para 2010 é diminuir esse índice a 25%, e chegar em 2019 com 14% de perdas.
