Sustentabilidade e Negócios

22/01 – 00:47

Resíduos de obras ganham novo destino

São Paulo, 22 de Janeiro de 2009 – Para diminuir gastos com obras e preservar o meio ambiente, algumas empresas do setor construtivo empregam a reutilização de resíduos como saída. É o caso da WTorre Empreendimentos, Trisul e Rodobens Negócios Imobiliários. Segundo o doutor em engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, professor associado da Poli/USP e membro do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), Vanderley Moacyr John, “com exceção dos resíduos perigosos, tudo pode ser aproveitado: metais, plásticos, madeira, vior e gesso”.

No entanto, ele pondera que o Brasil é um país que trabalha muito pouco com essa técnica – apenas 1% da sobra de material da construção é reaproveitado. “Países como a Holanda chegam a ter mais de 90% de reciclagem”, ressalta.

Conforme o presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos, Diógenes Del Bel, a construção gera resíduos que posteriormente são transformados em areia, granulado e pedriscos. “O material é reaproveitado principalmente para fazer pavimentação, mas possui outras aplicações também”, informa. O problema é que muita sobra é considerada inerte, ou seja, sem aproveitamento, e as empresas de tratamento de resíduos são a única solução. “Como não há outra saída, as companhias contratadas providenciam aterros para esses resíduos”, explica Del Bel.

“Cerca de 65% de todos os resíduos gerados no Brasil são provenientes do setor da construção”, afirma o gerente técnico da GBC Brasil, Marcos Casado. Ele ressalta que entre os quatro empreendimentos, no País, que já possuem o certificado, houve um reaproveitamento de resíduos de algo entre 70% e 90%.
O Green Building Council Brasil (GBC Brasil) é responsável pela certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), atribuída aos empreendimentos que seguem especificações para se tornarem sustentáveis. Seis pontos da certificação são referentes à reutilização das sobras de materiais.

Casado diz que a reciclagem e a reutilização de resíduos “nem sempre são gastos, e sim um investimento com certo retorno financeiro”. A incorporadora WTorre Empreendimentos tem o projeto Parque do Povo, uma área lazer de 112 mil metros quadrados entre as avenidas Nações Unidas, Cidade Jardim, Juscelino Kubitschek e Henrique Chamma, em São Paulo. Cerca de 30% do custo de execução da calçada foi reduzido com a reutilização de britagem. “Reutilizando a britagem, nós reduzimos os gastos com a compra de material de mineradoras e com o transporte das pedras”, afirma a gerente de produtos e arquitetura da WTorre Empreendimentos, Rosa Pezzini. Esse material é oriundo de demolições feitas no local, e de outras obras públicas. “Todas as sobras de nossas obras – quando não destinamos ao mesmo local – vão para nossas outras construções”, diz Rosa.

Separação dos produtos

Outro ponto importante no processo de reutilização de resíduos é a coleta e separação de material. Casado diz que o treinamento dos funcionários da obra é muito importante na hora de destinar as sobras. Conforme Rosa Pezzini, os trabalhadores recebem treinamento específico para separarem os resíduos em seus empreendimentos. “O retorno do treinamento é tão interessante que em obras iniciais, quando não orientamos os funcionários sobre a separação, eles nos cobram. Isso se tornou rotina para eles”, diz.

Para o professor e doutor de engenharia Vanderley Moacyr John, a prevenção de geração de resíduos pode render mais do que a reutilização das sobras. “Acho que para construtoras o negócio é prevenir a geração. Mas isso exige medir a quantidade gerada, uma política permanente de combate aos desperdícios, modulação do projeto etc”. Ele pontua que segregar os resíduos permite a venda de plásticos, papéis, metais e madeira, que pode ser mais rentável para a empresa.

Há um ano e meio, a Trisul S.A. Incorporadora e Construtora faz a separação das sobras de madeira, plástico, papel, aço, e outros materiais recicláveis, e encaminha para empresas que compram o material. “Nossa intenção é mais voltada à preservação ambiental. Lucramos cerca de R$ 500 por mês, em cada obra com esse trabalho”, explica o gerente de obras da Trisul, William Vitor. O dinheiro da venda dos resíduos é investido nos refeitórios e áreas de vivência dos funcionários, nas 17 obras em execução da Trisul.

A Rodobens Negócios Imobiliários constrói seus empreendimentos – condomínios residenciais para famílias com renda de três a 10 salários mínimos – com um sistema construtivo que minimiza a produção de resíduos. “Nosso sistema não utiliza madeira, blocos de concreto ou tijolos, e argamassa”, afirma o diretor técnico da Rodobens Negócios Imobiliários, Geraldo Cesta. Ele garante uma redução na produção de entulho de 70%, com a exclusão dos três insumos.

A construção é feita com moldes de plástico, que podem ser utilizados 300 vezes, e moldes de alumínio, com vida útil de 1.500 obras. Os moldes formam as paredes das unidades e são preenchidos com concreto. “Não é necessário o uso de argamassa para o acabamento das paredes. As fôrmas deixam a superfície bem lisa, e isso reduz gastos”, afirma Cesta.

Os imóveis construídos com o sistema de placas são entregues de oito a 12 meses. “Os valores da construção são bem reduzidos quando diminuímos os materiais utilizados e o tempo de entrega”, ressalta Cesta.

(Gazeta Mercantil/Relatorio – Pág. 5)(Pedro Souza)

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22/01 – 04:40

Construção ecológica é viável. E lucrativa

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, 22 de janeiro de 2009 – O engenheiro civil Luiz Fernando Lucho do Valle é um inovador, particularmente ao ligar o meio ambiente, a construção civil e o mercado imobiliário. E ao provar que esta combinação é viável em termos econômicos, lucrativa e geradora de diferenciais de venda. Com 29 anos de experiência profissional na construção civil nas áreas de incorporação, comercial, gestão e marketing, Valle é um dos pioneiros ao inserir o conceito de sustentabilidade na engenharia civil residencial e estabelecer um novo paradigma no mercado com sua empresa, a Ecoesfera.

A Ecoesfera Empreendimentos Sustentáveis nasceu em 2004 e foi responsável pelo desenvolvimento do conceito de habitação Ecolife, com 16 diferenciais ecológicos que vão desde o processo construtivo à vida útil do empreendimento. Atualmente, dois projetos lançados pela companhia estão pré-certificados com o selo “Green Building”, que se baseia na sustentabilidade e qualidade de vida.
Pelos cálculos do empreendedor, cerca de 40% de seus clientes procuram residências que tenham o apelo do ambientalmente correto. A Ecoesfera já lançou, em apenas cinco anos de vida, 22 empreendimentos, totalizando 2.600 unidades de apartamentos nas cidades de São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
Valle faz questão de afirmar que sua empresa nasceu com o DNA da ecologia. Por isso, os empreendimentos da Ecoesfera possuem características sustentáveis para proporcionar conforto, lazer e economia, além de priorizar o consumo inteligente de recursos naturais como água, energia e gás, desde a concepção até a construção de seus imóveis.

A Ecoesfera tem um portfólio de produtos que atende todas as faixas de renda do seu segmento alvo, a classe média, como os selos EcoOne , EcoWay e Ecolife. Em todos eles são encontrados os itens de ecoeficiência adotados pelo grupo para proporcionar melhor uso dos recursos naturais durante a vida útil do residencial.

Entre eles estão: coleta de lixo seletiva, coleta de óleo de cozinha, sensores de presença na utilização da luz artificial, captação de água pluvial para irrigação das áreas verdes, captação e tratamento de água proveniente de pias e chuveiros para reutilização somente nos vasos sanitários, aquecimento de chuveiros a gás, medidores de consumo individuais de gás e de água, placas de captação de energia solar para iluminação das áreas comuns e pré-aquecimento da água. Dessa maneira, os moradores podem ter uma taxa de condomínio cerca de 30% menor que os valores pagos em edifícios convencionais.

Além da preservação e da consequente economia, a Ecoesfera segue uma tendência mundial de valorização dos prédios verdes. Na Europa, por exemplo, a preocupação com o tema valoriza um imóvel considerado sustentável em torno de 20% no ato da revenda.

“Acredito que até 2015 esse fenômeno ocorrerá também no Brasil, já que muitos de nossos clientes manifestam como motivo principal da compra do apartamento os benefícios que os itens ecoeficientes agregaram economia e contribuem com o meio ambiente. Isso significa que as pessoas já estão considerando estes diferenciais como razão para a valorização do imóvel”, afirmou Valle.

Gazeta Mercantil – Em que momento profissional e pessoal a questão ambiental se fez presente?
Desde criança, a questão ambiental sempre esteve presente na minha família. Por necessidades financeiras, o meu pai sempre nos ensinou a apagar a luz após sair de um ambiente, não demorar no banho, coisas que pareciam insignificantes e que mais tarde seriam tão importantes na minha vida pessoal e profissional.

Gazeta Mercantil – Houve algum processo ou ação que lhe deu um “insight” sobre a necessidade de levar o discurso ambiental para a prática?
Não houve um fato isolado que promovesse essa mudança, mas uma sucessão de fatos. Eu estava prestes a completar 50 anos e, graças a Deus, estava com uma carreira consolidada, constituí uma bela família, mas ainda faltava algo que contribuísse para o bem comum. Lembrei-me do meu pai quando estava prestes a morrer e nós tivemos uma conversa de pai para filho que me marcou muito. Ele disse para eu nunca me esquecer de que todos têm uma missão, que não podemos passar pela vida sem contribuir para uma causa maior. Passei a reavaliar minha vida até aquele momento como empresário, como pai, como marido. No dia 31 de dezembro de 2003, eu estava sentado numa pedra à beira-mar na praia de Guarapari, no Espírito Santo, pensando como poderia contribuir para um mundo melhor. “Será que dá para mudar o mundo?” Voltei à minha rotina decidido a mudar. Saí da empresa em que na ocasião ocupava um cargo de diretoria para dar início a um novo projeto de vida. Tranquei-me em casa durante 90 dias e me abasteci de todo material que podia sobre sustentabilidade. Busquei referências fora do País e usei a técnica da visualização criativa, aquela em que você mentaliza seus desejos para que eles se concretizem no futuro. Estabeleci que usaria meu conhecimento para ajudar a construir um mundo melhor. Nesse processo elaborei um plano de negócios com um foco na construção habitacional ecológica. No segundo semestre de 2004, vendi o apartamento que morava e coloquei os dois carros da família como garantia para constituir a Ecoesfera Empreendimentos Sustentáveis.

Gazeta Mercantil – A construção civil é apontada como geradora de interferências microclimáticas em áreas urbanas. Você acredita que a consciência do bem-estar ambiental já chegou aos empresários do setor ou é algo raro no meio?
Não é raridade. Porém, há poucos empresários no setor da construção civil que colocam na prática a questão ambiental. Sou um otimista e acredito que esse movimento irá crescer, até porque o consumidor hoje está mais atento e mais exigente quando o assunto é o futuro da família. Principalmente as mulheres, que se preocupam bastante com o mundo que irão deixar para os filhos. O brasileiro também está mais sensível às questões ambientais. Uma pesquisa realizada pelo IBGE em julho de 2007 demonstrou que 53% dos consumidores deixariam de comprar sua marca preferida se soubessem que o fabricante faz algo prejudicial à sociedade ou ao meio ambiente. Tal mudança cultural reflete automaticamente na economia de um país. Isso implica não só na escolha da casa, mas em tudo que consumimos, o que é ótimo do ponto de vista ambiental, pois estimulará empresas a reverem seus conceitos e criarem produtos que não agridam o meio ambiente.

Gazeta Mercantil – O caso do telhado ecológico é singular. Há algo parecido nos países emergentes da Ásia, por causa da falta de espaço agricultável. Como surgiu essa idéia para São Paulo?
Como comentei, fiquei mergulhado em pesquisas e referências de outros países, e me deparei com um bairro residencial no sul de Londres, o BedZED, ou Beddington Zero Energy Development (Empreendimento de Energia Zero), que é o modelo líder em sustentabilidade urbana e minha grande inspiração – e que tinha esses telhados. Procurei empresas no Brasil que produzissem esse tipo de telhado e por sorte encontrei outro empresário do Sul engajado como eu. Implantar esse tipo de telhado em São Paulo faz todo sentindo, pois contribui com a qualidade do ar e aumenta o verde nas grandes metrópoles. As plantas do telhado ecológico removem as partículas do ar, produzem oxigênio e oferecem sombra. Elas usam energia calorífica durante a evapotranspiração, um processo natural que resfria o ar à medida que a água evapora das folhas da planta. A evapotranspiração e a sombra produzidas pelas plantas ajudam a eliminar o efeito da ilha de calor urbana criado pelo excesso de prédios e asfalto. Como as ilhas de calor urbanas elevam a temperatura de 6°C a 8°C em áreas urbanas e suburbanas, elas acabam aumentando a demanda por aparelhos de ar-condicionado e iniciam um ciclo de consumo de energia que contribui para o aquecimento global. Se utilizados em larga escala, os telhados ecológicos podem diminuir até 4°C, reduzindo os efeitos incômodos das ilhas de calor e contribuindo com a saúde de quem vive nas grandes cidades.

Gazeta Mercantil – Como foi o primeiro impacto de seus clientes quanto a essa proposta? Pelo visto, há um conservadorismo ainda muito grande na hora de escolher a moradia.
O impacto foi positivo. Após alguns lançamentos, realizamos uma pesquisa interna para saber qual o motivo que levou um determinado cliente a optar por nosso projeto, pois na escolha de um apartamento é unânime quais são os fatores de decisão de compra: localização, produto e preço. O que me surpreendeu é que entre esses três fatores implantamos mais um, que é a sustentabilidade, já que 44% dos nosso compradores escolheram nosso projeto pelo fato de agregar itens que geram economia de até 30% na taxa de condomínio e contribuem com o meio ambiente.

Gazeta Mercantil – A empresa tem uma parceria com a U.S. Green Building, uma organização sem fins lucrativos, reconhecida mundialmente, responsável pela certificação de edificações ambientalmente sustentáveis. Como isto se deu e como tem caminhado essa aproximação?
Essa parceria surgiu por meio do engenheiro Newton Figueiredo, da Sustentax, empresa pioneira na América do Sul na certificação de “Green Buildings” pelo critério LEED – Leadership in Energy and Environmental Design, emitido pela ONG Green Building Council. Ela já concedeu as pré-certificações dos projetos Ecolife Independência (SP) e Ecolife Freguesia (RJ). Essas certificações avaliam, entre outros critérios, o uso racional da água e economia da energia. Implantamos itens ecoeficientes que geram tanto a economia dos recursos naturais como proporcionam a diminuição de até 30% da taxa do condomínio.

Gazeta Mercantil – Como é encarada pelo setor da construção civil uma empresa como a Ecoesfera ? Vocês enfrentaram críticas da concorrência?
O setor da construção civil é muito competitivo e resistente à inovação. Iniciativas como da Ecoesfera são positivas para movimentar o mercado, mas em nosso setor, como em outros, as novas práticas passam a ser copiadas. Eu acho ótimo ser copiado, isso reforça que estou no caminho certo, que há coerência no meu discurso e que outros empresários também desejam mudar o mundo. Na Ecoesfera, sustentabilidade não é assessório, faz parte do nosso dia-a-dia; não envolve apenas os projetos, mas a vida de todos os nossos colaboradores.

Gazeta Mercantil – A grande questão é: quais são as diferenças entre a edificação convencional e o processo adotado pela Ecoesfera?
A Ecoesfera é uma construtora que nasceu do processo que comentei anteriormente, fazer nossa parte para um mundo melhor dentro da nossa área de atuação. Construímos edifícios com consciência e responsabilidade, do início ao fim do empreendimento. Por exemplo, compramos terrenos em regiões que atraem compradores e têm alta valorização. Selecionamos terrenos em que não precisamos interferir muito, que dispensam terraplanagem demais, alteração da topografia, mudança das árvores e vegetação originais. Isso economiza custos e economiza o meio ambiente. Também recuperamos terrenos ambientalmente degradados. Buscamos sempre a gestão mais sustentável dos nossos projetos, equilibrando o valor econômico com o valor social e o valor ambiental. Oferecemos programas de gestão do condomínio no dia-a-dia, para criar uma cultura coletiva de uso consciente e de sustentabilidade por meio de programas educativos para práticas sustentáveis na vida das famílias. Acompanhamos e nos corresponsabilizamos pelo funcionamento do edifício.

Gazeta Mercantil – O custo de um prédio com conceitos de sustentabilidade é maior que um convencional? Qual o percentual e como isto é repassado ao consumidor final?
A construção de um empreendimento sustentável em geral é até 15% mais cara que a convencional. Nos projetos da Ecoesfera consegui reduzir esse custo para 3% por meio do conceito de padronização e economia de escala criado pelo Henry Ford, fundador da Ford Motor Company, outra grande inspiração. Isso reforça a questão de rever processos: o meu benchmarking não é o setor da construção, e sim o automobilístico. Construindo no mesmo padrão, é possível comprar materiais do mesmo modelo em grandes quantidades – e ganhar no preço. (Júlio Ottoboni – Gazeta Mercantil)

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20/01 – 01:12

Usinas cada vez mais eficientes e lucrativas

20 de Janeiro de 2009 – É indiscutível que o mercado sucroalcooleiro, assim como diversos outros setores no Brasil e no mundo, sofre com os efeitos da crise atual.

Segundo alguns de seus fornecedores, o volume de cotações de equipamentos de infra-estrutura, por exemplo, caiu desde o início da turbulência econômica. No entanto, os investimentos neste segmento deverão começar a ser retomados em cerca de sete meses, o que pode ser considerado um prazo relativamente curto.

Há várias razões para isso. Uma delas é que a verba destinada para a safra de cana-de-açúcar de 2010 deverá começar a ser gasta no segundo semestre do próximo ano. Outro motivo é a valorização e incentivos que o setor recebeu nos últimos anos por autoridades nacionais e estrangeiras. Junte-se a isso o fato de que 46,4% da matriz energética do País em 2007 provêm de fontes renováveis, segundo os mais recentes dados oficiais disponíveis.
Dentre essas, a cana-de-açúcar é a que tem maior participação nesta cifra, com 16% da oferta de energia.
E, ainda, que o Brasil sustenta a sua demanda interna por etanol e, ao mesmo tempo, é um dos maiores exportadores globais deste biocombustível.

Mais números comprovam que a importância das empresas de açúcar e álcool para a produção energética no Brasil deve crescer ainda mais nos próximos anos. De acordo com a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), apenas por meio de co-geração, as usinas produzem 2 mil megawatts, ou 4,5% da matriz de energia, números que deverão crescer para 15 mil megawatts e 15%, respectivamente, no ano de 2020.
Com esta realidade em vista, pode-se afirmar que o mercado sucroalcooleiro estabeleceu como meta buscar soluções para otimizar a eficiência energética de suas plantas produtivas. E a automação de parte da infra-estrutura das mesmas é uma das melhores alternativas para isso por diversas razões. Uma delas é que a verba necessária para aquisição de produtos para viabilizar uma modificação como esta não passa de 18% do custo de uma usina moderna completa, o que pode ser considerado um valor baixo, aspecto fundamental em tempos de investimentos reduzidos. O panorama se torna ainda mais interessante quando dados oficiais do setor mostram que deverão ser gastos US$ 14 bilhões em novas usinas no Brasil pelos próximos seis anos.
Além disso, a automação de usinas sucroalcooleiras pode representar um investimento com rápido retorno e, também, resultar em aumento de receitas. Isso ocorre porque, neste caso, algumas turbinas que funcionam movidas a vapor não são usadas e, consequentemente, uma quantidade de vapor gerada e utilizada pela própria planta de produção deixa de ser necessária para esta finalidade e passa a ser insumopara a cogeração. Com isso, é possível comercializar energia elétrica com as concessionárias. Em outras palavras, a automação da infraestrutura permite que haja um capital energético excedente que pode significar uma fonte de renda extra.

Por fim, adotar uma estrutura automatizada em usinas do gênero permite que os processos sejam controlados e o açúcar e álcool produzidos tenham melhor qualidade, tornando-os ainda mais competitivos no mercado. Ter um produto de qualidade sem que isso demande um investimento vultoso é igualmente importante em tempos de crise, pois contribui para que as vendas de uma empresa alcancem ou permaneçam em bons níveis, evitando ou amenizando eventuais problemas de caixa. Deve-se ressaltar, também, que um sistema com essas características permite uma economia de energia de até 30%, além de uma redução de custos de manutenção e prolongamento de vida útil das máquinas.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados – Pág. 9)(Ronaldo Bartolomei – Diretor de vendas da Divisão de Controles de Acionamentos da Danfoss do Brasil)

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19/01 – 03:48

Agronegócio do Brasil espera maior engajamento ambiental

SÃO PAULO, 19 de janeiro de 2009 – Entre todas as discussões que envolvem o agronegócio brasileiro e o novo governo dos Estados Unidos, o engajamento americano no combate ao aquecimento global é uma das mais importantes. Não somente pela intenção de transformar o mercado americano em um destino certo para o etanol de cana-de-açúcar do Brasil. O comprometimento do governo Obama com os temas ambientais pode alavancar mercados que, até agora, não deslancharam, apesar do esforço europeu, como o de comercialização de créditos de carbono, e outros incentivos ao desenvolvimento de energias limpas. “A expansão desse mercado vai beneficiar o resgate de carbono com a co-geração de energia com biomassa e com dejetos da suinocultura”, pondera André Nassar, diretor-geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone).

E há indicativos de que o presidente Barack Obama vai ser sensível ao combate às mudanças climáticas, na avaliação de Nassar. Ele acredita que pode até ser que Obama estimule o Protocolo de Kyoto 2 com a criação de novas metas de redução de emissões vão abrir novas oportunidades que tenham relação com energia na agricultura. “Há anos o mercado de crédito de carbono não deslancha. Muitos setores, como os de suinocultura, investiram para resgatar crédito com dejetos de suínos, mas o valor pago por essa não-emissão é baixo. As usinas que co-geram energia com bagaço de cana também não conseguem comercializar o carbono que deixa de ser emitido. É preciso se criar um mercado grande e o engajamento dos Estados Unidos é importante para isso”, esclarece Nassar.

Ele acrescenta que, se for assinado um Protocolo de Kyoto 2, com adesão americana, há grande potencial de eles serem fortes candidatos a financiar projetos ambientais no Brasil, já que eles são deficitários nessa área. Esse maior comprometimento deve motivar, obviamente, os Estados Unidos a ampliarem suas metas de utilização de etanol e criar oportunidades ao Brasil. “Os americanos têm limites para uso do milho nesse processo e vão precisar importar”. A tarifa de 0,54 centavos de dólar por galão (3,785 litros) que o álcool brasileiro paga para entrar nos Estados Unidos ainda será válida, pelo menos, durante o ano de 2009. Para 2010, há expectativa de que haja alguma mudança nessa taxação, mas somente por uma necessidade americana. “Sempre será uma decisão unilateral. Se os Estados Unidos precisarem, em 2010 e 2011, podem alterar a política”, pondera o diretor do Icone.

Já na política agrícola, o governo Obama só poderá influenciar de forma mais decisiva mais à frente, Isso porque o congresso já aprovou a legislação que vigora ate 2013, segundo Nassar. Já na política multilateral, o importante será encerrar o acordo na Rodada Doha, interesse que também parece ser do novo presidente americano, na avaliação de Nassar. “Não haverá nem grandes ganhos nem perdas com a Rodada. Obama deve ter interesse em encerrar essa questão, para tirar esse negócio da agenda. Trata-se de um sinal político, uma vez que estamos falando em reduzir tarifa em momento de crise”, afirma Nassar. Ele acrescenta que será importante fechar o acordo pois terá imposição de limites para ampliação de subsídios, o que é importante, sobretudo em tempos de queda nos preços agrícolas, quando esses instrumentos de política são mais utilizados.

Há mais de um ano com escritório instalado em Washington (EUA), a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) avalia que o novo governo americano tem potencial de ser positivo ao setor sucroenergético do Brasil. No entanto, pondera o diretor de Comunicação Corporativa da entidade, Adhemar Altieri, é necessário esperar secretários e presidente assumirem o cargo para que haja confirmação de que o discurso da campanha se manterá após a posse. “Há discurso de que pode haver aumento do uso de etanol nos Estados Unidos e de reconhecimento das vantagens do uso do etanol de cana-de-açúcar. Mas, é preciso esperar para ver o posicionamento após a posse. A intenção da Unica é que nos Estados Unidos haja o entendimento de que não o etanol do Brasil não vai entrar no país para invadir e competir com o produto americano. Eles é que têm que dizer quanto querem comprar para que o setor no Brasil possa se planejar para atender à demanda”, diz Altieri. (Fabiana Batista – Gazeta Mercantil)

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