Mandioca-doce vai virar etanol em escala industrial, diz Embrapa
São Paulo, 9 de Janeiro de 2009 – É esbanjando glicose e sacarose que a mandioca açucarada entrou para a lista de matérias-primas que podem ser convertidas em etanol. A variedade da raiz está na mesa de poucos brasileiros – vira mingau e xarope de glicose no Norte do País onde é conhecida como mandiocaba – e nos laboratórios da Empresa Brasileira da Pesquisa Agropecuária (Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia) de Brasília.
O pesquisador Luiz Joaquim Castelo Branco Carvalho redescobriu o tubérculo, antes usado pelos indígenas na alimentação e produção de cachaça, há dez anos. De lá para cá desenvolve estudos para a produção de etanol a partir da mandioca-doce. Segundo Carvalho, é possível encontrar 25% de glicose e pelo menos 10% de sacarose nessa raiz. “O açúcar que tem na cana é só sacarose, e apenas 12%”, compara.
Castelo explica que a “composição de açúcar dessa planta confere uma rapidez ao processo de conversão em álcool”, já o açúcar da cana leva 14 horas para ser beneficiado. Além de dispensar o processo de hidrólise e adição de enzimas (importadas), o que pode reduzir o custo energético em até 40%.Cada hectare de mandiocaba rende 14 metros cúbicos (m3) de álcool. Pelo processo convencional de hidrólise de amido da mandioca o rendimento é em torno de 6,4 m de álcool por um processo de fermentação que dura até 70 horas, enquanto o processo tradicional da cana-de-açúcar chegou a 8 m em 48 horas.
Enquanto uma tonelada de cana produz 85 litros de álcool, a mesma quantidade de mandioca pode produzir 211 litros do combustível. Porém, os custos de produção da cana-de-açúcar são menores em cerca de 50% quando comparados aos da mandioca.
A variedade, até então privilégio da região Norte do País, está sendo cultivada pelos técnicos da Embrapa no cerrado. Lá a produtividade é até quatro vezes menor, mas melhoramentos genéticos estão sendo realizados para se colher mais mandioca-doce no meio-oeste do País. É dos hectares de testes plantados em Brasília que vão sair as toneladas a serem processadas em escala industrial.
Em parceria com a Usinas Sociais Inteligentes, de Porto Alegre (RS), será montada em março um complexo de destilaria na capital do País para produzir etanol a partir de mandioca-doce em escala industrial, 400 litros por dia, e experimental. “Precisamos conhecer ao certo a viabilidade econômica para levar a tecnologia até o Pará”, diz Castelo.
Não existe um levantamento sobre a quantidade de mandioca açucarada produzida no Brasil, mas é certo que é no solo paraense que se concentra o maior número de plantas, principalmente na região nordeste do estado e na ilha de Marajó. O pesquisador da Embrapa Pará, Edson Sampaio, explica que o consumo é doméstico e está concentrado no interior. “São produtores pequenos e eles estão espalhados. Ainda falta material genético para desenvolvermos etanol a partir de mandioca aqui”.
O agrônomo da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) de Abaetetuba (PA), Flávio Ikeda relata que já foram implantados dois campos de multiplicação de material genético para distribuição de mudas. “Se precisasse plantar em larga escala não haveria mudas suficientes”, situação que deve ser revertida com os campos.
Brasil Ecodiesel questionada
As últimas oscilações registradas com as ações emitidas pela Brasil Ecodiesel na Bovespa levaram a Comissão de Valores Mobiliários a questionar a empresa solicitando justificativa para a valorização superior a 53% registrada só na última quarta-feira. A Brasil Ecodiesel alegou desconhecer o motivo.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados – Pág. 9)(Gilmara Botelho)
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Em meio à crise, Cosan quer ser referência em energia limpa
São Paulo, 9 de Janeiro de 2009 – A Cosan é uma Ferrari. É comparando à potência da máquina italiana que Rubens Ometto define a capacidade de seu grupo sucroalcooleiro. Uma das maiores produtoras e comercializadoras de açúcar e álcool do mundo, originados da cana-de-açúcar que a companhia cultiva, colhe e processa, a Cosan conseguiu aproveitar o estopim da crise financeira para tirar o foco do mercado de seu relacionamento com acionistas minoritários. Em meio ao furacão da economia internacional, a empresa concluiu o negócio com a Exxon Mobil, deu sentido à posição em dólar antes criticada por analistas e atraiu um nome de peso para seu corpo acionário, fundos administrados pela Gávea Investimentos. A compra da Esso brasileira, finalizada no dia 1 de dezembro, leva o grupo a um novo patamar. Não só em receita, mas em potencial de expansão e nichos de mercado. A Cosan torna-se uma companhia de barba, cabelo e bigode no setor. Além de comandar a produção, transporta, abastece terceiros e vende ao consumidor através de sua própria rede de postos de combustível. Também coloca o pé no varejo, já que é agora proprietária de lojas de conveniência dos postos, mas ainda não sabe se tocará ou vai terceirizar o negócio. Os planos de incorporação da Esso a companhia deve divulgar em março, processo assessorado pela consultoria McKinsey. A Esso já havia feito uma revisão de pontos de distribuição, que chegaram a somar 2,5 mil unidades no Brasil, encerrando as operações deficitárias ou mal localizadas. O projeto do novo dono inclui expansão da marca e investimento em gestão. A Esso dá ao grupo um Ebitda sem sazonalidade , define Ometto. A aquisição incluiu a produção e comercialização de lubrificantes e especialidades da ExxonMobil no Brasil, numa transação total de US$ 890 milhões (pagamento de US$ 715 milhões à ExxonMobil International e assunção de dívida de US$ 175 milhões). Além disso, o grupo ganha força na venda de combustível para aviação, reaproximando o fundador do setor aéreo. Tio Orlando , conta Ometto, era o maior acionista da TAM e contava com o sócio minoritário comandante Rolim, que anos mais tarde adquiriu o controle da aérea. Ometto ajudava o tio a gerir a TAM, enquanto ocupava também a diretoria financeira da Votorantim. Estas e outras histórias vão compor o livro que Ometto ensaia pôr no papel, sem medo de desagradar, incluindo o dia em que o temperamental tio Orlando o pediu para demitir Rolim da TAM. Mas cheguei à conclusão que era o meu tio que atrapalhava o Rolim , brinca o empresário. A Cosan segue a personalidade de seu fundador. Ao vivo e em cores, Ometto não tem o perfil de manda-chuva que o mercado desenha, mas não esconde a ambição para seus negócios. Considerado insaciável no que diz respeito à expansão, diz que o adjetivo pode ser atribuído ao bilionário investidor americano Warren Buffet, e não a ele. Não quero comprar o The New York Times , rebate. Mas ele afirma que a empresa está preparada para mais. Nosso projeto é ser referência mundial em energia sustentável. Elétrica para casa, etanol para o carro e açúcar para as pessoas. Em seus planos, o segmento de logística também tem lugar cativo. A empresa anunciou em março passado a criação da Uniduto Logística, em parceria com a Crystalsev e a Copersucar, para construção e operação de um sistema de transporte de etanol. Demanda internacional A pulverização de receitas no ano e no mercado doméstico pode vir a calhar já no curto prazo, com indefinição da demanda internacional por açúcar e álcool. Para Mário Silviera, da consultoria F.C. Stone, a redução da produção de açúcar na Índia e na União Européia pode gerar melhores oportunidades de negócios para o Brasil. O menor acesso ao crédito fez com que alguns produtores reduzissem investimento em nova safra, o que pode gerar um déficit entre produção mundial e demanda. Não acontecia há anos , afirma o consultor. Para o etanol, a entrada de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos é favorável a utilização de biocombustíveis, mas não à importação. Cabe ao Brasil continuar trabalhando para vender esta idéia , diz Silviera. Mas o efeito da crise econômica no volume de vendas ao maior comprador do etanol brasileiro é incerto. Mas, independente dos fundamentos para o setor em geral, a Cosan ainda não passa incólume à cobrança de analistas de investimento em quesitos de governança corporativa. A empresa foi criticada pela abertura da Cosan Limited com ações em classes que restringem votos e direitos aos minoritários e por propôr aos investidores a adesão à subscrição privada de 2008 por um valor por ação superior ao da cotação do período, para captar os recursos para comprar a Esso. Na conclusão, Ometto injetou US$ 50 milhões na Cosan Ltd e o Gávea, US$ 150 milhões, ficando com 40,57% do capital e um assento no conselho de administração. Para completar os recursos, a controlada fez emissão de promissórias no valor de R$ 1,1 bilhão. O aumento de participação da Limited na Cosan S.A. reforçou a intenção de fechar o capital da empresa no Brasil. Além disso, a compra da Esso gerou grande alavancagem financeira , diz Peter Ping Ho, analista da Planner Corretora, que considera o cenário econômico pouco favorável para uma recuperação no preço dos papéis do setor em bolsa. A Cosan tem hoje um endividamento de R$ 2,89 bilhões, mas o que preocupa o analista é o vencimento das promissória de curto prazo (um ano).
(Gazeta Mercantil – Maria Luíza Filgueiras)
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A passo lento, sobe demanda por energia solar
São Paulo, 8 de Janeiro de 2009 – O futuro do mercado de energia solar no Brasil é promissor. De acordo com o diretor executivo do Grupo Zeppini, Paulo Rogério Fernandez, o Brasil tem um potencial enorme e “só depende de um início”. A companhia em 25 de setembro do ano passado a Energia Z, que comercializa soluções em geração de energia solar. A nova empresa investiu inicialmente R$ 1 milhão em pesquisa e teve o apoio da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em cooperação com a área de engenharia do Grupo Zeppini.
“A partir do momento em que a energia elétrica fotovoltaica for experimentada e os benefícios mensurados, o crescimento se dará na mesma ordem, já que o potencial é enorme”, diz o executivo.
De olho nesse mercado, a Energia Z lançou novas propostas nesse segmento, como a Motor Z e o Eletroposto. A Motor Z fabrica scooters movidas a eletricidade. A outra realiza a carga de abastecimento das baterias das scooters. “Pela evolução tecnológica apresentada, o veículo elétrico estará no cenário urbano mesclado com outras soluções”, avalia Fernandez.
Gazeta Mercantil – Qual a proposta da nova empresa?
A Energia Z foi estabelecida para trazer uma opção de energia solar ao mercado brasileiro. Muitos conhecem essa opção, sabem que existe, mas não sabem exatamente como chegar até ela. A Energia Z tem a proposta de dar acesso a essa alternativa.
Gazeta Mercantil – Qual o potencial da energia solar no Brasil?
Ainda é difícil de ser dimensionado. Se tomarmos por base países em que essa tecnologia está sedimentada, como a Alemanha, por exemplo, que desde 2000 trabalha com planos de incentivos específicos para que essa matriz seja desenvolvida, a geração equivale a uma Angra 2 por ano. O Brasil tem um potencial enorme, que depende de um início. Essa é a proposta da Energia Z: oferecer e integrar soluções até que o mercado lide com isso de uma forma mais usual.
Gazeta Mercantil – Então é viável?
É viável por vários aspectos. Nesse primeiro momento, buscamos formas para as pessoas considerarem esse tipo de fonte energética. Existe um movimento de sustentabilidade, que é muito importante. A categoria energia é a que dá o maior número de créditos para edifícios que desejam obter uma certificação Leed (Leadership in Energy and Environmental Design, que certifica edifícios verdes). Nesse caso, a geração de energia elétrica por painéis fotovoltaicos atende essa necessidade. Em alguns casos, empresas e instituições precisam dar essa resposta para o seu consumidor. Outras entendem que é uma forma de agregar valor nas atividades. Em outros casos, regiões isoladas dependem absolutamente dessa solução para obter energia elétrica.
Gazeta Mercantil – Quanto a empresa investiu para entrar nesse mercado?
No total, US$ 1 milhão. O investimento foi para integrar duas estações solares. Temos no edifício da nossa metalúrgica, a Fundição Estrela, e outra integrada na Motor Z, empresa de veículos elétricos, que são abastecidos com energia, que batizamos de Eletroposto. Também investimos em capacitação de pessoal, engenharia, representantes comerciais, pós-venda, treinamento e instaladores.
Gazeta Mercantil – Como é a instalação dos produtos e serviços?
A instalação de um sistema fotovoltaico passa por algumas fases. O interessado recebe um direcionamento. Depois disso, a Energia Z dá suporte na parte de projeto e instalação. Por ser um mercado jovem, a Energia Z cobre todas as fases de integração para ser tangível para quem quer dispor dessa solução.
Gazeta Mercantil – É possível mensurar a redução de impactos no meio ambiente ao usar essa energia?
Há possibilidade de avaliação em diversos sentidos. Se comparar uma matriz de carvão com uma fotovoltaica, é uma situação. Uma matriz hidrelétrica para fotovoltaica é outra bem diferente. Termelétrica, uma intermediária. A energia elétrica fotovoltaica é gerada no ponto onde é consumida: no telhado de uma casa, na cobertura de um edifício. Não existem transmissão, nem imobilização de áreas produtivas e nem alagamentos. A integração de uma estação solar, não é precedida de um estudo sócio-econômico-ambiental, justamente por não se envolver nessa questão. O impacto ambiental de uma estação solar é zero. E ainda tem a vantagem de a mensuração do pay back energético ser fácil. Significa calcular o quanto de energia elétrica se gasta para fazer um painel. Depois, por quanto tempo ele precisa produzir energia para pagar essa conta. Um painel fotovoltaico tem um pay back energético da ordem de um ano e meio. Ou seja, em um ano e meio de geração de energia elétrica paga, em energia, o que gastou para ser produzido. Como esses sistemas têm uma vida útil, sem manutenção, de no mínimo 20 anos, o retorno energético é muito significativo. É uma solução diferenciada.
Gazeta Mercantil – O que são os painéis fotovoltaicos?
De uma forma bem simples, são placas, normalmente de vidro, integradas por duas lâminas de silício muito finas. Quando a irradiação solar atinge essa lâmina, existe uma diferença de potencial, que gera energia elétrica e é captada através da fiação. A energia é captada com determinada propriedade, passa por um conjunto de painéis de inversores, que fazem uma cópia da rede interna.
Gazeta Mercantil – Quais são as perspectivas do mercado de energia solar para 2009? São muito positivas. Apesar de o mercado praticamente não existir, nossa afirmação surge em decorrência de outra avaliação. Em 2007, tínhamos no Brasil apenas uma solicitação de certificação Leed. Era uma edificação que tinha o interesse de mostrar através de um certificado seu grau de sustentabilidade. Em 2008, o número passou de 60. O crescimento é exponencial. A partir do momento em que a energia elétrica fotovoltaica for experimentada e os benefícios mensurados, o crescimento se dará na mesma ordem, já que o potencial é enorme.
Gazeta Mercantil – O cenário econômico passa por um momento turbulento. A crise vai afetar ou já afetou esse mercado?
É um momento de forte turbulência e as turbulências trazem incertezas. Não podemos ignorar isso. Mas acreditamos na eficiência da solução, por isso não modificamos nossa expectativa de crescimento tanto para energia elétrica quanto para nossos outros negócios.
Gazeta Mercantil – Até porque se os investimentos em meio ambiente forem reduzidos, os impactos no futuro serão bem maiores.
Exatamente. Esses temas continuam sendo discutidos. A opção da energia elétrica fotovoltaica é uma contribuição significativa para a qualidade ambiental. Isso está relacionado ao padrão de comportamento social. Hoje, se recebêssemos a notícia: “O Brasil nunca mais terá problemas energéticos. Encontramos uma hiper mina de carvão, vamos queimar tudo e gerar energia elétrica.” Provavelmente, a sociedade não aceitaria, porque existe um processo de alteração do comportamento. A energia fotovoltaica vai ao encontro desse anseio.
Gazeta Mercantil – Anteriormente, você falou do Eletroposto. O que é isso?
Dentro do Grupo Zeppini há uma empresa chamada Motor Z, que fabrica motonetas e scooters movidas a propulsão elétrica. Como parte do show room da Energia Z, construímos na frente do edifício uma cobertura de painéis fotovoltaicos suficiente para abrigar três veículos. Essa cobertura está integrada na rede da Motor Z, e dá a primeira carga de bateria de todos os veículos. É efetivamente um eletroposto. Toda a energia gerada vai para o abastecimento de um veículo. O que se gera de energia nessa pequena área quadrada é equivale a 250 cargas mensais, a uma média de 40 km/h, adotando as perdas intrínsecas de um veículo parado.
Gazeta Mercantil – E como as motos são abastecidas?
O abastecimento de um veículo elétrico se dá pela ligação de uma tomada na rede, como um celular ou um lap top. Entretanto, existe uma fundamentação no Grupo Zeppini, que esse pode ser um meio muito interessante de abastecimento do veículo elétrico de uso público, e não privado, como é o caso da nossa empresa. Temos visto diversas iniciativas como a Renault-Nissan, que assinou contratos com governos de Israel, Portugal e Espanha para prover o veículo elétrico e desenvolver a estrutura de abastecimento desses veículos. Se forem veículos leves, como é o caso da Motor Z, não é preciso carregar o veículo em uma tomada. Simplesmente, o pacote de bateria pode ser trocado. A pessoa chega a um ponto de abastecimento, tira a caixa de bateria, coloca uma nova, paga a tarifa e vai embora. O pack de baterias é transitório e não do veículo. É como se trocasse um tanque sem gasolina por um tanque com gasolina.
Gazeta Mercantil – Qual a expectativa de adesão desse tipo de veículo?
Nós temos um público-alvo. Um veículo leve, no caso uma scooter, movido a eletricidade é muito mais um paradigma do que um produto, apesar de o crescimento da adesão ser acelerado. E esse público tem usado esses veículos para várias circunstâncias: uma boa parte para lazer e outra para pequenos deslocamentos dentro do bairro. Mas asseguro que, pela evolução tecnológica apresentada, o veículo elétrico estará no cenário urbano mesclado com outras soluções. Não digo que ele será tão onipotente e onipresente como o veículo a combustão, mas seguramente, vai compor o cenário.
Gazeta Mercantil – Quais são os projetos da Energia Z para o futuro?
Além das atividades iniciais, que visam sedimentar o interesse para uma fração da matriz energética, temos acordos formalizados, que em três anos, que é o tempo que imaginamos que vai levar um consumo interno mínimo, para implementar uma unidade de fabricação de painéis solares no Brasil.
(Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 2)(Silvana Orsini e Sérgio Toledo/InvestNews)
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Continental testa alga e pinhão para voar
Roberta Campassi, de Houston
08/01/2009
Houston, a capital mundial da energia, com mais de 3 mil empresas ligadas ao setor de petróleo e gás, sediou ontem o primeiro vôo de uma companhia aérea americana com biocombustível, em mais uma etapa da busca da indústria de aviação por insumos menos danosos ao ambiente capazes de substituir os derivados de petróleo. O Boeing 737-800 da Continental Airlines decolou na manhã ensolarada de ontem, em Houston, com um de seus dois motores abastecido de uma mistura de 50% de biocombustível feito com algas e pinhão-manso e 50% de querosene de aviação (QAV) tradicional.

Kellner, CEO da Continental: Estamos desenvolvendo o lado técnico (foto: Mark Green/MGP2)
Foi a maior quantidade de combustível usada até hoje num vôo, sem passageiros, e a primeira vez que uma empresa aérea testou um insumo feito a partir de algas – uma das matérias-primas mais estudadas para produzir combustíveis alternativos. O teste, que durou cerca de duas horas, foi definido como uma mostra de que biocombustíveis são tecnicamente viáveis. Mas do ponto de vista econômico, mais alguns anos são necessários até que se possa abastecer aviões no dia-a-dia.
“O que estamos fazendo hoje é desenvolver o lado técnico. Feito isso, restam o lado econômico e a questão da produção da matéria-prima”, disse Larry Kellner, CEO da Continental. “Mas estamos todos muito surpresos com a velocidade em que as coisas estão acontecendo.” Em cinco anos, diz ele, a Continental estará abastecendo pelo menos uma parte dos seus vôos com biocombustível.
A Continental, cuja sede é em Houston, é a terceira aérea mundial a voar com biocombustível, depois da Virgin e da Air New Zealand. A Japan Airlines será a próxima. No dia 30, a JAL fará um vôo com um Boeing 747 abastecido com um oitavo de combustível feito a partir de óleo de camelina (conhecida como falso linho).
Em fevereiro de 2008, a Virgin usou uma mistura de 80% de QAV (querosene de aviação) e 20% de óleo de babaçu e coco numa das quatro turbinas de um 747. O mesmo modelo de jato foi usado em dezembro pela Air New Zealand, mas desta vez com um dos motores preenchido com metade de QAV e 50% de óleo de pinhão-manso (jatropha, em inglês).
No cenário mais otimista, a utilização comercial de novos insumos em aviões poderá ser realidade em três anos, segundo Jennifer Holmgren, responsável pela unidade de energias renováveis da UOP, empresa que desenvolveu a tecnologia para o refino dos óleos vegetais usados no teste. Ela diz que no primeiro semestre deste ano a UOP começará a licenciar sua tecnologia a refinarias. A produção de biocombustível aéreo em grande escala poderia, então, ter início sem grandes alterações na infra-estrutura já existente.
O passo seguinte será certificar o biocombustível para aeronaves de forma a garantir que ele atenda todos os padrões da indústria aérea. James Kinder, engenheiro sênior da fabricante de jatos americana Boeing, o processo ainda está no estágio de compilação de dados e passará por inúmeras avaliações até que seja licenciado, num prazo estimado em dois anos. “O biocombustível usado nos vôos é praticamente igual ao QAV”, diz Mike Epstein, líder de tecnologia da CFM, uma sociedade entre a General Electric e a Snecma que fabrica turbinas. “Alguns aspectos como a lubricidade precisam ser melhorados, mas não é algo difícil de ser feito.”
A grande barreira a ser transposta parece ser a produção de matéria-prima a um custo acessível e em quantidade suficiente para abastecer a indústria aérea. Combustíveis derivados de vegetais produzidos em larga escala, como o milho e a cana, estão fora de questão – também podem ser consumidos como alimentos e têm uma produtividade menor.
A grande aposta da indústria está nos biocombustíveis da segunda geração, que não competem com a produção de alimentos. O pinhão manso, por exemplo, não é comestível e cresce em regiões áridas. A alga, por sua vez, tem uma altíssima produtividade. Segundo a Associação Nacional da Alga, dos EUA, ela pode gerar até dez mil galões de óleo por acre, contra 250 do pinhão manso ou 50 da soja.
Em relação ao preço, Holmgren, da UOP, conta que 85% do custo do biocombustível é a matéria-prima. “Desde que ela custe o mesmo do que o galão de petróleo, o galão de biocombustível será competitivo”, diz. William Thurmond, diretor de pesquisa da Associação Nacional da Alga, diz que ainda não existe produção dessa matéria-prima em grande escala, o que dificulta a queda do preço. Mas as projeções apontam para um cenário otimista. Em 2007, segundo Thurmond, estimava-se um custo de US$ 3 mil por galão de óleo de alga. No início de 2008, a projeção havia baixado para US$ 250 e hoje fica entre US$ 8 e US$ 20. Ainda assim, é mais custoso do que o galão do petróleo, hoje em torno dos US$ 2.
“O importante é que, a longo prazo, explorar petróleo está ficando cada vez mais caro, ao passo que a produção de biocombustível só tende a baratear”, diz Sanjay Pingle, presidente da Terasol, empresa americana que forneceu o óleo de pinhão manso produzido no Brasil para os vôos da Continental e da Air New Zealand.
A ascensão recorde dos preços do petróleo ao longo de 2008 foi um importante motivador das pesquisas por insumos não-fósseis. Só o combustível responde por cerca de 40% dos custos operacionais das companhias aéreas e 31 delas quebraram em 2008, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata). Outras dezenas de empresas foram obrigadas a aposentar seus aviões menos econômicos, o que resultou em encolhimento dos serviços e demissões.
A outra forte motivação para a busca de novas fontes de energia, necessariamente menos poluentes, é a pressão cada vez maior para que a indústria aérea reduza suas emissões de carbono, que representam cerca de 3% de toda emissão mundial. Em meados de 2008, as companhias aéreas espernearam para ficar de fora do esquema de comércio de carbono que começa a vigorar em 2012 na União Européia, mas o parlamento europeu votou maciçamente pela inclusão do setor. Nesse sistema, elas terão que pagar por qualquer emissão acima do limite – máximo de 85% de emissão em relação aos volumes registrados entre 2004 e 2006 -, o que daria uma conta de ? 3,4 bilhões só em 2012, segundo uma reportagem do “Financial Times”.
Embora a queima de biocombustível gere tanto carbono quanto o QAV tradicional, ela é compensada pela absorção de carbono da atmosfera por parte das matérias-primas vegetais durante seu crescimento.
Pelo menos dois grupos foram formados em 2008 para estudar novas fontes de energia, um deles pela fabricante de jatos européia Airbus e pela empresa aérea JetBlue, dos EUA, e outro encabeçado pela Boeing e mais nove empresas aéreas que juntas respondem por 15% de todo o uso de QAV no mundo, entre elas a própria JAL e a Air France-KLM.
A repórter viajou a convite da Continental
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Moagem de cana cresce no noroeste paulista
Mônica Scaramuzzo, de São Paulo
08/01/2009
As usinas de açúcar e álcool da região noroeste do Estado de São Paulo moeram na safra 2008/09 cerca de 45,5 milhões de toneladas, aumento de 21,6% sobre o ciclo anterior, de acordo com levantamento da Biocana (Associação de Produtores de Açúcar, Álcool e Energia), entidade que representa 18 unidades produtoras do noroeste do Estado. Cerca de 1,5 milhão de toneladas de cana deverão ficar em pé na região.
Essas unidades produziram cerca de 1,94 bilhão de litros de álcool, aumento de 42% em relação à safra 2007/08, e 3,114 milhões de toneladas de açúcar, elevação de 10,5% sobre a temporada passada. Segundo Luciano Sanches Fernandes, presidente da Biocana, o aumento da produção reflete os recentes investimentos das usinas em novos projetos. “A elevação da produtividade e capacidade de moagem das usinas também contribuíram para o aumento da moagem de cana na região”, afirmou.
Apesar da elevação da oferta de cana na região, essas usinas também foram fortemente atingidas pela crise financeira. Parte delas ainda está em plena colheita. “A escassez de crédito prejudicou o setor”, afirmou Fernandes. Muitas renegociam dívidas e pagamentos para seus fornecedores de cana, afirmou Fernandes, que também preside o grupo Cerradinho, com duas unidades produtoras em operação e um projeto em construção em Goiás. “O grupo processou 6,4 milhões de toneladas em 2008/09 e deverá moer cerca de 9 milhões de toneladas de cana em 2009/10, quando a unidade de Goiás entrar em operação a partir de maio”, disse Fernandes.
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Brasília ganha o primeiro bairro verde
BRASÍLIA, 8 de janeiro de 2009 – Um dos maiores empreendimentos dos últimos dez anos no Distrito Federal deve começar a sair do papel já na semana que vem. A Terracap, empresa pública que gerencia a venda de terrenos para construção em Brasília, deve lançar na próxima segunda-feira, o edital de licitação dos primeiros terrenos do setor Noroeste. A empresa espera o retorno do governador José Roberto Arruda à cidade para oficializar o lançamento imobiliário.
Ao todo serão 20 quadras, distribuídas em 11 lotes, equipadas com novos modelos de habitação que respeitam a natureza. A primeira licitação será de 55 projeções residenciais e 35 comerciais. Esse número é 25% da área total disponível para a venda – 220 projeções residenciais e 140 comerciais. Anúncios anteriores da própria Terracap estimavam que a venda desses terrenos deverá render cerca de R$ 1 bilhão aos cofres da empresa.
O bairro será destinado às classes A e B. Especialistas estimam que o metro quadrado no Noroeste custará de R$ 8 mil a R$ 10 mil, em média. Assim, um apartamento de 100 m, por exemplo, custaria entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão, valor acima da média cobrada no Plano Piloto ou no Setor Sudoeste – considerado um bairro com imóveis semelhantes.
Área de preservação
O rigor aplicado às construções na área tem uma razão legal: o terreno de quatro milhões de metros quadrados fica na Área de Preservação Ambiental (APA) do Planalto Central, com gestão do governo federal e terá que ser licenciado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama).
O fato de o Noroeste estar localizado próximo a reservas ambientais como, por exemplo, o Parque da Água Mineral, obrigou que os projetos de urbanização da área passassem pelo crivo do órgão responsável pela preservação ambiental para garantir a manutenção das características naturais da área. A proposta do governo do Distrito Federal é transformar a área no primeiro bairro verde, com construções ecologicamente corretas.
A primeira obrigação que o governo terá que cumprir é a criação de uma Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) entre o Noroeste e o Eixo Monumental. Esse parque receberá o nome de Cruls – homenagem à missão que desbravou o Planalto Central no século 19, comandada pelo belga Luiz Cruls. Além disso, o bairro vai contar com o Parque Burle Marx, cujo projeto está bastante adiantado, e deve começar a ser construído ainda este mês.
“O Noroeste será o bairro mais moderno de Brasília. Nossa proposta é que seja ecológico, com reaproveitamento de água da chuva, usina de lixo, central de gás para abastecimento das residências e ciclovias”, afirma o presidente da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), Antonio Gomes.
Edifícios modernos
As exigências feitas pelo Ibama obrigarão o governo e as construtoras vencedoras das licitações a cumprirem uma série de recomendações para minimizar o impacto ambiental. A primeira delas é a utilização inteligente da energia elétrica. Os prédios contarão com sistema de aquecimento solar para reduzir o uso da rede elétrica convencional.
Outra preocupação do governo é com as redes de captação de água pluvial e esgoto do bairro. A água da chuva terá sistemas de coleta para que possa abastecer as lagoas do Parque Burle Marx. Esse sistema evitará o desperdício de água e a erosão do terreno. A água utilizada pelos moradores, que antes iria direto para o esgoto, também terá um destino diferente. Parte será reciclada e utilizada para a irrigação da área verde dos prédios.
“Vamos nos amparar no projeto de Brasília, mas com novas tecnologias e metodologias de construção. O que há de mais moderno será usado e pensado para construir o bairro”, afirma o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Luiz Carlos Attié. Outro cuidado que o projeto contempla é o recolhimento de lixo produzido, que deverá ser obrigatoriamente separado entre lixo seco e orgânico. Uma rede de canos sairá de todos os edifícios e levará o lixo, por meio de um sistema de sucção, para as centrais de detritos, que ficará fora do bairro, o que exclui a circulação de caminhões de lixo dentro da área, diminuindo a poluição sonora e o tráfego local.
Infra-estrutura em xeque
Da mesma maneira que as construtoras terão de usar recursos mais modernos na construção dos prédios, o próprio governo do Distrito Federal terá que se enquadrar em exigências para tentar não repetir erros comuns em Brasília, como a falta de estacionamentos, excesso de lojas e funcionamento de bares causando muito barulho em áreas residenciais.
Uma das inovações é a obrigatoriedade da existência de estacionamentos subterrâneos nas quadras comerciais. As lojas serão separadas dos bares e restaurantes, que serão construídos longe dos prédios residenciais para evitar o incômodo sonoro, que hoje é comum nas asas Sul e Norte.
O governo aposta que o novo setor será o bairro mais verde de toda Brasília. Os parques serão integrados às quadras comerciais. O Ibama ainda promete monitorar os estudos e projetos de infra-estrutura do bairro, bem como as áreas e planos de preservação que deverão ser criados para conservar a fauna e a flora do Cerrado.
O projeto já conta com a licença de instalação concedida pelo Ibama do Distrito Federal, que estabelece algumas exigências ambientais e permite que a Terracap contrate empresas para começar as obras de infra-estrutura do bairro, como redes de água, esgoto, drenagem e pavimentação, simultaneamente à construção dos prédios. A licença de instalação permite que as obras de infra-estrutura do novo bairro sejam concluídas em até seis anos, mas a Terracap pretende agilizá-las e completá-las em cinco.
(Lia Kunzler – Gazeta Mercantil)
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Odebrecht acelera plano de produzir álcool em Angola
Yan Boechat, de São Paulo
07/01/2009
Depois de dois anos de pesquisas, testes de produtividade e escolha das melhores espécies, a Odebrecht e seus parceiros angolanos iniciam neste mês o plantio final de cerca de 4 mil hectares de cana-de-açúcar em uma fazenda nas proximidades da hidrelétrica Capanda, construída pela mesma Odebrecht durante os períodos mais duros da guerra civil no país, nas décadas de 80 e 90. O projeto, que ganhou o nome de Biocom, é uma joint venture firmada entre a companhia brasileira, a gigante petrolífera angolana Sonangol e a Damer, um grupo privado do país africano. O objetivo da Biocom, onde a Odebrecht tem 40% das ações, é já a partir de 2012 produzir anualmente 250 milhões de toneladas de açúcar, 30 mil metros cúbicos de etanol e 160 mil megawatts com a queima dos resíduos da produção.

Rangel, da Odebrecht: Queremos atender o mercado interno inicialmente (foto: Anna Carolina Negri/Valor)
Prestes a completar 25 anos de operação em Angola, a Odebrecht caracterizou-se no país como uma construtora de obras de infra-estrutura, principalmente viária e elétrica, e investidora em minas de diamantes, uma das maiores riquezas locais. Além disso, nos últimos anos, tem atuado de forma consistente em um mercado imobiliário que vive um momento de expansão inédita, assim como todo o país, que nos últimos três anos cresceu a uma média de 20%. A Biocom é o primeiro investimento direto da companhia brasileira em Angola em produção agrícola e geração de energia. “Angola tem uma potencial agrícola gigantesco, um mercado expressivo, mas hoje não está produzindo nada”, diz Humberto Rangel, diretor de desenvolvimento de negócios da Odebrecht Angola, unidade ligada diretamente à Construtora Norberto Odebrecht no Brasil.
O investimento previsto para a Biocom é de US$ 200 milhões. Apesar de não revelar quanto colocará no projeto, dificilmente a Odebrecht deve investir menos que US$ 80 milhões. A idéia é de que em 2012 a área plantada chegue a 24 mil hectares para que a usina, que está sendo construída no local, possa operar próximo de sua capacidade total. A maior parte dos equipamentos já está sendo instalada e a idéia é realizar a primeira colheita em 2010.
Apesar de todo o potencial de exportação do etanol, nesse primeiro momento a intenção da Odebrecht, que está operando o projeto, é atender basicamente o mercado interno. Destroçada por uma guerra civil de quase 3 décadas, Angola importa absolutamente tudo que consome, inclusive o açúcar, commodity da qual já foi uma grande exportadora. “Há mercado de sobra em Angola, nesse momento não pensamos em exportar nem o açúcar nem o etanol que será produzido por lá”, diz Rangel.
Angola é uma das principais operações da Odebrecht no exterior. Hoje o país africano é a sexta maior receita da construtora no mundo, incluindo o Brasil, que em 2007 atingiu R$ 8,8 bilhões. A operação africana, que também engloba Moçambique, é responsável por 19% desse faturamento e por 16% da carteira de contratos firmes de R$ 17 bilhões com vencimento em 2011. A Odebrecht não revela números individuais, mas levando-se em conta as 40 obras que a empresa realiza hoje no país e os investimentos em mineração e no mercado imobiliário, é fácil estimar que Angola seja a maior responsável pelos números africanos totais da empresa.
Crescendo a taxas muito maiores que as chinesas, Angola deve ampliar ainda mais sua importância para a companhia brasileira. Neste ano o governo do país deve definir os detalhes de um projeto nacional de geração de energia que vai englobar a construção de duas usinas com capacidade total de mais de 5 mil megawatts. Hoje Angola produz pouco mais de mil megawatts e a maior responsável por isso, com cerca de 50% da capacidade do país, é a usina de Capanda, construída pela Odebrecht. “O setor hidrelétrico é muito interessante para nós, estamos muito atentos às oportunidades que surgirão”, diz Rangel. Apesar de afirmar não pretender operar as novas usinas, o executivo não descarta a possibilidade de a Odebrecht vir a ser uma das investidoras no projeto.
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06/01/2009 – 15h32
Ônibus de São Paulo e do Rio de Janeiro já circulam com diesel menos poluente, dizem entidades
da Agência Brasil, em São Paulo
Os ônibus das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro estão sendo abastecidos com um combustível menos poluente, com quantidade de enxofre 90% menor do que o utilizado até o final de 2008. A medida integra a primeira fase do acordo judicial firmado entre Ministério Público Federal (MPF), empresas e órgãos federais para redução do nível de enxofre do diesel vendido no país.
De acordo com os sindicatos de empresas de transporte coletivo de São Paulo e Rio de Janeiro, o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi firmado em setembro. A frota de ônibus das duas maiores cidades do país é primeira a usar o diesel menos poluente.
O MPF, que acompanha o cumprimento do TAC, informou na segunda-feira (5) que não há notícias sobre desrespeitos aos termos do acordo. De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, todos signatários do acordo –Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Agência Nacional do Petróleo (ANP), Petrobras e Ministério do Meio Ambiente– devem enviar relatórios sobre as ações tomadas para a adequação. Assim o MPF, poderá monitorar a questão.
Desde 1º de janeiro, eles não podem mais rodar com o combustível tipo S500 –com 500 partes por milhão (ppm) de enxofre no diesel. Só podem usar o diesel S50 –com 50 ppm de enxofre.
“Os ônibus de todas as empresas já estão rodando com o diesel S50″, garantiu o gerente de Operações da Fetranspor, Guilherme Wilson, referindo-se aos cerca de 7.500 ônibus, de 45 empresas cariocas de transporte coletivo urbano. “Agora, vamos analisar, ônibus por ônibus, o quanto a mudança no combustível reduziu a quantidade de poluentes emitidos”, informou.
De acordo Guilherme Wilson, pesquisas realizadas por algumas montadoras demonstram que o corte de 90% no nível de enxofre causa uma queda de 10% a 40% da emissão de partículas poluentes. Esse material particulado, disse Wilson, está entre as substâncias mais danosas ao ser humano emitidas pelos automóveis, ônibus e caminhões movidos a diesel.
“Ao que tudo indica, o abastecimento com diesel S50 está sendo feito”, complementou Carlos Alberto de Souza, diretor-executivo da SP-Urbanuss.
Souza explicou que não foi possível consultar as 16 empresas filiadas ao sindicato para checar a adaptação. Afirmou, contudo, que seguramente a grande maioria dos 8.400 ônibus da frota paulistana já usa o diesel com menos enxofre.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, as próximas fases do TAC preveem a substituição de todo diesel vendido em Belém, Fortaleza e Recife para o dia 1º de maio.
A partir de agosto, será a vez da substituição do diesel dos ônibus que rodam em Curitiba.
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Inovação precisa mirar sustentabilidade
Gazeta Mercantil (Brasil)
6 de Janeiro de 2009 – Principal motor do crescimento, a inovação também está relacionada à capacidade de antecipar cenários, tendências e, consequentemente, à perenidade de uma organização. O termo inovação sustentável faz referência, portanto, a capacidade inovadora de uma empresa que se mantém viva ao longo dos anos, mas também a soluções que ofereçam respostas aos dilemas sociais, ambientais e econômicos.
Para Moysés Symantob, pesquisador e co-fundador do Fórum de Inovação da Fundação Getúlio Vargas – São Paulo, não há como discutir a inserção da sustentabilidade na estratégia da companhia, sem envolver os processos de inovação. “Organizações e inovações sustentáveis são cara e coroa da mesma moeda. O estado de uma empresa em um determinado momento é resultado das inovações do passado. Então, como fazemos, hoje, que as companhias orientem os critérios econômicos, sociais e ambientais para gerar produtos que sejam úteis para a sociedade e, ao mesmo tempo, se co-responsabilizem pelo ciclo total de vida dos seus serviços, soluções e produtos? Essa é uma questão-chave”, afirma.
O primeiro passo para construção de uma cultura de inovação voltada para a sustentabilidade é, na verdade, uma pergunta: “para que inovar?”. Esse simples questionamento pode reorientar a estratégia da companhia em busca de soluções sustentáveis.
“Ninguém é contra o florescimento e a inserção de novidades no mercado. Mas é necessário que a inovação atenda às múltiplas dimensões da sustentabilidade em bases sistemáticas, que colha os resultados esperados pela empresa, pela sociedade e pelo meio ambiente”, ressalta.
E o campo para desenvolvimento de inovações sustentáveis vai desde a eliminação de substâncias tóxicas, redução de quantidade de matéria-prima e energia por unidade produzida até o aumento da vida útil do produto.
No entanto, na maioria das empresas ainda prevalece a idéia de oferecer algo a mais e, segundo Henrique Rattner, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), não necessariamente mais seguro, mais limpo ou mais eficiente. “A inovação normalmente está associada ao novo. No entanto, essa filosofia não faz muito sentido do ponto de vista da racionalidade do Planeta. Isso porque há produtos que podem perfeitamente servir por muito mais tempo sem prejuízo nenhum, mas o consumidor é estimulado, induzido e muitas vezes até condicionado pela propaganda a adquirir novos produtos”, afirma Rattner.
“Decifra-se ou serás devorada”
Conhecer a fundo as competências e incapacidades da empresa é pré-requisito para a inovação. De acordo com Symantob, da FGV, as empresas inovadoras sustentáveis, são, antes de tudo, grandes psicanalistas de si mesmas. Essa é uma habilidade que, segundo ele, a Embraer desenvolveu muito bem. Como sabia que não conseguiria produzir aeronaves grandes, a companhia brasileira decidiu usar o conjunto de suas competências para bater fabricantes de máquinas de vôos regionais, como a Bombardier.
A conexão com pólos de conhecimento, acesso a matérias-primas essenciais, custo de mão-de-obra competitivo, conhecimento do mercado de rotas curtas e flexibilidade produtiva são os pontos fortes da empresa. Ao reconhecê-los, ficou mais fácil – crê Symantob – traçar uma estratégia e centrar seus esforços de inovação.
O desenvolvimento de tecnologias mais limpas é hoje uma das principais apostas da Embraer. Em 2004, a empresa lançou o pulverizador Ipanema, primeiro avião no mundo a operar totalmente com biocombustível (álcool). A tecnologia foi premiada pela revista Scientific American como uma das 50 invenções mais importantes de 2005.
Para Guilherme Freire, diretor de estratégias e tecnologias para o meio ambiente da Embraer, o investimento em pessoas e o compromisso da alta administração com o tema foram fatores essenciais para construção de uma cultura de inovação fundamentada na sustentabilidade. A cooperação é outro aspecto que a Embraer procura desenvolver. “Valorizamos a colaboração não só entre os funcionários, mas também com a Academia. Temos algumas parcerias com o Massachusetts Institute of Technology (MIT) para tratar de pontos específicos que toda a indústria trabalha, entre eles o desafio das mudanças climáticas”, explica Almeida.
De acordo com Symantob, da FGV, a Embraer consegue desenvolver e lançar novos produtos acompanhando as necessidades do mercado porque a inovação está consolidada em sua cultura. Ainda segundo o especialista, para tornar o processo de inovação contínuo, a organização deve, portanto, “abrir seu próprio DNA” e, se for preciso, transformá-lo por meio da criação de novas competências, da correção de rumos, do abandono de recursos improdutivos que não reproduzam o valor do capital.
“A companhia precisa formular estratégias ancoradas na sua identidade. Deve fazê-lo em atenção ao chamado da mitológica esfinge, monstro épico destruidor da cidade de Tebas, apenas derrotado após a resolução do enigma, que parafraseado ficaria: decifra-se, ou serás devorada”, ressalta.
Empresa sou “eu” Como pressupõe o próprio nome, a responsabilidade social traduz em compromissos a proposta de desenvolvimento sustentável. Partindo desse princípio, o professor da FGV defende que os funcionários tenham consciência de que respondem pela companhia. “As pessoas contratadas para a organização precisam trazer algumas características, como a clareza de que vão trabalhar em uma organização comercial, cuja parte do resultado final será responsabilidade dela. Os profissionais precisam aprender a pensar e agir sempre na primeira pessoa do singular.”, exemplifica.
O Grupo Orsa é um bom exemplo de integração do conceito de sustentabilidade ao negócio e de cultura interna predisposta para o tema. Segundo Rosana Orlando, coordenadora de Responsabilidade Social Empresarial e Sustentabilidade da companhia, os funcionários requerem atenção especial. “É preciso trabalhar a cultura organizacional e, sobretudo, conscientizar as pessoas da sua parcela de responsabilidade como cidadãos e como empregados. É importante que os funcionários se sintam fazendo parte dos resultados da empresa e, consequentemente, da diminuição do impacto das atividades do negócio no meio ambiente”, ressalta.
No Wal-Mart, as responsabilidades dos funcionários são reforçadas por meio do “Projeto Pessoal para a Sustentabilidade” . O programa incentiva a mudança de atitude em sete temas: compras responsáveis, redução e reciclagem de resíduos saúde e bem-estar, energia, água, mobilização e voluntariado. O PPS já conta com mais de 32 mil adeptos, que escolheram seu campo de atuação, comprometendo-se a adotar valores sociais e ambientais em sua vida cotidiana.
Para Daniela Di Fiori, vice-presidente de assuntos corporativos e sustentabilidade do Wal-Mart, estimular o desenvolvimento do tema no âmbito do indivíduo é fundamental para que a sustentabilidade seja incorporada efetivamente ao modo de pensar da empresa. “O projeto pessoal para a sustentabilidade é uma das formas trabalhadas para estimular os funcionários a incorporarem a preocupação socioambiental e com a qualidade de vida. Um dos objetivos é mostrar que ações simples podem fazer a diferença”, destaca.
Redes de conhecimentoCiente de que o conhecimento é o principal capital de uma organização, a IBM tem procurado desenvolver ambientes nos quais as pessoas possam registrar e compartilhar suas idéias.
“Em uma economia global, largam na frente as organizações que conseguem criar grandes comunidades a fim de agregar todo o conhecimento espalhado. Por isso, procuramos criar ferramentas capazes de integrar as pessoas”, explica Mauro Segura, executivo de comunicação da IBM.
O Innovation Jam é um evento emblemático desta filosofia de colaboração da companhia. Criado em 2001, e realizado uma vez por ano, o fórum virtual era voltado apenas para o público interno. Mas a partir de 2006, passou a integrar familiares dos funcionários, clientes e formadores de opinião sempre em torno da idéia de discutir tendências e oportunidades de negócios.
No Innovation Jam de 2007, a companhia selecionou 10 idéias. Com base nelas, está investindo US$ 100 milhões no desenvolvimento de novos modelos de negócios, entre os quais uma linha de soluções verdes. A IBM já identificou três áreas de interesse inicial: modelagem hídrica avançada; filtragem hídrica por meio de nanotecnologia e sistemas eficientes de energia solar.
Em 2008, o evento teve como tema inovação e sustentabilidade. A plataforma registrou 32 mil comentários postados e mais de 1,5 milhão de visitas. As idéias estão sendo organizadas e orientarão a estratégia da companhia. “O grande desafio é não perder de vista as necessidades das pessoas e voltar-se para aquilo que realmente vai ser útil para o cliente e para a sociedade como um todo. Não é simplesmente a inovação pela inovação”, ressalta Ruth Arada, diretora de cidadania corporativa da IBM.
(Gazeta Mercantil/Caderno A – Pág. 10)(Juliana Lopes – Revista Idéia Socioambiental)
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