Sustentabilidade e Negócios
6/01/09Elogios internacionais ao etanol produzido no Brasil
6 de Janeiro de 2009 – Em novembro, a cidade de São Paulo foi palco da Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, promovida pelo governo federal. Com a presença de delegados de 92 países, o encontro teve como meta a promoção dos benefícios do etanol e a quebra de barreiras internacionais para a comercialização do combustível. Desta forma, caminha-se rumo à transformação do etanol em uma commodity mundial.
O interesse de diversos países em nosso combustível não é novidade. Há algumas semanas, o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, telefonou para Luiz Inácio Lula da Silva e elogiou o programa de biocombustíveis do Brasil. Os Estados Unidos é o maior mercado do brasileiro para a exportação do etanol. Na ocasião, a menção quase tímida de Obama à nossa energia renovável foi encarada como um grande avanço nas negociações para a quebra de barreiras internacionais ao etanol do Brasil, além de sinalizar uma disposição dos norte-americanos em rever as políticas de comércio exterior entre os dois países.
Com diferenciais competitivos de alto valor agregado, o etanol brasileiro representa a possibilidade de distribuir ao mundo uma fonte limpa, sustentável e economicamente viável. Vale ressaltar ainda queo resíduo do processo das usinas sucroalcooleiras ainda reforça a matriz energética brasileira, com a possibilidade de gerar energia elétrica, por meio do bagaço e da palha da cana-de-açúcar.
Os pontos positivos do etanol do Brasil despertam ainda o interesse de países como Japão, Suécia, Arábia Saudita, Holanda, Alemanha, México e Estados Unidos. Neste ano, as usinas brasileiras receberam diferentes delegações internacionais, que vieram conhecer o processo produtivo aplicado na área agrícola e industrial. Exemplo deste potencial e reconhecimento foi à distribuição para a Suécia, em julho, do primeiro embarque de etanol com a verificação de importantes critérios de sustentabilidade. A operação comercial foi resultado de um contrato pioneiro firmado entre as usinas brasileiras Alcoeste, Cosan, Guarani e NovAmérica com a empresa sueca Sekab – a maior compradora de etanol brasileiro na Europa.
O acordo demonstrou a iniciativa das companhias envolvidas no contrato em dar um primeiro passo para um processo de melhoria contínua para atender a um dos mais exigentes consumidores do mundo. É importante notar que as usinas foram capazes de atender às exigências do consumidor europeu sem alterar práticas correntes de operação.
Todos esses atributos do etanol brasileiro devem ser valorizados não apenas na Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, mas principalmente no dia-a-dia do nosso presidente Lula – caso queira continuar ressaltando nossas potencialidades.
No momento em que se encontra a economia atual, serão necessários fortes investimentos no setor para que ele não perca a competitividade e seu desempenho frente ao mercado externo.
A morosidade na homologação e repasse dos recursos financeiros por parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) irá implicar tanto descrédito como baixa contribuição para a economia nacional.
Um dos pontos mais carentes de investimento do governo está na ampliação da matriz energética nacional por meio do setor sucroalcooleiro. Com a crescente demanda do País por energia elétrica, as usinas surgem como importante alternativa para garantir o desenvolvimento e equilíbrio brasileiros na cogeração de energia.
Além de ser renovável, a energia produzida pelo bagaço e palha da cana-de-açúcar tem a virtude de ampliar o fornecimento de eletricidade justamente num período de escassez de chuvas, quando os reservatórios das hidrelétricas e represas alcançam seus níveis mais baixos. Caso houvesse incentivo do governo, as usinas brasileiras poderiam gerar energia equivalente a hidrelétrica de Itaipu.
Com os devidos repasses, o setor ganha fôlego para dar andamento aos projetos de construção, ampliação e manutenção das usinas, além de gerar novas e boas oportunidades de comércio no exterior e no País. O governo federal também sai ganhando, porque pode potencializar sua liderança regional e global e firmar-se como exportador de know-how e tecnologia de produção.
(Gazeta Mercantil/Caderno A – Pág. 3) PEDRO MIZUTANI* – Vice-presidente geral da Cosan )
ANP quer investir em pesquisas na área de biodiesel
Patrick Cruz, de São Paulo
05/01/2009
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) pretende usar em 2009 parte de sua dotação para pesquisa também em projetos de biodiesel. A intenção da ANP é acelerar o processo de redução da dependência que o Brasil ainda tem da soja para a produção do biocombustível.
Entre os focos das pesquisas estará o uso do pinhão-manso com matéria-prima. “Ele não é usado para nada, não serve como alimentação nem disputa área com os alimentos”, diz Edson Silva, diretor de abastecimento da ANP. “O que o pinhão-manso precisa é escala”.
Por lei, as empresas petroleiras destinam à agência 1% da receita com a exploração de grandes campos. Os recursos são reservados para projetos de pesquisa e desenvolvimento na área de combustíveis. Metade dessa verba é utilizada em projetos de pesquisa desenvolvidos pelas próprias companhias. A outra metade destina-se a estudos que têm universidades e institutos de pesquisa à frente.
Hoje, apenas projetos ligados à cadeia petrolífera têm sido financiados por essa verba, segundo Silva. “Mas não há impedimento para o uso dos recursos também no biodiesel. A agência é de petróleo, gás natural e biocombustíveis”, diz. Em 2008, o 1% recolhido pela ANP representou cerca de R$ 950 milhões.
O programa brasileiro de biodiesel surgiu com a bandeira de incentivo à adoção da mamona como matéria-prima, alternativa então tida pelo governo como a ideal para a participação da agricultura familiar na recém-nascida indústria. No entanto, a baixa produtividade e a produção concentrada na agricultura de pequena escala mantiveram as usinas afastadas da oleaginosa. A própria ANP editou em 2008 uma resolução em que considerou a viscosidade da mamona imprópria para a produção de biodiesel sem a adição do óleo de outras matérias-primas.
A redução da dependência da soja, matéria-prima de mais de 70% da produção nacional de biodiesel, é um dos dois desafios do setor neste ano, avalia Silva. “É natural que a soja tenha surgido como fonte principal: ela tem uma estrutura bem montada, profissional e tem escala, mas precisamos diversificar as matérias-primas”.
O segundo desafio, diz o executivo, é o da redução dos custos. O recurso exigido para a produção de um litro de biodiesel é mais alto que o de um litro de diesel convencional. “Mas é um preço que, acredito, a sociedade está disposta a pagar. O biodiesel é um combustível renovável, agride menos o meio ambiente – o que pode reduzir os gastos do Estado com saúde – e, por ser produzido aqui, diminui nossa dependência do diesel importado”, disse. “O custo não pode inibir o aumento do percentual de adição obrigatória”.
No dia 1º de janeiro, a mistura compulsória de biodiesel com diesel à base de petróleo completou um ano. Com obrigatoriedade inicialmente estabelecida em 2%, a adição passou a 3% em julho, embora a indústria tenha mantido a expectativa de elevação para 5% ainda em 2008. O cronograma prevê elevação a esse patamar apenas em 2013.
De forma surpreendente, avalia Silva, os maiores entraves do programa ocorreram na primeira metade do ano, quando ainda vigorava a mistura de 2%. “Os seis primeiros meses foram razoáveis. Não houve problemas de abastecimento, mas de entrega e de pagamento. O programa era muito recente e o mercado ainda estava se adaptando a ele”.
No primeiro semestre, foi necessária a realização de quatro dos chamados leilões de segurança – diferentemente dos leilões convencionais, realizados pela ANP, os de segurança são feitos pela Petrobras para recomposição de estoques. No segundo semestre, apenas duas dessas rodadas adicionais foram exigidas, afirma Silva.
Já em seu primeiro ano, o uso obrigatório de biodiesel no Brasil foi marcado também pelos problemas financeiros da Agrenco e da Brasil Ecodiesel, então a maior empresa do setor no país. “No começo houve uma canibalização de preços muito grande. Não é juízo de valor, mas uma constatação: quem foi mais arrojado se deu pior e as mais cautelosas, muitas vezes, até anteciparam entregas”, disse. Apesar dos problemas, no intervalo de 12 meses, o número de usinas autorizadas a operar passou de 43 para 62 e a capacidade instalada do setor cresceu de 2,42 bilhões para 3,76 bilhões de litros.
Caixa só financiará quem usa madeira legal
SÃO PAULO, 2 de janeiro de 2009 – A partir de hoje, a Caixa Econômica Federal vai exigir o uso de madeira de origem comprovada nos empreendimentos imobiliários que for financiar. Acordo entre a Caixa, o Ministério do Meio Ambiente e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pretende coibir o uso de madeira ilegal, geralmente retirada em desmatamentos na Amazônia.
Nas construções imobiliárias, há utilização de grandes quantidades de madeira em andaimes, forros e esquadrias, por exemplo.
A Caixa vai incluir nos contratos firmados com as construtoras um cláusula que torna obrigatória a apresentação do Documento de Origem Florestal (DOF) – documento virtual que comprova a origem, a quantidade e finalidade da madeira consumida. A regra não vai atingir pessoas físicas que financiem material para compra ou reforma de imóveis.
De acordo com o Ibama, o DOF garante que a madeira tem origem em desmatamentos autorizados – quando proprietários de terra derrubam os 20% de sua propriedade a que têm direito, no caso da Amazônia – ou de manejos florestais – quando apenas as grandes árvores de valor comercial são retiradas da floresta.
O instituto vai treinar funcionários da Caixa para consulta ao Sistema DOF para que tenham acesso à informações da madeira usada pelas construtoras. Para as empresas, a orientação é procurar uma das unidades do Ibama nos estados para inscrição ou regularização em um cadastro federal para movimentação de madeiras.
Até 30 de junho, a ação terá caráter educativo, segundo a Caixa. Após essa data, as empresas que não apresentarem os documentos não terão acesso a novos financiamentos do banco e serão investigadas pelo Ibama.
As informações são da Agência Brasil.
(Redação – InvestNews)
Vereadores aprovam a criação de taxa ambiental
RIBEIRÃO PRETO, 30 de dezembro de 2008 – A Câmara de Ribeirão aprovou ontem, em sessão extraordinária, a criação de uma taxa de análise e licenciamento ambiental. A taxa vai ser cobrada pela prefeitura dos empreendimentos que ofereçam baixo impacto ambiental e cujos licenciamento e fiscalização dependam do município.
O valor da taxa varia de 10 a 30.000 Ufesps (Unidades Fiscais do Estado de São Paulo), segundo o grau de complexidade das atividades do empreendimento, o que vai exigir maior ou menor número de técnicos da prefeitura envolvidos na análise de pedidos de licenciamento. A Ufesp vale R$ 14,88.
Já as regras sobre como a cobrança será feita vão ser estabelecidas só no próximo ano, por exigência dos vereadores. Gilberto Abreu (PV) apresentou emenda exigindo que a administração crie uma tabela apontando os valores das taxas de acordo com os tipos de empreendimento. Também ficou garantido que todo valor arrecadado seja destinado ao Fundo Municipal do Meio Ambiente, existente desde 2004. “Nós precisamos aprovar a criação da taxa este ano para que ela possa ser cobrada no próximo.”
Segundo o convênio celebrado entre a prefeitura e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente neste mês, passarão a ser licenciados pelo município e não mais pela Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) empreendimentos como fábricas de sorvetes, biscoitos e calçados, além de serralherias.
Já entre as licenças que eram emitidas pelo DEPRN (Departamento Estadual de Proteção aos Recursos Naturais), passam para o município as obras de ampliação de vias urbanas, desassoreamento de córregos e lagoas, construção e ampliação de pontes e implantação de corredores de transporte. (Folha de S.Paulo)
Energia sustentável movimenta canaviais
SÃO PAULO, 26 de dezembro de 2008 – O aumento do consumo de etanol em veículos leves bicombustíveis (flex fuel) e o crescente uso do bagaço e da palha na geração de energia imprimem nova configuração à matriz energética brasileira. A cana-de-açúcar e seus co-produtos são a segunda fonte de energia no País e representam 16% da oferta, atrás apenas do petróleo.
Apesar dos efeitos da crise financeira internacional sobre o setor, a produção de cana-de-açúcar deverá continuar aumentando. Espera-se que a safra 2009/2010 seja mais alcooleira, com a cana sendo destinada, principalmente, para a produção de etanol hidratado. As novas unidades que entram em operação no próximo ano vão produzir mais etanol e o desempenho da indústria automotiva continuará aquecido. Para os brasileiros o etanol hidratado deverá ser a melhor alternativa de combustível em detrimento da gasolina.
De acordo com Alexandre Strapasson, diretor do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o interesse pela produção de energia renovável por meio da agricultura influenciou o setor agropecuário, porém a área utilizada ainda é pequena perto da disponibilidade de terras no Brasil. Atualmente, a cana-de-açúcar ocupa 8,4 milhões de hectares, menos de 1% do território nacional, enquanto a pecuária abrange mais de 170 milhões de hectares. “O aproveitamento dos co-produtos da cana como o bagaço e a palha estão sendo pesquisados como fonte de celulose para a produção de etanol de 2ª geração, além de papel, polímeros, ração animal e outros produtos. As usinas se transformarão em biorefinarias geradoras de açúcar, etanol, eletricidade, produtos de alcoolquímica e créditos de carbono”, disse Strapasson.
Strapasson informou ainda que as exportações de etanol deverão alcançar cerca bilhões de litros em 2008 contra os 3,5 bilhões de 2007. (Redação – InvestNews)


