Arquivo de fevereiro, 2009

SUSTENTABILIDADE E NEGÓCIOS

26/02/09

Indústria química inova com tinta e verniz ecológicos

Guilherme Calderazzo, para o Valor, de São Paulo
26/02/2009

A Starquímica , de Indaiatuba (SP), acaba de desenvolver uma linha de produtos para pintura de automóveis a base de água, sem solventes, e ecologicamente correta. A vitrine para divulgação da novidade será a oficina Auto Palace, de São Paulo, que presta serviços para seguradoras.

“É irreversível a tendência de o mercado se adaptar à sustentabilidade. Temos de agir nesse sentido, garantindo evolução social e econômica e a preservação do planeta”, diz Jaime Alexandre Vieiro, diretor-presidente da Starquímica. “Mostramos que uma empresa brasileira pode criar tecnologia de excelência com base nesses princípios.”

Com sete anos de atuação no mercado, colocada entre as três principais empresas no setor em que atua e com 150 funcionários, a Starquímica realiza investimentos elevados no próprio departamento de pesquisa, desde o nascimento, para oferecer produtos de qualidade e inovadores. “Só assim conseguimos aumentar nosso diferencial competitivo”, diz Vieiro. A empresa produz todas as resinas que utiliza na fabricação de tintas e, por isso, não importa matérias-primas. No caso da nova linha de produtos para a pintura de veículos, chamada de Acquastar, a Starquímica levou dois anos e meio para desenvolvê-la, concluindo o projeto no fim do ano passado.

Hoje, em geral, a pintura de um veículo exige a utilização de três produtos. Um deles, o primer, é aplicado sobre as peças cruas ou raspadas e serve de base para a pintura. Em seguida passa-se a tinta, ou a base coat, da mesma cor que o primer. Por fim, aplica-se o verniz sobre o local pintado, que dará o brilho e tornará a peça espelhada, com a ajuda posterior do polimento.

A maioria desses produtos ainda é a base de solventes. Dois deles, o primer e a tinta, já são produzidos a base de água nos mercados europeu e dos EUA. Até o fim do ano passado, ambos chegavam ao mercado brasileiro somente por meio da importação. A Starquímica é a primeira empresa a produzi-los internamente. E a inovação trazida pela companhia é ter desenvolvido o verniz a base de água.

Entre toda a produção da Starquímica, 600 mil litros de tinta por mês destinam-se apenas ao setor automotivo. A maioria dessa produção ainda é a base de solventes, mas a empresa tem como meta, até 2010, distribuir para esse setor em torno de um milhão de litros/mês, dos quais 50% à base de água. “Em futuro breve, esperamos produzir tinta automotiva somente a base de água”, diz Vieiro.

As vantagens desse tipo de pintura já podem ser vistas na Auto Palace. “Somos parceiros da Starquímica há um bom tempo, e essa tinta ecológica da empresa vem ao encontro dessa necessidade de sustentabilidade, já que atuamos num mercado competitivo e precisamos preservar o planeta”, diz Eduardo Vaz, diretor-presidente da Auto Palace.

A Auto Palace tem 50 funcionários e repara em média 250 veículos por mês, dos quais 200 só para pintura. A maioria deles chega à empresa por meio das parcerias formadas com sete seguradoras de automóveis. A partir de março, a Auto Palace será uma das 18 reparadoras de veículos de São Paulo a participar de um projeto-piloto para coleta de resíduos recicláveis, chamado Ecopalace, que ajudou a criar em parceria com o Sebrae, Cetesc, Ibama e Sindicato das Indústrias de Reparação de Veículos do Estado de São Paulo (Sindirepa).

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Comercializadoras miram a geração de biomassa

São Paulo, 26 de Fevereiro de 2009 – A expansão do interesse dos usineiros de cana-de-açúcar em investir na produção de energia elétrica está atraindo a atenção das empresas que comercializam eletricidade para os grandes consumidores do mercado livre, ambiente de negócio em que não há vínculo com uma distribuidora.

“Sempre focamos a nossa compra de energia nas PCHs (pequenas centrais hidrelétricas), mas agora a intenção é comprar mais eletricidade de biomassa das usinas sucroalcooleiras”, diz Paulo Toledo, sócio-diretor da comercializadora Ecom Energia.

A empresa é a primeira do mercado livre (que representa 25% do total da energia consumida no Brasil) a abrir uma filial no interior de São Paulo a fim de intensificar a relação com o setor sucroalcooleiro. “Estamos montando uma estrutura em Catanduva, local em que há concentração de usinas”, afirma Toledo.
O executivo explica que a Ecom Energia tem uma “estrutura forte com as pequenas centrais hidrelétricas, que será mantida”. “Porém, queremos aumentar em 100% o volume comercializado de energia de biomassa, para cerca de 150 megawatts médios”, estima Toledo.

A comercializadora Comerc, que também já negocia energia de biomassa, vê na fonte de energia produzida a partir do bagaço da cana-de-açúcar e de outros produtos uma boa oportunidade para ampliação da sua carteira de oferta. “O potencial brasileiro nesta fonte é muito grande e precisa ser aproveitado”, diz Marcelo Parodi, presidente da Comerc. A empresa vendeu no ano passado 20 MW médios de energia de biomassa e este ano já tem contratado 34 MW médios. A perspectiva da Comerc é que este número chegue, ainda em 2009, em pelo menos 80 MW médios.

Segundo estudo do Instituto Acende Brasil, com os canaviais brasileiros existentes o País poderia gerar mais de 14.000 megawatts (MW). Hoje, a participação da biomassa na matriz elétrica brasileira é de 4,31%, sendo 3,25% oriunda da cana-de-açúcar (1,5 mil MW médios), produzidos por 263 usinas, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Apesar da pouca representatividade na matriz do País, o crescimento geração a partir da biomassa é bastante significativo: entre 2005 e 2008, a eletricidade produzida a partir do bagaço da cana-de-açúcar cresceu 20%.

Fontes que se completam

Os executivos lembram ainda a complementaridade que há entre a fonte hidrelétrica e a biomassa de cana. “A PCH gera energia o ano inteiro, porém com mais intensidade no período úmido (de novembro a abril). A biomassa, por sua vez, só produz eletricidade durante o período de safra (entre abril e dezembro), portanto uma complementa a geração da outra”, avalia Toledo.Parodi ressalta a importância da complementaridade. “Desta forma, nós, os comercializadores, podemos mesclar as fontes e vender blocos de energia de um ano”, diz o presidente da Comerc.

Mais incentivo

“As PCHs que entraram em operação até 2002 têm 100% de desconto no chamado custo do fio, o que estimula muito a comercialização da energia. Para as usinas de biomassa o desconto é de 50%, mas poderia haver um incentivo ainda mais forte para a participação da biomassa crescer no mercado”, diz Marcelo Parodi.

Toledo, da Ecom, concorda com Parodi. “A biomassa, assim como a PCH, é uma fonte alternativa e, por isso, tem o desconto do fio. Mas poderia ter mais um incentivo”, defende o diretor da Ecom.

Ajuda governamental

Para Toledo, as usinas mais novas, sobretudo as localizadas no Mato Grosso do Sul e Goiás, que estão com dificuldades de se conectar à rede devido à distância das linhas de transmissão e ao alto custo, deveriam ter auxílio do governo para a instalação dos fios. “Todo tipo de expansão no setor elétrico tem que ter auxílio do governo”, diz, para completar: “As linhas de transmissão, após alguns anos, acabam se tornando das distribuidoras por concessão. Portanto, a construção poderia ser por conta destas empresas”, comenta Toledo. O diretor da Ecom diz ainda que as distribuidoras poderiam ter alguma contrapartida como um subsídio para a cobrança da tarifa daquela região. “Se o governo subsidiar a tarifa, a distribuidora seria remunerada mais para frente”, afirma.

Não é mais subproduto

Toledo lembra que, “de dois anos para cá, a energia passou a fazer parte do portfólio das usinas sucroalcooleiras”. “Eletricidade não é mais um subproduto para os usineiros. Além de açúcar e álcool, eles também querem produzir energia”. O diretor da Ecom o setor de biomassa como promissor e potencial gerador de liquidez no mercado de energia. “Com os recentes aumentos no preço da energia, as usinas de cana descobriram mais um produto, que é a eletricidade”, reforça.

De acordo com a Associação Paulista de Cogeração de Energia (Cogen-SP), o setor sucroalcooleiro vai aplicar R$ 45 bilhões até 2015 em projetos de cogeração. “As usinas já começaram a investir em energia e o negócio para nós está cada vez mais rentável e interessante”, diz Toledo.

(Roberta Scrivano)
Fonte: GAZETA MERCANTIL – SP

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CONTROLE DE EMISSÕES

26/02/09

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009, 21:41 

Google e Nasa se aliam para mostrar emissões de carbono

As imagens revelam a dispersão atmosférica desses combustíveis a cada hora, por região e por tipo
Efe

Divulgação/Nasa

EUA mapeados segundo emissões de carbono

WASHINGTON – Google e Nasa colocaram nesta sexta-feira, 20, à disposição dos internautas mapas mundiais que mostram com detalhe as emissões de combustíveis fósseis que contaminam a atmosfera terrestre.

As imagens, fornecidas pela Nasa e o Departamento de Energia de Estados Unidos, revelam a dispersão atmosférica desses combustíveis a cada hora, por região e por tipo, informou a agência espacial americana.
As emissões são formadas principalmente por dióxido de carbono (CO2), considerado o principal dos gases estufa que, segundo os cientistas, causaram um aumento global das temperaturas.

A criação dos mapas foi de responsabilidade de pesquisadores da Universidade Purdue, que receberam dados transmitidos pelo satélite Landsat 5 da Nasa e informação sobre as emissões de CO2 da Agência de Proteção Ambiental (EPA) e o Departamento de Energia.

“A difusão deste projeto no Google Earth leva a informação à casa de qualquer pessoa que tenha um computador”, disse Kevin Gurney, professor da Universidade Purdue.
“O nosso projeto fornece uma descrição de onde e quando a sociedade influi no clima através das emissões de dióxido de carbono”, acrescentou.

Gurney disse ainda que os mapas poderão determinar com precisão o nível de emissões de seu país em relação a outros e também qual é a atividade econômica que aumenta essas emissões.
Segundo o cientista, o projeto pode desmistificar ideias sobre a mudança climática e ajudar as pessoas a se informar sobre o nível de contaminação em seu país ou região.

“Será como calcular o rendimento de um carro movido à gasolina”, afirmou.

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Minc pede acordo para corte maior de CO2

Brasil defende que países pobres reduzam mais emissões em troca de ação semelhante em nações ricas
DA REPORTAGEM LOCAL
20/02/2009

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, defendeu em Nairobi, no Quênia, uma proposta chamada Espiral Descendente de Carbono, que prevê a responsabilidade conjunta, mas diferenciada, de países desenvolvidos e em desenvolvimento no enfrentamento ao aquecimento global.

Ele participou do encontro internacional promovido nesta semana pelo Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente). O ministro afirma que falta pouco tempo para a Conferência do Clima em Copenhague (Dinamarca), que acontece em dezembro, e que até lá é preciso que os países assumam metas mais ousadas de redução das emissões dos gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO2).

A proposta considera a provisão de recursos financeiros e a transferência de tecnologias limpas para as nações em desenvolvimento. A sugestão -em debate com o Itamaraty e o Ministério da Ciência e Tecnologia- ocorreu na Consulta Ministerial sobre Mudança do Clima, organizada pela Dinamarca, no Fórum Global de Ministros de Meio Ambiente.

Minc considera que os países ricos deverão aumentar a meta que têm admitido assumir até agora. A Alemanha, por exemplo, admite a meta máxima de 20% de redução das emissões de gases-estufa até 2020 (em relação às emissões de 1990), podendo chegar a 30% se as nações em desenvolvimento também se comprometerem com reduções. “É pouco, tem que ser de 40%”, afirma Minc.

Como contrapartida dos países em desenvolvimento, ele cita o exemplo do Brasil, que apresentou um Plano Nacional de Mudanças Climáticas em 2008, com meta de reduzir 70% do desmatamento da Amazônia até 2017.

Segundo Minc disse à Folha, a reação à proposta foi “variada”. “Alguns países ricos não admitem repassar recursos para países como a China, que é um grande emissor. Em sua opinião, a discussão não pode ficar em “menos, menos”, e tem que ir para o “mais, mais”, com maior esforço de todos os países nas reduções.

Amazônia perde

Em Nairobi foi apresentado o estudo do Pnuma GEO Amazônia. A pesquisa mostra que, ao longo da história, a floresta amazônica perdeu 17% de sua área original em oito países -Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. Os dados coletados vão até 2005. A área perdida de floresta é de 857,6 mil km2, o equivalente a 94% do território da Venezuela.
Minc afirmou que o Brasil é um dos poucos que estão reduzindo o desmatamento. Ele se comprometeu “ainda mais” a passar a tecnologia de monitoramento do Inpe para os demais países. (AFRA BALAZINA)

Fonte: FOLHA DE S. PAULO

ENERGIAS RENOVÁVEIS

26/02/09

18/02/2009 – 12h55

Tecnologia verde “floresce” na região dos EUA do Vale do Silício

da France Presse, em San Francisco
da Folha Online

Empresas dedicadas a energia limpa e outras “tecnologias verdes” devem reanimar a economia do Vale do Silício, no norte da Califórnia, que é lar de companhias como Intel, Apple, Google, Facebook e Yahoo!.

Reprodução

Vale do Silício, na Califórnia, deve ser “ressuscitado” pelo uso da tecnologia verde

Enquanto as empresas tradicionais acumularam queda de 1,3% em novembro, o investimento em tecnologia limpa cresceu 94% desde 2005, com crescimento de 23% o período a partir desse ano. Os dados são de uma pesquisa conduzida pela Fundação da Comunidade no Vale do Silício, que é feita anualmente e avalia a economia da região.

Os investimentos de capital no Vale do Silício caíram 7,7% em 2008, interrompendo o crescimento progressivo desde 2005.

“Nosso estímulo econômico foi ótimo ao longo dos anos, mas, agora, temos a inovação verde e o novo epicentro da tecnologia solar. Novas tecnologias e empregos no setor verde podem ajudar a economia do Vale do Silício a se restabelecer”, diz o executivo-chefe da fundação, Russel Hancock.

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009, 07:02

Esgoto e dejetos viram energia

Biodigestor misto, com dejetos humanos e animais, instalado em Cabrália Paulista (SP), tem alta eficiência

Niza Souza – O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO – O projeto de instalação de um biodigestor na Escola Técnica Estadual (Etec) Astor de Mattos Carvalho, de Cabrália Paulista (SP), mostra que é possível tratar esgoto sanitário doméstico juntamente com dejetos de criações comerciais, como suínos e aves. O biodigestor está em funcionamento há pouco mais de um ano e os resultados mostram que o processo elimina quase 100% dos coliformes fecais dos dejetos.

Sustentabilidade: resíduos de suínos já não são um problema

“A ideia é validar um sistema para o tratamento de esgoto de pequenas comunidades rurais”, diz o pesquisador Wilson Tadeu Lopes da Silva, da Embrapa Instrumentação Agropecuária, que coordena o projeto. Segundo ele, apesar de a Embrapa trabalhar com biodigestores há algum tempo, esta é a primeira experiência com dois tipos de dejetos tratados conjuntamente.

A proposta, diz, era saber se é possível trabalhar com ambos ao mesmo tempo, do ponto de vista da qualidade de eficiência do processo de saneamento. Por isso, a pesquisa avaliou a qualidade do material que entra e do que sai do biodigestor. “Concluímos que houve redução de coliformes fecais no produto final de 99,99%. O tratamento é muito eficiente”, diz.

Por enquanto, o único produto gerado pelo biodigestor em uso pela escola é o biogás, resultado do processo de biodigestão anaeróbio. Mas os estudos comprovaram que o efluente tratado tem grande quantidade de material orgânico, como nitrogênio, enxofre e outros micronutrientes. Por isso, os pesquisadores estudam a viabilidade de usar o efluente final do processo de tratamento como fertilizante.

A Etec tem um plantel de 50 suínos e os dejetos eram um problema, diz o diretor, Lourenço Magnoni Júnior. “Agora esse material até nos dá lucro.” O biogás está sendo usado para substituir o gás (GLP) da cozinha do colégio. “Reduzimos o gasto de 180 quilos de gás para 90 quilos por mês”, diz.

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ENERGIA EÓLICA

26/02/09

16/02 – 02:03

Analistas pedem mais importação para eólica

SÃO PAULO, 16 de fevereiro de 2009 – Para a fonte eólica deslanchar na matriz energética brasileira é preciso reduzir o índice de nacionalização (de 70%) dos equipamentos exigido pelo governo federal. A opinião é de especialistas do setor, que defendem um índice menos significativo, capaz de reduzir o custo de instalação das centrais motivadas pela força dos ventos.

“O alto índice de nacionalização tem sido um gargalo no setor, porque há poucos fabricantes de equipamentos instalados no Brasil e praticamente 100% da produção local é exportada. Portanto, para comprar em território nacional, além de pagar mais caro, o investidor precisa esperar para o equipamento ser disponibilizado”, diz Marcelo Parodi, presidente da comercializadora Comerc.

Atualmente, a fonte eólica tem participação irrisória na matriz energética brasileira, de apenas 0,36%. A fonte hídrica domina a geração de eletricidade, com quase 70% de participação.

Lúcio Reis, diretor-executivo da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), afirma que o ideal seria reduzir o índice para 40% ou 50%. “Isso porque a carga tributária brasileira é muito alta e é mais rentável importar o equipamento do que comprar o produzido aqui no País”, diz Reis. Segundo o especialista, hoje, a fabricação nacional pode atender até cerca de 60% de índice de nacionalização, mas a compra dos equipamentos e materiais para atender este índice inviabiliza o projeto, já que a carga tributária brasileira é alta. “O ideal seria chegar a, no máximo, 50% de nacionalização obrigatória”, diz.
Parodi pontua a crise financeira mundial como mais um motivo para o governo federal reduzir rapidamente o montante obrigatório de equipamentos nacionais nas usinas eólicas. “A crise atingiu grandes investidores do setor. Há encomendas sendo canceladas, por isso trata-se de um bom motivo para o Brasil importar estes equipamentos a um bom preço”, diz o presidente da Comerc.

Pode ser um bom negócio

No entanto, para Nivalde de Castro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a manutenção do índice de nacionalização em 70% pode ser um bom negócio caso o Brasil divulgue amplamente um plano de longo prazo para a energia eólica, como a realização de leilões específicos anualmente. Porém, diz Castro, “só dá para manter o índice em 70% se o Brasil garantir que vai realizar leilões para energia eólica sempre”.
Segundo o professor da UFRJ, a união de um alto índice de nacionalização com a realização periódica de leilões para a venda da energia dos ventos atrairia fabricantes de equipamentos para o País. “Se houver uma demanda contínua, os fabricantes que estão espalhados pelo mundo perceberão o Brasil como um potencial local para instalação de novas fábricas”, comenta, para completar: “Para baratear o custo da geração eólica é preciso ter economia de escala e um planejamento estável”.

Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), por sua vez, considera positivo o alto índice de nacionalização exigido nas usinas dos ventos. “Não acho que o índice de nacionalização alto está tão intimamente ligado com a viabilização das usinas no Brasil”, comenta. “Índice alto não é um impeditivo e não confio que é bom aumentar a importação”, acrescenta. (Gazeta Mercantil)

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