Arquivo de fevereiro, 2009

Mudanças climáticas: o papel do Brasil

21/02/09

27/01/2009

FOLHA DE S. PAULO
ALAN CHARLTON

A liderança brasileira será crucial para os avanços na agenda internacional, sobretudo no mundo em desenvolvimento

ESTAMOS A 11 meses de tomar uma decisão crucial que dará forma ao futuro do meio ambiente. Em dezembro, o mundo se reunirá em Copenhague (Dinamarca) na esperança de alcançar um acordo para reduzir as emissões internacionais de gases do efeito estufa, avançando os esforços do Protocolo de Kyoto na luta contra as mudanças climáticas. Se teremos sucesso ou não, isso dependerá do nosso entendimento sobre a urgência do problema e da necessidade de agirmos em conjunto para resolvê-lo.

Este é o ano em que sairemos do campo das ideias para o das ações concretas -e a última Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, realizada em Poznan (Polônia), mês passado, forneceu uma direção clara para que avancemos nesse caminho.

O encontro mostrou que, para termos sucesso, precisaremos combinar diferentes abordagens que incluam realizações tanto em países desenvolvidos quanto nos países em desenvolvimento, com o Brasil desempenhando um papel-chave nesse debate.

Apesar de terem sido consideradas intermediárias desde o início, as discussões em Poznan resultaram em avanços tangíveis em duas importantes áreas: financiamento e florestas. Depois de muito debate, chegou-se a um acordo sobre o estabelecimento do Fundo de Adaptação, que em alguns meses começará a destinar recursos para ajudar países mais pobres a lidar com os efeitos perigosos das mudanças climáticas.
Também alcançamos um acordo inicial sobre um mecanismo para recompensar as nações pela redução de emissões decorrentes do desmatamento. Em uma declaração ministerial costurada pelo Reino Unido, signatários de países em desenvolvimento demonstraram a intenção de desenhar estratégias nacionais para frear a destruição das florestas, enquanto países desenvolvidos se revelaram prontos para apoiar a construção desses planos.

Mas, em Poznan, ficou claro que muito mais precisa ser feito. No fim do ano, precisamos chegar a um acordo global que inclua metas de longo prazo para a redução de emissões e a transferência de tecnologia, visando garantir a transição para uma economia de baixo carbono.

Nesse sentido, a liderança brasileira será crucial para impulsionar os avanços necessários na agenda internacional, especialmente no mundo em desenvolvimento.

A ameaça da crise financeira pode fazer com que esse desafio pareça mais difícil. Mas, como demonstrou o Relatório Stern sobre a Economia das Mudanças Climáticas, o custo da inação é muito mais alto que o custo da ação. O estudo mostrou que o fracasso no combate às mudanças climáticas irá custar entre 5% e 20% do PIB global a cada ano, mas, se agirmos agora, os esforços irão custar apenas de 2% a 3% do PIB.
Em outras palavras, nossa prosperidade futura depende primeiro da vitória nessa batalha. Ações recentes realizadas pelo Reino Unido e pelo Brasil demonstraram que ambos os países têm o potencial para liderar o mundo na superação desses obstáculos, inspirando outros a concordar em tomar medidas mais fortes para salvar o meio ambiente.

Com a aprovação da Lei de Mudanças Climáticas, em novembro, o Reino Unido se comprometeu a reduzir suas emissões de carbono em 80% até 2050. Pela primeira vez, um país tem um arcabouço legal de longo prazo para o corte das emissões de gases do efeito estufa e adaptação às mudanças climáticas. A nova legislação também estabeleceu orçamentos de carbono, definindo limites para emissões em períodos de cinco anos cada, e criou um comitê independente para assessorar o governo sobre a maneira de alcançar esses objetivos.

O Brasil é reconhecido por possuir a matriz energética mais limpa do mundo e como líder histórico em pesquisa, produção e uso de combustíveis renováveis em transportes.

Em dezembro passado, o Brasil deu um passo importante com o anúncio do Plano Nacional de Mudanças do Clima, adotando metas significativas para a redução do desmatamento. Essa medida em particular demonstra o comprometimento brasileiro e reforça suas credenciais ambientais para desempenhar um papel de liderança nas discussões internacionais sobre mudanças do clima.

ALAN CHARLTON , 56, é o embaixador do Reino Unido no Brasil desde dezembro de 2008.

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Sustentabilidade e Negócios

16/02/09

Diesel menos poluente será produzido em SP, MG e RJ

Guilherme Manechini, de São Paulo
12/02/2009

Três refinarias da Petrobras já foram escolhidas para receber os primeiros equipamentos para a produção de diesel com menor teor de enxofre no país. Segundo apurou o Valor, as unidades instaladas nos municípios de Belo Horizonte (MG), São José dos Campos (SP) e Duque de Caxias (RJ) fazem parte do plano da empresa para começar a produzir dois tipos de diesel considerados “mais limpos”, com 50 e 10 partículas por milhão (ppm). Atualmente, cerca de 70% do diesel consumido no Brasil contém 1.800 ppm.

Em janeiro, quando fez o primeiro balanço do fornecimento do diesel S 50 (com 50 ppm) para os ônibus metropolitanos de São Paulo e Rio, a estatal ainda não havia definido uma data para o início da produção dos dois tipos de diesel, ambos com menor teor de enxofre.

No caso do S 50, até o fim do ano passado, a etapa 6 do Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores) determinava o fornecimento ao menos para a frota fabricada a partir deste ano, mas o atraso da especificação do combustível pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) resultou em um acordo para a prorrogação do prazo. O fornecimento para os ônibus metropolitanos faz parte de uma série de compensações acordadas entre Petrobras, Ministério Público Federal, Anfavea, Ibama e ANP.

As refinarias de Belo Horizonte (Regap), São José dos Campos (Revap) e de Duque de Caxias (Reduc) deverão receber nos próximos dias parte dos equipamentos necessários para a instalação das unidades de hidrotratamentos, tecnologia necessária para a produção dos tipos de diesel S 10 e S 50. Procurada, a Petrobras não quis se pronunciar sobre o assunto.

Antes da publicação do plano de negócios da Petrobras para os próximos cinco anos, o investimento previsto para a melhoria de combustíveis era de US$ 8,6 bilhões. Já no site da companhia, a informação é de que até 2013 os investimentos na melhoria do diesel vão totalizar US$ 6 bilhões.

Durante o balanço realizado em janeiro, o diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, afirmou que a estatal deveria aplicar outros US$ 2 bilhões para o fornecimento do diesel S 10, mas o investimento não foi confirmado.

Hoje, no Rio, Costa falará sobre o assunto durante coletiva de imprensa organizada para detalhar o plano de negócios para a área de abastecimento nos próximos cinco anos.

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12 de Fevereiro de 2009

“Trem verde” da Vale troca diesel por gás

Projeto pioneiro vai possibilitar, além de economia, menor emissão de CO2

Paula Pacheco

A Vale conseguiu tirar do papel um projeto de quatro anos e passa a deter uma tecnologia inédita no mundo, que permite substituir o diesel pelo gás natural para abastecer as locomotivas. O principal diferencial em relação aos outros projetos nesse sentido é o fato de a mineradora ter desenvolvido, em parceria com a White Martins, um sistema que transforma o gás natural em liquefeito.

O projeto foi batizado de Trem Verde e, por enquanto, o teste vem sendo feito em uma locomotiva da Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM). O objetivo, segundo Eduardo Bartholomeu, diretor de Logística da Vale, é usar até 70% de gás natural como combustível para as locomotivas. O restante é complementado com diesel.

A Vale, dona da segunda maior malha ferroviária do Brasil, ocupa o topo de lista dos grandes consumidores de diesel do País. Metade da demanda vem das mil locomotivas usadas na área de logística. Por ano, a mineradora queima 544 milhões de litros de diesel. O investimento em alternativas ao combustível foi motivado, segundo a empresa, pela busca da redução dos gastos com combustível e pela preocupação com o efeito da emissão de poluentes.

As pesquisas começaram em 2004 e contam com a participação da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo e Universidade de São Paulo (USP). Com a conversão de motores para o gás natural, a direção da Vale calcula que a redução das emissões de CO2, provenientes da queima de combustíveis, chegará a 73 mil toneladas por ano. Isso é o equivalente ao gás carbônico absorvido por uma área de mata nativa de cerca de 155 hectares.

No lado econômico, segundo Bartholomeu, um litro de diesel produz a mesma quantidade de energia que 1,056 metro cúbico de gás. No entanto, o gás custa em média 17% menos que o diesel.

Segundo o executivo, até agora foram investidos R$ 2,4 milhões, mas o projeto tem potencial para absorver R$ 460 milhões, quando incluir todas as locomotivas. “A maior dificuldade era justamente a forma de armazenar o combustível. Agora, com um tanque cheio de gás liquefeito, a locomotiva Vitória-Minas tem autonomia de 1,2 mil quilômetros (uma viagem de ida e volta de Belo Horizonte a Vitória)”, explica o executivo.

A Vale faz parte de uma série de consórcios para exploração de petróleo e gás. Todos os projetos ainda estão em fase de prospecção. Mas quando começarem a produzir, calcula Bartholomeu, o gás da própria mineradora poderá ser usado para movimentar as locomotivas. Por enquanto a empresa depende do gás boliviano. Mas nem por isso o executivo mostra-se preocupado com o risco de desabastecimento, como ocorreu recentemente. “Esse é um problema resolvido. Não há chance de faltar gás.”

Outro projeto em fase de testes na Vale é o que muda o acionamento dos freios das locomotivas para um sistema computadorizado, que reduz o uso de combustível na hora de parar o trem. Ao ser implantado em toda a malha ferroviária, possibilitará uma economia anual de 7 milhões de litros – uma redução de 1,3% no consumo de diesel de todas as ferrovias da Vale.

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Mesmo com cenário adverso, vendas de etanol mantêm alta

11/02/2009
Gazeta Mercantil
Sertãozinho (SP), 11 de Fevereiro de 2009 – Mesmo num cenário bastante pessimista, em que as vendas de carros no Brasil despenquem neste ano, o consumo doméstico de etanol crescerá. E não será pouco. Segundo simulação realizada pelo Rabobank, se as vendas de automóveis caírem pela metade em 2009, o aumento potencial do consumo de etanol no País será de 2,44 bilhões de litros, o que representaria uma alta de 12,2% em relação ao consumo nacional em 2008, que foi de 20 bilhões de litros, sendo 14 bilhões de hidratado e 6 bilhões de anidro.

Isso só será possível se os preços do álcool continuarem competitivos em relação à gasolina. Ou seja, se os preços do etanol custarem ao consumidor final até 70% do preço da gasolina. A frota de veículos flexíveis, que representam 87% das vendas, chegaria, mesmo com queda de 50% nas vendas, a 8,4 milhões de unidades em 2009, segundo a simulação feita pelo Rabobank. Os veículos movidos a gasolina também ajudam, pois o combustível tem mistura de 20% de álcool hidratado.

Os dados foram apresentados ontem, em Sertãozinho, por Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Canaplan, consultoria especializada na agroindústria canavieira. “As perspectivas para o álcool são boas não somente no Brasil. Nos Estados Unidos, as últimas notícias nos permitem fazer uma análise otimista para o setor”, disse ele, durante o evento “Cenários para a Safra Sucroenergética 2009/10″, promovido pela Brasil Agro.

Segundo Carvalho, os novos secretários norte-americanos de Energia e Agricultura defendem maior uso do etanol na gasolina. “Tanto que a EPA (a agência ambiental dos EUA) definiu em janeiro uma mistura média de 10,21% de etanol na gasolina para 2009, em comparação com 7,76% em 2008″, informou. “Isso representa uma demanda extra de 13 bilhões de litros de etanol” , afirmou.

Salto no exterior

Segundo Carvalho, o mercado internacional de etanol saltou de 29 bilhões de litros em 2000 para 79 bilhões de litros em 2008. Em 2018, segundo projeções da Canaplan, o consumo chegará a 276,6 bilhões de litros, o que representará uma taxa anual de crescimento de 13,35% no período.

Para o mercado internacional de açúcar, a Canaplan prevê crescimento anual de 2,78%. A commodity, que movimentou 130 milhões de toneladas em 2000 e 161,8 milhões de toneladas em 2008, deve atingir 212,8 milhões de toneladas em 2018.

“Independentemente da crise, do seu tamanho e duração, dos estragos e seqüelas que causar, o mundo não suporta mais o continuísmo”, afirmou Carvalho. “Prova disso foi a eleição de Barak Obama para a presidência dos Estados Unidos.” Segundo Carvalho, na esteira desse novo mundo, a biomassa é estrela, base de inovações nos campos energético, químico e biotecnológico. Neste cenário, diz ele, a cana (e o Brasil por conseqüência) está muito à frente e receberá os maiores recursos. “Passaremos a viver um longo ciclo virtuoso, com sustentabilidade, o que inclui competitividade e inovação.”

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados – Pág. 11)(Edson Álvares da Costa)

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Carro elétrico já é realidade no mundo

10/02/2009

Gazeta Mercantil

Detroit (EUA), 10 de Fevereiro de 2009 – Anos atrás, quando Shai Agassi começou a promover sua idéia de estações para recarregar carros elétricos, o mundo automotivo mal deu atenção.

Na época, a gasolina era barata, grandes picapes e SUVs reinavam nas estradas americanas, e os veículos movidos a combustíveis alternativos pareciam destinados a permanecer um nicho muito pequeno para os consumidores preocupados com o meio ambiente e os tecnófilos.

Mas agora quase toda grande companhia no mundo se comprometeu a construir carros elétricos, e o presidente Barack Obama fez da redução do consumo de petróleo o ponto central da sua política energética.

O timing não poderia ser melhor para Agassi, ex-executivo do setor de softwares que está recorrendo à sua experiência no Vale do Silício enquanto persegue seu desejo de construir redes de estações de troca de bateria na América do Norte, Europa, Japão e Austrália a fim de aumentar o alcance dos carros elétricos.

“Há algo significativo que pode ser feito nos próximos 15 anos com carros elétricos”, disse Agassi em uma entrevista recente. “Tem a ver com o que você vai fazer para transformar o mundo em um lugar melhor até 2020″? ele acrescentou. Nos últimos meses , Agassi, que tem 40 anos e nasceu em Israel, tornou-se um importante ator na pressão global em direção aos carros elétricos.

Acordos no mundo

Em um período recente de 10 dias, ele anunciou um acordo para novas estações de trocas no Canadá, fechou um acordo para financiamento na Dinamarca, frequentou o World Economic Forum em Davos, na Suíça onde deu várias entrevistas para noticiários de TV’’s a cabo.

A teoria de Agassi é de que a chave para persuadir mais consumidores a comprar carros totalmente elétricos – em vez de carros híbridos, movidos a gasolina e eletricidade, como o Prius, que ainda emitem gases através do cano de escapamento – é construir uma rede de estações que possam substituir as baterias vazias por novas.

(Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 2)(The New York Times)

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10 de fevereiro de 2009

Rio subterrâneo de Roma pode gerar energia geotérmica

Curso do rio foi reconstituído graças à prospecção de mais de 200 poços ao longo da capital italiana

Efe

ROMA – Cientistas italianos descobriram um rio subterrâneo que corre por baixo de Roma, com maior extensão do que a do Tibre, e que pode servir para produzir energia geotérmica, já que sua temperatura média é de 20ºC.

Segundo informa nesta terça-feira, 10, o jornal Corriere della Sera, a equipe do vulcanólogo e geoquímico italiano Franco Barberi reconstruiu o curso do rio graças à prospecção de mais de 200 poços ao longo da capital italiana.

“O Tibre esconde, sob seu leito, um enorme rio subterrâneo, completamente separado, que pode ser utilizado como fonte de energia geotérmica para aquecer e esfriar grande parte das casas da capital, com uma notável economia de combustível e redução da poluição”, afirmou Barberi.

Entretanto, o cientista ponderou que não se deve imaginá-lo como uma caverna sob a cidade, mas que se trata de “um fluxo de água subterrânea que corre entre o cascalho e a areia do antigo curso do Tibre, fechado, acima e abaixo, por duas camadas de terra impermeáveis”.

Sua extensão é muito maior do que a do rio superficial, já que tem, inclusive, centenas de metros de cada lado.

As amostras extraídas e analisadas pela equipe de cientistas indicam que a água do rio subterrâneo, situado entre 30 e 60 metros abaixo do nível da cidade, tem ph neutro e não apresenta contaminações, enquanto sua temperatura, que oscila entre 18ºC e 21ºC, tem a possibilidade de ser utilizada para produzir energia geotérmica, segundo os pesquisadores.

Embora no passado este tipo de energia tenha se extraído de águas termais, mais quentes, os pesquisadores afirmam que hoje já existe tecnologia para usar águas com menos de 20ºC, como já se faz com sucesso na Suécia e em outros países do norte da Europa.

A equipe espera agora que empresas entrem em contato com eles para desenhar “protótipos” para a instalação de bombas que extraiam o líquido do rio.

O presidente do Instituto Nacional de Geologia e Vulcanologia, Enzo Boschi, afirmou que Roma pode alcançar assim “a independência dos hidrocarbonetos, convertendo-se na capital mais limpa da Europa”.

Além disso, a capital italiana poderia se proteger contra futuras crises de gás entre Rússia e Ucrânia e os desabastecimentos que elas causam à Europa.

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Cresce geração a partir do lixo 

Gazeta Mercantil
09/02/2009

Roberta Scrivano

A geração de energia a partir do lixo começa a deslanchar. “Não tanto como fonte geradora de eletricidade, mas como solução para o lixo”, diz Jean Negri, coordenador de energia da Secretaria de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo. Negri diz que o governo do Estado está analisando outras soluções para o lixo paulista. “Há dois anos firmamos uma parceria com o estado alemão de Baviera para troca de tecnologias sobre a geração a partir do lixo”, comenta. “Até fevereiro devemos anunciar uma nova iniciativa de produção de eletricidade por meio do lixo”, antecipa.

Segundo o coordenador de energia, a nova proposta prevê a queima do lixo em caldeiras e, com o vapor emitido, a geração da eletricidade. “Neste processo apenas 10% ou 15% do total de lixo é encaminhado para o aterro”, comenta.

Negri explica que, neste caso, o pouco de lixo que é encaminhado para o aterro é composto por metais (que não podem ser queimados) e as cinzas.

Atualmente, na capital paulista estão em funcionamento dois projetos de geração de eletricidade a partir dos gases emitidos pelo lixo, um deles no aterro Bandeirantes e outro no São João. Segundo a prefeitura do município “São Paulo já arrecadou R$ 37 milhões no segundo leilão de créditos de carbono, oriundos dos aterros Bandeirantes, em Perus, e São João, em São Mateus”. Foram comercializados na Bovespa 713 mil toneladas de créditos de carbono ao preço final de € 19,20 cada tonelada.

Cada uma das duas usinas instaladas nos aterros de São Paulo tem capacidade para gerar 20 megawatts por mês, ou seja, a eletricidade oriunda das duas fontes pode atender ao consumo anual de até 600 mil habitações paulistanas.

O Aterro Sanitário São João entrou em atividade em 1992 e, com uma área de 80 hectares, recebe diariamente 7 mil toneladas de lixo. Nesse aterro foi instalada também uma usina termelétrica, com capacidade de geração de 200 mil MW/h por ano, o que equivale ao consumo de uma cidade com 400 mil habitantes.

O outro aterro sanitário da cidade de São Paulo, o Bandeirantes, fica em uma área de 150 hectares no distrito de Perus e tem cerca de 35 milhões de toneladas de lixo estocadas. Esse aterro foi o primeiro a ter uma usina termelétrica, com capacidade de geração de 170 mil MW/h por ano.

Líderes no segmento

De acordo com documento da prefeitura de São Paulo, a cidade é a precursora dos dois maiores projetos reconhecidos como Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, no protocolo de Kyoto, por reduzirem em aterros sanitários a emissão de gases de efeito estufa para a atmosfera. E, por este motivo, na semana passada na Suíça uma missão de brasileiros apresentou aos C40 (organização que congrega as 40 maiores cidades do mundo na busca de soluções concretas nas áreas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas) os projetos de geração de eletricidade a partir do lixo.

GE vai fornecer para China

A gigante General Electric (GE) acertou com uma granja na China a instalação de motores a gás que geram energia e calor a partir de gases nocivos, como o biogás, gás de minas de carvão e gás de resíduos industriais, além do gás natural. “Este será o nosso primeiro motor deste tipo a funcionar em território chinês”, afirma Marcelo Prado, diretor de marketing da GE.

O executivo explica que a Deqingyuan, a maior granja da Ásia, tem que administrar 220 toneladas de esterco e 170 toneladas de efluentes (esgoto industrial) por dia. “Projetos deste tipo são muito interessantes porque envolvem dois novos negócios: a venda de créditos de carbono e a comercialização de energia elétrica”, diz Prado. O executivo afirma que a usina de Deqingyuan será a maior central energética a biogás da Ásia.

Hoje, cerca de 8 mil motores a gás Jenbacher estão em operação em todo o mundo, como os instalados em parques de rosas na Holanda, em minas de carvão na Ucrânia, nos aterros no Reino Unido e em hospitais na Itália. Uma granja na China está prestes a ser incluída nessa lista.

(Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 5)

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09/02/2009 – 12h25

Empresa testa geração de energia a partir de ondas do mar 

da Reuters, em Londres

A empresa E.ON vai iniciar um teste de geração de energia a partir de ondas do mar no Reino Unido em 2010, informou o braço britânico do grupo alemão.

A E.ON UK planeja instalar e testar um único aparelho de geração, que está sendo construído em Edimburgo, na Escócia, no Centro Europeu de Energia Marinha, na costa escocesa.

A companhia espera que o programa ajude a abrir caminho para a comercialização da tecnologia no Reino Unido e no mundo.

“Reconhecemos que muito trabalho ainda precisa ser feito antes que possamos ter certeza que a energia marinha cumprirá seu potencial”, disse Amaan Lafayette, diretor de desenvolvimento marinho da E.ON.

“Mas o sucesso desse equipamento nos dará confiança para prosseguirmos com a próxima fase de comercialização, que será composta de conjuntos maiores pela costa do Reino Unido.”
A E.ON afirma que será a primeira companhia a testar um equipamento de energia marinha no Centro Europeu de Energia Marinha.

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Mudanças Climáticas

16/02/09

11/02/2009

ONU cogita realizar cúpula sobre mudança climática em até dois meses

da Efe, em Nova York
O secretário-geral da ONU Ban Ki-Moon, revelou na terça-feira (10) que estuda a possibilidade de convocar nos próximos dois meses uma cúpula sobre a mudança climática na sede do organismo, em Nova York.
Ki-Moon disse que o encontro poderia iniciar o estímulo aos países na busca um novo acordo global para reduzir as emissões de gases poluentes, que será estudado na Conferência Internacional sobre Mudança Climática, que acontece em dezembro na Dinamarca.

“Precisamos do envolvimento dos governos no mais alto nível”, disse o secretário-geral em entrevista coletiva.

Caso o evento ocorra, a expectativa é a de que um dos palestrantes seja o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Ele faria sua primeira visita à sede das Nações Unidas desde que tomou posse, em janeiro.

“Estamos em meio às consultas com os países participantes e certamente a presença do presidente Obama seria crucial”, disse.

O secretário-geral da ONU pediu aos EUA, China, Índia e à União Europeia (UE), principais emissores de gases poluentes, que mostrem uma postura séria ao tratar do assunto.

“Não há tempo a perder”, afirmou, lembrando que a conferência de dezembro tem que resultar em um acordo que substitua o Protocolo de Kyoto.

Ki-Moon confirmou que a mudança climática será o principal assunto da tradicional cúpula feita pelo organismo em setembro, coincidindo com a abertura do novo período de sessões da Assembleia Geral.

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Redução no uso de combustíveis pode frear aquecimento

Uma diminuição de 20% até 2020 seria suficiente para reduzir o aumento da temperatura para menos de um grau

Efe
SANTIAGO DO CHILE – Uma redução de 20% no uso de combustíveis fósseis até 2020 seria suficiente para conter o aquecimento global e reduzir o aumento da temperatura da Terra para menos de um grau, segundo um estudo.

A estimativa foi feita à Agência Efe pelo próprio autor do relatório, Gary Schaffer, do Departamento de Geofísica da Universidade de Concepción, cidade chilena situada 515 quilômetros ao sul de Santiago.

Segundo Schaffer, que também faz parte do corpo docente do Niels Bohr Institute da Universidade de Copenhague (Dinamarca), caso sejam consumidos os cinco bilhões de toneladas de reservas de carvão nos próximos séculos, a temperatura global aumentará 5 graus em relação ao nível atual.

Com isso, a próxima era do gelo ocorreria dentro de 170 mil anos.

No entanto, se o uso de combustíveis fósseis cair 20% em 2020 e 60% no ano de 2050, tendo como parâmetros os níveis de 1990, a temperatura global aumentaria menos de um grau e a próxima idade do gelo só chegaria dentro de aproximadamente 505 mil anos.

O cientista reiterou que conter o consumo de combustíveis fósseis não só é imprescindível para frear o aquecimento global, mas também para poder contar com eles para aquecer o planeta no futuro e adiar próximas eras de gelo.

Os resultados do estudo serão publicados amanhã na revista científica Geophysical Research Letters.

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009, 21:16

EUA precisam preservar florestas para evitar aquecimento

O desmatamento representa 20% das emissões de carbono responsáveis pelo aquecimento global

DEBORAH ZABARENKO – REUTERS
WASHINGTON – Os Estados Unidos precisam assumir a liderança da preservação das florestas tropicais, como forma de combater a mudança climática, disse nesta segunda-feira, 9, uma coalizão de parlamentares, executivos e ambientalistas.
O desmatamento representa 20 por cento das emissões de carbono responsáveis pelo aquecimento global, disseram membros do grupo Parceiros do Desflorestamento Evitado, em um fórum no Congresso dos EUA.

O Congresso deve aprovar neste ano – talvez já em fevereiro – leis contra a mudança climática, ressaltando a mudança de postura do governo norte-americano depois do fim do governo de George W. Bush, que retirou o país do Protocolo de Kyoto, principal tratado global contra o aquecimento.

“Sem a liderança dos Estados Unidos da América, todos os demais dirão: ‘Talvez não seja tão sério quanto parece’”, disse a ambientalista queniana Wangari.

Maathai, Prêmio Nobel da Paz de 2004. “Se a América não está preocupada, então não pode ser uma questão séria.”

De acordo com ela, três grandes florestas tropicais (Amazônia, Congo e Sudeste Asiático) são os “pulmões” do mundo, retendo enormes quantidades de gases do efeito estufa.

O grupo elogiou o Congresso por suas iniciativas em prol de uma legislação que estipule limites às emissões de carbono.

Os senadores Richard Lugar (republicano) e John Kerry (democrata) manifestaram apoio ao apelo da coalizão para que os EUA assumam a liderança no combate ao desmatamento. Executivos das empresas American Electric Power, Duke Energy, Marriott International, e das ONGs CARE USA, The Nature Conservancy, Oxfam America e Conservação Internacional também aderiram.

Stuart Eizenstat, ex-negociador dos EUA que participou da formulação do Protocolo de Kyoto disse que a ênfase na preservação florestal deve estimular os países em desenvolvimento a se envolverem com o futuro tratado climático que substitua o Protocolo de Kyoto a partir de 2012.

Um dos desafios do novo tratado será incluir metas obrigatórias de redução de emissões para grandes países em desenvolvimento, como China e Índia, poupados do atual sistema.

“Essa é uma forma de envolver países em desenvolvimento que desejam participar, que farão sua contribuição evitando o desflorestamento…caso recebam incentivos para tal”, disse Eizenstat.

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Sustentabilidade e Negócios

9/02/09

Negócios com eólicas atraem grupos elétricos tradicionais

Josette Goulart, de São Paulo
06/02/2009

A Cemig anunciou ontem a compra de 49% de três parques eólicos no Ceará e que vai pagar R$ 213 milhões pelos ativos, tornando-se sócia da argentina Impsa no negócio. A Cemig já possuía uma usina eólica, que foi construída em 1994, mas o anúncio de ontem mostra o momento vivido pelo setor em que grandes geradoras caminham para fortes investimentos em usinas eólicas.

A portuguesa EDP Energias do Brasil analisa projetos na área e o presidente da companhia, Antonio Pita de Abreu, diz que há ainda alguns bons projetos do Proinfa a serem analisados, mas são poucos. As usinas compradas pela Cemig estão também enquadradas no Proinfa, assim com o projeto Siif, também no Ceará, em que a AES tem investimentos. O grupo americano adquiriu debêntures no valor de R$ 300 milhões do projeto francês e a empresa tem direito a converter essa participação em ações, o que fará, segundo apurou o Valor.

E o interesse no setor não é exclusivo de tradicionais geradoras. O Fundo de Investimentos em Participações Brasil Energia, que pertence a fundos de pensão, tem em sua carteira debêntures que financiam a construção de três usinas eólicas. O total dos investimentos feito pelo fundo chegam a R$ 200 milhões e a exemplo dos recentes negócios anunciados também está aplicando em usinas do Proinfa.

O programa de incentivo a energias renováveis foi criado pelo governo federal em 2002 e contratou quase 1.500 megawatts de energia proveniente dos ventos. Mas ao longo dos anos, os projetos tiveram inúmeros empecilhos para sair do papel como problemas com licenciamento, regramentos que tiveram que ser alterados e também a exigência de um índice mínimo de equipamentos brasileiros nos projetos. A situação levou com que, segundo os dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mais de 640 MW não tenham previsão de entrada em operação.

Pelo cronograma da Aneel, a energia que foi toda vendida para a Eletrobrás precisaria começar a ser gerada até o final de 2008. A estatal acabou concedendo um prazo para análise dos motivos dos atrasos e que termina no dia 28 de fevereiro. A empresa informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que esse novo prazo serve para uma avaliação criteriosa das novas datas de entrada em operação, que foram solicitadas pelos próprios empreendimentos, e que evitaria a quebra do contrato.

O especialista em regulação da Aneel, Lincoln Braga, diz que o prazo que é levado em consideração para aplicação de penalidades é dezembro de 2008 mas que a agência estuda a possibilidade de flexibilizar essa data em linha com o que fez a Eletrobrás. Apenas 307 MW entraram em operação no período acertado. Cerca de 500 MW estão previstos para entrarem em operação ao longo de 2009.

A corrida das empresas em busca das usinas do Proinfa foi motivada pelo bom preço a que essa energia foi vendida na época. Em média, R$ 230 por megawatt hora. Valor que não deve se repetir quando o governo federal realizar o primeiro leilão de energia eólica neste ano. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, e que prepara as regras da disputa sempre foi enfático ao afirmar que um leilão de energia eólica só será possível se estiver dentro da modicidade tarifária. O leilão será aos moldes do realizado no ano passado e que contratou energia proveniente da biomassa. Os preços ficaram na faixa dos R$ 150,00.

O ex-diretor-geral da Aneel, Jerson Kelman, sempre se manifestou contra à realização do leilão de energia eólica neste momento. Ele defende que o Brasil ainda tem uma grande capacidade de geração hidráulica e de outras fontes alternativas, como a própria biomassa, e que não precisaria comprar uma energia mais cara. Para ele, o consumidor deveria ser consultado antes se está disposto a pagar mais por essa energia.
A Cemig não divulgou o retorno que terá com as três usinas que adquiriu. Juntas, elas têm capacidade de gerar 99,6 MW e nenhuma delas entrou ainda em operação. Com o negócio, a Cemig passa a ser parceira da empresa argentina Impsa que no ano passado inaugurou uma planta de fabricação de aerogeradores no país.

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Biocombustível sólido é alternativa para o ferro-gusa

Daniela Chiaretti, de Curvelo e Sete Lagoas
06/02/2009

O governo mineiro está empenhado em patrocinar um novo lobby verde que pode ajudar a indústria siderúrgica a encontrar uma saída para o impacto da crise internacional. Trata-se de promover o que está sendo chamado de “biocombustível sólido” ou “carvão vegetal renovável” e que vem a ser o plantio florestas de eucalipto para produzir ferro-gusa sem pressionar as matas nativas.

Por trás da iniciativa está a tentativa de conseguir o primeiro MDL programático do País. MDL é a sigla para Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, prevista no Protocolo de Kyoto, e que se traduz num instrumento em que os países ricos que têm que reduzir suas emissões de gases-estufa investem em projetos de tecnologia limpa nas nações mais pobres ou em desenvolvimento. Os primeiros recebem direitos de emitir, e os outros, créditos de carbono.

A iniciativa da siderurgia mineira é similar a de um MDL setorial. Na versão “programática” submete-se o conjunto de projetos ao comitê da ONU que analisa as propostas de MDL. A estratégia reduziria os custos de projeto e de consultoria, além de dar mais visibilidade ao setor. Os pesos-pesados do aço e ferro estão juntos neste processo: a ArcelorMittal, V&M Tubes e Plantar.

O primeiro passo é mudar a imagem negativa do setor, construída por décadas de desmatamento de florestas naturais. “Como a tradição brasileira sempre foi de consumir carvão vegetal de nativa, a imagem é muito negativa”, reconhece José Carlos Carvalho, secretário estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e que está pilotando o esforço . “O Brasil tem potencial para produzir carvão vegetal de forma sustentável e com um balanço de emissões muito positivo ao planeta.”

Há cerca de 70 siderúrgicas a carvão em Minas. Os dados oficiais estimam que 50% do carvão vegetal produzido no Estado vêm de florestas plantadas – mas suspeita-se que o volume de carvão proveniente de matas nativas esteja subestimado nesta estatística. “Dos 50% de carvão vegetal que vêm de mata nativa, o produzido em Minas corresponde a uns 15%”, estima Carvalho, que participa da delegação brasileira nas conferências climáticas internacionais. “O resto vem, na forma de carvão, do oeste da Bahia, de Goiás, de Tocantins, do sul do Maranhão.” Ele adianta que há articulações com o Ibama e outros Estados para criar uma política comum que iniba a queima de florestas nativas.

O lobby verde da siderurgia mineira ganhou pontos na semana passada quando 15 cientistas do IPCC, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas na sigla em português, estiveram ali conhecendo o viveiro e o processo de carbonização da Plantar S.A, a primeira siderúrgica do País a se tornar autossustentável. Os cientistas do IPCC, o braço científico das Nações Unidas, tinham vindo ao Brasil para o primeiro encontro de especialistas que produzirá um relatório sobre energias renováveis no mundo, a ser publicado em 2010. Saíram surpresos.

“O processo implementado pela Plantar parece um bom exemplo de como combustíveis fósseis podem ser substituídos de uma maneira sustentável e que leva em consideração não só os impactos ambientais como tem efeitos sociais positivos”, diz o professor alemão Manfred Fischedick, vice-presidente do Wuppertal Institut für Klima, Umwelt, Energie e coordenador do grupo de mitigação do relatório de renováveis do IPCC. “Replicar esta experiência no Brasil e em outras partes do mundo parece ser muito recomendável.”

A experiência da Plantar é emblemática no rumo do carvão verde. A empresa tem uma área de 23 a 25 mil hectares de floresta plantada em Curvelo, a 180 km de Belo Horizonte. Ali, um viveiro produz 30 milhões de mudas de eucalipto por ano utilizando nove clones mais produtivos. Parte da produção do viveiro é vendida e o restante utilizada na produção de 240 mil toneladas/ano de ferro-gusa. A produtividade do processo saltou de 15 m3 por hectare por ano para os 40 m3 por hectare atuais.

O pulo do gato da empresa esteve em alinhar a cadeia produtiva em uma rota ambiental. Em 1988 a Plantar quase quebrou quando o governo retirou os incentivos para atividades de reflorestamento. Mas em 2000, com o Protocolo de Kyoto em vigor, vislumbrou uma oportunidade de saída ao desenvolver um projeto de MDL. “Para produzir a mesma quantidade de carvão vegetal, o setor deveria usar uma área dez vezes maior de floresta nativa comparada à produtividade que consegue com clones”, estima Fabio Nogueira de Avelar Marques, gerente de projetos de carbono da Plantar. “Com os clones se consegue ter mais biomassa em menos hectares.”

O projeto de MDL da Plantar prevê que, em 28 anos, a empresa consiga um ganho de 12,8 milhões de toneladas de CO2 Esta conta foi feita calculando o quanto a empresa deixa de emitir produzindo gusa a partir de carvão vegetal renovável e não coque – são 2 toneladas de CO2 emitidas para cada tonelada de gusa produzida com coque. “Com o carvão renovável a emissão ocorre na carbonização, mas as florestas absorvem este CO2 e o balanço é positivo”, diz Marques. E, ainda, há o benefício das florestas plantadas, no ciclo de sete anos do corte do eucalipto. Este estoque significa uma tonelada de CO2 por cada tonelada de ferro-gusa produzido. Ou seja, estão nos plantios, que levam sete anos para crescer mas só um sétimo é colhido a cada ano. O carbono está lá, na raiz, no tronco, na galhada das árvores e no solo. “A emissão líquida do processo com carvão vegetal é zero. No caso do carvão mineral, não, só existe a emissão”, diz Marques.

Foi fazendo estes cálculos que a Plantar conseguiu montar seu projeto de MDL, reerguer-se e se tornar um modelo setorial. Não foi fácil, porque a empresa precisava de recursos imediatos para algo que levaria sete anos para dar retorno. Montou uma operação triangular. Negociou os créditos com o Fundo Protótipo de Carbono do Banco Mundial e conseguiu US$ 5 milhões com o holandês Rabobank.

Um segundo projeto de MDL, há outra emissão de metano evitada. O metano, outro gás de efeito-estufa que é 25 vezes mais nocivo ao aquecimento global que o CO2, também ocorre na carbonização, mas em pequena quantidade. Controlando melhor a temperatura dos fornos, a Plantar conseguirá evitar, em 28 anos, a emissão de 400 mil toneladas de CO2. “A crise internacional nos atingiu da mesma forma que a todo o setor”, reconhece Marques, lembrando que um dos dois alto-fornos está parado. “Mas o carbono pode ser um fator importante para ajudar o setor na crise”, continua. e novo lobby verde da indústria siderúrgica, o chamado biocombustível sólido. “Todos falam no etanol, o biocombustível líquido. Mas do carvão vegetal sustentável e renovável não se fala”, reclama.

O caminho da Plantar vem sendo seguido pelas outras grandes do setor. A ArcelorMittal Florestas tem 100 mil hectares de plantios florestais com eucaliptos, no sul da Bahia e em Minas, e tem um projeto de MDL nas áreas em que estimula plantios junto de produtores florestais. Os cientistas do IPCC, evidentemente, perguntaram se o eucalipto não exige água demais e seca o solo, e como evitam os males da monocultura. Marques mostrou a área de cerrado, que representa 20% da área total plantada da empresa. “Estamos fazendo isso há 40 anos. Se o eucalipto secasse o solo, isto aqui seria um deserto”, rebateu Geraldo Alves de Moura, diretor da Plantar S.A, apontando para o eucaliptal.
A jornalista viajou a convite do governo de Minas Gerais e do Fórum Mineiro de Mudanças Climáticas

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Filipinas importarão etanol do Brasil

Cingapura, 5 de Fevereiro de 2009 – As Filipinas vão importar etanol pela primeira vez, com o objetivo de reduzir a sua dependência do petróleo bruto importado, segundo informação divulgada ontem por um portavoz do governo daquele país. A maior parte do álcool combustível deverá ser comprada do Brasil, acrescentou a fonte.

“O principal fornecedor desse produto provavelmente será o Brasil, por se tratar de um grande produtor”, disse o vice-presidente do Conselho Nacional Biocombustíveis, Rafael Coscolluela, durante entrevista concedida em Manila. Coscolluela não informou quando seu país começará a importar o combustível que começará a ser misturado à gasolina na proporção de 5%.

Dependência externa

Para poupar divisas, as Filipinas, que importam quase todo o combustível usado nos veículos motorizados que circulam no país, começará a implementar, a partir de 6 de fevereiro, uma lei que obriga as empresas distribuidoras de combustíveis, entre elas a Petron Corp. e as unidades locais da Royal Dutch Shell Plc e da Chevron Corp., usem 5% de etanol na gasolina e 2% de biodiesel no diesel comum como forma de combater uma escassez de combustíveis. O governo disse que precisa de 184 milhões de litros de etanol para atender as necessidades de combustível neste ano. Além das Filipinas, os Estados Unidos e outros países estão exigindo o uso de bioetanol e biodiesel para aumentar a oferta de gasolina e diesel e reduzir a dependência do petróleo importado.

Eric Recto, presidente da Petron, a maior refinaria das Filipinas, e o porta-voz da unidade da Chevron no país, Toby Nebrida, se recusaram a prever as importações de etanol pelas suas empresas. O porta-voz local da Shell, Roberto Kanapi, não respondeu a ligações telefônicas.
(Bloomberg News)

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Colheita de cana superará 500 milhões de toneladas

Mônica Scaramuzzo, de São Paulo

04/02/2009

A produção de cana-de-açúcar no Centro-Sul do país deverá superar pela primeira vez a marca de 500 milhões de toneladas nesta safra (2008/09), graças à continuidade da moagem da matéria-prima durante o período de entressafra, confirmou ontem a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica). Até o dia 15 de janeiro, 46 usinas mantiveram o processamento da cana e pelo menos dez unidades poderão emendar uma safra na outra, se o clima permitir. Até agora, 26 unidades continuam em operação.

Levantamento da Unica mostra que até o dia 15 de janeiro a moagem totalizou 499,6 milhões de toneladas, volume 15,88% maior em relação ao ciclo anterior. Na primeira quinzena do mês, a moagem totalizou 2,34 milhões de toneladas de cana.

“A moagem ainda continua porque muitos projetos de novas usinas iniciaram suas operações no fim do ano passado”, afirmou Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da Unica. A maior produtividade registrada no período também colaborou para o bom desempenho do setor sucroalcooleiro.
A produção de açúcar totalizou 26,75 milhões de toneladas até o dia 15 de janeiro, alta de 2,11% sobre a safra 2007/08. A oferta de etanol, no mesmo período, atingiu 24,79 bilhões de litros, 22,59% superior ao total produzido na safra anterior.

No mercado interno, as vendas de etanol entre abril de 2008 e o dia 15 de janeiro de 2009 foram de 16,4 bilhões de litros, 25,2% maior sobre igual período do ciclo anterior. Já as exportações no mesmo período ficaram em 3,98 bilhões de litros, 67,2% superior ao verificado no mesmo período da safra passada.

Para 2009/10, a expectativa do mercado é de que a safra bata novo recorde, mesmo com boa parte das usinas passando por uma situação financeira delicada. O aumento da produção refletirá as expansões em curso de grupos do setor.

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Basf busca parceria para expandir pesquisas no setor sucroalcooleiro

Bettina Barros, de São Paulo
04/02/2009

“Os últimos serão os primeiros”. Foi usando o ditado brasileiro que o vice-presidente de Produtos para a Agricultura para a América Latina da Basf definiu a estratégia da empresa na área de biotecnologia. Walter Dissinger refere-se ao retorno da múlti alemã às pesquisas com um dos mais cortejados produtos agrícolas no momento: a cana-de-açúcar. Jefferson Dias/Valor

Walter Dissinger, vice-presidente da Basf: definição de parceria para pesquisa com cana deverá vir até o fim do ano

“Estamos estudando parceiros”, afirmou Dissinger ao Valor. “Devemos ter uma definição até o fim do ano”. A Basf, assim, dá continuidade ao processo de expansão do setor de sementes e defensivos para pesquisas com cana, iniciado em 2008. Em novembro, a gigante americana Monsanto adquiriu as empresas CanaVialis e Alellyx, da Votorantim Novos Negócios, voltadas para o melhoramento genético e biotecnologia com a cana.

Parceria, como sempre, é a palavra-chave. Por isso, a Basf quer repetir o modelo considerado de sucesso com a Embrapa, que resultou em uma variedade de soja tolerante aos herbicidas do grupo químico das imidazolinonas. A nova variedade aguarda aprovação para comercialização da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), e a expectativa da empresa é que ela chegue ao mercado em 2011.
Iniciada em 1997, a parceria com a Embrapa exigiu investimentos de R$ 15 milhões para o desenvolvimento do produto. Outros US$ 10 milhões deverão ser necessários para registrar a variedade nos demais países.

No caso da cana, a divisão de trabalhos será a mesma. A Basf entrará com o gene e a parceira escolhida com o desenvolvimento da cana geneticamente modificada. “Temos um banco de milhares de genes”, disse Luiz Louzano, gerente de Biotecnologia de Proteção de Cultivos da Basf. Grosso modo, o que os cientistas fazem é escolher alguns desses genes e inseri-los na cana, até que se encontre aquele que melhor responda ao aprimoramento desejado – elevar a produtividade.

Não é a primeira tentativa da Basf de entrar neste mercado. Entre 1999 e 2003, a empresa protocolou na CTNBio a liberação planejada no ambiente de variedades de cana com resistência ao mesmo grupo de herbicidas almejado na soja, as imidazolinonas. Na época, a múlti mantinha uma parceria com a Copersucar, que controlava o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e hoje tem outras usinas como sócias. “O projeto foi desativado”, afirmou Louzano. “As tecnologias eram limitadas. Achamos que ia levar muito tempo [para obter sucesso com a transgenia] e não tivemos como sustentar sozinhos.”

A conjuntura atual contribuiu para a empresa alemã mudar de opinião. O interesse internacional pela cana-de-açúcar cresceu. A exemplo do que ocorreu nos últimos anos com suas concorrentes diretas, a biotecnologia ganhou importância na Basf.
Em 1998, a múlti criou um braço específico para as pesquisas genéticas, o Basf Plant Science, com sede na Alemanha e escritórios nos EUA, Canadá e Bélgica. A área figura também entre os cinco “clusters” de inovação do grupo mundial, lado-a-lado com a nanotecnologia, o gerenciamento de energia, a biotecnologia branca (industrial) e a substituição de matérias-primas.

Entre 1998 e 2008, quase 1 bilhão de euros foi investido em pesquisas genéticas. A previsão de aporte futuro será divulgada em algumas semanas, após a empresa apresentar o balanço de 2008.
No exterior, a múlti tem entre seus parceiros a Monsanto, com a qual desenvolve variedades com maior produtividade e tolerância hídrica de milho, soja, algodão, canola e trigo. A expectativa é que o primeiro produto esteja disponível em 2015. As empresas injetarão, juntas, US$ 1,5 bilhão.
A biotecnologia vegetal representa hoje 23% de todo o investimento em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) da Basf mundial.

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Copel começa a comprar energia de biodigestores

04/02/2009

Assinatura dos primeiros contratos do País pela Companhia Paranaense de Energia (Copel) de aquisição de energia elétrica gerada a partir de biogás, energético resultante da biodigestão de dejetos de animais.

Historicamente sempre planejado com base em grandes empreendimentos, o setor elétrico brasileiro quebrou ontem um paradigma, inaugurando uma fase em que se demonstra a viabilidade técnica, econômica e ambiental da geração abaixo de 1 megawatt com a assinatura dos primeiros contratos do País pela Companhia Paranaense de Energia (Copel) de aquisição de energia elétrica gerada a partir de biogás, energético resultante da biodigestão de dejetos de animais.

Esse tipo de fornecimento de energia, denominado geração distribuída, foi criado por decreto presidencial em julho de 2004 e posteriormente regulamentada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Porém, faltava definir padrões de operação, que só foram alcançados a partir de testes promovidos em uma iniciativa conjunta da Itaipu Binacional, Copel e Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) , no Oeste paranaense.
Após muitos testes realizados no decorrer de 2008, com resultados bastante satisfatórios, a Copel fez uma “chamada pública” lançada no início de janeiro para comprar energia excedente dos projetos. As empresas que atenderam a chamada e comercializarão a eletricidade proveniente de biodigestores são a Sanepar (Estação de Tratamento Ouro Verde, de Foz do Iguaçu), Granja Columbari (suínos, em São Miguel do Iguaçu), Cooperativa Lar (produção de suínos, criação de aves e frigorífico de aves) e StarMilk (produção leiteira). São seis contratos, que totalizam potência de até 524 kW (quilowatts), energia suficiente ao atendimento de uma centena de moradias de padrão médio.

Segundo Rubens Ghilardi, presidente da Copel, os projetos de geração descentralizada no meio rural historicamente esbarravam num sério problema de ordem operacional e de segurança: a geração em paralelo com as redes de distribuição da concessionária exporia os eletricistas ao risco de acidentes, o que foi resolvido pelas empresas. A autorização para este tipo de aquisição foi concedida no final de julho de 2008 pela Aneel. “Além de criar uma receita adicional aos produtores, a compra reforça as disponibilidades de energia para atendimento ao mercado consumidor”, disse.

“Foi um trabalho de dois anos em que a Itaipu atuou de forma coordenada com duas empresas estatais do Paraná para o desenvolvimento dessa nova modalidade de geração, que pode representar pouco em termos de potência acrescentada, mas que significa muito em termos econômicos para os produtores rurais”, afirmou o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Jorge Samek. A Granja Colombari, que foi o primeiro dos seis protótipos a entrar em operação, produz 384 kilowatts/hora por dia, a partir dos dejetos de 3 mil suínos. A expectativa é vender, em média, um terço dessa carga para a Copel. Estudos iniciais sobre a rentabilidade do negócio indicam que a comercialização de energia deverá proporcionar uma receita mensal de até R$ 1.000 para a Colombari. O principal trabalho das equipes de técnicos da Copel e Itaipu no projeto piloto realizado na Granja Colombari em São Miguel do Iguaçu foi o de desenvolver um sistema simples, eficaz e de baixo custo que gerenciasse e compatibilizasse a geração de energia pelo produtor rural com os requisitos de segurança da concessionária para evitar acidentes com eletricistas e demais encarregados de operar e manter as redes de distribuição.

Segundo o superintendente de Energias Renováveis da Itaipu, Cícero Bley, “a somatória de muitos pequenos produtores é bastante interessante do ponto de vista energético, especialmente hoje em dia, em que as mudanças climáticas impõem a necessidade de desenvolver cada vez mais as fontes renováveis de energia”. “Tão importante quanto tornar comercialmente viáveis os projetos de pequeno porte, é o benefício ambiental”, disse Ghilardi.

FONTE: Gazeta Mercantil

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ANP quer mais biodiesel no diesel este ano

FolhaNews, do Rio
03/02/2009

A Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) vai dar sinal verde para que o percentual de biodiesel misturado ao diesel aumente ainda este ano. Atualmente, o diesel vendido no país contém 3% de biocombustível. Essa proporção poderá subir para 4%, caso o governo aprove a sugestão da ANP.

“A disponibilidade de biodiesel existente no mercado nos permite antecipar o B4 (4% de biodiesel). O ministro (de Minas e Energia, Edison Lobão) quer discutir essa questão”, disse o diretor-geral da agência, Haroldo Lima.

Já havia sido autorizado, em julho de 2008, o aumento de 2% para 3% na mistura de biodiesel no diesel, o que provocou uma demanda de 1 bilhão de litros de biodiesel. Caso a mistura de 4% seja autorizada, a demanda anual passará para 1,6 bilhão de litros.
A ANP informou ainda que o consumo de combustíveis no país em 2008 registrou o maior crescimento dos últimos cinco anos, com alta de 8,4% em relação ao ano anterior. O destaque foi o consumo de álcool hidratado (álcool combustível), que teve alta de 41,4% em 2008, para 13,2 bilhões de litros.

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