Negócios com eólicas atraem grupos elétricos tradicionais
Josette Goulart, de São Paulo
06/02/2009
A Cemig anunciou ontem a compra de 49% de três parques eólicos no Ceará e que vai pagar R$ 213 milhões pelos ativos, tornando-se sócia da argentina Impsa no negócio. A Cemig já possuía uma usina eólica, que foi construída em 1994, mas o anúncio de ontem mostra o momento vivido pelo setor em que grandes geradoras caminham para fortes investimentos em usinas eólicas.
A portuguesa EDP Energias do Brasil analisa projetos na área e o presidente da companhia, Antonio Pita de Abreu, diz que há ainda alguns bons projetos do Proinfa a serem analisados, mas são poucos. As usinas compradas pela Cemig estão também enquadradas no Proinfa, assim com o projeto Siif, também no Ceará, em que a AES tem investimentos. O grupo americano adquiriu debêntures no valor de R$ 300 milhões do projeto francês e a empresa tem direito a converter essa participação em ações, o que fará, segundo apurou o Valor.
E o interesse no setor não é exclusivo de tradicionais geradoras. O Fundo de Investimentos em Participações Brasil Energia, que pertence a fundos de pensão, tem em sua carteira debêntures que financiam a construção de três usinas eólicas. O total dos investimentos feito pelo fundo chegam a R$ 200 milhões e a exemplo dos recentes negócios anunciados também está aplicando em usinas do Proinfa.
O programa de incentivo a energias renováveis foi criado pelo governo federal em 2002 e contratou quase 1.500 megawatts de energia proveniente dos ventos. Mas ao longo dos anos, os projetos tiveram inúmeros empecilhos para sair do papel como problemas com licenciamento, regramentos que tiveram que ser alterados e também a exigência de um índice mínimo de equipamentos brasileiros nos projetos. A situação levou com que, segundo os dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mais de 640 MW não tenham previsão de entrada em operação.
Pelo cronograma da Aneel, a energia que foi toda vendida para a Eletrobrás precisaria começar a ser gerada até o final de 2008. A estatal acabou concedendo um prazo para análise dos motivos dos atrasos e que termina no dia 28 de fevereiro. A empresa informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que esse novo prazo serve para uma avaliação criteriosa das novas datas de entrada em operação, que foram solicitadas pelos próprios empreendimentos, e que evitaria a quebra do contrato.
O especialista em regulação da Aneel, Lincoln Braga, diz que o prazo que é levado em consideração para aplicação de penalidades é dezembro de 2008 mas que a agência estuda a possibilidade de flexibilizar essa data em linha com o que fez a Eletrobrás. Apenas 307 MW entraram em operação no período acertado. Cerca de 500 MW estão previstos para entrarem em operação ao longo de 2009.
A corrida das empresas em busca das usinas do Proinfa foi motivada pelo bom preço a que essa energia foi vendida na época. Em média, R$ 230 por megawatt hora. Valor que não deve se repetir quando o governo federal realizar o primeiro leilão de energia eólica neste ano. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, e que prepara as regras da disputa sempre foi enfático ao afirmar que um leilão de energia eólica só será possível se estiver dentro da modicidade tarifária. O leilão será aos moldes do realizado no ano passado e que contratou energia proveniente da biomassa. Os preços ficaram na faixa dos R$ 150,00.
O ex-diretor-geral da Aneel, Jerson Kelman, sempre se manifestou contra à realização do leilão de energia eólica neste momento. Ele defende que o Brasil ainda tem uma grande capacidade de geração hidráulica e de outras fontes alternativas, como a própria biomassa, e que não precisaria comprar uma energia mais cara. Para ele, o consumidor deveria ser consultado antes se está disposto a pagar mais por essa energia.
A Cemig não divulgou o retorno que terá com as três usinas que adquiriu. Juntas, elas têm capacidade de gerar 99,6 MW e nenhuma delas entrou ainda em operação. Com o negócio, a Cemig passa a ser parceira da empresa argentina Impsa que no ano passado inaugurou uma planta de fabricação de aerogeradores no país.
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Biocombustível sólido é alternativa para o ferro-gusa
Daniela Chiaretti, de Curvelo e Sete Lagoas
06/02/2009
O governo mineiro está empenhado em patrocinar um novo lobby verde que pode ajudar a indústria siderúrgica a encontrar uma saída para o impacto da crise internacional. Trata-se de promover o que está sendo chamado de “biocombustível sólido” ou “carvão vegetal renovável” e que vem a ser o plantio florestas de eucalipto para produzir ferro-gusa sem pressionar as matas nativas.
Por trás da iniciativa está a tentativa de conseguir o primeiro MDL programático do País. MDL é a sigla para Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, prevista no Protocolo de Kyoto, e que se traduz num instrumento em que os países ricos que têm que reduzir suas emissões de gases-estufa investem em projetos de tecnologia limpa nas nações mais pobres ou em desenvolvimento. Os primeiros recebem direitos de emitir, e os outros, créditos de carbono.
A iniciativa da siderurgia mineira é similar a de um MDL setorial. Na versão “programática” submete-se o conjunto de projetos ao comitê da ONU que analisa as propostas de MDL. A estratégia reduziria os custos de projeto e de consultoria, além de dar mais visibilidade ao setor. Os pesos-pesados do aço e ferro estão juntos neste processo: a ArcelorMittal, V&M Tubes e Plantar.
O primeiro passo é mudar a imagem negativa do setor, construída por décadas de desmatamento de florestas naturais. “Como a tradição brasileira sempre foi de consumir carvão vegetal de nativa, a imagem é muito negativa”, reconhece José Carlos Carvalho, secretário estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e que está pilotando o esforço . “O Brasil tem potencial para produzir carvão vegetal de forma sustentável e com um balanço de emissões muito positivo ao planeta.”
Há cerca de 70 siderúrgicas a carvão em Minas. Os dados oficiais estimam que 50% do carvão vegetal produzido no Estado vêm de florestas plantadas – mas suspeita-se que o volume de carvão proveniente de matas nativas esteja subestimado nesta estatística. “Dos 50% de carvão vegetal que vêm de mata nativa, o produzido em Minas corresponde a uns 15%”, estima Carvalho, que participa da delegação brasileira nas conferências climáticas internacionais. “O resto vem, na forma de carvão, do oeste da Bahia, de Goiás, de Tocantins, do sul do Maranhão.” Ele adianta que há articulações com o Ibama e outros Estados para criar uma política comum que iniba a queima de florestas nativas.
O lobby verde da siderurgia mineira ganhou pontos na semana passada quando 15 cientistas do IPCC, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas na sigla em português, estiveram ali conhecendo o viveiro e o processo de carbonização da Plantar S.A, a primeira siderúrgica do País a se tornar autossustentável. Os cientistas do IPCC, o braço científico das Nações Unidas, tinham vindo ao Brasil para o primeiro encontro de especialistas que produzirá um relatório sobre energias renováveis no mundo, a ser publicado em 2010. Saíram surpresos.
“O processo implementado pela Plantar parece um bom exemplo de como combustíveis fósseis podem ser substituídos de uma maneira sustentável e que leva em consideração não só os impactos ambientais como tem efeitos sociais positivos”, diz o professor alemão Manfred Fischedick, vice-presidente do Wuppertal Institut für Klima, Umwelt, Energie e coordenador do grupo de mitigação do relatório de renováveis do IPCC. “Replicar esta experiência no Brasil e em outras partes do mundo parece ser muito recomendável.”
A experiência da Plantar é emblemática no rumo do carvão verde. A empresa tem uma área de 23 a 25 mil hectares de floresta plantada em Curvelo, a 180 km de Belo Horizonte. Ali, um viveiro produz 30 milhões de mudas de eucalipto por ano utilizando nove clones mais produtivos. Parte da produção do viveiro é vendida e o restante utilizada na produção de 240 mil toneladas/ano de ferro-gusa. A produtividade do processo saltou de 15 m3 por hectare por ano para os 40 m3 por hectare atuais.
O pulo do gato da empresa esteve em alinhar a cadeia produtiva em uma rota ambiental. Em 1988 a Plantar quase quebrou quando o governo retirou os incentivos para atividades de reflorestamento. Mas em 2000, com o Protocolo de Kyoto em vigor, vislumbrou uma oportunidade de saída ao desenvolver um projeto de MDL. “Para produzir a mesma quantidade de carvão vegetal, o setor deveria usar uma área dez vezes maior de floresta nativa comparada à produtividade que consegue com clones”, estima Fabio Nogueira de Avelar Marques, gerente de projetos de carbono da Plantar. “Com os clones se consegue ter mais biomassa em menos hectares.”
O projeto de MDL da Plantar prevê que, em 28 anos, a empresa consiga um ganho de 12,8 milhões de toneladas de CO2 Esta conta foi feita calculando o quanto a empresa deixa de emitir produzindo gusa a partir de carvão vegetal renovável e não coque – são 2 toneladas de CO2 emitidas para cada tonelada de gusa produzida com coque. “Com o carvão renovável a emissão ocorre na carbonização, mas as florestas absorvem este CO2 e o balanço é positivo”, diz Marques. E, ainda, há o benefício das florestas plantadas, no ciclo de sete anos do corte do eucalipto. Este estoque significa uma tonelada de CO2 por cada tonelada de ferro-gusa produzido. Ou seja, estão nos plantios, que levam sete anos para crescer mas só um sétimo é colhido a cada ano. O carbono está lá, na raiz, no tronco, na galhada das árvores e no solo. “A emissão líquida do processo com carvão vegetal é zero. No caso do carvão mineral, não, só existe a emissão”, diz Marques.
Foi fazendo estes cálculos que a Plantar conseguiu montar seu projeto de MDL, reerguer-se e se tornar um modelo setorial. Não foi fácil, porque a empresa precisava de recursos imediatos para algo que levaria sete anos para dar retorno. Montou uma operação triangular. Negociou os créditos com o Fundo Protótipo de Carbono do Banco Mundial e conseguiu US$ 5 milhões com o holandês Rabobank.
Um segundo projeto de MDL, há outra emissão de metano evitada. O metano, outro gás de efeito-estufa que é 25 vezes mais nocivo ao aquecimento global que o CO2, também ocorre na carbonização, mas em pequena quantidade. Controlando melhor a temperatura dos fornos, a Plantar conseguirá evitar, em 28 anos, a emissão de 400 mil toneladas de CO2. “A crise internacional nos atingiu da mesma forma que a todo o setor”, reconhece Marques, lembrando que um dos dois alto-fornos está parado. “Mas o carbono pode ser um fator importante para ajudar o setor na crise”, continua. e novo lobby verde da indústria siderúrgica, o chamado biocombustível sólido. “Todos falam no etanol, o biocombustível líquido. Mas do carvão vegetal sustentável e renovável não se fala”, reclama.
O caminho da Plantar vem sendo seguido pelas outras grandes do setor. A ArcelorMittal Florestas tem 100 mil hectares de plantios florestais com eucaliptos, no sul da Bahia e em Minas, e tem um projeto de MDL nas áreas em que estimula plantios junto de produtores florestais. Os cientistas do IPCC, evidentemente, perguntaram se o eucalipto não exige água demais e seca o solo, e como evitam os males da monocultura. Marques mostrou a área de cerrado, que representa 20% da área total plantada da empresa. “Estamos fazendo isso há 40 anos. Se o eucalipto secasse o solo, isto aqui seria um deserto”, rebateu Geraldo Alves de Moura, diretor da Plantar S.A, apontando para o eucaliptal.
A jornalista viajou a convite do governo de Minas Gerais e do Fórum Mineiro de Mudanças Climáticas
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Filipinas importarão etanol do Brasil
Cingapura, 5 de Fevereiro de 2009 – As Filipinas vão importar etanol pela primeira vez, com o objetivo de reduzir a sua dependência do petróleo bruto importado, segundo informação divulgada ontem por um portavoz do governo daquele país. A maior parte do álcool combustível deverá ser comprada do Brasil, acrescentou a fonte.
“O principal fornecedor desse produto provavelmente será o Brasil, por se tratar de um grande produtor”, disse o vice-presidente do Conselho Nacional Biocombustíveis, Rafael Coscolluela, durante entrevista concedida em Manila. Coscolluela não informou quando seu país começará a importar o combustível que começará a ser misturado à gasolina na proporção de 5%.
Dependência externa
Para poupar divisas, as Filipinas, que importam quase todo o combustível usado nos veículos motorizados que circulam no país, começará a implementar, a partir de 6 de fevereiro, uma lei que obriga as empresas distribuidoras de combustíveis, entre elas a Petron Corp. e as unidades locais da Royal Dutch Shell Plc e da Chevron Corp., usem 5% de etanol na gasolina e 2% de biodiesel no diesel comum como forma de combater uma escassez de combustíveis. O governo disse que precisa de 184 milhões de litros de etanol para atender as necessidades de combustível neste ano. Além das Filipinas, os Estados Unidos e outros países estão exigindo o uso de bioetanol e biodiesel para aumentar a oferta de gasolina e diesel e reduzir a dependência do petróleo importado.
Eric Recto, presidente da Petron, a maior refinaria das Filipinas, e o porta-voz da unidade da Chevron no país, Toby Nebrida, se recusaram a prever as importações de etanol pelas suas empresas. O porta-voz local da Shell, Roberto Kanapi, não respondeu a ligações telefônicas.
(Bloomberg News)
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Colheita de cana superará 500 milhões de toneladas
Mônica Scaramuzzo, de São Paulo
04/02/2009
A produção de cana-de-açúcar no Centro-Sul do país deverá superar pela primeira vez a marca de 500 milhões de toneladas nesta safra (2008/09), graças à continuidade da moagem da matéria-prima durante o período de entressafra, confirmou ontem a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica). Até o dia 15 de janeiro, 46 usinas mantiveram o processamento da cana e pelo menos dez unidades poderão emendar uma safra na outra, se o clima permitir. Até agora, 26 unidades continuam em operação.
Levantamento da Unica mostra que até o dia 15 de janeiro a moagem totalizou 499,6 milhões de toneladas, volume 15,88% maior em relação ao ciclo anterior. Na primeira quinzena do mês, a moagem totalizou 2,34 milhões de toneladas de cana.
“A moagem ainda continua porque muitos projetos de novas usinas iniciaram suas operações no fim do ano passado”, afirmou Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da Unica. A maior produtividade registrada no período também colaborou para o bom desempenho do setor sucroalcooleiro.
A produção de açúcar totalizou 26,75 milhões de toneladas até o dia 15 de janeiro, alta de 2,11% sobre a safra 2007/08. A oferta de etanol, no mesmo período, atingiu 24,79 bilhões de litros, 22,59% superior ao total produzido na safra anterior.
No mercado interno, as vendas de etanol entre abril de 2008 e o dia 15 de janeiro de 2009 foram de 16,4 bilhões de litros, 25,2% maior sobre igual período do ciclo anterior. Já as exportações no mesmo período ficaram em 3,98 bilhões de litros, 67,2% superior ao verificado no mesmo período da safra passada.
Para 2009/10, a expectativa do mercado é de que a safra bata novo recorde, mesmo com boa parte das usinas passando por uma situação financeira delicada. O aumento da produção refletirá as expansões em curso de grupos do setor.
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Basf busca parceria para expandir pesquisas no setor sucroalcooleiro
Bettina Barros, de São Paulo
04/02/2009
“Os últimos serão os primeiros”. Foi usando o ditado brasileiro que o vice-presidente de Produtos para a Agricultura para a América Latina da Basf definiu a estratégia da empresa na área de biotecnologia. Walter Dissinger refere-se ao retorno da múlti alemã às pesquisas com um dos mais cortejados produtos agrícolas no momento: a cana-de-açúcar. Jefferson Dias/Valor
Walter Dissinger, vice-presidente da Basf: definição de parceria para pesquisa com cana deverá vir até o fim do ano
“Estamos estudando parceiros”, afirmou Dissinger ao Valor. “Devemos ter uma definição até o fim do ano”. A Basf, assim, dá continuidade ao processo de expansão do setor de sementes e defensivos para pesquisas com cana, iniciado em 2008. Em novembro, a gigante americana Monsanto adquiriu as empresas CanaVialis e Alellyx, da Votorantim Novos Negócios, voltadas para o melhoramento genético e biotecnologia com a cana.
Parceria, como sempre, é a palavra-chave. Por isso, a Basf quer repetir o modelo considerado de sucesso com a Embrapa, que resultou em uma variedade de soja tolerante aos herbicidas do grupo químico das imidazolinonas. A nova variedade aguarda aprovação para comercialização da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), e a expectativa da empresa é que ela chegue ao mercado em 2011.
Iniciada em 1997, a parceria com a Embrapa exigiu investimentos de R$ 15 milhões para o desenvolvimento do produto. Outros US$ 10 milhões deverão ser necessários para registrar a variedade nos demais países.
No caso da cana, a divisão de trabalhos será a mesma. A Basf entrará com o gene e a parceira escolhida com o desenvolvimento da cana geneticamente modificada. “Temos um banco de milhares de genes”, disse Luiz Louzano, gerente de Biotecnologia de Proteção de Cultivos da Basf. Grosso modo, o que os cientistas fazem é escolher alguns desses genes e inseri-los na cana, até que se encontre aquele que melhor responda ao aprimoramento desejado – elevar a produtividade.
Não é a primeira tentativa da Basf de entrar neste mercado. Entre 1999 e 2003, a empresa protocolou na CTNBio a liberação planejada no ambiente de variedades de cana com resistência ao mesmo grupo de herbicidas almejado na soja, as imidazolinonas. Na época, a múlti mantinha uma parceria com a Copersucar, que controlava o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e hoje tem outras usinas como sócias. “O projeto foi desativado”, afirmou Louzano. “As tecnologias eram limitadas. Achamos que ia levar muito tempo [para obter sucesso com a transgenia] e não tivemos como sustentar sozinhos.”
A conjuntura atual contribuiu para a empresa alemã mudar de opinião. O interesse internacional pela cana-de-açúcar cresceu. A exemplo do que ocorreu nos últimos anos com suas concorrentes diretas, a biotecnologia ganhou importância na Basf.
Em 1998, a múlti criou um braço específico para as pesquisas genéticas, o Basf Plant Science, com sede na Alemanha e escritórios nos EUA, Canadá e Bélgica. A área figura também entre os cinco “clusters” de inovação do grupo mundial, lado-a-lado com a nanotecnologia, o gerenciamento de energia, a biotecnologia branca (industrial) e a substituição de matérias-primas.
Entre 1998 e 2008, quase 1 bilhão de euros foi investido em pesquisas genéticas. A previsão de aporte futuro será divulgada em algumas semanas, após a empresa apresentar o balanço de 2008.
No exterior, a múlti tem entre seus parceiros a Monsanto, com a qual desenvolve variedades com maior produtividade e tolerância hídrica de milho, soja, algodão, canola e trigo. A expectativa é que o primeiro produto esteja disponível em 2015. As empresas injetarão, juntas, US$ 1,5 bilhão.
A biotecnologia vegetal representa hoje 23% de todo o investimento em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) da Basf mundial.
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Copel começa a comprar energia de biodigestores
04/02/2009
Assinatura dos primeiros contratos do País pela Companhia Paranaense de Energia (Copel) de aquisição de energia elétrica gerada a partir de biogás, energético resultante da biodigestão de dejetos de animais.
Historicamente sempre planejado com base em grandes empreendimentos, o setor elétrico brasileiro quebrou ontem um paradigma, inaugurando uma fase em que se demonstra a viabilidade técnica, econômica e ambiental da geração abaixo de 1 megawatt com a assinatura dos primeiros contratos do País pela Companhia Paranaense de Energia (Copel) de aquisição de energia elétrica gerada a partir de biogás, energético resultante da biodigestão de dejetos de animais.
Esse tipo de fornecimento de energia, denominado geração distribuída, foi criado por decreto presidencial em julho de 2004 e posteriormente regulamentada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Porém, faltava definir padrões de operação, que só foram alcançados a partir de testes promovidos em uma iniciativa conjunta da Itaipu Binacional, Copel e Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) , no Oeste paranaense.
Após muitos testes realizados no decorrer de 2008, com resultados bastante satisfatórios, a Copel fez uma “chamada pública” lançada no início de janeiro para comprar energia excedente dos projetos. As empresas que atenderam a chamada e comercializarão a eletricidade proveniente de biodigestores são a Sanepar (Estação de Tratamento Ouro Verde, de Foz do Iguaçu), Granja Columbari (suínos, em São Miguel do Iguaçu), Cooperativa Lar (produção de suínos, criação de aves e frigorífico de aves) e StarMilk (produção leiteira). São seis contratos, que totalizam potência de até 524 kW (quilowatts), energia suficiente ao atendimento de uma centena de moradias de padrão médio.
Segundo Rubens Ghilardi, presidente da Copel, os projetos de geração descentralizada no meio rural historicamente esbarravam num sério problema de ordem operacional e de segurança: a geração em paralelo com as redes de distribuição da concessionária exporia os eletricistas ao risco de acidentes, o que foi resolvido pelas empresas. A autorização para este tipo de aquisição foi concedida no final de julho de 2008 pela Aneel. “Além de criar uma receita adicional aos produtores, a compra reforça as disponibilidades de energia para atendimento ao mercado consumidor”, disse.
“Foi um trabalho de dois anos em que a Itaipu atuou de forma coordenada com duas empresas estatais do Paraná para o desenvolvimento dessa nova modalidade de geração, que pode representar pouco em termos de potência acrescentada, mas que significa muito em termos econômicos para os produtores rurais”, afirmou o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Jorge Samek. A Granja Colombari, que foi o primeiro dos seis protótipos a entrar em operação, produz 384 kilowatts/hora por dia, a partir dos dejetos de 3 mil suínos. A expectativa é vender, em média, um terço dessa carga para a Copel. Estudos iniciais sobre a rentabilidade do negócio indicam que a comercialização de energia deverá proporcionar uma receita mensal de até R$ 1.000 para a Colombari. O principal trabalho das equipes de técnicos da Copel e Itaipu no projeto piloto realizado na Granja Colombari em São Miguel do Iguaçu foi o de desenvolver um sistema simples, eficaz e de baixo custo que gerenciasse e compatibilizasse a geração de energia pelo produtor rural com os requisitos de segurança da concessionária para evitar acidentes com eletricistas e demais encarregados de operar e manter as redes de distribuição.
Segundo o superintendente de Energias Renováveis da Itaipu, Cícero Bley, “a somatória de muitos pequenos produtores é bastante interessante do ponto de vista energético, especialmente hoje em dia, em que as mudanças climáticas impõem a necessidade de desenvolver cada vez mais as fontes renováveis de energia”. “Tão importante quanto tornar comercialmente viáveis os projetos de pequeno porte, é o benefício ambiental”, disse Ghilardi.
FONTE: Gazeta Mercantil
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ANP quer mais biodiesel no diesel este ano
FolhaNews, do Rio
03/02/2009
A Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) vai dar sinal verde para que o percentual de biodiesel misturado ao diesel aumente ainda este ano. Atualmente, o diesel vendido no país contém 3% de biocombustível. Essa proporção poderá subir para 4%, caso o governo aprove a sugestão da ANP.
“A disponibilidade de biodiesel existente no mercado nos permite antecipar o B4 (4% de biodiesel). O ministro (de Minas e Energia, Edison Lobão) quer discutir essa questão”, disse o diretor-geral da agência, Haroldo Lima.
Já havia sido autorizado, em julho de 2008, o aumento de 2% para 3% na mistura de biodiesel no diesel, o que provocou uma demanda de 1 bilhão de litros de biodiesel. Caso a mistura de 4% seja autorizada, a demanda anual passará para 1,6 bilhão de litros.
A ANP informou ainda que o consumo de combustíveis no país em 2008 registrou o maior crescimento dos últimos cinco anos, com alta de 8,4% em relação ao ano anterior. O destaque foi o consumo de álcool hidratado (álcool combustível), que teve alta de 41,4% em 2008, para 13,2 bilhões de litros.
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