24 de Março de 2009
Metrópoles brasileiras emitem menos CO2
Comparação entre 12 grandes cidades de três continentes indica que emissão por pessoa é menor em São Paulo e no Rio. Estudo afirma que regiões metropolitanas não são as grandes vilãs do clima e que sua emissão per capita é menor que a média nacional
Afra Balazina escreve para a “Folha de SP”:
Paulistanos e cariocas estão entre os moradores de grandes cidades do mundo que menos emitem gases-estufa, segundo um estudo que comparou 12 metrópoles em três continentes. Considerando o total de CO2 emitido por habitante, as cidades brasileiras ficaram atrás até mesmo de cidades europeias, consideradas “limpas”, e muito atrás de metrópoles norte-americanas e asiáticas.
São Paulo e Rio têm maiores emissões no setor de lixo, mas no setor de transporte elas ficam abaixo das demais analisadas. Nova York, por exemplo, captura o metano dos aterros sanitários e possui emissão zero em resíduos sólidos. Em São Paulo, que também capta metano nos aterros Bandeirantes e São João, as emissões desse setor representam 23,6% do total municipal. No Rio, elas representam 36,5%.
O dado não é motivo para comemorar, já que a avaliação não diz respeito à poluição do ar nas cidades – nesse quesito, São Paulo continua entre as piores do mundo, especialmente no setor de transporte.
E o estudo lembra que, no Brasil, as maiores emissões são provenientes de desmatamento e da criação de gado.
Se forem levadas em conta as emissões totais (e não a per capita), as cidades brasileiras estão próximas de Washington e Glasgow. Mas ainda emitem bem menos do que Londres, Nova York e Toronto.
Segundo a pesquisa, publicada no periódico “Environment & Urbanization”, as grandes cidades nem sempre são as maiores vilãs do clima. O levantamento mostra que em metrópoles como São Paulo, Londres e Nova York as emissões per capita são bem menores do que a média nacional.
Os nova-iorquinos respondem por menos de um terço da média de emissão dos EUA. Os londrinos, por pouco mais da metade das emissões da média do Reino Unido. Em São Paulo e no Rio, as emissões per capita não chegam a um terço da média brasileira.
O autor do estudo, David Dodman, pesquisador do Instituto Internacional para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, afirma que não há nenhuma ligação fundamental entre a urbanização e altos níveis de emissão de gases-estufa.
“Ao contrário, cidades bem planejadas e bem geridas podem desempenhar um papel central para ajudar a mitigar a mudança climática”, diz.
Na Ásia, por exemplo, ele ressalta que a cidade mais rica, Tóquio, tem menores emissões por pessoa do que Pequim ou Xangai. “Isso mostra que a prosperidade não conduz, inevitavelmente, ao aumento das emissões”, diz Dodman.
De acordo com ele, em Londres as emissões de transporte são menores do que na maioria das grandes cidades “como resultado de alto uso de transporte coletivo, grande investimento em infraestrutura e políticas para promover alternativas ao uso de veículos”.
Vazamento
Os inventários não levam em conta onde os itens são consumidos. Isso pode beneficiar algumas cidades avaliadas, já que muitos processos poluentes de fabricação e com alta emissão de carbono já não estão mais localizados nessas metrópoles, mas em outras partes do mundo em que os salários são mais baixos e há menor rigor ambiental. Esse tipo de “vazamento” é o que torna as emissões chinesas tão altas.
Segundo o consultor Fabio Feldmann, secretário-executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas, essa é uma questão relevante. “Uma usina termelétrica pode estar localizada em outra cidade e sua energia ser usada em São Paulo, por exemplo. A qual delas você atribui a emissão?”, questiona.
Ele lembra que, se a região amazônica fosse avaliada, as emissões per capita seriam altíssimas – pois a população é pequena e há muito desmatamento e gado.
O declínio das indústrias nas grandes cidades também explica em parte a situação. No Rio, a proporção das emissões do setor industrial passou de 12% em 1990 para 6,2% em 1998.
(Folha de SP, 24/3)
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Agência dos EUA vai regular nível de CO2
24/03/2009 – 13:03 – Agência Estado
Em breve a administração do presidente americano Barack Obama deve marcar uma nova ruptura em relação à política ambiental de seu antecessor, o republicano George W. Bush.
A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) prepara-se para declarar nos próximos dias que os gases do efeito estufa são poluentes e danosos à saúde e ao bem-estar públicos. Essa simples e aparentemente óbvia qualificação, até hoje engavetada pelo governo, abre caminho para que gases como dióxido de carbono, metano e outros ligados ao aquecimento global fiquem sujeitos a regulamentação federal. Isso inclui o poder de fixar cortes de emissão por veículos motorizados, o que desperta fortes resistências da já combalida indústria automobilística.
No mês passado, a administradora da EPA, Lisa Jackson, indicou de maneira enfática que a agência tomará uma decisão antes do dia 2 de abril. A data marca o segundo aniversário de uma decisão da Suprema Corte ordenando que a agência definisse se o dióxido de carbono e outros gases do efeito estufa deveriam ou não ser qualificados como poluentes, no contexto da Lei Federal do Ar Limpo (Clean Air Act).
A decisão judicial foi ignorada por Bush, embora houvesse forte consenso entre os especialistas da agência de que tal determinação é apoiada por pesquisas científicas.
Agora, embora a ação da agência fosse amplamente aguardada, a indicação de que finalmente vai ocorrer estimulou comemorações entre grupos ambientalistas e congressistas do Partido Democrata. Ela também provocou, como era de se esperar, queixas de empresários.
FIM DE ERA
“Esse documento vai acabar oficialmente com a era da negação do aquecimento global”, disse o deputado federal Edward Markey, democrata de Massachusetts que preside um comitê sobre aquecimento global.
John Walke, advogado sênior no Conselho de Defessa dos Recursos Naturais, celebrou a decisão da agência como o início de um novo esforço de combate ao aquecimento global, que, espera, culminará em nova lei federal. “Por algum tempo nós poderemos fazer esforços conjuntos com a EPA para buscar um regulamento, enquanto o show principal deverá ocorrer no Congresso”, afirmou.
O próximo passo da agência, uma vez definidas suas atribuições, deve ser o controle da emissão de gases-estufa por usinas de energia, refinarias de petróleo, fábricas de cimento e outras.
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segunda-feira, 23 de março de 2009
Mundo apoia meta climática para 2050, mas diverge sobre caminhos
ALISTER DOYLE – REUTERS
OSLO – Os governos do mundo em geral apoiam a adoção de metas rígidas contra as emissões de gases do efeito estufa até 2050, mas há fortes diferenças sobre como dividir a conta, segundo um novo guia para os negociadores envolvidos na definição do futuro tratado climático da ONU.
Um documento a ser apresentado num evento da entidade entre os dias 29 de março e 8 de abril afina uma lista de ideias que podem constar no novo tratado climático, a ser definido em dezembro em Copenhague. A nova lista tem cerca de 30 páginas, contra 120 de um texto do final do ano passado.
“Isso mostra que ainda há muito a ser feito. E mostra também o que precisa ser feito”, disse à Reuters na segunda-feira Yvo de Boer, chefe do Secretariado de Mudança Climática da ONU, referindo-se ao texto de Michael Zammit Cutajar, presidente de um grupo de negociação da ONU.
“É um bom impulso em direção a uma pauta mais precisa, voltada para preencher as lacunas”, disse De Boer.
Mais de 190 governos nacionais aceitaram em 2007 preparar até o final 2009 um novo tratado climático que vigore a partir de 2013, quando expira o atual Protocolo de Kyoto. A ONU alerta que as mudanças climáticas, provocadas principalmente pela atividade humana, podem causar efeitos em todo o mundo, incluindo secas, inundações, ondas de calor e aumento dos mares.
“Há um amplo apoio das partes a uma meta indicativa, baseada na ciência, para a redução dos gases do efeito estufa até meados do século”, segundo o texto.
Possíveis metas incluem a redução das emissões pela metade até 2050, reduções profundas para limitar o aumento da temperatura a 1,5-2C acima dos níveis pré-industriais, ou o estabelecimento de uma cota baixa de emissões pessoais para todos.
O texto acrescenta que “há uma falta de convergência a respeito da questão da contribuição por diferentes grupos de países para que se alcance a meta de longo prazo e quanto aos caminhos para isso”.
Os países ricos prometem liderar os cortes nas emissões, mas dividir o ônus entre ricos e pobres é um enorme conflito. Além disso, a recessão pode afetar o empenho dos países em fazer investimentos que levem à substituição de fontes poluentes, como a energia obtida do carvão, por fontes energéticas renováveis.
De Boer disse que uma meta para o distante 2050 não é irrelevante, por exemplo, para um investidor que cogite construir uma usina termoelétrica com altos índices de emissão de carbono.
Ele acrescentou que o texto mostra uma “forte convergência” quanto à necessidade de metas intermediárias ambiciosas para os países desenvolvidos, que sejam as mais próximas possíveis da redução de 25-40 por cento preconizada pelo Painel Climático da ONU para ser alcançada até 2020, em comparação com os níveis de emissões de 1990.
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