Etanol

Brenco fecha financiamento de R$ 1,8 bi para usinas de etanol

Cristiane Perini Lucchesi, de São Paulo
12/03/2009

A crise internacional não impediu a Brenco – Companhia Brasileira de Energia Renovável de obter o R$ 1,8 bilhão necessário para levar à frente a construção de quatro usinas de etanol e de energia elétrica no Pólo Alto Taquari, em Mato Grosso, e Mineiros, em Goiás. “Criamos uma estrutura de garantias que nos permitiu trazer credores para a transação”, afirma Alfredo de Freitas, diretor financeiro.

Do total do projeto, R$ 600 milhões serão obtidos por meio de capital de uma ampla lista que inclui mais de 20 diferentes acionistas, em uma pulverização raramente vista em projetos no Brasil. “A Brenco é um projeto, mas também uma companhia de mercado”, comenta Freitas. “Temos balanço auditado desde o começo, em agosto de 2008, e reuniões periódicas do conselho de administração”, conta. Nesse tipo de modelo de “project finance”, admite ele, os credores não têm como recorrer ao balanço do principal ou principais acionistas patrocinadores do projeto, os chamados “sponsors”.

 

 

“O fluxo de pagamentos do financiamento virá da geração de caixa do próprio projeto, em um clássico ‘project finance’, o primeiro desse tipo no setor no Brasil”, diz Eduardo Gentil, diretor da área de fusões e aquisições e de financiamento de projetos do Itaú BBA, que, junto com o Banco do Brasil, liderou a estruturação do financiamento. O BNDESPar, a empresa de participações do BNDES, entrou com 20,90% do capital e ficou entre os principais acionistas da Brenco. Se destacam também entre os acionistas o fundo Ashmore, o Amber Master Fund, o Goldman Sachs e o BNP Paribas, entre outros.

Do R$ 1,2 bilhão que será obtido por meio de dívida, R$ 100 milhões são recursos do Fundo do Centro Oeste que serão repassados por meio do BB. O resto do dinheiro – R$ 1,1 bilhão – virá do BNDES: R$ 465 milhões diretamente e R$ 635 milhões por meio do repasse de um grupo de bancos. Os R$ 465 milhões que serão repassados pelo próprio BNDES têm uma garantia de fiança de R$ 90 milhões fornecida por meio de carta de crédito pelos bancos ao BNDES na fase pré-operacional das quatro usinas. Depois que as usinas funcionarem à plena capacidade (duas provavelmente neste ano e duas em 2010), o BNDES fica com todo o risco dos R$ 465 milhões.

“É uma estrutura mista de participação do BNDES”, explica Maria Estela Ferraz de Campos, gerente da área de financiamento de projeto do Itaú BBA. Participam no repasse das linhas do BNDES a Caixa Econômica Federal, o Bradesco, o Unibanco, o KDB (Banco de Desenvolvimento da Coréia), o Banco Votorantim e o Banco do Nordeste (BNB).

O prazo de vencimento do financiamento é em sua maior parte de dez anos, mas chega a 16,5 anos. Os juros, considerando-se a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) de hoje, serão de 9,5% a 10% ao ano.
Freitas explica que a Brenco já vendeu energia em leilão em um total de cerca de R$ 150 milhões para fornecimento em 15 anos e que os próprios recebíveis desses contratos fazem parte do esquema de garantias aos credores.

Há também um seguro contra o risco de não-implantação do projeto, chamado em inglês de seguro de “completion”, no valor de R$ 600 milhões, firmado com a seguradora paranaense J Malucelli, cujos beneficiários são os credores. “Há também garantias mais tradicionais em financiamentos desse tipo, como a hipoteca dos imóveis e a alienação dos equipamentos do projeto”, explicou Freitas. O primeiro desembolso foi feito no dia 27 de fevereiro último.

Leia na fonte


Quinta-Feira, 12 de Março de 2009

Brasil também quer ampliar entendimento sobre etanol

Patrícia Campos Mello

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve sugerir ao presidente americano, Barack Obama, uma ampliação do memorando de entendimento de biocombustíveis, assinado em março de 2007, para que os dois países promovam o uso do etanol e combatam o aquecimento global.

Lula não deve pedir diretamente a redução da tarifa sobre o etanol brasileiro, o que depende do Congresso. Mas pode propor a ampliação do memorando para que o Brasil tenha acesso a uma cota livre de taxação, enquanto a tarifa em si não é rediscutida no Congresso em 2011.

Obama já salientou a importância que dá à “segurança energética das Américas”, assunto que deve discutir na Cúpula das Américas, entre 17 e 19 de abril, em Trinidad e Tobago. O presidente americano deve enfatizar no encontro com Lula a importância da colaboração hemisférica para a mudança climática.

Brasil e EUA assinaram um memorando de entendimento que prevê maior colaboração para promover biocombustíveis e produção de etanol em terceiros países. Até agora, o efeito do memorando foi limitado.

A indústria de etanol brasileira está de olho no mercado de créditos de carbono que será criado nos Estados Unidos . O sistema de “cap and trade” de créditos de carbono é uma das principais bandeiras de Obama e ele conta com a receita do mercado para financiar boa parte da reforma do sistema de saúde.

A indústria brasileira quer colaboração binacional para que o etanol tenha um grande papel em relação à redução de emissões de poluentes e que se estabeleçam metodologias para que o uso de etanol seja contabilizado na redução de emissões.

A indústria quer que os EUA adotem fórmula ou cota que dê maior previsibilidade ao fornecimento de etanol, que flutua muito a cada ano. Segundo Marcos Jank, presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), por mais que a economia esteja em crise e o consumo de combustível esteja em queda nos EUA, há um mandato de uso de etanol a ser cumprido e os americanos não darão conta, precisando de importação.

Não se espera que Lula entre em muitos detalhes com Obama, uma vez que os dois só estarão juntos por 20 minutos – os ministros terão outros 40 minutos de encontros.

Leia na fonte

.