ECONOMIA VERDE
26 de março de 2009
Cúpula do G20 testará disposição de potências com economia verde
GERARD WYNN - REUTERS
LONDRES - A cúpula do G20 na semana que vem será um teste sobre a determinação das grandes economias mundiais para combater a mudança climática, após terem gasto trilhões de dólares em pacotes de resgate a bancos e em apoio à economia global.
O encontro de 2 de abril em Londres entre os líderes dos principais países desenvolvidos e emergentes tem como objetivo combater a crise financeira.
O primeiro-ministro britânico e anfitrião do evento, Gordon Brown, também quer coordenar investimentos para uma resposta global à mudança climática.
Se a reunião de cúpula não conseguir ampliar sua agenda para incluir investimentos ambientais isso seria percebido, na melhor das hipóteses, como uma chance desperdiçada e, na pior delas, uma evidência do entusiasmo cada vez menor para aprovar ainda este ano um ambicioso pacto que substitua o Protocolo de Kyoto após 2012.
“Precisamos de um sinal muito claro de que o G20 vê isso como algo maior do que apenas resolver uma crise financeira”, disse Achim Steiner, diretor-executivo do Programa Ambiental da Organização das Nações Unidas (ONU).
“Quando você vê 100 bilhões de dólares sendo destinados para o resgate de uma ou duas empresas, é preciso se perguntar se essa é a forma mais racional de lidar com uma ameaça (climática) que terá consequências econômicas muito maiores e sofrimento humano.”
A reunião de Londres coincide, na semana que vem, com a retomada das negociações sobre o clima mediadas pela ONU em Bonn, na Alemanha, propostas para estabelecer as bases para um novo tratado sobre o clima numa reunião em Copenhague, em dezembro.
As potências mundiais do G20 poderão confirmar na próxima quinta-feira a sua determinação em chegar a um novo tratado sobre o clima em Copenhague, além de instar por gastos onde for possível em um plano de estímulo global de 2 a 3 trilhões de dólares para causas “verdes”, dizem analistas.
Estados Unidos, União Europeia, China e Coreia do Sul têm conduzido planos de investimentos ambientais de 300 bilhões a 500 bilhões de dólares, ou cerca de 15 por cento dos planos de estímulo econômico gerais, para desenvolver tecnologias com baixo uso de carbono, melhorar a eficiência energética e proteger o ambiente.
Boa parte do valor será gasto nos próximos dois anos.
Alguns analistas e grupos ambientais argumentam que isso não é suficiente, ponderam que os gastos com o clima no futuro serão cortados pela crescente dívida pública e preocupam-se que alguns dos projetos planejados, como construção de estradas, vão significar emissões de carbono no futuro.
Defensores do meio ambiente dizem que projetos de infraestrutura para construir parques eólicos e aperfeiçoar a eficiência das casas criarão empregos e combaterão ameaças pós-recessão, incluindo segurança energética e mudança climática.
Quarta-Feira, 25 de Março de 2009
Novas fábricas ”verdes” reduzem impacto ambiental
Unidades como as da Sadia e da Coca-Cola têm iluminação solar e reutilizam água e resíduos
Andrea Vialli
Novas fábricas no País estão sendo projetadas para serem “verdes”. Reúso de água, iluminação por células fotovoltaicas, mitigação de gases estufa e reaproveitamento dos resíduos estão entre as novidades das novas unidades. A tendência das construções “verdes”, que já vinha sendo utilizada em condomínios e no varejo, chega, assim, à indústria.
Um exemplo é a fábrica da Sadia em Pernambuco, inaugurada na segunda-feira em Vitória de Santo Antão (PE), a 53 quilômetros de Recife. A indústria, que vai fabricar embutidos, foi um dos únicos investimentos da empresa mantidos após o agravamento da crise e a perda de R$ 760 milhões em operações com derivativos cambiais. Segundo Gilberto Tomazoni, diretor- presidente da Sadia, a fábrica foi concebida com o objetivo de ser referência em sustentabilidade no setor de alimentação.
“O projeto prevê autossuficiência em água, uma vez que a região é carente em recursos hídricos. Cerca de 40% da água será reaproveitada internamente”, diz Tomazoni. Parte da energia elétrica será suprida por painéis fotovoltaicos e haverá também um plano para qualificar trabalhadores na região.
Outra companhia que está indo nessa direção é a Coca-Cola Brasil, que tem três projetos de fábricas “verdes”. Uma delas é a da Matte Leão, marca de chás adquirida pela Coca-Cola. A unidade, já em construção na Grande Curitiba e prevista para entrar em operação até julho, terá captação de água da chuva, telhados com cobertura vegetal e painéis fotovoltaicos, explica Maurício Bacellar, gerente de Relações Institucionais da Coca-Cola Brasil.
Os projetos de fábricas verdes, no entanto, podem não passar de uma boa ferramenta de marketing caso não estejam vinculados a um plano de desenvolvimento sustentável regional. “Essa tendência é positiva, mas precisa ir além. Senão, teremos só ilhas de excelência em um entorno degradado”, diz Paulo Durval Branco, diretor da consultoria da área de sustentabilidade Ekobé.
