Arquivo de abril, 2009

Mudanças climáticas

28/04/09

Estados Unidos e Brasil: de Copenhague a Genebra

Por Carlos A. Cavalcanti e Diego Z. Bonomo
27/04/2009

Para o Brasil, o risco iminente é a transferência do passivo ambiental dos EUA, estimulada pelos lobbies protecionistas

Os Estados Unidos voltarão à mesa de negociações para a construção do novo regime multilateral de combate às mudanças climáticas. A integração ao regime será traduzida por significativo esforço de descarbonização de sua economia por meio de mudanças na matriz energética e na adaptação do parque industrial. Ao Brasil, interessa acompanhar esse esforço e preparar-se para as oportunidades que serão abertas em iniciativas de cooperação bilateral, regional e multilateral, com ênfase na área de energia.

Três fatos recentes apontam para o rompimento da posição do governo Obama com aquela do presidente Bush. O primeiro foi o enunciado feito em seu discurso ao Congresso dos Estados Unidos: as prioridades do novo governo serão energia, educação e saúde. O presidente deixou claro, também, a meta de criar um mercado de carbono no país. O segundo foi a materialização dessas prioridades no orçamento enviado pela Casa Branca ao Legislativo. O terceiro foi a apresentação, pela senadora Barbara Boxer, presidente do Comitê de Meio Ambiente e Obras Públicas, de seis “princípios” que devem nortear a redação da lei que estabelecerá o novo regime americano de controle e redução de gases causadores do efeito estufa. Ação complementada por projeto de lei do deputado Henry Waxman, presidente do Comitê de Energia e Comércio da Câmara.

Há, portanto, clareza por parte do establishment político americano sobre a necessidade de descarbonização da economia do país, mesmo diante da crise econômica. Obama, em particular, crê que o esforço poderá traduzir-se na própria solução para a situação atual. Esforços de mudança na matriz energética criarão oportunidades de investimento e de geração de empregos. De forma complementar, a adoção de regime nacional de combate às mudanças climáticas, com a consequente adaptação do parque industrial doméstico, poderá permitir aos Estados Unidos assistirem a um rejuvenescimento de sua indústria, assim como à manutenção de seu edge tecnológico frente à União Europeia, ao Japão e às economias emergentes. O desejo final, quase utópico, é criar uma nova classe média de “colarinhos verdes”.

Embora a Casa Branca esteja disposta a implementar esse ambicioso plano, o Congresso deverá enfrentar longo e turbulento debate, sobretudo no que diz respeito à construção do regime nacional de combate às mudanças climáticas. Hoje, assim como no final da legislatura anterior, as posições encontram-se polarizadas. De um lado, estão os defensores do sistema de cap-and-trade, que criaria um mercado de carbono baseado no comércio de licenças. De outro, os apoiadores da carbon tax, isto é, da imposição de impostos que desestimulem a produção intensiva em carbono. Os críticos da primeira opção alegam que o sistema de cap-and-trade será demasiado oneroso para as indústrias intensivas em energia e carbono, constituindo-se em risco para a competitividade da produção americana. Já os opositores da segunda opção, afirmam que a criação de novos impostos resultará apenas na incorporação de custos pelas indústrias dos Estados Unidos sem efeito real positivo para o meio ambiente.

Para o Brasil, o risco iminente é o da tentativa de transferência dos custos do passivo ambiental americano, sobretudo quando estimulada pelos lobbies protecionistas. Em outras palavras, o risco de os EUA adotarem mudanças em sua matriz energética e na construção do regime nacional de combate às mudanças climáticas que afetem, de forma negativa, o comércio exterior e os investimentos brasileiros por meio da criação de novas barreiras tarifárias e não tarifárias.

De fato, o fortalecimento do regime multilateral de combate às mudanças climáticas terá de buscar sua harmonização com o sistema multilateral de comércio. Ainda não há clareza sobre como o tema das mudanças climáticas - e o da energia - poderão ser incorporados às regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), mas a política externa e comercial americana já os trata como pilares de uma estratégia comum. O novo mantra, que parece surgir tanto no Congresso, como no USTR, é composto por três elementos: energia, meio ambiente e padrões trabalhistas. Ao menos de Washington, as negociações multilaterais sobre mudanças climáticas que levarão a um potencial acordo em Copenhague, no final do ano, parecem relacionadas àquelas de Genebra, que determinarão o futuro da Rodada Doha, da própria OMC e do multilateralismo, de modo geral.

O governo e o setor privado brasileiros não devem temer a agenda de meio ambiente e padrões trabalhistas, antiga demanda do governo Clinton, mas agora imbuída da urgência causada pelas mudanças climáticas e pela integração de China e Índia à economia mundial.

O Brasil é uma potência verde inegável: 85% da geração de energia elétrica do país vem das águas; 45% da matriz é de fontes renováveis (contra a média de apenas 6% dos países da OCDE); e mais de 50% do combustível consumido pela frota de veículos leves é produzido de biomassa. Além disso, o Brasil possui reservas (e tecnologia de enriquecimento) de urânio e 90% do estoque mundial de silício, utilizado na produção de células fotovoltaicas.

Em matéria de produção de energia, não há parâmetro de comparação do país com qualquer outro. No entanto, o Brasil terá de enfrentar, com serenidade e disposição, o problema do desmatamento da Amazônia, responsável por 75% das emissões brasileiras de CO2.

No que diz respeito aos padrões trabalhistas, o país possui extensa legislação para proteção dos direitos sociais - e não abrirá mão da herança construída desde os anos 1930 e consolidada na Constituição de 88. O Brasil já assinou as principais convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e faz avanços, ano a ano, em matéria de implementação das leis domésticas - entre elas, o combate ao trabalho infantil. O exemplo brasileiro, portanto, assemelha-se ao da União Europeia, diferenciando o país dos Estados Unidos, da Índia e da China.

Se houver compromisso de convergência entre governo, empresários, trabalhadores e ambientalistas em torno de uma estratégia nacional e de política externa que incorpore esses desafios, o Brasil poderá liderar o esforço internacional de criação de uma economia verde com justiça social. Para tanto, a diplomacia e o empresariado brasileiros deverão cumprir com três requisitos fundamentais: pragmatismo nas alianças; responsabilidade no reconhecimento do sentido de urgência das oportunidades; e ecumenismo no tratamento dos desafios a serem enfrentados pelo país. Nesse caso, não há melhor inovação do que a tradição.

Carlos A. Cavalcanti é industrial, diretor titular de Energia, Vice-Presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (COSCEX) e do Conselho Superior de Infraestrutura (COINFRA) da Fiesp.
Diego Z. Bonomo é diretor executivo do Brazil Information Center (BIC), entidade de representação de empresas brasileiras em Washington D.C. (EUA).

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23/04/2009

ONU pede que G8 atue mais na defesa do clima

Siracusa (Itália), 23 de Abril de 2009 - Os Estados Unidos e outros países ricos precisam ser mais atuantes para ajudar a fechar um acordo histórico sobre mudança climática este ano, disse uma importante autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) em um encontro de ministros do Meio Ambiente.

A reunião de três dias dos países do Grupo dos Oito e das principais economias em desenvolvimento, inaugurada nesta quarta-feira na Sicília, tem sido saudada como o ponto de partida para um acordo sobre mudança climática patrocinado pela ONU, previsto para ser aprovado em dezembro em Copenhague.
Todos os olhos se voltaram para a delegação norte-americana, uma vez que o presidente Barack Obama prometeu reduzir as emissões de gases-estufa dos EUA para os níveis de 1990 até 2020, injetando ânimo às negociações de Copenhague.

Seu antecessor, George W. Bush, rejeito o Protocolo de Kyoto, que será substituído pelo novo acordo deste ano. “Não é suficiente e os EUA precisam fazer mais”, disse à Reuters Yvo de Boer, a principal autoridade da ONU para mudança climática. “Sem a liderança dos países do G8, não haverá uma resposta internacional à mudança climática. Esse encontro precisa mostrar o caminho”.

Cientistas dizem que os países industrializados como um todo precisam reduzir as emissões de carbono para entre 24 e 40 por cento dos níveis de 1990 a fim de evitar um impacto severo da mudança climática.
De Boer afirmou que existe vontade política para fechar um acordo em Copenhague e que a crise econômica dá a chance de promover a tecnologia verde como parte dos pacotes de estímulo — algo que países em desenvolvimento como China e Coréia fizeram, segundo ele.

O encontro do G8, inaugurado no Dia da Terra, reuniu pela primeira vez nove economias em desenvolvimento, incluindo Brasil, Índia e China, num esforço para pressionar por um consenso mundial.
De Boer pediu que a conferência aprove um pacto de cooperação tecnológica entre os membros do G8 e países em desenvolvimento. Ele disse que se encontraria com autoridades de países industrializados a fim de pressionar por dinheiro para ajudar a financiar a mudança tecnológica do mundo em desenvolvimento, uma das principais demandas dos países mais pobres do mundo.
(Reuters)

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Etanol

28/04/09

Califórnia dá aval ao etanol feito de cana

27/04/2009

O governo da Califórnia aprovou, na quinta-feira à noite, a regulamentação de um Padrão de Combustível de Baixa Emissão de Carbono (ou LCFS), que reconhece a redução nas emissões de carbono proporcionadas pelo etanol à base de cana. A decisão do Conselho de Qualidade do Ar do Estado da Califórnia (CARB) deverá beneficiar diretamente o etanol brasileiro.

O anúncio foi comemorado pelas usinas de álcool do país, uma vez que deverá favorecer o acesso do etanol brasileiro nos EUA, os maiores produtores de álcool à base de milho, de acordo com a Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar). Os EUA são os maiores importadores do combustível brasileiro. No ano passado, o país exportou cerca de 5 bilhões de litros, dos quais dois terços tiveram como destino o mercado americano. 

Nos EUA, a decisão não agradou a Associação dos Combustíveis Renováveis (RFA , na sigla em inglês). Para o presidente da associação, Bob Dinneen, a aprovação desta decisão estabelece um “perigoso precedente sobre a aplicação de uma ciência não provada em todo o país”.

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23/04/2009

Tecnologia reduz resíduo do etanol

Com adaptação nas usinas, é possível cortar pela metade o volume produzido de vinhaça, dizem pesquisadores

Pesquisadores da academia e da iniciativa privada descobriram uma maneira de reduzir pela metade a quantidade de vinhaça resultante da produção de etanol. A vinhaça é o principal resíduo da indústria da cana - uma mistura de água com matéria orgânica e sais que não pode ser despejada nos rios. A solução desenvolvida pelos cientistas foi duplicar o teor alcoólico dos tanques de fermentação, o que permite produzir mais álcool (e menos vinhaça) de um mesmo volume de açúcar.

Hoje, a maioria das usinas trabalha com um teor alcoólico de 8% nos tanques. Mais do que isso e as leveduras responsáveis pela fermentação morrem intoxicadas no tanque. O resultado é que para cada 1 litro de álcool são produzidos até 12 litros de vinhaça .

Como a vinhaça é rica em potássio - e como a legislação proíbe o despejo no meio ambiente -, as usinas reaproveitam o líquido como adubo, que é lançado sobre as plantações de cana em sistemas de irrigação. O problema é que, como a quantidade de vinhaça é muito grande, o custo de dispersão no campo torna-se também muito alto. Para evitar esse custo, muitas empresas acabam lançando a vinhaça sobre áreas menores, mais próximas da usina. Isso causa uma concentração elevada do resíduo, que pode contaminar águas subterrâneas.

Pelo novo processo, o teor alcoólico da fermentação chega a 16%. Assim, é possível injetar um caldo de cana mais concentrado (com mais açúcar) nas dornas, sem matar as leveduras. O resultado final da fermentação é mais álcool e menos vinhaça no tanque.
O volume do resíduo cai pela metade - 6 litros de vinhaça por litro de álcool -, com o dobro da concentração de potássio. Assim, torna-se economicamente viável transportar e espalhar a vinhaça por uma área maior, com menos impacto sobre o meio ambiente.

“Em vez de dez caminhões, você precisa de cinco”, resume Luiz Carlos Basso, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP). Ele é um dos cientistas parceiros da consultoria Fermentec, que financia e coordena a pesquisa.
Segundo o presidente da empresa, Henrique Amorim, a economia para a indústria - se todas as usinas do País adotassem a tecnologia - poderia passar de R$ 1 bilhão por ano, somadas as reduções de custo no setor agrícola (R$ 670 milhões) e industrial (R$ 425 milhões).
Como há menos água misturada ao álcool no final da fermentação, explica ele, as usinas gastam menos para evaporar o combustível e separar uma coisa da outra.

A principal adaptação para trabalhar com o teor alcoólico de 16% é o controle da temperatura de fermentação. “Descobrimos que a levedura tem um sinergismo com a temperatura. Para compensar o efeito do teor alcoólico maior, reduzimos a temperatura (de 33°C para 27°C)”, diz Amorim. O processo requer a instalação de máquinas de resfriamento.

A pesquisa é feita há quatro anos em escala piloto na Usina da Pedra, em Serrana (SP). Mais três cientistas da USP e da Universidade Federal de Santa Catarina participam do projeto. O processo não pôde ser patenteado, segundo Amorim, porque já foi apresentado em uma reunião aberta em 2008.

GLOSSÁRIO

Leveduras: fungos microscópicos unicelulares que fermentam o açúcar presente no caldo da cana e secretam álcool como subproduto desse metabolismo; diferentes raças são usadas na fermentação de outros produtos, como pães e vinhos. Para fermentar 500 mil litros de caldo de cana são necessárias 50 toneladas de levedura

Vinhaça: também chamada vinhodo, é a água que sobra da fermentação, depois que o álcool é separado por evaporação (cerca de 70% do caldo da cana é água e 30%, açúcar). É um líquido rico em sais, como cálcio e potássio, que podem ser usados como adubo irrigado nos plantios de cana

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Emissões atmosféricas

28/04/09

23/04/2009

Reino Unido compromete orçamento até 2022 para redução de CO2

da Efe, em Londres

O governo britânico anunciou que destinará uma parte de seu orçamento até 2022 para reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2), medida que, segundo as autoridades, transforma o Reino Unido no primeiro país que se compromete economicamente na luta contra o aquecimento global.

A medida foi divulgada na quarta-feira (22) pelo ministro da Energia e Mudança Climática, Ed Miliband, que ainda anunciou o projeto de três planos orçamentários quinquenais para promover políticas encaminhadas a reduzir estas emissões.

Reuters

Homem trabalha no sistema elétrico na China, com chaminés ao fundo; Reino Unido anuncia verba para combater aquecimento

 

Segundo ele, também será reduzida a quantidade de CO2 gerada pelas empresas do setor público.

O Governo britânico comprometeu-se a destinar uma parte dos orçamentos para os períodos 2008-2012, 2013-2017 e 2018-2022, a fim de alcançar este objetivo.

A ideia é de que a quantidade de CO2 emitida pelo Reino Unido em 2022 seja 34% menor do que a de 1990.
Durante a apresentação do orçamento 2009-2010, o ministro da Economia, Alistair Darling, anunciou uma verba de 2,365 bilhões de libras para lutar contra a mudança climática.

Desta quantidade –que deve aumentar até 10,4 bilhões de libras nos próximos três anos–, mais de 1 bilhão de libras serão destinados a apoiar as indústrias que emitirem pouco dióxido de carbono.

Outros 525 bilhões de libras irão para projetos de energia eólicos, 435 bilhões de libras para promover a eficiência energética em casas, empresas e edifícios públicos, e mais 405 bilhões de libras para fomentar a energias favoráveis ao ambiente.

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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Emissão de gases do efeito estufa por países ricos sobe em 2007

MICHAEL SZABO E ALISTER DOYLE - REUTERS
LONDRES - A emissão de gases causadores do efeito estufa pelas nações industrializadas cresceu quase um por cento em 2007, liderada por fortes altas nos Estados Unidos, mostraram dados oficiais.

As emissões de carbono de países que assinaram o Protocolo de Kyoto oscilou 0,1 para cima em 2007, principalmente devido a aumentos no Japão e no Canadá.

“Os números são. um pouco deprimentes”, afirmou Knut Alfsen, diretor de pesquisas do Centro para Clima Internacional e Pesquisa Ambiental em Oslo, dizendo que os países falharam na tarefa de substituir os combustíveis fósseis. “Isso mostra que não somos capazes de desligar o crescimento econômico das emissões.”

Embora as emissões de dióxido de carbono de 2007 de algumas economias, incluindo Austrália e Ucrânia, ainda não estejam disponíveis, a análise de números com a mesma base de comparação mostrou que as emissões de países com metas devido ao protocolo de Kyoto foram 14 por cento menores do que os níveis de 1990, excedendo a meta de 5 por cento de redução até 2012.

Os dados completos de 2007 incluem Estados Unidos e Turquia, que não têm alvo pelo protocolo, mostraram uma queda de 2,1 por cento nas emissões da indústria em relação aos níveis de 1990.

Sob o protocolo, cerca de 40 países desenvolvidos se comprometeram, em 1997, a cortar, entre 2008 e 2012, suas emissões de gases provocadores do efeito estufa em uma média de 5,2 por cento abaixo dos níveis de 1990. Desde então, os EUA, historicamente os maiores emissores do mundo, decidiram não ratificar o tratado.

Cientistas de clima da ONU alertam que as crescentes quantidades de CO2 na atmosfera causarão um aumento na temperatura global, o que pode levar a doenças, fome, enchentes e secas.

Especialistas acreditam que as emissões cairão em 2008 e 2009, devido à menor produção industrial e consumo de combustíveis fósseis em decorrência da crise econômica, mas alertaram que é preciso fazer mais para impedir as temperaturas globais de subirem mais de dois graus Celsius, um perigoso limiar, segundo cientistas.

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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Equipe de Obama apoia lei contra emissões de CO2

Conselheiros dizem que lei reduziria catástrofes e dependência de petróleo estrangeiro e criaria empregos

AP

WASHINGTON - Altos conselheiros ambientais do presidente Barack Obama expressaram apoio à lei democrata proposta no Congresso para conter a mudança climática, enquanto o principal responsável pela medida negou que a diminuição da emissão dos gases estufa possa provocar problemas para a economia. 

“Eles argumentam que há um conflito fundamental entre crescimento econômico e energia limpa. Essa é uma escolha falsa”, disse o democrata Henry Waxman ao abrir uma audiência sobre seu projeto de lei.

Waxman disse que o aquecimento global e o futuro econômico da nação são fatores “intimamente ligados” e que resolver a mudança climática vai produzir novos “empregos verdes” e impulsionar o crescimento econômico do país. 

Altos funcionários apoiaram a lei de Waxman, embora tenham alertado que a Casa Branca irá trabalhar com os democratas para afinar o texto nas próximas semanas. Republicanos criticaram duramente a medida, que chamaram que enorme imposto de energia, porque tributaria as emissões de carbono causadas pela queima de combustíveis fósseis. 

A administradora da Agência de Proteção ao Meio Ambiente (EPA), Lisa Jackson, disse que a lei “criaria bons empregos americanos que não podem ser levados para outros países”, e, como Waxman, ela rejeitou qualquer conflito entre a luta contra a mudança climática e o crescimento econômico. 

“A multidão do ‘não, não podemos’ vai criar cenários terríveis sobre os custos crescentes”, disse Jackson. Ela disse que uma análise preliminar do EPA da lei, no entanto, incluindo seu programa de troca de créditos de carbono, “seria modesta comparada aos benefícios que a ciência e o senso comum nos dizem que uma política energética de combate ao aquecimento global vá entregar.”

Jackson se juntou à audiência do Comitê de Energia e Comércio com o secretário de Energia, Steven Chu e com o secretário de Transporte, Ray LaHood. Os três disseram que a lei reduziria a dependência de petróleo estrangeiro, criaria empregos e reduziria catástrofes. 

Os três funcionários, no entanto, não deram detalhes sobre se as “permissões” que as indústrias deverão ter para cada tonelada de poluentes despejada na atmosfera serão entregues gratuitamente a algum grupo específico. Um projeto de lei em tramitação pela Câmara dos Representantes dos EUA não aborda o assunto.

“Uma vez que há silêncio sobre o tema, o governo tem alguma ideia de quantas permissões serão concedidas gratuitamente a grupos industriais, a consumidores?”, perguntou o deputado republicano Steve Scalise durante audiência da Comissão de Energia e Comércio da Câmara.

Lisa Jackson disse que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prefere que todas as permissões sejam leiloadas, mas sugeriu que pode haver alguma flexibilidade com relação a essa postura.

Mais cedo, Steven Chu descreveu o plano de redução das emissões de poluentes por meio de um sistema de permissões como “um repasse de custos”, com parte dos pagamentos feitos por agentes poluidores sendo reciclados nas mãos dos consumidores “e dos setores de energia, que seriam os mais adversamente afetados”.

“É uma questão a se entrar em detalhes”, disse o secretário LaHood a jornalistas depois de seu depoimento. Ele recusou-se a falar em propostas em nome do governo Obama. “Deixaremos eles legislarem”, esquivou-se.

Os republicanos têm sido muito críticos à lei devido ao medo de que ela eleve os preços do combustível. “É interessante que tantas pessoas estejam determinadas a aumentar os preços dos combustíveis nesse país”, disse Joe Barton. 

O rascunho da lei pretende reduzir a emissão de gases estufa em 20% dos níveis de 2005 até 2020, e em 83% até metade do século. Ele também inclui medidas para a redução do uso de energia fóssil.

Líder

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que seu país deve liderar na questão de energias renováveis, e pressionou o Congresso a estabelecer limites para as emissões de gases do efeito estufa, o que seria crucial para as atuais negociações climáticas globais. 

“É hora para lançarmos as fundações para o crescimento econômico ao iniciarmos uma nova era de exploração da energia na América”, disse Obama a funcionários de uma fábrica de equipamentos para energia eólica em Iowa. 

“A nação que liderar o mundo na criação de novas fontes energéticas será a nação que irá liderar a economia global do século 21. A América pode ser essa nação. A América tem de ser essa nação”, afirmou.

“Não haverá um novo acordo global se os Estados Unidos não forem parte dele, e não seremos parte dele se não estivermos no caminho de adotar nosso próprio plano doméstico”, disse o negociador climático norte-americano Todd Stern à Comissão de Relações Exteriores do Senado. 

“Caso não adotemos uma legislação climática e energética nacional forte, compulsória, o esforço para negociar o novo acordo internacional ficará aquém (do desejável)”, afirmou. 

Energia eólica

O Departamento do Interior dos EUA anunciou um programa de garantia de arrendamentos, facilidades e direitos de passagem para estimular o desenvolvimento de campos de energia eólica offshore. O programa também coloca em prática métodos de compartilhamento de receitas de projetos de energia renovável offshore entre Estados litorâneos. 

“Neste Dia da Terra, é hora de nós lançarmos uma nova base para o crescimento econômico dando início a uma nova era de exploração de energia nas Américas”, disse o presidente Barack Obama, de acordo com discurso a ser feito em Newton, Iowa, para onde viajou para comemorar o Dia da Terra e visitar uma usina que agora fabrica torres para a produção de energia eólica. 

Obama e congressistas democratas consideram a energia eólica e outras fontes renováveis uma alternativa às usinas de energia que utilizam combustíveis fósseis. Os EUA não possuem atualmente campos de energia eólica offshore e os poucos projetos nesse sentido enfrentam às vezes forte oposição dos moradores locais. 

“É apropriado que no Dia da Terra o presidente Obama esteja dando passos ousados para abrir os mares dos EUA a uma nova fronteira de energia, de forma que possamos construir uma economia de energia limpa que irá criar milhões de novos empregos em todo o país”, disse o secretário do Interior, Ken Salazar, em comunicado. 

Com AE-Dow Jones e Reuters

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Energias alternativas

28/04/09

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Obama anuncia plano para energias alternativas

Presidente diz que energia eólica pode gerar até 20% da demanda de eletricidade dos EUA até 2030.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta quarta-feira, quando se comemora o Dia da Terra, um plano para aumentar a geração de energia alternativa no país.

O plano apresentado pelo presidente prevê o uso de áreas de litoral para gerar eletricidade a partir do vento, de ondas e de correntes oceânicas.

Segundo Obama, a medida vai ajudar a reduzir as emissões de carbono e combater o aquecimento global, além de criar empregos.

O presidente disse que a energia eólica pode gerar até 20% da demanda de eletricidade dos Estados Unidos até 2030.

Estados costeiros, como Nova Jersey e Delaware, já têm projetos de energia renovável.

“A escolha que temos não é entre salvar o nosso meio ambiente e salvar a nossa economia, é uma escolha entre a prosperidade e o declínio”, disse Obama, em discurso em Iowa.

O presidente disse que seu plano de desenvolvimento de energia alternativa não vai prejudicar a economia americana e poderá criar até 250 mil empregos.

“É bom para o ambiente e bom para a economia”, disse.

Obama já disse que o combate às mudanças climáticas é uma das prioridades de seu governo. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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