Emissões atmosféricas

23/04/2009

Reino Unido compromete orçamento até 2022 para redução de CO2

da Efe, em Londres

O governo britânico anunciou que destinará uma parte de seu orçamento até 2022 para reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2), medida que, segundo as autoridades, transforma o Reino Unido no primeiro país que se compromete economicamente na luta contra o aquecimento global.

A medida foi divulgada na quarta-feira (22) pelo ministro da Energia e Mudança Climática, Ed Miliband, que ainda anunciou o projeto de três planos orçamentários quinquenais para promover políticas encaminhadas a reduzir estas emissões.

Reuters

Homem trabalha no sistema elétrico na China, com chaminés ao fundo; Reino Unido anuncia verba para combater aquecimento

 

Segundo ele, também será reduzida a quantidade de CO2 gerada pelas empresas do setor público.

O Governo britânico comprometeu-se a destinar uma parte dos orçamentos para os períodos 2008-2012, 2013-2017 e 2018-2022, a fim de alcançar este objetivo.

A ideia é de que a quantidade de CO2 emitida pelo Reino Unido em 2022 seja 34% menor do que a de 1990.
Durante a apresentação do orçamento 2009-2010, o ministro da Economia, Alistair Darling, anunciou uma verba de 2,365 bilhões de libras para lutar contra a mudança climática.

Desta quantidade –que deve aumentar até 10,4 bilhões de libras nos próximos três anos–, mais de 1 bilhão de libras serão destinados a apoiar as indústrias que emitirem pouco dióxido de carbono.

Outros 525 bilhões de libras irão para projetos de energia eólicos, 435 bilhões de libras para promover a eficiência energética em casas, empresas e edifícios públicos, e mais 405 bilhões de libras para fomentar a energias favoráveis ao ambiente.

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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Emissão de gases do efeito estufa por países ricos sobe em 2007

MICHAEL SZABO E ALISTER DOYLE – REUTERS
LONDRES – A emissão de gases causadores do efeito estufa pelas nações industrializadas cresceu quase um por cento em 2007, liderada por fortes altas nos Estados Unidos, mostraram dados oficiais.

As emissões de carbono de países que assinaram o Protocolo de Kyoto oscilou 0,1 para cima em 2007, principalmente devido a aumentos no Japão e no Canadá.

“Os números são. um pouco deprimentes”, afirmou Knut Alfsen, diretor de pesquisas do Centro para Clima Internacional e Pesquisa Ambiental em Oslo, dizendo que os países falharam na tarefa de substituir os combustíveis fósseis. “Isso mostra que não somos capazes de desligar o crescimento econômico das emissões.”

Embora as emissões de dióxido de carbono de 2007 de algumas economias, incluindo Austrália e Ucrânia, ainda não estejam disponíveis, a análise de números com a mesma base de comparação mostrou que as emissões de países com metas devido ao protocolo de Kyoto foram 14 por cento menores do que os níveis de 1990, excedendo a meta de 5 por cento de redução até 2012.

Os dados completos de 2007 incluem Estados Unidos e Turquia, que não têm alvo pelo protocolo, mostraram uma queda de 2,1 por cento nas emissões da indústria em relação aos níveis de 1990.

Sob o protocolo, cerca de 40 países desenvolvidos se comprometeram, em 1997, a cortar, entre 2008 e 2012, suas emissões de gases provocadores do efeito estufa em uma média de 5,2 por cento abaixo dos níveis de 1990. Desde então, os EUA, historicamente os maiores emissores do mundo, decidiram não ratificar o tratado.

Cientistas de clima da ONU alertam que as crescentes quantidades de CO2 na atmosfera causarão um aumento na temperatura global, o que pode levar a doenças, fome, enchentes e secas.

Especialistas acreditam que as emissões cairão em 2008 e 2009, devido à menor produção industrial e consumo de combustíveis fósseis em decorrência da crise econômica, mas alertaram que é preciso fazer mais para impedir as temperaturas globais de subirem mais de dois graus Celsius, um perigoso limiar, segundo cientistas.

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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Equipe de Obama apoia lei contra emissões de CO2

Conselheiros dizem que lei reduziria catástrofes e dependência de petróleo estrangeiro e criaria empregos

AP

WASHINGTON – Altos conselheiros ambientais do presidente Barack Obama expressaram apoio à lei democrata proposta no Congresso para conter a mudança climática, enquanto o principal responsável pela medida negou que a diminuição da emissão dos gases estufa possa provocar problemas para a economia. 

“Eles argumentam que há um conflito fundamental entre crescimento econômico e energia limpa. Essa é uma escolha falsa”, disse o democrata Henry Waxman ao abrir uma audiência sobre seu projeto de lei.

Waxman disse que o aquecimento global e o futuro econômico da nação são fatores “intimamente ligados” e que resolver a mudança climática vai produzir novos “empregos verdes” e impulsionar o crescimento econômico do país. 

Altos funcionários apoiaram a lei de Waxman, embora tenham alertado que a Casa Branca irá trabalhar com os democratas para afinar o texto nas próximas semanas. Republicanos criticaram duramente a medida, que chamaram que enorme imposto de energia, porque tributaria as emissões de carbono causadas pela queima de combustíveis fósseis. 

A administradora da Agência de Proteção ao Meio Ambiente (EPA), Lisa Jackson, disse que a lei “criaria bons empregos americanos que não podem ser levados para outros países”, e, como Waxman, ela rejeitou qualquer conflito entre a luta contra a mudança climática e o crescimento econômico. 

“A multidão do ‘não, não podemos’ vai criar cenários terríveis sobre os custos crescentes”, disse Jackson. Ela disse que uma análise preliminar do EPA da lei, no entanto, incluindo seu programa de troca de créditos de carbono, “seria modesta comparada aos benefícios que a ciência e o senso comum nos dizem que uma política energética de combate ao aquecimento global vá entregar.”

Jackson se juntou à audiência do Comitê de Energia e Comércio com o secretário de Energia, Steven Chu e com o secretário de Transporte, Ray LaHood. Os três disseram que a lei reduziria a dependência de petróleo estrangeiro, criaria empregos e reduziria catástrofes. 

Os três funcionários, no entanto, não deram detalhes sobre se as “permissões” que as indústrias deverão ter para cada tonelada de poluentes despejada na atmosfera serão entregues gratuitamente a algum grupo específico. Um projeto de lei em tramitação pela Câmara dos Representantes dos EUA não aborda o assunto.

“Uma vez que há silêncio sobre o tema, o governo tem alguma ideia de quantas permissões serão concedidas gratuitamente a grupos industriais, a consumidores?”, perguntou o deputado republicano Steve Scalise durante audiência da Comissão de Energia e Comércio da Câmara.

Lisa Jackson disse que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prefere que todas as permissões sejam leiloadas, mas sugeriu que pode haver alguma flexibilidade com relação a essa postura.

Mais cedo, Steven Chu descreveu o plano de redução das emissões de poluentes por meio de um sistema de permissões como “um repasse de custos”, com parte dos pagamentos feitos por agentes poluidores sendo reciclados nas mãos dos consumidores “e dos setores de energia, que seriam os mais adversamente afetados”.

“É uma questão a se entrar em detalhes”, disse o secretário LaHood a jornalistas depois de seu depoimento. Ele recusou-se a falar em propostas em nome do governo Obama. “Deixaremos eles legislarem”, esquivou-se.

Os republicanos têm sido muito críticos à lei devido ao medo de que ela eleve os preços do combustível. “É interessante que tantas pessoas estejam determinadas a aumentar os preços dos combustíveis nesse país”, disse Joe Barton. 

O rascunho da lei pretende reduzir a emissão de gases estufa em 20% dos níveis de 2005 até 2020, e em 83% até metade do século. Ele também inclui medidas para a redução do uso de energia fóssil.

Líder

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que seu país deve liderar na questão de energias renováveis, e pressionou o Congresso a estabelecer limites para as emissões de gases do efeito estufa, o que seria crucial para as atuais negociações climáticas globais. 

“É hora para lançarmos as fundações para o crescimento econômico ao iniciarmos uma nova era de exploração da energia na América”, disse Obama a funcionários de uma fábrica de equipamentos para energia eólica em Iowa. 

“A nação que liderar o mundo na criação de novas fontes energéticas será a nação que irá liderar a economia global do século 21. A América pode ser essa nação. A América tem de ser essa nação”, afirmou.

“Não haverá um novo acordo global se os Estados Unidos não forem parte dele, e não seremos parte dele se não estivermos no caminho de adotar nosso próprio plano doméstico”, disse o negociador climático norte-americano Todd Stern à Comissão de Relações Exteriores do Senado. 

“Caso não adotemos uma legislação climática e energética nacional forte, compulsória, o esforço para negociar o novo acordo internacional ficará aquém (do desejável)”, afirmou. 

Energia eólica

O Departamento do Interior dos EUA anunciou um programa de garantia de arrendamentos, facilidades e direitos de passagem para estimular o desenvolvimento de campos de energia eólica offshore. O programa também coloca em prática métodos de compartilhamento de receitas de projetos de energia renovável offshore entre Estados litorâneos. 

“Neste Dia da Terra, é hora de nós lançarmos uma nova base para o crescimento econômico dando início a uma nova era de exploração de energia nas Américas”, disse o presidente Barack Obama, de acordo com discurso a ser feito em Newton, Iowa, para onde viajou para comemorar o Dia da Terra e visitar uma usina que agora fabrica torres para a produção de energia eólica. 

Obama e congressistas democratas consideram a energia eólica e outras fontes renováveis uma alternativa às usinas de energia que utilizam combustíveis fósseis. Os EUA não possuem atualmente campos de energia eólica offshore e os poucos projetos nesse sentido enfrentam às vezes forte oposição dos moradores locais. 

“É apropriado que no Dia da Terra o presidente Obama esteja dando passos ousados para abrir os mares dos EUA a uma nova fronteira de energia, de forma que possamos construir uma economia de energia limpa que irá criar milhões de novos empregos em todo o país”, disse o secretário do Interior, Ken Salazar, em comunicado. 

Com AE-Dow Jones e Reuters

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