Arquivo de abril, 2009

Aquecimento global

28/04/09

quarta-feira, 22 de abril de 2009, 16:49

Países discutem estímulos tecnológicos contra o aquecimento

ONU pediu pacto de cooperação tecnológica entre os membros do G8 e países em desenvolvimento

Reuters

SIRACUSA, Itália - Ministros do Meio Ambiente de nações ricas e pobres discutiram estímulos para a tecnologia verde nesta quarta-feira, 22, que ajudem a conter o aquecimento global e superar a crise econômica. 

A reunião de três dias dos países do Grupo dos Oito (G-8) e das principais economias em desenvolvimento, inaugurada nesta quarta-feira, 22, na Sicília, tem sido saudada como o ponto de partida para um acordo sobre mudança climática patrocinado pela ONU, previsto para ser aprovado em dezembro em Copenhague.

Os Estados Unidos e outros países ricos precisam ser mais atuantes para ajudar a fechar um acordo histórico sobre mudança climática este ano, disse uma importante autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) em um encontro de ministros do Meio Ambiente. 

Todos os olhos se voltaram para a delegação norte-americana, uma vez que o presidente Barack Obama prometeu reduzir as emissões de gases estufa dos EUA para os níveis de 1990 até 2020, injetando ânimo às negociações de Copenhague. Seu antecessor, George W. Bush, rejeito o Protocolo de Kyoto, que será substituído pelo novo acordo deste ano. 

“Não é suficiente e os EUA precisam fazer mais,” disse à Reuters Yvo de Boer, a principal autoridade da ONU para mudança climática. “Sem a liderança dos países do G8, não haverá uma resposta internacional à mudança climática. Esse encontro precisa mostrar o caminho.” 

De Boer pediu que a conferência aprove um pacto de cooperação tecnológica entre os membros do G8 e países em desenvolvimento. Ele disse que se encontraria com autoridades de países industrializados a fim de pressionar por dinheiro para ajudar a financiar a mudança tecnológica do mundo em desenvolvimento, uma das principais demandas dos países mais pobres do mundo.

Cientistas dizem que os países industrializados como um todo precisam reduzir as emissões de carbono para entre 24 e 40% dos níveis de 1990 a fim de evitar um impacto severo da mudança climática. 

De Boer afirmou que existe vontade política para fechar um acordo em Copenhague e que a crise econômica dá a chance de promover a tecnologia verde como parte dos pacotes de estímulo - algo que países em desenvolvimento como China e Coreia fizeram, segundo ele. 

O encontro do G8, inaugurado no Dia da Terra, reuniu pela primeira vez nove economias em desenvolvimento, incluindo Brasil, Ãndia e China, num esforço para pressionar por um consenso mundial.

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Medidas para frear o aquecimento global

27/04/09

3 de Março de 2009 - Integrar o Brasil em um movimento internacional de lideranças dedicadas a promover o desenvolvimento sustentável. Este é o principal objetivo da visita de Jim Garrison, presidente do State of the World Forum (SWF), ao Brasil, entre os dias 4 e 5 de março. Sua agenda inclui reuniões com empresários, líderes sociais e políticos, entre eles o presidente Lula, a quem Garrison convidará a participar em novembro do Fórum Mundial do SWF, junto com Barack Obama e Al Gore.

Trabalhando com o ex-presidente da extinta União Soviética, Mikhail Gorbachev, o historiador Garrison fundou o SWF em 1995 com o objetivo de sensibilizar as lideranças quanto a urgência da transição para uma economia sustentável. Nesse esforço, passou a defender políticas industriais que combinem estratégias para estimular energias renováveis e tecnologias limpas como forma de gerar empregos e recuperar a economia. “Todo país poderia se comprometer com a transição de combustíveis fósseis para renováveis. Essa mudança deveria ser feita não por medo ou sob pressão, mas no mesmo espírito do chamado de John Kennedy para colocar o homem na lua em 10 anos”, defende.

Crítico em relação a mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL), Garrison defende a precificação do carbono, combinada com incentivos fiscais para tecnologias mais limpas. Segundo ele, esse é o caminho mais rápido para motivar o comportamento corporativo.

Na análise de Garrison, da maneira como está configurado, o sistema de captura e comércio de carbono é para o aquecimento global o que o escândalo da hipoteca subprime foi para o colapso do estado real. “Esse sistema não irá solucionar o aquecimento global. Somente permitirá que as corporações continuem o seu jogo de interesses, adiando a ação decisiva”, afirma.

Em entrevista exclusiva a Ideia Socioambiental, Garrison avalia, entre outros temas, as medidas tomadas para frear o aquecimento global e a urgência da mudança de valores para criação de uma sociedade sustentável.

Ideia Sociaombiental: Como as ações para frear o aquecimento global podem resolver a crise econômica mundial?

Jim Garrison: O mercado capitalista livre e não regulado está entrando em colapso por não ser ecologicamente realista. Os negócios se fundaram na crença do crescimento e desenvolvimento ilimitados, o que não é mais sustentável. Quando olhamos para frente, podemos esperar uma aceleração na produção de crises que surgem, aparentemente, em um lugar isolado, e reverberam ao redor do mundo com efeitos imprevisíveis, desestabilizadores e em cascata. A crise será forte e difícil de superar enquanto a civilização humana não criar um nível mais elevado de visão de futuro e antecipar uma nova era de negócios, baseada no alinhamento dos sistemas humanos com os sistemas naturais.

I.S: Na sua opinião, qual deveria ser o acordo pós-Kyoto. Como as responsabilidades pelo planeta deveriam ser divididas entre países desenvolvidos e emergentes?

J.G: Os acordos de Kyoto estão obsoletos. Eles foram baseados na suposição de que a humanidade tem décadas para resolver a crise do aquecimento global. Nada é mais urgente do que uma mobilização massiva de pessoas e ideias que possam compelir nossos governos e instituições internacionais a enfrentar o aquecimento global e a reforma de políticas que esse desafio implica.

Essa mobilização internacional daria propósito e significado para os planos que estão sob consideração de governos nacionais, direcionaria toda a economia global e proveria esperança para a comunidade internacional. Também seria possível superar a disputa internacional em torno da captura e comércio de carbono, e das reduções de emissões. Cada país conduziria suas próprias análises e traçaria seu próprio trajeto, com a meta de mudar para energias renováveis, essencialmente, dentro de dez anos.

I.S: Qual deveria ser a posição dos EUA na Conferência do Clima de Copenhague?

J.G: Tanto Barack Obama quanto Lula devem ter clareza de que seu legado na história será determinado pela forma como lidarem com as mudanças climáticas. Os EUA, como o maior poluidor com emissões de CO2, deveriam assumir a liderança, angariando o suporte internacional em Copenhague. Essa posição é essencial para alcançar o comprometimento global que tornará a mudança climática a mais importante prioridade em todo o mundo.

I.S: Quais são as principais oportunidades na área de empregos verdes?

J.G: Uma política industrial baseada em energias renováveis e tecnologias verdes irá simultaneamente aliviar a mais grave ameaça para a espécie humana e gerar um boom econômico. Barack Obama comprometeu sua gestão a eliminar a dependência dos EUA em petróleo estrangeiro dentro de 10 anos. Al Gore disse tornar toda a fonte de eletricidade norte-americana em energia renovável no mesmo período. Isso não é somente verdade para os EUA, mas também para o Brasil. De fato, todo país do mundo poderia comprometer-se com a transição de combustíveis fósseis para renováveis em até 10 anos. Essa mudança deveria ser feita não por medo ou sob pressão, mas no mesmo espírito do chamado de John Kennedy para colocar o homem na lua. A transição para uma economia sustentável pode ser feita desde que haja uma liderança visionária e desejo político.

I.S: É possível desenvolver tecnologias limpas para exploração do carvão, que é uma das propostas do plano de Barack Obama na área de meio ambiente e energia?

J.G: Um futuro sustentável não incluirá carvão ou energia nuclear. O desafio mais importante é gerar o comprometimento para mudar as bases das nossas economias de combustíveis fósseis para energia renovável. Precisamos nos comprometer para reduzir as emissões de carbono em 80% até 2020. Todas as novas fontes deveriam ser consideradas, desde campos de energia solar maciça, o cultivo de algas nos oceanos, que consomem grandes quantidades CO2, até o estímulo à produção de carros elétricos para eficiência energética.

I.S: Na sua opinião, o sistema de captura e comércio de carbono apresenta limitações? Quais?

J.G: O sistema de captura e comércio de carbono é para o aquecimento global o que o escândalo da hipoteca subprime foi para o colapso do estado real. Esse sistema não irá solucionar o aquecimento global. Somente permitirá que as corporações continuem o seu jogo de interesses, adiando a ação decisiva. O que precisamos é de uma taxa de carbono. Qualquer indústria que produz CO2 deveria ser pesadamente taxada enquanto ao mesmo tempo deveríamos dar incentivos fiscais para qualquer um que estiver desenvolvendo energia alternativa. Esse é caminho mais rápido para motivar o comportamento corporativo.

I.S: Qual é o papel do governo na transição para uma economia sustentável?

J.G: É papel do governo estabelecer políticas. Se o governo faz um comprometimento claro para tornar a economia sustentável dentro de dez anos, reforma a estrutura de taxas e impõe regras, a sociedade e o setor privado irão participar. Sem uma política governamental clara, a atual situação prevalecerá e a catástrofe será o resultado.

I.S: Os EUA podem reintroduzir um novo estilo de vida, baseado na sustentabilidade em substituição ao “American way of life” que é insustentável em uma escala global? O senhor vê algumas indicações de mudança? Quais?

J.G: A mudança mais empolgante que toma lugar nos EUA é a emergência de novos valores. Isso é o que está por trás da eleição de Barack Obama. Sociólogos têm estudado o fenômeno do “Cultural Creatives”. Esse grupo é essencialmente constituído de pessoas que tem participado de movimentos sociais de conscientização desde a Segunda Guerra Mundial. Entram nessa lista os movimentos ambiental, feminista, trabalhista, em defesa dos direitos civis, pela paz, justiça social, de comida orgânica e de cuidados alternativos com a saúde, de uma nova espiritualidade e de crescimento pessoal, entre outros. O Cultural Creatives já conta com mais de 70 milhões de adeptos nos EUA, excedendo substancialmente o número de conservadores sociais e financeiros.

Pela primeira vez em mais de 600 anos - desde a Renascença -um novo sistema de valor chega à civilização ocidental, em nível global e simultaneamente. Essa é uma ocorrência histórica rara e terá implicações tão profundas na cultura americana e mundial como a emergência da Renascença no século 16 teve sobre a Itália e toda a Europa.

I.S: Como as pessoas devem ser educadas para uma sociedade sustentável?

J.G: Tornar nossas economias sustentáveis requer uma mudança completa de pensamento, valores, ações e intenções. Primeiro, devemos entender que se trata de um problema de dimensão planetária e estamos todos no mesmo barco. Segundo, precisaremos envolver uma incrível variedade de populações mundo afora e um espectro amplo de organizações de cada setor da economia, governança e sociedade civil para qualquer ação ter êxito. Terceiro, não podemos tratar qualquer um ou qualquer grupo isoladamente, tentando resolver um problema de cada vez. Quarto, o sucesso prático em realizar ações será auxiliado por estratégias e o uso integrado de toda nossa tecnologia, liderança, planos, valores e ações individuais e coletivos.

I.S: O que o senhor está lendo agora? Quais pensamentos na área de sustentabilidade têm lhe inspirado?

J.G: Acredito que o livro mais importante que todos deveriam ler é o Plan B 3.0, de Lester Brown, fundador do Earth Policy Institute. Nele, o autor recomenda uma série de soluções, incluindo a redução de nossas emissões de carbono em 80% para 2020, que - se implementadas - mudariam as bases de nossas economias de combustíveis fósseis para energia alternativa. Brown está convencido, como muitos estão, de que a mudança climática está agora arriscando a civilização humana e que devemos agir decisivamente e imediatamente para resolver a crise. Seu Plano B 3.0 deveria ser uma leitura obrigatória para formular estratégias de mudanças coletivamente.

 

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 13)(Redação Revista Ideia Socioambiental)

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PIB verde pode se tornar uma realidade

27/04/09

26/3/2009

Por Redação da Revista Idéia Socioambiental

Diante da pressão crescente por mecanismos que contemplem as externalidades das atividades econômico-financeiras, as ciências contábeis começam a rever suas práticas e conceitos. Muitos profissionais da área têm dedicado esforços para integrar as variáveis ambientais e sociais aos mecanismos de aferição do patrimônio das nações, criando ferramentas mais completas do que o Produto Interno Bruto (PIB) .

Partindo da premissa de que a forma como uma nação gerencia seus recursos naturais afetará seu desenvolvimento, pesquisadores da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI) elaboraram uma metodologia para mensurar o patrimônio ambiental dos países. “É uma falta de inteligência pensar que maximizar o lucro de uma forma exponencial sem fim e continuar gerando toda a depredação do meio ambiente, os problemas sociais, a distribuição de renda, não vai interferir diretamente na sociedade”, avalia José Roberto Kassai, professor da FIPECAFI, que juntamente com Nelson Carvalho, elaborou o estudo intitulado Balanço das Nações.

Até pouco tempo atrás, a ideia de incluir os recursos naturais na contabilidade das nações parecia uma possibilidade distante. Esse cenário começou a se modificar com a perspectiva ameaçadora das mudanças climáticas e do crescimento populacional - segundo estimativas, pode-se chegar a 9 bilhões de pessoas em algumas décadas, uma média de aumento de 1 bilhão a cada 15 anos. Diante dessa tendência, o desenvolvimento das nações será determinado pelo manejo inteligente dos recursos naturais, habilidade que depende de dados concretos quanto à disponibilidade dos ativos ambientais.

No cenário provável de 2020, de acordo com o estudo, apenas Brasil e Rússia apresentarão patrimônios líquidos “positivos”, enquanto os demais países produzirão além do que deveriam. Nesse contexto, a situação geral do mundo será negativa, com um valor deficitário em torno de quatro US$ 3 trilhões.
Por volta de 2050, Brasil e Rússia confirmarão a situação favorável com saldos excedentes de carbono e evidenciarão a importância de suas florestas no cenário global. Já o déficit mundial será elevado para US$ 15,3 trilhões . Nesse contexto - destaca o estudo -, a situação mundial piorará 298%. Enquanto Brasil e Rússia sustentarão uma situação favorável, China e EUA se destacarão como os maiores emissores de carbono e de patrimônio líquido ambiental negativo.

Apesar do cenário pessimista, o Balanço das Nações demonstrou que o déficit global do planeta representa 23,7% do PIB, número que dá espaço para ações corretivas.
Os resultados da pesquisa sinalizam a urgência da transição para uma economia de baixo carbono. Diante do cenário que se visualiza, ou os ecossistemas têm uma recuperação eficiente, ou haverá um ajuste natural da população para cerca de 1 bilhão de habitantes - uma redução de 8 bilhões, considerando que a escassez de recursos prejudicaria a espécie humana.

Considerando a rigidez e inércia apresentadas pelo sistema energético padrão, a pesquisa destaca que não há espaço para uma grande ruptura de modelo. Assim, o estudo toma as condições atuais como referência para os próximos anos, reforçando que - com o aumento no preço do petróleo - se observará um crescimento no mercado de energias alternativas.

Metodologia inovadora

Para compor a base de dados do Balanço das Nações foram incluídos representantes do BRIC (Brasil, Rússia, Ãndia, China) e de países desenvolvidos como Estados Unidos, Alemanha e Japão.
De acordo com Kassai, o maior desafio na concepção do estudo foi justamente quebrar os próprios conceitos e preconceitos da contabilidade. “Ao reunir profissionais de contábeis percebemos a necessidade de buscar conhecimentos e teorias em outras áreas. Acabamos chegando à conclusão de que a contabilidade só pode sobreviver se tornando interdisciplinar”, avalia.

A pesquisa se dividiu em três fases. Na primeira, os saldos residuais de carbono de cada país foram apurados e convertidos para o valor em dólares. Em seguida, o PIB de cada nação foi transformado em unidades equivalentes per capita de número de habitantes e de consumo médio de energia em TEP (tonelada equivalente de petróleo). A última etapa consistiu no fechamento dos balanços contábeis dos países pela técnica de balanço perguntado, um levantamento das informações a partir de questionário que permite diagnosticar a situação financeira.

Após essa fase, os pesquisadores utilizaram a fórmula padrão da contabilidade: ativo menos passivo igual a patrimônio líquido. O ativo foi representado pelo PIB equivalente em dólares per capita; o passivo, pela obrigação ambiental de cada cidadão na meta de redução de carbono; e o patrimônio líquido diz respeito ao saldo residual - superavitário ou deficitário - de cada cidadão ou país em relação às outras nações (Veja quadro).

De acordo com o Balanço das Nações, os sistemas de contas nacionais ainda são incompletos em relação à avaliação dos recursos naturais. O melhor exemplo dessa deficiência é o PIB - Produto Interno Bruto, que não reconhece tais aspectos. Para o economista Sérgio Besserman Vianna, o cálculo do PIB apresenta questionamentos desde que foi criado. “A rigor, os trabalhos para que houvesse contas nacionais em condições de emitir a produção das riquezas de um país se dirigia para o produto interno líquido (PIL) que considerava as amortizações e tornava o cálculo muito complexo. Além disso, havia uma correlação muito forte na evolução do PIB e do PIL. Então optou-se pelo primeiro. Em seguida, houve a percepção do problema da não inclusão dos custos de recursos naturais”, explica.

Uma alternativa que tem sido discutida para resolver esse impasse é o chamado PIB verde que oferece um bottom line pelo qual é possível avaliar o quanto os mercados consumidores afetam bens públicos - destaca o Balanço das Nações - permitindo comparabilidade entre períodos para uma mesma nação e entre nações em quaisquer períodos.

Dessa forma, o PIB verde contabiliza todos os bens e serviços públicos, em valores não monetários, como a quantidade de água potável ou o tamanho das áreas verdes de uma cidade.
O patrimônio líquido ambiental (PLA), proposto pelo Balanço das Nações, seria uma forma de avaliação do PIB verde. “Atualmente é moda criticar o PIB, o que se mostra fácil porque a medida permanece até hoje e se manteve forte por longa data. O ponto positivo é que as sociedades estão começando a despertar para uma nova necessidade não apenas centrada no poder econômico”, pondera Kassai, autor do estudo.
Governança climática

De acordo com o Balanço das Nações, o lucro com reputação ambiental deve constituir uma nova tendência para a economia nos próximos anos, com base em aspectos como precificação do carbono, investimento em tecnologias de eficiência energética e mudança no atual comportamental do consumo.
Para Besserman, a primeira questão que se coloca nesse contexto, antes mesmo de mensurar, é considerar os custos ambientais na tomada de decisões. Isso ocorrerá primeiramente em relação aos gases de efeito estufa.Segundo o economista, o Brasil já deu um passo importante na direção da redução de CO2 estabelecendo metas para diminuir o desmatamento. No entanto, não manteve outras ações paralelas para ter benefícios concretos. No plano energético, por exemplo, o papel das termoelétricas que utilizam combustíveis fósseis mais do que compensa a redução das emissões presentes nas metas de desmatamento.
“O Brasil deveria se posicionar para não perder uma grande oportunidade. Na expressão do professor Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), dado que agenda do século XXI inclui obrigatoriamente o tema sustentabilidade como prioridade, o Brasil poderia se posicionar como potência ambiental”, destaca o economista.

No contexto mundial, Viana apresenta ressalvas aos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e seqüestro de carbono por meio de projetos de reflorestamento e manutenção florestal.
Segundo ele, é necessário estabelecer - em Copenhague ou por meio do G20 - uma forma pela qual a governança global consiga responder às mudanças climáticas e também redefinir as transações de crédito de carbono. “As soluções não vão sair das gavetas dos tecnocratas, é preciso que o mercado aposte em diversas alternativas e a sinalização para isso se dá por meio da flexibilização das formas de redução das emissões que propiciem investimentos mais efetivos”, destaca.

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Edifícios ecoeficientes

27/04/09

16 de abril de 2009

Reformar um prédio deixa de ser exercício de decoração e passa a ter obrigações com futuro do Planeta

Bruno Versolato, especial para O Estado de S.Paulo

JF Diorio/AE

Fachada do centro comercial na Lapa: nada lembra o velho galpão usado para fabricar turbinas

SÃO PAULO - Até 2020, 80% dos edifícios existentes nas grandes cidades já estarão construídos. O restante estará em fase de projeto ou em obras. No entanto, a maioria deles ainda é construída ou reformada com técnicas e materiais pouco ou quase nada sustentáveis. “Construção sustentável não é apenas eficiência energética e reúso d’água. Envolve materiais de baixo impacto no ambiente, uso de madeira de reflorestamento e métodos de construção eficientes. Hoje, cerca de 20% de uma obra vai para o lixo. Em um prédio de 5 andares, 1 vira entulho”, afirma o engenheiro ambiental e professor da PUC-Rio Carlos Penna.

Segundo o World Watch Institute (WWI), arquitetos e engenheiros em todo o mundo não têm conhecimento dos materiais, desenhos e técnicas úteis para levantar prédios sustentáveis. Edifícios são responsáveis por cerca de 30% de todo o uso de energia, emissão de gases do efeito estufa e geração de dejetos. “A construção e renovação de construções é o setor com maior potencial técnico e econômico para reduzir emissões”, diz um estudo, citando o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

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Mas, nos últimos anos, o mundo da construção civil começou a abrir os olhos para o lado sustentável de uma obra. Um exemplo é o complexo de escritórios Business Park. Há quatro anos, quem entrasse em um galpão desativado no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo, com a missão de transformar um colosso de concreto de 17 mil metros quadrados em um centro comercial, chamaria uma empresa de demolição e iniciaria a obra do zero. Construído na década de 1950, o local era obsoleto até mesmo para abrigar outra fábrica.

“Há menos de dez anos ninguém pensaria em usar a estrutura e construir outra coisa em cima”, afirma o arquiteto Tadasi Akeho.

Projetado e construído em 2006, o antigo galpão abriga hoje um moderno centro empresarial. “Só aproveitamos a estrutura do galpão”, conta o engenheiro Paulo Belucco. Os sanitários usam água captada da chuva e a parte elétrica foi projetada para chegar com alta voltagem na porta do cliente, para evitar superaquecimento e perdas em longos caminhos de fios com pouca espessura.

“Como aqui é uma área de várzea, cavando um metro já existe água, então é possível utilizá-la nas bacias sanitárias”, afirma Akeho. Além disso, os vidros usados na construção podem garantir iluminação adequada sem permitir que o calor entre.

“Reduzir, reaproveitar, reciclar”, repete constantemente o arquiteto Gustavo Calazans, especialista em reformas ecossustentáveis de casas e apartamentos. “Esse prédio, por exemplo”, diz ele, apontando a lapiseira com um gesto de mão para a sacada de seu escritório em Higienópolis, também na zona oeste de São Paulo, “tem 50 anos. O aço, a areia, o concreto já foram usados. Já fizeram o seu ciclo. Não há por que construir outro prédio”, diz ele. “A área dos velhos galpões aqui na zona oeste, os velhos prédios do centro, que são belíssimos, todos podem ser recuperados”, defende Belucco.

A recuperação do antigo galpão foi mais que uma obra arquitetônica. Foi uma intervenção urbanística. A área, até então industrial, tornou-se um centro de negócios e criou um eixo de desenvolvimento. “Notamos que até a vizinhança mudou”, diz Akeho.

EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

Hoje, a eficiência energética das construções se tornou centro das discussões quando se fala em sustentabilidade desde o lançamento do pacote ambiental do governo de Barack Obama, nos Estados Unidos. Em 17 de fevereiro, Obama sancionou um plano que injeta US$ 20 bilhões para programas como o aumento da eficiência no uso de eletricidade nos prédios públicos e nas casas de famílias de baixa renda, e para tentar encontrar maneiras melhores para poupar energia. Especialistas na área concordam com ele em que a economia obtida com os investimentos em eficiência energética será maior do que o custo desses programas ao reduzir as contas de luz.

QUEBRANDO TUDO

O objetivo principal de uma reforma sustentável é tornar o prédio mais eficiente energeticamente. Mas um bom retrofit, nome técnico dado à adaptação de edifícios antigos a padrões sustentáveis, no entanto, leva em conta muito mais que isso. “Vivemos 90% do nosso tempo encaixotados”, afirma Penna. “Precisamos de ventilação natural, verde, algumas árvores, paisagem. Precisamos de conforto ambiental, se não a gente enlouquece”, conclui.

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