Arquivo de abril, 2009

Créditos de carbono

23/04/09

Créditos de carbono devem ter retomada

De São Paulo
22/04/2009

Reunindo 24 empresas, que representam 50% dos créditos de carbono gerados no país, a Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono (Abemc) vê com otimismo o mercado do carbono, informa seu presidente, o advogado Flávio Gazani. Com base em números do serviço internacional New Carbon Finance, ele conta que, só nos quesitos Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e Implementação Conjunta, regulados pelo Protocolo de Kioto, foram mobilizados cerca de US$ 118 bilhões em 2008.

Detentor de 12% dos projetos de MDL aprovados no mundo, o Brasil só fica atrás da Índia (31%), e China (23%). São 373 projetos, dos quais perto da metade (160) referem-se ao agronegócio, sobretudo projetos de cogeração de energia em usinas de açúcar e álcool. Em contrapartida, diz ele, 25% das emissões brasileiras de gases do efeito estufa (GEE) advêm da agropecuária. Em segundo lugar, estão os 29 projetos para reduzir a emissão de metano em aterros sanitários, substância 21 vezes mais danosa ao aquecimento global que o CO2.

Dois fatores forçam uma redução temporária dos negócios regulados pelo Protocolo de Kioto, interpreta Gazani. De um lado, com a crise econômica, houve queda de 50% do preço por tonelada de CO2 equivalente (tCO2e). Além disso, o mercado vive a expectativa da substituição do Protocolo de Kioto, que vale até 2012.

Como são projetos de maturação longa, há a tendência de esperar pelas definições da nova rodada, para investir em novos planos. A adesão dos EUA, com responsabilidade por 16% das emissões de gases-estufa no mundo, pode dar impulso a mais nos negócios, prevê.

O Brasil também é o segundo país com maior adesão ao Carbon Disclosure Project (CDP), iniciativa internacional do setor financeiro por meio da qual 745 grandes empresas no mundo, somando US$ 55 trilhões em ativos, abrem informações sobre atitudes frente a suas emissões de carbono. No Brasil, são mais de 60.

Hoje, diz Gazani, os créditos de carbono representam só uma fatia de um grande leque de atividades associadas à redução das emissões, que incluem desde os inventários de emissões, até projetos voluntários de neutralização de carbono. A Agenda4, da qual é sócio-diretor, é exemplo de empresa que realiza a consultoria estratégica nessa área, muitas vezes apoiadas em empresas especializadas.

Atuando nas mesmas áreas, a Max Ambiental, detentora das marcas carbono neutro e carbono zero, também convive com a rápida evolução desse negócio, informa o sócio, Eduardo Petit. Numa primeira fase, relacionava-se a neutralização do carbono apenas ao plantio de árvores que, na fase de crescimento, capturam carbono da atmosfera. O que se propõe agora são projetos mais complexos de médio-longo prazo. (S.C.)

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Amazônia

23/04/09

20/04/2009

Aplicar na Amazônia é a melhor política ambiental, diz Braga

Rio de Janeiro, 20 de Abril de 2009 – As preocupações com a preservação ambiental ofuscam a importância do desenvolvimento econômico do Amazonas, enquanto a forma mais barata de equilibrar o meio ambiente é reconhecer a importância geopolítica da região no cenário nacional e mesmo mundial, disse na última sexta-feira o governador do estado, Eduardo Braga. 

O administrador foi o palestrante na abertura do Ciclo 2009 do Fórum dos Governadores da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB-RJ), com o tema O Brasil que nós queremos.?
“O nosso desafio é fazer a floresta valer mais em pé do que deitada. A Amazônia não é um problema, mas uma solução, um ativo que o brasileiro pode monetizar e transformar em fonte de financiamento”, afirmou o governador. 

Braga apresentou as políticas ambientais do estado, como o programa Bolsa Floresta, que oferece incentivos financeiros a comunidades com a condição de preservação da Amazônia e envolvimento em atividades sustentáveis como extração de borracha e pesca. O governador ressaltou, porém, que o estado do Amazonas ainda não representa “nem um traço na estatística mundial de piscicultura”, apesar da conhecida abundância de rios no estado. 

Outras oportunidades para investimento no estado destacadas pelo governador incluem as grandes reservas de gás em terra, com custo menor de extração que aquelas em mar, e a segunda maior reserva mundial de silvinita, a matéria-prima usada em fertilizantes do agronegócio. 

Política climática?

Na última semana, Braga obteve destaque pelas iniciativas sustentáveis de seu governo ao participar do Fórum Econômico Mundial para a América Latina. No evento, a ideia de incentivos financeiros à preservação ganhou força nas discussões sobre a política climática internacional. Na palestra de ontem, o governador expressou irritação com as perguntas referentes exclusivamente ao meio ambiente do Amazonas – lar da maior biodiversidade do mundo – que recebeu no Fórum Econômico. 

“Para nós, está claro que o patrimônio ambiental só será preservado se o povo for respeitado. Nosso instinto primordial é a sobrevivência, eu não posso pedir a um habitante do Amazonas que deixe de derrubar uma árvore se ele faz isso para poder alimentar seus filhos”, disse o governador. 

Braga criticou, no entanto, a ideia de que é impossível crescer sem agredir o meio ambiente, e afirmou que o Brasil destaca-se em relação aos demais integrantes do chamado Bric “grupo composto também por Rússia, Índia e China” por possuir democracia e recursos naturais para se transformar em uma “potência justa.”?
“Podemos ser não apenas uma potência, como disse Obama, mas uma potência que faz justiça social”, afirmou o governador do Amazonas. 

Aprovação e enchentes?

Braga ressaltou que a situação atual do Amazonas poderia ser mais grave se não fossem investimentos recentes em infraestrutura. O estado enfrenta chuvas intensas há mais de 45 dias, e o governador decretou situação de emergência na terça-feira. Para ajudar as famílias desabrigadas, o governo ofereceu R$ 6 milhões. Com o cadastro, feito pela Defesa Civil, cada família deve receber R$ 300. 

Entre os investimentos futuros na infraestrutura da região, o governador destacou a obra da ponte sobre o Rio Negro, que facilitará o acesso à zona metropolitana de Manaus, atual área de expansão econômica no estado. 

Antes da palestra de Braga, o vice-governador do estado do Rio, Luiz Fernando Pezão, destacou os altos índices de aprovação popular que o político obteve ao longo da carreira. Braga deixou a prefeitura de Manaus, em 1996, com 98% de aprovação, o maior índice do país. O presidente da ADVB-RJ, Aleksander Santos, também fez referência aos dados.?
(Gabriel Costa)

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Biocombustível

23/04/09

16 de abril de 2009

Cientistas de Cingapura transformam CO2 em biocombustível

Gás causador do efeito estufa é convertido em metanol, um tipo de álcool, dizem os pesquisadores

REUTERS

CINGAPURA – Cientistas de Cingapura anunciaram a descoberta de uma forma de transformar o dióxido de carbono, o mais nocivo dos chamados gases do efeito estufa, em metanol, que não agride o meio ambiente. O método, segundo eles, demanda menos energia do que tentativas anteriores.

Cientistas do Instituto de Bioengenharia e Nanotecnologia de Cingapura disseram nesta quinta-feira que usaram catalisadores orgânicos para transformar o CO2 no biocombustível.

Em nota, o instituto disse que a equipe liderada por Yugen Zhang usou carbenos-N-heterocíclicos (NHC, um catalisador orgânico) na reação química com o CO2.

Os NHCs são estáveis, e a reação entre eles e o CO2 pode acontecer sob condições climáticas amenas, no ar seco, segundo a nota, que acrescenta que não é necessário usar muitos catalisadores na operação.

O processo também emprega hidrosilano, combinação de sílica com hidrogênio. “O hidrosilano fornece hidrogênio, que se liga ao dióxido de carbono numa reação de redução. Essa redução do dióxido de carbono é eficientemente catalizada pelos NHCs mesmo a temperatura ambiente”, disse Zhang na nota.

Tentativas anteriores de converter o CO2 exigiam mais gasto energético e muito mais tempo, segundo a equipe.

O grupo não esclareceu como o processo poderia ser difundido para capturar e converter parte das bilhões de toneladas de CO2 lançadas anualmente na atmosfera pela queima de combustíveis fósseis, o que segundo cientistas é o principal fator por trás do aquecimento global.

(Reportagem de David Fogarty)

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Califórnia pioneira

FOLHA DE S. PAULO
13/4/2009

Para cumprir meta de emissão de gases do efeito estufa, Estado americano elege álcool de cana como alternativa

A MELHOR notícia dos últimos tempos para o álcool de cana veio da Califórnia: o combustível brasileiro figura como uma das estrelas na nova regulamentação do Estado americano, tradicionalmente na vanguarda ambiental dos EUA. Para o Conselho de Recursos Aéreos da Califórnia, encarregado de propor a nova regra, o álcool combustível do Brasil diminui em 72% as emissões de veículos que agravam o efeito estufa, como noticiou o jornal “Valor Econômico”.

Ao queimar combustíveis fósseis como a gasolina, automóveis produzem gases -por exemplo, dióxido de carbono (CO2)- que retêm radiação de origem solar na atmosfera, esquentando-a. Para combater o aquecimento global, o Estado governado por Arnold Schwarzenegger adotou a meta ambiciosa de reduzir 80% suas emissões de carbono até o ano 2050. A regulamentação em preparo visa garantir a meta intermediária de cortar 10% até 2020.

O álcool obtido da cana se sai bem no quesito por ser combustível renovável. Sua queima também produz CO2, mas boa parte desse carbono será recapturada pelos canaviais em crescimento no ano seguinte. Já o ciclo de produção e queima de derivados de petróleo não propicia nenhuma absorção do carbono liberado.
O cálculo californiano coincide com estudo da Embrapa Agrobiologia segundo o qual o ganho diante da gasolina é de 73%. Na conta dos 72% americanos, porém, entram só as emissões diretas do combustível.

Se for computado o carbono emitido com a mudança no uso da terra, como o desmatamento, a vantagem diante da gasolina cai para 24% -ainda assim, bem melhor que o álcool de milho produzido nos EUA, cujas emissões são superiores às da gasolina. Projeta-se que esse desempenho possa até triplicar a demanda americana por álcool brasileiro.

Os adversários da cana no futuro, contudo, são o álcool de celulose (produzido a partir de qualquer parte de um vegetal, e não só do suco da cana) e o hidrogênio. Para ficar no páreo, o Brasil precisa aprofundar o investimento nas frentes tecnológica, ambiental e de informação.

No campo da informação, produtores já se mobilizam para questionar e atualizar os dados sobre desmatamento usados pelos técnicos californianos. No quesito ambiente, pode-se avançar muito na mecanização da colheita, que evita queimadas. Por fim, há que incentivar a pesquisa para converter a celulose da própria cana em álcool.

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Urbanismo sustentável

23/04/09

16/04

A expansão sustentável do bairro verde

SÃO PAULO, 16 de abril de 2009 – Nos últimos anos, a sustentabilidade saltou das páginas do dicionário para entrar de vez no vocabulário de construtoras e incorporadoras. Agora, o conceito de “prédios verdes” – como são conhecidos os edifícios sustentáveis – expandiu-se para “bairros verdes”. O que pode parecer algo futurista, na verdade, já está em implantação desde o ano 2000 na cidade de Palhoça, em Santa Catarina.

Dilnei Bittencourt, diretor de engenharia da Pedra Branca Urbanismo Sustentável, conta que o bairro nada mais é do que uma antiga fazenda. “A região metropolitana expandiu-se tanto que atingiu a fazenda e ela acabou perdendo sua função pecuarista”, relata. Ao mesmo tempo, a Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) queria montar o seu campus na região e precisava de uma área de 10 mil hectares, para atender cerca de dez mil alunos. “Doamos o terreno para a faculdade e depois vendemos mais de dois mil lotes para construção de moradias. Foi um sucesso”. Outro resultado positivo foram as vias de acesso, que eram muito difíceis de serem utilizadas e acabaram por ficar mais fáceis.

Esse foi o pontapé para mais de 10 anos de estudo de zoneamento, tecnologia e urbanismo que resultaram no bairro Pedra Branca, um mix de unidades residenciais, comerciais e industriais. Hoje ele abriga quatro mil moradores e mais de 30 indústrias não poluentes. Além disso, a Pedra Branca gera mais de 3,5 mil empregos e a previsão é de que daqui a 15 anos o bairro tenha 35 mil moradores e gere 15 mil novos empregos. “O bairro abriga tudo. Por isso, as pessoas não precisam se deslocar de casa para o trabalho durante horas, como acontece em São Paulo. Lá tudo é integrado e a ideia é usar da melhor forma possível os equipamentos e assim gerar menos poluição”, afirma Bittencourt.

O diretor de engenharia da Pedra Branca acentua ainda a importância da densidade populacional. “Se a gente colocasse todo mundo separado, os serviços públicos ficariam inviáveis. Mas é necessário haver um equilíbrio entre área construída e ambiente natural. Chegamos à conclusão que o ideal é ter 700 habitantes por hectare”.

Até o fim do ano, serão lançados dois empreendimentos, com quatro torres cada. Eles vão abrigar unidades comerciais e residenciais. “Cada empreendimento vai tomar uma quadra do bairro e vamos construir um pátio central tão atraente quanto a fachada”, adianta Bittencourt. Ele acrescenta que a velocidade financeira e de absorção que vai determinar quantos empreendimentos vão ser erguidos nos próximos anos. “Como os prédios são todos sustentáveis – com redução de energia, reutilização de água da chuva -, o preço do condomínio é menor, o que deve atrair ainda mais pessoas”, acredita.

No segundo semestre deste ano, também serão iniciadas as obras do projeto de novo urbanismo, que prevê a formação de 20 quadras de múltiplo uso. Nelas serão construídos centro cultural e de eventos, hotel, biblioteca, prédios residenciais e comerciais.O projeto já conquistou reconhecimento no Brasil e no exterior. Em 2007, recebeu o prêmio na categoria Investidores na XI Bienal Internacional de Buenos Aires, e no ano seguinte foi um dos 20 finalistas do “Financial Times Sustainable Awards Cities 2008″. Além disso, o edifício Pedra Branca I, que é sede de um grande call center, recebeu, em 2008, o Prêmio Destaque na categoria Green Building do V Grande Prêmio de Arquitetura Corporativa, promovido pela Office Solution, com apoio da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (Asbea). O empreendimento corporativo foi desenvolvido por meio da utilização de diretrizes do sistema LEED.

Nelson Kawakami, diretor executivo do Green Building Council Brasil, ONG que promove o LEED no País, conta que vai ser lançado ainda neste semestre, o LEED para bairros, o Neighborhood Development. Ainda em fase piloto, o conceito dessa certificação e suas recomendações já são contempladas no bairro Cidade Pedra Branca e no Setor Noroeste, em Brasília.

“O importante desses bairros é eles oferecerem toda infraestrutura necessária para que os moradores não precisem se deslocar para suprir suas necessidades de moradia, comércio, estudo e trabalho”, explica. Além disso, devem ser aplicadas as recomendações de uso racional de água, eficiência energética, utilização adequada de materiais, qualidade interna e externa dos edifícios e pavimentação que permita a absorção de água. “Isso é feito deixando um miolo para ser preenchido com terra e grama”, esclarece.

Perguntado sobre a possibilidade de transformar os bairros já existentes em sustentáveis, Kawakami afirma que é possível, mas exige muito investimento. Além disso, teria que contar com uma mudança cultural das pessoas que geralmente moram em um bairro diferente de onde trabalham. “Com o tempo, esse conceito vai mudar a vida da sociedade.” (Natália Flach – Gazeta Mercantil)

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