Arquivo de abril, 2009

Termoelétricas

23/04/09

terça-feira, 14 de abril de 2009

Governo barra termoelétricas ’sujas’

Agencia Estado

SÃO PAULO – O governo brasileiro decidiu criar dificuldades para a instalação de novas termoelétricas movidas a diesel e a carvão e facilitar a licença para hidrelétricas e usinas que produzem energia solar ou eólica (dos ventos). A partir de agora, as licenças ambientais para novas termoelétricas só serão concedidas se compensarem toda a emissão de gás carbônico (CO2), o principal vilão do aquecimento global.

“A ideia é essa mesmo: vamos dificultar a instalação das termoelétricas e facilitar as usinas que usam como fonte a água, o sol e o vento”, disse o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Roberto Messias Franco. “O Brasil é um país de tradição de energia limpa. Temos de continuar assim. Como essas termelétricas emitem grandes quantidades de CO2 e nós não queremos contribuir para o aquecimento global, elas vão ter de fazer a compensação”, disse o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

As termoelétricas que já pediram a licença ambiental, ou que já a receberam, só terão de se submeter às novas regras daqui a cinco anos, quando vence o prazo para o seu funcionamento. Isso vale, por exemplo, para as grandes que estão sendo instaladas na Bahia, no Maranhão, no Rio Grande do Norte e também no Pará. De acordo com informação de Messias Franco, atualmente seis empresas já protocolaram o pedido de licença, e estão de fora das exigências.

Conforme a Instrução Normativa do Ibama, já assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma empresa que produz 100 megawatts à base de óleo ou de carvão, e que opera durante três meses ao ano, terá de plantar no mínimo 600 mil árvores num espaço de 300 hectares. Essa compensação corresponde a apenas um terço do CO2 que a termoelétrica emite, mas é um item obrigatório. Os outros dois terços poderão ser compensados de forma diferente, com energia solar ou eólica, por exemplo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Energia Solar

23/04/09

CORREIO BRAZILIENSE (DF) • OPINIÃO • 13/4/2009

Energia solar e casas populares

Renato Casagrande

Senador (PSB-ES), presidente da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado

A iniciativa do governo federal de incluir o uso de energia solar no programa habitacional que construirá 1 milhão de casas populares tem diversos aspectos positivos. Pelo menos quatro deles já merecem ser ressaltados: 1. na situação em que a economia mundial e a Brasileira se encontram, assombradas pela ameaça de que a crise seja duradoura e profunda, serão gerados muitos empregos na fabricação de placas e equipamentos de captação da energia do sol; 2. as famílias destinatárias do programa social de habitação terão uma economia mensal de cerca de 30% na conta de luz, uma vez que o aquecedor dispensará o uso do chuveiro elétrico; 3. cria-se, assim, um círculo virtuoso, em que o valor economizado irá, em alguma medida, para a renda do trabalhador e, consequentemente, para o consumo, já que haverá economia no valor da conta de energia no fim do mês.

O quarto aspecto é o fato de a política pública adotar medidas que se enquadram nas metas do Plano Clima, lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no fim do ano passado, para redução de 72% da emissão de gás carbônico na atmosfera, entre 2008 e 2017, tendo como primeira iniciativa a redução do desmatamento da Amazônia. De acordo com o ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, o uso de energia solar em 1 milhão de residências representará que, pelo menos, 830 mil toneladas de carbono deixarão de ser lançadas na atmosfera. Na medida em que haja economia de energia, dispensa-se a construção de uma usina hidrelétrica de porte considerável, contribuindo ainda mais para a redução do impacto ambiental.

O presidente Lula manifestou entusiasmo com a proposta do uso de energia solar, numa conversa que mantivemos em 6 de março, em Vitória, ocasião em que me comprometi a lhe encaminhar documento atestando a viabilidade econômica e social da proposta.

Na nossa visão, a energia solar dispensaria o uso contínuo do chuveiro elétrico, que tem por finalidade exclusiva aquecer a água do banho. O chuveiro é considerado o vilão do sistema energético, basicamente por três razões: consome entre 25% e 35% do que se gasta com eletricidade; tem potência muito elevada, chegando aos 5 mil watts, e exige do governo esforço adicional em relação à manutenção da qualidade do fornecimento.

O aproveitamento eficiente dos recursos públicos deve considerar os benefícios econômicos diretos, mas de uma forma ampla. Isso significa que, mesmo que o custo da construção de casa popular saia mais alto pelo menos R$ 600, que é o preço médio de um aquecedor solar nas condições atuais, os ganhos com sua utilização, no médio e longo prazo, compensariam o gasto público. Na União Europeia, por exemplo, a recuperação do investimento ocorre em até quatro anos.

O cálculo da economia com uso de energia é simples. Se considerarmos o valor da conta de luz de uma família de baixa renda, ao redor de R$ 50, o ganho mensal por unidade residencial seria de aproximadamente R$ 15. No ano, R$ 180 (o governo é ainda mais otimista e fala em R$ 300 a R$ 500). Em 10 anos, R$ 1,8 mil. Se multiplicarmos por 1 milhão de casas populares, em 10 anos haverá economia de R$1,8 bilhão. Isso representaria renda para as famílias.

Em termos de economia de energia, cada família de baixa renda consome, aproximadamente, 10 KWh/mês. A economia mensal é de 30 KWh/mês; multiplicado por 1 milhão, teremos o resultado de, aproximados, 30 GWh/ano. Isso supera o consumo de um mês de energia elétrica do estado de São Paulo.

Além da economia direta, a energia solar utilizada de forma disseminada para aquecimento de água residencial pode trazer outros benefícios à sociedade. Exemplo é a redução de gastos em infraestrutura na geração, transporte e distribuição da eletricidade e ainda na racionalização dos impactos ambientais e sociais causados pelas hidrelétricas.

É conveniente que, em tempos de mudança de paradigma como o que vivemos, decisões políticas arrojadas sejam tomadas, para que possamos constituir, cada vez mais, práticas de consumo sustentáveis.

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EUA terá 1ª cidade 100% movida a energia solar

11/04/2009
O Estado de São Paulo
Washington

A empresa de energia elétrica Florida Power & Light e a incorporadora imobiliária Kitson & Partners trabalham em parceria para construir a primeira cidade alimentada por energia solar dos Estados Unidos. A ideia é criar a maior usina fotovoltaica do mundo em uma cidade planejada para ser ecologiamente correta, no sudoeste da Flórida.Batizado de Babcock Ranch, o local deverá abrigar cerca de 19,5 mil casas e 56 hectares livres para comércio, indústria e escritórios. O Custo previsto do projeto é de US$ 2 milhões(R$ 4,3 milhões).

Segundo um porta voz do grupo, a cidade produzirá mais energia solar do que o necessário para se manter e poderá se tornar exportadora. Babcock terá ainda total cobertura para internet sem fio e carregadores para veículos elétricos. A obra deve começar em junho de 2010.

A Meta do presidente Barack Obama é que 10% da eletricidade gerada no país venha de fontes renováveis até 2012 e que o índice suba para 25% até 2025. O Pacote de estímulo lançado pelo presidente recentemente inclui bilhões de dólares para investimentos no setor.

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Greenbuilding

23/04/09

Novo concreto visa benefícios ambientais

13/4/2009

Por HENRY FOUNTAIN

Um trabalho notável em concreto foi erguido sobre o rio Mississippi, a leste do centro de Minneapolis (EUA).
Ali, na rodovia Interstate 35W, a ponte St. Anthony Falls abre espaço para dez pistas de tráfego, erguida sobre vigas mestras suportadas por maciças pilastras em arco, que, por sua vez, se apoiam sobre fundações e estacas profundas.

Erguida para substituir uma ponte anterior que desabou em 2007, a construção é quase inteiramente de concreto reforçado com barras de aço. Mas não é uma estrutura monolítica: seus componentes são feitos de mistos diferentes de concreto, cujas receitas foram ajustadas para se adequar a exigências específicas de força e durabilidade e para reduzir o impacto sobre o meio ambiente.

Um dos mistos, incorporado em esculturas onduladas nas duas extremidades da ponte, foi criado para se manter branco, ao limpar do ar alguns poluentes causadores de manchas.

A obra, que custou mais de US$ 230 milhões e foi concluída em setembro, “pode ter sido o trabalho em concreto mais complicado construído nos Estados Unidos em 2008″, disse Richard D. Stehly, presidente da American Engineering Testing, empresa de Minneapolis que participou do projeto. A ponte é um exemplo excelente das grandes mudanças que vêm ocorrendo na produção e no emprego do concreto -mudanças essas que fazem uso de pesquisas de base e se devem em parte à necessidade de reduzir a pegada de carbono do concreto.

O material pode parecer improvável para avanços científicos. Um bloco de concreto é basicamente semelhante a um bolo de frutas mais sólido. As “frutas” da mistura estão no agregado graúdo, geralmente de pedras britadas. O agregado miúdo, que costuma ser de areia, é outro componente importante.

Acrescentam-se água e algo para ajudar a aglomerar tudo -ovos, no caso do bolo, e cimento Portland, no caso do concreto-, mistura-se tudo e despeja-se o resultado numa forma. O produto básico se mantinha relativamente igual desde a invenção do cimento Portland, no início do século 19.

Os produtores sempre mexeram com a mistura para encontrar as proporções corretas dos ingredientes básicos do concreto. Agora a experimentação se torna mais complexa, visando adaptar o concreto a cada necessidade. E, cada vez mais, isso inclui o meio ambiente.

A manufatura do cimento Portland é responsável por cerca de 5% das emissões de dióxido de carbono, o gás causador do efeito estufa, geradas pelo homem.

“Nos últimos dez anos, a novidade vem sendo a tentativa de evitar os materiais que geram CO2″, disse Kevin A. MacDonald, vice-presidente de serviços de engenharia da Cemstone Products Company, fornecedora do concreto usado na ponte sobre a I-35W.

Em suas misturas, MacDonald substituiu boa parte do cimento Portland por dois resíduos industriais: cinzas volantes, resíduos da queima de carvão em usinas elétricas e escórias de alto-forno. Os dois produtos são conhecidos como pozzolanas, materiais reativos que ajudam a tornar o concreto mais forte. Como as emissões de CO2 associadas a eles são feitas já na geração de eletricidade e na produção siderúrgica, eles também ajudam a reduzir a pegada de carbono do concreto.

Alguns cientistas e engenheiros estão indo além, para desenvolver concreto que possa capturar permanentemente CO2 de usinas elétricas e outras fontes, de modo que ele não possa mais contribuir para o aquecimento do planeta.

As possibilidades de captura de carbono são enormes. Alguns pesquisadores querem eventualmente eliminar por completo o cimento Portland e substituí-lo por outros cimentos, de modo a produzir concreto que seja zero carbono ou até carbono negativo.

Num canteiro adjacente a uma usina de geração elétrica movida a gás em Moss Landing, Califórnia, a Calera Corporation está desenvolvendo um meio de processar gases, fazendo-os passar por água marinha ou outra água salobra, usando o CO2 nos gases para precipitar minerais carbonatados para uso como cimento ou agregados no concreto. O processo imita, até certo ponto, o que fazem os corais e outros organismos marinhos calcificadores.

A Calera calcula que a produção de uma tonelada desses materiais consome meia tonelada de CO2, de modo que o concreto resultando poderia, potencialmente, ser carbono negativo, capturando dióxido de carbono permanentemente.

Brent R. Constantz, fundador da empresa, já trabalhou com cimentos no passado, tendo manufaturado produtos especiais para uso em cirurgias ortopédicas. Mas ele não descreve a Calera como empresa produtora de cimento. “Somos movidos principalmente pela necessidade de capturar permanentemente grandes quantidades de CO2″, disse ele.

A empresa provavelmente começará por produzir o agregado, porque as barreiras à fabricação de um produto comercialmente aceitável são menores que com o cimento. Mesmo no caso de um agregado, qualquer produto novo precisa obedecer aos padrões e ser aceito pela indústria do concreto, que pode ser avessa a novidades. “Sempre que se introduz algo novo, é um desafio”, disse Constantz.

 

 

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POLÍTICAS AMBIENTAIS

13/04/09

Governo Obama deslancha sua ofensiva ambiental

Editorial
09/04/2009

Enquanto a reunião do G-20 em Londres concentrava as atenções mundiais, o governo de Barack Obama, em uma ofensiva em várias frentes, tomava sem alardes iniciativas importantes para o combate ao aquecimento global. O governo de George W. Bush manteve-se fora do Protocolo de Kyoto, que estabeleceu metas de redução de 5,2% em relação a 1990 das emissões dos gases que provocam o efeito estufa. O governo de Obama marcou sua estreia também nas negociações para mudanças climáticas, ao enviar equipe de alto nível para o encontro das Nações Unidas encerrado ontem em Bonn.

Todd Stern, o encarregado do assunto no Departamento de Estado, deixou claro que a nova administração dará prioridade às ações contra o aquecimento global.

Segundo Stern, produtos e serviços que requerem altas emissões de carbono logo se tornarão “insustentáveis” (“Financial Times”, 9 de abril). É intenção do governo americano implantar um sistema de créditos de carbono e a necessidade de obter autorização para emissões deverá ter custos significativos e crescentes para empresas que não embarcarem agora em um esforço de corte das emissões.

Os esforços americanos para romper com a perigosa hostilidade do governo Bush ao combate ao aquecimento global não se restringiram à arena internacional, onde elas eram mais esperadas e urgentes. O democrata e líder da comissão de energia da Câmara dos Deputados Henry Waxman apresentou na semana passada um projeto de resolução que cria uma nova estrutura institucional no qual o combate aos gases-estufa se dará. Nas mais de 600 páginas do esboço de projeto, estão as metas de redução das emissões com as quais o governo terá de se comprometer, caso o Congresso o aprove. Até 2020, o corte será de 20% sobre o nível de 2005, enquanto que o governo Obama tem metas mais modestas, de 16% de corte, mas sobre os níveis de emissão de 1990. A restrição ao lançamento na atmosfera de CO2 se intensificaria e chegaria a 42% em 2030 e 83% em 2050.

O sistema de créditos de carbono são parte essencial deste esquema e Obama pretende colocá-lo em funcionamento o mais rápido possível. O governo quer executar as metas já a partir de 2010 e conta com receitas advindas da venda de permissões já em 2012. Em seus planos, até 2019 esse mercado dará aos EUA receitas de US$ 646 bilhões, que serão utilizados em grande parte para reduzir o custo de transição nas indústrias hoje altamente dependentes das emissões.

O projeto deixa em aberto sobre como serão dadas as permissões para emissão – algumas empresas defendem que sejam gratuitas. Além disso, Waxman propõe uma “reserva estratégica” de 2,5 bilhões de autorizações que seriam utilizadas para impedir que o preço dos créditos de carbono nos EUA suba demais, agindo como um regulador do mercado. Um mercado para derivativos de créditos de carbono seria criado sob supervisão de agência indicada por um grupo de conselheiros da Presidência.

Ações para incentivar energia renováveis e conservação são parte vital do projeto. Empresas de energia terão de utilizar, em percentual crescente, fontes renováveis, como energia solar, biomassa ou eólica – 6% em 2012 até 25% em 2025. O desenvolvimento de tecnologias que captem e armazenem CO2 serão estimuladas. Além disso, a partir de 2015 será estabelecido um limite para as usinas que usam carvão como matéria-prima de 499 quilos de CO2 por megawatt-hora produzido.

O Congresso pode, claro, barrar essas intenções. Os republicanos já levantaram o bordão de que o governo quer “salvar o planeta sacrificando a economia”, o que indica ferrenha oposição do partido. Más notícias vêm também de Bonn, onde 175 países, após 11 dias de discussão, não avançaram na definição de metas globais para o pós-Kyoto. Os países em desenvolvimento reclamam um esforço maior que os 20% de corte de emissões até 2020 da União Europeia. Até dezembro, em Copenhagen, terá de se desenhar um acordo final, para o qual o papel agora ativo dos EUA traz esperanças de sucesso. Os EUA convocaram as 16 maiores economias do mundo para um encontro em Washington no fim do mês e a iniciativa paralela pode acelerar a formação de um consenso. Definitivamente, os tempos de Bush ficaram para trás.

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