Arquivo de maio, 2009

Sustentabilidade ganha mais visibilidade

27/05/09

31 de Março de 2009 - Desde que o tema sustentabilidade entrou de vez na agenda dos negócios, tem crescido a procura por formação na área. A adaptação de currículos e metodologias às questões socioambientais é uma tendência irreversível para as escolas de negócios. Em pesquisa realizada pela Princeton Review, que elabora o ranking das 600 melhores universidades dos Estados Unidos, 63% dos estudantes declararam que o compromisso com a sustentabilidade influencia sua escolha por uma faculdade. Tão vasto quanto o conceito é a diversidade de programas relacionados ao tema. Por isso, estudantes e profissionais ainda enfrentam dificuldades para selecionar os cursos de graduação e especialização em sustentabilidade que mais se adequam às suas expectativas. Pensando nisso, desde 1999, o Instituto Aspem em parceria com o World Resources Institute (WRI) avalia MBAs de todo o mundo e relaciona as instituições líderes na integração de aspectos sociais e ambientais aos seus currículos. Intitulado Beyond Grey Pinstripes, o ranking apresenta os 100 programas que melhor têm preparado alunos para a nova realidade do mundo dos negócios a partir da ascensão do triple bottom line.

O Brasil segue a tendência global. As escolas de negócios deram início ao processo de adaptação de currículos ao criar áreas específicas para pesquisar novas metodologias e acompanhar a evolução dos debates relacionados ao desenvolvimento sustentável. Em 2001, a Fundação Dom Cabral inaugurou seu Núcleo de Sustentabilidade e Responsabilidade Corporativa. A Fundação Getúlio Vargas, por sua vez, criou o Centro de Estudos em Sustentabilidade (CES), em 2003. A partir dos conhecimentos reunidos nesses núcleos de pesquisa, as instituições desenvolveram programas de especialização na área.

Lançado em 2005, o MBA em Gestão da Sustentabilidade da FGV tem como objetivo a formação de profissionais com uma visão estratégica para integração das questões socioambientais no negócio. “O novo paradigma demanda a formação de uma geração de empresários conscientes - para colocar em prática - que os sistemas econômicos são dependentes dos sistemas naturais, e não o contrário”, afirma Luciana Betiol, pesquisadora do CES. O Programa de Gestão da Responsabilidade Social da Fundação Dom Cabral também tem como foco o desenvolvimento da visão sistêmica. Segundo Maria Raquel Grassi, gerente de projetos da FDC, cabe às instituições de ensino transformar os indivíduos, munindo-os de habilidades perceptivas mais amplas do que as oferecidas no ensino de técnicas, modelos e doutrinas.

Neste ano, a FDC dará início a um programa para formação de Lideranças Globalmente Responsáveis em parceria com a Petrobras. A iniciativa faz parte da proposta do Global Compact, da ONU, e do European Foundation for Management Development (EFMD), que desde 2004 discutem estratégias para formação de líderes capazes de conciliar desenvolvimento econômico, com o ambiental e social. “O que o Global Compact prega é a construção de modelos de ensino menos convencionais que, além de conhecimentos e habilidades, exercitem também atitudes e valores. Está-se diante de um desafio pedagógico de duas frentes: uma é inserir os elementos da sustentabilidade de modo transversal na grade dos programas de gestão de negócios; outra é criar proposta de educação mais horizontais e sistêmicos que encorajem a convivência com outros pontos de vista, ainda que dissonantes”, afirma Ricardo Voltolini, consultor de Ideia Sustentável.

No SENAC, o grande desafio tem sido integrar as áreas social e ambiental, que vinham seguindo trajetórias independentes. A instituição possui cursos livres ligados às áreas de gestão e educação ambiental, assim como Terceiro Setor e projetos sociais. Em 2009, iniciou a sua primeira turma de pós-graduação em Responsabilidade Socioambiental Empresarial. “A discussão sobre sustentabilidade tem evoluído de forma muito rápida, exigindo que os profissionais se atualizem continuamente. Por isso, apostamos no desenvolvimento por competências para que os alunos aprendam a se adaptar aos novos conceitos e mudanças que estão por vir”, ressalta Marly Batista dos Reis, coordenadora do programa de pós-graduação em RSE.

Programas

Visando transformar radicalmente modelos econômicos e mentais para a promoção de uma sociedade socialmente justa e sustentável, uma nova geração de programas de desenvolvimento de competências coloca os indivíduos no centro da transformação cultural para a sustentabilidade. A proposta de ensino do Emerging Leaders Innovate Across Sectors (ELIAS), por exemplo, baseia-se na autoconsciência como fonte suprema para processos de inovação e mudança social. O programa, iniciado em 2006, foca-se no desenvolvimento de quatro competências específicas. A primeira, segundo Otto Scharmer, professor do MIT e um dos fundadores do ELIAS, é a capacidade de ouvir e dialogar. “A sustentabilidade envolve uma constelação de stakeholders com posições e formas de pensar diferentes. Se o líder não tiver a capacidade de ouvir essas opiniões não conseguirá conduzir nenhum projeto, cujo objetivo seja a sustentabilidade” , destaca.

A segunda competência é a empatia e refere-se à capacidade de interpretar o mundo a partir da visão do outro, enxergando o sistema por diferentes ângulos. Já a terceira competência é o que Scharmer chama de open-will (vontade aberta). O desenvolvimento dessa capacidade requer o conhecimento e a vivência nas realidades que se pretende transformar, um movimento de ir aos lugares e observar suas dinâmicas para atingir uma fonte de conhecimento mais profunda. Transcender as barreiras que dividem governos, sociedade civil e empresas, construindo soluções coletivamente é o principal desafio enfrentado pelos líderes formados no programa. Para isso, eles contam com o suporte dos próprios colegas, conectados em uma rede internacional, e parcerias que se configuram no ambiente do curso. “Cabe aos participantes co-criar novas realidades e alcançar outros estágios de desenvolvimento à medida que completam os protótipos desenhados, o que representa fonte de inspiração para outros líderes”, ressalta Scharmer.

ExperiênciaNo Team Academy, da Escola Politécnica de Jyväskylä, na Finlândia, os princípios de liberdade e responsabilidade não se chocam, o que pode ser percebido na rotina da instituição. As salas de aulas e as carteiras dão lugar a cômodos com janelas amplas e sofás confortáveis. Não existem professores, mas sim coaches que orientam os alunos conforme as necessidades. O programa corresponde a um bacharelado de administração, tem duração de três anos e as turmas reúnem até 30 estudantes por módulo. Já na primeira semana de estudos, os alunos realizam visitas nos empreendimentos locais para identificação de demandas. Com essas informações, elaboram um team project no qual trabalham ao longo de todo o programa a fim de desenvolver modelos de negócios adaptados a realidade local.

Modelos de aprendizagem coletiva à parte, a grande revolução promovida pelo Team Academy diz respeito à quebra de paradigmas. O que diferencia a experiência finlandesa do ELIAS, por exemplo, é o fato de desenvolver novos modelos mentais entre os jovens. Assim, esses futuros líderes são formados de acordo com uma lógica de negócios já afinada com os princípios do pensamento sistêmico. “Um dos aspectos mais importantes do programa é que os jovens compreendam as relações de interdependências. Essa visão deve orientar todas as atividades, até as individuais”, destaca Satu Vainio, coach do Team Academy.

Planejamento estratégico

Com representação em nove países, o The Natural Step é uma organização não-governamental voltada à educação para uma sociedade sustentável. A grande contribuição da TNS está relacionada à definição de quatro condições sistêmicas para a manutenção da vida na Terra, junto com uma metodologia sobre como aplicá-las estrategicamente. Desde 2004, o TNS oferece um programa de mestrado, desenvolvido em parceria com o Blekinge Institute of Technology, que tem como foco o desenvolvimento de estratégias para tomada de decisão e lideranças para a sustentabilidade. Ao invés do tradicional forecasting, que estuda o passado para identificar tendências, o programa trabalha com o backcasting, propondo a definição do futuro desejado e, então, das estratégias de ação para atingi-lo.

Segundo o brasileiro Augusto Cuginotti, engenheiro mecânico que concluiu o mestrado do The Natural Step no ano passado, a clareza e praticidade no processo de tomada de decisão é o grande diferencial da metodologia. Além disso, a projeção de futuros por backcasting ganha o respaldo das quatro condições de sustentabilidade. “Funciona como um farol. Com essa referência, é possível olhar à frente e saber onde se deseja chegar, no lugar de apenas reagir aos acontecimentos. Dentro desse escopo, existem várias possibilidades, todas elas sustentáveis, pois foram planejadas conforme as condições da sustentabilidade” , explica ele..

Aliando a teoria à prática

O programa da Escola Superior de Conservação e Sustentabilidade (Escas) foi o primeiro mestrado profissional em sustentabilidade a obter o reconhecimento da Capes no Brasil. Fruto da parceria entre o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) e a Natura, a iniciativa tem como objetivo formar líderes capazes de criar e disseminar modelos inovadores de conservação da biodiversidade e de desenvolvimento sustentável.

O programa tem a duração mínima de 18 meses e máxima de 24 meses. No primeiro ano, o curso exige dedicação exclusiva dos alunos que deverão morar no campus da universidade, localizada na cidade de Nazaré Paulista, interior de São Paulo. “O profissional moderno deve atuar no triple bottom line. Ele precisa saber a conexão entre três pilares (ambiental, social e econômico)”, destaca Cláudio Pádua, reitor da Escas e vice-presidente do IPÊ.

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 16)(Juliana Lopes)

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Agricultura investe em sustentabilidade

27/05/09

28 de Abril de 2009 - Poucos setores estão tão expostos às condições climáticas quanto a agricultura. Naturalmente, esse também é um dos segmentos que mais sofrerá com os impactos do aquecimento global. A revisão de práticas, a busca de tecnologias que proporcionem maior produtividade e desenvolvimento de espécies adaptadas a condições climáticas extremas são algumas medidas que vêm sendo tomadas pelo setor em resposta a esse desafio.

Segundo o estudo Caminhos para uma economia de baixa emissão de carbono no Brasil, da McKinsey & Company, a agricultura é o segundo emissor de gases de efeito estufa no Brasil atrás somente do setor florestal. Os gases geralmente emitidos são o óxido nitroso (46%) e metano (54%), ao invés do carbono, emissão comum em outras áreas.

De acordo com Carlos Clemente Cerri, pesquisador do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena/USP) é necessário que o Brasil invista na produção agrícola mais sustentável para evitar consequências econômicas sérias no futuro. “A agricultura é responsável por 25% do PIB e com as mudanças climáticas podemos ter um impacto direto em toda a produção agrícola. Isso pode trazer prejuízos para o Brasil devido ao fato de o País exportar muitos produtos alimentícios”, constata.

Em todo o planeta, o aquecimento global trará vantagem apenas para regiões de alta latitude no que diz respeito à agricultura. Em outras áreas, as mudanças climáticas podem causar redução de chuvas nos trópicos e a redução das terras agriculturáveis.

“Há alguns biomas em que as mudanças serão mais radicais e algumas formas de agricultura terão que mudar drasticamente, principalmente no que diz respeito ao uso mais qualificado dos recursos naturais. Precisamos mudar certos padrões de produção se quisermos continuar abastecendo populações nos próximos séculos”, avalia José Geraldo Eugênio de França, diretor da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

O desafio da adaptação

No Brasil, as principais medidas de mitigação na agricultura estão relacionadas à adoção de práticas que impeçam o avanço do desmatamento na busca por novas áreas de plantio.

Para França, o setor deve investir em um item crucial para trabalhar a redução de emissões de nesse ponto específico: a produtividade. “É necessário investir em mecanismos mais eficientes para uma agricultura sustentável, com plantas mais adaptadas, consumo eficiente de água e liberação de nutrientes. Isso vai fazer com que possamos elevar a produção sem danificar o ambiente”, avalia.

Parcela significativa das emissões também poderiam ser evitadas a partir da recuperação de áreas utilizadas pela pecuária. De acordo com o estudo Aquecimento global e a nova geografia da produção agrícola no Brasil, da Embrapa, cerca de 100 milhões de hectares de pastos degradados no País podem abrigar a expansão agrícola sem que seja preciso derrubar mais árvores - contanto que sejam manejados de forma correta.

Segundo Cerri, desconsiderando o desmatamento, o Brasil não é um grande emissor de . Por isso o País deve criar medidas para evitá-lo, além de reformular o manejo do gado, que representa a segunda maior fonte de emissões. “Temos que procurar uma forma diferente de produzir carne bovina. O modo extensivo atual não é um bom modelo para o Brasil porque sempre existirá a necessidade de mais área para o gado - e isso significa desmatar. Hoje a lotação é muito baixa, cerca de 0,9 cabeças por metro quadrado, menos de um animal”, destaca.

O estudo da McKinsey & Company confirma essa projeção. Devido as emissões de metano, resultado da fermentação entérica, 60% da redução potencial na área está relacionado à atividade pecuária e pode ser solucionado por meio de duas iniciativas principais. A primeira diz respeito à melhoria na gestão dos pastos, possibilitando aumento da criação bovina, e a segunda iniciativa refere-se à gestão da eficiência da fermentação ruminal, com medicamentos que selecionam as bactérias desejáveis e controlam as indesejáveis.

De acordo com o estudo, outros 26% do potencial abatimento estão relacionados a iniciativas de restauração de solos agrícolas, que podem ter sua fertilidade recuperada pela correção dos nutrientes, aplicação de substratos orgânicos, redução de aragem - por meio do plantio direto - retenção de resíduos agrícolas e pela conservação da água.

O custo médio das iniciativas no setor é consideravelmente baixo, o que exige poucos investimentos e pequenas adaptações nas práticas atuais dos produtores, relata o estudo. Para Cerri, da USP, caso ações como essas não sejam realizadas a tempo ou as mudanças climáticas se tornem muito bruscas, haverá a necessidade de encontrar meios para a adaptação a um novo clima. “Teremos que encontrar variedades de plantas que se ajustem a essa nova situação, como espécies de raízes profundas, para que tenham capacidade de sobreviver a reações adversas”, constata.

Consciência sustentável

De acordo com o estudo da Embrapa, é possível mitigar até seis bilhões de toneladas de gás carbônico a partir do uso mais consciente do solo. Entre as alternativas que podem possibilitar essa redução está a parceria entre as áreas de lavoura e pecuária, de modo que, após a colheita do grão, a terra seja arrendada para o pecuarista. Assim, o pasto permanece verde em praticamente todo o período seco e gera pastagem de qualidade na entressafra.

O plantio direto é outra técnica apontada pelo estudo por proporcionar a redução de nove milhões de toneladas de carbono por ano. “Só em plantio direto, o Brasil conta com 25 milhões de hectares atualmente. O produtor sabe que quanto mais fizer nesse sentido, mais irá agregar valor ao seu produto. No futuro ser sustentável será algo exigido”, avalia.

Porém, segundo França, ainda existe a necessidade de maior apoio para que um modelo sustentável se integre definitivamente à agricultura. “Do ponto de vista de serviços ambientais, precisamos aumentar os incentivos”, ressalta o diretor da Embrapa.

Agenda ambiental consciente

A agricultura no Brasil representa 10% das emissões globais desse setor, ficando atrás somente da China. E a expectativa de crescimento das atividades agrícolas no País resultará no aumento das emissões em 40% entre 2005 e 2030, segundo o estudo da McKinsey & Company.

De acordo com o “Caminhos para uma economia de baixo carbono no Brasil”, três fatores relevantes nos mercados interno e externo são considerados nessa estimativa: o crescimento populacional; o desenvolvimento global, resultando em crescimento do PIB per capita, e as mudanças nos hábitos alimentares, aumentando o consumo de carnes.

Para Cerri, o governo brasileiro já reconhece a ameaça das mudanças climáticas para a agricultura e procura estimular melhores práticas por meio de projetos de pesquisas, por exemplo. “Se o nosso PIB depende da agricultura deve-se fazer algo para evitar as mudanças climáticas graves”, ressalta.

Porém, a crise financeira mundial pode reduzir o investimento em planos mais sustentáveis para diversos setores, inclusive para a agricultura. De acordo com França, até mesmo a China que fez da questão ambiental um item forte em sua agenda, já deu um passo para trás, colocando a geração de emprego como prioridade e investindo em outras indústrias.

“Apesar de estarmos em um momento conturbado, acredito que a economia mundial voltará para um padrão de estabilidade em cerca de dois anos e permitirá que a agenda ambiental seja consistente para os ministérios de agricultura, ciência e tecnologia, meio ambiente e para os produtores rurais”, conclui.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 10)(Cristina Tavelin)

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A economia precisa ser sustentável e verde

27/05/09

Ed Miliband
04/05/2009

O carvão cria o mais nítido dilema: é um combustível poluente, mas é usado em todo o mundo porque é barato

Em todos os países, estes tempos difíceis de crise econômica levaram algumas pessoas a dizer que deveríamos recuar do enfrentamento das mudanças climáticas e que devemos adiar quaisquer iniciativas de avanço rumo a uma economia com baixas emissões de carbono.
Segundo esse argumento, os governos devem concentrar-se firmemente na recuperação econômica, e não na recuperação de nosso clima. A adoção de processos industriais verdes, com baixa produção de carbono, para não falar da obtenção de um acordo mundial sobre mudanças climáticas, dizem, precisa esperar e ser posta em banho-maria.

Mas as ações que o Reino Unido está iniciando mostram tratar-se de uma falsa escolha opor as ajudas à economia ou ao ambiente. No Reino Unido, sabemos que a rota para construir nossa economia para o futuro consiste em uma recuperação sustentável e emissões com baixo teor de carbono.
Essa mudança é central para a criação de empregos e para o crescimento de novos setores de atividade econômica. Durante esta semana que passou, pusemos em prática muitas das medidas que irão apoiar essa longa mudança para uma economia com baixas emissões de carbono e verde.

Nosso ministro das Finanças, Alastair Darling, apresentou não apenas seu orçamento financeiro ao governo mas também os primeiros orçamentos de carbono. Eles impõem um teto às emissões que nosso país pode liberar ao longo de três períodos de cinco anos até 2022, e inclui uma meta legalmente imposta para, até 2022, reduzir as emissões para pelo menos 34% abaixo das emissões em 1990. Isso garantirá que poderemos contribuir para cumprir nossa meta de cortar, até 2050, 80% das emissões de gases-estufa registradas em 1990.

Significativamente, o nosso objetivo é cumprir o estipulado nos orçamentos de carbono mediante um foco em ações domésticas, sendo que o primeiro quinquênio incluirá limites zero a créditos internacionais, fora do esquema de comercialização de direitos de emissão da União Europeia (UE). E pretendemos apertar ainda mais o orçamento, desde que obtenhamos a aprovação do ambicioso acordo mundial que necessitamos, por ocasião da cúpula de Copenhagen em dezembro.
Mas somente as metas e balizamentos não solucionarão as mudanças climáticas. Uma das questões fundamentais para nosso sucesso continua sendo como acelerar radicalmente a disseminação de tecnologias mais limpas - boas para gerar emprego, para a economia e para o planeta.

Esse avanço tecnológico é necessário, talvez, principalmente, para atacar o problema mais difícil, a saber, o carvão. O futuro do carvão cria o mais nítido dilema que enfrentamos: é um combustível poluente, mas é usado em todo o mundo porque é barato e suficientemente flexível para satisfazer as flutuações da demanda por energia.

Para solucionar essa equação, na semana passada descrevi no Parlamento britânico nossos planos para a maior demonstração mundial de tecnologia de captura e sequestro de carbono. Isso inclui:

A) Um grande impulso no front tecnológico: quatro novos projetos para comprovar a captura e o armazenamento de carbono, cada um deles dez vezes maior do que o maior atualmente em operação no mundo, e, em conjunto, significando que estamos fazendo mais do que qualquer outro país.

B) O fim do uso irrestrito de carvão: propus uma nova regra segundo a qual nenhuma nova usina de eletricidade a carvão será aprovada sem comprovar a captura de carbono, a partir do primeiro dia de operação, sobre cerca de 25% de sua produção. Aplicações que não comprovem a captura e armazenagem de carbono serão negadas.

C) E um compromisso claro de operar usando tecnologia de carvão com emissões de baixo teor de carbono, depois de comprovada: haverá uma avaliação independente sobre quando a tecnologia estiver comprovada, e quando isso ocorrer as usinas de eletricidade terão de aplicar a tecnologia não apenas a uma parte de suas operações, mas sobre 100% de sua produção.

Está havendo cooperação mundial em captura e sequestro de carbono, mas isso precisa ser acelerado, neste ano, para assegurar que o mundo inteiro se beneficie dessa tecnologia. As vantagens desse tipo de tecnologia não são apenas ambientais. Existem evidentes oportunidades empresariais e de emprego em tecnologia, processos industriais e disponibilização de energia verdes.
Todos nós ouvimos a mensagem clara e forte: o presidente Obama engajou os Estados Unidos no combate às mudanças climáticas e no emprego de energia limpa. Uma reunião de líderes mundiais do G-20, presidida pelo primeiro-ministro Gordon Brown, decidiu que a recuperação de nossa economia precisa ser sustentável e verde.

É por essas razões que acredito que o crescente consenso internacional sobre a guinada para pontos de baixo carbono apontam para esperança, e não desespero. Ao cooperarmos internacionalmente, podemos, a um só tempo, evitar mudanças climáticas perigosas e ver nossas economias em recuperação de modo sustentável. Do ponto de vista das gerações presentes e futuras, essa é a coisa certa a fazer.
Ed Miliband é ministro de Energia e Mudanças Climáticas do Reino Unido. Miliband é graduado pela Universidade de Oxford e mestre em Economia pela London School of Economics, Inglaterra.

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REDUÇÃO DE EMISSÕES

25/05/09

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Comissão da Câmara dos EUA aprova projeto sobre o clima

TOM DOGGETT E RICHARD COWAN - REUTERS

WASHINGTON - Uma importante comissão parlamentar dos EUA aprovou na quinta-feira um projeto do governo para criar um novo sistema de mercado para a redução das emissões de gases do efeito estufa.

Com maioria democrata, a Comissão de Energia e Comércio da Câmara aprovou por 33 votos a 25 o plano do presidente Barack Obama para criar um mecanismo “cap and trade” (”limite e comércio”) para as emissões. Essa é uma das prioridades legislativas da Casa Branca neste ano, junto com a aprovação da reforma da saúde.

O deputado Henry Waxman, presidente da comissão, disse que o projeto avançou porque tinha “apoio substancial dos grupos industriais, trabalhistas e ambientais de todo o país”.

Entre as grandes empresas que apoiaram o programa de créditos estão Alcoa, DuPont, Caterpilllar e uma coalizão de empresas do setor elétrico.

O projeto agora passará por outras comissões e deve chegar ao plenário da Câmara até agosto. Democratas dizem que a intenção é sancioná-lo ainda neste ano, mas suas perspectivas no Senado não estão claras.

A Casa Branca espera que haja pelo menos um progresso significativo até dezembro, quando uma reunião da ONU em Copenhague irá definir um novo tratado climático internacional.

Em nota divulgada após a votação na comissão, Obama disse: “Estamos agora um passo mais próximos de cumprir a promessa de uma nova economia de energia limpa, que deixará a América menos dependente do petróleo estrangeiro, reduzirá poluentes e criará milhões de novos empregos em toda a América”.

O projeto de quase mil páginas visa a reduzir as emissões norte-americanas de gases do efeito estufa para 17 por cento abaixo dos níveis de 2005 até o ano 2020, e para 83 por cento abaixo até 2050.

Ele também exige que até 2020 as empresas elétricas gerem 15 por cento da sua produção com fontes renováveis, como a energia solar e eólica.

O núcleo da legislação é o sistema “cap and trade”, pelo qual uma empresa que não atingir sua quota de emissão de poluentes poderia vender o excedente a outras.

Defensores dizem que a aferição de um valor econômico às licenças para as emissões irá estimular as empresas a poluírem menos, pois lucrariam com a venda dos excedentes.

Provavelmente, as licenças iniciais serão concedidas gratuitamente pelo governo.

Durante quatro dias de debate parlamentar, os republicanos da comissão tentaram sem sucesso eliminar o “cap and trade” e obter concessões para o setor da energia nuclear.

Obtiveram, no entanto, benefícios para os setores agrícola, do etanol e do petróleo, ao incluir na medida empréstimos com garantias públicas para ajudar a financiar a construção de canais de distribuição para fontes energéticas renováveis, como o álcool.

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quinta-feira, 21 de maio de 2009, 02:05

Metrópoles mundiais se comprometem a reduzir CO2

São Paulo, Rio, Curitiba e Brasília estão entre as 80 cidades que assinaram o compromisso

Efe
SEUL - Representantes de 80 metrópoles mundiais se comprometeram, nesta quinta-feira, 21, em Seul, a unir forças para reduzir as emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa, ao término da Cúpula Mundial das Grandes Cidades do grupo C40. Entre as participantes do evento estão São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília.

Na chamada Declaração de Seul, adotada ao término desta cúpula internacional de três dias, os representantes destas urbes prometeram trabalhar juntos para conseguir “cidades com baixos níveis de carbono”, como parte de seu compromisso contra a mudança climática. As grandes cidades que enviaram representantes a Seul consomem 75% da energia mundial e são responsáveis pela emissão de 80% dos gases do efeito estufa, apesar de ocupar apenas 2% do território mundial.

Segundo a declaração, em 2030 dois terços da população mundial viverão nas cidades, e por isso é necessário se comprometer a estabelecer e executar medidas contra a mudança climática.

Durante esta terceira edição da cúpula, foi estudada a ameaça da mudança climática para o planeta e a necessidade de agir para combatê-la. Na inauguração do encontro, o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton advertiu para as graves consequências de não agir imediatamente para reduzir em 80% as emissões de gases do efeito estufa até 2050.

A primeira Cúpula Mundial das Grandes Cidades do C40 aconteceu em Londres, em 2005, e a segunda foi realizada em Nova York, há dois anos. São Paulo foi escolhida como sede da próxima edição do encontro, prevista para 2011.

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quinta-feira, 21 de maio de 2009, 07:44

China pede a países ricos corte de 40% em emissões de CO2

REUTERS
PEQUIM - As nações ricas devem cortar suas emissões de gases causadores do efeito estufa em até 40 por cento até 2020, a partir dos níveis de 1990, como parte do novo pacto global sobre mudança climática, declarou a China nesta quinta-feira.

Países desenvolvidos também devem contribuir com 0,5 a 1,0 por cento de seu crescimento econômico para ajudar outras nações a combater o aquecimento global e reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa, declarou a Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento (www.ndrc.gov.cn).

As solicitações da China estão em um documento que contém a posição do país diante das negociações para um novo tratado global sobre clima que se espera que seja acordado numa reunião em dezembro em Copenhague, Dinamarca.

(Reportagem de Chris Buckley)

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19/05/2009

Pela 1ª vez, EUA devem estabelecer meta para poluição por automóveis

da Folha Online

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve anunciar nesta terça-feira (19) novas normas para aumentar a eficiência no consumo de combustível por parte dos veículos e nas emissões poluentes. Esta deve ser a primeira vez que os Estados Unidos estabelecem um limite de emissões de poluentes para veículos

Os novos veículos devem ser 30% mais eficientes no que se refere ao consumo de combustível. O programa começará com os modelos novos a partir de 2011, para se aproximar gradualmente da meta até 2016. Entretanto, a expectativa é que os modelos custem cerca de US$ 1.300 a mais por causa disso.
Em abril, o governo Obama abriu caminho para essa regulamentação ao declarar que o dióxido de carbono e cinco outros gases prejudiciais ao ambiente são perigosos para a saúde pública e para o bem-estar social. Só isso já mostrou uma mudança de posição em relação ao governo de George W. Bush.

Carol Browner, diretora de energia e questões climáticas da Casa Branca, confirmou a nova iniciativa –ela classificou a medida como “verdadeiramente histórica”. A estimativa é que 1,8 bilhão de barris de petróleo sejam economizados até 2016 –o equivalente a tirar 177 milhões de carros da estrada, afirmou um alto funcionário do governo, que preferiu não se identificar.

Espera-se que participem do anúncio, entre outros, o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, e os diretores das principais montadoras automobilísticas do país.
Um total de 14 Estados americanos, entre eles a Califórnia, e o distrito de Columbia tinham reivindicado ao governo federal que permitisse aplicar medidas mais rígidas que as existentes até agora.
Com Efe, Reuters e Associated Press

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