DIESEL LIMPO
ANP começa a avaliar alternativas para comercialização de biodiesel
Patrick Cruz, de São Paulo
29/04/2009
Pouco mais de um ano depois do início da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel mineral, o programa aproxima-se de sua transição mais delicada: a extinção dos leilões de compra até hoje realizados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Ainda não há data, resolução, decreto ou afirmativa do governo federal que marque o momento da guinada, mas ela, por outro lado, já deixou de ser exclusivamente pleito das indústrias.
O fim dos leilões tem sido solicitado pelas fabricantes desde sempre, mas a própria ANP já estuda internamente alternativas que possam dar novo um norte na comercialização do combustível. A necessidade de alteração ganha corpo, segundo argumento corrente no mercado, porque se aproxima o momento de elevação da adição compulsória do biodiesel ao diesel mineral, que é atualmente de 3%.
“Acho que está no momento de pensarmos em um modelo transição, no passo seguinte ao do modelo dos leilões”, diz Edson Silva, superintendente de abastecimento da ANP. Embora saliente que essa é “uma avaliação pessoal”, Silva afirma que, internamente, a agência tem desenhado diferentes cenários para estudar um sistema que substitua o que está atualmente em vigor.
O superintendente faz uma analogia fluvial, por assim dizer, para argumentar sobre a necessidade do fim dos leilões. “É como um rio represado: com o tempo, ou ele arrebenta a represa ou o rio acha o seu curso”, diz ele. “Pelo que dá para perceber no atual estágio, ou se acha uma alternativa aos leilões ou as empresas vão começar a quebrar. O modelo de leilões funcionou bem para a largada [do programa]. Vamos ver como fica daqui para a frente”.
Atualmente, há 65 unidades autorizadas a operar. Apenas no intervalo entre novembro de 2008 e março deste ano, a capacidade nominal total das empresas autorizadas a comercializar o produto passou de 816 mil litros 9,9 milhões de litros por dia, um crescimento de mais de 1.100%. A capacidade total de operação, por sua vez, passou de 11 milhões para 11,4 milhões nesse mesmo intervalo.
De acordo com o superintendente, “já existem condições institucionais” para o B5. Em outras palavras, a mistura obrigatória poderia passar de 3% para 5% sem maiores traumas. Há capacidade instalada para isso, além do fato de fabricantes e distribuidoras terem acertado o passo, depois de um início, em certos momentos, errático.
O governo havia programado o B5 originalmente apenas para 2013, o aumento foi antecipado para 2010. No cronograma não havia sido estipulado um degrau intermediário no B4, ou 4% de mistura obrigatória. Esse além pode ser dado ainda neste ano.
A ANP aguarda para os próximos dias – ou mesmo para hoje – a publicação no Diário Oficial, pelo Ministério de Minas e Energia, dos pormenores do leilão a ser realizado pela agência em maio. Têm sido crescentes os sinais de que o leilão de maio – que será responsável pelo abastecimento do mercado no terceiro trimestre – já será o do B4.
O imaginado fim dos leilões – pleito de longa data das fabricantes e, agora, objeto de estudos internos da agência que por eles é responsável – por certo não ocorrerá de forma imediata. Entre outros tantos fatores a serem acertados, o logístico é um deles. Atualmente, a ANP realiza os leilões, mas a Petrobras é a única compradora. Feitas as compras, a estatal autoriza as distribuidoras a retirar o biodiesel nas fábricas.
Sob essa lógica, também é crucial a definição do novo papel da Petrobras: além de compradora unitária, ela também passou a fornecedora. No leilão mais recente, realizado em fevereiro para abastecer o mercado ao longo deste segundo trimestre, a estatal arrematou 10,7% dos 315 milhões de litros ofertados. Foi a quarta maior fatia entre as empresas vencedoras da rodada.
Passados quase 18 meses do início da mistura obrigatória, o mercado de biodiesel se ajustou, segundo avaliação não da agência, mas de quem consome o produto. “Hoje há mais capacidade de produção e as entregas melhoraram bastante. Ainda existe alguma inadimplência [fabricantes que deixam de entregar os volumes arrematados nos leilões], mas ela é bem menor que a que víamos no início do programa”, afirma Alísio Mendes Vaz, vice-presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom).
Brasil importa 1 bilhão de litros de diesel ‘limpo’
28/04/2009 – 13:23 – Agência Estado
O Brasil vai importar este ano em torno de 1 bilhão de litros de diesel do tipo S50 (com 50 partes de enxofre por milhão ou ppm) para atender à determinação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) para redução das emissões de enxofre nos grandes centros urbanos. O volume importado vai representar dois terços do consumo total previsto para 2009 desse tipo de diesel menos poluente, que começou a ser produzido no País neste mês.
Em acordo firmado no ano passado com diversas entidades governamentais, a estatal se comprometeu a fornecer o S50 às frotas de ônibus urbanos de São Paulo e Rio. De acordo com o cronograma do acordo, a previsão é que toda a frota abastecida com diesel de Fortaleza, Recife e Belém passe a usar o S50 até o final do ano. Segundo ele, o produto custa 10% a mais do que o diesel importado atualmente. “Essas três capitais foram escolhidas por questões logísticas e receberão o diesel S50 ainda importado”, disse o diretor de Abastecimento e Refino da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, que ontem anunciou oficialmente o início da produção do S50 na Refinaria Duque de Caxias.
A unidade já processou este mês 10 milhões de litros e terá sua capacidade gradativamente elevada até atingir 360 milhões de litros este ano. Outros 22 milhões de litros foram importados no primeiro trimestre para abastecer São Paulo e Rio.
Também começarão a produzir o S50 ainda em 2009 as refinarias de Paulínia (Replan), Betim (Regap) e Cubatão (RPBC). Até o final de 2010, todas as refinarias da Petrobrás, com exceção da de Manaus, estarão produzindo o diesel S50 e também a gasolina 50 ppm.
A maior vantagem para a Petrobrás com relação à melhoria na qualidade da gasolina é que a estatal voltará a acessar o mercado americano, fechado para a importação de combustíveis com emissões superiores a 50 ppm. A gasolina fabricada no Brasil hoje está em 1.000 ppms.
Segundo testes realizados em 2,6 mil dos 8 mil ônibus que circulam no Rio, a redução das emissões foi de 16% nos veículos mais novos (de 2000 para cá), mas insignificante nos veículos mais antigos. “Por isso estamos insistindo no fato de que os motores têm de se adaptar a esse combustível. De nada adianta fazer a nossa parte se os fabricantes de veículos também não fizerem a sua parte”, disse.
CRÍTICA
Costa também criticou o governo do Estado de São Paulo por ter postergado os testes do combustível em sua frota. “O governo do Rio está se antecipando, tornou-se pioneiro nesses testes no País. Os demais Estados deveriam seguir o que o Rio fez”, disse.
Ônibus polui menos no Rio com diesel limpo
Gazeta Mercantil
Rio de Janeiro, 28 de Abril de 2009 – O diesel mais limpo usados em ônibus do Rio já reflete na redução da poluição e melhora da qualidade de vida. A troca do diesel S-500 pelo diesel S-50 – implementada no início do ano – reduziu em 15% o nível de emissão da fumaça preta pelos veículos coletivos.
O diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse que a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), Região Metropolitana do Rio, é a primeira do País a produzir o S-50.
Segundo Costa, por meio de testes, foi verificada redução de 15% nos níveis de emissão de fumaça dos ônibus da capital fluminense, comparativamente a 2008, quando ainda era utilizado o diesel S-500, com maior teor de enxofre. A Petrobras também distribui o diesel com menos enxofre para ônibus da cidade de São Paulo.
O diesel S-50 tem 50 partes por milhão (ppm) de enxofre, o que corresponde a uma concentração de 0,005% desse componente no diesel. O diesel anterior tinha 500 ppm de enxofre, correspondendo a uma concentração de 0,05%.
Embora somente tenha iniciado a produção no Brasil agora no início do mês, desde janeiro deste ano a estatal já vem fornecendo o produto com menor teor de enxofre para a frota cativa de ônibus do município, só que, para isto, a empresa vinha importando o S-50. O produto nacional vem sendo comercializado pelo mesmo preço do importado.
Inicialmente, o diesel S-50, importado e fornecido pela Petrobras no Rio de Janeiro, era transportado pela rede de dutos até a Reduc, de onde era bombeado para as bases das companhias distribuidoras.
Já o produto nacional é processado em uma unidade de hidrotratamento da Reduc, que extrai o enxofre a partir de reações químicas envolvendo, principalmente, o hidrogênio. São disponibilizados mensalmente cerca de 14 mil metros cúbicos de diesel S-50 para o município do Rio de Janeiro.
Os testes que comprovaram os benefícios para a atmosfera foram realizados pela Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do RJ (Fetranspor) Foram monitorados 47 empresas do município, num total de 8.500 ônibus.
(Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 2)(Agência Brasil)
