Arquivo de maio, 2009

SUSTENTABILIDADE E NEGÓCIOS

25/05/09

Revitalização do porto do Rio pode ser um bom negócio

Gazeta Mercantil, 22/04/09

Todos os anos, de novembro a abril, o porto do Rio de Janeiro se torna uma das principais paradas de cruzeiros internacionais. O problema é que a área que deveria dar boas-vindas aos turistas está bastante degradada. Mas isso deve mudar em poucos anos. Na semana passada, o prefeito da cidade, Eduardo Paes, assinou uma parceria com o Ministério do Turismo para promover a revitalização do local. O Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur) do Rio de Janeiro vai contar com investimento de US$ 187 milhões, montante que será distribuído em cinco anos. Metade dos custos será bancada pelo Ministério do Turismo, e o restante pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Na proposta apresentada pela prefeitura, a maior parte dos recursos (US$ 89 milhões) será investida na revitalização da Praça Mauá, na implantação do Binário do Porto (via que integra Praça Mauá e São Cristóvão) e a criação de um corredor para o turista. Outros US$ 69 milhões serão investidos na criação do Museu do Amanhã, Pinacoteca do Rio, Galpões Culturais, Receptivo para turistas e na recuperação do Morro da Conceição.

O prefeito disse, durante o evento, que quer contar com ajuda da iniciativa privada. O mercado imobiliário então se interessou. Segundo David Cardeman, consultor de desenvolvimento urbano da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), a área que hoje tem galpões desativados e até invadidos deveria se tornar um local misto, com empreendimentos residenciais e comerciais. “Com isso, a área seria naturalmente reativada”, acredita. “Mas para isso tem de ser feita uma revisão da legislação. Caso contrário, nada vai acontecer”, afirma.

Cardeman se refere ao fato de que muitos terrenos e galpões são de propriedade de algum ente governamental – da prefeitura, estado ou governo federal. Álvaro Jorge, sócio do escritório Barbosa, Müssch & Aragão, explica que há várias formas de permitir que o setor possa utilizar esses terrenos. Uma delas é a licitação. “Mas não adianta reformar os galpões da prefeitura e deixar os do estado para depois. Tem de concentrar a titularidade dos imóveis, como em um consórcio público”, afirma.

Outra saída seria negociações bilaterais, entre prefeitura e setor privado. “Um exemplo é uma possível troca de titularidades. A prefeitura dá um terreno no porto e o setor, em troca, dá outro em uma região que interesse para o governo”, diz Jorge. Por fim, podia ser feita uma parceria público-privada. De qualquer forma, ele diz que o importante é que haja um líder público para fazer a ponte com os parceiros privados. “Quanto mais difuso o projeto, mais difícil que ele saia do papel.”

Setor imobiliário

Rogério Quintanilha, gerente geral de imóveis da Apsa, diz que hoje a zona portuária não é uma área atraente. “Falta iluminação, segurança, pavimentação e bons acessos.” Mas o executivo acredita que a revitalização pode ser a solução para a falta de terrenos disponíveis na capital fluminense. “Essa área vai ser bastante beneficiada”, afirma.A Kreimer Engenharia aposta nessa área. Tanto é que já fez retrofit de duas fábricas que acabaram como concessionárias. Além disso, a empresa foi responsável pela Cidade do Samba.

Agora, a companhia ganhou a licitação da gestão e construção do AquaRio. O total investido chega a R$ 100 milhões e o empreendimento deve ficar pronto em três anos.

“Estamos aptos a fazer qualquer tipo de construção – seja hoteleira, comercial ou residencial. Estamos aguardando o posicionamento da prefeitura para definirmos em que investir”, afirma Roberto Kreimer, diretor-presidente da Kreimer Engenharia. “Acho que no fim a área vai ser uma mescla dos três, é um lugar muito nobre.”

José Conde Caldas, presidente da Concal, lembra que a cidade do Rio de Janeiro está recebendo diversas empresas de grande porte. “Mas faltam empreendimentos de triple A no município para abrigá-las”, diz. A saída pode ser a zona portuária. “Ainda mais agora que a Baía da Guanabara deve finalmente ser despoluída”, aponta. “O grande empecilho é a Perimentral, que esconde a cidade.”

Conde Caldas se refere ao elevado da Perimetral, viaduto com 7 quilôpmetros de extensão construído sobre a Avenida Rodrigues Alves, uma das principais artérias viárias da cidade. Eduardo Paes manifestou, no começo de sua gestão, o desejo de eliminar o trambolho da paisagem da cidade. A ideia, porém, não consta na proposta que foi entregue ao ministro do Turismo.

“O mercado espera ansiosamene por essa revitalização, porque hoje o único destino do setor é a Barra da Tijuca. Vai ser uma alternativa para a classe média”, afirma Rubem Vasconcelos, presidente da Patrimóvel. A CHL espera que isso realmente aconteça. A empresa comprou um terreno de 7 mil metros quadrados e prevê a construção de uma torre de 25 mil metros quadrados de área locável. O Valor Geral de Vendas (VGV) deve girar em torno de R$ 100 milhões.

“Os dois armazéns que já foram reformados conseguiram mudar a postura das pessoas que passam pela região. Pode olhar, na frente deles, ninguém joga mais papel no chão”, afirma Ricardo Freitas, diretor de incorporação da companhia. “O grande problema da área é a questão jurídica. Demoramos muito tempo para encontrar um terreno, porque quase todos são de entes públicos. A maioria dos terrenos abriga escolas de samba, garagem de ônibus ou estão abandonados”, afirma.

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20/05/2009 – 08h39

Rua 25 de Março terá “clone” na zona sul de São Paulo

A rua 25 de Março terá uma réplica na marginal Pinheiros, em Santo Amaro (zona sul de São Paulo), informa reportagem de Mario Cesar Carvalho na edição desta quarta-feira da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Ao contrário do centro popular de compras original, a Nova 25 de Março, como foi batizado o projeto, será um shopping. O “clone” será construído num terreno em uma área industrial abandonada.

“Sempre olhamos o caos urbano da 25 de Março como uma oportunidade de negócios”, diz Márcio Bevilacqua, diretor comercial da Savoy, empresa que criou o projeto.

A escolha do local onde será construída a Nova 25 levou em conta a facilidade de se chegar por meio de transporte público. O shopping ficará entre um terminal de ônibus no Largo 13 e a estação de metrô João Dias.

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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

25/05/09

quarta-feira, 20 de maio de 2009, 10:14

Mundo ‘não está parado’ em discussão climática, diz ONU

ALISTER DOYLE – REUTERS

OSLO – A ONU divulgou na quarta-feira as ideias concorrentes de países ricos e pobres para a luta contra o aquecimento global, e disse que o mundo “não está parado” na discussão de um novo tratado climático.

O texto de 53 páginas inclui sugestões de que os países reservem 2 por cento do seu PIB para ajudar os pobres a lidarem com o aquecimento, enquanto os países ricos defendem um maior envolvimento dos países em desenvolvimento no controle das emissões de gases do efeito estufa.

“Este documento marca um ponto importante na nossa estrada”, disse Yvo de Boer, chefe do Secretariado de Mudança Climática da ONU, em uma declaração que servirá de base para as negociações sobre o novo pacto, a ser concluído em dezembro em Copenhague.

“Faltando apenas 200 dias para Copenhague, o tempo fica mais apertado, mas o mundo não está parado a respeito da mudança climática”, disse ele.

Os textos incluem questões como as metas para as reduções das emissões até 2020 e formas de monitorar ações contra a mudança climática em grandes países em desenvolvimento, como China e Índia. Também há propostas sobre como ampliar o mercado dos créditos de carbono e proteger as florestas tropicais.

Para o longo prazo, há sugestões como a redução das emissões de gases do efeito estufa pela metade até 2050, a limitação do aquecimento médio a 2 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais e uma meta global generalizada de emissões de 2 toneladas de dióxido de carbono por pessoa por ano.

O texto da ONU alerta que o aquecimento global terá efeitos negativos sobre a segurança alimentar, a saúde e a luta contra a pobreza.

Entre as áreas de discordância estão os níveis de redução das emissões. Um painel da ONU disse que os países desenvolvidos deveriam cortar até 2020 entre 25 a 40 por cento das suas emissões, em relação aos níveis de 1990.

Já os países em desenvolvimento querem que os países ricos assumam um compromisso de reduzir “pelo menos 45 por cento”.

Enquanto isso, os EUA defendem para 2020 uma simples volta aos níveis de 1990, o que significa um corte de 14 por cento em relação ao nível de 2007.

De acordo com a ONU, os países em desenvolvimento deveriam pelo menos desacelerar o aumento das suas emissões até 2020. A União Europeia quer cortes de 15 a 30 por cento abaixo da trajetória projetada até 2020.

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ETANOL

25/05/09

Quarta-Feira, 20 de Maio de 2009

Selo certificará produção correta do etanol brasileiro

A partir de junho, Rainforest Alliance avalizará usinas com boas práticas

Andrea Vialli

A partir de junho, os produtores de açúcar e etanol e usinas que quiserem ostentar um selo de boas práticas socioambientais já terão uma alternativa no mercado. A certificação Rainforest Alliance, conhecida no mercado internacional, passa a ter um conjunto de critérios específicos para a indústria de cana-de-açúcar, o primeiro do gênero em todo o mundo.

O selo deve ajudar as empresas a buscarem uma diferenciação no mercado, no caso dos produtores de açúcar, e também evitar pressões ou embargos de ONGs e governos em relação ao etanol brasileiro. “A certificação é uma garantia independente de boas práticas trabalhistas e ambientais no campo. Temos grupos agroindustriais que avançaram muito nessas questões e que merecem essa diferenciação no mercado”, explica Luis Fernando Guedes Pinto, superintendente do Imaflora, organização que concede o selo Rainforest Alliance no Brasil. “A expectativa é que nesta safra de cana-de-açúcar já tenhamos um empreendimento certificado.”

O grupo Adecoagro, que atua no ramo da agroindústria, já possuía a certificação Rainforest Alliance para sua produção de café gourmet, que é exportada para países da Europa, Estados Unidos e Japão. “O selo verde nos permite um prêmio médio de US$ 8 por saca de café”, afirma Marcelo Vieira, diretor do Adecoagro.

Agora, o grupo pretende dar início à certificação para a produção de etanol de sua usina em Angélica (MS). A unidade prevê moer quatro milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2010, quando pretende dar início à produção de açúcar, que será voltada à exportação.

“Vamos começar a realizar as primeiras auditorias em campo para obter a certificação”, diz Vieira. Segundo o executivo, a principal conquista que o selo verde deve trazer é o acesso a novos mercados. “O caminho do etanol brasileiro é a exportação. Estamos nos antecipando a uma exigência de mercados mais exigentes, como o europeu, mas que deve se tornar uma demanda de outros mercados também”, diz Vieira.

O grupo Balbo, de Sertãozinho (SP), dono da marca de orgânicos Native também mostrou interesse na certificação, segundo Pinto, da Imaflora. Existe também o interesse por parte de traders europeias que atuam no País.

” O produtor de açúcar quer vender produto com selo verde, inclusive para as grandes indústrias de alimentos, que começam a exigir certificações. E quem negocia etanol quer reduzir os riscos sociais e ambientais da produção” , diz Pinto.

Para obter o selo verde, a propriedade deve estar em conformidade com um conjunto de padrões de boas práticas trabalhistas e ambientais. As fazendas que tiveram áreas desmatadas após 1999, por exemplo, devem apresentar um plano de recuperação de matas. Há restrições para as queimadas – as propriedades terão três anos para mecanizar a colheita e elaborar um plano para empregar os trabalhadores em outras funções.

No Brasil, a área certificada com o selo Rainforest Alliance está em expansão. Entre 2007 e 2008, houve um aumento de 87% no número de áreas certificadas, hoje em torno de 71,3 mil hectares, a maior parte (85,6%) com cultivo de café.

TENDÊNCIA

Além do selo Rainforest Alliance, existem pelo menos outros dois sistemas de certificação socioambiental para a cana-de-açúcar em elaboração. Um deles é a Better Sugarcane Initiative (BSI), com base na Inglaterra, e que deve estar pronta até o final deste ano. Outra é a Mesa Redonda para os Biocombustíveis Sustentáveis, conduzido pela Universidade de Lausanne, na Suíça.

“Muitos compradores de etanol já estão incluindo critérios ambientais nos contratos. É uma demanda que terá de ser cumprida”, diz Geraldine Kuntas, assessora internacional da Unica, entidade que representa a indústria de açúcar e etanol. Segundo ela, a partir de 2010 passa a vigorar uma diretiva da União Europeia sobre o uso de energias renováveis no transporte, o que deve dar impulso às exportações de etanol.
O SELO VERDE

O que é: o selo Rainforest Alliance atesta a produção ecologicamente correta, com menor impacto à biodiversidade e com respeito às leis trabalhistas

Quem se certifica: propriedades agrícolas que cultivam cana-de-açúcar, café, frutas, dendê, milho, soja e amendoim

Quem concede: entidades credenciadas, como a Imaflora (www.imaflora.org.br)

Por que é importante: grandes compradores de açúcar, como a indústria de alimentos, começam a exigir o selo de boas práticas socioambientais dos fornecedores. No caso do etanol, pode evitar barreiras ao produto nacional

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BIOCOMBUSTÍVEIS

25/05/09

Lula quer parceria para produzir biocombustíveis na África

20/05/2009 – 09:53

Agência Estado

Pequim – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem em Pequim que o Brasil e a China criem parceria para a produção de biocombustíveis na África, o que poderia reduzir o temor dos chineses de que o projeto afete a produção de alimentos e ajudar a reduzir a pobreza naquele continente. “Nós poderíamos estar dando aos países africanos – que passaram todo o século 20, o século 19 e o século 18 sem esperança – a esperança e a certeza de que no século 21 eles poderiam ter a chance que não tiveram nos séculos passados”, declarou o presidente no discurso de encerramento do seminário que reuniu quase 300 empresários brasileiros e chineses ontem em Pequim.

A emergência de China e Brasil no cenário internacional e o aumento da participação de ambos os países nos fóruns globais permearam o discurso de Lula. “Estamos aprendendo a gostar de ser ricos”, ressaltou o presidente, destacando que os dois governos ainda têm muito o que fazer para melhorar o padrão de vida de suas populações.

Em todos os encontros que teve com autoridades chinesas, Lula afirmou que o momento atual é de consolidação da parceria estratégica entre os dois países. O presidente repetiu em várias ocasiões que a China se tornou o maior destino das exportações brasileiras nos primeiros quatro meses deste ano, superando os Estados Unidos.

O número de empresários que acompanharam a visita de Lula superou as estimativas de representantes do setor privado e 220 executivos de pouco mais de 100 empresas compareceram ontem ao seminário promovido pelo Banco de Desenvolvimento da China (BDC). Ainda assim, a comitiva não chegava à metade da que acompanhou Lula em sua primeira viagem ao país asiático, em 2004. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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