Redução de emissões
29/06/0925 de junho de 2009
Potências consideram reduzir à metade CO2 do mundo
Meta adotada por EUA e China poderá ser a de cotar emissões de gases causadores do efeito estufa até 2050
ALISTER DOYLE – REUTERS
OSLO – Grandes potências econômicas, como Estados Unidos e China, estão avaliando a possibilidade de estabelecer como meta reduzir à metade as emissões de gases causadores do efeito estufa até 2050, quando se encontrarem numa cúpula na Itália no mês que vem, indicou um documento preliminar.
O texto diz que o Fórum das Maiores Economias (MEF, na sigla em inglês), que conta com 17 membros, tentará dobrar os investimentos públicos em tecnologia de baixo carbono até 2015 e incrementar o financiamento para combater o aquecimento global, tanto por fontes públicas e privadas, como pelos mercados de carbono.
O projeto foi proposto pelos EUA e pelo México durante discussões no México esta semana, sem que se chegasse a um acordo antes da cúpula do MEF em 9 de julho. O presidente dos EUA, Barack Obama, lançou o MEF para ajudar na negociação de um novo pacto climático da Organização das Nações Unidas (ONU) esperado para dezembro.
“Apoiamos uma meta global de reduzir as emissões globais em 50 por cento até 2050, com os países desenvolvidos reduzindo as emissões em ao menos 80 por cento até 2050″, diz a versão preliminar do projeto, obtido pela Reuters e datado de 22 de junho.
No ano passado, os países industrializados do Grupo dos Oito concordaram em uma cúpula no Japão com a “perspectiva” de reduzir à metade os gases-estufa mundiais até 2050 para ajudar a evitar mais secas, enchentes, ondas de calor e o aumento no nível dos oceanos.
Países em desenvolvimento, incluindo China, Índia e Brasil, não aprovaram essa meta para 2050 no Japão, argumentando que os ricos tinham que, primeiro, estabelecer metas rigorosas até 2020 para si. A cúpula do MEF ocorrerá em paralelo à cúpula do G8 deste ano na Itália.
A declaração preliminar de duas páginas não estabelece metas claras, mas diz que os países desenvolvidos, incluindo os EUA, a União Europeia e o Japão, iriam “responsabilizar-se por robustas reduções individuais e agregadas no intervalo de tempo até 2020.”
Países em desenvolvimento como a China e a Índia dizem que os ricos deveriam cortar as emissões em “ao menos 40 por cento” abaixo dos níveis de 1990 até 2020 — meta que, segundo os países desenvolvidos, está fora de alcance enquanto eles tentam estimular as economias atingidas pela recessão.
E o texto diz que os países em desenvolvimento tomariam medidas até 2020 para garantir uma “distância significativa dos negócios de costume” a fim de reduzir as emissões crescentes, principalmente pela queima de combustíveis fósseis.
O documento também chega perto de estabelecer um ano de pico para as emissões globais. “O ponto máximo das emissões globais e nacionais deve ocorrer o mais rápido possível, reconhecendo que o cronograma para que se atinja o ponto máximo será mais longo nos países em desenvolvimento.”
Os 17 membros do MEF são responsáveis por 80 por cento das emissões globais.
Com lei, Congresso dos EUA quer uma “revolução de energia verde”
EMMANUEL PARISSE
da France Presse, em Washington
A Câmara de Representantes americana deve se pronunciar, a partir de sexta-feira (26), sobre um amplo projeto de lei que instauraria um sistema para limitar as emissões de gases de efeito estufa –uma das prioridades do presidente Barack Obama.
Depois de meses de conversações com os representantes dos Estados dependentes de carvão e petróleo, assim como com os legisladores de estados agrícolas produtores de etanol, líderes democratas chegaram a um acordo para a votação.
Charlie Riedel -23.jun.08/AP

Plantação de milho para combustível etanol em fazenda nos EUA; câmara do país apresentará amplo projeto de lei energético
Obama já havia reiterado seu apelo ao Congresso para que aprovasse a nova lei. “A nação que liderar a criação da energia limpa será a que vai liderar a economia do século 21″, disse durante entrevista à imprensa durante a terça-feira, na Casa Branca.
Henry Waxman, presidente da Comissão de Energia e Comércio que dirigiu os debates sobre o projeto de lei junto com o colega Ed Markey, apresentou nesta semana uma última versão do texto de 11.200 páginas.
O plano busca a reduzir as emissões de CO2 criando empregos ecológicos e diminuindo a dependência de fontes de energia estrangeiras.
“Com este projeto de lei (…) vamos criar uma revolução de energia verde”, disse Markey, em entrevista à imprensa. “O mundo inteiro espera ver se o presidente Obama irá a Copenhague [na conferência da ONU sobre o clima, em dezembro] liderando a tentativa de redução de gases de efeito estufa e provocando, ao mesmo tempo, uma revolução com os empregos ecológicos”, acrescentou Markey.
O projeto prevê a criação de um sistema de mercado de direitos de emissões denominado “cap and trade”. Neste sistema estes direitos serão vendidos ou concedidos gratuitamente para as indústrias mais vulneráveis (aço, vidro).
O objetivo é conseguir uma redução das emissões de gases de efeito estufa em 2020 no percentual de 17% em relação ao nível de 2005.
Além disso, os provedores americanos de eletricidade deverão obter 15% de sua produção de energia de fontes renováveis (eólica, solar, geotérmica) em 2020. Esta cifra será combinada com uma exigência para estes mesmos provedores de realizar 5% de economia anual através de medidas de eficácia energética.
Mas os republicanos da Câmara e alguns democratas de centro se opõem ao “cap and trade”, temendo que o sistema provoque um aumento dos custos da energia.
Segundo uma análise da Agência de Meio Ambiente dos Estados Unidos (EPA) divulgado nesta semana, a execução do projeto de lei custará de US$ 80 a US$ 111 por ano aos lares americanos. Para a Comissão de Orçamento do Congresso (CBO), este custo será de US$ 175 anuais.
Estas cifras relativamente modestas contradizem com as estimadas pelos republicanos, que se referiram a US$ 3.100 anuais citando um “estudo independente” do Massachusetts Institute of Technology (MIT).
Segundo pesquisa do jornal “The Washington Post” publicada hoje, 75% dos americanos acreditam que o Estado federal deva regulamentar as emissões de gases de efeito estufa. Mas só 52% apoiam a ideia de um mercado de direitos de emissões.
Depois da Câmara, será a vez de o Senado estudar o projeto de lei.
ONU pede ‘revolução energética’ para enfrentar aquecimento
Criar agenda mundial que permita transformação é o objetivo dos 500 especialistas que se reúnem em Viena
Efe
VIENA – Mais de 1,6 bilhão de pessoas não têm acesso à eletricidade e o planeta enfrenta uma mudança climática por causa do uso excessivo dos combustíveis fósseis, uma dupla realidade que a ONU pediu nesta segunda-feira, 22, que seja enfrentada através de uma “revolução energética” para abrir o mundo às energias limpas.
Criar uma agenda mundial que permita essa transformação é o objetivo dos 500 especialistas que se reúnem até quarta-feira, 24, em Viena para tentar desenhar um futuro com menos emissões poluentes e com mais “justiça energética”.
O pedido foi feito por Kandeh Yumkella, diretor-geral da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), na abertura do encontro.
Ao falar sobre as medidas adotadas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa, o diplomata leonês citou o Brasil como um exemplo de aplicação das atuais tecnologias para reduzir o problema.
Por outro lado, ele destacou o “vínculo entre baixa renda e pobreza energética” e assegurou que o acesso à energia é o “objetivo perdido” dentro dos Objetivos do Milênio da ONU, com os quais a organização quer combater a pobreza e o subdesenvolvimento antes de 2015.
Yumkella afirmou que “acesso à energia e mudança climática são duas faces de uma mesma moeda.”
Ele destacou ainda a necessidade de uma “revolução energética” que dê aos habitantes dos países em desenvolvimento acesso à energia, enquanto são potencializadas fontes alternativas, incluindo a nuclear.
Nesse sentido, afirmou que entre as tarefas da Onudi está evitar que os países em desenvolvimento cometam os mesmos erros que as nações ricas durante seu processo de industrialização.
Já o presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) da ONU, Rajendra Pachauri, afirmou que a revolução deve ser “dramática e acontecer muito em breve.”
Essa transição terá que ser feita rapidamente, já que, segundo este especialista, “se a intenção é estabilizar o aumento de temperatura (do planeta) em dois graus Celsius”, o crescimento das emissões de gases do efeito estufa deve se reduzir antes de 2015.
Além disso, lembrou, hoje em dia já há muitos países em desenvolvimento que não podem arcar com os preços do petróleo.
Os especialistas reconheceram que nesta mudança a atual crise econômica terá um impacto grande e que já foi possível notar uma redução, em alguns casos de até 40%, nos investimentos em energias limpas.
Este é um dado preocupante, já que o diretor da Onudi afirmou que as quedas de investimento industrial podem demorar até cinco anos para ser recuperadas.
“Por isso, dizemos que o amanhã é hoje. Temos que começar agora”, advertiu Yumkella, que inclusive viu na crise econômica uma oportunidade para essa “revolução da energia verde”.
Por sua parte, Pachauri, que em 2007 recebeu o Prêmio Nobel da Paz em nome do IPCC, lembrou que, se continuarem a ser ignorados “os sinais do que está acontecendo, vai haver crise em diversas zonas do mundo”.
Além disso, os dois representantes das Nações Unidas insistiram em que o investimento em energias renováveis é uma fonte de negócio e de emprego que pode ajudar a acelerar a recuperação econômica.
Pachauri calculou em US$ 50 bilhões ao ano o investimento necessário para desenvolver novas formas de acesso energético, um valor que vários presentes à conferência consideraram pequeno, em comparação com os pacotes de resgate de empresas e bancos aprovados pelos Governos de países ocidentais.
O economista ressaltou que os países desenvolvidos devem estabelecer suas “prioridades” e advertiu que o mundo “terá que enfrentar situações muito piores” se não forem adotadas medidas para combater o problema.
“Não podemos seguir fingindo que nosso estilo de vida é sustentável”, ressaltou.
Nesse processo, Yumkella expressou esperanças de que a conferência da ONU que será realizada em dezembro em Copenhague acabe com um acordo internacional para limitar as emissões de gases do efeito estufa.

