Mudanças climáticas
Sábado, 13 de Junho de 2009
Conferência de Bonn termina com sinal promissor dos EUA
Pela proposta, países industrializados devem reduzir em 80% suas emissões até 2050
EFE
A conferência sobre mudanças climáticas de Bonn, preparatória da Cúpula de Copenhague que fixará um acordo pós-Kyoto, foi encerrada ontem com sinais promissores, depois que os Estados Unidos apresentaram de surpresa uma proposta para a redução de gases poluentes.
A delegação americana, país que não ratificou o Protocolo de Kyoto, propôs um plano concreto de redução a longo prazo das emissões, que inclui objetivos fixos para os países industrializados e pede também uma contribuição clara das nações em desenvolvimento.
A proposta, ainda em fase de esboço até seu desenvolvimento completo durante a Cúpula de Copenhague, em dezembro, prevê como objetivo a redução de 80% até 2050 para os industrializados. Os países em desenvolvimento, em troca, também devem contribuir para a redução, mas sem estabelecimento de metas. A formulação está longe ainda dos pontos defendidos pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, mas a apresentação de um plano foi recebida pelo seu secretário-geral, o holandês Yvo de Boer, como um sinal de esperança para a reunião da capital dinamarquesa.
De Boer havia recriminado as primeiras sessões em Bonn, que começaram na semana passada com a participação de mais de 4 mil especialistas e foi marcada pela falta de ambição por parte dos países industrializados e emergentes. Até agora, os objetivos defendidos pelos cerca de 30 países industrializados presentes em Bonn, entre eles praticamente toda a União Europeia, partem de uma redução das emissões entre 17% a 26% até 2020.
No entanto, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU defende a necessidade de reduzir as emissões entre 25% e 40% em comparação com os níveis de 1990, como um esforço mínimo para evitar danos maiores ao planeta.
Esses objetivos de redução fazem parte das negociações prévias à Cúpula de Copenhague, concentradas em sessões preparatórias feitas em Bonn e tendo como meta elaborar um acordo para substituir o Protocolo de Kyoto a partir de 2012. De Boer chegou a lamentar a falta de propostas apresentadas até agora, o que, segundo ele, torna ainda mais lentas as negociações.
Anteontem, houve a formulação do Japão, que se limitou a anunciar uma redução de emissões em cerca de 15% em 2020 com respeito aos níveis de 2005. Organizações não governamentais também apresentaram uma proposta de redução de dióxido de carbono.
terça-feira, 9 de junho de 2009, 17:11
China diz estar comprometida com sucesso de acordo climático
País deu resposta positiva à visita de dois dias a Pequim do enviado do presidente Barack Obama para o clima
AP
PEQUIM - A China afirmou nesta terça-feira, 9, estar comprometida em fazer da reunião de Copenhague contra o aquecimento global deste ano um sucesso, emitindo uma nota positiva ao final da visita de dois dias a Pequim do enviado do presidente Barack Obama para o clima.
O ministro das Relações Exteriores, Qin Gang, deu poucos detalhes e reafirmou a insistência da China nas “responsabilidades comuns mas diferenciadas” sob as quais os países desenvolvidos como os Estados Unidos arcariam com a maior parte da responsabilidade pela redução nas emissões de gases estufa.
No entanto, Qin relatou as conversas entre o enviado de Obama, Todd Stern, e as autoridades chinesas, incluindo o vice-primeiro-ministro, Li Keqiang, como construtivas, possivelmente indicando um momento positivo para um acordo entre as duas nações.
Os dois lados concordaram em “pressionar na reunião de Copenhagen por resultados positivos”, disse Qin.
Até o momento, autoridades norte-americanas falharam em chegar a um consenso com a China para a redução das emissões de carbono. O país rejeitou as propostas dos Estados Unidos e da Austrália para a redução de seus níveis de emissão, negando também as demandas por diminuições em países em desenvolvimento, chamando-as de “pouco realistas”.
Stern não fez nenhum comentário público durante a visita, embora o Secretário Assistente de Energia dos EUA, David Sandalow, tenha dito na segunda-feira, 8, que as conversas foram “frutíferas e produtivas”, enquanto apontou que ainda há pontos a serem superados na agenda climática.
“A China pode e vai precisar fazer muito mais se o mundo vai ter qualquer esperança de conter o aquecimento global”, afirmou.
