Energias renováveis

23 de junho de 2009

Energia eólica é suficiente para o mundo, diz estudo

AE – Agencia Estado

SÃO PAULO – O vento pode suprir as necessidades energéticas do mundo, segundo estudo publicado hoje na revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)”. A notícia é um bom presságio para os defensores das fontes limpas de energia. A matriz eólica, como a solar, suscita esperanças na luta contra o aquecimento global. No Brasil, se os cálculos do estudo estiverem certos, só os aerogeradores terrestres produziriam, no mínimo, cerca de 14 vezes a eletricidade consumida no País. Para os aerogeradores marítimos, a proporção seria de cerca de três vezes as necessidades brasileiras.

 

Pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e do Centro de Pesquisa Técnica VTT, da Finlândia, determinaram a energia que poderia ser produzida em cada turbina eólica com base na velocidade local do vento, na densidade do ar, no possível espaçamento dos aerogeradores e no tamanho das hélices. Os cientistas também consideraram áreas no mar. Os aerogeradores implantados em terra firme conseguiriam produzir o equivalente a 40 vezes o consumo mundial de eletricidade e cerca de cinco vezes o consumo de energia em todas as suas formas.

 

Nos Estados Unidos, por exemplo, seria possível produzir 16 vezes o consumo atual de eletricidade do país. Um dos autores do estudo, Michael McElroy, da Universidade Harvard, considera essencial um esforço global para viabilizar o uso da energia eólica em todo o mundo. “Também seria necessário reformar o sistema de distribuição de eletricidade atual”, aponta McElroy.

 

O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ênio Bueno, especialista em energia eólica, pondera que o estudo leva em conta apenas o potencial de aproveitamento dos ventos para geração de energia. “Seria preciso considerar também a viabilidade técnica em cada local e a viabilidade financeira” aponta. “Isso reduz muito a previsão dos pesquisadores.” Estudo dos técnicos do Inpe, em janeiro, mostra que os ventos brasileiros podem atender mais de 60% do consumo nacional de energia de forma competitiva. Com o barateamento progressivo da tecnologia, o porcentual deve aumentar. Atualmente, menos de 1% da energia consumida no país é gerada por vento. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Deserto do Saara pode virar fonte de energia

O Estado de S. Paulo
Data: 20/06/2009

Kate Connolly

Empresas alemãs se unem para iniciar estudos para tentar viabilizar a captação de energia solar na África e transportar a eletricidade para a Europa

Vinte poderosas companhias alemãs pretendem somar seus recursos para explorar energia solar nos desertos do norte da África e transportar a eletricidade limpa para a Europa.

As empresas, que incluem alguns dos maiores nomes em energia, finanças e fabricação da Europa, formarão um consórcio no próximo mês. Se for bem-sucedido, o plano poderá alimentar a Europa com energia solar no prazo de uma década, dizem elas.

O consórcio por trás do que seria a maior iniciativa em energia solar inicialmente tentará despertar o interesse de outros investidores para o projeto, conhecido como Desertec, cujo custo estimado gira em torno de 400 bilhões.
Torsten Jeworrek, membro da diretoria da resseguradora alemã Munich Re, que está liderando o projeto, disse: “Queremos fundar uma iniciativa que, nos próximos dois a três anos, coloque medidas concretas na mesa.” Como outras resseguradoras, a Munich Re espera um forte crescimento de demandas por danos causados pela mudança climática nos próximos anos.

As companhias, entre as quais Siemens, Deutsche Bank, e as gigantes de eletricidade RWE e Eon, se reunirão em 13 de julho em Munique para elaborar um acordo. Ministros do governo alemão e o Clube de Roma, uma ONG integrada por importantes cientistas, administradores e políticos, baseada em Zurique, também são esperados no evento.

As companhias salientam que o projeto é uma oportunidade para promoverem a luta contra a mudança climática e se posicionarem no topo da indústria de tecnologia verde. A Alemanha, apesar de sua relativa falta de sol, se tornou líder em energia solar.O potencial energético nos desertos é enorme. Segundo o Instituto de Energia da Comissão Europeia, se apenas 0,3% da luz que incide sobre desertos do Saara e do Oriente Médio for capturado, isso proveria de energia a Europa inteira.

O projeto Desertec visa a construir plantas de energia solar em vários locais no norte da África. Jeworrek disse que os “critérios mais importantes” eram que os locais estivessem “situados em terras politicamente estáveis”. Marrocos, Líbia e Argélia foram citados como locais propícios, onde a terra é também barata.
A técnica, “concentrar energia solar” ou CSP (na sigla em inglês), usa conjuntos de espelhos para focar os raios do sol numa coluna central cheia de água. Os raios aquecem a água, transformando-a em vapor que é usado para acionar turbinas e gerar eletricidade sem emissão de carbono. A energia seria transportada então por linhas de transmissão de corrente contínua (CC) de alta voltagem para a Europa.

Hans Muller-Steinhagen, do Aerospace Centre na Alemanha, disse que é tecnicamente viável, mas dispendioso, transportar a energia por milhares de quilômetros. Ele disse que a energia solar do deserto já vinha sendo aproveitada, mas em usinas isoladas. Usinas CSP operam no oeste americano, enquanto usinas independentes estão sendo construídas na Espanha, Marrocos, Argélia e Emirados Árabes Unidos. Mas os projetos sofreram com o nervosismo de investidores tendo em vista o custo da grade de infraestrutura necessária, bem como o preço barato de combustíveis fósseis.

Representantes alemães de grupos ambientalistas receberam com entusiasmo a notícia.
“As empresas finalmente reconheceram que as energias renováveis são o futuro”, disse Andree Bohling do Greenpeace.

Uma nota de advertência foi colocada por um parlamentar alemão, Hermann Scheer, presidente da Associação Europeia para Energia Renovável. Ele advertiu que os custos seriam muito mais vastos e os prazos seriam estourados em razão de problemas como tempestades de areia.

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